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terça-feira, 5 de julho de 2022

SE EU PUDESSE...

Se eu pudesse, eu acabaria com os encontros semanais de catequese com crianças e jovens. Faria uns quatro grandes encontros durante o ano e os chamaria de "Kerigma".

O primeiro deles, um final de semana com os catequistas. Um encontro profundo, forte, cheio de espiritualidade, momentos de oração, de diálogo, troca de experiências, brincadeiras, compartilhamento de ideias. Um momento daqueles para não deixar dúvida para nenhum catequista sobre a importância da missão. Obrigatório. Sem desculpas para não ir. Quem não participasse, não poderia ser catequista. Aliás, faria uns três encontros desses durante o ano para os catequistas. Eles teriam a possibilidade de se aproximar um pouco mais uns dos outros, e por consequência, fortalecer a missão que lhes foi confiada e aprofundar a fé em Jesus Cristo. Muitos catequistas, por incrível que pareça, estão precisando urgentemente de um “primeiro anúncio”.

Um segundo encontro seria com os pais, durante um domingo ou um sábado, um dia inteiro. Um verdadeiro "Kerigma", recheado de testemunhos, de palestras rápidas, de espaço para conversa, de celebração, um momento para tocar os corações deles e de animá-los e não culpá-los de nada. De colocar a comunidade à disposição deles e de fazê-los refletir sobre o mundo que vivemos, o que acontece no mundo em que os filhos deles estão e como podemos, juntos, mudar esta realidade. Os pais estão necessitados de um primeiro anúncio, embora já tenham sido batizados e evangelizados. Mas eles precisam, e isso é urgente.

E depois, outros dois encontros "Querigmático" com os jovens e as crianças, da mesma forma, com o mesmo objetivo, fora do ambiente da comunidade, um encontro de primeiro anúncio, de conversão, de testemunho, de música e diversão, com o apoio de toda a comunidade e com um desfecho na principal missa da comunidade, com os pais esperando os seus filhos e a comunidade os acolhendo.

Eu faria assim se tivesse poder. Talvez, dessa forma, não gastássemos tanta energia para acender uma lâmpada e ficássemos mais atentos e centrados no que realmente importa, ou seja, tanto nós, catequistas, quanto os pais, crianças e jovens, estamos precisando de momentos profundos, de encontros que façam a diferença, de oração e partilha, de instantes que toquem o coração, que nos façam mudar, transformar, agir como verdadeiros cristãos.

Do jeito que as coisas andam e da maneira que os encontros semanais acontecem em muitas comunidades, não transformamos, não tocamos os corações, não produzimos mudanças profundas. Cumprimos tabela.

E vocês não imaginam como é difícil para mim, um cara inquieto, cumprir tabela quando o assunto é catequese. De fato, eu não nasci para a mesmice, eu vim, para incomodar. Bem como pede Jesus.


Alberto Meneguzzi - Catequista
#catequistagraçasadeus
#acreditacaxias

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

A IGREJA NÃO É UMA EMPRESA

Já tinha lido esta frase do Papa Francisco nos livros e documentos que ele escreveu nos últimos anos. Mas de novo, recentemente, ele repetiu isso. Eu aprendi desde a minha adolescência, que a Igreja existe para evangelizar. É isso. Mas muitos dos nossos padres parecem não saber desta "verdade" histórica da Igreja. Evangelização. E isso se faz com acolhimento, misericórdia, escuta e preocupação com seus fieis. Os carreiristas "chanceleres" e outros tantos, doutores, mestres, teólogos, que citam grandes pensadores em sua homilias, mas não conseguem chegar ao povo mais pobre e necessitado, deveriam ler e assistir mais os vídeos do Papa para agirem de forma mais humana em suas paróquias e não serem apenas próximos a outros carreiristas leigos da elite de uma comunidade. Não é opinião, é verdade.

Palavras do PAPA

Por fim o Papa disse: 

Lembrem-se também que a Igreja não é uma organização política com esquerdas e direitas como nos parlamentos. Não é uma grande empresa multinacional dirigida por executivos que estudam como vender melhor o seu produto. A Igreja não se constrói com base em seu próprio projeto, não tira de si mesma a força para seguir adiante e não vive de estratégias de marketing. “A Igreja é formada por homens e mulheres pecadores como todos os demais, nasceu e existe para refletir a luz de um Outro, a luz de Jesus, assim como a lua faz com o sol. A Igreja existe para levar a palavra de Jesus ao mundo e tornar possível hoje um encontro com o Jesus vivo, tornando-se um veículo para seu abraço de misericórdia oferecido a todos”.


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

FELIZ DIA DO SIM ( DIA DO CATEQUISTA)

Alberto Meneguzzi
Caxias do Sul - RS

Nos últimos tempos, os sinais enviados pelo Espírito Santo tem sido: “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo. Não tenhamos medo”. Os catequistas tem sido chamados para uma missão, um discipulado, e não para uma tarefa corriqueira. Estamos num fogo cruzado, onde as mudanças de ordem social e tecnológica, tem sido assustadoras e incrivelmente rápidas. Escolas, empresas, instituições, estão tendo que se adequar a um novo mundo e a novas possibilidades.

A Igreja também precisa mudar, não os seus preceitos básicos, mas a forma de fazer com que as coisas aconteçam. Um catequista precisa estar atento a estas mudanças, que também interferem na vida da nossa família, na caminhada profissional, afetiva, cristã e de participação na comunidade.

