CONHEÇA!

Mostrando postagens com marcador Dia de Finados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia de Finados. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de outubro de 2023

DIA DE FINADOS: ORIGEM E SIGNIFICADO

Foto: dragana991/iStock

A morte sempre foi um mistério entre diversas civilizações, sejam elas ligadas à religião ou não. A história mostra que sempre houve crenças diferentes sobre o que acontece após a morte. É o caso da reencarnação e da vida após a morte. E também são várias as formas de exaltar os mortos, preservar seus corpos e especular sobre o que vem depois. Cremação, mumificação e até as grandes pirâmides no Egito – que foram erguidas para depositar os restos mortais de “celebridades” da época – fazem parte de alguns ritos de sepultamento mais conhecidos.

O Dia dos Finados é uma data marcante para milhares de pessoas no Brasil, mas a origem da celebração é desconhecida para muitos. O Dia de Finados surgiu na Abadia Beneditina de Clury, na França, no século X. O abade Odilo (ou Santo Odilon [962-1049]) sugeriu, no dia 2 de novembro de 988, que, todos os anos, os membros de sua abadia dedicassem suas orações à alma daqueles que se foram. A sugestão do abade resgatava um dos princípios mais importantes da Igreja Católica: a ideia de que quem se foi, está no Purgatório passando por um processo de purificação para se encaminhar ao Paraíso.

Na tradição da Igreja Católica, 1º de novembro é comemorado o Dia de Todos os Santos, quando se reza por aqueles que morreram em estado de graça, com os pecados perdoados. Assim, o dia seguinte foi considerado o mais apropriado para fazer orações por todos os demais falecidos, que precisam de ajuda para serem aceitos no céu.

A prática de orações aos mortos já era bastante conhecida na Europa, quando os cristãos perseguidos pelo Império Romano enterravam e oravam pelos mortos nas catacumbas subterrâneas de Roma. Assim, os primeiros registros de orações pelos cristãos falecidos datam do século I, quando era costume visitar túmulos de mártires. No ano 732, o Papa Gregório III autorizou os padres a realizar missas em memória dos falecidos. Logo, o dia 2 de novembro foi adotado em toda a Europa como o dia de oração pelos finados.

Com a chegada do ano 1000, acreditava-se que o mundo acabaria, por isso era preciso rezar para as almas saírem do purgatório antes disso. A partir do século 15, o feriado se espalhou pelo mundo. Cada parte do mundo celebra esta data a seu modo. No México, por exemplo, existe a chamada “Festa dos Mortos” que une a celebração católica a antigos rituais astecas, o dia é festivo. Já no Brasil, é comum parentes irem ao cemitério e levarem flores e velas e fazerem orações a seus entes queridos. A data era chamada de “Dia de Todas as Almas”.

No entanto, não são somente os católicos que celebram esta data. Em países de religiões budistas, como Japão e Tailândia, ocorrem desfiles em homenagem aos mortos, além da preparação de oferendas com comida para que as almas fiquem alimentadas. Por outro lado, os cristãos protestantes não celebram o Dia de Finados. Eles não acreditam em Purgatório e não possuem o costume de rezar pelos mortos.

A celebração do Dia de finados, é revestida de uma grande riqueza, pois além dos atos religiosos é uma oportunidade ímpar para se refletir sobre a morte e a vida, como também uma relembrança dos antepassados, estabelecendo o vínculo entre o que somos e toda a carga histórica que trazemos impresso em nós.

O cristão está, desde a sua origem, imerso neste mistério da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus. Ele, como todo ser humano, experimentou a crueldade da morte e sofreu amargamente a morte de cruz, porém, a morte não foi a palavra definitiva, pois ele ressuscitou, garantindo, assim, que toda a humanidade ressuscitará definitivamente com Ele um dia. Esta certeza na Ressurreição elimina qualquer concepção de renascimento ou reencarnação. São Paulo nos diz que "E, se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé; ainda estais em vossos pecados" (1Cor 15, 17).

