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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

TEMPO DA PURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO: CATECUMENATO DE ADULTOS

 

Imagem: Google/Catequistasem Formação

Chegamos ao Tempo da Iluminação e Puriticação, no Catecumenato de Adultos em nossa paróquia. 

Para lembrar: O tempo da Purificação e Iluminação dos catecúmenos acontece normalmente na QUARESMA. A realização dos sacramentos é no sábado da Vigília Pascal ou, não sendo possível, realiza-se nas 2 primeiras semanas do Tempo Pascal. É um tempo voltado para preparação espiritual, não é um tempo de conteúdos catequéticos. percebam que eu disse "normalmente", mas, como estamos em uma paróquia onde a catequese de modo geral não se aplica ao"normal", transferimos este tempo para o final do ano civil (Que não deveria reger a catequese catecumenal de jeito nehum, mas, normalmente somos "vencidos" pelas regras e opiniões de quem não entende nada de catecumenato. Enfim, fazemos o que podemos. 

Nessa etapa, o primeiro Rito que fazemos é a “Eleição” dos candidato aos sacramentos. Um Rito que aocntece durante a missa com a comunidade.  Denomina-se “eleição” porque a Igreja admite o catecúmeno/catequizando, baseada na eleição de Deus, em cujo nome ela age. Chama-se, também “inscrição dos nomes” porque os candidatos, inscrevem seus nomes no registro dos eleitos (ou Livro dos eleitos).

Mas, seja em que período do ano for, cabe sempre algumas adaptações dos roteiros contidos no RICA - Ritual da Iniciação de Adultos. Seja por se realizarem fora da quaresma, seja porque as lideranças e párocos ainda não tem consciência da importância do processo catecumenal seguir os ritos propostos pelo Ritual.

O Rito que fecha o período do catecumenato (catequeses) e marca o Início do Tempo da Purificação e Iluminação, é o Rito da Eleição ou Inscrição do nome. A celebração do Rito deve acontecer oo Primeiro domingo da QuaresmaOs padrinhos acompanham os catecúmenos que agora serão denominados eleitos. A paróquia deve ter um "Livro dos eleitos", onde se faz a inscrição dos nomes durante a celebração. Este "livro" é guardado na paróquia para que todos os anos se faça a inscrição de novos eleitos. 


Nesse tempo há uma intensa preparação espiritual, mais relacionada à vida interior que à catequese, procurando purificar os corações e espíritos pelo exame de consciência e pela penitência, e iluminá-los por um conhecimento mais profundo de Cristo. Serve-se para isso de vários ritos, sobretudo dos escrutínios e das entregas.

Escrutínios: são rituais que se realizam por meio de exorcismos (orações e bênçãos), e são de caráter espiritual. O que se procura por meio deles é purificar os espíritos e os corações, fortalecer contra as tentações, orientar os propósitos e estimular as vontades, para que os catecúmenos ou catequizandos se unam a Cristo e reavivem seu desejo de amar a Deus (RICA 154 a 159). São três no total. Os escrutínios acontecem durante a celebração da missa com a comunidade, que é celebrada como de costume até a homilia. Após esta, os eleitos se ajoelham ou inclinarem-se para a oração e os padrinhos e toda comunidade é convida a rezar alguns instante em silêncio por eles. Os padrinhos colocam a mão direita sobre o ombro dos eleitos, e é proferida as preces pelos eleitos, utilizando uma das fórmulas propostas pelo RICA (nº 163 ou 378). Concluídas as preces, o padre recita a oração de exorcismo sobre os eleitos (RICA, nº 164 ou 379) e a missa prossegue como de costume.

A palavra "Exorcismo" exerce um certo fascínio pelas pessoas em geral. Isso porque a mídia tem dado uma conotação um tanto exagerada. Os exorcismos são orações que fortalecem o candidato na luta contra o mal. Inclui o gesto da imposição de mãos. Não é expulsão de um espírito demoníaco e sim um momento forte de bênção. 

Os Três escrutínios são feitos, com as leituras do Ciclo A, nesta sequencia: 
3º. Domingo: A Samaritana (Jo 4,5-42) - Fonte da água viva.
4º. Domingo: O Cego de nascença (Jo 9,1-41) - Deixar as trevas, acolher a luz.
5º. Domingo: Ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45) - Participar da ressurreição.

