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domingo, 2 de abril de 2017

EVANGELHO e HOMILIA NO FACEBOOK!

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

COMO ELE DIZ “ALHOS” E NÓS OUVIMOS “BUGALHOS”!

 (Lc 13, 22-30)

O coração da mensagem de Jesus era o Reino de Deus, e nós continuamos a achar que o que está em causa é a “salvação”. Jesus anuncia com uma transparência extraordinária a Ação de Deus que vem para tomar conta do mundo, e nós ainda pensamos que Jesus nos anda a dizer o que nós havemos de fazer para que Deus tome conta de nós.

Jesus proclama o Reino de Deus como atividade de Deus, e vezes demais encontramos quem ainda não tenha descoberto um Deus Vivo e Ativo no mundo. O grande apelo de Jesus é para Entrarmos neste Reinado de Deus, e há quem não queira mais do que “entrar no céu”.

A Conversão que Jesus propõe é uma Rendição ao Poder de Deus que se manifesta em Jesus e emana da sua vida. Espírito Santo é a maneira como chamamos a este Poder de Deus e Difusão Pascal.  Render-se ao Espírito Santo e consentir na Vontade de Deus, libertando-se dos poderes deste mundo e sendo curado das vontades malignas que nos influenciavam, eis a Conversão ao Reino de Deus. Mas, há quem só queira “salvar a alma”, sem ter que mudar de vida nem trocar de Dono. Quem até queira “converter-se de pecados”, mas sem “converter-se ao Reino de Deus”.

Jesus aparece no mundo como Conspiração de Deus. Assim começa e se estende o Reinado de Deus entre nós, como Conspiração iniciada por aquele Galileu… Porque Deus vem para o que é Seu, mas os Seus não lhe querem devolver. Ser de Jesus é entrar nesta movimentação jesuânica de boicote a um mundo que impôs as suas leis à força. Entrar no Reino de Deus é tomar parte da Conspiração Divina para mudar o mundo de mãos, entregando-o, livre, ao cuidado do único Senhor que sabe o que fazer com ele e conosco.

A Esperança máxima dos que são do Movimento de Jesus é que o Reino de Deus Venha e se Cumpra, que apareçam Novos Céus e Nova Terra, mas, continua a repetir-se por aí a lenga-lenda religiosa que põe a sua máxima esperança em “ir para o céu”. 

A maneira como Evangelho está contado é simples e direta! Jesus está a anunciar o Reino de Deus. O “você está aqui”, agora, está a apontar para o centro do capítulo 13 do evangelho de Lucas. Jesus pergunta-se a si mesmo, em voz alta, como quem mostra o que o ocupa por todos os lados: “Como havemos de anunciar o Reino de Deus? Com que parábolas havemos de o dizer?” É o verso 18. E Jesus lembra-se do grão de mostarda… Depois, no verso 20, continua: “Que imagens hei de usar para anunciar o Reino de Deus?”, e usa a do fermento que leveda no meio da massa.

A cena seguinte é esta que apanhamos em flagrante no evangelho de hoje: “Senhor, os que se salvam são poucos?”. É o verso 23. Que mudança de tom… Jesus não responde “sim”. Nem “não”. Nem “poucos” ou “muitos”. Nem encolheu os ombros. Jesus virou outra vez a agulha para o que quer que nós ouçamos, e usou mais uma imagem para nos desafiar a entrar no Reino de Deus (desta vez, a porta estreita) e contou mais uma parábola sobre entrar e ficar fora, em que Deus é o Dono da Casa. E termina, a “la Jesus”: “virão pessoas de todas as partes, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul para tomarem parte no Reino de Deus!”

É um mundo ao contrário! É uma terra do avesso! “Uns quantos últimos serão primeiros, e uns quantos primeiros serão últimos”. Enquanto não despertarmos diante destas mudanças de agulha, estamos a dormir o sono abúlico da religião.

As imagens de Jesus mexem comigo. Aquela do Dono da Casa não nos reconhecer, até dói só de ouvir. Não quero que me aconteça. Morreria naquela porta, de tristeza. Tomar parte no Reino de Deus não é pertencer exteriormente a um grupo ou fazer ritualmente algumas atividades. Claramente, o que está em causa é ser amigo do Dono da Casa, conhecê-lo e estar-lhe perto. Ser próximo dele, porque sem proximidade não se constrói intimidade. Quero que Ele, o Senhor e Dono da Casa, me conheça, me reconheça, se lembre de me ter por perto.

O diálogo que Jesus põe na boca daqueles da parábola, é tão certeiro como de costume: “Nós comemos contigo, bebemos contigo, ensinaste entre nós”. Comida, bebida e palavra: não é isto a nossa Eucaristia? Comer o Pão, beber o Vinho e escutar a Palavra.

“Então não Te lembras da quantidade de vezes que fomos à missa?!” E, lá de dentro, uma voz diz “Não vos conheço!” àqueles que ficaram de fora…  “Esforcem-se por entrar”. Este é o desafio. Não se entra na Conspiração Divina “sem querer” ou por acaso. É um convite que nos é feito de maneira velada, uma insinuação interior que o Espírito faz ao nosso espírito, uma orientação de vida que começa a atrair-nos, primeiro, e a assustar-nos, depois, e a atrair-nos ainda mais, e a perdoar-nos muito, entretanto…

Esforcem-se por entrar. É a tal Conversão ao Reino de Deus, que implica rendição, consentimento, decisão e seguimento.

