Esta artigo, publicado na revista Civiltà Cattolica, é uma verdadeira catequese sobre a Paixão de Cristo. Não deixe de ler até o final!
A PAIXÃO SEGUNDO SÃO LUCAS
Esta artigo, publicado na revista Civiltà Cattolica, é uma verdadeira catequese sobre a Paixão de Cristo. Não deixe de ler até o final!
A PAIXÃO SEGUNDO SÃO LUCAS
É que são tantas as coisas a que “tenho direito” e tantos os “trastes” que não cansamos de chamar MEU! MEU! MEU!
E as pessoas? De quantas pessoas eu já me senti dona, com direito a guardá-las na minha mão fechada sem perceber que, quanto mais as agarro. mais elas vão escorregar da minha mão? Acaba sempre vindo um belo dia em que vão perceber que eu estou lhes roubando a possibilidade de SER e, lá vão elas, as “mal-agradecidas”! E “eu que lhes dei tanto”, e “eu que tanto as ajudei” (S[o falta falar como quem compra! Quantas? Nem os dedos das mãos dão conta. E a você? Amigos… Irmãos… Filhos … Amados?
Mas, algumas vezes já, também me senti apanhada, presa em nome do "amor", da "amizade", da "comunhão", da "paz" (nós temos o vício de abusar das palavras!). Quando dei por mim, quando descobri que estava a ser sugada, zarpei para outras águas.
Penso que uma das grandes (A)venturas da nossa Vida é nos educarmos para deixar que as pessoas pousem nas nossas mãos bem abertas. E todos os dias olhar para elas para ver se a tentação de fechá-las foi mais forte que a consciência dela.
AMAR BEM é amar com leveza. AMAR BEM é deixar que o outro possa pousar e repousar, já que é esse o jeito do Espírito do Amor, do Espírito Santo do nosso Deus.
Só esse jeito de Amar nos pode vestir e assentar como uma luva, para que aqueles que amamos se FAÇAM BEM, se FAÇAM segundo a Liberdade! Que é uma fonte inesgotável de delicadeza, de criatividade, um horizonte imenso de possibilidades e descobertas, um Mistério no qual se nos vai desvelando o Amor Todo-poderoso do nosso Deus, que tudo faz para que cada um de nós SEJA o que É, aquilo que está chamado a SER: Inteiro! SALVO!
É em Liberdade que vamos nos fazendo, uns aos outros, artesãos de Comunhão. Construtores do Novo. Naturalmente. De tal modo que o Silêncio, as Palavras e os Gestos acabam por falar sempre de Humanidade, aconteçam eles no meio das nossas fragilidades, das mais dolorosas experiências de impotência ou das maiores alegrias. Também na doença. Também na Morte.
Porque, sempre que tocamos o mais fundo e o mais definitivo da Vida é TEMPO de SER. Porque é lá, onde a Vida grita, geme ou ri, lá onde estamos nus, que percebemos o quê e quem guardámos na nossa mão fechada. E, também é lá que percebemos que guardar coisas empobrece-nos e, guardar pessoas deixa-nos sozinhos.
Sinto que hoje pode ser um primeiro dia, dia de empurrar para bem longe de nós todos os amores que prendem, porque fazem de nós anões porque se tornam empecilho ao Crescimento. Amor que prende, pede ou espera retribuição, cria culpas sem sentido e está condenado a azedar. Não tem futuro. A Gratidão chega quando não se espera nem se procura. Vem SEMPRE por acréscimo, a regurgitar de Graça.
Sinto que ainda vou aprender a AMAR largando, voltando atrás… a tempo de poder ser participante na FELICIDADE de um Deus que Cria mas diferencia para unir, na pluralidade e na riqueza dos Dons que o Seu Espírito suscita em nós.
O Amor que diferencia, aprende a dar um passo atrás para VER MELHOR o outro e poder dizer, encantado: Tão ELE! Tão ELA! Tão BOM! Tão BELO!
Glória Marques - CER - Braga, Portugal
“Quando me sinto fraco, então é que me faço forte...”
Às vezes não basta a gente “se fazer" de forte. Porque quando nos "fazemos" forte, essa fortaleza é construída de areia. E, a areia desmorona na primeira onda. É preciso SER forte, desde as entranhas até o último fio de cabelo. A gente engana a todo mundo menos a Deus e a nós mesmos. E nem sempre essa fortaleza vem da nossa fé exterior...
