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terça-feira, 5 de novembro de 2024

O TEMPO DE DEUS

Por esses dias andei me questionando se, realmente, o céu poderia existir. E briguei um pouquinho com Deus por ter levado alguém que amo, sem que eu tivesse manifestado o suficiente esse amor. E questionei a justiça de uma morte ainda tão prematura, quando havia tanto ainda a se viver. E fiquei também me perguntando por que, tantos de nós, estão perdendo as pessoas que amam.

É preciso ser realista: nosso tempo na terra é finito! E estamos - mesmo que a gente não goste de admitir - um pouco mais "velhos". Já não somos crianças e é normal que as pessoas que convivem conosco também envelheçam, vão terminando seu ciclo de vida e acabam partindo.. Duro aceitar isso. Duro aceitar que o "Kronos" é inevitável.

Mas pensando em quem perdi, percebi que a mim foi dado o tempo que podia me ser dado. E antes de ficar chorando por ter sido pouco, eu deveria agradecer por TER TIDO ESSE TEMPO. E saber que esse é o kairós, o tempo de Deus, muito mais verdadeiro e marcante que o Kronos do relógio.

Existe uma frase que diz que nada é por acaso, que não existem coincidências. Mas também acredito que nem tudo está escrito. Temos sempre uma escolha. E podemos escolher como viver o nosso tempo.

E talvez o céu também seja uma dessas escolhas. Podemos escolher viver o céu ou o inferno por aqui mesmo.

E que saibamos reconhecer este céu! Às vezes, estamos tão ocupados com nossas dores, que nem nos apercebemos do tempo precioso que nos é dado aqui, daquele tempo inestimável de dividir sorrisos, lágrimas, presença, amor... enquanto ainda é possível.

Penso que temos tido, aqui entre nós, muitas perdas. Perdemos nossas mães, nossos pais, nossos irmãos. E a cada perda que um dos meus amigos relata, é como se eu tivesse perdido alguém também. Tenho aprendido nesses dias o enorme valor de um simples abraço, do silêncio de quem não sabe o que dizer ou como consolar.

Gostaria que todos que perderam alguém, pensassem no CÉU que viveram junto a essa pessoa, nos momentos de alegria e até mesmo de tristeza partilhada. Mesmo que sejamos todos cheios de religiosidade, que acreditemos plenamente na vida eterna e num futuro reencontro, sempre fica na gente aquela "ausência", aquele sentimento dolorido de quem não vai mais ter o abraço físico da pessoa amada.

E não é nada fácil. É difícil aceitar que eles estão "num lugar melhor", quando a gente acha que o lugar melhor é junto com a gente. É egoísmo nosso, eu sei. Mas a gente precisa viver um pouco desse egoísmo. É o reflexo do grande amor que sentimos pelas pessoas que fazem parte da nossa existência.

Então é preciso buscar a serenidade, a aceitação. Talvez não seja possível ainda sufocar a dor e as lágrimas. Precisamos de tempo. Precisamos do tempo que só Deus pode nos dar. Tempo que preciso deixar passar.

Ângela Rocha
Catequista
31/03/2011

* Não, não perdi ninguém por esses dias. Só lembrei de não esquecer os que se foram.


quarta-feira, 28 de junho de 2023

deus com letra minúscula

“Quando me sinto fraco, então é que me faço forte...”

Às vezes não basta a gente “se fazer" de forte. Porque quando nos "fazemos" forte, essa fortaleza é construída de areia. E, a areia desmorona na primeira onda. É preciso SER forte, desde as entranhas até o último fio de cabelo. A gente engana a todo mundo menos a Deus e a nós mesmos. E nem sempre essa fortaleza vem da nossa fé exterior...

Mas, desde quando a fé é "exterior"? Fé vem de dentro da alma, ela se faz do Espírito Santo de Deus que cada um de nós traz dentro de si desde que nasce. O ser humano antropológico necessita do transcendente. Precisa de fé, exterior ou interior.

Pode parecer uma heresia, mas não recebemos o Espírito Santo só no batismo. O sacramento do batismo como rito simbólico e mistagogia tem o seu propósito, mas Deus daria Seu Espírito só a quem comparece a uma Igreja? A pia batismal e a água benta têm que fazer parte disso realmente? E aqueles a quem é negado esse gesto? Não serão eles filhos de Deus também e objeto do Espírito?  Todo ser humano possui em si o Espírito Santo, tendo sido marcados pela cruz de Cristo ou não. Mas alguns não o percebem ou conhecem.

Então essa é, em minha opinião, a fé "exterior". Que precisa de símbolos, de presença física, de instituição, religião e outras tantas coisas "tocáveis". E muitas vezes nos deixamos levar só pelo Deus de nossa fé exterior. Um  deus que precisa a todo o momento ser provado, medido e aceito. Que precisa ser “visto”. É o deus com letra minúscula. E o deus de muita gente é assim: minúsculo e ausente no interior. É o deus de quem esfola os joelhos a rezar mas não levanta uma palha em prol do crescimento próprio e do outro. É o deus de quem não acredita no Filho Amado de Deus, que pode ser sempre visto, olhando-se no espelho.

E existem aqueles que se comprazem em se dizerem “sem fé”. Ah, mas não se enganem, mesmo a quem o nega e renega, Ele se faz presente. A única diferença é que pra estes, o Deus de letra maiúscula é um Deus de encontro sofrido e demorado.

E o encontro só acontece quando exercemos a FÉ INTERIOR! A fé em nós mesmos, que nos faz fortes Naquele que nos fortalece... E em nós mesmo, que somos a maior fortaleza já criada por Ele!


Ângela Rocha
Catequista, graduada em Teologia pela PUCPR.



quarta-feira, 18 de maio de 2022

V9INDE E VEDE...

 

Vinde e vede...

O encontro começou com o convite: “Vinde e vede!” (Jô 1, 39). E este foi o convite que fiz e o desafio que lancei ao me apresentar a turma de 4ª Etapa da catequese. Que é chamada de “pré-crisma” ou “perseverança” em outros lugares. Aqui devemos chamar de 4º Tempo, por determinação da Coordenação Arquidiocesana de Catequese. Que deseja “inculturar” a Iniciação á Vida Cristã à lida e à fala dos catequistas.