E, tendo apanhado a força deste mandato ao esforço deste convite à Entrada, podemos parar na imagem da porta que é estreita. Como sempre, o que importa não é o tamanho. Estreita, aqui, não quer dizer “pequena” nem “para poucos”. Quer dizer que não se acerta nela sem querer ou por sorte. Não basta ir com a multidão, porque a multidão não vai até lá. Não basta deixar-se levar pela confortável maior parte, porque só a abnegação do Resto Fiel sabe o caminho de porta tão especial.

Se a passagem é estreita, quer dizer que é preciso focar! Focar bem, orientar-se direito. Não é tudo igual, não vale tudo o mesmo e não está tudo bem. Se a passagem é estreita, é preciso procurá-la, discerni-la, orientar-se para ela, dirigir-se em função dessa nesga que leva à Vida! Porque é larguíssimo o caminho para lado nenhum. É vastíssimo o território onde não se sai do lugar. Mas é pela brecha da Conversão que a gente se enche de esperanças, como quem dá a volta e se aponta para nascer outra vez.

Pe. Rui Santiago, cssr.
Plano B: https://www.facebook.com/homilias.rui.santiago.cssr/


Em tempo: Você sabe o que é "bugalhos"?

Ao ouvir esta expressão a gente entende que não se deve fazer confusão entre uma coisa e outra. Mas, afinal, o que são "bugalhos"? E por que alguém iria confundir com alhos? Uma ida ao dicionário nos faz raciocinar e entender a questão. Diz o Aurélio que bugalho é "galha arredondada ou coroada de tubérculos que se forma nos carvalhos". Diz ainda que bugalho é “o globo ocular”.  Então, no popular, bugalhos são bolotas existentes no carvalho, mais ou menos redondas, como os alhos. Daí a possibilidade de alguém confundi-los. Sobre a relação como globo ocular‚ é porque também é semelhante ao bugalho, mais ou menos redondo e com nódulos. Por isso, chama-se de "esbugalhados", os olhos bem abertos, como bugalhos. 



sexta-feira, 18 de março de 2016

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR - ANO C

Refletindo...  A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

Com a chegada de Jesus a Jerusalém e os acontecimentos da semana santa, chegamos ao fim do “caminho” começado na Galileia. Tudo converge, no Evangelho de Lucas, para aqui, para Jerusalém: é aí que deve irromper a salvação de Deus. Em Jerusalém, Jesus vai realizar o último ato do programa enunciado em Nazaré: da sua entrega, do seu amor afirmado até à morte, vai nascer esse Reino de homens novos, livres, onde todos serão irmãos no amor; e, de Jerusalém, partirão as testemunhas de Jesus, a fim de que esse Reino se espalhe por toda a terra e seja acolhido no coração de todos os homens.

Para além da reflexão geral sobre o sentido da paixão e morte de Jesus, convém ainda notar alguns dados que são exclusivos da versão lucana da paixão:
·         No relato da instituição da Eucaristia, só Lucas põe Jesus a dizer: “fazei isto em memória de Mim” (cf. Lc 22,19). A expressão não quer só dizer que os discípulos devem celebrar o ritual da última ceia e repetir as palavras de Jesus sobre o pão e sobre o vinho; mas quer, sobretudo, dizer que os discípulos devem repetir a entrega de Jesus, a doação da vida por amor.
·         Só Lucas coloca no contexto da última ceia a discussão acerca de qual dos discípulos seria o “maior” e a resposta de Jesus (cf. Lc 22,24-27). Jesus avisa os seus que “o maior” é “aquele que serve”; e apresenta o seu próprio exemplo de uma vida feita serviço e dom. Estas palavras soam a “testamento” e convocam os discípulos para fazerem da sua vida um serviço aos irmãos, ao jeito de Jesus.
·         No jardim das Oliveiras, só Lucas faz referência ao aparecimento do anjo e ao “suor de sangue” (cf. Lc 22,42-44). Esta cena acentua a fragilidade humana de Jesus que, no entanto, não condiciona a sua submissão total ao projecto do Pai; e sublinha a presença de Deus, que não abandona nos momentos de prova aqueles que acolhem, na obediência, a sua vontade.
·         Também no relato da paixão aparece a ideia fundamental que perpassa pela obra de Lucas: Jesus é o Deus que veio ao nosso encontro, a fim de manifestar a todos os homens, em gestos concretos, a bondade e a misericórdia de Deus. Essa ideia está presente no gesto de curar o guarda ferido por Pedro no Jardim do Getsemani (cf. Lc 22,51); está também presente nas palavras de Jesus na cruz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” – Lc 23,34 (é desconcertante o amor de um Filho de Deus que morre na cruz pedindo desculpa ao Pai para os seus assassinos); está, ainda, presente nas palavras que Jesus dirige ao criminoso que morre numa cruz, ao seu lado: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso” – Lc 23,43 (é desconcertante a bondade de um Deus que faz de um assassino o primeiro santo canonizado da sua Igreja).
·         Todos os sinópticos falam da requisição de Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus (cf. Mt 27,32; Mc 15,21); no entanto, só Lucas refere que Simão transporta a cruz “atrás de Jesus” (cf. Lc 23,26). Este dado serve a Lucas para apresentar o modelo do discípulo: é aquele que toma a cruz de Jesus e O segue no seu caminho de entrega e de dom da vida (“se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz dia após dia e siga-mM” – Lc 9,23; cf. 14,27).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Refletindo 2º Domingo da Quaresma!

