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segunda-feira, 17 de junho de 2024

ESCRUTINIOS E EXORCISMO NA CATEQUESE DE CRISMA

Olá, Catequistas!

Recebi algumas perguntas a respeito dos "Escrutínios" na Catequese de Crisma.

Os escrutínios são celebrações pertinentes à catequese de Iniciação à Vida Cristã com adultos, no entanto, com a adaptação de vários ritos na catequese de crianças e adolescentes, muitos catequistas se perguntam o que fazer a respeito do Exorcismos e Escrutínios.

Vamos à fonte! O RICA – Ritual da Iniciação Cristã de adultos:

O que encontramos no RICA a respeito dos Exorcismos chama-se:

RITO DO EXORCISMO MENOR OU PRIMEIRO EXORCISMOS (RICA 109-118)

Conforme o RICA 109, Os Exorcismos Menores são celebrados pelo sacerdote ou pelo diácono, ou até por um catequista digno e competente, autorizado pelo Bispo para realizar este ministério. Quem preside a celebração, estendendo a mão sobre os catecúmenos inclinados ou ajoelhados, diz uma das orações indicadas nos n° 113-118.

Estes exorcismos serão feitos numa igreja ou capela ou na sede do catecumenado (salas), dentro de uma celebração da palavra de Deus; ou ainda, se for oportuno, no princípio ou no fim das reuniões de catequese; ou até, por motivos especiais, em particular a cada um dos catecúmenos (RICA 110).

O RICA apresenta duas proposta de ritos do exorcismo. Os Primeiros Exorcismos e os Escrutínios. O RICA chama de “exorcismo” algo diferente da conotação que essa palavra tem no imaginário das pessoas. São orações pedindo a proteção de Deus, força para resistir ao mal e às tentações, ou seja, a expressão exorcismo é aplicada de forma bem típica desse processo de iniciação, não são ritos assustafores, são orações dentro das celebrações que pedem a libertação de todo mal.

As duas propostas carregam o mesmo sentido, a diferença é que os “Primeiros exorcismos”, como o nome diz, são os primeiros e podem ser celebrados em qualquer época do processo de catequese, mesmo junto com o Rito de acolhida dos iniciantes ou junto com a entrega do Pai Nosso, por exemplo.

Já os três Escrutínios que o RICA apresenta, saõ orações de exorcismos de caráter purificador para a Quaresma. Os exorcismos da Quaresma pedem a libertação das conseguencias do pecado e da influência maligna, para que os catecúmenos sejam fortalecidos em seu caminho espiritual e abram o coração para os dons do Senhor (RICA, 156). Como se vê este rito deve ocorrer na Quaresma, com as leituras do ciclo do Ano A e se adequam mais aos adultos. Eles fazem parte do Tempo da Purificação e Iluminação que antecede a recepção dos sacramentos. Sendo a Crisma de adolescentes uma celebração que pode acontecer em várias datas do ano, dependendo a agenda do Bispo, não convém que se faça com os adolescentes, mesmo porque, a vasta maioria não é catecúmeno (não batizado).

Outrossim, o catequista pode adaptar o Rito dos Primeiros Exorcismos, descritos acima, em qualquer época do ano ou mesmo próximo a recepção do sacramento.

Sugestão de Roteiro

O roteiro abaixo é do Rito dos Primeiros Exorcismos que podem ser feitos dentro de uma celebração em qualquer época do ano ou do processo de catequese.

Essa sugestão busca fazer com que os pais e padrinhos, tenham uma participação efetiva no rito, mas, o catequista, pode usar de sua criatividade (e bom senso, para não fugir da proposta do rito). Converse com o padre e a equipe de liturgia e veja qual é a melhor maneira para celebrar com a comunidade.

Recomendações para antes da celebração em que ocorre o rito do Exorcismo Menor ou Primeiro Exorcismo:

- Consulte o RICA 109-118.Leia atentamente o Rito e procure tirar qualquer dúvida com o padre.

- Combine tudo com a equipe responsável pela liturgia da celebração.

- Reúna-se com os catequizandos e seus familiares; avise pais e padrinhos sobre a importância de presenciarem o Rito. Se possível reúna-os numa data antes do Rito, explique o que vai acontecer durante a celebração. Repasse com eles os gestos e participação deles nos rito.

