terça-feira, 5 de novembro de 2024
O TEMPO DE DEUS
quarta-feira, 28 de junho de 2023
deus com letra minúscula
“Quando me sinto fraco, então é que me faço forte...”
Às vezes não basta a gente “se fazer" de forte. Porque quando nos "fazemos" forte, essa fortaleza é construída de areia. E, a areia desmorona na primeira onda. É preciso SER forte, desde as entranhas até o último fio de cabelo. A gente engana a todo mundo menos a Deus e a nós mesmos. E nem sempre essa fortaleza vem da nossa fé exterior...
Mas, desde quando a fé é "exterior"? Fé vem de dentro da alma, ela se faz do Espírito Santo de Deus que cada um de nós traz dentro de si desde que nasce. O ser humano antropológico necessita do transcendente. Precisa de fé, exterior ou interior.
Pode parecer uma heresia, mas não recebemos o Espírito Santo só no batismo. O sacramento do batismo como rito simbólico e mistagogia tem o seu propósito, mas Deus daria Seu Espírito só a quem comparece a uma Igreja? A pia batismal e a água benta têm que fazer parte disso realmente? E aqueles a quem é negado esse gesto? Não serão eles filhos de Deus também e objeto do Espírito? Todo ser humano possui em si o Espírito Santo, tendo sido marcados pela cruz de Cristo ou não. Mas alguns não o percebem ou conhecem.
Então essa é, em minha opinião, a fé "exterior". Que precisa de símbolos, de presença física, de instituição, religião e outras tantas coisas "tocáveis". E muitas vezes nos deixamos levar só pelo Deus de nossa fé exterior. Um deus que precisa a todo o momento ser provado, medido e aceito. Que precisa ser “visto”. É o deus com letra minúscula. E o deus de muita gente é assim: minúsculo e ausente no interior. É o deus de quem esfola os joelhos a rezar mas não levanta uma palha em prol do crescimento próprio e do outro. É o deus de quem não acredita no Filho Amado de Deus, que pode ser sempre visto, olhando-se no espelho.
E existem aqueles que se comprazem em se dizerem “sem fé”. Ah, mas não se enganem, mesmo a quem o nega e renega, Ele se faz presente. A única diferença é que pra estes, o Deus de letra maiúscula é um Deus de encontro sofrido e demorado.
E o encontro só acontece quando exercemos a FÉ INTERIOR! A fé em nós mesmos, que nos faz fortes Naquele que nos fortalece... E em nós mesmo, que somos a maior fortaleza já criada por Ele!
quarta-feira, 18 de maio de 2022
V9INDE E VEDE...
Vinde e
vede...
O encontro começou com o convite: “Vinde e vede!” (Jô 1, 39). E este foi o convite que fiz e o desafio que lancei ao me apresentar a turma de 4ª Etapa da catequese. Que é chamada de “pré-crisma” ou “perseverança” em outros lugares. Aqui devemos chamar de 4º Tempo, por determinação da Coordenação Arquidiocesana de Catequese. Que deseja “inculturar” a Iniciação á Vida Cristã à lida e à fala dos catequistas.
Mas aqueles dezesseis jovens que receberam a
primeira eucaristia no dia 01 de maio, foram chamados, como Pedro e André, a
serem discípulos. E mereciam um convite especial, afinal Começa a caminhada
rumo ao sacramento do crisma, a unção que lhes dará poder de discipulado e
missionariedade
E hoje pra gente se conhecer melhor, fizemos a brincadeira da “loteria”. A brincadeira consiste em montar uma lista com 13 perguntas que você precisa responder com o nome de alguém do grupo. Algo assim: “Alguém que tem um animal de estimação” ou então “Quem faz aniversário mais perto do seu”... E por aí vai. Mas, não pode repetir o nome das pessoas. Isso vale para um grupo acima de 13 pessoas, senão é necessário reduzir o número de perguntas ou aumentar se o grupo for grande. Ganha quem conseguir fazer os “treze pontos” antes.
Mas a coisa fica legal, na hora de se conferir as respostas. Foi muito engraçado. Vou recebendo os formulários por ordem de chegada e à medida que vamos conferindo vemos os “furos”. Pra vocês terem uma idéia, em nossa brincadeira de hoje o quarto menino a entregar foi quem levou o prêmio (uma caixa de chocolate Bis). Isso porque quem ficou em primeiro lugar colocou o nome da amiga na pergunta que pedia alguém que gostasse de cantar. E quem diz que a amiga quis cantar ali para o grupo? E o segundo lugar? O menino colocou na resposta do aniversario mais próximo do dele que é em novembro, alguém de março!! Alguém que gosta da mesma sobremesa: Isabela que gosta de chocolate, apontou Julia. Júlia qual sua sobremesa favorita? Pudim...