ANO C
Lc 9, 28b-35

O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Filho amado do Pai, cujo êxodo (a morte na cruz) concretiza a nossa libertação. O projeto libertador de Deus em Jesus não se realiza através de esquemas de poder e de triunfo, mas através da entrega da vida e do amor que se dá até à morte. 

É esse o caminho que nos conduz, a nós também, à transfiguração em Homens Novos!

O relato da transfiguração de Jesus,  é uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que através da cruz concretiza um projeto de vida.

O episódio está cheio de referências ao Antigo Testamento. O “monte” situa-nos num contexto de revelação (é “no monte” que Deus Se revela e que faz aliança com o seu Povo); a “mudança” do rosto e as vestes de brancura resplandecente recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29); a nuvem indica a presença de Deus conduzindo o seu Povo através do deserto (cf. Ex 40,35; Nm 9,18.22;10,34).

Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus); além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva (cf. Dt 18,15-18; Mal 3,22-23).  Eles falam com Jesus sobre a sua “morte” que ia dar-se em Jerusalém. A palavra usada por Lucas situa-nos no contexto do “êxodo”: a morte próxima de Jesus é, pois, vista por Lucas como uma morte libertadora, que trará o Povo de Deus da terra da escravidão para a terra da liberdade.

A mensagem fundamental é, portanto, esta: Jesus é o Filho amado de Deus, através de quem o Pai oferece aos homens uma proposta de aliança e de libertação.
O Antigo Testamento (Lei e Profetas) e as figuras de Moisés e Elias apontam para Jesus e anunciam a salvação definitiva que, n’Ele, irá acontecer. Essa libertação definitiva dar-se-á na cruz, quando Jesus cumprir integralmente o seu destino de entrega, de dom, de amor total. É esse o “novo êxodo”, o dia da libertação definitiva do Povo de Deus.

E o “sono” dos discípulos e as “tendas”? O “sono” é simbólico: os discípulos “dormem” porque não querem entender que a “glória” do Messias tenha de passar pela experiência da cruz e da entrega da vida; a construção das “tendas,  parece significar que os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, de festa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus.

 O fato fundamental deste episódio reside na revelação de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o plano salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de Si próprio por amor. É dessa forma que se realiza a nossa passagem da escravidão do egoísmo para a liberdade do amor. A “transfiguração” anuncia a vida nova que daí nasce, a ressurreição.

Os três discípulos que partilham a experiência da transfiguração recusam-se a aceitar que o triunfo do projeto libertador do Pai passe pelo sofrimento e pela cruz. Eles só concebem um Deus que Se manifesta no poder, nas honras, nos triunfos; e não entendem um Deus que Se manifesta no serviço, no amor que se dá.

Qual é o caminho da Igreja de Jesus (e de cada um de nós, em particular): um caminho de busca de honras, de busca de influências, de promiscuidade com o poder, ou um caminho de serviço aos mais pobres, de luta pela justiça e pela verdade, de amor que se faz dom? É no amor e no dom da vida que buscamos a vida nova aqui anunciada?


Os discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem também não ter muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, mas alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, a experiência de Jesus obriga a continuar a obra que Ele começou e a “regressar ao mundo” para fazer da vida um dom e uma entrega aos homens nossos irmãos. A religião não é um “ópio” que nos adormece, mas um compromisso com Deus que Se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Refletindo...05º Domingo do Tempo Comum - Ano C

A liturgia deste domingo leva-nos a reflectir sobre a nossa vocação: somos todos chamados por Deus e d’Ele recebemos uma missão para o mundo.

EVANGELHO – Lc 5,1-11

AMBIENTE
Estamos na Galileia, no início do ministério de Jesus. Há algum tempo, Ele apresentou o seu programa na sinagoga de Nazaré como anúncio da Boa Nova aos pobres e proposição da libertação para os prisioneiros… Agora, começam a notar-se os primeiros resultados da atividade de Jesus: à sua volta começa a formar-se o grupo dos que foram sensíveis a essa proposta de salvação e seguiram Jesus.

MENSAGEM
O texto que nos é proposto como Evangelho é uma catequese que procura apresentar as coordenadas fundamentais da identidade cristã: o que é ser cristão? Como se segue Jesus? O que é que implica seguir Jesus?

Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco” (vers. 3). É desse barco (a comunidade cristã), que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo, propondo a todos a libertação (“pôs-Se a ensinar, da barca, a multidão”).

Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar (vers. 4-5). Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes, ridículas (e quantas vezes o parecem, face aos esquemas e valores do mundo…); mas é preciso confiar incondicionalmente, entregar-se nas mãos d’Ele e cumprir à risca as suas indicações (“porque Tu o dizes, lançarei as redes” – vers. 5).

Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor” (vers. 8): é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos. O título “Senhor” (em grego, “kyrios”) é o título que a comunidade cristã primitiva dá a Jesus ressuscitado, reconhecendo n’Ele o “Senhor” que preside ao mundo e à história.

Ser cristão é, em quarto lugar, aceitar a missão que Jesus propõe: ser pescador de homens (vers. 10). Para entendermos o verdadeiro significado da expressão, temos de recordar o que significava o “mar” no ideário judaico: era o lugar dos monstros, onde residiam os espíritos e as forças demoníacas que procuravam roubar a vida e a felicidade do homem. Dizer que os seus discípulos vão ser “pescadores de homens” significa que a missão do cristão é continuar a obra libertadora de Jesus em favor do homem, procurando libertar o homem de tudo aquilo que lhe rouba a vida e a felicidade. Trata-se de salvar o homem de morrer afogado no mar da opressão, do egoísmo, do sofrimento, do medo – as forças demoníacas que impedem a felicidade do homem.
Ser cristão é, finalmente, deixar tudo e seguir Jesus (vers. 11).

 Uma palavra, ainda, para o papel proeminente que Pedro aqui desempenha: a comunidade lucana é uma comunidade estruturada, que reconhece em Pedro o “porta-voz” de todos e o principal animador dessa comunidade de Jesus que navega nos mares da história.

Vamos refletir?

A nossa entrega é total, ou parcial e calculada? Deixamos tudo na praia para seguir Jesus, porque o seu projecto se tornou a prioridade da nossa vida?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

ANÚNCIO DO EVANGELHO - (Lc 4,21-30)

04º Domingo do Tempo Comum - Ano C


O Evangelho deste domingo apresenta-nos o profeta Jesus, desprezado pelos habitantes de Nazaré (eles esperavam um Messias espetacular e não entenderam a proposta profética de Jesus). O episódio anuncia a rejeição de Jesus pelos judeus e o anúncio da Boa Nova a todos os que estiverem dispostos a acolhê-la – sejam pagãos ou judeus.



AMBIENTE
Estamos na sequência do episódio que a liturgia de domingo passado nos apresentou. Jesus foi a Nazaré, entrou na sinagoga, foi convidado a ler um trecho dos Profetas e a fazer o respectivo comentário… Leu uma citação de Is 61,1-2 e “atualizou-o”, aplicando o que o profeta dizia, a Si próprio e à sua missão: “cumpriu-se hoje mesmo este trecho da Escritura que acabais de ouvir”.
O Evangelho de hoje apresenta a reação dos habitantes de Nazaré à ação e às palavras de Jesus.

MENSAGEM  ATUALIZAÇÃO

A reflexão sobre este texto pode considerar as seguintes questões:

• “Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”. Os habitantes de Nazaré julgam conhecer Jesus, viram-n’O crescer, sabem identificar a sua família e os seus amigos mas, na realidade, não perceberam a profundidade do seu mistério. Trata-se de um conhecimento superficial, teórico, que não leva a uma verdadeira adesão à proposta de Jesus. Na realidade, é uma situação que pode não nos ser totalmente estranha: lidamos todos os dias com Jesus, somos capazes de falar algumas horas sobre Ele; mas a sua proposta tem impacto em nós e transforma a nossa existência?

• “Faz também aqui na terra o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum” – pedem os habitantes de Nazaré. Esta é a atitude de quem procura Jesus para ver o seu espetáculo ou para resolver os seus problemazinhos pessoais. Supõe a perspectiva de um Deus comerciante, de quem nos aproximamos para fazer negócio. Qual é o nosso Deus? O Deus de quem esperamos espetáculo em nosso favor, ou o Deus que em Jesus nos apresenta uma proposta séria de salvação que é preciso concretizar na vida do dia a dia?

• O Evangelho propõe-nos uma reflexão sobre o “caminho do profeta”: é um caminho onde se lida, permanentemente, com a incompreensão, com a solidão, com o risco… É, no entanto, um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade à sua Palavra. Temos a coragem de seguir este caminho? As “bocas” dos outros, as críticas que magoam, a solidão e o abandono, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que o nosso Deus nos confiou?

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

COMENTÁRIO DO EVANGELHO - 07/08/2015

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre”. Jo 6, 51

Depois de ter multiplicado o pão e saciado a uma grande multidão, Jesus proferiu um belíssimo discurso sobre a eucaristia, isto é, sobre o modo sacramental com que Ele perpetuaria a sua presença na história. Praticamente todo o capítulo 6 de João nos fala disso.

Efetivamente, a fome e a sede são duas experiências que cotidianamente sentimos, saciando-as provamos um grande prazer e se não o fazemos a fome e a sede nos causam um grande sofrimento. São duas necessidades básicas para a vida e ninguém as pode ignorar.

