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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

EU ACREDITO EM PAPAI NOEL...

Imagem: estilizada

Sim, eu acredito em Papai Noel! Assim como acredito em Nosso Senhor Jesus Cristo. Estranho que uma pessoa religiosa acredite e ame a tradição do Papai Noel? Talvez. Ou talvez não, se ela conheceu de verdade, o Papai Noel.

E foi numa época e numa circunstância, em que não era fácil ser Papai Noel. Não quando se tinha dez filhos, não num tempo de crise. E houve natais em que era um presente só, para duas crianças. Mas, ele vinha. Não de roupa e gorro vermelho. Mas, de roupa comum do trabalho. Chegava na noite de Natal com seu saco às costas, para alegria da criançada. E havia natais que tinha festa. Porque era também o aniversário do Papai Noel. E tinha todas aquelas coisas gostosas, que só no Natal é que via: farofa, cabrito, leitão, bolacha...

Lembro-me de um Natal quando tinha cinco ou sei anos. Morávamos no interior, não me lembro exatamente o que meu pai fazia nessa época, só sei que morávamos numa casa nos fundos da casa de uma outra família. Para variar, nossa situação financeira não era lá muito boa. As coisas eram difíceis para as oito crianças a espera da nona. Meu irmão mais novo nasceu nessa casa.

Meu Pai chegou bem tarde naquela véspera. Trazia às costas, um saco cheio de coisas para nós. Éramos então nove filhos nessa época. Para as meninas menores, eu e minha irmã, ele trouxe uma bonequinha de plástico para cada uma, daquelas com cabelo que parece de milho. Para os dois meninos mais novos ele trouxe um carrinho. UM só. Um dos meus irmãos, o mais velho, recusou e disse que queria um presente que fosse só dele. Ah! Aquele Papai Noel risonho, sabia ficar zangado: e o cinto fez meu irmão chorar e minha mãe ficar triste. São tristes lembranças de Natal. Nessa casa, não havia água encanada nem poço, e precisávamos pedir licença para nossos vizinhos da frente para pegar água num cano que passava no meio do terreiro entre as duas casas. Isso fazia com que a água para a casa da frente fosse interrompida e isso nos custava muitos xingos. Anos mais tarde minha mãe me contou que essa família chegou a nos sustentar por uns tempos. Acabaram sendo padrinhos de meu irmão que nasceu lá. Eram épocas de vacas muito magras.

E, por falar em vaca, eu estava brincando no “potreiro”, tinha ganho um lindo casaquinho de flanela estampada de amarelo. Minha mãe costurava nossas roupas. E, no corre corre da brincadeira, comecei a sentir calor e coloquei meu “paletózinho” novo na cerca. E uma vaca veio e mastigou! Que coisa! Chorei muito... mas, não tinha como fazer outro naquele ano.

Mas nem tudo era tristeza. Brinquei muito naquele lugar. O sítio proporciona isso pra gente: espaços abertos, natureza, árvores, riachos, crianças. As crianças não veem a vida com olhos de tristeza. Elas têm olhos de aventura, enxergam aquilo que os adultos já esqueceram.

Voltei àquele lugar quando adulta. Qual não foi a minha surpresa ao observar que, aquele mundão de aventuras, aquelas coisas que para mim eram tão grandes, pareciam agora, tão “pequenas”. Meus olhos já não tinham tanta perspectiva: O filete de água do riacho já não parecia com um grande rio a ser atravessado, o grande pasto não passava de meio alqueire. Como diria Rubens Alves: já não há jabuticabas a serem comidas no galho mais alto. E nem eram jabuticabas, só gabiroba mesmo...

Mas, independente de algumas tristezas nas minhas lembranças, o Natal sempre foi para mim uma época mágica. E essa magia vem do “dia”. Que para mim, lá na infância, não era de Jesus e sim do Papai Noel. Quando eu era criança não havia presépios elaborados, grandes árvores de Natal ou ceias fartas. Mas, havia natal! Era um dia “natalino”, porque Natalino era meu pai. O dia 25 de dezembro era aniversário do meu Pai. Não era o menino Jesus que eu esperava com ansiedade, era o dia do aniversário do Papai Noel.

Minhas lembranças não são tão claras, e não posso dizer que todos os natais foram assim. Mas, quando nossas condições permitiam, havia sempre festa. Um cabrito era assado lá no quintal numa fogueira no chão, muita gente (muitos desconhecidos), minha mãe fazia maionese, farofa, macarrão e bolacha de sal-amoníaco. E o almoço do dia 25 de dezembro era sempre muito especial. Minha mãe costurava roupas novas pra gente. Eram coisas muito simples.

