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quarta-feira, 23 de abril de 2025

APOSTILA CATECUMENATO DE ADULTOS: INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS


Catequistas em Formação apresenta um material completo e atualizado para a Iniciação Cristã de Adultos!

Nesta apostila você encontra:

Explicações sobre o que é o Catecumenato

Orientações para implantar na paróquia

Roteiros de encontros para até 1 ano de catequese

Celebrações próprias do itinerário catecumenal

Dicas práticas para os catequistas

Um verdadeiro caminho de fé e conversão, pensado com carinho para quem deseja evangelizar com profundidade e método!

R$ 40,00 - Pedidos pelo whats (41) 99747-0348

💬 Compartilhe com sua paróquia e sua equipe de catequese!

🕊️ “Ide e fazei discípulos…” (Mt 28,19)


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

I V C - Iniciação à Vida Cristã de inspiração Catecumenal


É tarefa da Igreja neste terceiro milênio, e exigência dos documentos – que a catequese da nossa Igreja, "assuma" a IVC – Processo de Iniciação à vida cristã pelo modelo catecumenal [1], como "Itinerário para formar discípulos missionários", conforme destaca o documento da CNBB, fruto da 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

Mas, nos deparamos com a seguinte questão:

Como inserir um processo de Iniciação à Vida Cristã (IVC), um modelo catecumenal, que remonta à Igreja dos primeiros séculos, neste mundo atual, tão midiatizado?

Tentando responder a esta questão, vamos discutir aqui os desafios e as perspectivas da IVC Catecumenal na catequese, sobretudo, de crianças, que são o maior “público” ou maior “demanda” hoje na pastoral. Sem contar a “catequese se adultos” que exige a implantação do modelo de catecumenato dos primeiros séculos, desde os documentos catequéticos pós Concílio.

Segundo o padre Luiz Lima (2014), a catequese nasceu nos primeiros séculos da Igreja, dentro de um processo chamado Iniciação à Vida Cristã, conhecido também por catecumenato; “nele os que se convertiam ao Evangelho eram verdadeiramente iniciados, mergulhados na vida nova de Cristo Jesus” (LIMA, 2014, p. 8). Nesse processo, a catequese era a etapa onde acontecia a instrução e o aprendizado da doutrina cristã, o aprofundamento a partir das Escrituras e o ensino dos Apóstolos, guiados por catequistas, pessoas especializadas e preparadas para este fim.

Essa catequese, além de ser “ensino”, estava imersa em muitas outras práticas como a oração, celebrações mistagógicas, liturgia, ritos, exercícios de vivência cristã, acompanhamento pessoal, etc. Era um processo verdadeiramente “iniciático” na vida cristã. No entanto, os destinatários ou interlocutores desse Catecumenato eram adultos e não crianças.

Dentro desse grande processo, a catequese, como momento do ensino, não era educação ou formação do tipo escolar, onde alunos adquirem conhecimentos de seus professores e são avaliados por eles. Não! Era uma iniciação que verdadeiramente tocava as raízes da vida, o sentido e orientação de toda existência. Dessa iniciação cristã, da qual fazia parte a catequese, saiam pessoas muito bem formadas, convictas da própria fé, da própria opção por Jesus Cristo e seu Evangelho, vivendo em comunidades vivas que davam autêntico testemunho de vida cristã. E aí estava a força da expansão rápida do cristianismo.[2]

Mas, com tantos anos de “conversas” (DGC, DAp  DNC, DpC, Doc 107, etc), como está o processo de iniciação à vida cristã em nossas paróquias? Em nossa Diocese? Documentos, encontros, seminários, formações que a Igreja vem fazendo e mostrando, tem tido representação dos catequistas de base? Está chegando aos catequistas estas informações? Quem está trabalhando com os novos manuais e itinerários criados pelas dioceses, está levando em conta esta proposta? Quem está se reunindo para criar roteiros de catequese está adaptando os roteiros a esta realidade? Ou está adaptando para crianças coisas de adultos? Será que não corremos o risco de mudarmos a "capa" e deixar o mesmo conteúdo?

Pergunto isso porque no contato com catequistas na internet, via redes sociais, tem me assustado um pouco a quantidade de solicitações de "roteiros" e dúvidas sobre isso ou aquilo da IVC pelo modelo catecumenal.