Além dos escrutínios a Quaresma prevê um Retiro espiritual, que pode ser adequado aos dias de semana ou ao 2º domingo. Outros Ritos, incluindo o Rito do Éfeta, podem se feitos no Sábado Santo pela manhã: redição do Símbolo, Unção com o óleo.

As celebrações dos Sacramentos da Iniciação Cristã são feitas no Sábado Santo (Vigília Pascal).  Para os que serão batizados, receberão todos os sacramentos. O padre os confirma. Os demais poderão receber os sacramentos que faltam para a iniciação. Para confirmar estes, deve-se ter autorização do bispo.  Quanto aqueles que participaram do catecumenato para aprofundamento da fé e já possuem todos os sacramentos, apenas acompanham as celebrações. Vale uma menção do padre nas celebrações.

E assim fecha-se o 3º Tempo do catecumenato - Purificação e Iluminação, e abre-se o Tempo da Mistagogia. Infelizmente percebemos que poucas paróquias utilizam-se deste tempo, que acontece duranto todo o Tempo Pascal, encerrando-se em Pentecostes. Mas, sobre o tempo da Mistagogia, falamos numa outra hora.



Ângela Rocha - Catequista, graduada em Teologia - PUCPR.                                     Catequistas em Formação.

* Estas e outras orientações com roteiros das celebrações encontram em nossa Apostila: CATECUMENATO DE ADULTOS, que pode ser adquirida entrando em contato pelo Whats: (41) 99747-0348.




terça-feira, 30 de julho de 2019

CATEQUESE DE INSPIRAÇÃO CATECUMENAL

RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA NA PARÓQUIA CRISTO REI – ARQUIDIOCESE DE MANAUS - I
A Paróquia Cristo Rei fica situada na periferia da cidade de Manaus, Estado do Amazonas, pertence à Arquidiocese de Manaus e possui 5 (cinco) comunidades.

Nossa experiência iniciou em 2010 quando ainda fazia parte da Coordenação Paroquial de Catequese da referida Paróquia e comecei a ouvir e me encantar com a Catequese de inspiração catecumenal. Junto com outros catequistas buscamos informações através de livros e dos encontros que a Arquidiocese oferecia sobre o tema. Motivada, iniciei o diálogo com nosso Pároco que solicitou uma proposta mais concreta. Então elaborei um Projeto de implantação da Catequese de Inspiração Catecumenal para nossa Paróquia e apresentei ao Padre que me orientou a fazer algumas correções até que chegamos a um consenso. Nesse mesmo período falei aos catequistas sobre esse estilo de catequese e como poderia mudar nossas vidas e nossa comunidade em diversas reuniões e encontros. Um verdadeiro trabalho de formiguinha guiada pelo Espírito Santo.

No final de 2010, apresentamos a proposta desse estilo de catequese na Assembleia Paroquial e o Padre colocou em votação, sendo a proposta aprovada. A intenção era iniciar em 2011 um Processo formativo com os catequistas da Paróquia que contemplasse encontros de catequese celebrativos, litúrgicos e mistagógicos em substituição às famosas “palestras” e que nos fizesse vivenciar um processo “novo” que não conhecíamos. 

DIFICULDADES PELO CAMINHO

Em 2011 demos início a vivência catecumenal com os catequistas, porém devido à mudança de Coordenação a proposta não ocorreu como o esperado e tivemos que fazer uma pausa, retornando o processo em 2012 resgatando as temáticas, etapas, ritos e compromissos próprios do estilo catecumenal a  fim de formar um grupo de catequistas com perfil para este estilo de catequese.

PROCESSO FORMATIVO COM OS CATEQUISTAS BASEADA NA ESTRUTURA DO RICA.

· Fizemos um Encontrão de catequese para explicar o “novo processo” de catequese e fizemos o convite àqueles que desejavam ser catequistas, na ocasião 53 pessoas aceitaram, entre catequistas que já atuavam e novos candidatos;
· Dividimos a Paróquia em 3 pequenos subgrupos para a realização dos encontros;
· Cada grupo participava de 3 encontros de catequese e depois seguia para a Celebração/Rito, conforme a adesão e compromisso.