RITO DO EXORCISMO MENOR – 1ª OPÇÃO:

Nessa celebração os catequizandos podem participar da Procissão de entrada ou da entrada da Bíblia, levando velas acessas. Combinar com a equipe de liturgia. A celebração prossegue como de costume até a Homilia. Os catequizandos são chamados para a frente e ajoelham-se em frente de quem preside, pondo-se de joelhos.

Animador: Queridos catequizandos, queiram aproximar-se do altar para a oração que será feita sobre vocês. Essa oração quer nos lembrar do dever de nos afastarmos de todo mal e ao mesmo tempo pedir a proteção de Deus contra as tentações desta vida. Fiquemos de joelhos.

Presidente: Oremos irmãos e irmãs por estes iniciandos.

Enquanto a assembleia ora em silêncio, quem preside impõe as mãos sobre cada iniciando (se forem muitos, impõe sobre todos ao mesmo tempo) e diz a oração:

Oremos. Deus eterno e omnipotente, que por meio de vosso Filho Unigénito nos prometestes o Espírito Santo, atendei à oração que Vos dirigimos por estes catecúmenos que em Vós confiam. Afastai deles todo o espírito do mal, todo o erro e todo o pecado, para que possam tornar-se templos do Espírito Santo. Fazei que a palavra que procede da nossa fé não seja dita em vão, mas confirmai-a com aquele poder e graça com que o vosso Filho Unigênito libertou do mal este mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. (RICA 113).

Todos: Amém.

A Celebração prossegue como de costume com o Creio ou a Oração dos fiéis.

RITO DO EXORCISMO MENOR – 2ª OPÇÃO:

Nessa celebração os catequizandos podem participar da Procissão de entrada ou da entrada da Bíblia, levando velas acessas. Combine com a equipe de Liturgia. A celebração segue como de costume até o Rito da Comunhão, incluindo a Oração do pai Nosso. O presidente depois do Pai Nosso, ao invés de seguir com o “Livrai-nos de todos os males, ó Pai”, segue ara o Rito do Exorcismo menor. Os catequizandos são chamados para a frente e ajoelham-se em frente de quem preside, pondo-se de joelhos,

Animador: Queridos catequizandos, queiram aproximar-se do altar para a oração que será feita sobre vocês. Essa oração quer nos lembrar do dever de nos afastarmos de todo mal e ao mesmo tempo pedir a proteção de Deus contra as tentações desta vida. Fiquemos de joelhos.

Presidente: Oremos irmãos e irmãs por estes iniciandos.

Enquanto a assembleia ora em silêncio, quem preside impõe as mãos sobre cada iniciando (se forem muitos, impõe sobre todos ao mesmo tempo) e diz a oração:

Oremos: Deus todo poderoso e eterno que nos prometestes o Espírito santo por meio de Vosso Filho Unigênito, atendei a oração que vos dirigimos por estes iniciandos que em vós confiam. Afastei deles todo o espírito do mal, todo o erro e todo o pecado, para que possam torna-se templo do Espírito Santo. Fazei que a palavra que procede da nossa fé não seja dita em vão, mas confirmai-a com o poder e a graça com que o Vosso Filho libertou do mal este mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

A Celebração prossegue como de costume com o convite a saudação da paz.

Nos números 114-118 do RICA há outras sugestões de Oração de exorcismo.

(118) Oremos. Senhor nosso Deus, que sabeis ler no íntimo dos corações e recompensar todas as nossas obras, olhai com bondade para os esforços e progressos destes vossos servos. Tornai-os firmes no seu caminho, aumentai a sua fé, aceitai a sua penitência, e abri-lhes largamente as portas da vossa justiça e da vossa bondade, para poderem participar dos vossos sacramentos na terra e viverem em vossa companhia no céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Todos: Amém.


Ângela Rocha – Catequista
Graduada em Teologia pela PUCPR.

 whats: (041) 99747-0348





sábado, 18 de maio de 2024

VEM ESPÍRITO SANTO, VEM!!


ROTEIRO DE ENCONTRO - PENTECOSTES
Catequese de Crisma
(Atos dos Apóstolos 1, 1-11)

AMBIENTAÇÃO: Mesa coberta com toalha vermelha. Círio pascal, pequenas velas (aquelas bem fininhas que não pingam). Uma pomba e as sete labaredas dos dons do espírito. Uma jarra com água. Uma pequena jarrinha com óleo bento (dos catecúmenos ou óleo abençoado pelo padre). Pode ser trazido também um ventilador para mostrar o vento. A bíblia (se for possível num ambão).