E você já deve ter ouvido seguidamente, alguém dizer "No meu tempo, a catequese era assim". Mas não dá mais para comparar o que acontece agora, com o que acontecia há 30, 40, 50 anos. O contexto mudou, a história mudou. A catequese, aquela por obrigação, deu lugar a uma catequese por adesão. Neste contexto, nós catequistas precisamos adequar o nosso SIM. Se é um chamado que recebemos, como nós gostamos de dizer, então é missão, é discipulado, trabalho dos mais importantes dentro da Igreja. Não é tarefa, nem voluntariado. É um CHAMADO DIVINO, um "SIM, EU ACEITO”.

A Igreja tem se esforçado e insistido para que avancemos em águas mais profundas. Não é mais apenas uma "turminha" de crianças que está na mão do catequista, mas sim, almas sedentas por um discurso diferente, sedentas de Deus. A catequese não pode ser apenas doutrina ou magia, e não deve acontecer apenas por tradição ou por medo.

Agora, a catequese por adesão exige muito mais dos catequistas, das suas habilidades de comunicação, engajamento comunitário, formação pessoal e humana e principalmente, da sua fé. É o que eu chamo de reevangelização: precisamos fortalecer laços entre nós catequistas, nos apoiarmos nas dificuldades, sermos amigos e partilhar vida, conhecimentos, experiências, testemunhos, bem como faziam os primeiros discípulos.. Não é hora de achar “desculpinhas furadas” para não fazer o que precisa ser feito.

O projeto de Deus precisa muito mais de nós, da nossa ousadia, criatividade, humanidade e ação concreta. Nossos problemas pessoais, as dores emocionais, os dramas de cada um, tudo isso vai continuar acontecendo um dia ou outro. Mas, haverá dias em que, mesmo despedaçados, depressivos, tristes, cheios de problemas que precisaremos resolver, mesmo assim, haveremos de estar animando nossos jovens e crianças nos encontros semanais, na liturgia, nos retiros... Porque a força que nos move é o Espírito Santo.

Pode até ser que o nosso coração humano, em algum momento, pense "Ah, estou aqui há tantos anos, e ninguém me valoriza". Sim, o nosso lado humano, às vezes, quer uma valorização, um abraço, um muito obrigado. Sei que em muitos lugares, isso não acontece. Mas tenho absoluta certeza, que lá no céu, Deus se regozija com o nosso trabalho, nos carrega no colo nos momentos de dor, nos fortalece quando queremos desistir, pois ele sabe, que cada um de nós, do nosso jeito, é fundamental para que o projeto Dele continue vivo.

E não há outro jeito de seguir nesta missão: precisamos rezar para estarmos fortes. Então reze, e nada temas. Não tenhas receio dos infortúnios, não temas os fracassos. A oração te protegerá. Reza, de uma forma ou outra, mas reza sempre e não te desvies dela por nada do Mundo. Sê alegre e tranquilo. Aa oração tudo conseguirá e te instruirá. Orai sem cessar.

“Feliz dia do SIM, EU ESCUTEI E ACEITO O CHAMADO DE DEUS”. Feliz dia do catequista!

Alberto Meneguzzi
Caxias do Sul - RS



quinta-feira, 15 de julho de 2021

TU CHORAS? OU PERDEMOS AS LÁGRIMAS?

Imagem: Pixabay
Um artigo que toca nossos corações nestes tempos de pandemia e indiferença para com o outro. Muitas  pessoas se trancaram e algumas ficaram inatingíveis. Mas, mesmo assim, muitos continuaram servindo e oferecendo o tinham para ouvir e ajudar. Estes são aqueles que choram sem perder as lágrimas. Parabéns ao autor pela bela reflexão!

TU CHORAS? OU PERDEMOS AS LÁGRIMAS?

Por Alberto Meneguzzi

A pandemia desvendou as sombras de muitas pessoas. Elas foram descortinadas, apresentadas sem dó nem piedade, diante de uma situação extrema que matou milhares de pessoas, deixou outras tantas em situação de pobreza ainda maior, tirou o emprego, a dignidade de muitas famílias, atingiu diretamente os jovens e idosos e, mais do que isso, deixou muitas pessoas afundadas emocionalmente: ansiosas, deprimidas, com síndrome do pânico, assustadas, sozinhas, algumas até preferindo morrer do que viver em tal situação.

Tudo isso tocou diretamente também a vida daqueles que sempre estiveram cuidando dos outros e trouxe à tona a famosa frase: “Quem cuida de quem cuida?” Todos nós, de alguma forma, fomos atingidos, como se um enorme meteoro tivesse devastado nossos corações e mentes. Nós catequistas também cuidamos de nossas crianças, jovens, adultos e por vezes, zelamos com afinco também para que outra pastorais e serviços andem. E quem cuidou de nós? Eu diria que ainda estamos tontos, tentando descobrir o que aconteceu e como podemos sair dessa. E as sombras de ser humano, até então escondidas, foram reveladas, inclusive dentro dos ambientes comunitários e de igreja que vivemos. E com estas sombras tão descortinadas, em muitos casos, apareceu o pior de muita gente.

Quero lembrar um pouco do texto da Campanha da Fraternidade de 2020. No texto base da CF, parece que já se tinha uma previsão do que aconteceria. É bom lembrar que as campanhas da Fraternidade de um ano, começam a ser pensadas quase dois anos antes pelos bispos da CNBB. Em 2018, praticamente não se falava em covid-19. O Tema de 2020 foi “Fraternidade e vida: dom e compromisso. A proposta principal era a de sermos capazes de compaixão. “Essa é a chave. Essa se tornou a nossa chave como cristãos” diz o texto-base. Compaixão.

