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sexta-feira, 30 de junho de 2023

REFLEXÃO DO EVANGELHO: DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS


Imagem: cebi.org

O texto de Mt 10,40-42 é o fecho do conjunto de textos da parte discursiva do segundo livrinho do Evangelho, intitulado de diversas formas: Sermão da missão; Envio dos missionários do Reino; Chamado para a missão; Discurso apostólico, entre outros. Nesses textos, segundo as autoras, Jesus dá diversas orientações e instruções às discípulas que aceitarem exercer a missão; ensina-as como devem exercê-la em meio às comunidades; exige compromisso radical com ele e com seu projeto; adverte-os quanto aos cuidados que devem ter diante da realidade violenta e de perseguição daquele contexto em que vivem e, também, ordena-os a resistir, sempre com confiança, esperança e fé na superação dos inúmeros desafios do momento de tensão que vivem os cristãos, os chefes judeus e os violentos romanos.

O Evangelho da comunidade de Mateus provavelmente teve sua construção e edição por volta dos anos 80 e.C., obra de fiéis de raízes judaicas bastante ligados à sua tradição e doutrina. Tem uma construção muito bem elaborada e traz uma interessante característica, que são as subdivisões. Encontramos nele cinco livrinhos, compostos, cada um deles, de uma parte narrativa e outra discursiva, sendo emoldurados por uma introdução e uma conclusão, que o torna, de certa maneira, um livro familiar aos convertidos vindos do judaísmo, por se assemelhar, em sua forma, à Torá. Em suas linhas, dentre as diversas abordagens, destaca-se a questão do discipulado missionário, de como ser verdadeiro seguidor de Jesus, o Messias prometido das Escrituras Sagradas. Evoca-se fortemente a questão da justiça e a figura do justo, bem como a figura dos profetas, fazendo releitura das profecias apontando para a vinda de Jesus e a realização do seu Reino em meio à humanidade.

No Evangelho de hoje, essas duas figuras conhecidas dos judeus são destacadas: o profeta e o justo. Aquele que se entrega verdadeiramente ao projeto de Jesus e o realiza em seu meio é equiparado aos profetas e aos notáveis justos do Primeiro Testamento. Da mesma forma serão recompensados quem acolhe e assiste os missionários, provendo o que lhes ajude em suas necessidades da missão. O texto é um chamado à missão, ao mesmo tempo que também é um convite à colaboração fraterna e compromissada na construção contínua do Reino de Deus.

Esse texto está situado no contexto da dispersão do pós-guerra judaica, com os judeus cristãos expulsos das sinagogas e consequentemente do convívio social, sofrendo forte perseguição. Os discípulos de Jesus passam por um momento determinante: continuarem firmes, implantando o projeto do Reino, mesmo diante dos perigos e de possíveis rupturas com os seus e suas casas, ou ceder e voltar atrás diante da pressão da religião oficial e do Império. A escolha feita pelos discípulos de Jesus foi fundamental para que o projeto do Reino e sua Boa Nova fossem conhecidos por nós hoje.

Os dias atuais são tão desafiadores e complexos como a realidade vivida pela comunidade de Mateus. A mercantilização do cristianismo, a poderosa força da religião mercado e seu império insaciável em forte oposição ao projeto de Jesus, o desvelamento da perversidade humana disfarçada de zelo religioso, a inversão dos valores com exaltação de opressores e culpabilização dos oprimidos, são alguns dos complexos problemas que nos interpelam em nossos dias. Diante dessas situações, somos provocados e questionados: como agir, qual atitude? Ser discípulos missionários, profetas na luta por justiça e dignidade para todas as pessoas, ou se amoldar e acomodar diante desta estrutura de injustiça, desigualdade, opressão e morte? Precisamos fazer nossas escolhas.

Que a força do projeto de Jesus nos encante e nos impulsione. Que o Espírito Santo nos mova sempre na dinâmica do agir profético e missionário, tornando-nos animadores, continuadores, construtores deste Reino de amor, justiça, igualdade e dignidade, sonhado e inaugurado por Jesus para toda a humanidade. Amém!

Cristiano A. Santos - CEBI SP




quarta-feira, 31 de março de 2021

VIA SACRA - MEDITAÇÕES Pe. ROBERTO NENTWIG

 Acompanhe as Estações da VIA SACRA, ouvindo as reflexões do Pe. Roberto Nentwig via Spotify.

1ª ESTAÇÃO


2ª ESTAÇÃO

https://open.spotify.com/episode/6LIXANVAq21GwtSN62TEQv?si=ijh1QNE5Saelba2TkHKp4A

3ª ESTAÇÃO

4ª ESTAÇÃO

5ª ESTAÇÃO

6ª ESTAÇÃO

7ª ESTAÇÃO

8ª ESTAÇÃO

9ª ESTAÇÃO

10ª ESTAÇÃO

11ª ESTAÇÃO

12ª ESTAÇÃO

13ª ESTAÇÃO

14ª ESTAÇÃO


FONTE: Pe. Roberto Nentwig, Pensamentos: a vida fala de Deus - Spotfy.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

PARE MAIS UM POUCO: PARAR É IMPORTANTE...



Vou te fazer uma pergunta: Como foi o seu dia? Não, não, não quero que me diga se correu bem ou mal, não quero que me diga que fez isto ou aquilo, não!

Interessa-me saber quem você É, quem foi hoje. Vamos lá, como foi o seu dia? Está mais feliz? Quantos sorrisos plantou hoje? A quantas pessoas enriqueceu hoje, com a sua passagem? Viu? Há perguntas difíceis, não há? Mas, são as mais importantes.

Pare um pouco! Liberte-se de tantas coisas urgentes! Sabe, você passa os dias à volta de coisas urgentes, e costuma esquecer as importantes. É sempre tudo tão urgente, não é? A vida pede-nos tudo com urgência, tudo para ontem! E o importante, pode sempre ser amanhã. Na maior parte das vezes, um amanhã que demora a chegar…

E na lógica das coisas urgentes, deixamos de viver e passamos a existir. Viver como pessoa humana é construir-se em cada dia, é ter-se nas mãos e fazer-se sem descansos, com a argamassa da Amizade, os tijolos do Amor, as ferramentas da Verdade. O ser humano não nasce feito, acabado. Temos que construir-nos como pessoas felizes, e isso acontece na medida em que você souber inventar relações de Amor, relações de bem-querer com aqueles que te rodeiam.