Iniciando o encontro: Distribuir as pequenas velas entre os presentes e acender o Círio. Pedir a cada um que, em fila, acendam a vela e retornem aos seu lugares ( A chama também pode ser passada de um para o outro).

- Fazer a leitura do “Texto de apoio”.

- Convidar a todos para fazer a oração do Espírito Santo.

Rezemos juntos:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra! Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre de Sua consolação, por Cristo, Senhor Nosso. Amém!

- Fazer uma pequena introdução falando sobre a ação do Espírito Santo em nossos corações e na responsabilidade que Jesus nos deu de espalhar a sua Luz (palavra) pelo mundo. Em seguida pedir a cada um que espontaneamente ofereça essa luz a alguém que está precisando, uma família ou a alguém doente, etc.

LEITURA: Atos dos apóstolos, 1, 1-11.

Partilha: Refletir sobre o significado das palavras de Jesus:

Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a região da Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.”

Esse poder e essa responsabilidade são dados a cada um dos cristãos. Todos somos enviados a espalhar a palavra pelo mundo. Incentivar os presentes a darem sua contribuição.

DE ONDE VEM O NOME “ESPÍRITO SANTO” (ORIGEM)?

Segundo o CIgC (691 a 693), Espírito Santo, é o nome próprio daquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja recebeu este nome do Senhor e professa-o no Batismo dos seus novos filhos (Mt 28, 19).

O termo “Espírito” traduz o termo hebraico “Ruah” que, na sua primeira acepção, significa sopro, ar, vento. Jesus utiliza precisamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a novidade transcendente d'Aquele que é pessoalmente o Sopro de Deus, o Espírito divino (Jo 3, 5-8). Por outro lado, Espírito e Santo são atributos divinos comuns às três Pessoas divinas. Mas, juntando os dois termos, a Escritura, a Liturgia e a linguagem teológica designam a Pessoa inefável do Espírito Santo. Não se pode confundir com os outros empregos dos termos “espírito” e “santo”.

Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chamou-o de “Paráclito”, que é “aquele que é chamado para junto” (Jo 14, 16. 26; 15, 26; 16, 7). Paráclito traduz-se habitualmente por “Consolador”, sendo Jesus o primeiro consolador (1Jo 2). O próprio Senhor chama ao Espírito Santo o “Espírito da verdade” (Jo 16, 13).

Além do seu nome próprio, que é o mais empregado nos Atos dos Apóstolos e nas epístolas, encontramos em São Paulo as designações: Espírito da promessa (Gl 3, 14; Ef 1,13); espírito de adoção (Rm 8, 15: Gl 4, 6); Espírito de Cristo (Rm 8, 9); Espírito do Senhor (2 Cor 3, 17); Espírito de Deus (Rm 8, 9. 14; 15, 19; 1 Cor 6, 11; 7, 40); em São Pedro, Espírito de glória (1 Pe 4, 14).

Falar sobre os símbolos do Espírito Santo: a água, o fogo, a pomba, o vento e o óleo, ETC. (ANEXO 1).

Observações: Para enriquecer o encontro é necessário que se faça algumas leituras prévias sobre o Pentecostes (a vinda do Espírito Santo em Atos 2, 1-13). Também Recomendo que se leia sobre os símbolos no Catecismo da Igreja católica a partir do item 694.

ENVIO: Enfatizar que com o óleo são ungidos os escolhidos de Deus. Por isso o símbolo maior do sacramento do crisma é o óleo ou unção. (CIgC 694 a 701).

- Fazer uma pequena cerimônia fazendo com o óleo uma cruz na mão direita de cada um dizendo: “Eu te envio em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Aceita esta missão?”.

Convidar a todos para rezar o Pai Nosso e despedir-se com carinho.

TEXTOS DE APOIO:

O ESPÍRITO SANTO DA FÉ E DA ESPERANÇA

O Mestre morrera... Medo e incerteza assolavam o coração e a mente. Aquele que viera cumprir o que os profetas disseram havia partido.

Não restara um “Reino” a ser desfrutado. O Rei estava morto. Fora condenado, surrado e sofrera na carne o que nenhum ser humano suportaria sofrer.