Se as comunidades estão "implantando" um modelo baseado no Ritual de Iniciação a Vida Cristã - RICA, o mínimo que se precisa ter são orientações da diocese e um itinerário. A catequese pelo processo catecumenal é um passo grande demais para ser "solitário". Não é um (a) catequista só ou uma comunidade só, que resolve. É e deve ser um processo global que envolve toda a Igreja.

Os ritos, celebrações e entregas não são uma "moda" a se aderir, coisas bonitas para impressionar a família e a comunidade, são ações dentro da liturgia da Igreja. Precisam que os padres liderem e presidam as celebrações, que a comunidade esteja informada, que as famílias sejam participantes e, sobretudo, que essas ações dentro do rito da missa, não atrapalhe os ritos litúrgicos. Não é só uma simples "festa", não é ritualismo e enfeite, penduricalho, é mistério, anúncio e deve levar à espiritualidade e ao aprofundamento da fé, principalmente dos adultos!

Segundo o padre Lima (2014)[3]:

Diante do pluralismo de hoje e de uma sociedade descristianizada, a proposta da Igreja é retornar ao catecumenato, esse eficaz processo iniciático da Igreja Primitiva. Então a catequese retornará ao seu verdadeiro lugar e não será uma atividade independente dentro da Igreja, como acontece hoje. Além do anúncio da Palavra de Deus e do ensino da doutrina conduzidos pelos catequistas, o processo de Iniciação Cristã envolve muitas outras forças da comunidade (introdutores, acompanhantes, padrinhos, apoio da família), sobretudo a Liturgia, pois é nela que se faz a verdadeira experiência do mistério de Cristo Jesus.

Cuidemos para não cometermos os mesmos erros da catequese sacramental que vem sendo praticada há anos em nossa Igreja. Vamos dar significado às coisas, fazendo jus ao apelo na carta de Pedro: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês“ (1Pd 3, 15).


Ângela Rocha
Catequista e formadora.
Graduanda do 4º Período de Teologia - PUCPR

 

[1] CATECUMENAL vem de Catecumenato ou Catecúmeno, do Latim catechumenu, do Grego katechoúmenos, que significa “o que é instruído de viva voz”, aquele que se prepara e se instrui para receber o batismo.

[2] LIMA, Luiz. A situação da catequese hoje no Brasil. Revista de Catequese 143. Jan-jun 2014. São Paulo: UNISAL, 2014, p. 6-7.

[3] Idem.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ





A INSPIRAÇÃO CATECUMENAL DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

A Iniciação à Vida Cristã resgatada pelo Concílio Vaticano II busca inspiração nas fontes do cristianismo, ou seja, nas experiências de transmissão e educação da fé das primeiras comunidades. 

O fato: a ressurreição de Jesus.
A experiência: a unidade da fé em comunidade. 
A experiência pascal da ressurreição de Jesus revelou à comunidade o valor de permanecerem unidos (Jo 20,19). Outra experiência, agora pós-pascal, foi a consciência de que Jesus se tornou corporalmente ausente: “Homens da Galileia, por que vocês estão aí parados?” (At 1,11). 
Neste misto de experiências, a comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus dá destaque para os fatos que ficaram na memória, passando a recordar os lugares e os gestos de Jesus de Nazaré. Dizemos, portanto, que a comunidade se dá conta da importância das experiências pré-pascais. E viverá da recordação destes fatos, interpretando-os na força da ressurreição.
Mas, onde fica a inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã, em meio a tantos fatos e experiências? 
Conversamos anteriormente que a novidade da Iniciação à Vida Cristã se dá na transmissão da fé ao longo de um caminho, um itinerário. Em vista disso é que se fala em inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã, ou seja, a educação da fé que leva em conta as experiências da comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus antes, durante e depois da Páscoa. O que nos revela um percurso de transmissão e educação da fé cristã. 
Na Apresentação do Documento 107 da CNBB temos: “Um itinerário! Um caminho de pertencimento. O movimento de quem está a caminho, que se põe a caminho, que faz o caminho, percorre o caminho de Jesus Cristo. Uma pessoa discípula, aprendiz, seguidora. A pessoa que aprende com o Mestre Jesus”. 
A inspiração catecumenal, portanto, é despertar para a arte de anunciar Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus, com a mesma motivação, sentimentos e testemunho como os cristãos e cristãs faziam nos primeiros séculos. Ainda somos reféns de itinerários lineares, que ensinam doutrinas e preparam tão somente para os sacramentos. 
Na inspiração catecumenal o mais importante é a pessoa de Jesus Cristo. O que salva é a pessoa de Jesus Cristo, e nãos as ideias e teorias acerca dele. “O caminho de formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque lhe conhecem a voz” (DAp 277). 
E, por último, a iniciação à vida cristã, que passa pelo itinerário formativo e pela centralidade de Jesus Cristo, é uma metodologia destinada aos adultos. Pessoas adultas são capazes de fazer sua opção de escolha. Em se tratando de fé, a escolha é fundamental para o seguimento, àquilo que dá sentido no caminhar. Em nosso contexto, em que a maioria dos católicos são batizados quando crianças, a inspiração catecumenal é uma resposta à necessidade de completar a formação bíblica e missionária dos batizados. 
A inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã é uma proposta de metodologia em tempos de conversão pastoral. E, por ser caminho metodológico, fará surgir um jeito, um modo de ser Igreja-comunidade, que será diferente do nosso jeito de ser Igreja atual. Mas para isso, é preciso investir na inspiração catecumenal por completo, não apenas em partes. Esse é o tema da eclesiologia da Iniciação à Vida Cristã de inspiração catecumenal, tema de nossa próxima contribuição. Até lá. 
Ariél Philippi Machado
Teólogo
Assessor de catequese na Arquidiocese de Florianópolis-SC
Fonte: CNBB


