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sábado, 27 de março de 2021

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: Jesus, humilde e servidor, é exemplo e caminho para a igreja!

Imagem: Cebi.org

Abrem-se as portas de uma semana que vale uma vida. Com ramos, flores e cânticos, reunimo-nos nos templos, não para gritar que “bandido bom é bandido morto” ou para pedir a volta da AI-5 ou da ditadura militar, mas para aclamar nosso líder humilde e desarmado. “Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” Só alguém infinitamente grande é capaz de fazer-se tão pequeno e tão próximo. Recordaremos mais uma vez que Jesus Cristo, para sublinhar que somos todos irmãos, nos oferece generosamente sua vida desdobrada em serviço, bebe o cálice do martírio num só golpe e realiza plenamente a vontade do Pai.

Para entender a entrada de Jesus em Jerusalém precisamos abandonar as fantasias de poder. Não há nada de triunfal. Jesus vem da Galileia e entra em Jerusalém montado num jumento. Nada de cortejos de honra ou de carreatas triunfais. Jesus chega como sempre foi: um servidor, um simples homem, esvaziado de interesses escusos e submisso às necessidades dos outros. A escolha do jumento é uma provocação aos líderes militares, passados ou esperados. A aclamação do povo da periferia, que o considera filho e herdeiro de Davi, contrasta com a fria acolhida que ele recebe do povo da capital e com o medo dos discípulos.

O povo que acompanha Jesus em sua entrada em Jerusalém aclama entusiasmado o despontar do reino messiânico inspirado em Davi, e a chegada do líder enviado por Deus. Jesus, porém, não realiza as ações poderosas que eles esperavam. Entrando na cidade, vai ao templo, olha tudo, e se retira em Betânia sem fazer nada. Ele é o ouvinte da Palavra do qual fala o profeta Isaías, e dessa escuta o que brota é uma palavra que desperta os adormecidos e encoraja os acorrentados pela doença e pelo medo. Ele nos ensina que devemos resistir profeticamente contra os poderes que subjugam e escravizam (cf. Texto-Base da CF, § 132).

O entusiasmo suscitado naquele pequeno grupo de gente que vinha do interior não se sustentará por muito tempo. Os gritos de ‘hosana’ logo serão substituídos pelo insolente pedido ‘crucifica-o’, fruto da frustração das esperanças populares, manipuladas interesseiramente pelas autoridades. Os próprios discípulos, que haviam acompanhado Jesus e ouvido suas lições, apesar de uma renovada adesão a Jesus e seu Evangelho, sentem-se irremediavelmente desorientados e defraudados em suas expectativas. Mas nem a divisão que se cria entre os discípulos, nem a real possibilidade da traição fazem Jesus mudar seu plano.

É verdade que Jesus mostra-se abatido e chega a perguntar-se sobre o rumo que deve seguir. No momento crucial, depois da festa de acolhida e da ceia de despedida, ele enfrenta um discernimento difícil. Pede aos discípulos que fiquem com ele e vigiem. “Tudo é possível para ti. Afasta de mim este cálice”. Essa experiência permanece como um alerta para os discípulos e discípulas que aderem a ele esperando facilidades e sucesso. “Vigiem e rezem para não caírem em tentação”. Para Jesus, oração é o momento de confronto profundo com a vontade do Pai, com a missão escrita em caracteres semiapagados e exigentes.

Os discípulos não entendem nada e tem medo, enquanto que Pilatos escolhe o caminho mais fácil: lavar as mãos, fazer a vontade da maioria e, assim, receber o apoio popular que faltava ao seu poder despótico. É o fácil caminho da indiferença diante da dor dos outros, da rápida incriminação dos lutadores, da alegre bajulação dos poderosos, da arrogante pretensão de ser o único artífice do próprio destino. Aquele que o povo simples havia saudado na entrada da cidade como quem vinha e agia em nome de Deus, permanece fiel e acaba preso, abandonado pelos próprios discípulos, condenado e, finalmente, pregado na cruz.