Sim, ele ressuscitara. Aparecera diversas vezes a eles naqueles dias. Mas, o que o Mestre quereria deles?

Estavam fracos, abatidos sem a sua presença, escondidos e com medo de falar Dele. Pessoas os procuravam querendo consolo. Consolo que mesmo eles, mesmo na presença de Maria, mãe e força para todos, não estavam tendo.

Quando é que o Senhor devolveria o Reino aos filhos de Israel? Quando eles deixariam de ter medo e teriam certeza de que Deus estava mesmo com eles?

Então veio a promessa! Ele os faria forte e derramaria sobre eles o dom do Seu Espírito. O Espírito Santo de Deus que tudo pode e fortalece.

E no 50º dia, um vento forte abriu as janelas do cenáculo e o ar circulou envolvendo a todos, línguas de fogo se espalharam e cada um dos que estavam presentes foi tocado. Imediatamente eles se viram cheios de sabedoria e podiam falar em todas as línguas.

Jesus cumprira a promessa: o Espírito Santo estava com eles. Pedro lembra o Profeta Joel:
“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar”. (Joel 2, 28-32).

Deus derramará seu espírito sobre todos. Seus filhos e filhas anunciarão a sua mensagem, os jovens terão visões e os velhos sonharão. Até os servos e servas serão tocados por Ele e anunciarão suas palavras. No céus aparecerão coisas espantosas e na terra haverá milagres. E no fim, quando vier o glorioso Dia do Senhor, todos que pediram ajuda do Senhor serão salvos.

A partir daquele momento os apóstolos passaram a fazer muitos milagres e maravilhas e todos se admiravam. Os cristãos se uniram e passaram a repartir uns com os outros tudo o que tinham...

Essa é a mensagem. O Espírito Santo se derrama sobre nós. Esse é o pedido de Jesus: Espalhemos a sua palavra sem medo. Façamos de nossa vida uma partilha.

Ângela Rocha
Catequista – Graduada em Teologia pela PUCPR

ANEXO 1:

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIgC)

A ÁGUA

O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela se torna o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água batismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, “batizados num só Espírito”, “a todos nos foi dado beber de um único Espírito” (1Cor 12, 13): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Água viva que brota de Cristo crucificado (Jo 19, 34; 1 Jo 5, 8.) como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna (Jo 4, 10-14; 7, 38: Ex 17, 1-6: Is 55, 1; Zc 14, 8: 1 Cor 10, 4. Ap 21, 6; 22, 17.). (CIgC 694).

A UNÇÃO (ÓLEO)

O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinônimo (1 Jo 2, 20. 27; 2 Cor 1, 21.). Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama “Crismação”. Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo (“Messias” em hebraico) significa “ungido” pelo Espírito de Deus. Houve “ungidos” do Senhor na antiga Aliança (Ex 30, 22-32), sobretudo o rei David (1Sm 16, 13.). Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente “ungida pelo Espírito Santo”. Jesus é constituído “Cristo” pelo Espírito Santo (Lc 4, 18-19; Is 61, 1). A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo quando do seu nascimento (Lc 2, 11) e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor (Lc 2, 26-27). É Ele que enche Cristo (Lc 4, 1) e cujo poder emana de Cristo nos seus atos de cura e salvamento (Lc 6, 19; 8, 46). Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos (Rm 1, 4; 8, 11). Então, plenamente constituído “Cristo” na sua humanidade vencedora da morte (At 2, 36), Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que “os santos” constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o “homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo” (Ef 4, 13), “o Cristo total”, para empregar a expressão de Santo Agostinho (Santo Agostinho, Sermão 341, 1, 1: PL 39, 1493: Ibid. 9, 11: PL 39. 1499.). (CIgC 695)

O FOGO

Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo. O profeta Elias, que “apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente” (Sir 48, 1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo (1 Rs 18, 38-39), figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Batista, que “irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias” (Lc 1, 17), anuncia Cristo como Aquele que “há-de batizar no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: “Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!” (Lc 12, 49). É sob a forma de línguas, “uma espécie de línguas de fogo”, que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si (Act 2, 3-4.). A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo (São João da Cruz, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213. [ID., Chama vida de amor: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 829-957)].). “Não apagueis o Espírito!” (1 Ts 5, 19). (CIgC 696)