E isso tudo fizemos embaixo da enorme figueira brava do pátio. E minhas dezesseis crianças/gente-que-pensa-que-é-grande, que começaram o encontro no maior dos silêncios, receosos, terminaram rindo e jogando figo seco um no outro. E, claro, havia outra caixa de chocolate pra dividir entre todos.
Essas pequenas coisas, aparentemente tão sem importância, como encontrar alguém que tenha a mesma cor nos olhos, saber quem tem mais de quatro pessoas na família, quem gosta de cantar, tocar algum instrumento ou quem morou em mais de três cidades diferentes; longe de nos trazer só curiosidades sobre as outras pessoas, fazem com que olhemos os outros nos olhos, perguntemos sobre a sua família, saibamos que dons ele possui e sobretudo se ele se sente um “novato” na cidade e se precisa de amigos. Conhecer-se é a chave. Aceitar o convite. Vir e ver como é o espaço que precisamos ocupar na nossa comunidade.
Ângela Rocha
Catequista
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DO CATOLICISMO
A cada vez que piso o chão de um
templo católico, o templo me toca a alma.
Pela grandiosidade das suas
portas, silenciosamente adentro ao espaço do Senhor.
Mas, não são as paredes altas, os
vitrais que espelham a luz ou o teto que meus olhos mal absorvem, que me faz
respirar em suspenso e me prostrar em admiração.
Não são os dolorosos passos do
Senhor na Via sacra que me tocam o coração.
Nem são os nichos de oração
encravados nas paredes com seus genuflexórios a me convidar a ficar de joelhos
e admirar a devoção dos santificados que me chama a rezar.
Nem é a dignidade do ambão da
palavra que fala ao povo, não é o altar deitado em sacrifício ou a luz do
sacrário a me lembrar que o sonho vive e vive para sempre.
Não, não é a grandiosidade dos
templos e a suntuosidade mamorea que me faz admirar o templo.
O que me causa admiração maior, é
a nossa convicção humana que podemos chegar a grandiosidade que é o Senhor Deus
a se expressar em arte, beleza e simbologia.
E se não olhar um templo com os
olhos da fé, verei somente a “casca”, o invólucro, a grandeza e a majestade da construção,
nunca a grandeza e a majestade que da fé que ele inspira.
É mister ouvir o silêncio que nos
faz escutar somente o eco dos nossos passos e o estalar da madeira dos bancos.
É preciso sentir o cheiro de Deus
quem nossas Igrejas exalam, sentir o calor da luz que os vitrais refletem, o
gosto da oração em nossa boca, que se abre em absoluta veneração.
É preciso ver que não são os
nossos templos que refletem a Igreja Católica, é Deus que se reflete em nossos
templos.
Isso, só aquele que ama sua
Igreja sabe...
Ângela Rocha - Catequista
* Escrevi este texto logo depois de visitar o templo No
Seminário Franciscano Santo Antônio em Agudos – SP.
sábado, 13 de novembro de 2021
A FIBROMIALGIA NÃO É COISA DA SUA IMAGINAÇÃO!
Escrever este texto foi uma forma de explicar aos nossos leitores e seguidores, porque ando tão afastada no nosso grupo e páginas. Espero que esta fase termine logo e eu possa voltar a trabalhar e produzir. Um grande abraço a todos!
A Fibromialgia é uma síndrome marcada por dores generalizadas e crônicas. Um simples abraço pode ser motivo de desconforto para a pessoas que tem fibromialgia. E chega a demorar até sete anos para conseguir um diagnóstico, principalmente devido a falta de exames que apontem o problema. Sintomas da doença não são detectáveis por exames comuns e provocam descrença de familiares e amigos, mas a dor da fibromialgia é muito real.
Durante mais de uma década, eu visitei consultórios de diferentes
especialidades procurando alívio para minhas dores. As coisas ficaram mais
graves há dez anos, quando acordei uma manhã sem poder mexer a perna direita,
tamanha a dor que eu sentia. Fiquei sem poder andar vários dias. E fui ao
ortopedista, ao neurologista, ao reematologista. Havia histórico de acidente
doméstico, como uma queda na escada ou o trabalho de digitação feito ao longo de
27 anos como bancária e depois mais 3 anos como professora. A primeira vista,
isto era resquício daquilo. Mas, a dor ia para todos dos lugares!