Organizamos o processo formativo com catequistas da seguinte forma:
PERÍODO
TEMPO/ETAPA
TEMÁTICA
Fevereiro à Abril de 2011
Pré-catecumenato
(3 encontros com cada sub-grupo)
Quem é Jesus (a partir do Evangelho de Marcos).
Janeiro e Fevereiro/2012
Catecumenato: Rito de entrada com os catequistas (Entrega da Cruz e da Bíblia).

- Reflexões sobre o Pai Nosso e Creio;
-Sacramento da Penitência (Catequese com o Padre)
Março e Abril/2012
Purificação – Ao final deste tempo participamos de uma celebração para Renovação das Promessas do Batismo e Envio dos catequistas.
- Evangelho da Samaritana, Cego de nascença e Ressurreição de Lázaro;
- Catequese com o Padre (Sacramento da Penitência e o perdão).
Maio e Junho/2012
Mistagogia – Retiro:
Ser missionário
- Estudo 97 e planejamento das atividades para as turmas de catequese

Junho/2012

Início do Processo com as turmas de catequese
*A prioridade para as alterações na catequese se deram com as turmas de adultos e jovens em preparação para a Crisma.

Os resultados desse processo formativo:
              Levantamento inicial: 53 interessados
              Iniciaram a formação catecumenal: 45
              Concluíram esta fase do processo: 35 catequistas.
Percebemos que alguns catequistas não tinham Sacramento da Crisma e nem do matrimônio. Esses catequistas ficaram sensibilizados a fazer catequese com adultos e preparação para o Sacramento do matrimônio (tivemos 3 matrimônios até o fim do ano de 2012).

ALGUMAS ADEQUAÇÕES NA CATEQUESE:
  • Convite: Mudar a forma como chamamos os catequistas para o Serviço da Catequese;
  • Necessidade de mudança de mentalidade em relação ao processo de catequese e compromisso da comunidade, esclarecer e sensibilizar os catequisas para o “novo”;
  • No ano de 2012 mudamos o calendário para a catequese começar em Maio, enquanto os catequistas vivenciavam o novo estilo de catequese;
  • Celebramos Sacramentos de Eucaristia e Crisma somente de catequizandos que faziam preparação há mais de dois anos;
  • Iniciamos as inscrições para novos catequizandos a partir de Junho;
  • Organização da catequese e da Celebração dos Sacramentos de acordo com o ano litúrgico;
  • Promover o Batismo dos catecúmenos na Vigília Pascal;
  • Engajamento dos eleitos nas pastorais;
  • Turmas reduzidas de catequizandos para melhor acompanhamento dos mesmos;
  • Início de implantação do catecumenato com catequizandos priorizando os adultos e jovens em preparação para CRISMA.

Ressalto que esse processo foi possível porque estivemos em sintonia com a Coordenação Arquidiocesana de Catequese (CAS), que realizou nesse período o primeiro Seminário Arquidiocesano de Iniciação à Vida Cristã e organizou uma Comissão de IVC para elaborar um Projeto único que envolvesse todas as pastorais.

Grupo que finalizou a formação


Catequeses

Renata Bianca Freire
Paróquia Cristo Rei - Manaus AM

sexta-feira, 19 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 4: Introdutor, quem é ele?


QUEM É ESTE TAL DE "INTRODUTOR"?

Bom, vocês devem já ter lido bastante sobre o modelo catecumenal e visto que, o primeiro Tempo, ou seja, o Pré-catecumenato, ou até antes dele, exige uma "figura", que se chama INTRODUTOR. Mas, que figura é essa? Quem seria essa pessoa, responsável pelo "primeiro anúncio" e introdução na comunidade? Dá para "nomear" alguém pra sair por aí buscando ovelhas perdidas do redil do Senhor? É possível fazer "curso" para ser introdutor?

E cada vez que me fazem estas perguntas, mais pulgas se mudam para detrás da minha orelha... Já escrevi um texto sobre isso e vou reeditá-lo para vocês entenderem meu ponto de vista.

“Quem é, afinal, a figura do INTRODUTOR, no processo de Iniciação à Vida Cristã”?

E muito se discute e muito se atribui a tão importante figura que, no entanto, ninguém sabe direito quem é. Algumas paróquias “preparam” pessoas para ser esse introdutor, outras até constituem grupos de introdutores. E muitas ainda estão procurando o dito cujo...