terça-feira, 30 de julho de 2019

CATEQUESE DE INSPIRAÇÃO CATECUMENAL

RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA NA PARÓQUIA CRISTO REI – ARQUIDIOCESE DE MANAUS - I
A Paróquia Cristo Rei fica situada na periferia da cidade de Manaus, Estado do Amazonas, pertence à Arquidiocese de Manaus e possui 5 (cinco) comunidades.

Nossa experiência iniciou em 2010 quando ainda fazia parte da Coordenação Paroquial de Catequese da referida Paróquia e comecei a ouvir e me encantar com a Catequese de inspiração catecumenal. Junto com outros catequistas buscamos informações através de livros e dos encontros que a Arquidiocese oferecia sobre o tema. Motivada, iniciei o diálogo com nosso Pároco que solicitou uma proposta mais concreta. Então elaborei um Projeto de implantação da Catequese de Inspiração Catecumenal para nossa Paróquia e apresentei ao Padre que me orientou a fazer algumas correções até que chegamos a um consenso. Nesse mesmo período falei aos catequistas sobre esse estilo de catequese e como poderia mudar nossas vidas e nossa comunidade em diversas reuniões e encontros. Um verdadeiro trabalho de formiguinha guiada pelo Espírito Santo.

No final de 2010, apresentamos a proposta desse estilo de catequese na Assembleia Paroquial e o Padre colocou em votação, sendo a proposta aprovada. A intenção era iniciar em 2011 um Processo formativo com os catequistas da Paróquia que contemplasse encontros de catequese celebrativos, litúrgicos e mistagógicos em substituição às famosas “palestras” e que nos fizesse vivenciar um processo “novo” que não conhecíamos. 

DIFICULDADES PELO CAMINHO

Em 2011 demos início a vivência catecumenal com os catequistas, porém devido à mudança de Coordenação a proposta não ocorreu como o esperado e tivemos que fazer uma pausa, retornando o processo em 2012 resgatando as temáticas, etapas, ritos e compromissos próprios do estilo catecumenal a  fim de formar um grupo de catequistas com perfil para este estilo de catequese.

PROCESSO FORMATIVO COM OS CATEQUISTAS BASEADA NA ESTRUTURA DO RICA.

· Fizemos um Encontrão de catequese para explicar o “novo processo” de catequese e fizemos o convite àqueles que desejavam ser catequistas, na ocasião 53 pessoas aceitaram, entre catequistas que já atuavam e novos candidatos;
· Dividimos a Paróquia em 3 pequenos subgrupos para a realização dos encontros;
· Cada grupo participava de 3 encontros de catequese e depois seguia para a Celebração/Rito, conforme a adesão e compromisso.

Organizamos o processo formativo com catequistas da seguinte forma:
PERÍODO
TEMPO/ETAPA
TEMÁTICA
Fevereiro à Abril de 2011
Pré-catecumenato
(3 encontros com cada sub-grupo)
Quem é Jesus (a partir do Evangelho de Marcos).
Janeiro e Fevereiro/2012
Catecumenato: Rito de entrada com os catequistas (Entrega da Cruz e da Bíblia).