Mas aqueles dezesseis jovens que receberam a primeira eucaristia no dia 01 de maio, foram chamados, como Pedro e André, a serem discípulos. E mereciam um convite especial, afinal Começa a caminhada rumo ao sacramento do crisma, a unção que lhes dará poder de discipulado e missionariedade em nossa Igreja. E confesso a vocês que não é fácil encarar essas cabecinhas criança/adolescente! É preciso muito preparo, muita fé e perseverança, enfim, muito café no bule...

E hoje pra gente se conhecer melhor, fizemos a brincadeira da “loteria”. A brincadeira consiste em montar uma lista com 13 perguntas que você precisa responder com o nome de alguém do grupo. Algo assim: “Alguém que tem um animal de estimação” ou então “Quem faz aniversário mais perto do seu”... E por aí vai. Mas, não pode repetir o nome das pessoas. Isso vale para um grupo acima de 13 pessoas, senão é necessário reduzir o número de perguntas ou aumentar se o grupo for grande. Ganha quem conseguir fazer os “treze pontos” antes.

Mas a coisa fica legal, na hora de se conferir as respostas. Foi muito engraçado. Vou recebendo os formulários por ordem de chegada e à medida que vamos conferindo vemos os “furos”. Pra vocês terem uma idéia, em nossa brincadeira de hoje o quarto menino a entregar foi quem levou o prêmio (uma caixa de chocolate Bis). Isso porque quem ficou em primeiro lugar colocou o nome da amiga na pergunta que pedia alguém que gostasse de cantar. E quem diz que a amiga quis cantar ali para o grupo? E o segundo lugar? O menino colocou na resposta do aniversario mais próximo do dele que é em novembro, alguém de março!! Alguém que gosta da mesma sobremesa: Isabela que gosta de chocolate, apontou Julia. Júlia qual sua sobremesa favorita? Pudim...

E isso tudo fizemos embaixo da enorme figueira brava do pátio. E minhas dezesseis crianças/gente-que-pensa-que-é-grande, que começaram o encontro no maior dos silêncios, receosos, terminaram rindo e jogando figo seco um no outro. E, claro, havia outra caixa de chocolate pra dividir entre todos.

Essas pequenas coisas, aparentemente tão sem importância, como encontrar alguém que tenha a mesma cor nos olhos, saber quem tem mais de quatro pessoas na família, quem gosta de cantar, tocar algum instrumento ou quem morou em mais de três cidades diferentes; longe de nos trazer só curiosidades sobre as outras pessoas, fazem com que olhemos os outros nos olhos, perguntemos sobre a sua família, saibamos que dons ele possui e sobretudo se ele se sente um “novato” na cidade e se precisa de amigos. Conhecer-se é a chave. Aceitar o convite. Vir e ver como é o espaço que precisamos ocupar na nossa comunidade.

 

Ângela Rocha

Catequista

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

O CHEIRO, O GOSTO, O OLHAR DO CATOLICISMO

 

Imagem: Seminário Santo Antônio Agudos SP


A cada vez que piso o chão de um templo católico, o templo me toca a alma.

Pela grandiosidade das suas portas, silenciosamente adentro ao espaço do Senhor.

Mas, não são as paredes altas, os vitrais que espelham a luz ou o teto que meus olhos mal absorvem, que me faz respirar em suspenso e me prostrar em admiração.

Não são os dolorosos passos do Senhor na Via sacra que me tocam o coração.

Nem são os nichos de oração encravados nas paredes com seus genuflexórios a me convidar a ficar de joelhos e admirar a devoção dos santificados que me chama a rezar.

Nem é a dignidade do ambão da palavra que fala ao povo, não é o altar deitado em sacrifício ou a luz do sacrário a me lembrar que o sonho vive e vive para sempre.

Não, não é a grandiosidade dos templos e a suntuosidade mamorea que me faz admirar o templo.

O que me causa admiração maior, é a nossa convicção humana que podemos chegar a grandiosidade que é o Senhor Deus a se expressar em arte, beleza e simbologia.

E se não olhar um templo com os olhos da fé, verei somente a “casca”, o invólucro, a grandeza e a majestade da construção, nunca a grandeza e a majestade que da fé que ele inspira.

É mister ouvir o silêncio que nos faz escutar somente o eco dos nossos passos e o estalar da madeira dos bancos.

É preciso sentir o cheiro de Deus quem nossas Igrejas exalam, sentir o calor da luz que os vitrais refletem, o gosto da oração em nossa boca, que se abre em absoluta veneração.

É preciso ver que não são os nossos templos que refletem a Igreja Católica, é Deus que se reflete em nossos templos.

Isso, só aquele que ama sua Igreja sabe...

 

Ângela Rocha - Catequista

* Escrevi este texto logo depois de visitar o templo No Seminário Franciscano Santo Antônio em Agudos – SP.

sábado, 13 de novembro de 2021

A FIBROMIALGIA NÃO É COISA DA SUA IMAGINAÇÃO!

 

Escrever este texto foi uma forma de explicar aos nossos leitores e seguidores, porque ando tão afastada no nosso grupo e páginas. Espero que esta fase termine logo e eu possa voltar a trabalhar e produzir. Um grande abraço a todos!

Ângela Rocha

A Fibromialgia é uma síndrome marcada por dores generalizadas e crônicas. Um simples abraço pode ser motivo de desconforto para a pessoas que tem fibromialgia. E chega a demorar até sete anos para conseguir um diagnóstico, principalmente devido a falta de exames que apontem o problema.  Sintomas da doença não são detectáveis por exames comuns e provocam descrença de familiares e amigos, mas a dor da fibromialgia é muito real. 

Durante mais de uma década, eu visitei consultórios de diferentes especialidades procurando alívio para minhas dores. As coisas ficaram mais graves há dez anos, quando acordei uma manhã sem poder mexer a perna direita, tamanha a dor que eu sentia. Fiquei sem poder andar vários dias. E fui ao ortopedista, ao neurologista, ao reematologista. Havia histórico de acidente doméstico, como uma queda na escada ou o trabalho de digitação feito ao longo de 27 anos como bancária e depois mais 3 anos como professora. A primeira vista, isto era resquício daquilo. Mas, a dor ia para todos dos lugares!