Vou te dizer um segredo – fixa-o bem! – viver é conviver. Viver é conviver com os outros, porque ninguém é feliz sozinho. 

Mas, a lógica das coisas urgentes costuma empurrar-nos sempre para o egoísmo, não é assim? Pense bem: quantas vezes hoje entrou pelos seus ouvidos frases deste gênero: “Isso é comigo, é meu”, “cada um que se arranje”, “eles são eles, eu sou eu”; quantas vezes ouviu? E, agora, quantas vezes você disse? Às vezes, parece que vivemos enroscados em nós próprios, girando infinitamente sobre o nosso belo umbigo; e assim, perdemos o gosto pela vida, o sentido dos nossos dias e a alegria que o nosso coração nos pede. Porque nos fechamos ao diálogo, à partilha, à fraternidade, à amizade. Fechar-se aos outros é fechar a porta ao encontro com Deus. Abrir-se aos outros é pôr-se na disposição de ser encontrado pela novidade surpreendente do Seu Amor.

Olha, vou te dizer mais um segredo: com Deus, ninguém fica a perder! A Fé verdadeira, aquela ao jeito de Jesus Cristo, não é uma piedadesinha domingueira, assim a cheirar a mofo e a bolas de naftalina, não! A Fé é a arte de viver com sentido, a Fé é um descobrir os horizontes máximos da vida em Deus. O Seu Amor é a fonte, o Seu Amor será, no fim, a plenitude. Olha, e se tudo isto fizesse sentido também para você? E se você se abrir hoje à novidade de Deus? Não o das imagens gastas, mas o Deus de Jesus de Nazaré, aquele Deus que faz nascer Vida Nova no coração daqueles que o acolhem – como você…

Rui Santiago, cssr.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, de João Paulo II, foi uma grande motivadora da catequese no Brasil e no mundo.

“O cristocentrismo na catequese significa também que, mediante ela, se deseja transmitir, não já cada um a sua própria doutrina ou então a de um mestre qualquer, mas os ensinamentos de Jesus Cristo, a Verdade que Ele comunica, ou, mais exatamente, a Verdade que Ele é (12). Tem que se dizer, portanto, que na catequese é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado — e todo o resto sempre em relação com Ele; e que somente Cristo ensina; qualquer outro que ensine, fá-lo na medida em que é seu porta-voz, permitindo a Cristo ensinar pela sua boca”, escreve João Paulo II na exortação.Dentre os documentos que João Paulo II deixou para a Igreja está a Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, que revela a preocupação com a questão da catequese.  Escrito em 16 de outubro de 1979, o documento coloca Cristo como centro e fonte de toda catequese, sendo a Igreja esse depósito da fé. João Paulo II relata que, na vida da Igreja e em toda a história, a catequese sempre foi importante para a evangelização e a formação dos homens.
Para Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba (MG), esse documento de João Paulo II teve grande influência e motivação na catequese no Brasil e em todo o mundo. Ele afirma ainda que catequizar foi uma das principais preocupações de João Paulo II.
Dom Paulo, que também é membro da Comissão Animação Bíblico-catequética da CNBB, enfatiza que a catequese deve ser missionária, com renovação, equilíbrio, métodos, linguagens e integridade de conteúdo. Segundo ele, essa foi a principal mensagem que João Paulo II escreveu na Catequesi Tradendae. O documento revela uma preocupação com a importância de levar a verdadeira catequese anunciada por Jesus e transmitida pelos apóstolos.
“Quando dizemos de uma nova catequese dentro da iniciação da vida cristã, não é diferente daquilo que a Cathequesi já vinha propondo, talvez com uma linguagem um pouco diferente. Com essa exortação, o beato João Paulo II estava dando as bases de uma catequese mais comprometida com a vida, com a Palavra de Deus e com a liturgia. Ele diz que ela [catequese] é um espaço de evangelização, no qual devem ser usados os métodos pedagógicos, com uma linguagem que o povo compreenda. É importante destacarmos essa ligação que João Paulo II já fazia com a Palavra de Deus, com a catequese e a liturgia. Esses três aspectos são muito trabalhados hoje, mas já foram citados na Cathequesi Tradendae”.
Nos dias de hoje, Dom Paulo explica que um dos métodos que a catequese mais tem utilizado é o uso mais frequente da Bíblia, principalmente no que diz respeito à leitura orante da Palavra, bem como a participação na vida da comunidade e nas celebrações.
Uma das preocupações é referente à catequese dos adultos, pois, segundo o arcebispo, muitos pais não estão preparados para essa missão de catequizarem seus filhos. Nesse sentido, a catequese das crianças e dos jovens muitas vezes não têm sido assumida pelos pais, uma vez que estes mesmos não são catequizados.
“Na sociedade atual, os pais estão ‘terceirizando’ a formação dos filhos, jogando-a para a escola, para a catequese; o que, na verdade, deveria ser feito por eles mesmos. A Catequesi Tradendae de João Paulo II diz que nós temos de mostrar a nossa identidade de cristão, sendo coerentes no nosso agir e nos espelhando na coragem dos santos, na esperança que eles tinham e também no entusiasmo deles”, concluiu Dom Paulo.
Dom Paulo Mendes Peixoto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

COMO LER A BÍBLIA? EXPLICAÇÃO EM 57 SEGUNDOS...


Outro dia em nosso grupo de discussão no Facebook, um dos membros perguntou se tínhamos um "Plano de Leitura" da Bíblia para partilhar.

E eu fiquei a pensar, que "plano" seria esse... A primeira vista me surpreendi. Já que, teoricamente, os catequistas precisam ter um bom domínio dela (Bíblia), tendo a lido não uma vez , mas, uma dúzia de vezes no mínimo.

Mas, mesmo os catequistas precisam de conhecimento, precisam saber. Como se lê a bíblia? Por onde começar?

E não é uma resposta fácil. A Dinha nos apresentou o Plano de Leitura do Pe. Jonas Abib, mas, ainda não satisfeita fui buscar outros. E, assim, meio sem querer, encontro um tesouro!

Um tesouro que me trouxe lágrimas ao olhos. Um tesouro que veio da China, onde o cristianismo ainda vive no submundo, clandestina, reunida em igrejas domésticas, escondida do regime de governo. As coisas não são fáceis por lá. Muitos missionários se "perdem", não se sabe deles, se estão vivos ou mortos. Os muros ainda estão nos impedindo de entrar por lá.

Mas, algumas vezes temos notícias que são alento para nós. De vez em quando chega por lá, através de diversos movimentos cristãos e às escondidas, uma remessa de bíblias. E é indescritível a reação das pessoas que as recebem. 