O Papa explicou o significado de misericórdia nas suas homilias e nos seus escritos: “Proximidade, a afinidade e o serviço como critérios para a ação pastoral. Atitudes que nascem de uma autêntica escuta nos questionam, sobre a compaixão que habita em nossos corações e é expressa em nossas atitudes. Se diante de uma pessoa necessitada você não sente compaixão, o seu coração não se comove, significa que algo não funciona. Fique atento. Não nos deixamos levar pela insensibilidade egoística. A capacidade de compaixão se tornou a medida do cristão, ou melhor, do ensinamento de Jesus” diz o Papa Francisco.

E nós, catequistas, evangelizadores, líderes pastorais, pessoas ativas nas comunidades, neste período de pandemia, exercitamos de que forma a compaixão? Pergunte a si mesmo se o seu coração não endureceu, se não se tornou um gelo.... Tu choras? Ou perdemos as lágrimas?

A crise por causa da pandemia, afetou diretamente as paróquias. Algumas, que nunca prestavam contas de suas finanças, forçosamente tiveram que sair a campo, pedir ajuda, fazer campanhas. Em muitas paróquias, mudou a direção e o sentido das coisas. Agora, quem antes ajudava e doava cestas básicas e colaborava até com dinheiro para várias ações, estava necessitando ajuda. Sim, quem a gente não esperava que um dia precisasse, estava precisando de comida, dinheiro, emprego e, mais do que isso, ajuda emocional. E quem ajudou quem sempre ajudou? Quem teve compaixão de quem sempre se dispôs a colaborar na comunidade? Quem visitou alguma liderança que estivesse abalada emocionalmente com tudo isso? Quem ligou? Quem mandou uma mensagem? Quem se solidarizou de forma anônima?

As comunidades como instituições, tiveram que buscar recursos. A crise bateu. O esbanjamento de recursos que se via em muitas paróquias, teve que recuar. Muitos líderes tiverem que se explicar, priorizar outras coisas, conter os gastos, pedir ajuda, como qualquer família faz quando as coisas não estão bem. Mas, a igreja existe para evangelizar e quem de fato, evangelizou, neste período de crise? Parecíamos mais preocupados com o dízimo, com o retorno das grandes festas de salão, com o não fechamento das igrejas, com as esmolas. Viramos comunidades de “drive trhu” vendendo um espeto de carne enrolado num pacote, uma sopa, um macarrão, um combo de alimentação, a um preço nem sempre modesto, para poder manter a estrutura da igreja, que em muitas comunidades, é um cofre fechado, sem prestação de contas, sem transparência.

E de novo, o cuidado com quem cuida, foi reduzido a “Precisamos de ti aqui para organizar o “drive thru”, para fazer a comida, para confeccionar os ingressos, para limpar o salão, para buscar apoios e patrocinadores e os brindes do rifão”. E com o coração dilacerado, doído, muitos de nós fomos à luta, mesmo abatidos e quase se forças, porque em nossas próprias casas o dinheiro desapareceu, o emprego sumiu, a vergonha se tornou companheira, a saúde ficou debilitada, a comida se tornou escassa, a fragilidade tomou conta e ninguém nos visitou ou se preocupou em saber “Como tu estás? Precisas de algo?

Voltando às sombras, no coração de muitas pessoas já está incrustrado há muito tempo sentimentos como a indiferença, o ódio, a homofobia, a hipocrisia, o preconceito, o racismo, a diferença política, a raiva, a violência, o egoísmo, a intolerância e falta total de empatia (a palavra do momento). Mesmo dentro do coração de muitos que se dizem cristãos, que frequentam a missa diariamente ou estão nos cultos. Mas quando isso fica guardado e grudado dentro da gente, e aparece um porta-voz para dizer o que sempre muitas pessoas tiveram medo de dizer, a turba cresce e se avoluma nos sentimentos mais pobres, tenebrosos, ridículos, deselegantes, desumanos, desrespeitosos, violentos e egoístas. E tudo isso em nome de Deus, pelo menos é que estes falsos profetas dizem. E no auge, as redes sociais deram forma e coragem para os que preferem se esconder atrás da tecnologia porque sentem vergonha de sempre estarem escondido na própria sombra.

Parece que nesta pandemia, o “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” da CF 2020, se transformou em “Não quis ver, não sentiu nenhuma compaixão e se afastou dele” E muitos cristãos e católicos agiram assim: entraram na onda do ódio, da revolta, da ideologia política, justificando atitudes podres e publicações sem noção e respeito, aliando a isso, pensamentos desumanos, em nome de Deus e da família: rezam nos templos, se colocam como líderes proféticos e ao mesmo tempo destilam ódio e desamor. Se apossam de teorias falsas e mentirosas, fazem escárnio da ciência e de medicina. Sentimentos que até então sempre estiveram ali, guardadinhos em seus corações e agora foram aflorados pela sombra que se foi.

Busca-se sempre a palavra amor para contrapor tudo isso. De fato, quem ama não julga, suporta, se compadece. O egoísta é prepotente, cujo alcance da visão e do coração é ele mesmo, julga o mundo a partir de si, esquecendo-se de que o seu olhar está embaçado pelo pecado e seu coração entupido pela maldade.

Não seria um mundo diferente se houvesse menos voracidade e mais partilha?

Não podemos propor um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns festejam, gastam folgadamente, postam seus feitos em redes sociais, reduzem a sua vida às novidades do consumo, ao mesmo tempo que outros se limitam a olhar de fora enquanto a sua vida e termina miseravelmente?