Fiz tomografia e raio-X de todos os lugares: pernas, braços, ombros, coluna,
abdômen. Ah! Era a artrose do quadril; ou quem sabe a epicondilite do
cotovelo; não, talvez fossem os osteófitos na lombar. E a dor sempre
persistente mudando de um lugar pra outro. E quando ela, a "famigerada dor", começou
a doer em lugares onde não havia nada de errado, o reumatologista aventou a
possibilidade de ser Síndrome de FIBROMIALGIA. Isso foi em 2015. Doença que eu tinha ouvido
falar mas nunca tinha dado importância, pois parecia “coisa da minha cabeça”.
Depois de seis anos em Londrina, mudei para Curitiba. Em princípio foi
difícil achar um médico que me desse algum diagnóstico. Eram sempre: “tendinopatias”. Questionada sobre o local da dor, era comum a
resposta “meus fios de cabeço doem, a sola do meu pé dói, tudoooo dóis”.
Os exames, entretanto, não revelavam nada: nenhuma inflamação ou lesão
muscular, somente a epicondilite do cotovelo, artrose e osteófitos na lombar. Coisas
que foi se resolvendo com 5 anos de fisioterapia e hidroterapia, aliviando na
verdade. Peregrinando entre clínicos,
endocrinologistas e reumatologistas, enfim, cheguei a um psiquiatra, Já estava convencida de que a dor só existia na minha imaginação depressiva.
Como as dores geralmente são musculares ou localizam-se nas
articulações, sempre pensei na questão mais "física" da coisa e busquei a reumatologia para me ajudar. Afinal, minhas
mãos foram ficando meio débeis, as articulações inchadas e a dor mais extrema
era, do ombro a ponta dos dedos. Dedos que não me permitem mais usar anéis e aliança.
Continue lendo bastante a respeito do assunto e os estudos apontavam que
esta seria uma doença da área dos neurologistas. O cérebro de quem tem
fibromialgia processa uma dor de maneira exagerada. Estima-se que uma pressão
de até quatro quilos não provoque dor na maioria das pessoas, mas bem menos que
isso já é suficiente para disparar dor intensa em quem tem a doença. Mas, o
neurologista não me foi de grande ajuda.
Algo que
consegui algumas informações num site:
“Desde a década de 1980 já havia
estudos mostrando que pacientes com fibromialgia tinham neurotransmissores de
dor, como a substância P (de “pain, “dor” em inglês), em maior quantidade. Dos
anos 2000 para cá, com o avanço da neurociência, passou a ser possível mostrar
em exames essa diferença”, explica o dr. Eduardo dos Santos Paiva, presidente
da Comissão de Dor, Fibromialgia e outras Síndromes de Partes Moles da
Sociedade Brasileira de Reumatologia”.
Sim, minha dor é um “exagero”. E eu a evito ao máximo. A ponto de evitar tomar as picadas das agulhadas
da insulina porque “dóis demais” ou não medir a glicose porque aquela agulhinha parece
que espeta o meu cérebro. E uma coisa que poderia ser só uma “dor da minha
cabeça” acabou levano ao descontrole do diabetes, ao stress da hipertensão, a
fome louca quando estou estressada, a obesidade, e ao fato de, definitivamente,
não gostar nada de mim e pedir a Deus para morrer em diversos momentos de dor.
Outra coisa que li na internet:
“É possível detectar a reação
exagerada do cérebro a estímulos por meio de uma Ressonância Magnética
Funcional, mas esse é um exame extremamente caro e trabalhoso e exige
profissionais especializados e experientes para ser realizado, o que faz com
que não seja aplicado rotineiramente e fique praticamente restrito ao uso em
estudos”.
Ah quem me dera fazer parte de um estudo destes! No entanto o máximo que
fiz foi tentar dar a minha dor uma “nota” num quadro de várias cores: Como boa
aluna, a nota nunca foi abaixo de 8.
Geralmente, a investigação conta muito com o relato do
próprio paciente e com exames para detectar doenças que possam ter sintomas
similares, como como espondilites,
polimiagia reumática, hipotireoidismo, mieloma múltiplo (um tipo de câncer),
artrite e outras dores da coluna.
Em geral, o primeiro indício de fibromialgia é uma dor localizada
que persiste e, com o tempo, evolui e se alastra para tornar-se difusa, semelhante
à dor que toma o corpo todo após uma gripe forte. Normalmente a dor surge sem
motivo, mas às vezes pode ser desengatilhada por traumas psicológicos, físicos,
como uma lesão provocada por um acidente de carro, ou infecções.