Mas, desde quando a fé é "exterior"? Fé vem de dentro da alma, ela se faz do Espírito Santo de Deus que cada um de nós traz dentro de si desde que nasce. O ser humano antropológico necessita do transcendente. Precisa de fé, exterior ou interior.
Pode parecer uma heresia, mas não recebemos o Espírito Santo só no batismo. O sacramento do batismo como rito simbólico e mistagogia tem o seu propósito, mas Deus daria Seu Espírito só a quem comparece a uma Igreja? A pia batismal e a água benta têm que fazer parte disso realmente? E aqueles a quem é negado esse gesto? Não serão eles filhos de Deus também e objeto do Espírito? Todo ser humano possui em si o Espírito Santo, tendo sido marcados pela cruz de Cristo ou não. Mas alguns não o percebem ou conhecem.
Então essa é, em minha opinião, a fé "exterior". Que precisa de símbolos, de presença física, de instituição, religião e outras tantas coisas "tocáveis". E muitas vezes nos deixamos levar só pelo Deus de nossa fé exterior. Um deus que precisa a todo o momento ser provado, medido e aceito. Que precisa ser “visto”. É o deus com letra minúscula. E o deus de muita gente é assim: minúsculo e ausente no interior. É o deus de quem esfola os joelhos a rezar mas não levanta uma palha em prol do crescimento próprio e do outro. É o deus de quem não acredita no Filho Amado de Deus, que pode ser sempre visto, olhando-se no espelho.
E existem aqueles que se comprazem em se dizerem “sem fé”. Ah, mas não se enganem, mesmo a quem o nega e renega, Ele se faz presente. A única diferença é que pra estes, o Deus de letra maiúscula é um Deus de encontro sofrido e demorado.
E o encontro só acontece quando exercemos a FÉ INTERIOR! A fé em nós mesmos, que nos faz fortes Naquele que nos fortalece... E em nós mesmo, que somos a maior fortaleza já criada por Ele!
Lembrando o mandamento maior de Jesus de "amarmos a Deus e amarmos uns aos outros, como Ele nos ama", não podemos deixar de lembrar dos "outros" mandamentos de Jesus, que Pe. Rui nos faz refletir neste pequeno texto.
A leitura era pequena, daquela vez. Mas cresceu imensa, como se fosse a primeira vez que a escutasse, pôs-se a "crescer para mim", e eu rendi-me. De repente, vi-me diante de cinco mandamentos obrigatórios, como uma lista irrenunciável descida do céu, uma tábua da aliança escrita pelo dedo de Deus no cimo do monte. Não me largou a força disso, como uma novidade que não nos sai do corpo, um óleo que unge, o nardo que impregna. Ou como receber um órgão novo, não sei, um transplante vital. Vamos ao texto. Era só este:
"Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco."
É do Evangelho de Lucas, capítulo 6, versos 36 a 38. É o resumo que o próprio Jesus faz do "Sermão da Planície", o correspondente em Lucas do "Sermão da Montanha" contado por Mateus. Ao terminar todas as palavras sobre a maneira de entrar no Reinado de Deus em marcha, Jesus faz um resumo com força de lei.
E, de
repente, como é costume, as palavras começaram todas a mexer como bichos que
despertam, e olharam-me nos olhos de maneira nova. E vi um mandamento que é
eixo à volta do qual tudo gira, mais dois mandamentos em "não", mais
dois mandamentos em "sim". Já não aquele Decálogo antigo, claro, que
em Cristo foi superado, mas um "Pentálogo", as Cinco Palavras da Lei
Nova, os Mandamentos da Nova Aliança.
3. Não julgueis
Está aqui tudo. Estaria tudo no primeiro mandamento, tivéssemos nós outro juízo! "Sede como o vosso Pai..." Estaria tudo dito nesse primeiro, que seria Único - e é mesmo, explicará depois o evangelista João - se não nos dessem tantas falhas de entendimento. Mas, os outros quatro, dois pares em linguagem que a gente não pode dizer que não entende, estão aí como legenda e tradução. Tudo presidido por um "sede como o vosso Pai". Ou seja: isto ainda diz mais do que Deus é do que daquilo que nós devemos ser.
Espero que em alguém desse lado, estes Cinco Mandamentos, os Mandamentos da Nova Aliança para ajesusarmos a vida toda, tenham tanto impacto e provoquem tão feliz inquietação como anda a acontecer comigo há três dias.