Fiz tomografia e raio-X de todos os lugares: pernas, braços, ombros, coluna, abdômen. Ah! Era a artrose do quadril; ou quem sabe a epicondilite do cotovelo; não, talvez fossem os osteófitos na lombar. E a dor sempre persistente mudando de um lugar pra outro. E quando ela, a "famigerada dor", começou a doer em lugares onde não havia nada de errado, o reumatologista aventou a possibilidade de ser Síndrome de FIBROMIALGIA. Isso foi em 2015. Doença que eu tinha ouvido falar mas nunca tinha dado importância, pois parecia “coisa da minha cabeça”.

Depois de seis anos em Londrina, mudei para Curitiba. Em princípio foi difícil achar um médico que me desse algum diagnóstico. Eram sempre: “tendinopatias”.  Questionada sobre o local da dor, era comum a resposta “meus fios de cabeço doem, a sola do meu pé dói, tudoooo dóis”. Os exames, entretanto, não revelavam nada: nenhuma inflamação ou lesão muscular, somente a epicondilite do cotovelo, artrose e osteófitos na lombar. Coisas que foi se resolvendo com 5 anos de fisioterapia e hidroterapia, aliviando na verdade. Peregrinando entre clínicos, endocrinologistas e reumatologistas, enfim, cheguei a um psiquiatra, Já estava convencida de que a dor só existia na minha imaginação depressiva.

Como as dores geralmente são musculares ou localizam-se nas articulações, sempre pensei na questão mais "física" da coisa e busquei a reumatologia para me ajudar. Afinal, minhas mãos foram ficando meio débeis, as articulações inchadas e a dor mais extrema era, do ombro a ponta dos dedos. Dedos que não me permitem mais usar anéis e aliança.

Continue lendo bastante a respeito do assunto e os estudos apontavam que esta seria uma doença da área dos neurologistas. O cérebro de quem tem fibromialgia processa uma dor de maneira exagerada. Estima-se que uma pressão de até quatro quilos não provoque dor na maioria das pessoas, mas bem menos que isso já é suficiente para disparar dor intensa em quem tem a doença. Mas, o neurologista não me foi de grande ajuda.

Algo que consegui algumas informações num site:

Desde a década de 1980 já havia estudos mostrando que pacientes com fibromialgia tinham neurotransmissores de dor, como a substância P (de “pain, “dor” em inglês), em maior quantidade. Dos anos 2000 para cá, com o avanço da neurociência, passou a ser possível mostrar em exames essa diferença”, explica o dr. Eduardo dos Santos Paiva, presidente da Comissão de Dor, Fibromialgia e outras Síndromes de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia”.

Sim, minha dor é um “exagero”. E eu a evito ao máximo. A ponto de evitar tomar as picadas das agulhadas da insulina porque “dóis demais” ou não medir a glicose porque aquela agulhinha parece que espeta o meu cérebro. E uma coisa que poderia ser só uma “dor da minha cabeça” acabou levano ao descontrole do diabetes, ao stress da hipertensão, a fome louca quando estou estressada, a obesidade, e ao fato de, definitivamente, não gostar nada de mim e pedir a Deus para morrer em diversos momentos de dor.

Outra coisa que li na internet:

É possível detectar a reação exagerada do cérebro a estímulos por meio de uma Ressonância Magnética Funcional, mas esse é um exame extremamente caro e trabalhoso e exige profissionais especializados e experientes para ser realizado, o que faz com que não seja aplicado rotineiramente e fique praticamente restrito ao uso em estudos”.

Ah quem me dera fazer parte de um estudo destes! No entanto o máximo que fiz foi tentar dar a minha dor uma “nota” num quadro de várias cores: Como boa aluna, a nota nunca foi abaixo de 8.

Geralmente, a investigação conta muito com o relato do próprio paciente e com exames para detectar doenças que possam ter sintomas similares, como  como espondilites, polimiagia reumática, hipotireoidismo, mieloma múltiplo (um tipo de câncer), artrite e outras dores da coluna.

Em geral, o primeiro indício de fibromialgia é uma dor localizada que persiste e, com o tempo, evolui e se alastra para tornar-se difusa, semelhante à dor que toma o corpo todo após uma gripe forte. Normalmente a dor surge sem motivo, mas às vezes pode ser desengatilhada por traumas psicológicos, físicos, como uma lesão provocada por um acidente de carro, ou infecções.

Até os anos 1990, usava-se um mapa elaborado por 20 reumatologistas para testar a sensibilidade do paciente. Os 18 pontos distribuídos pelo corpo eram os mais citados por pacientes como locais doloridos. São simétricos bilateralmente, e a maioria se concentra acima da cintura. Alguns deles, em especial na nuca, nas escápulas e na parte externa dos cotovelos, ao serem pressionados provocavam gritos de dor.

 

(Posso acrescentar mais umas 18 a imagem acima...)

Ainda assim, a dor da fibromialgia é diferente das dores agudas, como as causadas por um corte ou uma porta que se fecha violentamente sobre um dedo. Essa dor aguda gera uma reação fisiológica, a pessoa sua, berra. Já na dor crônica da fibromialgia a pessoa vai se adaptando e passa a conviver com ela no dia a dia. Um paciente fibromiálgico que queira esconder sua condição consegue falar normalmente, sem demonstrar que está sofrendo. Quando está habituado à dor, então, vive seu cotidiano aparentemente sem sentir nenhum desconforto, o que motiva a descrença por parte de quem convive com ele. 

Entende-se que, para haver fibromialgia, é necessário haver dor em todo o corpo por mais de três meses, na maioria dos dias ao longo desse período. Os pontos de dor foram muito usados durante os anos 1990. Hoje em dia, eles ainda ajudam, mas não são definidores do diagnóstico. É necessário haver um conjunto de outros sintomas que englobam cansaço extremo, alteração do sono, da concentração e problemas de memória. Coisa que posso descrever em minúcias se for necessário...

Entre esses sintomas, é marcante o papel da fadiga para caracterização da doença. Faz parte do processo de diagnóstico um questionário que visa a avaliar o impacto do cansaço na rotina do paciente. Ele tem de classificar de 0 a 10 o nível de dificuldade que enfrentou para realizar determinadas tarefas. E pelo grau de exigência das tarefas, podemos ter uma ideia do quão intensa pode ser a falta de energia. Afinal, como é possível se cansar penteando os cabelos?