E isso podemos ver neste vídeo: A chegada de bíblias em duas malas a uma igreja clandestina. Um momento que revi diversas vezes, sem conseguir evitar lágrimas. Não é preciso entender mandarim. Percebe-se perfeitamente o que estão nos comunicando. E é MUITO!

Se a pergunta é: "Como se lê a bíblia?" A resposta está aqui, neste vídeo. Estes chineses tem a melhor resposta de todas. É assim... em 57 segundos.






E este é um vídeo que não podemos deixar de mostrar aos nossos catequizandos, por vezes tão indiferentes e desinteressados da Palavra de Deus.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ASPECTOS CENTRAIS DA FORMAÇÃO DE CRIANÇAS NA CATEQUESE

Muita gente me pergunta no grupo de formação para catequistas, o QUE colocar na catequese de crianças, QUAIS conteúdos abordar e qual o roteiro ou itinerário ideal. Normalmente referindo-se aos conteúdos que devem ser abordados durante o tempo em que as crianças frequentam os encontros de preparação para a Eucaristia ou Crisma. E não é uma pergunta muito fácil de responder em se tratando de um país continental como o nosso.

O que acontece é que cabe a cada "Igreja Particular" (Diocese ou Arquidioceses) estabelecer os rumos da catequese por meio de diretórios ou orientações. E temos em nosso país, 17 Regionais que congregam em suas divisões espaciais, mais de 270 circunscrições eclesiásticas, entre arquidioceses, dioceses, eparquias e prelazias. Um fato que vale uma referência é que, mesmo a maioria TENDO um diretório ou orientações a respeito, elas são praticamente DESCONHECIDAS dos catequistas de base. Quando pergunto, ninguém sabe, ninguém viu. E lá vamos nós, colocar na catequese aquilo que "alguém" acha que deve ou, na maioria das vezes, o que o próprio catequista, sem qualquer tipo de formação, "acha" que deve.

Pior ainda é tentar sugerir um "Itinerário" para a catequese de crianças, já que temos, dentro de um mesmo país, uma Igreja que possuiu diferentes tempos, idades e referências para uma mesma catequese. Encontramos desde 7 anos de preparação para sacramentos, até menos de 2 em alguns lugares. E falo "preparação aos sacramentos" porque é exatamente isso que nossa catequese faz, com raras exceções. A verdadeira "iniciação à vida cristã", sem a preocupação com o sacramento-fim, é uma coisa bem rara. E quanto à idade de início, temos desde os 3 anos até 10,11. Em alguns lugares a crisma encerra a catequese aos 12/13 anos, em outros inicia aos 15/16. Complicado então, responder aos vários questionamentos de vocês sobre "o que devo dar de conteúdo para minhas crianças?".

Mas, vamos aqui tentar simplificar um pouco as coisas. Primeiro que nós temos as orientações do DGC (128 -130) e também DNC (130), que estabelece em linhas gerais os "pilares" da catequese. Você pode ver isso em nossas publicações antigas aqui e no blog:


ou ainda:


Continuando... Vejamos ainda, em que as nossas crianças devem ser "educadas" ou preparadas:

Primeiro a catequese deve EDUCAR para a ORAÇÃO. E esta oração deve ser PESSOAL, COMUNITÁRIA e LITÚRGICA.

- Como PESSOAL, ela deve ensinar a falar com Deus, a ver em Deus um Pai, em Jesus um amigo. E aí, além da oração que cada um pode e deve fazer, vem as orações tradicionais: Santo Anjo, Ave Maria, Pai Nosso.
- Como COMUNITÁRIA, vem a oração com a comunidade: Profissão de fé, Via sacra, Adoração, Terço, momentos fortes do ano litúrgico (Quaresma, Natal), novenas, procissões.
- Como LITÚRGICA, vem a participação na missa, nas celebrações eucarísticas e da Palavra.

Em segundo lugar temos o ACOLHIMENTO NA COMUNIDADE. Fazer com que a criança sinta-se "parte" da comunidade orientando e incentivando a participação em: corais, grupos de canto, coroinhas, acólitos, Infância Missionária, etc.

Em terceiro lugar vem a CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA. Desde pequenos eles podem ser "discípulos", falar ao outro sobre sua fé, espalhar a Palavra e a boa nova. Para isso, o catequizando precisa entender a sua responsabilidade como batizado. Uma excelente catequese sobre o batismo é prioritária e precisa ser feita sempre, guardando as devidas idades e capacidade de discernimento.

Em quarto lugar temos a INICIAÇÃO AO CORRETO USO DA SAGRADA ESCRITURA. E daí vem o conhecer a Bíblia, manusear a Bíblia e entender a Palavra. Aqui uma leitura orante da Palavra, ADAPTADA ás crianças e jovens é muito frutífera.

E tudo isso precisa ser feito CUIDANDO DA APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDO, com adaptação da linguagem e simplificação de conceitos. No entanto, esta simplificação precisa de qualidade teológica. E para entender isso o catequista precisa de boa formação e criatividade. Uma mera infantilização em nome da "mentalidade infantil" é um erro teológico grave que pode causar uma crise de fé no futuro. Assim como o excesso de "regras" e "normas" pode levar a uma compreensão equivocada da religião.

A catequese, como ação básica da Igreja, estende-se pela vida afora. É preciso respeitar o "tempo" de cada um, principalmente das crianças, sem querer "despejar" nelas crianças todo o conteúdo doutrinário da nossa Igreja, que só um adulto é capaz de entender.

Fiquemos atentos então para o que diz o item 233 do DNC:

"233. A catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A Igreja se edifica a partir da pregação do Evangelho, da catequese e da liturgia, tendo como centro a celebração da Eucaristia. A catequese é um processo formativo, sistemático, progressivo e permanente de educação da fé. Promove a iniciação à vida comunitária, à liturgia e ao compromisso pessoal e com o Evangelho. Mas prossegue pela vida inteira, aprofundando essa opção e fazendo crescer no conhecimento, na participação e na ação."

Não queria, portanto, que a criança "aprenda" tudo de uma vez. Lembre que você a está "iniciando" na fé, junto com a iniciação que a família e a comunidade também proporcionam. Devagar com o andor. O sacramento nunca é o "fim", ele é um rito de passagem que marca etapas vencidas e o começo de uma nova vida a cada uma das nossas crianças que, fortalecidos, se tornarão os discípulos de amanhã.