Por isso o comer e o beber tem uma grande força simbólica, e as coisas relacionadas a estas duas ações podem adquirir muitos significados distintos. Podemos dizer por exemplo que uma pessoa é muito doce, que a vida é muito amarga, que temos sede de justiça, que um produto tem um preço muito salgado, que tal pessoa tem fome de poder, que as preocupações estão consumindo a paz, etc.

Sendo uma a fome e a sede experiências de fundamental importância para a vida e comum a todos os humanos, oferecem a possibilidade de serem utilizadas simbolicamente para falar de modo simples mas ao mesmo tempo profundo de realidades sobrenaturais: como do amor, dos desejos mais íntimos do ser humano e também da relação com Deus Jesus Cristo, conhecendo todos os segredos dos homem, e querendo ser entendido por todos, sejam os simples como também os intelectuais, encontrou no pão e no vinho, elementos básicos da alimentação dos povos da sua época, a matéria ideal para ser signo sacramental de sua presença no mundo.

Quando ele disse que “Eu sou o pão que desceu do céu”, estava falando num modo muito concreto de sua pessoa e de sua missão no mundo, com uma imagem que todos podiam entender como um pouco de reflexão. Não é difícil intuir o que quer dizer Jesus, porém por mais que queiramos explicar, cada um poderá oferecer uma interpretação diferente, pois a linguagem simbólica permite uma interpretação ilimitada. É por isso que sobre a eucaristia muito já se escreveu, e certamente muito ainda se escreverá, pois em cada momento se poderá fazer uma nova interpretação que sem contradizer as outras oferece uma nova luz sobre este mistério.

Também nós somos convidados a meditar sobre essa presença do Senhor em nossas vidas. Cada um de nós, de acordo com sua experiência particular poderá colaborar com detalhes muito bonitos. Pense um momentinho: O que significa que Jesus seja o pão da minha vida? Como posso entender que Jesus seja o alimento que satisfaz toda minha fome e a bebida que sacia toda minha sede? Será que já descobri que na minha vida o Senhor é tão importante como a comida que me mantém vivo?

Estou também eu disposto a transformar-me em pão para a vida dos meus irmãos? Ou prefiro ser fel?

Mas, junto com essa força simbólica que a eucaristia tem, devemos também contemplá-la em sua realidade sacramental, pois é presença real do Senhor, que atua com a força do céu em nossas vidas.

Certamente no plano de Deus está também o desejo de que suceda conosco o que diziam alguns filósofos antigos: “nos transformamos no que comemos”, isto é, que através da comunhão freqüente possamos aos poucos ir cristificando-nos, isto é, transformando-nos em Cristo, até que um dia possamos dizer como São Paulo, “já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim!”





O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor faça brilhar sobre ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor mostre o seu olhar carinhoso e te dê a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Liturgia dos domingos de Fevereiro/2014.

   Dia 09/02 Verde. 5º DOMINGO Tempo Comum 

1ª Leitura - Is 58,7-10
A tua luz brilhará como a aurora.
Leitura do Livro do Profeta Isaías 58,7-10
Assim diz o Senhor:
7Reparte o pão com o faminto,
acolhe em casa os pobres e peregrinos.
Quando encontrares um nu, cobre-o,
e não desprezes a tua carne.
8Então, brilhará tua luz como a aurora
e tua saúde há de recuperar-se mais depressa;
à frente caminhará tua justiça
e a glória do Senhor te seguirá.
9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá,
pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui'.
Se destruíres teus instrumentos de opressão,
e deixares os hábitos autoritários
e a linguagem maldosa;
10se acolheres de coração aberto o indigente
e prestares todo o socorro ao necessitado,
nascerá nas trevas a tua luz
e tua vida obscura será como o meio-dia.
Palavra do Senhor.

Salmo - Sl 111,4-5.6-7.8a.9 (R.4b.3b)
R. Uma luz brilha nas trevas para o justo,
permanece para sempre o bem que fez.

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

4Ele é correto, generoso e compassivo,*
como luz brilha nas trevas para os justos.
5Feliz o homem caridoso e prestativo,*
que resolve seus negócios com justiça.R.

6Porque jamais vacilará o homem reto,*
sua lembrança permanece eternamente!
7Ele não teme receber notícias más:*
confiando em Deus, seu coração está seguro.R.

8aSeu coração está tranqüilo e nada teme*
9Ele reparte com os pobres os seus bens,
permanece para sempre o bem que fez*
e crescerão a sua glória e seu poder.R.

2ª Leitura - 1Cor 2,1-5
Anunciei entre vós o mistério
de Cristo crucificado.
Leitura da Primeira Carta de Sóo Paulo aos Coríntios 2,1-5
1Irmóos, quando fui à vossa cidade
anunciar-vos o mistério de Deus,
nóo recorri a uma linguagem elevada
ou ao prestígio da sabedoria humana.
2Pois, entre vós, nóo julguei saber coisa alguma,
a nóo ser Jesus Cristo,
e este, crucificado.
3Aliás, eu estive junto de vós,
com fraqueza e receio, e muito tremor.
4Também a minha palavra e a minha pregação
nóo tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria,
mas eram uma demonstraçóo do poder do Espírito,
5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus
e nóo na sabedoria dos homens.
Palavra do Senhor.