Primeiro vamos ao conceito mais simples do que seria um “introdutor” em qualquer lugar que seja:

É aquele que leva alguém a algum lugar, fazendo com que esta pessoa participe de um clube, instituição, agremiação, grupo, etc. Claro que antes ele precisa fazer com que essa pessoa partilhe dos objetivos e ideais daquele grupo.

Agora vamos aos nossos conceitos na iniciação cristã:

Primeiro vamos pensar que “cabe a todo discípulo de Cristo a missão de difundir a fé” (Conc. Vat, II – Lumien Gentium, 17). A este respeito podemos encontrar no item 41 do RICA, uma explanação mais completa a este respeito. E no item 42 temos que:

O candidato que solicita sua admissão entre os catecúmenos é acompanhado por um introdutor, homem ou mulher que o conhece, ajuda e é testemunha de seus costumes, fé e desejo”.

Ou seja, o introdutor é aquele que dá testemunho a respeito do candidato a ponto de tornar-se seu “padrinho” se assim for a vontade do catecúmeno. Esta pessoa "conhece" e sabe da vontade do outro em entrar para a comunidade cristã e o acompanha durante todo o processo.

Com certeza é um “papel” sério demais para se exercer na vida de alguém e não uma “designação” que se dê a uma pessoa específica, cuja função seja acompanhar a quem não conhece e não convive no dia a dia.

Por isso, e por acreditar que “introdutor” não é um título e nem um ministério que se dê a alguém depois de um "curso", penso que é necessário a comunidade se atentar ao que diz o Decreto Ad Gentes (14):

O povo de Deus, representado pela Igreja local, sempre compreenda e manifeste que a iniciação dos adultos é algo de seu e interessa a todos os batizados”.

Portanto, a nós, todos os batizados, compete o papel de “introdutores” na fé. Não sou só eu, catequista ou agente de pastoral. Somos todos nós que vivemos e participamos da comunidade católica. Que são aqueles que devemos "introduzir"? São todas aquelas pessoas que conosco convivem: nossos vizinhos, nossos amigos e todos aqueles a quem a mensagem do Reino de Deus precisa chegar. São pessoas do nosso convívio que se encontram afastadas da Igreja e de Jesus por um motivo ou outro. Ou ainda aqueles que nunca ouviram falar do que se vive ao acompanhar Jesus pela vida afora. |Obviamente vamos encontrar mais "desiludidos" na fé do que pessoas que não conhecem Jesus.

Falaremos mais disso numa outra publicação...

Aproveite para levantar suas dúvidas sobre o "INTRODUTOR"...

Ângela Rocha
Administradora




terça-feira, 9 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A IMPLANTAÇÃO DA IVC? - 2

Vamos continuar nossa conversa sobre INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ NAS PARÓQUIAS?

Vou começar com uma citação do artigo da Ir. Carmen Pulga publicado Missão Jovem jul/2019:

"Há tempo, a Igreja do Brasil vem se empenhando para implantar um método de iniciação à vida cristã que integre fé e vida, doutrina e celebração, presença e compromisso. Um processo que não se restrinja apenas à catequese, mas que se abra à toda ação pastoral."

E é esse o ponto que quero abordar agora: o fato de que se a IVC pelo processo catecumenal não envolver TODA a paróquia, ela não vai funcionar ou vai funcionar meio “capenga”. Uma das maiores dificuldades em se implantar um processo de Iniciação cristã na Igreja é o fato de que se pensa que ela envolve só a Catequese, os catequistas, ou a pastoral catequética ou as ações catequéticas. Mas, não é bem assim. Porque a comunidade fica ausente, as equipes de canto e liturgia ficam ausentes, as demais lideranças ficam ausentes, as famílias ficam ausentes, o CPP fica ausente e até o PADRE FICA AUSENTE! E um processo dessa magnitude, que modifica a ação pastoral da Igreja, não pode ter ninguém ausente!

Então o passo agora é o seguinte:

ENVOLVER TODA A COMUNIDADE E TODAS AS PASTORAIS, GRUPOS E MOVIMENTOS NA IVC!

Como é que se faz isso?