A vida que aqui se vive é uma preparação para a verdadeira, definitiva e gloriosa vida junto a Deus. “Amados, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.” (1Jo 3,2) O cristão traz a certeza da verdade revelada por meio de Jesus Cristo, que levantado da morte por Deus trouxe a salvação para todos. “Deus dos vivos e dos mortos: crer em Vós é ter a esperança de encontrar na luz de sempre a paz do último Dia.” (Laudes/Ofício de Finados).

No dia de Finados não se celebra a morte, mas, a Vida Eterna presente e real já em Jesus Cristo. Ser cristão, é ser esperançoso na fé na ressurreição, na morada que Jesus preparou para todos. Na participação da celebração eucarística, na visita aos cemitérios, na oração pelos irmãos falecidos, transparece a certeza de que se é finito e que a cada dia necessitamos da graça de Deus para mantermos viva, a chama da fé, da verdade, da caridade, do amor e do perdão rumo à eternidade.

“A eternidade não é um contínuo suceder-se de dias do calendário, mas algo como o momento pleno de realização, cuja totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade do Ser, da verdade, do amor” (Bento XVI).


FONTES DE PESQUISA:

ESTEVÃO, Marina. Celebração aos mortos: saiba qual a origem do Dia de Finados. 01/11/2020. Disponível em https://www.selecoes.com.br/especial/celebracao-aos-mortos-saiba-qual-a-origem-do-dia-de-finados/ Acesso em 02/11/2020.

ISTOÉ. Entenda a origem e o significado do Dia de Finados. Da redação em 31/10/2020. Disponível em https://www.istoedinheiro.com.br/entenda-a-origem-e-o-significado-do-dia-de-finados/ . Acesso 02/11/2020.

TRINDADE, Geraldo. Dia de Finados. Seminário Arquidiocesano de Mariana. Disponível em https://pensarparalelo.blogspot.com/ .



segunda-feira, 2 de novembro de 2020

COMO CONVERSAR COM AS CRIANÇAS SOBRE UM TEMA TÃO DIFÍCIL COMO A “MORTE”?

Imagem: ChiccoDodiFC/iStock

Ao contrário do que muita gente pode pensar, as crianças têm condições intelectuais e emocionais de entender as perdas. O Dia de Finados pode ser uma boa oportunidade para falar do assunto. A psicóloga e psicopedagoga, Ana Cássia Maturano*, diz que a criança deve ser informada sobre a morte, para poder superar as perdas.

Há quem possa achar estranho estarmos discutindo sobre como falar da morte com as crianças. Se considerarmos que a morte faz parte da vida e o quanto a maioria de nós, tem dificuldades para lidar com ela, o tema já se torna pertinente. Ainda mais quando o assunto envolve crianças.

E o que faz da morte um assunto tão complicado? Nossa incompreensão. Ou talvez a nossa falta de fé. Por mais que digamos acreditar na vida eterna e num encontro final, a incerteza do que acontece depois, ainda nos assusta. Esse desconhecimento causa-nos temor. Por ser algo irreversível, preferimos fazer de conta que não existe. Ninguém precisa passar a vida falando e pensando na morte. Mas de vez em quando, ela aparece e alguém que amamos se vai, ficando uma dor que demora a passar. A complexidade aumenta quando pensamos que vamos morrer, pois não conseguimos imaginar nossa própria finitude. O ser humano é criado com demasiado apego a coisas materiais e terrenas.

Perder pessoas não é um fato reservado só para os adultos. As crianças também as perdem. Sabendo da dor desses eventos, queremos poupá-las do sofrimento. Para isso, evitamos falar com elas sobre o assunto, mesmo que alguém que amem (até mesmo um animalzinho) tenha morrido. Levá-las ao velório está fora de cogitação. Confunde-se não saber com não sofrer. 

Ora, não saber, não participar e não falar do fato é mais prejudicial para os pequenos. Quando não sabemos o que realmente aconteceu, imaginamos. E a imaginação é poderosa, tem asas que alcança vôos altos e segue o rumo de nossas apreensões e emoções. Nada mais saudável que saber a verdade, por mais dura que possa ser, pois nos permite lidar com a realidade como ela é, sem armadilhas. 