O próximo não á apenas alguém com que possuímos vínculos, mas todo aquele de quem nos aproximamos. É todo aquele que sofre diante de nós. Não é a lei que estabelece prioridades, mas a compaixão que impulsiona a fazer pelo outro aquilo que é possível, rompendo desta forma a indiferença. A fé leva necessariamente à ação, à fraternidade e à caridade. Não há outro jeito.

Pergunte a si mesmo se o seu coração não endureceu, não se tornou um gelo. A compaixão expressa o zelo aos moldes de Deus: aproximar-se e fazer-se útil ao outro. Servi-lo. Ver, sentir compaixão e cuidar. Uma verdadeira atenção pelos outros, rompimento com a indiferença frente ao sofrimento, verdadeira atenção , romper a indiferença frente ao sofrimento e disponibilidade para o serviço. Somos todos irmãos e irmãs e, por isso, responsáveis uns pelos outros. Assim se define a vida.

Tu choras? Ou perdemos as lágrimas?

**Texto que escrevi inspirado no Santo Evangelho e no livro base da Campanha da Fraternidade de 2020.

Alberto Meneguzzi
Caxias do Sul – RS.

terça-feira, 27 de março de 2018

TRANSPARÊNCIA TOTAL COM OS RECURSOS DA IGREJA



A prisão de um bispo e de vários padres, na Diocese de Formosa em Goiás, por suspeita de desvio de dinheiro, mostra o quão frágil é a administração e a gestão de muitas comunidades.

A suspeita que recai sobre eles é do desvio do dinheiro do dízimo e das contribuições dos fiéis. Algo em torno de R$ 1,5 milhões. Um escândalo. Imagine ao ver uma notícia dessas em programas de grande audiência como o Fantástico, ou Jornal Nacional, como é que as pessoas se "empolgam" para fazer uma doação no dia nacional da coleta, como foi o pedido da Igreja em todo o Brasil no último domingo, em pleno dia de Ramos? Um constrangimento dos maiores. 

No caso específico da Diocese de Formosa em Goiás, a denúncia foi feita por 30 leigos da comunidade. Pelo que fiquei sabendo, primeiro eles fizeram a denúncia para a própria Igreja, que não fez nada. Depois, cansados de ver as falcatruas e ninguém fazer nada, foram até o Ministério Público onde fizeram denuncia oficial. E o resultado final, foi esse: o Bispo e cinco padres tiveram prisão preventiva decretada e ainda estão presos.

Há quem ainda se incomode quando alguém sugere a criação de conselhos financeiros dentro de paróquias, ou até mesmo conselhos fiscais, daqueles que fiscalizam mesmo as contas e toda e qualquer movimentação financeira. É bom lembrar, que os padres não são formados para gestão de negócios, mas sim, para a gestão de pessoas. A Igreja não é um negócio. E nem um padre ou um bispo, ninguém é o dono de uma comunidade. Mas acontece que ser gestor de uma comunidade, é também saber gerir recursos, orçamentos e prestação de contas. Lidar com o dinheiro de todos, é algo muito sério e isso não vale apenas para o setor público. Quando a gente fala da gestão do dinheiro, mesmo dentro da Igreja, é preciso transparência total, em qualquer lugar. Por isso, desde que eu me conheço como liderança pastoral, volta e meia o assunto é esse: "Onde foi parar o dinheiro da festa?" "Onde foi parar o dinheiro do dízimo?".

Não podem existir dúvidas, precisamos falar às claras sobre o dinheiro do dízimo, das festas, das rifas, das ações que a comunidade faz em busca de recursos para fazer frente as suas despesas. Isso é gestão. Uma paróquia é formada por várias pessoas, que trabalham de forma anônima, gratuita, para fazer com que as coisas andem. E a gente precisa deste "bendito" dinheiro para sobreviver. Por causa de dúvidas, de falta de esclarecimento e transparência, muitas pessoas desistem da caminhada de evangelização, se incompatilizam com a própria comunidade. A Igreja mesmo, vendo que precisa melhorar este aspecto, tem publicado documentos onde se fala muito de gestão e da responsabilidade com os recursos da comunidade.

Assim como nos inúmeros conselhos, pastorais, encontros, retiros, reuniões falamos de tantas coisas, de tantos caminhos que podemos ou não seguir, acredito que precisamos falar às claras sobre questões financeiras da comunidade. Qual é o caixa? Que total de recursos temos? Quais as nossas necessidades materiais? Onde é investido o dinheiro da comunidade? Onde está a prestação de contas? Quem fiscaliza? Quem presta contas disso? Como podemos ter acesso a estas informações? Quais são as responsabilidades de cada um? E acontece de não se abrir as contas para ninguém... Não pode ser assim. O caixa de uma comunidade, não pode ficar apenas nas mãos de alguns "donos", que chamam para si todas as responsabilidades e decisões.

Hoje eu sou presidente da Câmara de vereadores de Caxias do Sul. O orçamento por aqui é de quase R$ 40 milhões por ano. Tudo precisa ser feito de forma clara. Eu não assino um documento ou cheque sem saber exatamente o que é, qual a necessidade daquele gasto. Somos auditados pelo tribunal de contas, pela controladoria interna, enfim, precisamos fazer as coisas certas. Mas isso só não basta: precisamos deixa transparente nossas ações para que todos possam ter acesso, afinal de contas, lidamos com dinheiro público. Por isso, continuo defendendo que existam conselhos econômicos em cada comunidade, que sejam idôneos, neutros, que fiscalizem com olhar caridoso tudo aquilo que é da comunidade.