É um cansaço diferente, não é uma simples preguiça. Você acorda totalmente esgotada, sem vontade nenhuma de fazer as coisas. Quando está “leve”, você levanta e vai fazer o que tem que fazer. No geral eu sinto cansaço sempre, problemas de memória e dor generalizada, mais concentrada no lado direito do quadril e no braço esquerdo.

Assustador que exista no Brasil um contingente de aproximadamente 5 milhões de pessoas (cerca de 2% a 3% da população, percentual próximo ao que se estima no mundo), com fibromialgia. E que esta seja uma doença de “mulheres”. Mais um fardo que a mulher precisa carregar

Existem dez vezes mais mulheres atingidas que homens. Segundo o National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases, entre 80% e 90% das pessoas com fibromialgia são mulheres. O machismo enraizado em nossa cultura mostrou-se muito eficiente para transformar um fato científico em uma característica inerente ao gênero. Se as pacientes são mulheres, provavelmente a dor é psicológica, frescura, drama, sintoma de TPM (Tensão Pré-Menstrual) etc. E assim, gerações de mulheres passaram a vida resignadas, com dor e outros sintomas. No começo não é fácil, a gente não sabe o que é. Antes, tudo era reumatismo, mas a dor não passa e aí você vai vivendo. E quando as coisas vão ficando mais difíceis: “Ah é meu reumatismo!”

A ligação entre fibromialgia e o sexo feminino pode estar na serotonina, neurotransmissor que influencia o sono, a produção de hormônios, o ritmo cardíaco e outras funções fisiológicas importantes. As mulheres produzem menos serotonina, e por isso são mais propensas a problemas como depressão, enxaqueca e transtornos de humor, principalmente no período de TPM. Como o neurotransmissor também participa do processamento da dor, talvez esse seja a explicação para o número muito maior de pacientes mulheres.

Além da forte relação com o sexo feminino, a doença tem laços estreitos com a depressão. Cerca de 50% dos fibromiálgicos apresentam também esse transtorno grave, com um quadro agravando o outro: a dor e o descrédito provocam reclusão, piorando a depressão, que por sua vez intensifica a dor – de forma real, e não psicológica.

Como a dor da fibromialgia não tem uma origem definida, analgésicos e anti-inflamatórios não ajudam. Os medicamentos que surtem algum efeito são os da classe dos antidepressivos e neuromoduladores. Porém, alguns pacientes podem encarar a prescrição com desconfiança, devido à imagem negativa que as doenças psiquiátricas têm em nossa sociedade. Aqueles que tiveram de encarar incredulidade até chegar ao diagnóstico podem até expressar revolta, interpretando que a sombra da “dor psicológica” está voltando e que estão sendo tratados de algum transtorno psiquiátrico. No caso da fibromialgia, entretanto, tais remédios são usados simplesmente para aumentar a quantidade de neurotransmissores que diminuem a dor.

 E foi isso que o psiquiatra me explicou. Vou tomara Rivotril e Valdoxan porque preciso agira na dor, não porque estou “surtando” de louca.

Atualmente, a palavra-chave do tratamento para fibromialgia é atividade física. Mesmo quando o médico decide incluir alguma medicação, ela serve para permitir a prática de exercícios. É comum, por exemplo, pacientes dormirem mal. Eu durmo cerca de 3 horas por noite. Nada que repõe a energia, continuo cansada, me deito a tarde, durmo de forma leve, tenho mil pesadelos e acordo mais cansa da ainda. Às veze até durmo horas suficientes para repor as energias, mas ainda assim acordo cansada, o sono não é reparador.

Em um caso desses, receitar um medicamento para facilitar o sono obviamente melhora a qualidade de vida, mas tem como objetivo final dar mais disposição para uma atividade física no dia seguinte. O paciente normalmente tem dificuldade pra entender por que tem tanta dor e não aparece em nenhum exame, então é preciso um Rivotril pra resolver.

A fibromialgia não é considerada uma doença curável. Há casos em que os sintomas diminuem consideravelmente, chegando a quase desaparecer, mas há outros em que será necessário fazer controle por toda a vida. Há períodos em que há uma certa trégua. As dores ficam no patamar do “de sempre” (suportável), e a gente consegue sorrir e fiungir pros outros que você não é uma chorona que só sabe dizer: “Ai que dor!”.

Entender que a fibromialgia não se cura é fundamental para levar o tratamento da melhor forma possível. Assim como a “retroalimentação” que ocorre fibromialgia e depressão, os sintomas da doença trazem uma série de problemas que se acumulam e se reforçam. A dor altera o humor, que afeta o rendimento e as relações sociais, o que aumenta o estresse, que é um dos gatilhos da dor e assim estende-se ao infinito.

Pacientes não precisam se preocupar com danos graves, como deformações ou paralisação de membros. Além disso, precisam ter informação sobre a doença e não se abalarem caso ainda encontrem profissionais e pessoas que os desacreditem. Mantido o tratamento, a perspectiva é que as dores regridam ao custo de uma rotina que é recomendada para a saúde de qualquer ser humano: atividade física regular.

Apesar do paciente fibromiálgico apresentar baixa tolerância aos exercícios físicos, relatando uma sensação de fraqueza muscular, incapacidade física, alteração na capacidade de executar tarefas de vida diária, extremo cansaço, médicos dizem que é preciso “forçar a barra” e tentar fazer atividades físicas.

Este quesito da atividade física, no entanto, foi bastante prejudicado pela Pandemia do Corona Vírus. Como fazer atividades físicas sem sair de casa? E acho que estou “pagando o preço” de uma imobilidade de 1 anos e 8 meses. Se não andar dói, se andar dói mais ainda.


* Ângela Rocha – paciente com fibromialgia diagnosticada em 2015. Diabética tipo 2 e  dependente de insulina.

 

Adpatação da Matéria do site https://drauziovarella.uol.com.br/reumatologia/fibromialgia-nao-e-coisa-da-sua-imaginacao/

Matéria premiada no prêmio SBR/Pfizer de Jornalismo 2016.

 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

INQUIETAÇÕES DE UMA CATEQUISTA...