Não vale enganar

Diante da morte de alguém do convívio da criança, muitos usam de desculpas do tipo: Vovô foi viajar. A criança não é tola, percebe que tem algo acontecendo. Sem contar que deve estar se sentindo abandonada e chateada com o avô que foi viajar e nem se despediu. Muitos pensam que a criança não é capaz de entender o que acontece ou de suportar emocionalmente a idéia da morte. É sim. E vivenciando tais situações poderá compreender melhor o que ocorre. A criança também tem luto e, para que ele aconteça de maneira saudável, é necessário que ela não seja excluída do processo. Não podemos tirar dela o direito de sofrer por quem partiu.

Quando uma criança se encontra na situação de morte de alguém, deve-se dizer a verdade – que aquela pessoa morreu e não voltará mais (o primeiro passo para que o luto ocorra é aceitar o fato que o morto estará ausente definitivamente). As explicações devem seguir o curso de sua curiosidade. Algumas crianças farão muitas perguntas como, por exemplo, o que acontece depois da morte. O melhor é sermos francos e honestos. Se não soubermos o que responder, devemos dizer isso. Mesmo se temos em nós a crença religiosa da vida eterna, do céu, de algum lugar de esperança é preciso ter cuidado com o que se vai dizer às crianças. Sem supervalorizar o pós-morte. Alguns, para amenizar a tristeza, falam das maravilhas que vêm depois, tornando o morrer muito atraente. Corre-se o risco de a criança desejar estar onde a pessoa que morreu está.

Cada uma tem um jeito de reagir. Algumas choram e se desesperam. Outras ficam mais caladas. Algumas se culpam por terem feito algo para aquela pessoa. Ou até de terem, num momento de raiva, desejado algum mal. Se a incluirmos nesse momento de dor, ela poderá ter confiança em falar de seus sentimentos e temores. E os adultos vão poder ajudá-las a corrigir suas impressões.

Quanto aos funerais, algo que muitos acham absurdo uma criança participar, deve ficar a critério dela, que vai decidir se irá ou não. Não podemos impedi-la de participar do pesar familiar. Ela também estará sofrendo e deve ser respeitada em sua dor. Os funerais nos ajudam a lidar com a situação de morte. Lá, choramos, confortamos, somos confortados e constatamos que aquela pessoa realmente se foi.

Não há como evitar. A morte de alguém traz sempre dor e sofrimento. Sofrer faz parte da vida e a criança tem condições intelectuais para entender o que é a morte e também emocionais, para viver um luto sem grandes complicações. Tudo vai depender do quanto é esclarecida, e do conforto e da segurança que as pessoas que ama lhe darão. Caso alguma oportunidade surja, poderá ser um bom momento para abordar o tema morte com os pequenos, o Dia de Finados é um a boa oportunidade.

*Ana Cássia Maturano - Psicóloga e psicopedagoga.

FONTE: 

MATURANO, Ana Cássia. Dicas para Pais e Filhos. Blog do g1.com.br. Acesso em 28/10/2015.

 

 

 

 

DIA DE FINADOS: ORIGEM

Foto: dragana991/iStock

    A morte sempre foi um mistério entre diversas civilizações, sejam elas ligadas à religião ou não. A história mostra que sempre houve crenças diferentes sobre o que acontece após a morte. É o caso da reencarnação e da vida após a morte. E também são várias as formas de exaltar os mortos, preservar seus corpos e especular sobre o que vem depois. Cremação, mumificação e até as grandes pirâmides no Egito – que foram erguidas para depositar os restos mortais de “celebridades” da época – fazem parte de alguns ritos de sepultamento mais conhecidos. 

    O Dia dos Finados é uma data marcante para milhares de pessoas no Brasil, mas a origem da celebração é desconhecida para muitos. O Dia de Finados surgiu na abadia beneditina de Clury, na França, no século X. O abade Odilo (ou Santo Odilon [962-1049]) sugeriu, no dia 2 de novembro de 988, que, em todos os anos, os membros de sua abadia dedicassem suas orações à alma daqueles que se foram. A sugestão do abade resgatava um dos princípios mais importantes da Igreja Católica: a ideia de que quem se foi está no Purgatório passando por um processo de purificação para se encaminhar ao Paraíso. 