A NUVEM E A LUZ

Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai (Ex 24, 15-18), na tenda da reunião (Ex 33, 9-10) e durante a marcha pelo deserto (Ex 40, 36-38; 1 Cor 10, 1-2); a Salomão, aquando da dedicação do templo (1 Rs 8, 10-12). Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre “com a sua sombra”, para que conceba e dê à luz Jesus (Lc 1, 35). No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!" (Lc 9, 35). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão (At 1, 9.) e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda (Lc 21, 27). (CIgC 697)

O SELO

É um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que “Deus marcou com o seu selo” (Jo 6, 27) e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo (2 Cor 1, 22; Ef 1, 13; 4, 30). Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo (sphragis: selo, impressão de um selo) foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o caráter indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos. (CIgC 698)

A MÃO

É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes (Mc 6, 5; 8, 23) e abençoa as crianças (Mc 10. 16). O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome (Mc 16, 18; At 5, 12; 14, 3). Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado (At 8, 17-19; 13, 3; 19, 6). A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos “artigos fundamentais” do seu ensino (Heb 6, 2). Este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais. (CIgC 699)

O DEDO

“É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demônios” (Lc 11, 20). Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra “pelo dedo de Deus” (Ex 31, 18), a “carta de Cristo”, entregue ao cuidado dos Apóstolos, “é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne” (2Cor 3, 3). O hino “Veni Creator Spiritus” invoca o Espírito Santo como “digitus paternae dexterae”- “Dedo da mão direita do Pai” (Domingo de Pentecostes, Hino das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974), p. 795 e 812. [Liturgia das Horas. vol. II p. 850 e 861. edição da Gráfica de Coimbra, 1999). (CIgC 700).

A POMBA

No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Batismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável (Gn 8, 8-12). Quando Cristo sobe das águas do seu batismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele (Mt 3, 16 e par). O Espírito desce e repousa no coração purificado dos batizados. Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar. O símbolo da pomba para significar o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã. (CIgC 701)

O VENTO*

Este é um símbolo comumente associado ao Espírito Santo, apesar de que, não é listado no CIgC como “símbolo” e sim como origem do “nome”. (cfe CIgC (691 a 693).

Em At 2, 1s, encontramos: “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reu­nidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados”. Esse texto leva à raiz da palavra “espírito”. O espírito alude ao ato de inspirar ou respirar, como se vê pela etimologia da palavra “respiração”.

Por isso, o Espírito de Deus é o sopro ou hálito de Deus, a Ruah Adonai: “O Espírito [ruah] de Deus pairava sobre as água” (Gn 1, 2); “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro [ruah] da vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7). Essa imagem do vento impetuoso é um lembrete de que o Espírito Santo nos devolve e sustenta a vida. O Espírito Santo é como um vento impetuoso, que nos inspira a vida divina.

FONTE:
JOÃO PAULO II. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIgC). O Espírito Santo - A Profissão da fé, segunda seção, capítulo terceiro, parágrafos 691 a 701.São Paulo: Edição típica Vaticana, Loyola, 2000.

Este e outros encontros você encontra em nossas apostilas:
Catequese Crismal - Vol I, Vol II e III


PEDIDOS: WHATS 41 99747-0348




terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

POR QUE CRISMAR?

 

Esta é uma pergunta que nós, catequistas, podemos ter uma certa dificuldade para responder. Principalmente se algum adolescente perguntar. As respostas vão usar, com certeza, as palavras: amadurecimento da fé, compromisso, aprofundamento... Tudo que o adolescente não está preparado para fazer.

A verdade é que nossos crismados não permanecem na Igreja e se enganjam em algum serviço pastoral. Isso daria uma boa resposta aliás... A resposta ao seguimento é, com certeza, a evangelização. Integral e não "meia boca". 

Isso porque evangelizar não é só instruir, é preciso conversão e seguimento. E o seguimento e o discipulado só acontecem quando a pessoa está EVANGELIZADA, Esta é a “matemática” da coisa:

Anúncio/conversão + catequese = Seguimento = EVANGELIZAÇÃO.

Catequese sem anúncio e conversação é só mais uma "escolinha" que eles frequentam. Só isso não leva ao discipulado. Lembram do que Jesus disse: “Vinde e vede!”. Mas, o jovem quer saber para onde e ver o que...