Evangelho - Mt 5,13-16
Vós sois a luz do mundo.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,13-16
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
13Vós sois o sal da terra.
Ora, se o sal se tornar insosso,
com que salgaremos?
Ele não servirá para mais nada,
senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo.
Não pode ficar escondida uma cidade
construída sobre um monte.
15Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca
debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro,
onde brilha para todos que estão na casa.
16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens,
para que vejam as vossas boas obras
e louvem o vosso Pai que está nos céus.
Palavra da Salvação.


·         Dia 16/02 Verde. 6º DOMINGO Tempo Comum 

1ª Leitura - Eclo 15,16-21 (Gr.15-20)
A ninguém mandou agir como ímpio.
Leitura do Livro do Eclesiástico 15,16-21 (Gr.15-20)
16Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão;
se confias em Deus, tu também viverás.
17Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água;
para o que quiseres, tu podes estender a mão.
18Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal;
ele receberá aquilo que preferir.
19A sabedoria do Senhor é imensa,
ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente.
20Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem.
Ele conhece todas as obras do homem.
21Não mandou a ninguém agir como ímpio
e a ninguém deu licença de pecar.
Palavra do Senhor.


Salmo - Sl 118,1-2.4-5.17-18.33-34 (R.1)
R. Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

1Feliz o homem sem pecado em seu caminho,*
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
2Feliz o homem que observa seus preceitos,*
e de todo o coração procura a Deus!R.

4Os vossos mandamentos vós nos destes,*
para serem fielmente observados.
5Oxalá seja bem firme a minha vida*
em cumprir vossa vontade e vossa lei!R.

17Sede bom com vosso servo, e viverei,*
e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
18Abri meus olhos, e então contemplarei*
as maravilhas que encerra a vossa lei!R.

33Ensinai-me a viver vossos preceitos;*
quero guardá-los fielmente até o fim!
34Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei,*
e de todo o coração a guardarei. R.


2ª Leitura - 1Cor 2, 6-10
Deus destinou, desde a eternidade,
uma sabedoria para nossa glória.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 2, 6-10
Irmãos:
6Entre os perfeitos nós falamos de sabedoria,
não da sabedoria deste mundo
nem da sabedoria dos poderosos deste mundo,
que, afinal, estão votados à destruição.
7Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus,
sabedoria escondida, que, desde a eternidade,
Deus destinou para nossa glória.
8Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa
sabedoria.
Pois, se a tivessem conhecido,
não teriam crucificado o Senhor da glória.
9Mas, como está escrito,
'o que Deus preparou para os que o amam
é algo que os olhos jamais viram
nem os ouvidos ouviram
nem coração algum jamais pressentiu'.
10A nós Deus revelou esse mistério
através do Espírito.
Pois o Espírito esquadrinha tudo,
mesmo as profundezas de Deus.
Palavra do Senhor.


Evangelho - Mt 5,17-37
Assim foi dito aos antigos; eu, porém, vos digo.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,17-37
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
17Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.
Não vim para abolir,
mas para dar-lhes pleno cumprimento.
18Em verdade, eu vos digo:
antes que o céu e a terra deixem de existir,
nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei,
sem que tudo se cumpra.
19Portanto, quem desobedecer
a um só destes mandamentos, por menor que seja,
e ensinar os outros a fazerem o mesmo,
será considerado o menor no Reino dos Céus.
Porém, quem os praticar e ensinar
será considerado grande no Reino dos Céus.
20Porque eu vos digo:
Se a vossa justiça não for maior
que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus.
21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos:
'Não matarás!
Quem matar será condenado pelo tribunal'.
22Eu, porém, vos digo:
todo aquele que se encoleriza com seu irmão
será réu em juízo;
quem disser ao seu irmão: 'patife!'
será condenado pelo tribunal;
quem chamar o irmão de 'tolo'
será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto, quando tu estiveres levando
a tua oferta para o altar, e ali te lembrares
que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24deixa a tua oferta ali diante do altar,
e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão.
Só então vai apresentar a tua oferta.
25Procura reconciliar-te com teu adversário,
enquanto caminha contigo para o tribunal.
Senão o adversário te entregará ao juiz,
o juiz te entregará ao oficial de justiça,
e tu serás jogado na prisão.
26Em verdade eu te digo: dali não sairás,
enquanto nóo pagares o último centavo.
27Ouvistes o que foi dito:
'Não cometerás adultério'.
28Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que olhar para uma mulher,
com o desejo de possuí-la,
já cometeu adultério com ela no seu coração.
29Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado,
arranca-o e joga-o para longe de ti!
De fato, é melhor perder um de teus membros,
do que todo o teu corpo ser jogado no inferno.
30Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado,
corta-a e joga-a para longe de ti!
De fato, é melhor perder um dos teus membros,
do que todo o teu corpo ir para o inferno.
3lFoi dito também:
'Quem se divorciar de sua mulher,
dê-lhe uma certidão de divórcio'.
32Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que se divorcia de sua mulher,
a não ser por motivo de união irregular,
faz com que ela se torne adúltera;
e quem se casa com a mulher divorciada
comete adultério.
33Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos:
'Não jurarás falso',
mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'.
34Eu, porém, vos digo:
Não jureis de modo algum:
nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35nem pela terra,
porque é o suporte onde apóia os seus pés;
nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei.
36Não jures tão pouco pela tua cabeça,
porque tu não podes tornar branco ou preto
um só fio de cabelo.
37Seja o vosso 'sim': 'Sim',
e o vosso 'não': 'Não'.
Tudo o que for além disso vem do Maligno.
Palavra da Salvação.