Uma comunidade não pode ser apenas de um padre, de um bispo, de um ecônomo. Precisamos de uma vez por todas, falar sobre estas questões com tranquilidade. Transparência no trato de recursos de uma comunidade, deve ser um assunto rotineiro e não um bicho de sete cabeças. Cuidar disso, é cuidar das pessoas. Fiscalizar, zelar pelo que é da comunidade, é também um ato cristão, evangelizador.

Alberto Meneguzzi
Catequista e Jornalista
Vereador em Caxias do Sul – RS.

sexta-feira, 23 de março de 2018

MÍDIAS DIGITAIS: NOVOS SUJEITOS, NOVOS CATEQUISTAS



Comunicação significa “com – múnus”, aquilo que é compartilhado, ou seja, um dom pessoal ofertado a outro ou um dever de todos para com todos. A comunicação, na sua essência, tem o objetivo de criar comunhão, estabelecer vínculos de relações, promover o bem comum, o serviço e o diálogo. Já aprendemos que o “encontro suscita o anúncio”. Santo Agostinho nos disse: “Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. ”

Eu é isso que eu vejo no Grupo Catequistas em Formação, que atua hoje nas redes sociais e no Blog Catequistas em Formação. Vejo a Igreja agindo por intermédio de leigos catequistas, atingindo pessoas nos cantos mais remotos do país. E é um trabalho feito exclusivamente por LEIGOS, catequistas e agentes de pastoral que assumiram esta missão na Igreja.

Primeiro, teve o encontro, mesmo que virtual. Antes, porém, um objetivo comum, ou seja, a evangelização, porque a Igreja existe para evangelizar. Depois do encontro, o anúncio. Às vezes, pode até parecer que o anúncio não está acontecendo. Mas está, e de forma concreta ele acontece entre nós por aqui. De que forma? Em cada curtida, em cada postagem que é compartilhada, cada comentário, um vídeo que seja visualizado, uma foto, uma frase, um texto, uma provocação, uma reflexão a respeito da nossa missão, a nossa interação uns com os outros, tudo isso transforma o encontro em anúncio. A nossa manifestação, mesmo que tímida - às vezes nem aparece - é, ao mesmo tempo, um recado ao mundo de que nesta imensidão de coisas, de fatos, informações, nesta “loucurada” que se transformou a internet, há também gente disposta a fazer as coisas diferentes.

No marketing se diz: onde existe uma necessidade, existe também uma oportunidade. E esta oportunidade se mostra quando olhamos os números alcançados pelo blog. Mais de QUATRO milhões de visualizações, num blog voltado aos catequistas, é a prova da necessidade de Deus, de uma mensagem mais humana, de caminhos diferentes, de palavras que tocam mais o coração, de transformação da sociedade. Estes quatro milhões de visualizações num blog evangelizador, direcionado para catequistas, organizado por leigos, atualizado por colaboradores; é raro, impensável, é quase para não se acreditar.

A cultura digital que está estabelecida nos dias de hoje, nos desafia a reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Isso significa favorecer a comunhão e a cooperação entre as pessoas. E a Igreja nos pede, que tenhamos uma atenção especial às crianças e aos jovens. Então, estamos no caminho certo, e isso é ótimo. Estamos, também, e isso é louvável, fugindo daquilo que os especialistas em comunicação chamam de “lógica do mercado”, ou seja, tudo aquilo que a gente vê nos veículos de comunicação de massa: monopólio, lucro, modelos distorcidos, busca obsessiva por ouvintes, telespectadores e leitores e com isso, uma despreocupação com a qualidade da programação, com uma comunicação social vulgar e banalizada. Não é isso que temos aqui, não é isso que queremos ao propagar o projeto de Deus através de um blog. Aliás, o que queremos aqui é justamente o contrário da lógica do mercado: formar cristãos capazes de anunciar a palavra e dar voz aos que dela são privados.

Por isso, um número como esse de visualizações, num blog voltado aos catequistas, é um feito a ser comemorado e, ao mesmo tempo, nos desafia a pensar além. Existe uma necessidade bem clara, e a oportunidade de evangelizar, de tocar corações e transformar o mundo, é agora, não pode ser amanhã, não podemos postergar. Somos comunicadores por excelência. A catequese hoje não nos pede que sejamos discípulos, missionários, apóstolos, evangelizadores?  Então, o catequista deve ser um facilitador neste processo, um mediador, um facilitador da comunicação e não um dificultador. O dom do discipulado, é ser comunicador. Estamos imersos num mundo digital, isso não tem volta, não adianta lutar contra. Mas é bom que saibamos e lembremos algo: o anúncio de uma mensagem, seja ela em qual plataforma for, está intimamente ligado e vinculado a um testemunho coerente por parte que de quem anuncia.

Os meios de comunicação, devem servir ao ser humano e isso significa, conhecê-lo e principalmente amá-lo. Com isso, sejamos cada vez mais, novos sujeitos também por intermédio das mídias digitais. Dá sim, para construir amizades autênticas por aqui e transformar este mundo em algo melhor. O nosso grupo, dos Catequistas em Formação, é prova disso.

Alberto Meneguzzi*
Jornalista e Vereador em Caxias do Sul – RS.
* Catequista e Jornalista – Membro do Grupo Catequistas em Formação (www.catequistaemformacao.com)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PROFESSOR OU CATEQUISTA?