Até os anos 1990, usava-se um mapa elaborado por 20 reumatologistas para
testar a sensibilidade do paciente. Os 18 pontos distribuídos pelo corpo eram
os mais citados por pacientes como locais doloridos. São simétricos
bilateralmente, e a maioria se concentra acima da cintura. Alguns deles, em
especial na nuca, nas escápulas e na parte externa dos cotovelos, ao serem
pressionados provocavam gritos de dor.
Ainda assim, a dor da fibromialgia é diferente das dores agudas, como as
causadas por um corte ou uma porta que se fecha violentamente sobre um dedo. Essa
dor aguda gera uma reação fisiológica, a pessoa sua, berra. Já na dor crônica da
fibromialgia a pessoa vai se adaptando e passa a conviver com ela no dia a dia.
Um paciente fibromiálgico que queira esconder sua condição consegue falar
normalmente, sem demonstrar que está sofrendo. Quando está habituado à dor,
então, vive seu cotidiano aparentemente sem sentir nenhum desconforto, o que
motiva a descrença por parte de quem convive com ele.
Entende-se que, para haver fibromialgia, é necessário haver dor em todo
o corpo por mais de três meses, na maioria dos dias ao longo desse período. Os
pontos de dor foram muito usados durante os anos 1990. Hoje em dia, eles ainda
ajudam, mas não são definidores do diagnóstico. É necessário haver um conjunto
de outros sintomas que englobam cansaço extremo, alteração do sono, da
concentração e problemas de memória. Coisa que posso descrever em minúcias se
for necessário...
Entre esses sintomas, é marcante o papel da fadiga para caracterização da
doença. Faz parte do processo de diagnóstico um questionário que visa a avaliar
o impacto do cansaço na rotina do paciente. Ele tem de classificar de 0 a
10 o nível de dificuldade que enfrentou para realizar determinadas tarefas. E
pelo grau de exigência das tarefas, podemos ter uma ideia do quão intensa pode
ser a falta de energia. Afinal, como é possível se cansar penteando os
cabelos?
É um cansaço diferente, não é uma simples preguiça. Você acorda
totalmente esgotada, sem vontade nenhuma de fazer as coisas. Quando está “leve”,
você levanta e vai fazer o que tem que fazer. No geral eu sinto cansaço sempre,
problemas de memória e dor generalizada, mais concentrada no lado direito do
quadril e no braço esquerdo.
Assustador que exista no Brasil um contingente de aproximadamente
5 milhões de pessoas (cerca de 2% a 3% da população, percentual próximo ao
que se estima no mundo), com fibromialgia. E que esta seja uma doença de “mulheres”.
Mais um fardo que a mulher precisa carregar
Existem dez vezes mais mulheres atingidas que homens. Segundo o National
Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases, entre 80% e
90% das pessoas com fibromialgia são mulheres. O machismo enraizado em nossa
cultura mostrou-se muito eficiente para transformar um fato científico em uma
característica inerente ao gênero. Se as pacientes são mulheres, provavelmente
a dor é psicológica, frescura, drama, sintoma de TPM (Tensão Pré-Menstrual)
etc. E assim, gerações de mulheres passaram a vida resignadas, com dor e outros
sintomas. No começo não é fácil, a gente não sabe o que é. Antes, tudo era
reumatismo, mas a dor não passa e aí você vai vivendo. E quando as coisas vão
ficando mais difíceis: “Ah é meu reumatismo!”
A ligação entre fibromialgia e o sexo feminino pode estar na serotonina,
neurotransmissor que influencia o sono, a produção de hormônios, o ritmo
cardíaco e outras funções fisiológicas importantes. As mulheres produzem menos
serotonina, e por isso são mais propensas a problemas como depressão, enxaqueca
e transtornos de humor, principalmente no período de TPM. Como o
neurotransmissor também participa do processamento da dor, talvez esse seja a
explicação para o número muito maior de pacientes mulheres.
Além da forte relação com o sexo feminino, a doença tem laços estreitos
com a depressão. Cerca de 50% dos fibromiálgicos apresentam também esse
transtorno grave, com um quadro agravando o outro: a dor e o descrédito
provocam reclusão, piorando a depressão, que por sua vez intensifica a dor
– de forma real, e não psicológica.