Catequista

FELIZ NATAL!!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CATEQUISTA "NINJA"...


Vocês já ouviram a expressão aprendizado multidisciplinar? Pois bem, alguém com capacidade multidisciplinar é capaz de aprender uma infinidade de coisas e ser bom em todas elas.

Isso a gente pode falar dos Ninjas, praticantes de uma arte marcial chamada Ninjutsu, com raízes que datam de mais de mil anos atrás. Os Ninjas tiveram funções diferentes ao longo da história do Japão. Houve épocas em que eram guerrilheiros e em outras épocas eram agentes secretos do governo japonês, instrutores de polícia e assim por diante. O Ninjutsu foi desenvolvido como um sistema de combate que exigia uma perfeita saúde mental e psicológica. Para os Ninjas, o corpo é visto como a “ferramenta” do espírito. E pelas experiências do corpo, tal como a dor, é que o espírito é lapidado. Eles buscavam a perfeição, antes do espírito que do movimento.

A fé é outra lição interessante dos antigos guerreiros das sombras. Para agarrar-se à vida, é necessário acreditar nela e no que se faz. “Ter persistência é metade da fé, e a outra metade é a paciência”. Não basta acreditar, é necessário persistir, às vezes por um longo tempo, para alcançar um objetivo. Tudo isso, sem perder de vista quem você é e quais são suas limitações. As verdadeiras lições dos Ninjas, aliás, dizem que, para se chegar longe, mais do que aprender a voar, é preciso ter os pés no chão. Assim, com esse treinamento eles eram capazes de fazer “qualquer coisa”, aprender “qualquer coisa”. E eram bons em praticamente tudo a que se dispusessem a fazer.

Agora vamos a expressão “Catequista Ninja”. Um dia desses estava eu ouvindo o programa do Alberto Meneguzzi na rádio São Francisco e ao mesmo tempo conversando com ele pelo Facebook. Minha filha chegou perto de mim e percebendo que o Alberto falava no rádio e ao mesmo tempo digitava no computador, veio com a expressão: “Nossa Mãe, o Alberto é Ninja!” 

Eu já tinha ouvido essa expressão antes. Ela mesma já tinha me dito que eu era uma “Mãe Ninja, de tão boa!”, por conseguir fazer tanta coisa ao mesmo tempo. E esta expressão ela aprendeu dos Animes e jogos japoneses. Lá, quem é capaz de tudo, é “Ninja”. Isso acabou virando uma brincadeira minha. Sempre que alguém me diz que faço coisas demais digo que é porque sou Ninja. Conhecimentos de informática e de Internet podem transformar você num Ninja do dia para a noite. Como é que você faz isso? Sou Ninja, oras!

Mas, muito mais que ser Ninja por ter capacidade multidisciplinar de aprendizado, acredito que todos podemos ser Catequistas Ninjas. Tendo ou não esse talento. 

Esquecendo um pouco essa história de que os Ninjas eram guerreiros e matadores, eles tinham uma disciplina invejável. Treinavam o espírito a tal ponto que o corpo não tinha limitações. Eram mesmo capazes de “voar” em uma luta. No entanto, tinham perfeita consciência de seu corpo, de suas limitações.

Não dá para fazermos aqui, uma analogia com a catequese?

Ninjas lapidam o espírito, tem uma fé inabalável, tem paciência e perseverança e acreditam naquilo que fazem e, só por isso, são capazes de fazer “qualquer coisa”. Somos assim ou não somos? Faço então uma proposta: Sejamos então “Anjos”, criaturas celestiais, amorosos e protetores e, ao mesmo tempo, “Ninjas”, guerreiros disciplinados capazes de matar toda indiferença e falta de preparo para sermos catequistas. Ou quem sabe “Nanjos”? rsrsrrs...


Angela Rocha
Catequista Ninja

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A FAMÍLIA É UMA REALIDADE EM CONSTRUÇÃO


A família humana é um espaço fundamental para a humanização dos seres humanos. Podemos dizer com toda a verdade que a família é a célula mãe da sociedade. Segundo tenha sido bem ou mal amado, o ser humano ficará capacitado ou não para amar. Na verdade a lei do amor é esta: ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado e o mal amado ficará a amar mal.

É na família que se inicia a dinâmica básica da humanização que acontece como emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal. À luz da fé cristã a comunhão universal para a qual as pessoas humanas convergem na medida em que emergem como pessoas é o Reino de Deus.

Isto quer dizer que a meta da Família humana é a Família de Deus. Por outras palavras, a família humana é uma mediação fundamental para acontecer a edificação da família divina, a qual transcende os laços da carne e do sangue. 

Jesus tinha consciência de que a sua missão implicava a incorporação das pessoas humanas na comunhão familiar de Deus mediante o dom do Espírito Santo (Rm 8, 14-17; Ga 4, 4-7). Eis a razão pela qual Jesus anunciava o Reino de Deus, isto é a Família Universal de Deus, a qual assenta nos laços da Palavra e do Espírito Santo: 

Entretanto chegaram sua mãe e seus irmãos que queriam falar com Jesus. Ficaram do lado de fora, pois a multidão estava sentada à volta dele. Entretanto alguém disse a Jesus: - Está lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.- Jesus respondeu:
- Quem são minha mãe e meus irmãos? - E percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: 
- Aí estão minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (Mc 3, 31-34)."


Mais que um lugar de aprendizagem teórica, a família é um entretecido de relações, onde emerge o amor como dinâmica de bem-querer que tem como origem as pessoas e como meta a comunhão. A família é o espaço adequado para acontecer o amadurecimento dos esposos, dos pais e dos filhos. Primeiro amadurece o marido e a esposa. Depois amadurece o pai e a mãe.

A família é a comunidade de amor mais adequada para o ser humano se estruturar como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de amar. É na família que a natureza humana encontra as melhores condições para emergir como vida pessoal e convergir para a comunhão amorosa. Por outras palavras, a família é um contexto humano excepcional para a humanização das pessoas.

Quanto maior for a densidade do amor no entretecido das relações familiares, mais os seus membros crescem como pessoas bem-amadas e, portanto, capacitadas para colaborar na criação de uma sociedade mais justa e feliz. Uma pessoa bem-amada está capacitada para amar bem, facilitando a realização das outras pessoas e, portanto, da sociedade.

Como sabemos, a plenitude do ser humano não está em si, mas no encontro e na comunhão com os outros. Apenas em relações de amor com os outros a pessoa se pode realizar e possuir plenamente. Na medida em que se amam, os membros da família elegem-se mutuamente como alvo de bem-querer e procuram aceitar-se apesar das diferenças.