A cruz era um lugar terrivelmente vazio da presença de Deus, a negação mais absoluta de qualquer forma de liderança, sinônimo de horror, de fracasso, de culpa, de impotência, de abandono. Tanto para os fiéis judeus como para os soldados romanos, mas até para os discípulos, a crucifixão representava a completa negação do ser humano, a mais radical falta de sentido. Por isso, compreende-se a provocação dos soldados: “O Messias, o rei de Israel… Desça agora da cruz para que vejamos e acreditemos”. Jesus não desce, porque veio unir o que estava dividido, derrubar os muros que separam e ferem, estabelecer a paz e a fraternidade.

Deus Pai e Mãe, compassivo e misericordioso! Nós te louvamos e agradecemos pelo dom da filiação e da fraternidade. Em sua misericórdia, teu filho se fez irmão de todos/as, servidor dos empobrecidos e sofredores, e despertou neles a esperança de vida plena. Que o testemunho dele guie a tua Igreja e a converta, a fim de que seja cada vez mais ouvinte e servidora da tua Palavra, dialogal e testemunhal. E não se furte de lutar para que sejamos mais tolerantes, construindo pontes em vez de muros que separam. Assim seja! Amém!


Reflexão do Evangelho de Marcos 11,1-10 - Texto de Itacir Brassiani.

FONTE: CEBI.ORG.BR



segunda-feira, 6 de abril de 2020

SEMANA SANTA EM CASA!

O papa Francisco iniciou neste domingo os ritos da Semana Santa com celebração litúrgica Domingo de Ramos, mas de forma especial – dentro da Basílica de São Pedro e não na Praça do Vaticano, como é usual. “O drama que estamos passando obriga-nos a levar a sério o que conta, a não nos perdermos em coisas insignificantes. Porque a vida é medida a partir do amor. Em casa, nesses dias sagrados, vamos apresentar-nos diante de Jesus crucificado, que é a medida do amor que Deus tem por nós”!

DOMINGO DE RAMOS 

E estamos em casa... por conta do isolamento social, não podemos nos juntar para a tradicional procissão do Domingo de Ramos.

Mas, nada impede que ainda sejamos cristãos e católicos, ainda com as nossas manifestações de fé.

No Domingo de Ramos tivemos nossos tradicionais ramos da procissão, colocados em nossas portas, portões, sacadas, janelas...

E foi surpreendente e belo a adesão de todos, tanto na confecção caprichada dos ramos, tanto com o momento de festejar Jesus Rei.

Ângela Rocha - Curitba PR.


   
                       Juci Dias - N. Sra. do Socorro - SE      Arcibélia Geronimo - Campo Belo MG

    
                         Nilva Mazzer - Maringá PR                                 Rosi Bastos                      

  
                        Josi Celeste - Londrina PR.                       Suzana Lossurdo - Barra Bonita SP.

          
                      Clenildes P. Santos - Valença BA                  Evanilda Cordeiro - Pitanga PR.


 
            Marlene H. Prado - Primavera do Leste MT               Sineide S. Maduenho  


  
                    Vivian Leite - São Paulo - SP                              Lindamir B. Silveira - Lapa PR.

  
                     Rita Melo - São Paulo SP                                Sara Albuquerque - Iati - PE


 
       Josenilda Silva - Gaurabira PB                                 Cleide Márcia -  Belém PA.

    
                                  Anette Alberti                                       Gisele Araújo
                                                          Bocaíuva do Sul - PR

  
                          Jozy Pereira - Itajaí SC                        Rosângela M. Souza - Porto União SC

  
                   Vanessa Furlan                                         Eliziane Pelegrini - Varginha MG

* Pedimos desculpas, mas, não conseguimos publicar todas as fotos. São Muitas! Mas, agradecemos de coração a quem nos mandou as fotos e fez do Domingo de Ramos uma festa a Jesus Rei!


FONTE: https://www.facebook.com/groups/catequistasemformacao/ (Grupo fechado, somente membros acessam o conteúdo).

E agora vamos nos preparar para a SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA SANTA!

O que será que temos em nossa tradição católica? Você sabe?


















sábado, 13 de abril de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: CRISTO OU BARRABÁS?