Como a dor da fibromialgia não tem uma origem definida, analgésicos e
anti-inflamatórios não ajudam. Os medicamentos que surtem algum efeito são
os da classe dos antidepressivos e neuromoduladores. Porém, alguns pacientes
podem encarar a prescrição com desconfiança, devido à imagem negativa que as
doenças psiquiátricas têm em nossa sociedade. Aqueles que tiveram de encarar
incredulidade até chegar ao diagnóstico podem até expressar revolta,
interpretando que a sombra da “dor psicológica” está voltando e que estão sendo
tratados de algum transtorno psiquiátrico. No caso da fibromialgia, entretanto,
tais remédios são usados simplesmente para aumentar a quantidade de
neurotransmissores que diminuem a dor.
E
foi isso que o psiquiatra me explicou. Vou tomara Rivotril e Valdoxan porque
preciso agira na dor, não porque estou “surtando” de louca.
Atualmente, a palavra-chave do tratamento para fibromialgia é atividade
física. Mesmo quando o médico decide incluir alguma medicação, ela serve para
permitir a prática de exercícios. É comum, por exemplo, pacientes dormirem mal.
Eu durmo cerca de 3 horas por noite. Nada que repõe a energia, continuo
cansada, me deito a tarde, durmo de forma leve, tenho mil pesadelos e acordo
mais cansa da ainda. Às veze até durmo horas suficientes para repor as
energias, mas ainda assim acordo cansada, o sono não é reparador.
Em um caso desses, receitar um medicamento para facilitar o sono
obviamente melhora a qualidade de vida, mas tem como objetivo final dar mais
disposição para uma atividade física no dia seguinte. O paciente normalmente tem
dificuldade pra entender por que tem tanta dor e não aparece em nenhum exame,
então é preciso um Rivotril pra resolver.
A fibromialgia não é considerada uma doença curável. Há casos em que os
sintomas diminuem consideravelmente, chegando a quase desaparecer, mas há
outros em que será necessário fazer controle por toda a vida. Há períodos em
que há uma certa trégua. As dores ficam no patamar do “de sempre” (suportável),
e a gente consegue sorrir e fiungir pros outros que você não é uma chorona que
só sabe dizer: “Ai que dor!”.
Entender que a fibromialgia não se cura é fundamental para levar o tratamento
da melhor forma possível. Assim como a “retroalimentação” que ocorre
fibromialgia e depressão, os sintomas da doença trazem uma série de problemas
que se acumulam e se reforçam. A dor altera o humor, que afeta o rendimento e
as relações sociais, o que aumenta o estresse, que é um dos gatilhos da dor e
assim estende-se ao infinito.
Pacientes não precisam se
preocupar com danos graves, como deformações ou paralisação de membros. Além
disso, precisam ter informação sobre a doença e não se abalarem caso ainda
encontrem profissionais e pessoas que os desacreditem. Mantido o tratamento, a
perspectiva é que as dores regridam ao custo de uma rotina que é recomendada
para a saúde de qualquer ser humano: atividade física regular.
Apesar do paciente fibromiálgico apresentar baixa tolerância
aos exercícios físicos, relatando uma sensação de fraqueza muscular,
incapacidade física, alteração na capacidade de executar tarefas de vida
diária, extremo cansaço, médicos dizem que é preciso “forçar a barra” e tentar
fazer atividades físicas.
Este quesito da atividade física, no entanto, foi bastante prejudicado pela
Pandemia do Corona Vírus. Como fazer atividades físicas sem sair de casa? E
acho que estou “pagando o preço” de uma imobilidade de 1 anos e 8 meses. Se não
andar dói, se andar dói mais ainda.
* Ângela Rocha – paciente com fibromialgia diagnosticada em 2015. Diabética tipo 2 e dependente de insulina.
Adpatação da Matéria do site https://drauziovarella.uol.com.br/reumatologia/fibromialgia-nao-e-coisa-da-sua-imaginacao/
Matéria premiada no prêmio SBR/Pfizer
de Jornalismo 2016.
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
INQUIETAÇÕES DE UMA CATEQUISTA...
Estava aqui pensando no que dizer à inquietação de uma
catequista, lá de Barra Bonita – SP, que me chamou no whatsapp um dia destes.
Sim, porque o que ela “perguntou”, na verdade é uma inquietação de todos
nós. Mas, é bom que sejamos inquietos. O evangelizador precisa se inquietar e
não aceitar as coisas exatamente como elas são. Agora, o que não podemos deixar
acontecer é que essa inquietação mate nosso espírito de luta e nos deixe
prostrados simplesmente recebendo - ou não recebendo, dependendo do caso - as
coisas como vêm, prontas e acabadas.