Dia 15 de outubro, dia do professor. Um catequizando encontrou seu catequista e tentou ser gentil:
- Parabéns professor pelo seu dia.
- Não sou professor, sou catequista!
- E qual a diferença?
- Muitas.
- Quais?
- Ah, são muitas. O professor dá aula. O catequista não.
- Então porque o senhor faz chamada no início de cada encontro?
- Para controlar a presença de vocês.
- Mas isso se faz em aula também. Lá na escola também controlam a nossa presença.
- Mas é diferente.
- Diferente por quê?
- Diferente...
- Mas se é diferente, porque a gente se matricula na catequese?
- Não é matrícula, é inscrição.
- Mas a coordenadora e o padre falam em matrícula na catequese.
- Mas na catequese é diferente. Aqui não é uma escola.
- Mas se não é escola, porque é que a gente paga taxa de inscrição para fazer catequese?
- É para manter a igreja, com seus serviços e pastorais. E não é taxa, mas sim, uma contribuição.
- Sim, mas o padre e a coordenadora falam taxa. Ouvi eles dizerem isso. Todo mundo pergunta se a gente já pagou a taxa.
- Não é taxa. Tá errado. Não é assim que devemos tratar aquele valor que muitos pais pagam no início do ano. É uma contribuição. Quem não puder não paga.
- Ah...
- Tem muita diferença entre escola e catequese, muita mesmo.
- Mas, se é tão diferente assim, porque usamos caderno e o senhor ainda usa o quadro para se comunicar com a gente? Porque temos que copiar conteúdos?
- Como vocês irão aprender se não for assim? Sim, faço isso, mas é catequese.
- Mas tudo isso a gente também faz na aula.
- Mas é diferente.
- O senhor faz prova também. Lá na escola, é prova toda a hora. Aqui na catequese o senhor também avalia a gente através de prova.
- Mas eu preciso avaliar vocês de alguma forma.
- Mas se não é aula, porque prova?
- Ah menino, já te disse, catequese não é aula. Aula é em escola. Não sou professor, sou catequista.
- Não entendi ainda a diferença...
- Mas tem muitas diferenças...
- Lá na escola a gente também fica numa sala e as cadeiras são colocadas de forma igual ao que acontece aqui na catequese, também tem chamada, quadro, prova. Tudo o que tem aqui tem lá. Não consigo entender a diferença.
- Mas tem diferença, e muita.
- O senhor poderia me explicar quais?
- Já te falei menino, preciso falar de novo?
- Não, obrigado. Mais uma vez, parabéns pelo dia do professor.
- Eu já disse, não sou professor, sou catequista.
- Lá na escola, quando não entendo algo, os professores tentam me explicar até que eu consiga entender. Talvez seja esta a diferença entre o senhor, catequista, e um professor da escola.
- Menino, não seja mal criado. Sou seu catequista.
- É que lá na escola também me obrigam a fazer algumas atividades. Aqui me obrigam a ir à missa.
- É diferente. Escola é uma coisa, catequese é outra.
- Ah, ta! Não vejo tanta diferença assim... o senhor é igualzinho meu professor quando fala...
- Menino, aqui na catequese, estamos tentando te mostrar um outro caminho, que a escola não mostra. São objetivos diferentes.
- E qual é o caminho que o senhor está tentando me ensinar?
- O caminho de Deus.
- O que tem de diferente no caminho de Deus, que o senhor ensina, do caminho que a escola ensina?
- Ah menino, já te expliquei, catequese não é escola. Eu não sou professor. Os nossos encontros não são aulas. E se você continuar me questionando assim, vou chamar seus pais aqui e você não vai poder fazer a crisma.
- Vai me expulsar porque eu te questiono?
- Vou.
- Lá na escola eles também chamam os pais para expulsar os alunos. Pensei que na catequese fosse diferente.


Alberto Meneguzzi – 22 de fevereiro de 2013.




- Uma só mesa com cadeiras a sua volta;
- Canto com ambão da Palavra, água benta, flores, vela acesa, imagem ou cruz.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FRANGO ASSADO E POLENTA FRITA!


Aqui perto da minha casa, tem um vendedor de “Frango assado e polenta frita”. Ele fica em frente ao seu bar, gritando para todo mundo:
- “Frango assado e polenta frita!”. “Frango assado e polenta frita!”.
E grita, grita, grita. Incansável na sua estratégia de venda. E todo é domingo assim. 

Até que um dia, já fez tempo, que eu me interessei pelo “frango assado e polenta frita.” Fui até o local, e o cara estava lá, gritando: “Frango assado e polenta frita!”. Pedi o tal do frango. Eis que o cara me respondeu: “Não tem mais, todos já estão reservados.”  Fiquei surpreso, pois o cara continuava anunciando o produto, em voz alta, e todos os “frangos e as polentas fritas” já estavam reservadas para outros clientes, ou seja, não havia mais nada para oferecer, mas ele continuava anunciando!

A relação que quero fazer com o trabalho na catequese pode até ser tosca, mas é necessária. Nós catequistas ficamos um bom tempo anunciando as maravilhas do reino de Deus para nossas crianças e jovens. Empenhamo-nos em organizar encontros semanais, palestras, retiros, celebrações e, como o vendedor de frango assado e polenta frita faz, nós anunciamos algo. Mas se daqui a pouco, algumas dessas crianças e jovens são tocadas pelo nosso anúncio, sentindo-se atraídas pelo que falamos e pelo projeto de Deus? E se uma ou outra diz “Eu quero seguir este caminho que você, catequista, está me anunciando. Como eu faço para prosseguir?” E aí, o que temos para oferecer? Grupos de encontros, estudo bíblicos, grupos de jovens, retiros, missas, o que temos para oferecer de fato para os nossos “catequizandos” caso eles queiram continuar a caminhada pós-catequese que seja diferente de tudo que eles viveram no tempo da catequese?

A maioria das paróquias não tem nada para oferecer. E convenhamos: gritamos, gritamos, gritamos, e quando alguém nos procura, ficamos atônitos sem saber o que dizer e qual caminho indicar. Em outros casos, o que temos para oferecer não tem atração alguma: não empolga, não atrai, e não é diferente o suficiente de outros tantos atrativos que existem por aí.  