 

Estava aqui pensando no que dizer à inquietação de uma catequista, lá de Barra Bonita – SP, que me chamou no whatsapp um dia destes. Sim, porque o que ela “perguntou”, na verdade é uma inquietação de todos nós. Mas, é bom que sejamos inquietos. O evangelizador precisa se inquietar e não aceitar as coisas exatamente como elas são. Agora, o que não podemos deixar acontecer é que essa inquietação mate nosso espírito de luta e nos deixe prostrados simplesmente recebendo - ou não recebendo, dependendo do caso - as coisas como vêm, prontas e acabadas.

Mas, vamos a “inquietação”:

Por que temos tantas reclamações das catequistas sobre o quase abandono de algumas paróquias, com relação às necessidades dos catequistas e da catequese?

Para começar, quero dizer que não se coloca nada numa taça já cheia – falando do pretenso conhecimento que muitos acham que tem e por isso não querem aprender mais nada – ou seja, ninguém aprende se acha que já sabe e tem tudo que precisa. E esta é a frase que me inspirou:

“Não é possível derramar mais água numa taça já cheia; assim também Deus não pode verter as suas graças numa alma cheia de distrações e frivolidades.” (São Maximiliano Maria Kolbe)

Quem sabe nossos padres e lideranças não estejam, então, com a alma cheia de distrações e frivolidades?

E aqui quero lembrar a vocês que um padre é, antes de tudo (não deveria, mas é), o administrador da paróquia. Tanto no quesito pastoral quanto administrativo/financeiro. Afinal uma paróquia é uma “empresa”, com CNPJ e tudo. Evidentemente ele poderia contratar um profissional para isso, mas, é uma questão administrativa que cabe à Igreja, como instituição resolver.

Voltemos àquela questão da “taça cheia”: Muitos acham que o mandato vocacional proporciona sabedoria infinita e recorrem ao Espírito Santo (que não fez graduação nenhuma em finanças), para prover o que lhe falta em especialização e conhecimentos necessários. Com raras exceções, os padres não sabem administrar as finanças de uma paróquia e esta, acaba sendo mantida pelo coração caridoso dos seus fiéis. Ouso dizer que muitos trabalham apenas em prol de manter suas suntuosas Igrejas. Aliás, esta também é uma das reclamações de muitos dos nossos catequistas, que usam seus próprios recursos para conseguir fazer uma catequese mais elaborada.

Enfim, aqui alguns diriam que só nos resta rezar. Rezar para que nossos líderes, por algum milagre dos céus, tomem consciência de que, sem os leigos, principalmente os catequistas, não haverá mais paróquia para administrar.

E aqui eu recorro a mais uma frase de São Maximiliano: “O fruto do nosso apostolado depende da oração. Se falamos de oração, não se deve entender que seja preciso ocupar muitas horas em estar de joelhos e em oração, mas que sejam feitos atos internos...”.

“Atos internos”. O que este venerável santo quis dizer com isso? Acho que se lembrarmos que o ato mais nobre da vida dele foi se oferecer para morrer no lugar de um pai de família num campo de concentração nazista, não precisamos pensar muito na resposta. A oração deve nos mudar por dentro e fazer com que façamos “lá fora”, os atos e as mudanças que precisamos.

Mas, aí está uma coisa que a gente não se põe muito a pensar. No quanto as orações têm o poder de nos mudar “internamente”. Aos nos confessarmos fracos e impotentes e pedirmos ajuda a Deus, estamos, inconscientemente, ajudando a nós mesmos. A despertar o “Espírito Santo” que existe dentro de nós. De nada adianta nos pormos a rezar sem dar uma “ajudinha” a esse Espírito Santo. Não recebemos dele sete dons? Onde estão quando precisamos?

E essa “ajudinha” é justamente pensar no que afinal se pode fazer para que nossa catequese fique melhor. Claro que é difícil mudar alguma coisa quando coordenações e párocos estão apáticos e desmotivados ou sequer acreditam na catequese. Mas, mudanças podem ser “operadas” nas pequenas coisas que “nós” fazemos!

E que “pequenas coisas” são essas que podemos fazer, meus queridos catequistas?

Primeiro, independente de saber se o padre ou o coordenador conhece o Diretório e os documentos da catequese, preciso “EU” mesma conhecê-los.

Ah, mas não posso por em prática tudo o que diz lá!”.

Quem disse que não? Se eu sei qual é a metodologia de Jesus, o que é interação fé e vida, o que pretende o método ver-julgar-agir; por que não posso colocá-los em prática? O “como” se catequiza é uma das formas mais eficientes de se conseguir realmente, catequizar! Posso não estar influenciando as gerações que me precedem e meus pares já estarem "perdidos", mas, com certeza, influencio aquelas que virão. Ninguém é mais o mesmo depois que “experimenta” Jesus de verdade, depois que se encontra com ele. E esse encontro, é mediado pela catequese.

E quando não temos as “armas do poder” é preciso um pouco de paciência. Se não sou “nada” na paróquia - pelos menos em termos de influência com o pároco ou coordenação - o negócio é mudar NO espaço em que me é permitido. E este espaço se chama “grupo de catequizandos”, onde provoco mudanças verdadeiras quando consigo fazer ecoar a Palavra de Deus no coração de cada um.

É claro que preciso seguir as “normas” e as “regras” da pastoral. As “orientações” da coordenação. Não posso fugir delas. Tenho que trabalhar com elas a meu favor, por mais que não concorde com elas.

Para mim, por exemplo, é uma rematada tolice e um atestado de incompetência, usar qualquer coisa como “controle” de frequência de missa ou dos próprios encontros de catequese. Se as pessoas não comparecem a um evento que você convida é porque este evento não as atraia. Obrigá-las a ir, e fazer que isto se transforme num “costume” ou “hábito”, é o que faz muitas pessoas fracas na fé. E como temos fracos na fé ajoelhados todos os dias na Igreja!

Eu não obrigo catequizando nenhum a ir à missa e nem faço “chamada” em encontro. Só que eu sei perfeitamente quem foi ou não foi e porque faltou. Isso porque “converso” com eles, converso com os pais. As crianças vão à missa quando os pais vão à missa. Adianta eu fazer terrorismo com eles? Deveria é fazer com os pais. Mas, estes se eu fizer, vou afastar ainda mais da Igreja.