Mas, vamos a “inquietação”:
Por que temos tantas reclamações das catequistas sobre o
quase abandono de algumas paróquias, com relação às necessidades dos catequistas
e da catequese?
Para começar, quero dizer que não se coloca nada numa taça já
cheia – falando do pretenso conhecimento que muitos acham que tem e por isso
não querem aprender mais nada – ou seja, ninguém aprende se acha que já sabe e
tem tudo que precisa. E esta é a frase que me inspirou:
“Não é possível derramar mais água numa taça já cheia; assim
também Deus não pode verter as suas graças numa alma cheia de distrações e
frivolidades.” (São
Maximiliano Maria Kolbe)
Quem sabe nossos padres e lideranças não estejam, então, com
a alma cheia de distrações e frivolidades?
E aqui quero lembrar a vocês que um padre é, antes de tudo
(não deveria, mas é), o administrador da paróquia. Tanto no quesito pastoral
quanto administrativo/financeiro. Afinal uma paróquia é uma “empresa”, com CNPJ
e tudo. Evidentemente ele poderia contratar um profissional para isso, mas, é
uma questão administrativa que cabe à Igreja, como instituição resolver.
Voltemos àquela questão da “taça cheia”: Muitos acham
que o mandato vocacional proporciona sabedoria infinita e recorrem ao Espírito
Santo (que não fez graduação nenhuma em finanças), para prover o que lhe falta
em especialização e conhecimentos necessários. Com raras exceções, os padres
não sabem administrar as finanças de uma paróquia e esta, acaba sendo mantida
pelo coração caridoso dos seus fiéis. Ouso dizer que muitos trabalham apenas em
prol de manter suas suntuosas Igrejas. Aliás, esta também é uma das reclamações
de muitos dos nossos catequistas, que usam seus próprios recursos para
conseguir fazer uma catequese mais elaborada.
Enfim, aqui alguns diriam que só nos resta rezar. Rezar para
que nossos líderes, por algum milagre dos céus, tomem consciência de que, sem
os leigos, principalmente os catequistas, não haverá mais paróquia para
administrar.
E aqui eu recorro a mais uma frase de São Maximiliano: “O
fruto do nosso apostolado depende da oração. Se falamos de oração, não se deve
entender que seja preciso ocupar muitas horas em estar de joelhos e em oração,
mas que sejam feitos atos internos...”.
“Atos internos”. O que este venerável santo quis dizer com isso? Acho que se
lembrarmos que o ato mais nobre da vida dele foi se oferecer para morrer no
lugar de um pai de família num campo de concentração nazista, não precisamos
pensar muito na resposta. A oração deve nos mudar por dentro e fazer com que
façamos “lá fora”, os atos e as mudanças que precisamos.
Mas, aí está uma coisa que a gente não se põe muito a pensar.
No quanto as orações têm o poder de nos mudar “internamente”. Aos nos
confessarmos fracos e impotentes e pedirmos ajuda a Deus, estamos,
inconscientemente, ajudando a nós mesmos. A despertar o “Espírito Santo” que
existe dentro de nós. De nada adianta nos pormos a rezar sem dar uma “ajudinha”
a esse Espírito Santo. Não recebemos dele sete dons? Onde estão quando
precisamos?
E essa “ajudinha” é justamente pensar no que afinal se pode
fazer para que nossa catequese fique melhor. Claro que é difícil mudar alguma
coisa quando coordenações e párocos estão apáticos e desmotivados ou sequer
acreditam na catequese. Mas, mudanças podem ser “operadas” nas pequenas coisas
que “nós” fazemos!
E que “pequenas coisas” são essas que podemos fazer, meus
queridos catequistas?
Primeiro, independente de saber se o padre ou o coordenador conhece o Diretório
e os documentos da catequese, preciso “EU” mesma conhecê-los.
“Ah, mas não posso por em prática tudo o que diz lá!”.
Quem disse que não? Se eu sei qual é a metodologia de
Jesus, o que é interação fé e vida, o que pretende o método ver-julgar-agir;
por que não posso colocá-los em prática? O “como” se catequiza é uma das formas
mais eficientes de se conseguir realmente, catequizar! Posso não estar
influenciando as gerações que me precedem e meus pares já estarem
"perdidos", mas, com certeza, influencio aquelas que virão. Ninguém é
mais o mesmo depois que “experimenta” Jesus de verdade, depois que se encontra
com ele. E esse encontro, é mediado pela catequese.