                 HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS – ANO C

Jesus é aclamado pela multidão. Até hoje conservamos o “Hosana nas alturas!”. Ele, que fez milagres, que curou doentes, que multiplicou pães, que falou palavras bonitas, somente poderia ser aclamado com hosanas, mesmo na sua humildade ao entrar em Jerusalém montado em um jumentinho. Mas a euforia não se prolongou. Como num programa de Reality show, a opinião pública eliminou o Filho de Deus e deu imunidade a Barrabás, o assassino. Por quê? Talvez por medo de enfrentar as autoridades judaicas e pagar o preço da verdade. Talvez porque um messias calado, humilde, simples, despojado não nos interesse. Melhor seria um guerreiro destruidor das forças políticas, o entusiasta curador e milagreiro. Esse messias amoldado aos nossos interesses egoístas não seria rejeitado.

Jesus nos mostrou o caminho um tanto desconcertante: “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado!” (Lc 14, 11). “Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua dignidade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até a morte e morte de cruz.” (Fp 2, 6-7). Ao longo dos séculos continuam havendo paredões. Hoje somos nós os expectadores desse show. E mais uma vez podemos escolher. Teremos a coragem de vencer a fama e o poder desse mundo em troca da humildade dos seguidores do Deus de Jesus Cristo? A glória dos homens não significa nada. Essa não perdura. A verdadeira exultação não depende dos que olham de fora, mas daquilo que construímos ao longo da vida pelas nossas opções.

Jesus é o homem da angustia, dos dramas psicológicos, de uma dúvida que quase o sufoca... É o homem do abandono, que se vê deixado pelos amigos. É o homem que vê tudo ir embora, exceto sua convicção! É o homem da dor, homem condenado, humilhado, sofredor. É o homem que morre. É o ser humano que vive nossas experiências, inclusive naquilo que é mais dramático a qualquer humano. Ele se rebaixa para nos ensinar. Ao se rebaixar, eleva toda a raça humana unida a ele!

Ao morrer nos ensina a morrer, a sofrer, a lutar, a resistir, a amar! Lucas deixa transparecer algo muito precioso no drama de Jesus: ao morrer, Jesus nos ensina a perdoar! Deixa Judas o beijar, sem o ofender; olha com profundidade para Pedro enquanto este o nega; perdoa todos os seus assassinos, dizendo ao Pai que eles não sabem o que fazem; acolhe um bandido que na cruz clama por perdão! Se já era grande vê-lo curar o coração de Izabel no ventre de Maria, antes de nascer, se já é sublime ver Jesus curar os corações de Zaqueu e Simão, da Samaritana e da adultera arrependida, mais sublime ainda é vê-lo curar um pecador enquanto morre. Mesmo morrendo, ainda sobram gotas de misericórdia, palavras, palavras cansadas e sofridas parta salvar. Diante desse amor, eu me sinto pequeno, diante desse amor, eu me sinto fraco, pecador, indigno. Diante desse amor eu não digo “hosana!” – diante desse amor eu medito. Diante desse amor, silencio e deixo-me possuir pela misericórdia que vai expandindo um pouco do meu coração duro para celebrar com um pouco mais de dignidade a Páscoa do Senhor!

Diante desse amor eu peço para ter uma boa língua de discípulo para saber dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos: Coragem! Alguém sofreu as nossas dores. Alguém consola, perdoa, cura e nos ensina a vencer toda a dor, todo o cansaço, toda lágrima, toda luta, toda doença, toda morte! Hosana ao que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas!


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

 FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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segunda-feira, 1 de abril de 2019

E O QUE VAMOS FAZER NO DOMINGO DE RAMOS?


Nós podemos, evidente, fazer a leitura do Evangelho do Domingo e conversar com as crianças sobre o significado deste dia. Mas, se já fizemos isso lá no ano passado, e nos outros anos passados também... CHEGOU A HORA!


De PARTICIPAR da Procissão do Domingo de Ramos com as crianças e as famílias! 

Não se vive a vida cristã na teoria somente. Não é mesmo?