Não se deve ir à missa por costume ou hábito. É preciso ir porque nos faz bem celebrar com a comunidade, faz bem cantar e rezar junto com a comunidade, faz bem receber o “pão” junto com a comunidade.

Fico extremamente feliz quando encontro minhas crianças e seus pais na missa. Faço questão de cumprimentá-los com um abraço. Porque sei que estão lá porque querem, não porque os obriguei. Esta é apenas uma das “coisinhas” que a gente pode tentar fazer. E continuar se inquietando sempre. Inquietar-se é bom. Mas, é melhor ainda quando nos anima a mudar, a fazer pequenas coisas que podem ser tornar grandes na vida das pessoas que estão ali sob a nossa responsabilidade.

E para finalizar, um velho provérbio: “As palavras ensinam, mas os exemplos arrastam”

Ângela Rocha



 

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

EU ACREDITO EM PAPAI NOEL...

Imagem: estilizada

Sim, eu acredito em Papai Noel! Assim como acredito em Nosso Senhor Jesus Cristo. Estranho que uma pessoa religiosa acredite e ame a tradição do Papai Noel? Talvez. Ou talvez não, se ela conheceu de verdade, o Papai Noel.

E foi numa época e numa circunstância, em que não era fácil ser Papai Noel. Não quando se tinha dez filhos, não num tempo de crise. E houve natais em que era um presente só, para duas crianças. Mas, ele vinha. Não de roupa e gorro vermelho. Mas, de roupa comum do trabalho. Chegava na noite de Natal com seu saco às costas, para alegria da criançada. E havia natais que tinha festa. Porque era também o aniversário do Papai Noel. E tinha todas aquelas coisas gostosas, que só no Natal é que via: farofa, cabrito, leitão, bolacha...

Lembro-me de um Natal quando tinha cinco ou sei anos. Morávamos no interior, não me lembro exatamente o que meu pai fazia nessa época, só sei que morávamos numa casa nos fundos da casa de uma outra família. Para variar, nossa situação financeira não era lá muito boa. As coisas eram difíceis para as oito crianças a espera da nona. Meu irmão mais novo nasceu nessa casa.

Meu Pai chegou bem tarde naquela véspera. Trazia às costas, um saco cheio de coisas para nós. Éramos então nove filhos nessa época. Para as meninas menores, eu e minha irmã, ele trouxe uma bonequinha de plástico para cada uma, daquelas com cabelo que parece de milho. Para os dois meninos mais novos ele trouxe um carrinho. UM só. Um dos meus irmãos, o mais velho, recusou e disse que queria um presente que fosse só dele. Ah! Aquele Papai Noel risonho, sabia ficar zangado: e o cinto fez meu irmão chorar e minha mãe ficar triste. São tristes lembranças de Natal. Nessa casa, não havia água encanada nem poço, e precisávamos pedir licença para nossos vizinhos da frente para pegar água num cano que passava no meio do terreiro entre as duas casas. Isso fazia com que a água para a casa da frente fosse interrompida e isso nos custava muitos xingos. Anos mais tarde minha mãe me contou que essa família chegou a nos sustentar por uns tempos. Acabaram sendo padrinhos de meu irmão que nasceu lá. Eram épocas de vacas muito magras.

E, por falar em vaca, eu estava brincando no “potreiro”, tinha ganho um lindo casaquinho de flanela estampada de amarelo. Minha mãe costurava nossas roupas. E, no corre corre da brincadeira, comecei a sentir calor e coloquei meu “paletózinho” novo na cerca. E uma vaca veio e mastigou! Que coisa! Chorei muito... mas, não tinha como fazer outro naquele ano.

Mas nem tudo era tristeza. Brinquei muito naquele lugar. O sítio proporciona isso pra gente: espaços abertos, natureza, árvores, riachos, crianças. As crianças não veem a vida com olhos de tristeza. Elas têm olhos de aventura, enxergam aquilo que os adultos já esqueceram.

Voltei àquele lugar quando adulta. Qual não foi a minha surpresa ao observar que, aquele mundão de aventuras, aquelas coisas que para mim eram tão grandes, pareciam agora, tão “pequenas”. Meus olhos já não tinham tanta perspectiva: O filete de água do riacho já não parecia com um grande rio a ser atravessado, o grande pasto não passava de meio alqueire. Como diria Rubens Alves: já não há jabuticabas a serem comidas no galho mais alto. E nem eram jabuticabas, só gabiroba mesmo...

Mas, independente de algumas tristezas nas minhas lembranças, o Natal sempre foi para mim uma época mágica. E essa magia vem do “dia”. Que para mim, lá na infância, não era de Jesus e sim do Papai Noel. Quando eu era criança não havia presépios elaborados, grandes árvores de Natal ou ceias fartas. Mas, havia natal! Era um dia “natalino”, porque Natalino era meu pai. O dia 25 de dezembro era aniversário do meu Pai. Não era o menino Jesus que eu esperava com ansiedade, era o dia do aniversário do Papai Noel.

Minhas lembranças não são tão claras, e não posso dizer que todos os natais foram assim. Mas, quando nossas condições permitiam, havia sempre festa. Um cabrito era assado lá no quintal numa fogueira no chão, muita gente (muitos desconhecidos), minha mãe fazia maionese, farofa, macarrão e bolacha de sal-amoníaco. E o almoço do dia 25 de dezembro era sempre muito especial. Minha mãe costurava roupas novas pra gente. Eram coisas muito simples.

Na nossa realidade do resto do ano, havia frango só no domingo mas, no Natal, havia um monte de coisa. Era “a” festa! E como Papai Noel era alegre, brincalhão, sorridente. Posso ainda escutar sua risada ecoando em meus ouvidos. Posso ver seu rosto nitidamente como se fosse hoje. Ele tinha cheiro de madeira da serraria: canela, imbuia, pinheiro.

Eu tinha um “Papai Noel” só para mim. Um homem muito especial, de coração enorme, que sabia ajudar qualquer pessoa que precisasse. Muitas e muitas vezes eu o vi trazer pessoas carentes pra casa (como se ele mesmo não fosse um de vez em quando!), para dar de comer, ajudar a arrumar trabalho. Na festa dele, eram convidados todos que passassem na rua...