Penso que toda a catequese "de crisma" precisa ser repensada dentro do processo de Iniciação à vida cristã, e com urgência! Do contrário, estamos perdendo nosso tempo e energia com algo que não está levando a lugar algum. E não vem com esse papo de "um dia eles voltam" porque a gente sabe que isso não acontece de verdade.

Os pais "ausentes" das nossas crianças que o digam. Não é mesmo? Então, o que fazer?

Uma das muitas opções é restaurar os sacramentos da iniciação a sua devida ordem: batismo, confirmação, eucaristia. Se a crisma ou Confirmação ocorre em primeiro lugar, a catequese coloca realmente a ênfase na Eucaristia, como sendo aquilo que completa os sacramentos da iniciação. No entanto, essa sequência para receber os sacramentos coloca por terra algumas teologias que descrevem a Confirmação como um rito de passagem para a idade adulta. Ou seja, o “sacramento da maturidade”, que bem sabemos, elas nossas experiências, que não é o caso.

 

Ângela Rocha – Graduada em Teologia ela PUCPR

Catequistas em Formação



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

ROTEIRO DE ENCONTRO: CRISMA


PRIMEIRO ENCONTRO DE CATEQUESE - CRISMA
Seguindo os passos de Jesus
                                                                       
PREPARAR: o catequista durante a semana que antecede o encontro com os catequizandos medita ou contempla o texto Bíblico. Prepara a partilha sobre a semana que passou e o ambiente com mesa, toalha, cruz e vela.  Cadeiras em distribuídas em círculo. Pequenos pés recortados em papel que serão colocados no chão até a mesa.

ACOLHIDA E SILENCIAMENTO: receba todos com alegria, carinho, música. Ao tomarem seus lugares dialogue: como foi a semana, o que aprenderam do Evangelho do domingo que passou, como foi as férias...

APRESENTAÇÃO: Fazer uma conversa com os catequizandos de conhecimento um dos outros. Fazer apresentação da seguinte forma.

1) Dividir a turma ao meio.
2) Fazer papeis com números, sempre dois números iguais, por exemplo: se a turma tem 12 catequizandos, fazer números de 1 a 6 repetidos (1-1, 2-2, etc).
3) Distribuir os números aos catequizandos e pedir para que encontrem seus pares.
4) Pedir para que conversem um tempinho e depois cada um terá que apresentar o outro para o grupo.
5) Sugestões de perguntas para conhecimento:

Nome:                      Idade:                        Com quem mora:
Onde Estuda:            Que série (ano)           O que gosta de fazer:
Comida preferida:      Pratica esporte:           Estilo de música que gosta:
Uma música:             Uma viagem:              Quem é Jesus para Você:

Catequista: 
Dialogar com os catequizandos sobre como foi a experiência de conhecer o outro, saber do que ele gosta. Como é que a gente faz amigos? Espera ser procurado? Procura amigos?

Agora que nos conhecemos melhor, vamos ver como Jesus conheceu seus amigos de caminhada. Então ouvir a Palavra de Deus, e que ela seja alimento para entendermos os ensinamentos de Jesus .....................

Invoquemos a presença da Santíssima Trindade. E clamemos a presença do Espírito Santo:

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação. Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

LEITURA: Evangelho de Mateus 4, 18 – 22

“Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores.
E disse Jesus: ‘Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens’.
No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.
Indo adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Eles estavam num barco com seu pai, Zebedeu, preparando as suas redes. Jesus os chamou, e eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, o seguiram.”

O catequista continua: Mais a frente Jesus encontrou alguns jovens, eram eles (citar os nomes dos catequizandos): Andrey, Ayumi, Camila, Fernanda, Isabela, Laura Donati, Laura Neves, Luana, Lucas, Marcos, Maria Eduarda, Matheus, Rodrigo.
E termine fazendo a seguinte colocação: Jesus os chamou e todos eles o seguiram. Palavra do Senhor.

REFLEXÃO: Eu particularmente, sempre achei estranha essa coisa de Jesus acabar de conhecer alguém, olhar nos olhos e dizer: Vem e segue-me e esse alguém vai imediatamente. Acho que esta é a forma poética do chamado. Na vida real, imagino um Jesus que senta a beira do mar e puxa um papo, uma prosa. E nesta conversa, fala das coisas da vida, dificuldades, belezas, esperanças, sonhos. E isso faz brilhar os olhos dos discípulos, de tal maneira, que quando o convite vem, a resposta vem direto do coração: Sim. Isso tem muito haver com o caminhar nesta fase de preparação para a Crisma, aqui estamos para compartilhar a vida, nossas experiências e principalmente para conhecer e se apaixonar por Jesus Cristo.