Digo isso porque, normalmente, a preocupação de todo catequista, seja em que fase estiver os catequizados (1ª, 2ª, 3ª...), é "falar" do Domingo de Ramos. Contar, explicar, de onde veio, para que serve... Falar, falar, falar... "Eles esquecem!" vão me dizer alguns. "A catequista anterior não trabalhou!" dirão outros. Sim, eles esquecem. Esquecem mesmo tudo que o eles não veem utilidade. E a catequista "anterior" deve passar para a próxima o que fez. Ou não? Cadê o itinerário/planejamento das etapas?

Então, se vocês já falaram sobre o Domingo de Ramos, nada está perdido, aliás "tudo o mais pode ser acrescentado". Agora nós vamos: Fazer um Domingo de Ramos! Faltam quase duas semanas, ainda dá para preparar um convite para a festa, preparar com carinho os ramos para serem usados, bem como cartazes para levar na procissão, ensaiar uns cantos, dar uma olhadinha no rito para não ficar perdido (Isso é para o catequista...).





E se os seus catequizandos são adolescentes, estão na perseverança, crisma e já estão "carecas" de ouvir falar, já viram, participam sempre, que tal promover um "debate" mais adulto?
       - Por que será aqueles que deram "Hosana ao rei!" num domingo, dali 5 dias, no julgamento, disseram: "Crucifica-o!".
        - Ah! Não foram os mesmos? Foi quem? Por que? Qual era o interesse da época? Não seriam "políticas públicas"?

É isso aí gente, uma verdadeira INICIAÇÃO vai à fonte, fala e experimenta, experimenta e gosta, gosta e faz sempre.

Ângela Rocha
Catequista Amadora

Um pouco de História...

BÊNÇÃO DE RAMOS

O Domingo de Ramos é uma festa móvel cristã celebrada no domingo antes da Páscoa. A festa é um evento mencionado nos quatro evangelhos: Marcos 11,1; Mateus 21, 1-11; Lucas 19, 28-44; e João 12, 12-19.

A Bênção de Ramos acontece antes da missa e é parte integrante da celebração do Domingo de Ramos, que faz memória da entrada triunfal e solene de Jesus em Jerusalém.

O primeiro formulário para as Bênçãos de Ramos encontra-se no Sacramentário de Bobbio, do século VIII. Como nem sempre encontravam ramos ou palmas para serem abençoadas, o povo começou a levar ervas aromáticas e flores, de onde surgiu o nome de "Pascha Floridum" (Páscoa das Flores) ou "Dominica Florum" (Domingo das Flores).

Os antigos textos litúrgicos atribuíam aos ramos um sentido simbólico de vida, esperança e vitória de Jesus Cristo. O povo, porém, a partir da Idade Média, sem nenhuma catequese e por motivos supersticiosos, começou a atribuir aos ramos bentos poderes especiais. Para afastar mal olhado, os ramos bentos eram pendurados na sala da casa; batiam no gado e nos animais domésticos como ramos bantos para afastar doenças e pestes dos animais; em dias de trovoada e granizo, as pessoas queimavam os ramos bentos para afastar o perigo das plantações e das casas. E, para uma proteção total da casa, o costume popular era (e ainda é assim em muitos locais) amarravam os ramos bentos em uma cruz, que deveria ficar ou na sala ou no quarto do casal.

Além destes efeitos protetores, as pessoas atribuíam aos ramos bentos poderes curativos. Mas os ramos bentos não têm os poderes mágicos, que muitos acreditam. Trata-se de um símbolo da vitória do Reino de Jesus Cristo.

Outro sentido muito bonito, que está presente na primeira fórmula da bênção dos ramos é a esperança que também aqueles que levam os ramos bentos nas mãos compreendam-se como caminheiros para a Jerusalém celeste, através de uma vida repleta de boas obras (segunda fórmula da bênção de ramos).

Por este valor simbólico, os ramos não devem ser jogados fora depois da procissão, mas devem ser levados para as casas e lá guardados com respeito ou queimados. As cinzas, que são usadas na quarta-feira de cinzas, são feitas com os ramos bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. Um costume que vem deste do século XII.