E quando não temos as “armas do poder” é preciso um
pouco de paciência. Se não sou “nada” na paróquia - pelos menos em termos de
influência com o pároco ou coordenação - o negócio é mudar NO espaço em
que me é permitido. E este espaço se chama “grupo de catequizandos”, onde provoco
mudanças verdadeiras quando consigo fazer ecoar a Palavra de Deus no coração de
cada um.
É claro que preciso seguir as “normas” e as “regras” da
pastoral. As “orientações” da coordenação. Não posso fugir delas. Tenho que
trabalhar com elas a meu favor, por mais que não concorde com elas.
Para mim, por exemplo, é uma rematada tolice e um atestado de
incompetência, usar qualquer coisa como “controle” de frequência de missa ou
dos próprios encontros de catequese. Se as pessoas não comparecem a um evento
que você convida é porque este evento não as atraia. Obrigá-las a ir, e fazer
que isto se transforme num “costume” ou “hábito”, é o que faz muitas pessoas
fracas na fé. E como temos fracos na fé ajoelhados todos os dias na
Igreja!
Eu não obrigo catequizando nenhum a ir à missa e nem faço
“chamada” em encontro. Só que eu sei perfeitamente quem foi ou não foi e porque
faltou. Isso porque “converso” com eles, converso com os pais. As crianças vão
à missa quando os pais vão à missa. Adianta eu fazer terrorismo com eles?
Deveria é fazer com os pais. Mas, estes se eu fizer, vou afastar ainda mais da
Igreja.
Não se deve ir à missa por costume ou hábito. É preciso ir porque
nos faz bem celebrar com a comunidade, faz bem cantar e rezar junto com a
comunidade, faz bem receber o “pão” junto com a comunidade.
Fico extremamente feliz quando encontro minhas crianças e
seus pais na missa. Faço questão de cumprimentá-los com um abraço. Porque sei
que estão lá porque querem, não porque os obriguei. Esta é apenas uma das
“coisinhas” que a gente pode tentar fazer. E continuar se inquietando sempre.
Inquietar-se é bom. Mas, é melhor ainda quando nos anima a mudar, a fazer
pequenas coisas que podem ser tornar grandes na vida das pessoas que estão ali
sob a nossa responsabilidade.
E para finalizar, um velho provérbio: “As
palavras ensinam, mas os exemplos arrastam”.
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
EU ACREDITO EM PAPAI NOEL...
Sim, eu acredito em Papai Noel! Assim como acredito em Nosso Senhor Jesus Cristo. Estranho que uma pessoa religiosa acredite e ame a tradição do Papai Noel? Talvez. Ou talvez não, se ela conheceu de verdade, o Papai Noel.
E foi numa época e numa circunstância, em que não era fácil ser Papai Noel. Não quando se tinha dez filhos, não num tempo de crise. E houve natais em que era um presente só, para duas crianças. Mas, ele vinha. Não de roupa e gorro vermelho. Mas, de roupa comum do trabalho. Chegava na noite de Natal com seu saco às costas, para alegria da criançada. E havia natais que tinha festa. Porque era também o aniversário do Papai Noel. E tinha todas aquelas coisas gostosas, que só no Natal é que via: farofa, cabrito, leitão, bolacha...
Lembro-me de um Natal quando tinha cinco ou sei anos. Morávamos no interior, não me lembro exatamente o que meu pai fazia nessa época, só sei que morávamos numa casa nos fundos da casa de uma outra família. Para variar, nossa situação financeira não era lá muito boa. As coisas eram difíceis para as oito crianças a espera da nona. Meu irmão mais novo nasceu nessa casa.
Meu Pai chegou bem tarde naquela véspera. Trazia às costas, um saco cheio de coisas para nós. Éramos então nove filhos nessa época. Para as meninas menores, eu e minha irmã, ele trouxe uma bonequinha de plástico para cada uma, daquelas com cabelo que parece de milho. Para os dois meninos mais novos ele trouxe um carrinho. UM só. Um dos meus irmãos, o mais velho, recusou e disse que queria um presente que fosse só dele. Ah! Aquele Papai Noel risonho, sabia ficar zangado: e o cinto fez meu irmão chorar e minha mãe ficar triste. São tristes lembranças de Natal. Nessa casa, não havia água encanada nem poço, e precisávamos pedir licença para nossos vizinhos da frente para pegar água num cano que passava no meio do terreiro entre as duas casas. Isso fazia com que a água para a casa da frente fosse interrompida e isso nos custava muitos xingos. Anos mais tarde minha mãe me contou que essa família chegou a nos sustentar por uns tempos. Acabaram sendo padrinhos de meu irmão que nasceu lá. Eram épocas de vacas muito magras.