·         Dia 23/02 Verde. 7º DOMINGO Tempo Comum 

1ª Leitura - Lv 19,1-2.17-18
Amarás a teu próximo como a ti mesmo!
Leitura do Livro do Levítico 19,1-2.17-18
1O Senhor falou a Moisés, dizendo:
2'Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel,
e dize-lhes:
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.
17Não tenhas no coração ódio contra teu irmão.
Repreende o teu próximo,
para não te tornares culpado de pecado por causa dele.
18Não procures vingança, nem guardes rancor
dos teus compatriotas.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Eu sou o Senhor.
Palavra do Senhor.

Salmo - Sl 102,1-2.3-4.8.10.12-13 (R.1a.8a)
R. Bendize ó minh'alma, ao Senhor,
pois ele é bondoso e compassivo!

1Bendize, ó minha alma, ao Senhor,*
e todo o meu ser, seu santo nome!
2Bendize, ó minha alma, ao Senhor,*
não te esqueças de nenhum de seus favores!R.
3Pois ele te perdoa toda culpa,*
e cura toda a tua enfermidade;
4da sepultura ele salva a tua vida*
e te cerca de carinho e compaixão.R.
8O Senhor é indulgente, é favorável,*
é paciente, é bondoso e compassivo.
10Não nos trata como exigem nossas faltas,*
nem nos pune em proporção às nossas culpas.R.
12quanto dista o nascente do poente,*
tanto afasta para longe nossos crimes.
13Como um pai se compadece de seus filhos,*
o Senhor tem compaixão dos que o temem.R.

2ª Leitura - 1Cor 3,16-23
Tudo é vosso. Mas vós sois de
Cristo, e Cristo é de Deus.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 3,16-23
Irmãos:
16Acaso não sabeis que sois santuário de Deus
e que o Espírito de Deus mora em vós?
17Se alguém destruir o santuário de Deus,
Deus o destruirá,
pois o santuário de Deus é santo,
e vós sois esse santuário.
18Ninguém se iluda:
Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste
mundo, reconheça sua insensatez,
para se tornar sábio de verdade;
19pois a sabedoria deste mundo
é insensatez diante de Deus.
Com efeito, está escrito:
'Aquele que apanha os sábios em sua própria astúcia',
20e ainda:
'O Senhor conhece os pensamentos dos sábios;
sabe que são vãos'.
21Portanto,
que ninguém ponha a sua glória em homem algum.
Com efeito, tudo vos pertence:
22Paulo, Apolo, Cefas,
o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro;
tudo é vosso,
23mas vós sois de Cristo,
e Cristo é de Deus.
Palavra do Senhor.


Evangelho - Mt 5,38-48
Amai os vossos inimigos.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,38-48
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
38Vós ouvistes o que foi dito:
'Olho por olho e dente por dente!'
39Eu, porém, vos digo:
Não enfrenteis quem é malvado!
Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face
direita, oferece-lhe também a esquerda!
40Se alguém quiser abrir um processo
para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
41Se alguém te forçar a andar um quilômetro,
caminha dois com ele!
42Dá a quem te pedir
e não vires as costas a quem te pede emprestado.
43Vós ouvistes o que foi dito:
'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!'
44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos
e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos
do vosso Pai que está nos céus,
porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons,
e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
46Porque, se amais somente aqueles que vos amam,
que recompensa tereis?
Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
47E se saudais somente os vossos irmãos,
o que fazeis de extraordinário?
Os pagãos não fazem a mesma coisa?
48Portanto, sede perfeitos
como o vosso Pai celeste é perfeito.'
Palavra da Salvação.




domingo, 12 de janeiro de 2014

ANO LITURGICO - EVANGELHO DE SÃO MATEUS (ANO A 2014)

Estamos iniciando o Ano Catequético e precisamos estar atentos às leituras do Evangelho Dominical. Este é o Ano Litúrgico A, com leituras do Evangelho de São Mateus. Vamos conhecer um pouco mais deste Evangelho e do Ano Litúrgico?

O que são as letras A, B e C do Ano litúrgico?

As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações são determinadas de acordo com o Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (evangelho e outros livros) a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público, com seus milagres e curas, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.
  
O rito romano, utilizado nas celebrações da Igreja católica possui um conjunto de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos perpassando os domingos e as solenidades. A cada ano, a liturgia das celebrações segue uma sequencia de leituras próprias, divididas em anos A, B e C.

- No ano “A” a leitura principal do evangelho na celebração segue o Evangelho de São Mateus;

- No ano “B”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Marcos;

- No ano “C”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Lucas.

Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.

O ano litúrgico inicia-se no primeiro domingo do Advento (cerca de quatro semanas antes do Natal) e se encerra com a solenidade de Cristo Rei do Universo do ano seguinte. 


ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS


PLANO GERAL DO EVANGELHO DE MATEUS

1.                  Evangelho da Infância de Jesus è1,1-2,23;  Mateus narra infância de Jesus para proclamar que Ele é o Herdeiro das promessas feitas a Abraão e a David (Genealogia), é o descendente de David anunciado pelos Profetas (1ª passagem), reúne os traços de Salomão, o sábio (2ª passagem) e de Moisés, o salvador do povo (3ª passagem). Os pagãos vêm a Ele com presentes, como o tinham anunciado os profetas (2ª passagem).

2.                  Anúncio do Reino do Céu è 3,1-25,46; São Mateus mostra-nos o princípio do Reino dos Céus: Jesus é anunciado e proclamado como Filho de Deus, nas tentações cumpre a vontade do Pai como verdadeiro Filho e no sermão ensina-nos a cumprir essa mesma vontade de Deus, para podermos receber o Reino dos Céus (5, 20) e ser também filhos de Deus (5, 45). Os capítulos 8 e 9 do Evangelho mostra o poder do Reino dos Céus; Cristo é Aquele que tem esse poder e demonstra-o fazendo milagres e perdoando os pecados, no mesmo tempo que expulsa os demônios; mas logo a seguir, transmite este poder aos Doze, de modo que esse poder se perpetue na Igreja.


3.                  Paixão e Ressurreição de Jesus è 26,1-28,20.  Mateus apresenta Jesus como o Filho de David, o herdeiro do Reino (2 Samuel 7, 12-14), e também como o Emanuel (“Deus conosco”), da profecia de Isaías (7, 14). No entanto, o título que mais lhe interessa é o de Filho de Deus. A imagem de Cristo apresentada por Mateus é a do enviado de Deus, na qual se vão cumprir todas as expectativas do Antigo Testamento. Cristo é a realização de tudo o que fala o Antigo Testamento; dito de outra maneira, Mateus contempla todos os personagens do Antigo Testamento como figuras de Cristo, enquanto que Cristo é a realidade, na qual tudo se cumpre. É como se tudo o que dizia a Sagrada Escritura até então, fosse algo vazio que agora se enche, ou como um desenho que agora tem de se terminar de pintar.

Mateus fala frequentemente do “Reino de Deus”, ou do “Reino dos Céus”, dando preferência a esta última expressão, sem fazer aparentemente distinção entre as duas formas. Os outros evangelistas, ao contrário, usam mais a primeira. É notável a frequência com que Mateus se refere ao Reino: enquanto Mateus refere-o 50 vezes, Marcos refere-o somente 14 e Lucas 39.

Deve-se recordar que a “Boa Nova” consiste em Deus que vem reinar sobre o seu povo. O Reino dos Céus não é algo que está exclusivamente do outro lado (no Céu), mas sim, que vem a este mundo: Deus vem exercer a sua função de Rei, transformando tudo, tanto o mundo, como os homens. O Reino dos Céus vem a este mundo, começa a ganhar forma na terra, e terá a sua consumação nos Céus. São Mateus preocupa-se em mostrar que a boa nova da chegada do Reino dos Céus dá-se na pessoa de Jesus Cristo. O Reino dos Céus anunciado e preparado no Antigo Testamento já está presente em nós, porque Jesus é o cumprimento de todas as profecias. Jesus forma uma comunidade, na qual se começam a manifestar os sinais da presença do Reino. São Mateus é o único evangelista que dá o nome de “Igreja” a esta comunidade (Mateus 16, 18).

 DETALHES DO EVANGELHO DE MATEUS

Autor: Mateus significa “dom de Deus” (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9). Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galiléia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais freqüentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: “fazei que todas as nações se tomem discípulos meus... (28,19).


CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO EVANGELHO DE MATEUS

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:

- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:

Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como doPai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40). Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do “Pai”: a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça:

(3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc.)
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:

- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH – Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:

- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. As mulheres:

- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38);Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabéiaera mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
 - As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1-10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.
                       
7. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:

O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):

- São 7 ou 9, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados…;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”.
Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões… Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Os números em Mateus:

Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando…” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:

- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes, Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.

11. O verbo “ver”:

- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etC.

12. É o Evangelho da Igreja:

- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembléia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.


Frei Ildo Perondi ildo@sercomtel.com.br

Ildo Perondi é Frei Capuchinho, nascido em Romelândia (SC), com Mestrado em Teologia Bíblica pela Universidade Urbaniana de Roma. É Professor de Sagradas Escrituras na PUC-PR (Campus Londrina) e no Instituto Teológico Divino Mestre de Jacarezinho (PR). Assessor Bíblico da CRB, CEBI, CEBs e Escolas Bíblicas para leigos.







BIBLIOGRAFIA:        

CNBB. Ele está no meio de nós, Paulus (1998, São Paulo)
MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus. CEBI (1990, São Leopoldo)
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus, Paulus (1990, São Paulo)
Introdução ao Evangelho de Mateus da Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.
* Neste texto, todas as citações onde não aparece o nome do livro da Bíblia, são do Evangelho de Mateus.