Fonte: Arquivos da internet.


sexta-feira, 23 de março de 2018

HOMILIA: DOMINGO DE RAMOS



                   
                        HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS – ANO B


A celebração do Domingo de Ramos nos traz duas ideias antagônicas que estão ao mesmo tempo unidas: a exaltação e a humilhação. São duas realidades humanas experimentadas em várias ocasiões da vida.


Jesus, como qualquer ser humano, passou por estes dois extremos e as consequências foram decisivas para a sua vida terrena. O mesmo povo que exaltou o Senhor em sua entrada triunfante em Jerusalém, abandonou-O  no seu momento derradeiro, e até mesmo O condenou. O final da vida de Jesus nos mostra que o aplauso fácil não nos garante absolutamente nada.


Aqueles que fazem algum feito extraordinário, os que manifestam competência são aplaudidos. Mas nem todo aplauso denota verdadeiro reconhecimento. Em muitos casos, os aplausos significam bajulação, adulação interesseira. Assim, também os incompetentes são ovacionados, se possuem algum poder. Ao carregar ramos nas mãos, podemos refletir sobre as ocasiões que elogiamos de modo fácil os outros e quando recebemos aplausos vazios.


Por outro lado, existe a humilhação. Os mesmos lábios que elogiam podem insultar, as mesmas mãos que aplaudem podem bater, a mesma presença alegre pode se transformar na tristeza da solidão. Em muitas ocasiões nos sentimos derrotados, oprimidos, humilhados.


Como Jesus encarou estas realidades? Jesus não escolheu o poder, não escolheu a fama, nem o elogio, não assumiu uma atitude triunfalista. Seu desejo não era encabeçar uma revolta, mas sim uma reforma radical. Jesus não tinha a intenção de mudar a realidade por meio da violência: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas Ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de um escravo”(Fl 2, 6-7). Se a exaltação do povo foi o caminho para a humilhação de Jesus, o esvaziamento humilde do Senhor foi o caminho para a sua exaltação: “Por isso, Deus o exaltou sobremaneira” (Fl 2,9).


As escolhas de Jesus nos levam a refletir sobre nossas escolhas. Também podemos escolher estar em evidência, escolher o reconhecimento. Podemos aplaudir indevidamente ou sermos aplaudidos. Podemos escolher uma atitude religiosa de êxtase, de gratificação fácil. Podemos também projetar nossas esperanças em algum líder revolucionário ou em um pregador. Outra possibilidade é escolher aquilo que não aparece e que não tem valor. Podemos escolher a discrição, o serviço simples sem reconhecimento. Podemos escolher o caminho doloroso da cruz para que o Senhor nos exalte. As escolhas constituem um paradoxo: o triunfo fácil nos destrói, enquanto o caminho da cruz nos leva à vida.


Jesus assume nossa vida e nossa dor. Seu coração chagado não apenas sentiu a lança, mas o abandono. Sentiu-se abandonado pela multidão, pelos discípulos, pelo próprio Deus. No seu abandono tornou-se solidário nos maiores dramas do ser humano: o abandono da morte. No total abandono do Senhor, no seu silêncio, alguém reconhece que Ele é o filho de Deus. O Evangelho de Marcos narrou várias vezes Jesus se opondo àqueles que reconheciam que que era Ele o Messias, pois o faziam de modo indevido, sem entender o que realmente é o messianismo. Sua verdadeira messianeidade se revela na cruz, na sua humildade, na sua kenosis, no seu rebaixamento total, no enfrentamento da violência com o silêncio do amor, na sua doação total. O Rei-Jesus verdadeiro não é reconhecido em uma entrada triunfal sob aplausos da multidão, mas na sua capacidade de amar revelada na Santa Cruz.


Hoje podemos continuar aplaudindo o Senhor, enquanto somos passivos diante da dor humana, diante dos crucificados que surgem diante de nós pedindo uma palavra, um consolo, um gesto de amor. Também poderemos tentar encontrar o Filho de Deus sem cruz, sem o verdadeiro significado de sua existência e missão. Os ostensórios dos altares correm o risco de tornar a imagem de um Jesus aplaudido por uma multidão inconsciente sobre a verdade mais profunda do Filho de Deus.