   Na tradição da Igreja Católica, 1º de novembro é comemorado o Dia de Todos os Santos, quando se reza por aqueles que morreram em estado de graça, com os pecados perdoados. Assim, o dia seguinte foi considerado o mais apropriado para fazer orações por todos os demais falecidos, que precisam de ajuda para serem aceitos no céu. 

    A prática de orações aos mortos já era bastante conhecida na Europa, quando os cristãos perseguidos pelo Império Romano enterravam e oravam pelos mortos nas catacumbas subterrâneas de Roma. Assim, os primeiros registros de orações pelos cristãos falecidos datam do século 1, quando era costume visitar túmulos de mártires. No ano 732, o papa Gregório III autorizou os padres a realizar missas em memória dos falecidos. Logo, o dia 2 de novembro foi adotado em toda a Europa como o dia de oração pelos finados. Com a chegada do ano 1000, acreditava-se que o mundo acabaria, por isso era preciso rezar para as almas saírem do purgatório antes disso. A partir do século 15, o feriado se espalhou pelo mundo. Cada parte do mundo celebra esta data a seu modo. No México, por exemplo, existe a chamada “Festa dos Mortos” que une a celebração católica a antigos rituais astecas, o dia é festivo. Já no Brasil, é comum parentes irem ao cemitério e levarem flores e velas e fazerem orações a seus entes queridos. A data era chamada de “Dia de Todas as Almas”. 

    No entanto, não são somente os católicos que celebram esta data. Em países de religiões budistas, como Japão e Tailândia, ocorrem desfiles em homenagem aos mortos, além da preparação de oferendas com comida para que as almas fiquem alimentadas. Por outro lado, os cristãos protestantes não celebram o Dia de Finados. Eles não acreditam em Purgatório e não possuem o costume de rezar pelos mortos. 

    De qualquer forma, qual seja o costume de cada civilização ou religião, os entes queridos de todos, merecem homenagem e respeito.


FONTES DE PESQUISA: 

ESTEVÃO, Marina. Celebração aos mortos: saiba qual a origem do Dia de Finados. 01/11/2020. Disponível em https://www.selecoes.com.br/especial/celebracao-aos-mortos-saiba-qual-a-origem-do-dia-de-finados/ Acesso em 02/11/2020. 

ISTOÉ. Entenda a origem e o significado do Dia de Finados. Da redação em 31/10/2020. Disponível em https://www.istoedinheiro.com.br/entenda-a-origem-e-o-significado-do-dia-de-finados/ . Acesso 02/11/2020.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

CONVERSANDO SOBRE PERDAS

Um texto para refletir...

Como conversar com as crianças sobre um tema tão difícil como a “morte”?

Ao contrário do que muita gente pode pensar, as crianças têm condições intelectuais e emocionais de entender as perdas. O Dia de Finados pode ser uma boa oportunidade para falar do assunto. A psicóloga e psicopedagoga, Ana Cássia Maturano*, diz que a criança deve ser informada sobre a morte, para poder superar as perdas.

Há quem possa achar estranho estarmos discutindo sobre como falar da morte com as crianças. Se considerarmos que a morte faz parte da vida e o quanto a maioria de nós, tem dificuldades para lidar com ela, o tema já se torna pertinente. Ainda mais quando o assunto envolve crianças.

E o que faz da morte um assunto tão complicado? Nossa incompreensão. Ou talvez a nossa falta de fé. Por mais que digamos acreditar na vida eterna e num encontro final, a incerteza do que acontece depois, ainda nos assusta. Esse desconhecimento causa-nos temor. Por ser algo irreversível, preferimos fazer de conta que não existe. Ninguém precisa passar a vida falando e pensando na morte. Mas de vez em quando, ela aparece e alguém que amamos se vai, ficando uma dor que demora a passar. A complexidade aumenta quando pensamos que vamos morrer, pois não conseguimos imaginar nossa própria finitude. O ser humano é criado com demasiado apego a coisas materiais e terrenas.