Na nossa realidade do resto do ano, havia frango só no domingo mas, no Natal, havia um monte de coisa. Era “a” festa! E como Papai Noel era alegre, brincalhão, sorridente. Posso ainda escutar sua risada ecoando em meus ouvidos. Posso ver seu rosto nitidamente como se fosse hoje. Ele tinha cheiro de madeira da serraria: canela, imbuia, pinheiro.

Eu tinha um “Papai Noel” só para mim. Um homem muito especial, de coração enorme, que sabia ajudar qualquer pessoa que precisasse. Muitas e muitas vezes eu o vi trazer pessoas carentes pra casa (como se ele mesmo não fosse um de vez em quando!), para dar de comer, ajudar a arrumar trabalho. Na festa dele, eram convidados todos que passassem na rua...

E lembrar disso tudo, ainda faz o Natal ser especial. Mesmo neste Natal, em que não podemos reunir a enorme família do Seu Natalino (Meu papai Noel), eu sorrio e penso como esta época é especial. Ele já não está vindo mais há 42 anos, mas, continua aqui, no meu coração. Seu sorriso, sua alegria, sua bondade de coração... Não há como esquecer! Meu papai Noel nem sempre tinha presentes a oferecer, exceto sua alegria, mas, isso bastava para  mim.


*Minha música de Natal preferida, escute, é linda!

 https://www.youtube.com/watch?v=0u5UvnKlCTA

♫ O primeiro Noel, os anjos disseram, surgiu como certo
Para os pobres pastores nos campos onde guardavam suas ovelhas
Em uma noite fria de inverno, mas era tudo tão maravilhoso...
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!

Eles olharam para cima e viram uma estrela brilhando para além deles ao longe e para a Terra lançava uma grande luz...
E assim continuou... Dia e noite...
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!

Aqueles trio de sábios completamente reverentes
de joelhos ofereceram na presença Dele: seu ouro, mirra e incenso.
Noel, Noel, Noel, Noel, nasceu o Rei de Israel!
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!

 (The first Noel – Música natalina do século XIX).  


Ângela Rocha - Catequistas em Formação



segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

DOCE DE ABÓBORA...

Imagem: Blog da Anette - https://blogs.gazetaonline.com.br/blogdaanette/834/doce-de-abobora/
 

Peço licença hoje, a Anete Musso, do Blog da Anette, da Gazeta Online, para reproduzir aqui um texto que tocou meu coração neste começo de semana. Vi o texto no nosso grupo no Facebook, publicado pela Andreia Antunes de Taubaté. A equipe de catequista e o pároco da comunidade usaram o texto para enviar uma mensagem ao catequistas neste natal. E, coincidentemente, eu também tenho um texto sobre "Doce de Abóbora"... Mas, sobre este eu falo depois. Agora, vamos reviver as lembranças de infância da Anette.

 

"Doce de abóbora: um gosto que traduz as melhores lembranças da infância em Aracruz. Meu pai possuía um pedaço de terra, o Acary. Tinha curral, vacas, touro – Destino de Quiçamã, galinha, pomar, horta. Tudo que uma roça deve ter.  Meu pai me ensinou a ordenhar, a cuidar das galinhas, a semear, a esperar a colheita e saborear os frutos. Herdei do meu pai esse espírito roceiro que acredita que a terra é sagrada, que a semeadura é a certeza da mesa farta, que o suor e o trabalho duro nos fortalecem.

 

Acredito que naquele tempo eu não pensava assim, mas hoje, saboreando o doce de abóbora do post, essas lembranças voltaram em um passe de mágica.

 

Lembro-me de passar horas e horas, embaixo do sol forte, lançando sementes de abóbora em pequenos buracos que meu pai abria com uma engenhoca engraçada, tipo uma cavadeira pequena.  A regra era clara: três sementes por buraco. Depois passava o pé por cima para tampar com terra.

– Pai, demora muito para crescer?

– Tem que esperar, filha. A semente fica no escuro, dormindo, depois chove, a semente acorda e começa a brotar.

– Quanto tempo?

– Depende da natureza, depende da força da semente, da chuva ou da falta de chuva.

– Ah, entendi!!

Entendi? Que nada!!! Queria acabar logo e tomar banho de rio. Para adianta o trabalho, vez por outra lançava um monte de sementes em um só buraco.

– Já acabou? Poxa, será que calculei errado a quantidade de sementes, filha? Se tiver muita semente no mesmo buraco, uma abafa a outra e não vinga.

O calor, o rio passando, o tempo passando, a mão suja de terra, o suor escorrendo, a consciência pesada por causa da mentira.  Meu pai secava o suor com um lenço, secava minha testa também. Procurava uma sombra e descascava laranjas.

– Pode ir brincar, filha.

– Você vem comigo?

– Agora não, tem muito trabalho, ainda. E você já esta cansada. Vai brincar.