A atitude do filho de Deus continua sendo desconcertante. O Senhor nos revela que as luzes do prestígio e da fama são efêmeras, secundárias. Só pode montar num jumentinho quem é muito consciente de sua grandeza interior, aquele que não se importa com as aparências.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR  
   


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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quinta-feira, 6 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS: ESPIRITUALIDADE E ORAÇÃO


ANO A
Textos: Mateus 21, 1-11; Isaías 50, 4-7; Filipenses 2, 6-11; Mateus 26, 14-27. 66

Ideia principal: Dois gritos são escutados hoje na liturgia do Domingo de Ramos: “Hosana” e “Crucifica-o”. E os dois dirigidos a Jesus, o Cordeiro de Deus. São duas pontes que todos devemos atravessar na vida.
Resumo da mensagem: No domingo passado contemplamos a vitória do Senhor sobre o último e mais temível inimigo: a morte, antecipando a vitória final da ressurreição. Hoje, a Igreja nos vai preparando para poder cantar, no seu momento, o hino de vitória, o da sequência pascal: “Duelam forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte.
O Rei da vida, cativo, foi morto, mas reina vivo
!”. Mas para chegar a este momento, Cristo teve que atravessar duas pontes: a ponte do “Hosana” e a ponte do “Crucifica-o”. Cristo, diante do grito “Hosana” não se vangloriou, pois tinha o olhar colocado na missão redentora encarregada pelo Padre. Diante do grito “Crucifica-o” não resistiu nem recuou (primeira leitura); ao contrário, se despojou de si mesmo e foi obediente até a morte (segunda leitura), nos dando o seu Corpo como comida, o seu Sangue como bebida, o seu Espírito como alento e Maria como mãe.
Pontos da ideia principal:
Em primeiro lugar, no Domingo de Ramos, Jesus escutou o “Hosana” dos bons corações de tanta gente em Jerusalém. São palmas e aclamações. O que fez, que reação teve Jesus? Ele elevava estas aclamações ao seu Pai celeste e elas lhe davam ânimo para seguir o caminho até a imolação livre e amorosa da sua vida para salvar a humanidade.
Em segundo lugar, mas também neste dia Jesus escutou com muita tristeza e dor o grito insano e louco “Crucifica-o”, orquestrado por pessoas invejosas e soberbas que queriam matá-lo, se livrar dele, porque a sua mensagem era diversa – não contraditória – da que eles seguiam. Das palmas do “Hosana” às lanças do “Crucifica-o”. O que fez, que reação teve Jesus? Sofreu em silêncio, perdoou todos. Amou o seu Pai. Subiu na cruz para morrer, e assim salvar todos os homens.
Finalmente, nós, na nossa vida humana e cristã teremos que atravessar muitas vezes estas duas pontes: a ponte do “Hosana”, ou seja, a ponte dos aplausos, dos sucessos, da festa. Mas talvez, virando a esquina, me espera a outra ponte, a ponte do “Crucifica-o”, que é a ponte da humilhação, do fracasso, da difamação, do desprezo, da calúnia. Como devemos reagir? Com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (segunda leitura). Diante da primeira ponte, a fácil, com gratidão, elevando os nossos olhos ao céu. Diante da segunda, a cruel, com paciência, com capacidade de perdão e oferecendo tudo a Deus, para que nos sirva de purificação e de união com o sacrifício de Cristo.
Para refletir: Eu também sou dos que dizem “Hosana”, louvando o Senhor, e poucos dias, ou inclusive horas depois, grito “Crucifica-o”? O que prefiro e peço a Deus para mim na oração, o “Hosana” ou o “Crucifica-o”? Que personagem quero ser nesta semana santa: Pedro, Judas, os soldados, Pilatos, Herodes, Simão de Cirene, os fariseus e sumo sacerdotes, Maria, João … ?
Pe. Antonio Rivero - Espiritualidade e Oração

Pe. Antônio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no Centro de Noviciado e Humanidades clássicas da Legião de Cristo em Monterrey (México). E-mail: arivero@legionaries.org