Incentivar a partilha...
  
MEDITAÇÃO: (música – sugestão: Instrumental)
Catequista: Faça agora sua oração pessoal a Deus. Peça a Jesus, que está aqui nesse momento, pois onde dois ou mais estiverem reunidos falando em nome de Jesus, Ele está presente. Então, aproveitem esse momento para bater um papo com Jesus. Quais marcas Jesus já deixou em você .... Conversem sobre a sua vida, dificuldades, sonhos....  Reflita e converse sobre questões existenciais: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? O que desejo para mim? Quem é Jesus para você? Você se considera um jovem feliz? Sintam em seu coração a presença de Jesus. Deixe Jesus fazer morada em seu coração e converse com Ele no seu íntimo .....
(o catequista dê um tempo para orar).

ORAÇÃO CONDUZIDA: após um tempo, com voz calma e serena diga: 
Rezemos juntos (pedir para os catequizandos pegarem os pezinhos que estão no caminho): 
Jesus, divino Mestre, nós vos adoramos, Filho muito amado do Pai, caminho único para chegarmos a ele. Nós vos louvamos e agradecemos, porque sois o exemplo que devemos seguir. Com simplicidade queremos aprender de vós o modo de ver, julgar e agir. Queremos ser atraídos por vós, para que, caminhando nas vossas pegadas, possamos viver dia a dia a vontade do Pai. Aumentai nossa esperança, impulsionando plenamente o nosso ser e o nosso agir. Amém.

FINAL

Antes de se despedir dos catequizandos, orientá-los para não deixar de participar da missa na comunidade no final de semana, pois é nela que encontramos Jesus vivo e podemos encher nosso coração de amor verdadeiro, para fazer a vontade de Deus.

Estivemos reunidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Catequista Giuliano William Neves
Paróquia São José Operário - Maringá PR



quarta-feira, 4 de setembro de 2019

OS DONS DO ESPÍRITO SANTO: ORIGEM BÍBLICA


Encontramos na profecia messiânica de Isaías, escrita cerca de 700 anos antes de Jesus, a origem dos “dons do Espírito Santo”. Isaías utiliza a figura de Jessé, como tronco de uma árvore quase seca, para anunciar a esperança do Ungido de Deus. Jessé era o pai do Rei Davi (1Sm 16, 1-13), da descendência do qual se esperava o Messias. Por isso o Messias também era chamado de “filho de Davi” (Mc 10, 47-48).

Mas Isaías, no contato com os sucessivos “filhos de Davi” no trono de Jerusalém, deu um novo alcance à profecia messiânica: o Messias brotará “do tronco de Jessé”, ou seja, como um “Novo Davi”. O profeta Isaías anuncia que o Messias não viria como continuação de Davi, mas sim como um Novo David!

Depois, o profeta aponta os traços pelos quais este “Novo Davi”, que não vai ser simplesmente um sucessor hereditário de Davi no trono, mas um “Ungido pelo Espírito de Deus”… Deste modo, o profeta anuncia que a Missão do Messias é um dom de Deus e uma iniciativa do Espírito, e não uma conquista das lógicas e esperanças humanas.

A lista de frutos do Espírito de Deus na Vida do Messias foi depois assumida como a lista simbólica dos Dons do Espírito Santo, à qual a teologia católica depois acrescentou a Piedade, de modo a perfazer o número 7, símbolo da plenitude. Os sete dons do Espírito simbolizam a plenitude de Vida a que o Espírito nos conduz por puro dom.

Na Ressurreição de Jesus Cristo aconteceu o dom do Espírito Santo como dom universal da filiação divina. Pela experiência pascal que forma a Igreja, os discípulos reconheceram que o Espírito Santo os animava também a viver como filhos de Deus-Pai ao jeito de Jesus. Animados pela unção do mesmo Espírito, ousaram continuar a sua Missão.