É no interior de uma família bem-amada que a natureza humana encontra condições para emergir na sua perfeição máxima. De facto, é no coração da pessoa bem-amada que a Humanidade emerge de forma única, original e irrepetível. De facto, não há duas pessoas iguais. É por esta razão que ninguém está a mais, pois ninguém é uma cópia de alguém que já existe ou existiu.

A família humana é uma imagem perfeita de Deus. A nossa fé diz-nos que Deus é uma comunhão familiar de três pessoas. Em condições normais, é na família que as pessoas recebem o leque básico dos seus talentos ou possibilidades de humanização. A fidelidade aos talentos recebidos é, como diz o evangelho de São Mateus, a vocação básica do ser humano. Na verdade, a fidelidade aos talentos recebidos na família, pessoa torna-se apta para ser um bom construtor da sociedade e um bom participante da festa da comunhão universal que é a Família de Deus (cf. Mt 25, 14-30).


Pe. Santos Calmeiro Matias
Padre da Congregação Redentorista de Porto - Portugal.
Foi assessor das Equipes de Nossa Senhora e um dos padres pioneiros na evangelização pela Internet, onde se pode encontrar magnificas reflexões.
Faleceu em 17 de junho de 2010 aos 68 anos.

“Se conhecesses o mistério imenso
Do céu onde agora vivo,
Este horizonte sem fim,
Esta luz que tudo reveste e penetra,
Não chorarias, se me amas!”

                                   Santo Agostinho

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A BÍBLIA: O QUE É ISSO?


A Bíblia não deve ser vista apenas como uma longa história, cujo enredo vai da criação à consumação do mundo. Ela é, antes de tudo, uma coleção de reflexões sobre as mais variadas experiências de fé, interpretadas e verbalizadas de mil maneiras diferentes e complementares.




Um livro de gente que caminha

No princípio, era um punhado de gente simples, que não possuía quase nada; até para conversar tinha pouco assunto.

Foi crescendo: simples, sem muitos bens, e ainda com pouco assunto. Mas foram acontecendo coisas importantes em suas vidas: vários grupos tiveram de emigrar; por algum tempo prosperaram; depois, foram oprimidos; muitos conseguiram escapar. Em tudo isto, aprenderam a se virar; a reparar e a comparar; a ver Deus em suas vidas. Criaram cantos, contos e celebrações, frutos de sua fé e estímulo para o seu crescimento.

A família grande virou tribo, depois confederação de tribos e, enfim, nação governada por reis. Já haviam passado vários séculos. Muitos já não eram mais tão simples; deu-se o início a uma literatura. Que é que escreveram? A vida do povo: suas iniciativas e lutas, suas reflexões e manifestações, sua fé. Era o começo daquilo que, mais tarde, veio a ser chamado de “Bíblia”. Claro, o povo continuou a se virar, a reparar e a comparar, a ver Deus em suas vidas; a criar cantos, contos e celebrações; a cultivar sua fé, a lutar pela sua dignidade. E a Bíblia continuou a ser vivida e também escrita por mais 900 anos. E ajudou o povo a se virar, a repapar e a comparar, a ver Deus em suas vidas; a criar cantos, contos e celebrações, a cultivar a sua fé, a lutar pela sua dignidade.

Aí apareceu uma pessoa impressionante, diferente até das mais profundamente humanas que vieram antes dele: Jesus de Nazaré. Era tão transparente em sua bondade e dedicação, principalmente aos sofredores, que nele se manifestava, em toda a sua densidade, o amor de Deus para com os homens. No conflito com a maldade humana, Jesus foi morto. Mas não foi eliminado. Seus discípulos testemunharam que Deus lhe deu nova vida; que ele está presente na comunidade dos que crêem.

Nessa comunidade, os antigos livros da Bíblia foram lidos sob nova luz; outros foram-lhes acrescentados, sempre tendo no centro a figura de Jesus.

Finalmente, a grande comunidade de fé cristã julgou encerrada a fase de sua fundação. A Bíblia estava completa. Continuará a ser lida com a mesma fé, mas de maneira sempre nova, alimentando a busca de uma nova sociedade que respeite o homem e honre a Deus; ajudando o povo a se virar, a reparar e a comparar, a ver Deus em sua vida; a criar cantos, contos e celebrações; a cultivar sua fé e a lutar por sua dignidade.

W. Gruen em:
“O tempo que se chama hoje”- 1977.

Ângela Rocha

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Caminhos para a aprendizagem*

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De tudo, de qualquer situação, leitura ou pessoa podemos extrair alguma informação ou experiência que pode nos ajudar a ampliar o nosso conhecimento, para confirmar o que já sabemos, para rejeitar determinadas visões de mundo, para incorporar novos pontos de vista.

Um dos grandes desafios para o educador, qualquer educador, inclusive o educador “da fé”, é ajudar a tornar a informação significativa, a escolher as informações verdadeiramente importantes entre tantas possibilidades, a compreendê-las de forma cada vez mais abrangente e profunda e a torná-las parte do nosso referencial.

Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos. Aprendemos quando relacionamos, estabelecemos vínculos, laços entre o que estava solto, caótico, disperso, integrando-o em um novo contexto, dando-lhe significado, encontrando um novo sentido. Aprendemos quando descobrimos novas dimensões de significação que antes nos escapavam; quando vamos ampliando o círculo de compreensão do que nos rodeia; quando como numa cebola, vamos descascando novas camadas que antes permaneciam ocultas à nossa percepção, o que nos faz perceber de uma outra forma. 

Aprendemos mais quando estabelecemos pontes entre a reflexão e a ação, entre a experiência e a conceituação, entre a teoria e a prática; quando ambas se alimentam mutuamente. Aprendemos quando equilibramos e integramos o sensorial, o racional, o emocional, o ético, o pessoal e o social. Aprendemos pelo pensamento divergente, através da tensão, da busca e pela convergência – pela organização, integração. Não aprendemos quando pensamos igual.

Aprendemos pela concentração em temas ou objetivos definidos ou pela atenção difusa, quando estamos de antenas ligadas, atentos ao que acontece ao nosso lado. Aprendemos quando perguntamos, questionamos, quando estamos atentos. Aprendemos quando interagimos com os outros e o mundo e depois, quando interiorizamos, quando nos voltamos para dentro, fazendo nossa própria síntese, nosso reencontro do mundo exterior com a nossa re-elaboração pessoal.