1 - CONSCIENTIZAÇÃO: começando pelo pároco e todos os demais padres da paróquia. A IVC é urgência pastoral em todas as dioceses. E aqui temos mais uma citação: "O processo catecumenal que hoje se apresenta como novo, foi um caminho antigo de transmissão da fé a partir das testemunhas vivas da palavra e ação de Jesus. Trata-se de um itinerário, um caminho de pertencimento que leva em conta as experiências da comunidade dos seguidores de Jesus antes, durante e depois da Páscoa. A atitude de quem se põe a caminho é a de uma pessoa discípula, aprendiz, seguidora do Mestre (Documento 107 da CNBB).

Praticamente todas as dioceses do Brasil falam no processo catecumenal e tem um projeto de IVC em andamento. Estranho que alguns dos nossos padres estejam ainda alheios. Mas, quem tem que dar o pontapé inicial na paróquia são eles: os padres.

2 - A catequese, seja ela no processo catecumenal ou não ainda, precisa estar EM SINTONIA COM AS DIRETRIZES DIOCESANAS, com o projeto de IVC da diocese. Nenhuma paróquia pode evangelizar de maneira isolada, sem conhecer o que a sua diocese e o seu Bispo estão orientando. Os cursos e formações oferecidas pelas dioceses são de suma importância para todos, não só para os catequistas. Trata-se de IVC? Automaticamente todos estão convidados.

3 - UNIÃO DE TODAS AS PASTORAIS: é a velha conversa da "pastoral da unidade", onde todos falam a mesma linguagem e cuja objetivo/fim é sempre a evangelização. Não se pode entrar num processo catecumenal sem a liturgia, sem o canto, sem a pastoral familiar, sem os missionários (COMIPA), sem a pastoral do batismo, sem a pastoral dos noivos, etc. TODOS precisam saber do que é que o catequista está falando, quando ele diz que a "catequese agora é IVC". Ninguém pode ficar "vendido" na história. Não é só a "catequese" que muda, muda toda a ação pastoral da paróquia.

4 - Por fim, é PRECISO criar uma COMISSÃO PAROQUIAL DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ, onde todas as lideranças paroquiais se façam representar. Esta comissão estará sempre em sintonia com o "Projeto diocesano de IVC", conforme Doc 107, item 138: "É fundamental ter um Projeto Diocesano de Iniciação à Vida Cristã, através do qual seja possível promover a renovação das comunidades paroquiais. Não se trata de fazer apenas "reformas" na catequese, mas, de rever toda a ação pastoral a partir da Iniciação à Vida Cristã".

Aqui, mais um documento precisa ser do conhecimento de todos os agentes de pastoral: O DOC 107 da CNBB - INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS. Este documento, aprovado em 2017, por meio do método Ver, Julgar e Agir, direciona as ações na implantação do processo catecumenal de evangelização. Todo mundo de livrinho azul na mão! Você já tem, já leu? A paróquia já divulgou o conteúdo a todos os agentes de pastoral?

Isso não é só coisa da catequese de crianças não! Se estiver “sendo”, pode ter certeza de que ela não vai ser “A” IVC, aquela mudança de que nossa Igreja precisa...

E por hoje é só! Amanhã tem mais!

Ângela Rocha
ADM Catequistas em Formação


* O Documento 107 da CNBB está a venda nas livrarias católicas, Paulus, Paulinas, Vozes, etc. e também na internet.



segunda-feira, 8 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE "IMPLANTAÇÃO" DA IVC - 1?

INICIAÇÃO à VIDA CRISTÃ: A gente tem falado tanto disso que parece até assunto velho já, porém, para algumas dioceses e paróquias a coisa é bem nova.

Para começar, quem trabalha com a CATEQUESE INFANTIL, ou seja, de crianças e adolescentes, em "fases" ou "anos", tem que começar a coisa fazendo "adaptações".

Isso porque a Catequese Catecumenal ou CATECUMENATO é para ADULTOS e não para crianças. E por mais que tenha gente por aí chamando criança batizada de catecúmeno, isso está muito ERRADO! CATECÚMENO é quem ainda NÃO RECEBEU O BATISMO. Até temos crianças em idade de catequese sem batismo, mas são bem poucas. E elas devem ser tratadas e catequizadas como as outras crianças.