E lembrar disso tudo, ainda faz o Natal ser especial. Mesmo neste Natal, em que não podemos reunir a enorme família do Seu Natalino (Meu papai Noel), eu sorrio e penso como esta época é especial. Ele já não está vindo mais há 42 anos, mas, continua aqui, no meu coração. Seu sorriso, sua alegria, sua bondade de coração... Não há como esquecer! Meu papai Noel nem sempre tinha presentes a oferecer, exceto sua alegria, mas, isso bastava para  mim.


*Minha música de Natal preferida, escute, é linda!

 https://www.youtube.com/watch?v=0u5UvnKlCTA

♫ O primeiro Noel, os anjos disseram, surgiu como certo
Para os pobres pastores nos campos onde guardavam suas ovelhas
Em uma noite fria de inverno, mas era tudo tão maravilhoso...
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!

Eles olharam para cima e viram uma estrela brilhando para além deles ao longe e para a Terra lançava uma grande luz...
E assim continuou... Dia e noite...
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!

Aqueles trio de sábios completamente reverentes
de joelhos ofereceram na presença Dele: seu ouro, mirra e incenso.
Noel, Noel, Noel, Noel, nasceu o Rei de Israel!
Noel, Noel, Noel, Noel, Nasceu o Rei de Israel!

 (The first Noel – Música natalina do século XIX).  


Ângela Rocha - Catequistas em Formação



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

PRIMEIRA COMUNHÃO NA PANDEMIA

 G1 - Foto: Jorge Figueiredo.


Muito se tem falado sobre se há ou não necessidade de “catequese online” com as crianças nas paróquias do Brasil. 

Há muitas e controvertidas opiniões. Alguns acreditam que o “ensino da fé” não pode parar – foco mais no ensino do que na fé – outros acreditam que a iniciação à vida cristã se faz presencialmente, numa comunidade “física” e não “digital”. 

Segundo o Cardeal Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb, a internet é “antes de mais nada, um mundo, que alguém chegou a chamar de ‘sétimo continente. Na internet os jovens criam seus laços sociais e aprendem a viver!” . Mas, ainda assim, os meios digitais são “ferramentas” para a evangelização neste novo "continente". Não temos que nos mudar pra lá, temos que trazer as pessoas pra cá, para a comunidade de “contato”. A evangelização de fato, se dá na Comunidade. Ou será que, com esta pandemia, vamos nos tornar pessoas totalmente isoladas uns dos outro? Aí, então, viveremos para sempre num outro mundo. Então, se Jesus chegar agora, sem perfil no Instagram ou Whatsapp, nada feito! 

E estamos (devemos!) usando a internet para manter contato com nossos catequizandos e suas famílias. Para não "perdê-los" neste tempo de tanto medo e isolamento. 

Mas, estou vendo por aí, uma coisa assustadora. Chegou novembro e - como sempre - estou vendo acontecer muitas "PRIMEIRAS COMUNHÕES" (aconteceu catequese "online"?), com crianças em nossas paróquias. 

"Ah, mas, estamos seguindo os protocolos de segurança!" 

"Pouca gente, com máscara, só a família..." 

“Os pais estão pedindo...” 

Desnecessário isso, em minha opinião. Porque esta pressa? As crianças vão fazer a próxima comunhão, quando? Onde? Nem em tempos normais elas voltam à Igreja tão cedo... 

Isso podia esperar! Ah, que oportunidade maravilhosa estamos perdendo em estreitar os laços, conhecer as famílias, evangelizar os pais, dar às crianças um pouco mais de maturidade! É um tempo que nunca tivemos! O de poder falar com os pais pelo whatsapp, facebook, ter liberdade de fazer grupos nas redes sociais, de fazer chamadas de vídeo. Dificilmente os pais vão à paroquia para receber catequese presencial. Não têm tempo, não tem vontade, estão cansados... Porque não apostar na catequese familiar? Esta sim, é muito válida por meios digitais. 

No caso dos sacramentos dados aos adultos ao final do catecumenato, eu até concordo (ainda com certas restrições). Eles são adultos e responsáveis pelas suas escolhas e ações, as crianças não. 

Isto de se fazer o sacramento; sem uma participação na comunidade, na liturgia e nas ações da paróquia; leva as nossas tentativas de conscientização às famílias, de que a catequese não é só para receber sacramento, e sim, é iniciação à vida cristã; vai ladeira abaixo!

Mais do que receber o sacramento ao final de um período de aprofundamento da fé (como se isso fosse possível com crianças!), perde-se a inserção "comunitária" destes pequenos católicos. Perde-se uma das coisas mais importantes para o anúncio: a liturgia e a mistagogia da fé. 

A "Primeira comunhão”, além de uma data para receber o sacramento da eucaristia, é também a "festa" de entrada na vida comunitária, no "banquete" de Cristo, que tem tudo a ver com a comunidade. Senão, a celebração não teria nada de especial, não seria na missa, com toda a comunidade presente. Seria individual. O catequista fazia a catequese e quando via que esta ou aquela criança estava "preparada", dava o ok para o padre e pronto: a criança já pode comungar junto com todos os outros fiéis. 

E eu nem vou falar do sacramento da Reconciliação... Ele acontece “online”? 

Estas "1ª comunhões", em tempo de isolamento social, estão "sacramentando" a sacramentalidade de uma catequese já muito sacramental, ou seja, faz-se catequese com crianças exclusivamente para receber o sacramento. Porque os pais têm esta mentalidade, porque padres e catequistas corroboram ao dizer sim, porque a data estava marcada, etc. 

Sei que há muita coisa envolvida nisso, mas, o fato de muita gente não entender que é preciso FICAR EM CASA, sair só se for extremamente necessário, que não é preciso expor os filhos ao contágio, nem que seja numa celebração com 20 pessoas só... Não entra na minha cabeça! E que os catequistas aceitem isso, façam isso acontecer, aí é que não dá pra entender mesmo! Somos o “rosto” da Igreja e falamos em nome da Igreja. Não vem com papo de que “o padre que quer ... ele manda”. Será que não dá pra esperar pela vacina? 