É por isso que quando surgem estas novidades tecnológicas como um simples “Pokémon go”, que viram “febre” entre jovens e crianças, muito por causa da propaganda e da mídia, nós adultos nos desesperamos e começamos a demonizar, criticar, achar problemas e a dizer “aonde este mundo vai parar”.  .

O joguinho que está sendo tão debatido é um tanto infantil, apesar de atrair muitos adultos, e usa a lógica do bem contra o mal. O aplicativo usa arquivos  de localização do Google e o GPS e a câmera do celular. Pela localização geográfica ele coloca os bichinhos, que estão sendo caçados, em vários lugares da cidade. E aí, começa a luta para capturá-los e com isso tornar-se um “mestre Pokémon”. Para caçar, é preciso se movimentar, sair de onde está, caminhar por aí, disputar com outros amigos a caça, enfim, é isso que tem atraído parte da nossa juventude e muitos adultos.

Aqui em Caxias do Sul tem “bichinhos” para serem caçados na Igreja que fica bem pertinho da minha casa. A paróquia, onde estão os “tais” bichinhos, não tem Grupo de Jovens e desconheço qualquer atividade da comunidade para atraí-los a participar da Igreja.  Mas os “bichinhos” estão lá, sendo caçados.

E sejamos sinceros: é assim mesmo, na maioria das comunidades. Para muitas lideranças o jovem é um estorvo. A catequese geralmente não trabalha em sintonia com os jovens da comunidade. A maioria dos catequistas não são jovens e a Igreja vive dizendo que  ele é prioridade.  Hoje, o que mais tem atraído o jovem para a Igreja é a Renovação Carismática, com sua música, sua comunicação e ousadia. Eu não sou carismático, mas respeito e admiro, pois conspira para o bem.  Outros movimentos e pastorais também tentam, mas muitos precisam nadar contra a maré para conseguir espaços e apoios de outras tantas pastorais para que seus projetos vinguem.

Até quando vamos continuar gritando “Frango assado e polenta frita”, sendo que não há mais frangos e nem polentas? Até quando vamos ficar sempre atirando pedras em tudo o que é novidade tecnológica que atraia os jovens, sem que façamos uma análise real do que estamos fazendo de fato, para atraí-los? Até quando os “outros” serão sempre os culpados, e não nós, que nos dizemos “evangelizadores e missionários”?
               
Aos 17 anos, fui “caçado” num lugar específico, com um objetivo específico, com um encontro muito bem organizado por alguém que sabia exatamente o que queria fazer. Por isso, organizou um encontro impecável para me fisgar e também outros jovens. Eu nunca mais saí. Fiquei porque fui atraído. E hoje, o que fazemos para atrair, para “caçar” outros jovens, quando eles chegam a nossa catequese em busca de “algo mais”? Só os encontros semanais?

As grandes empresas de entretenimento e games estão estudando os hábitos e gostos da nossa Juventude. Sabem tudo a respeito deles. Desenvolvendo jogos atrativos e interessantes. E nós, na Igreja, estamos querendo que eles acordem às 08h da manhã  de domingo, para ir à missa, algo que eles nem entendem e sabem por que vão...

Alberto Meneguzzi
Catequista e Jornalista

domingo, 17 de julho de 2016

MÍDIAS DIGITAIS: NOVOS SUJEITOS, NOVOS CATEQUISTAS



Comunicação significa “com – múnus”, aquilo que é compartilhado, ou seja, um dom pessoal ofertado a outro ou um dever de todos para com todos. A comunicação, na sua essência, tem o objetivo de criar comunhão, estabelecer vínculos de relações, promover o bem comum, o serviço e o diálogo. Já aprendemos que o “encontro suscita o anúncio”. Santo Agostinho nos disse: “Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. ”

Eu pergunto: não tem sido isso, o que estamos fazendo por aqui, através do Grupo de Facebook e através do Blog Catequistas em Formação? Primeiro, teve o encontro, mesmo que virtual. Antes, porém, um objetivo comum, ou seja, a evangelização, porque a Igreja existe para evangelizar. Depois do encontro, o anúncio. Às vezes, pode até parecer que o anúncio não está acontecendo. Mas está, e de forma concreta ele acontece entre nós por aqui. De que forma? Em cada curtida, em cada postagem que é compartilhada, cada comentário, um vídeo que seja visualizado, uma foto, uma frase, um texto, uma provocação, uma reflexão a respeito da nossa missão, a nossa interação uns com os outros, tudo isso transforma o encontro em anúncio. A nossa manifestação, mesmo que tímida, às vezes nem aparece, é, ao mesmo tempo, um recado ao mundo de que nesta imensidão de coisas, de fatos, informações, nesta “loucurada” que se transformou a internet, há também gente disposta a fazer as coisas diferentes.

No marketing se diz: onde existe uma necessidade, existe também uma oportunidade. Um milhão de visualizações num blog voltado aos catequistas é a prova da necessidade, de Deus, de uma mensagem mais uma humana, de caminhos diferentes, de palavras que tocam mais o coração, de transformação da sociedade. Um milhão de visualizações num blog evangelizador, direcionados para catequistas, organizado por leigos, atualizado por colaboradores? Isso, gente, é raro, impensável, é quase de não acreditar.