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porque A Palavra é um Ser Vivo e in-quieto...
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| Alberto Meneguzzi Caxias do Sul - RS |
PARTE II - SEGUNDA INFÂNCIA
Texto bíblico Lc 2, 41-52
“Todos os anos, os pais de
Jesus iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos,
subiram para a festa, como de costume. Terminados os dias da festa, no momento
de voltarem, Jesus permaneceu em Jerusalém, sem que seus pais percebessem.
Pensando que se encontrasse na caravana, fizeram o caminho de um dia e
procuravam-no entre os parentes e conhecidos, mas, como não o encontrassem, voltaram a
Jerusalém, à procura dele. Depois de três dias o encontraram no templo, sentado
entre os mestres ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos os que ouviam o
menino ficavam extasiados com sua inteligência e suas respostas. Quando o
viram, seus pais ficaram admirados, e sua mãe lhe disse: “Filho, por que agiste
assim conosco? Olha, teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura!” Ele
respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é
de meu Pai?” Eles, porém, não entenderam o que ele lhes havia dito .Jesus
desceu, então, com seus pais para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava
todos os esses acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em
sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens,”
(Tradução
-Bíblia CNBB- 3ª edição-2019)
Dando continuidade ao tema Espiritualidade
da criança e do adolescente, iniciado no artigo anterior, inspirado pelo
texto bíblico apresentado, podemos verificar que os pais de Jesus, Maria e José,
educaram Jesus na fé, com todo o zelo e cuidado com o Filho de Deus. E Jesus se
desenvolve em um ambiente familiar de oração e fidelidade a Deus.
Na Encíclica do Papa Francisco,
Amoris Laettia, encontramos:
A
educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão da fé,
que se vê dificultado pelo estilo de vida atual, pelos horários de trabalho,
pela complexidade do mundo atual, onde muitos têm um ritmo frenético para poder
sobreviver. Apesar disso, a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a
perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo. Isto começa
no batismo, no qual- como dizia Santo Agostinho- as mães que levam seus filhos
“cooperam no parto santo”. Depois, tem início o percurso de crescimento desta
vida nova. A fé é um dom de Deus, recebido no batismo, e não o resultado de uma
ação humana; mas os pais são instrumentos de Deus para a sua maturação e
desenvolvimento. (AL, 287)
Na
caminhada catequética os catequizandos precisam de um ambiente acolhedor, tanto
na família, quanto na comunidade. Durante o seu desenvolvimento a criança vai
absorvendo o comportamento de seus familiares e dos grupos de convivência.
Na primeira infância, conforme Calandro e Ledo (2010), denominam a idade de 0 a 6 anos, a criança contempla tudo a seu redor, tudo é novidade para ela, um mundo a descobrir. Repete os gestos, brinca, dança, toca (tato) e é dotada de espontaneidade e cheia de energia.
De 0 a 2 anos a criança percebe o mundo pelo olhar de seus pais, a fé ainda é indiferente, porém, “as pré-imagens de Deus estão inseridas neste primeiro contato que a criança estabelece com o meio familiar” (CALANDRO e LEDO, 85). A confiança que ela tem no adulto é que estabelece o sentido de cuidado e amor. A afetividade é fator primordial em todo os períodos do desenvolvimento da criança, principalmente na primeira infância. De 3 a 7 anos, a fé já é projetada, a criança assimila a cultura de seus pais, e a comunidade aos quais os pais frequentam.
A segunda infância, de 7 a 9 anos, conforme Calandro e Ledo (2010), é o período da sistematização da criança, ela já vai se reconhecendo em um grupo maior, mas, com a sua identidade sendo formada. Com a experiência escolar também presente neste período, ela vai formando seu repertório tanto de fé, quanto de bases da educação científica. É a idade que entram na catequese.
Os catequistas, atentos à essas mudanças e realidades, precisam estar atento à maturidade gradativa de fé, que as crianças vão tendo ao longo da vivência na catequese. O Diretório Nacional de Catequese nos seus números 199 e 200 orienta:
199. A
infância constitui o tempo da primeira socialização, da educação humana e
cristã na família, na escola e na comunidade. É preciso considera-la como uma
etapa decisiva para o futuro da fé, pois nela, através do Batismo e da educação
familiar, a criança inicia a sua iniciação cristã. No final da segunda infância
(pré-adolescência), uma fase curta, mas efervescente do desenvolvimento humano,
ou até mais cedo (primeira infância, começa-se em geral o processo de iniciação
eucarística). É nessa idade que se atinge o maior número de catequizandos e há o
maior envolvimento de catequistas por causa da Primeira Comunhão Eucarística,
que não deve ter caráter conclusivo do processo catequético, mas a continuidade
com uma catequese de perseverança que favoreça o engajamento na comunidade
eclesial.