Enfim, quem quer tratar de "INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ" deve:

1 - EM PRIMEIRO LUGAR, deve conhecer o RICA, aquele livrinho vermelho de que todo mundo fala, mas, poucos se deram ao trabalhar de LER e CONHECER a fundo. precisamos LER e entender como ele disciplina os sacramentos, ritos e celebrações. O RICA fala em ADULTOS, mas, tem um capítulo a respeito de "crianças em idade de catequese", que pode ser bastante aproveitado para ajudar na adaptação da catequese infantil.

Só um exemplo: estão sendo feitas muitas adaptações do RITO DA ELEIÇÃO ou inscrição do nome, com as crianças da eucaristia e adolescentes da crisma e, EM MOMENTO ALGUM, o livro RICA, QUE DISCIPLINA a parte litúrgica pede isso! Ele sugere que, com as CRIANÇAS, sejam feitos "RITOS PENITENCIAIS", privilegiando o sacramento da RECONCILIAÇÃO ou primeira confissão das crianças. Mas, tenho visto por aí este rito - eleição - sendo feito de "baciada" por aí, envolvendo cento e tantas crianças. Isso é, sem dúvida, banalizar o ápice da catequese no catecumenato, um dos ritos mais importantes dele. Mas, disso falamos noutra hora.

A conversa mesmo é COMO COMEÇAR a implantar a dita cuja da IVC. São "passos" gente! Passos vagarosos, mas, contínuos.

2 - A SEGUNDA coisa é REVOLUCIONAR a "Catequese de adultos" da paróquia - implantar o Catecumenato de Adultos - colocá-la nos eixos, e por eixo eu quero dizer ANO LITÚRGICO. Renovar o quadro de catequistas da CATEQUESE DE ADULTOS, colocar lá gente que esteja caminhado a passos com a IVC e tudo que se tem falado a respeito, não aqueles "velhos" catequistas que há anos trabalham só com o catecismo. Não dá mais, o CATECUMENATO é dinâmico e dinâmicas devem ser as pessoas que trabalham com ele. Se o pároco mandar aquele mesmo povo fazer "curso" e não colocar lá gente de cabeça aberta, nova em espírito, pode ter certeza que ele vai estar pondo roupa nova nos mesmos velhos espantalhos da Igreja e continuar fazendo catequese só para quem quer "casar na Igreja".

3 - E como o Catecumenato está estreitamente - tão estreita é a linha entre eles que parece uma só - ligado à liturgia; as coisas devem andar COM o ano litúrgico e não ano civil. Com isso a catequese da criançada deve começar a caminhar da mesma forma e aos poucos se acostumar a essa nova "mistagogia" pois a liturgia é feita de "mistérios", de espiritualidade e não de "planos de aula" de março a novembro.

Não precisa fazer nada radical do tipo começar a catequese no Tempo do Advento - porque aí é ir na contra mão da realidade mesmo - já que em nosso país começam as férias de verão e as crianças não começariam nada antes de fevereiro do ano seguinte.

Ideal é iniciar o processo catequético no Tempo Pascal, que é próprio para o querigma e cheio de mistagogia. E podem brigar a vontade com coordenadores e lideranças contrárias, o início ou "Rito de Acolhida" - este sim deve ser feito com as crianças E SUAS FAMÍLIAS - PRECISA SER MARCANTE! E precisa ter "espaço de manobra" para se trabalhar os itinerários.

Os meses de abril e maio são ideais para isso. As crianças não estão de férias da escola, já sabem onde vão estudar e em que horário, os pais já matricularam seus pequenos em todos os "cursos" possíveis (para ocupá-los no contra turno) e todo mundo já saiu do clima de "férias de verão". Quer tempo mais ideal além de se ter acabado de passar pelo tempo mais forte da evangelização, que é a Quaresma?

Pode-se marcar a Primeira Eucaristia em abril também, o Tempo é propício para isso. Não vai ter atropelos de final de ano e o sacramento não vai nem competir nem ser confundido com "formatura".

Taí! Esses são os PRIMEIROS PASSOS da catequese de crianças e adolescentes, para se ADAPTAR à IVC Catecumenal: Focar o ANO LITÚRGICO sem radicalismo, pois também temos que "viver" a realidade e o contexto dos dias atuais, e fazer um itinerário coerente com as liturgias dominicais, festas e eventos da Igreja.
Continuamos numa próxima publicação...