Aprendemos pelo interesse, pela necessidade. Aprendemos mais facilmente quando percebemos o objetivo, a utilidade de algo, quando nos traz vantagens perceptíveis. Se precisamos nos comunicar em inglês pela internet ou viajar para fora do país, o desejo de aprender inglês aumenta e facilita a aprendizagem dessa língua. Aprendemos sobre a “fé” quando já nos encontramos com Aquele que buscamos, vamos querer saber mais porque nos interessa conhecer a vida e a mensagem quando nos faz bem e nos completa.
Aprendemos pela criação de hábitos, pela automatização de processos, pela repetição. Ensinar se torna mais duradouro, se conseguimos que os outros repitam processos desejados. Ex.: ler textos com freqüência, facilita que a leitura faça parte do nosso dia a dia. Nossa resistência a ler vai diminuindo. Outro exemplo, a oração. Se nos habituamos a rezar, a oração fará parte da nossa vida.

Aprendemos pela credibilidade que alguém merece para nós. A mesma mensagem dita por uma pessoa ou por outra pode ter pesos bem diferentes, dependendo de quem fala e de como o faz. Aprendemos também pelo estímulo, motivação de alguém que nos mostra que vale a pena investir num determinado programa, curso. Um professor que transmite credibilidade facilita a comunicação com os alunos e a disposição para aprender. Um catequista que transmite credibilidade, que FAZ aquilo que propõe aos outros, será ouvido e tomado como exemplo.

Aprendemos pelo prazer, porque gostamos de um assunto, de uma mídia, de uma pessoa. O jogo, o ambiente agradável, o estímulo positivo podem facilitar a aprendizagem. Aprendemos mais, quando conseguimos juntar todos os fatores: temos interesse, motivação clara; desenvolvemos hábitos que facilitam o processo de aprendizagem; e sentimos prazer no que estudamos e na forma de fazê-lo.

Aprendemos realmente quando conseguirmos transformar nossa vida em um processo permanente, paciente, confiante e afetuoso de aprendizagem. Processo permanente, porque nunca acaba. Paciente, porque os resultados nem sempre aparecem imediatamente e sempre se modificam. Confiante, porque aprendemos mais se temos uma atitude confiante, positiva diante da vida, do mundo e de nós mesmos. Processo afetuoso, impregnado de carinho, de ternura, de compreensão, porque nos faz avançar muito mais.

* Texto baseado em: “Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica”, de Jose Manuel Moran ,15ª ed. SP: Papirus, 2009, p.22-24.

** As inferências sobre a catequese e a fé foram acrescentadas por mim.


Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

terça-feira, 20 de maio de 2014

ALGUMAS COISINHAS BÁSICAS SOBRE CATEQUESE

(Conselhos da Tia Ângela)

Umas coisinhas que andei encontrando por aí, sobre a catequese:

1. “Catequese é mais do que ensinar doutrina.” Alguém ainda acha isso? Ou chama a catequese de “catecismo”? Tá por fora!
2. “Se o rebanho é mau, a culpa é do pastor.” Que drama! Calma. É apenas para dizer que a mudança tem de começar por você, em vez de estar sempre a culpar as pobres ovelhas e a falta de um bom pastor...
3. A capacidade de atenção de um adulto resume-se a 20 minutos, a atenção de uma criança a 3 minutos, e a de um adolescente a 2 segundos (piadinha… mas dá o que pensar!).
4. Sem acolhimento e sem nada que os interesse, não se espante que os seus catequizandos estejam sempre muito irrequietos e faladores.
5. Catequese é mais do que uma atividade “fixa”, extra-escolar. Não é “aula de inglês”, “balé”, “aula de violão”, “judô”... Não é pra ser enfiada no “meio” da agenda atribulada das crianças. Faça os pais compreenderem isso.
6. Fazer um encontro fora das paredes da sala pode ser uma ótima experiência. Mas se está à espera do tempo ideal, do sítio ideal, do grupo ideal… Espera sentadinha(o), não vai surgir tão cedo...
7. Interiorizar a Palavra é mais do que explicar o sentido das coisas. Use a retórica (a arte de comunicar). Falar bem ajuda a encontrar eco junto da mensagem.
8. Se você não conseguir resumir o seu encontro numa única frase-chave, é melhor repensar tudo.
9. Uma fotografia, ou qualquer outra imagem, serve para ajudar e não para atrapalhar, distrair ou complicar.
10. Catequese é mais do que lições de moral e bons costumes.
11. Como diz a canção: "se um catequizando desinteressado incomoda muita gente, dois catequizandos desinteressados incomodam muito mais!" Conquiste-os um a um e não desista só porque acha que um deles “não tem remédio”.
12. Só porque o itinerário catequético ou manual não se adapta ao seu grupo, não significa que deva ser descartado por completo. O mapa pode estar desatualizado, mas continua a ser útil se indicar onde fica o ponto A e o ponto B.
13. O planejamento serve para ajudar e não para cegar perante os imprevistos. Sempre que necessário, atreva-se a reformular o tema e a abordagem, o jeito de falar, a exposição... Por favor!
14. Procure ser simples e eficaz, deixa o floreado para as flores.
15. Catequese é mais do que espiritualidade barata. Nunca use a oração como "cala boca", eles só vão entender o que estão fazendo lá pelo amém...
16. Acompanhamento pessoal é poesia quando o catequista tem mais de vinte crianças/adolescentes sob a sua responsabilidade: "Ah, mas, não tem mais ninguém para assumir!". Você e ninguém tem o mesmo efeito neste caso.
17. Você pode levar a todo encontro uma guloseima, fazer uma brincadeira, ser a “Tia” boazinha cuja catequese é “divertida”. Eles vão sempre se lembrar de você. Mas, e de Jesus? Vão lembrar?
18. O exemplo da “catequese de Jesus” é para ser seguido. Caro catequista, estudá-Lo de forma mais científica não vai te fazer mal nenhum.
19. Agradar a gregos e troianos incapacita qualquer um de criar identidade de grupo ou de elaborar um trabalho coerente e responsável. Entende? Ninguém gosta de barata tonta…
20. Quando tudo o resto estiver esquecido, lembre-se: seja autêntico!
21. Catequese é mais do que catequista-turminha-Igreja. É ENCONTRO de pessoas! O catequizando é uma pessoa que você está ajudando a formar e não um “aluno” para se brincar de “professor(a)”. Aliás, ser professor é bem mais sério do que você pensa...