Muitas pessoas acham que isso é bobagem e pânico desnecessário. Parece uma frase que estamos ouvindo desde o começo da pandemia no Brasil: "Todo mundo vai morrer mesmo... " 

E já são 5.749.007 de casos no Brasil com 163.406 mortes... 



domingo, 20 de setembro de 2020

Muito chão pra caminhar...


Quem, enquanto catequista, já não acordou um dia, pensando em desistir de tudo?
Quem já não teve dúvidas se esta é a missão ideal para abraçar?
Quem já não lutou incansável por coisas que, às vezes, nem sequer o nosso padre luta?
Quem já não desejou que pessoas diferentes estivessem ao seu lado na pastoral?
Quem já não pensou que "eu deveria estar lá em casa!"?
Quem já não fez planos para, no ano que vem, não estar mais na catequese?
Quem já não pensou: "esta é a minha última turma"?
Mas, chega o ano que vem, está lá! Não dorme sem pensar no que poderia ser diferente e luta, mais uma vez, para mudar as cabecinhas dos seus companheiros de missão.
Esta é a essência do verdadeiro catequista.
É o reconhecimento de que "perfeito não sou" e de que, apesar de todo cansaço nas pernas, a esperança ainda brilha nos olhos.
A vontade de desistir de alguma coisa - que não chega a ser vontade, só pensamento - acontece quando algo "incomoda", quando algo não está bem no lugar. Se criamos em nossa mente expectativa de "descansar", é porque estamos "trabalhando" por alguma coisa.
E se há pensamento de "desistência" é porque há "causa". E se há uma "causa" nunca haverá abandono, porque, por mais cansaço que possa haver em nossos passos, há muita estrada pra andar e muita esperança em nosso coração.


Ângela Rocha

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

ACOLHER É EVANGELIZAR!


Acolher... Acolher significa aceitar, receber. Acolher é sentir o outro e assim, enxergar sua alma. É enxergar no outro o reflexo de si mesmo que pede acolhida e que precisa, mais do que de uma solução, um exemplo ou uma palavra amiga. É como um abraço, e “dentro de um abraço, tudo mais já se está dito”.

Quem “chega”, seja de onde for, precisa de acolhida. A Igreja precisa ser acolhedora. Foi justamente por falta de acolhida na Igreja que hoje sou catequista. E muito, muito, apaixonada pela missão.

Desde que comecei a trabalhar pelas pastorais na Igreja, dediquei-me à comunicação. Começou porque sempre gostei de escrever e trabalhar com o visual. A apresentação dos ambientes, o que a Igreja fala por meio da música, das apresentações, em encontros, retiros, etc. Assim, fui convidada a ajudar na implantação da “Pascom” (Pastoral da Comunicação) na Paróquia. E foi um dos trabalhos mais apaixonantes que já fiz.

Durante dois anos me dediquei totalmente à Pastoral da Comunicação, cujo objetivo maior é a integração de todas as Pastorais e Movimentos que existem na Igreja. Aprendi muito neste tempo, apaixonei-me pela comunicação.

Depois, mudei de paróquia e fiquei meio “sem chão”. Uma das coisas que mais me deixou triste, foi ter que deixar aquela missão maravilhosa que Deus tinha me dado na Igreja: Comunicar as coisas Dele. Logo que cheguei na nova cidade, fui procurar a Paróquia do meu bairro. Conversei com o padre e me coloquei à disposição para qualquer coisa, disse-lhe o que eu sabia fazer e que estava disposta a ajudar em que eles precisassem.

Durante o ano que morei no bairro, frequentando a missa todos os domingos, nunca me chamaram para ajudar em nada. Senti-me tão vazia e tão sem objetivo. A Igreja que eu frequentava ficava ao lado da Universidade onde trabalhava e a três quadras da minha casa. Eu queria “pertencer”, mas, não fui acolhida.

Ainda bem que eu tinha feito muitos amigos junto a Pascom Diocesana e fui convidada a fazer parte dela e do Conselho editorial do boletim. Mas aquele era um serviço que não me parecia suficiente, esporádico, “de vez em quando”, não era ação de fato. Tínhamos que divulgar a pastoral da comunicação nas Paróquias, organizar os eventos da diocese, ajudar a montar o boletim e só. Senti-me muito frustrada. Nos últimos dois anos eu não tinha parado um minuto sequer. Mas, o que fazer? Não precisavam de mim.

Um ano depois, mudei de bairro e comecei a ir às missas em outra paróquia, era mês de janeiro, meu segundo ano na cidade. E, no final da missa, o padre falou que precisavam muito de catequistas na paróquia. E eu pensei: por que não? Quem sabe posso ajudar em alguma coisa.

E esse foi o início de uma outra paixão. Nos primeiros seis meses, foi desafiador. As crianças eram difíceis, eu não tinha preparo nenhum para aquilo e a organização da catequese era uma “desorganização”. Na verdade, pensei que primeiro ia fazer um curso, sei lá. Mas foi apenas com a “cara e a coragem” que enfrentei aquelas doze crianças.

Foi um ano de provações e de provocações. Ao mesmo tempo em que me abalou um pouco tanta falta de vontade das crianças, falta de participação dos pais, falta de comprometimento das catequistas, falta de uma coordenação efetiva; me deu uma vontade enorme de fazer alguma coisa. Pensei em sair da catequese logo que pudesse. Aquilo não parecia para mim. Mas, quando vi, já fazia parte da coordenação, ia a todas as formações e eventos da catequese e me envolvia cada vez mais.

E aquilo que parecia ser só por aquele ano, já está no 12º. E parece que vai durar até eu não ter mais forças para estar lá! Porque Deus quer que eu esteja lá, manda sinais sempre!

E um deles foi a “acolhida”, ou falta dela, que me faz permanecer na Igreja e tentar mudar as coisas. Não fosse a primeira “rejeição” eu não teria descoberto o quanto a missão de catequista é maravilhosa. Mas, eu poderia, simplesmente, nunca mais ter tentado...

Importante é fazer com que as pessoas se sintam acolhidas e que o "Bem vindos" não fique só no cartaz da parede.


Ângela Rocha
Catequistas em Formação
angprr@gmail.com


* Ângela Rocha estará coordenando também, de uma oficina sobre ACOLHIDA, no Catequistas em Formação, dias 7 a 9, em Aparecida SP.

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