Ângela Rocha
ADM catequistas em Formação



quarta-feira, 27 de março de 2019

IVC E SEU RITOS: NÃO ME LEVEM A MAL, MAS...


 
Uma preocupação sempre presente na catequese: a conscientização dos pais sobre a importância e responsabilidade deles na caminhada da catequese. E, infelizmente, não temos tomados decisões lá muito coerentes. Além dos tradicionais comprovantes de presença nas missas e outras “chantagens”, uma nova “solução” tem se apresentado: a “Eleição” ou Rito do Eleitos.

Essa solução, sonhada por nós no processo catecumenal, tem sido utilizada na catequese infantil como uma "seleção" das crianças que podem fazer a Primeira Eucaristia, ou seja, fazer a "Eleição" (como no processo catecumenal) de forma a escolher dentre os pequenos, aqueles que merecem receber o sacramento da Eucaristia no tempo correto. Ou seja, pais que não caminharam na linha: filho fora da Primeira Eucaristia! Com isso aumentaria a "responsabilidade" dos pais em não deixar as crianças faltarem à catequese e levá-los à Igreja, participar de reuniões, etc.

Não estou criticando o processo em si. Na verdade, este é um sonho nosso: que haja a "Eleição" daqueles que foram catequizados, para que, purificados e iluminados na Quaresma, recebam os sacramentos no Tempo Pascal. Mas, será que todas as famílias que ficarem “de fora”, vão compreender o processo, sem ter passado por ele? Como uma criança sabe que está "preparada" para receber os sinais da graça?

E também fico pensando: O que sabem da vida, nossos catequizandos - ainda na infância - para entender a dimensão dessa eleição? Nossas crianças querem ser acolhidas e amadas, querem a aceitação dos pais, da sociedade. Fico pensando o que uma rejeição ou exclusão como esta - porque é isso que os pais acabam transmitindo a eles - fará com seu mundo em construção. Sendo que cabe aos pais leva-los à Igreja, o correto não seria envolver OS PAIS numa catequese formal, já que se trata de crianças? Como vamos mensurar o efeito disso? Os pais compreendem isso? Não está sendo mais uma “coação” do que evangelização?

Para que se perceba que alguém "permanece" na Igreja, no seguimento, são necessários muitos anos. Este é o meu medo: que esta seleção esteja só "amedrontando" os pais que tem uma fé infantil e rasa. Que "ai se seu filho não fizer a eucaristia, vai pro inferno" ou "se não tem sacramento, depois não casa", sejam os verdadeiros motivos de tal adesão.

De minha parte, como formadora e orientadora de catequistas, mesmo compreendendo as razões para esta "seleção", eu não concordo com ela. Estamos aqui, de certa forma, atendendo os "sãos" e esquecendo os "doentes". Estamos fazendo uma Igreja de exclusão, não estamos INDO às "periferias", onde está quem mais precisa. A Igreja precisa ser antes de tudo "acolhedora" e receber de braços abertos a TODOS, mesmo aqueles que vão à missa uma vez por ano. E, se pensarmos racionalmente, crianças não tem maturidade nenhuma para receber o Corpo de Cristo. Os ritos e a IVC catecumenal é para adultos, não tem como jogar para cima das crianças esta responsabilidade, baseado no seu “comprometimento” com a catequese.

São mais de 15 anos lendo e estudando os documentos sobre a IVC e o RICA, num esforço enorme para compreender todo o processo. TUDO o que se tem escrito a respeito, experimentado, ritualizado, a própria postura do nosso Papa, enfim... leio, leio tudo. E o que posso perceber, e o que nossos mestres estão dizendo, é que este processo não foi feito para CRIANÇAS.

A INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ, da qual falamos, é PARA ADULTOS. Para quem tem a maturidade para o encontro com o Cristo Ressuscitado, entendimento para se CONVERTER de verdade e liberdade de um SEGUIMENTO maduro. É preciso ser "dono" do seu nariz para isso.