Hoje somos nós! Os reunidos no dia de Pentecostes, hoje, somos nós! Hoje somos nós a quem Deus quer fazer renascer pelo acolhimento do Espírito Santo que é fonte de Sabedoria, Entendimento, Força, Conselho, Conhecimento e Temor do Senhor…

Oh Espírito Santo, Alento de Vida do meu Deus (Gn 2, 7) e Vitalidade de Cristo Ressuscitado em mim (Jo 20, 22), disponho-me a colaborar contigo para a continuação da Missão de Cristo, que é a construção do Reino de Deus.

Cristifica a minha Vida, de modo a que o Evangelho da Graça de Deus seja proclamado nas minhas ações, ainda que discretas, ainda que simples…

Conduz-me à SABEDORIA de Cristo, que é a capacidade que Tu nos dás de “saborearmos a Vida com o próprio paladar de Deus”, ver todas as coisas como Tu as vês e atuar em todas as situações com os critérios da Palavra de Deus…

Revela-me os segredos do ENTENDIMENTO ao jeito de Cristo, que é a maturidade de discernir com sabedoria todos os acontecimentos, estar atento às Tuas inspirações e às mediações da Palavra de Deus que “explicam” a Vida à Tua luz, como um dia Cristo “explicou” a Vida dos discípulos de Emaús à luz da sua Ressurreição…

Inspira-me, Espírito Santo, o dom do CONSELHO, que é a missão de me tornar instrumento Teu e voz da Palavra de Deus para os meus irmãos, não como um fanfarrão que tem respostas para tudo e soluções fáceis, mas como uma pessoa Verdadeira, Calma, Humilde, Amável e Centrada no Essencial, ao jeito de Jesus Cristo…

Dá-me a FORTALEZA de Cristo, que é uma confiança indestrutível na fidelidade de Deus e na bondade humana, capaz de superar os medos, vencer as angústias, ultrapassar as limitações e lutar por causas difíceis que até podem, em alguns casos, exigir-me o dom da própria Vida…

Faz-me chegar ao CONHECIMENTO verdadeiro, que é a compreensão do Sentido da História humana e da minha própria história pessoal à luz do Teu Projeto Salvador revelado e realizado em Cristo, para que da intimidade com os Teus Mistérios nasça em mim a Felicidade e a Bondade que testemunham ao mundo a Boa Notícia da Ressurreição…

Ensina-me o genuíno TEMOR DO SENHOR, que é a consciência de que Deus é maior que eu e não pertence ao mundo das coisas pequenas e passageiras em que muitas vezes o quero aprisionar. Liberta-me de todos os medos e “temores de Deus” que têm a ver com falsas imagens de Deus ou com “falsos respeitos”. Amadurece em mim a compreensão da linguagem bíblica do “Temor do Senhor” que significa que Tu és o “infinitamente Outro”, independente de mim. Por isso, se me amas, é por puro dom, por Graça! Se me amas é porque tomaste a iniciativa gratuita de Te aproximares de mim…

Aleluia! Como é bom ser amado assim, de Graça!

Pe. Rui Santiago, cssr

Obs.: A esta lista de seis dons, a Vulgata de São Jerônimo e a Tradução Grega dos 70 (Septuaginta) acrescentaram a piedade, eliminando a dupla menção do temor de Deus e obtendo assim o número de sete, considerado o número da perfeição.

O dom da Piedade, não está na “oração” do Pe. Rui pelo fato de ter sido acrescentada pelas traduções da Bíblia e não estar no texto original do profeta Isaías.

Ainda sobre os Dons do Espírito Santo:
Nos versículos 8 a 10 do capítulo 12 da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios são enumerados nove dons do Espírito e no versículo 28 mais alguns. Hermeneutas e exegetas da Bíblia entendem que essas listas de enumerações são exemplificativas, que os dons do Espírito são de infinita diversidade, pois "há diversidade de dons e cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para o que for útil para todos" (cf. 1Cor 12, 4-7). Na exegese bíblica o número sete no contexto bíblico significa universalidade, totalidade, perfeição; receber os sete dons do Espírito significa, portanto, receber todos os seus inúmeros dons.
“Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operar milagres; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a falar em variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas”.
Encontramos também uma lista com nove itens no versículo 22 do capítulo 5 da Epístola de Paulo aos Gálatas. Esta se refere aos frutos do Espírito: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança (autodomínio)".

Catequistas em Formação
Série: "Catequeses dos sacramentos: Crisma".