E, por falar em vaca, eu estava brincando no “potreiro”, tinha ganho um lindo casaquinho de flanela estampada de amarelo. Minha mãe costurava nossas roupas. E, no corre corre da brincadeira, comecei a sentir calor e coloquei meu “paletózinho” novo na cerca. E uma vaca veio e mastigou! Que coisa! Chorei muito... mas, não tinha como fazer outro naquele ano.
Mas nem tudo era tristeza. Brinquei muito naquele lugar. O sítio proporciona isso pra gente: espaços abertos, natureza, árvores, riachos, crianças. As crianças não veem a vida com olhos de tristeza. Elas têm olhos de aventura, enxergam aquilo que os adultos já esqueceram.
Voltei àquele lugar quando adulta. Qual não foi a minha surpresa ao observar que, aquele mundão de aventuras, aquelas coisas que para mim eram tão grandes, pareciam agora, tão “pequenas”. Meus olhos já não tinham tanta perspectiva: O filete de água do riacho já não parecia com um grande rio a ser atravessado, o grande pasto não passava de meio alqueire. Como diria Rubens Alves: já não há jabuticabas a serem comidas no galho mais alto. E nem eram jabuticabas, só gabiroba mesmo...
Mas, independente de algumas tristezas nas minhas lembranças, o Natal sempre foi para mim uma época mágica. E essa magia vem do “dia”. Que para mim, lá na infância, não era de Jesus e sim do Papai Noel. Quando eu era criança não havia presépios elaborados, grandes árvores de Natal ou ceias fartas. Mas, havia natal! Era um dia “natalino”, porque Natalino era meu pai. O dia 25 de dezembro era aniversário do meu Pai. Não era o menino Jesus que eu esperava com ansiedade, era o dia do aniversário do Papai Noel.
Minhas lembranças não são tão claras, e não posso dizer que todos os natais foram assim. Mas, quando nossas condições permitiam, havia sempre festa. Um cabrito era assado lá no quintal numa fogueira no chão, muita gente (muitos desconhecidos), minha mãe fazia maionese, farofa, macarrão e bolacha de sal-amoníaco. E o almoço do dia 25 de dezembro era sempre muito especial. Minha mãe costurava roupas novas pra gente. Eram coisas muito simples.
Na nossa realidade do resto do ano, havia frango só no domingo mas, no Natal, havia um monte de coisa. Era “a” festa! E como Papai Noel era alegre, brincalhão, sorridente. Posso ainda escutar sua risada ecoando em meus ouvidos. Posso ver seu rosto nitidamente como se fosse hoje. Ele tinha cheiro de madeira da serraria: canela, imbuia, pinheiro.
Eu tinha um “Papai Noel” só para mim. Um homem muito especial, de coração enorme, que sabia ajudar qualquer pessoa que precisasse. Muitas e muitas vezes eu o vi trazer pessoas carentes pra casa (como se ele mesmo não fosse um de vez em quando!), para dar de comer, ajudar a arrumar trabalho. Na festa dele, eram convidados todos que passassem na rua...
E lembrar disso tudo, ainda faz o Natal ser especial. Mesmo neste Natal, em que não podemos reunir a enorme família do Seu Natalino (Meu papai Noel), eu sorrio e penso como esta época é especial. Ele já não está vindo mais há 42 anos, mas, continua aqui, no meu coração. Seu sorriso, sua alegria, sua bondade de coração... Não há como esquecer! Meu papai Noel nem sempre tinha presentes a oferecer, exceto sua alegria, mas, isso bastava para mim.
*Minha música de Natal preferida, escute, é linda!
https://www.youtube.com/watch?v=0u5UvnKlCTA
♫ O primeiro Noel, os
anjos disseram, surgiu como certo
Para os pobres pastores nos campos onde guardavam suas ovelhas
Em uma noite fria de inverno, mas era tudo tão maravilhoso...
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!
Eles olharam para cima e
viram uma estrela brilhando para além deles ao longe e para a Terra lançava uma
grande luz...
E assim continuou... Dia e noite...
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!
Aqueles trio de sábios completamente
reverentes
de joelhos ofereceram na presença Dele: seu ouro, mirra e incenso.
Noel, Noel, Noel, Noel, nasceu o Rei de Israel!
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!
Ângela Rocha - Catequistas em Formação
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
PRIMEIRA COMUNHÃO NA PANDEMIA
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| G1 - Foto: Jorge Figueiredo. |