Perder pessoas não é um fato reservado só para os adultos. As crianças também as perdem. Sabendo da dor desses eventos, queremos poupá-las do sofrimento. Para isso, evitamos falar com elas sobre o assunto, mesmo que alguém que amem (até mesmo um animalzinho) tenha morrido. Levá-las ao velório está fora de cogitação. Confunde-se não saber com não sofrer. 

Ora, não saber, não participar e não falar do fato é mais prejudicial para os pequenos. Quando não sabemos o que realmente aconteceu, imaginamos. E a imaginação é poderosa, tem asas que alcança vôos altos e segue o rumo de nossas apreensões e emoções. Nada mais saudável que saber a verdade, por mais dura que possa ser, pois nos permite lidar com a realidade como ela é, sem armadilhas. 

Não vale enganar

Diante da morte de alguém do convívio da criança, muitos usam de desculpas do tipo: Vovô foi viajar. A criança não é tola, percebe que tem algo acontecendo. Sem contar que deve estar se sentindo abandonada e chateada com o avô que foi viajar e nem se despediu. Muitos pensam que a criança não é capaz de entender o que acontece ou de suportar emocionalmente a ideia da morte. É sim. E vivenciando tais situações poderá compreender melhor o que ocorre. A criança também tem luto e, para que ele aconteça de maneira saudável, é necessário que ela não seja excluída do processo. Não podemos tirar dela o direito de sofrer por quem partiu.

Quando uma criança se encontra na situação de morte de alguém, deve-se dizer a verdade – que aquela pessoa morreu e não voltará mais (o primeiro passo para que o luto ocorra é aceitar o fato que o morto estará ausente definitivamente). As explicações devem seguir o curso de sua curiosidade. Algumas crianças farão muitas perguntas como, por exemplo, o que acontece depois da morte. O melhor é sermos francos e honestos. Se não soubermos o que responder, devemos dizer isso. Mesmo se temos em nós a crença religiosa da vida eterna, do céu, de algum lugar de esperança é preciso ter cuidado com o que se vai dizer às crianças. Sem supervalorizar o pós-morte. Alguns, para amenizar a tristeza, falam das maravilhas que vêm depois, tornando o morrer muito atraente. Corre-se o risco de a criança desejar estar onde a pessoa que morreu está.

Cada uma tem um jeito de reagir. Algumas choram e se desesperam. Outras ficam mais caladas. Algumas se culpam por terem feito algo para aquela pessoa. Ou até de terem, num momento de raiva, desejado algum mal. Se a incluirmos nesse momento de dor, ela poderá ter confiança em falar de seus sentimentos e temores. E os adultos vão poder ajudá-las a corrigir suas impressões.

Quanto aos funerais, algo que muitos acham absurdo uma criança participar, deve ficar a critério dela, que vai decidir se irá ou não. Não podemos impedi-la de participar do pesar familiar. Ela também estará sofrendo e deve ser respeitada em sua dor. Os funerais nos ajudam a lidar com a situação de morte. Lá, choramos, confortamos, somos confortados e constatamos que aquela pessoa realmente se foi.

Não há como evitar. A morte de alguém traz sempre dor e sofrimento. Sofrer faz parte da vida e a criança tem condições intelectuais para entender o que é a morte e também emocionais, para viver um luto sem grandes complicações. Tudo vai depender do quanto é esclarecida, e do conforto e da segurança que as pessoas que ama lhe darão. Caso alguma oportunidade surja, poderá ser um bom momento para abordar o tema morte com os pequenos, o Dia de Finados é um a boa oportunidade.

*Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga.
FONTE: g1.com.br


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

HOMILIA DA CELEBRAÇÃO DE FINADOS


Hoje a Igreja nos convida a orarmos pelos que já partiram. Por que oramos pelos mortos? Nós, católicos, acreditamos que a morte não nos priva de uma comunicação com os irmãos e irmãs. Ou seja, podemos rezar pelos que já partiram. Quando fazemos isso, unimo-nos aos falecidos em Deus, amamos os falecidos no amor de Deus, pois toda oração é um gesto de amor; se esta é eficaz para ajudar os vivos, será também útil para dar forças para aqueles que precisam completar o seu caminho. 