Claro que ainda fazemos e faremos catequese com crianças! Mas, precisamos "inspirar" a catequese das crianças usando o modelo catecumenal e NÃO FAZER CATECUMENATO COM CRIANÇAS! Com crianças a gente inicia a amizade com Jesus, proporciona o encontro com a comunidade, faz catequese mistagógica e iniciática. ANUNCIANDO! Se é possível fazer a IVC com as crianças, que seja só o anúncio, o querigma, a pré-catequese.

Enquanto a Igreja estiver sendo procurada por famílias com suas crianças, vamos ACOLHER e fazer o melhor de nós para um ensino da fé coerente com a idade e experiências desta criança. E vamos correr atrás dos pais ausentes para evangelizar, tirá-los dessa compreensão equivocada que sacramento é para poder "casar na Igreja". Que 1º Eucaristia é para tirar foto para a avó ver, que ir à Igreja é "separado" da vida cotidiana.

Estes PAIS, estas FAMÍLIAS - tenham elas o formato que tiverem - PRECISAM ser EVANGELIZADAS. Senão, estamos sim, sendo EXCLUDENTES. Ao dizer a uma criança: "não, você não pode! ” Isso é para o bem de quem? Dela? Da família? Da Igreja? Da fé é que não é...

Nada contra, fazer rito com as crianças, desde que jamais se exija delas uma maturidade que elas não têm e uma escolha de caminho que elas, sozinhas, não conseguem fazer. É preciso "adaptar" os ritos. Mudar o passo, o caminho. Não amassar o mesmo barro com sapatos novos. A própria comunhão só vai ser entendida por muitas pessoas, lá na vida adulta, depois dos 30, 40 anos.

O Rito da Eleição, Exorcismos, Escrutínios, não têm o menor sentido na catequese de crianças. Com os jovens talvez. Acima de 14 anos não há pai que obrigue um adolescente a ir à Igreja se ele não quiser. Ele já pode “escolher” e de algum modo começar a caminhada da fé. Pensemos nisso! Mas, iniciação dos jovens tem que ser feita na linguagem do jovem, não na linguagem das catacumbas da idade média!

Fico triste, muito mesmo, quando se está apenas começando a começar um processo e já estamos "cantando vitória": Nossa que lindo: estamos fazendo rito da eleição na catequese infantil! E nem sabemos o que nossas crianças da "geração IVC" vão achar disso lá na frente. Vamos devagar com o andor. Estamos criando uma Igreja excludente, que elege os "sãos" para ficar, e manda embora os "doentes". Que "periferia" é essa onde estamos evangelizando? Estamos abrindo ou fechando portas?

Sou contra o "rito por rito" ou "porque é bonito". Adaptações podem ser boas, como as entregas de símbolos, que são revestidas de mistério, onde as crianças podem até associar às suas "conquistas". Mas, ainda prefiro “rito para bonito” do que implantar "eleição" para crianças, excluindo aquelas que não tiveram apoio da família na caminhada. Isso é mais cruel ainda. Que será que uma criança pensa quando sua catequista diz que ela não fará o sacramento com os outros amigos porque "não está preparada"?

Queremos fazer? Vamos fazer. Com as crianças que forem inscritas na catequese hoje, AGORA. E avisar a elas que se, em X anos, ela não vier a missa todos os domingos, aos encontros toda semana e não se comportar como católica, ela não vai receber o sacramento com os outros, vai esperar mais um pouco, até ser selecionada ou “eleita”. Aí, depois de 2, 3 anos, exclua ela se deu a ela todas as oportunidades e chances (Aha! E como é que se julga isso?). Aí, se ao longo destes X anos, que VOCÊ teve para evangelizar esta criança e os pais, você não conseguiu. Sinto muito, mas, VOCÊ não será ELEITO!

Bom, este texto não é CRÍTICA a ninguém! Não é ofensa. É uma reflexão. Que eu gostaria que todos os catequistas adultos fizessem a respeito da IVC, suas etapas, seus ritos e o que cabe na catequese infantil. Pensem e se questionem. É só o que quero de todos. Argumentem sim, sem criticar nem ofender ninguém. É isso que um catequista adulto faz.

Ângela Rocha
Catequista ainda amadora...

"De quem lê, espera-se que saiba pensar. Quem não sabe pensar, acredita no que pensa. Quem sabe pensar, questiona o que pensa."

(Pedro Demo - professor e sociólogo).