Ângela Rocha
angprr@gmail.com


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Os cinco sentidos da Fé


“Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós”. (1 João 4, 12)

Os nossos SENTIDOS são o que nos põe em contacto com o mundo e com os outros. Somos talhados para o diálogo, para o encontro, a relação, porque só em contexto de encontro interpessoal nos construímos “por dentro”, lá onde o Homem se torna Humano.  Mas, como tudo, à luz da Fé os Sentidos podem falar-nos de um “algo mais” que eles sozinhos não revelam…
Acompanhe-me…

VISÃO
Deus disse ao profeta Samuel: “Enche um chifre com óleo, e vai a Jessé, um ancião de Belém, porque EU escolhi um rei para o meu povo entre os seus filhos. Tu darás por mim a unção àquele que EU te indicar.” Samuel fez como Deus lhe disse.
 Ao chegar à casa de Jessé, Samuel viu Eliab e pensou de si para consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor:” Mas Deus disse a Samuel: “Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, pois EU não o escolhi! O que tu vês não importa; o homem vê as aparências, mas EU vejo o coração…” (1 Sam 16, 1-13)
Ver com o coração é ultrapassar a casca das aparências. É ver como Deus vê! Isto só é possível a partir da intimidade com Deus, pelo conhecimento interior da Sua Palavra. Só assim vão desabrochando em nós os Seus critérios. Os critérios da Palavra em nós são como que “óculos” novos a partir dos quais podemos começar a ver a realidade, a que nos rodeia e a que construímos. De fato, as coisas nunca são apenas o que são… é também o modo como as vemos! 
E é o modo como as vemos, os “óculos” com que as olhamos e a “luz” com que as iluminamos que nos fazem agir ou reagir de uma determinada maneira e não de outra. Se aprendermos todos os dias a iluminar a realidade com a “luz” da Palavra de Deus e a olhá-la com os “óculos” do Espírito Santo, acontecerá em nós, quotidianamente, o milagre da transformação…

AUDIÇÃO
Eis o que diz o Senhor: Atenção! Todos vós que tendes sede, vinde beber desta água! Mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai trigo para comer sem pagar nada. Levai vinho e leite, que é tudo de Graça! Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não vos alimenta? Porque gastais o vosso salário naquilo que não pode saciar-vos?! Se me escutardes, haveis de comer do melhor e saborear pratos deliciosos. Prestai-me atenção e vinde a mim. Escutai-me e vivereis!
Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá senão depois de terem empapado a terra, de a terem fecundado e feito germinar para que dê semente ao semeador e pão para comer, assim acontece com a Palavra que sai da minha boca: ela não volta para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem ter cumprido a sua missão! (Is 55, 1-3. 10-11)
Escutar a Palavra de Deus não é uma tarefa dos ouvidos, mas sim do coração. Os ouvidos podem, muitas vezes, ouvir algumas mediações da Palavra, mas essa, só o coração a pode escutar, compreender e fazer germinar em frutos de Vida Nova.
A Palavra de Deus é Deus-Palavra, Deus a dizer-Se, a comunicar-Se, a fazer-Se encontro conosco e em nós. Deus não tem palavras para dizer, Deus não diz coisas, blá-blá-blá… Deus é Palavra, Deus diz-se! E o jeito de Deus Se dizer não é um som, uma voz, uma escrita, uma codificação lingüística, mas sim uma Relação. Só nos dizemos verdadeiramente a alguém, só nos comunicamos realmente a alguém através de relações, não através de palavras. Somos o que Somos não o que dizemos! A Palavra de Deus é isto mesmo. Deus a encontrar-Se conosco numa discreta, profunda e transformante relação de Amor. Escutar a Palavra de Deus não é ouvir as coisas que Deus diz, mas “dar espaço” interior à Sua ação para que Ele Se diga a nos, em nós. E é esta atitude de disponibilidade que, como em lume brando, nos vai apurando a vida e transformando o coração para sermos cada vez mais ao Seu jeito…

PALADAR
Enquanto comiam, Jesus e os seus discípulos, Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o aos discípulos dizendo: “Tomai, comei! Isto é o meu corpo…” Depois, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: “Bebei dele todos!” (Mt 26, 26-29)
Comer e beber são muito mais que encher a barriga. Os animais comem comida, mas nós comemos refeições. Porque os humanos tornaram a hora da  comida em  refeição, um encontro entre pessoas. À mesa, estamos todos,  face- a -face. É um lugar privilegiado de encontro e comunhão, partilha de intimidades e narração de histórias. Por isso comemos à mesa, e não numa manjedoura! Para nos encontrarmos, cara a cara uns com os outros, e não cara a cara com a comida como acontece nas manjedouras!
Comer é um símbolo bíblico muito importante para falar de encontro, comunhão, convívialidade, acolhimento e intimidade. Sentar alguém à nossa mesa é abrir-lhe as portas da nossa intimidade, dar-lhe lugar na nossa vida. Além disso, comer é mais que engolir. Implica tomar o gosto às coisas, sentir-lhes o paladar. Por isso é necessário “comer e beber Corpo e Sangue de Cristo”. “Corpo e Sangue” é linguagem bíblica para dizer “Vida”! É necessário comer e beber a Vida de Cristo, alimentar-se da sua Vida Ressuscitada e fonte de Ressurreição para todos. Isto não acontece ao nível da boca nem do estômago…
Comer e Beber a Vida de Cristo Ressuscitado é comungar com Ele pela escuta da sua Palavra e pelo acolhimento do seu Espírito, interpelante através de tantas mediações. Além disso, é tomar-lhe o gosto…
Alimentar-se da Vida de Cristo é “tomar-lhe o gosto” e ficar “com o gosto de Cristo na vida” para que o dia a dia possa ser Saboreado com este paladar. Sim! Saborear a realidade com o paladar de Jesus Cristo, este é o segredo da verdadeira Sabedoria! Aquela Sabedoria dos Felizes, dos Fiéis, dos Profetas que deixam em brasa o chão por onde passam…