A fundamentação bíblica mais clara a este respeito está em 2Mac 12,38s.: Judas Macabeus percebe que os soldados mortos de seu exército tinham cometido idolatria; diante da prática dos idólatras, o exército fez súplicas para que Deus perdoasse o pecado cometido. Rezamos pelos mortos para que eles completem o que ainda falta para serem plenos, pois apenas desfrutaremos da glória quando estivermos plenamente convertidos, santificados. 

O Céu não é um lugar em que se entra, mas a participação do amor de Deus de acordo com a mudança de coração de cada pessoa. Quem não muda o coração aqui, terá a mesma dificuldade para fazê-lo depois da morte, antes de participar das alegrias eternas; por isso, é melhor começar aqui. O que chamamos de Purgatório não é um lugar de tormentos, mas uma última oportunidade de conversão para Deus, de total empobrecimento de si, uma graça que Deus nos concede para que sejamos plenos à estatura do Cristo Jesus (Ef 4,13). A nossa oração dá forças para que os falecidos façam o seu caminho. 

Algumas reflexões importantes: 

1. O Céu não é somente uma conquista, mas um dom de Deus, que deseja que todos participem de sua morada, que nenhum de seus filhos e filhas se percam (Jo 6,39). Não podemos acreditar em um Deus que quer a nossa condenação, nem achar que vamos sozinhos, somente pelos nossos esforços, para o céu. 

2. Não acreditamos em um mundo totalmente espiritualizado, mas na ressurreição dos mortos. Oficialmente, a Igreja ensina que aguardamos (mesmo aqueles que já veem Deus face a face) o dia da plenitude do Reino definitivo. Então acontecerá a ressurreição dos mortos. Deus nos dará um corpo imperecível e renovará toda a criação – o mundo visível, material. Portanto, este mundo não deve ser desprezado, pois será renovado para a glória de Deus. Na morada do Céu seremos nós mesmos, com nossa consciência, e teremos a lembrança de nossa história e das pessoas que conviveram conosco. 

3. A vida é efêmera. Presenciamos mortes de idosos, de jovens, mortes previsíveis e repentinas. Não sabemos quando será o fim de nossa vida terrena. Lembrar-se dos que morreram é uma boa oportunidade para pensar sobre a nossa vida. A existência terrena tem consequências eternas. O que cada um de nós está fazendo de sua vida? Estamos preparados para fazer a nossa páscoa para a vida totalmente renovada e prometida pelo Senhor? Vivemos movidos pela esperança da eternidade. Nossa fé vive unida à esperança. 

Hoje a saudade não deve ser maior do que a certeza da vitória “escrita e gravada com ponteiro de ferro e com chumbo, cravada na rocha para sempre”. Um dia esperamos nos encontrar todos no banquete do Céu. Lembremos de que a Eucaristia já é a antecipação desta vida nova. O Céu começa em nós, em você. 

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - Pr.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CONVERSANDO SOBRE PERDAS

Um texto para refletir...

Como conversar com as crianças sobre um tema tão difícil como a “morte”?

Ao contrário do que muita gente pode pensar, as crianças têm condições intelectuais e emocionais de entender as perdas. O Dia de Finados pode ser uma boa oportunidade para falar do assunto. A psicóloga e psicopedagoga, Ana Cássia Maturano*, diz que a criança deve ser informada sobre a morte, para poder superar as perdas.

Há quem possa achar estranho estarmos discutindo sobre como falar da morte com as crianças. Se considerarmos que a morte faz parte da vida e o quanto a maioria de nós, tem dificuldades para lidar com ela, o tema já se torna pertinente. Ainda mais quando o assunto envolve crianças.