A cultura digital que está estabelecida nos dias de hoje, nos desafia a reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Isso significa favorecer a comunhão e a cooperação entre as pessoas. E a Igreja nos pede, que tenhamos uma atenção especial às crianças e aos jovens. Então, estamos no caminho certo, e isso é ótimo. Estamos, também, e isso é louvável, fugindo daquilo que os especialistas em comunicação chamam de “lógica do mercado”, ou seja, tudo aquilo que a gente vê nos veículos de comunicação de massa: monopólio, lucro, modelos distorcidos, busca obsessiva por ouvintes, telespectadores e leitores e com isso, uma despreocupação com a qualidade da programação, com uma comunicação social vulgar e banalizada. Não é isso que temos aqui, não é isso que queremos ao propagar o projeto de Deus através de um blog. Aliás, o que queremos aqui é justamente o contrário da lógica do mercado: formar cristãos capazes de anunciar a palavra e dar voz aos que dela são privados.

Por isso, um número como como esse de um milhão de visualizações num blog voltado aos catequistas, é um feito a ser comemorado e, ao mesmo tempo, nos desafia a pensar além.  Existe uma necessidade bem clara, e a oportunidade de evangelizar, de tocar corações e transformar o mundo, é agora, não pode ser amanhã, não podemos postergar. Somos comunicadores por excelência. A catequese hoje não nos pede que sejamos discípulos, missionários, apóstolos, evangelizadores?  Então, o catequista deve ser um facilitador neste processo, um mediador, um facilitador da comunicação e não um dificultador. O dom do discipulado, é ser comunicador. Estamos imersos num mundo digital, isso não tem volta, não adianta lutar contra. Mas é bom que saibamos e lembremos algo: o anuncio de uma mensagem, seja ela em qual plataforma for, está intimamente ligado e vinculado a um testemunho coerente por parte que de quem anuncia.

Os meios de comunicação, devem servir ao humano e isso significa, conhece-lo e principalmente amá-lo. Com isso, sejamos cada vez mais, novos sujeitos através das mídias digitais. Dá sim, para construir amizades autênticas por aqui e transformar este mundo em algo melhor. O nosso grupo, dos Catequistas em Formação, é um pouco, a prova disso.

Alberto Meneguzzi.

domingo, 22 de maio de 2016

SEM MOTIVAÇÃO, O CATEQUISTA É NADA!

Não tem como falhar uma missão que tem um catequista motivado.


A catequese não é algo que podemos mensurar de forma matemática. Não dá para dizer "este ano ela não deu resultados por causa disso, disso e daquilo". Não dá para medir o que é êxito ou fracasso quando o assunto analisado é a catequese.  Ela não tem medida concreta para uma análise deste tipo.

A matemática do êxito do trabalho de um catequista está na medida exata da sua motivação. O coração do catequista é o melhor parâmetro de análise e resultados. A fórmula é simples: catequista desmotivado, catequese com problemas. Catequista motivado, catequese com resultados positivos.

Nem todos os catequistas são "preparadíssimos" ou "afinados" para esta missão com conteúdo, técnicas e dinâmicas das mais diversas. Nem sempre possuem respostas para as inúmeras indagações que são apresentadas durante o período de catequese. Mas motivação é algo que jamais pode faltar. A catequese não pode abrir mão de catequistas motivados e motivação não é algo que se aprende em algum curso de formação, retiros ou em algum curso de especialização em teologia. Motivação está na essência e no encantamento por Jesus, algo que todo catequista precisa ter quando aceita o desafio da catequese.

Não tem como falhar uma missão que tem nela um catequista motivado.
Não tem como não dar certo algo que um catequista faz com alegria.
Não tem como não ter efeito uma tarefa em que o catequista acredita, se empenha, luta e demonstra o encantamento pelo projeto de Jesus.

Motivação é fundamental na catequese. Sem ela, nada flui, as coisas não andam como deveriam andar e os problemas se tornam fardos, barreiras intransponíveis.
O documento de Aparecida pede entre tantas coisas, espírito e impulso missionário e diz: "Não podemos ser acomodados, omissos, negligentes. É hora de converter-nos do comodismo, apatia, sacramentalização e burocracia. A igreja precisa de uma comoção missionária, uma mexida forte".  E como fazer uma mexida forte, deixando o comodismo de lado, se o que existe é desânimo?

Não espere pelo padre. Não espere que o seu coordenador lhe dê a fórmula ou quem algum "teólogo" especialista nisso ou naquilo lhe entregue de "mão beijada" a indicação do caminho exato que deve ser seguido. Não existem fórmulas mágicas para uma catequese ter êxito. O resultado do que plantamos nas nossas ações como catequistas está diretamente ligado a nossa motivação. Se acreditarmos que o projeto de Cristo é o melhor, não tem alternativa a não ser dividir esta descoberta. Se não dividirmos, que sentido isso têm? Uma fé egoísta, individual, guardada a sete chaves, não tem efeito. E se dividimos e nos propomos a fazer com que mais pessoas sintam os efeitos desta descoberta, é preciso fazer isso com motivação!

Não se mede o sucesso da catequese pela quantidade de vezes que os catequizandos frequentam a missa ou pelo que eles sabem ou não dos conteúdos passados ao longo de muitos anos. Isso não significa, necessariamente, êxito nem fracasso.

Terrível, neste contexto, não é ver pais desinteressados ou jovens e crianças querendo ir embora antes do tempo dos encontros de catequese. Horrível e lamentável é enxergar um catequista sem motivação, que só reclama, lamenta, vive aborrecido, triste, sente-se incapaz e não consegue visualizar na sua missão uma luz para os outros.

Sem motivação, o catequista é nada e a catequese é nula.

Alberto Meneguzzi

In Missão de Anunciar, Paulinas, 2010, pg. 11