OLFATO     
Quando Deus fez a Terra e o Céu, ainda não havia na terra nenhuma planta do campo, pois no campo ainda não havia brotado nenhuma erva: Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem que cultivasse o solo e fizesse subir da terra a água para regar a superfície do solo. Então Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente. (Gen 2, 4-7)
O olfato é um dos Sentidos mais extraordinários, porque é através dele que estamos permanentemente a interagir de maneira única com o ambiente que nos rodeia. Estamos permanentemente a inspirar e expirar, isto é, a introduzir em nós o ambiente que nos rodeia, e a expirá-lo, ou seja, a marcarmos o ambiente com o que brota de dentro de nós. Por causa de estarmos sempre a inspirar e expirar nesta interação permanente com o ambiente em que vivemos, os nossos antepassados na Fé perceberam o ar como símbolo do Espírito Santo, e a inspiração-expiração como símbolo da nossa relação com Deus. Por isso falamos em “inspiração divina”, ou “estar inspirado”…
A inspiração é uma linguagem de acolhimento, encontro interior, assimilação do outro em nós para nos modelarmos intimamente ao seu jeito. Por isso o “sopro primordial de Deus”, que no original em hebraico também significa “Beijo”, na simbologia bíblica é a primeira “expiração” de Deus para nós, e a nossa primeira “inspiração”, como bebês acabados de nascer e chamados á Vida! Não à existência somente, mas à Vida, aquela que não acontece, mas a que se constroem, com opções, atitudes e recomeço no Sentido do Amor. Deus é permanente “expiração” para nos pelo Espírito Santo, que é apenas outra maneira bíblica de dizer que Deus é Graça, Dom, para nós… Na “plenitude da história” Deus beijou-nos com o beijo definitivo em Jesus Cristo. Nele, Deus beija a Humanidade com lábios e definitivo, e neste beijo apaixonado transmite-lhe de maneira nova o Seu “Hálito de Vida”, o Espírito Santo. Um beijo divino que nos diviniza, na medida em que Deus diviniza o que nós humanizamos, Deus plenifica o que nós construímos de nós próprios à Sua imagem e semelhança, ou seja, com o jeito do Amor…

TATO
Jesus atravessou de barca para o outro lado do mar. Uma numerosa multidão reuniu-se junto dele, e Jesus ficou na praia. Depois, Jesus pôs-se a caminho. E numerosa multidão o seguia e o apertava de todos os lados, a ponto de quase sufocar. Eis que chegou uma mulher que sofria de hemorragias havia doze anos; tinha padecido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que tinha e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. A mulher tinha ouvido falar de Jesus. Então veio por entre a multidão, aproximou-se de Jesus por detrás e tocou-lhe na capa, porque pensava: Mesmo que toque só na sua capa, ficarei curada.
A hemorragia parou imediatamente. E a mulher sentiu no corpo que estava curada da doença. Jesus percebeu imediatamente que uma força tinha saído dele. Então virou-se no meio da multidão e perguntou:
Quem foi que me tocou? Os discípulos disseram: Vês como a multidão te aperta e ainda perguntas: "quem me tocou?". Mas Jesus continuava a olhar em volta para ver quem o tinha tocado. A mulher, cheia de medo e a tremer, percebeu o que lhe havia acontecido. Então foi, caiu aos pés de Jesus e contou toda a verdade.
Jesus disse à mulher: «Minha filha, foi a tua fé que te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença». (Mc 5, 21-34)
Quando, na vida, dizemos que “alguém nos toca muito” pelo seu modo de ser ou falar, não estamos certamente a falar do “toque do tato”, mas sim do “toque do coração”. Nos evangelhos de Jesus, tocar é um verbo muito importante, e que ganha um valor profundamente simbólico quando aparece no contexto da multidão. A multidão é o contrário da intimidade. Nos evangelhos de Marcos e de Lucas, de maneira especial aparece esta simbologia. A Intimidade com Jesus, o verdadeiro  Encontro é quase sempre traduzido por duas linguagens: “Tocar” e “Entrar em casa”. Jesus tocava nos doentes para curá-los (Mc 10, 22-26), abençoava as crianças impondo-lhes as mãos (Mc 10, 13-16)… 
A multidão é nos evangelhos um símbolo da superficialidade com que muitas pessoas estavam (e continuam a estar…) na sua relação com Jesus. O contrário da multidão, como símbolo de superficialidade, é o “sentar-se à mesa”, como símbolo de intimidade (Mt 9, 9-11). De fato, os desconhecidos não passam da soleira da nossa porta. E as pessoas com quem não temos confiança, tratam os seus assuntos à entrada, de pé. Só aqueles que “nos tocam” se sentam à nossa mesa! A mesa da refeição é um lugar de intimidade. Por isso Jesus tantas vezes se sentava à mesa na casa de alguém, sobretudo pecadores públicos e impuros segundo a Lei, para lhes mostrar que estavam também eles chamados à intimidade da Mesa do Banquete de Deus, que é o Banquete Eterno da Vida! É muito importante compreender quem eram aqueles por quem Jesus se sentia tocado e aqueles que se deixavam tocar por Jesus…
Tocar com o coração é o oposto a encontrar-se à “flor da pele”. Bem o sabemos… os únicos encontros na vida que valem realmente à pena são aqueles que acontecem “por dentro”, ao nível da interioridade pessoal de cada um. “À flor da pele” a vida corre e passa não se constrói. A vida que acontece, desaparece… só a Vida que se constrói permanece! E não há outra maneira de construir a Vida senão “por dentro”. “Tocar” é a impossibilidade da “multidão”, exatamente porque na multidão não há intimidade nem individualidade. Todos são todos, ninguém é alguém! A massa desumaniza porque rouba identidade e liberdade. Na multidão ganha sempre o querer da multidão, ainda que não seja o querer de ninguém! A multidão empurra, sufoca, silencia, absorve… mata!
Era tão bom se nós percebêssemos que ninguém se encontra com Cristo “à flor da pele”, na lógica da “multidão” e das massas incógnitas…
Como tudo mudaria se mais nos déssemos conta de que os encontros verdadeiros ou acontecem “por dentro” ou nunca chegam a acontecer realmente…
Vou dizer-te uma curiosidade: a pele é o maior órgão do corpo humano! Estamos talhados para o encontro, para tocar e ser tocados. Todos os Sentidos são possibilidades de encontro e relação. Para tocar e ser tocados… Mas os Sentidos fazem apenas parte da “casca da gente”…
Quando dizemos que “há pessoas que nos tocam”, não estamos falar de tato! A linguagem dos Sentidos deve conduzir-nos à intimidade do coração para cumprirem até ao fim a sua missão. Porque são pontos de encontro. Mas os encontros de verdade acontecem bem mais fundo do que eles “pensam”… Acontecem no “País da Maravilhas que se chama Coração” e para o qual só eu e o Bom Deus conhecemos o caminho… E tu também, se quiseres…