200. A
educação para a oração (pessoal, comunitária, litúrgica), a iniciação ao
correto uso da Sagrada Escritura, o acolhimento dentro da comunidade e o
despertar da consciência missionária são aspectos centrais da formação cristã
dos pequenos. É preciso cuidar da apresentação dos conteúdos, de forma adequada
à sensibilidade infantil. Embora a criança necessite de adaptação de linguagem
e simplificação de conceitos, é importante não semear hoje o problema de
amanhã. Simplificar com fidelidade e qualidade teológica exige boa formação e
criatividade. É necessário ter cuidado para que, em nome da mentalidade
infantil, não se apresentem ideias teologicamente incorretas que depois serão
motivo de crise de fé. (DNC, 2006)
Sendo assim, o que a Catequese
pode oferecer para a formação na fé destas crianças e desses adolescentes
diante de tanta dificuldade e adversidade? As famílias estão cada vez mais
distantes de uma vivência de fé autêntica; os pais têm dado pouca atenção a seus
filhos e filhas e tentam preencher o espaço que é devido aos eles com coisas
materiais: celulares, tablets, videogames, brinquedos, etc. E, muitas das vezes,
o que as crianças e adolescentes precisam, é simplesmente um abraço, um colo,
um ombro, um ouvido atento às suas indagações.
Muitos relatos de catequistas nos
contam das frustrações de seus catequizandos, com inúmeras dificuldades familiares:
presença de alcoolismo, depressão, separação, conflitos, sobrecarga de funções
para a mãe, que sempre tem que dar conta de tudo ou do pai, com dificuldade de
ouvir seus filhos e filhas, por estar por demais focado no trabalho.
A catequese a serviço da
evangelização acaba abarcando todas essas realidades dos catequizandos. A
comunidade de fé, também precisa acolher todas as situações e colaborar com a
formação na fé daqueles que estão sobre seus cuidados.
Assim, durante os encontros
catequéticos - sejam presenciais na paróquia, ou ainda, para aqueles que optam
por catequese em casa (com os pais e acompanhamento do catequista) - pode-se
propor momentos celebrativos, apresentação dos símbolos, do espaço litúrgico,
momentos de partilha de alguma situação concreta, histórias inspiradoras de
diversos santos e santas presentes na Tradição da Igreja, etc. Alguns subsídios
catequéticos, como o “Crescer em Comunhão”, da Editora Vozes, trazem em seu
itinerário de temas, celebrações catequéticas a cada bloco de temas. Estas
celebrações proporcionam encontros mistagógicos, orantes, com reflexões e cantos,
e pode ser convidada a família do catequizando.
Pode-se também, visitar as famílias
para conhecer a realidade de cada catequizando, para que a comunidade conheça as
alegrias, dificuldades e esperanças de cada um, pois, a partir do olhar do
catequista e da comunidade, pode-se proporcionar
à família que vem para a catequese, um espaço de partilha e de superação das eventuais
dificuldades em família.
Referências:
CALANDRO, Eduardo; LEDO, Jordélio
Siles. Psicopedagogia Catequética -
Reflexões e vivências para a catequese conforme as idades. Vol.1 – Criança. São
Paulo: Paulus. 2019.
_______ Psicopedagogia Catequética - Reflexões e
vivências para a catequese conforme as idades. Vol. 2 – Adolescentes e jovens.
São Paulo: Paulus, 2019.
COMISSÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA -
ARQUIDIOCESE DE CURITIBA. Formação Básica de Catequistas - subsídio com
os principais temas para formação de catequistas. Curitiba: Editora
Arquidiocesana, 2008
CNBB. Diretório Nacional de
Catequese - DOC 84. 5ª ed. São Paulo: Paulinas, 2007.
PAPA FRANCISCO. Amoris Laetitia: sobre o amor na
família. Exortação Apostólica Pós-sinodal.
São Paulo: Paulus, 2016.