E o que faz da morte um assunto tão complicado? Nossa incompreensão. Ou talvez a nossa falta de fé. Por mais que digamos acreditar na vida eterna e num encontro final, a incerteza do que acontece depois, ainda nos assusta. Esse desconhecimento causa-nos temor. Por ser algo irreversível, preferimos fazer de conta que não existe. Ninguém precisa passar a vida falando e pensando na morte. Mas de vez em quando, ela aparece e alguém que amamos se vai, ficando uma dor que demora a passar. A complexidade aumenta quando pensamos que vamos morrer, pois não conseguimos imaginar nossa própria finitude. O ser humano é criado com demasiado apego a coisas materiais e terrenas.

Perder pessoas não é um fato reservado só para os adultos. As crianças também as perdem. Sabendo da dor desses eventos, queremos poupá-las do sofrimento. Para isso, evitamos falar com elas sobre o assunto, mesmo que alguém que amem (até mesmo um animalzinho) tenha morrido. Levá-las ao velório está fora de cogitação. Confunde-se não saber com não sofrer. 

Ora, não saber, não participar e não falar do fato é mais prejudicial para os pequenos. Quando não sabemos o que realmente aconteceu, imaginamos. E a imaginação é poderosa, tem asas que alcança vôos altos e segue o rumo de nossas apreensões e emoções. Nada mais saudável que saber a verdade, por mais dura que possa ser, pois nos permite lidar com a realidade como ela é, sem armadilhas. 

Não vale enganar

Diante da morte de alguém do convívio da criança, muitos usam de desculpas do tipo: Vovô foi viajar. A criança não é tola, percebe que tem algo acontecendo. Sem contar que deve estar se sentindo abandonada e chateada com o avô que foi viajar e nem se despediu. Muitos pensam que a criança não é capaz de entender o que acontece ou de suportar emocionalmente a ideia da morte. É sim. E vivenciando tais situações poderá compreender melhor o que ocorre. A criança também tem luto e, para que ele aconteça de maneira saudável, é necessário que ela não seja excluída do processo. Não podemos tirar dela o direito de sofrer por quem partiu.

Quando uma criança se encontra na situação de morte de alguém, deve-se dizer a verdade – que aquela pessoa morreu e não voltará mais (o primeiro passo para que o luto ocorra é aceitar o fato que o morto estará ausente definitivamente). As explicações devem seguir o curso de sua curiosidade. Algumas crianças farão muitas perguntas como, por exemplo, o que acontece depois da morte. O melhor é sermos francos e honestos. Se não soubermos o que responder, devemos dizer isso. Mesmo se temos em nós a crença religiosa da vida eterna, do céu, de algum lugar de esperança é preciso ter cuidado com o que se vai dizer às crianças. Sem supervalorizar o pós-morte. Alguns, para amenizar a tristeza, falam das maravilhas que vêm depois, tornando o morrer muito atraente. Corre-se o risco de a criança desejar estar onde a pessoa que morreu está.

Cada uma tem um jeito de reagir. Algumas choram e se desesperam. Outras ficam mais caladas. Algumas se culpam por terem feito algo para aquela pessoa. Ou até de terem, num momento de raiva, desejado algum mal. Se a incluirmos nesse momento de dor, ela poderá ter confiança em falar de seus sentimentos e temores. E os adultos vão poder ajudá-las a corrigir suas impressões.

Quanto aos funerais, algo que muitos acham absurdo uma criança participar, deve ficar a critério dela, que vai decidir se irá ou não. Não podemos impedi-la de participar do pesar familiar. Ela também estará sofrendo e deve ser respeitada em sua dor. Os funerais nos ajudam a lidar com a situação de morte. Lá, choramos, confortamos, somos confortados e constatamos que aquela pessoa realmente se foi.

Não há como evitar. A morte de alguém traz sempre dor e sofrimento. Sofrer faz parte da vida e a criança tem condições intelectuais para entender o que é a morte e também emocionais, para viver um luto sem grandes complicações. Tudo vai depender do quanto é esclarecida, e do conforto e da segurança que as pessoas que ama lhe darão. Caso alguma oportunidade surja, poderá ser um bom momento para abordar o tema morte com os pequenos, o Dia de Finados é um a boa oportunidade.

*Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga.
FONTE: g1.com.br