Saia em disparada capoeira afora.

 

O tempo passava. Antes era lento, hoje é rápido demais. Chegava o tempo da colheita. Papai dava uns “crocs” na casca abóbora e pelo som sabia se estava madura ou não.

– Não é melhor levar tudo de uma vez?

– Não filha, tem um tempo para tudo. Para plantar e para colher.

Tempo, tempo, tempo – sempre.

 

Papai seguia dando “crocs” e colhendo, deixava um pedaço da rama, o engaço, para proteger a abóbora.

 

As crianças carregavam as abóboras para a carrocinha e depois para dentro de casa. O quarto dos fundos ficava cheio. Depois espalhava pela sala, pela cozinha, por todo canto tinha abóbora. Tudo empilhado, arrumado. As maiores embaixo, as pequenas separadas para o consumo da família. As grandonas eram presenteadas aos amigos de papai.

– Pai, você vai dar um abóbora para o Dr. Carlito? Ele não tem dinheiro para comprar, não?

– Tem , sim filha. Mas eu devo um favor a ele. Lembra quando você operou as amigdalas. Ele não cobrou nada.  É justo levar um presente.

– Abóbora é presente?

– Não é só a abóbora. É o meu trabalho, o seu. É lembrar-se de quem ajudou na hora que precisamos.  A sua mãe vai fazer um doce de abóbora. Vamos levar umas quatro abóboras, o doce e uns queijos. Se der, levo um robalo, também. Ele vai ficar feliz. Você vai junto comigo.

Tremi só em pensar na cena. No dia e hora marcados chegamos ao consultório.

– Que menina bonita, essa sua filha, Múcio!!!

– Conta o que viemos fazer, Anette.

Morta de vergonha e cor de abóbora madura, respondi;

– Viemos trazer um presente e agradecer, estendendo a mão com o pote de doce de abóbora.

– Que menina danada, adivinhou o meu doce favorito!!!


Respirei aliviada."

 

Doce de abóbora

 

Ingredientes

1 kg de abóbora madura

½ kg de coco seco ralado bem fininho

Açúcar

1 pitada de sal

Cravo e canela

 

Prepare assim:

Cozinhe a abóbora com casca. Escorra, deixe esfriar, amasse bem com a ajuda de um garfo. Coloque na panela de fundo grosso, junte o coco e 11/2 xícara de açúcar. Deixe cozinhar em fogo baixo, acrescentando água aos pouquinhos. Depois de umas duas cozinhando, desligue o fogo, cubra a panela com um pano de prato e deixe esfriar por uma noite. No dia seguinte, prove o doce, acrescente mais açúcar e o sal. Volte a cozinhar até ficar brilhante ou “vidrado” (minha mãe garante que o doce esta no ponto quando esta – vidrado). Acrescente cravinhos e canela em pau. Cozinhe um pouco mais. Desligue o fogo e deixe esfriar. Sirva com queijo ou se preferir coma no pão com bastante manteiga".


Ajudinhas:

 

Folha de samambaia renda portuguesa do meu jardim

Potinho de cristal –  herança da Tia Dudú. Era um conjunto de potinhos para colocar em cima da penteadeira. Acho que era do meu bisavó materno.

 FONTE: BLOG DA ANETTE - GAZETAS ONLINE  https://blogs.gazetaonline.com.br/blogdaanette/834/doce-de-abobora/ 


Bom, o resto da mensagem aos catequistas é um texto do Pároco e da Equipe de catequistas, junto com um potinho de doce de abóbora, é claro:

"Jesus nos mostra como ser catequista, sendo amoroso, não se afastando da nossa missão e acima de tudo acreditando nela. Sem se preocupar com resultados. Nós somos fruto da catequese de alguém e também deixaremos nossos frutos, acreditar nisso faz toda diferença. Nós plantamos, regamos, mas quem dá o crescimento é Deus.

“Não pare nunca de plantar suas sementes, porque você não sabe qual delas vai crescer, talvez todas cresçam” (Ec 11,5).

Apesar de tantas situações novas que vivemos, de forma tão diferente, agradecemos sua colaboração e empenho, sem você nada teria sido possível!

Peçamos a Deus a graça de descansar nosso coração Nele, e também o sentimento de missão cumprida, apesar das dificuldades.

EQUIPE DE CATEQUESE - Pe. Ricardo Luís Cassiano – Pároco Dez /2020.

Detalhe, pedimos para uma pessoa da comunidade, conceituadissima em doces, para fazer, fomos ver com ela o material, o trabalho ... Não gente, faço questão, vou doar, apenas venham buscar ... E assim Deus vai conduzindo." (Andréia Antunes).


Ângela Rocha
Catequistas em Formação