- Reflexões sobre o Pai Nosso e Creio;
-Sacramento da Penitência (Catequese com o Padre)
Março e Abril/2012
Purificação – Ao final deste tempo participamos de uma celebração para Renovação das Promessas do Batismo e Envio dos catequistas.
- Evangelho da Samaritana, Cego de nascença e Ressurreição de Lázaro;
- Catequese com o Padre (Sacramento da Penitência e o perdão).
Maio e Junho/2012
Mistagogia – Retiro:
Ser missionário
- Estudo 97 e planejamento das atividades para as turmas de catequese

Junho/2012

Início do Processo com as turmas de catequese
*A prioridade para as alterações na catequese se deram com as turmas de adultos e jovens em preparação para a Crisma.

Os resultados desse processo formativo:
              Levantamento inicial: 53 interessados
              Iniciaram a formação catecumenal: 45
              Concluíram esta fase do processo: 35 catequistas.
Percebemos que alguns catequistas não tinham Sacramento da Crisma e nem do matrimônio. Esses catequistas ficaram sensibilizados a fazer catequese com adultos e preparação para o Sacramento do matrimônio (tivemos 3 matrimônios até o fim do ano de 2012).

ALGUMAS ADEQUAÇÕES NA CATEQUESE:
  • Convite: Mudar a forma como chamamos os catequistas para o Serviço da Catequese;
  • Necessidade de mudança de mentalidade em relação ao processo de catequese e compromisso da comunidade, esclarecer e sensibilizar os catequisas para o “novo”;
  • No ano de 2012 mudamos o calendário para a catequese começar em Maio, enquanto os catequistas vivenciavam o novo estilo de catequese;
  • Celebramos Sacramentos de Eucaristia e Crisma somente de catequizandos que faziam preparação há mais de dois anos;
  • Iniciamos as inscrições para novos catequizandos a partir de Junho;
  • Organização da catequese e da Celebração dos Sacramentos de acordo com o ano litúrgico;
  • Promover o Batismo dos catecúmenos na Vigília Pascal;
  • Engajamento dos eleitos nas pastorais;
  • Turmas reduzidas de catequizandos para melhor acompanhamento dos mesmos;
  • Início de implantação do catecumenato com catequizandos priorizando os adultos e jovens em preparação para CRISMA.

Ressalto que esse processo foi possível porque estivemos em sintonia com a Coordenação Arquidiocesana de Catequese (CAS), que realizou nesse período o primeiro Seminário Arquidiocesano de Iniciação à Vida Cristã e organizou uma Comissão de IVC para elaborar um Projeto único que envolvesse todas as pastorais.

Grupo que finalizou a formação


Catequeses

Renata Bianca Freire
Paróquia Cristo Rei - Manaus AM

sábado, 27 de julho de 2019

HISTÓRIA DA MISSA COMO “DESPEDIDA”


Você sabia que, nos primeiros séculos da Igreja, os catecúmenos (não batizados) não podiam participar da missa?

Recentemente uma catequista relatou que na paróquia onde frequenta, as crianças pequenas, que ainda não fazem catequese ou estão na pré-catequese (menores de 8,9 anos), são convidadas a sair do espaço da missa logo depois da acolhida e só voltam ao final, para a bênção. Para muitos isso causa um pouco de espanto e pareceu errado. Ou ainda que o pároco está sendo "cruel" ao dispensar as crianças da missa, já que estas, normalmente não se acomodam, dão um certo trabalho às catequistas e não permanecem em silêncio. Então... vamos levá-las para outro lugar onde não incomodem! E para a missa, sai a criançada e ficam vários bancos vazios na Igreja.

Por mais ilógico que isso pareça, não é absurdo, exagero ou crueldade. Não conheço a paróquia em questão e nem os itinerários utilizados, mas, a prática parece de acordo com o Processo Catecumenal de evangelização. E pode não ser coisa do Espírito Santo, mas, foi de São Justino, Santo Hipólito, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e vários outros Santos Padres da nossa Igreja. Esta era uma prática da Missa nos primeiros séculos da nossa Igreja, que deixou de ser feita no século IV, quando o batismo de crianças se tornou uma prática normal.

O que temos visto em alguns lugares, é que se tem procurado adaptar o processo catecumenal aos dias de hoje, utilizando-se práticas um pouco diferentes da que estamos acostumados. E precisamos conhecer todos os lados.

Muito se tem absorvido da IVC utilizando-se ritos e celebrações do RICA – Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, livro Litúrgico da Sagrada Congregação para o Clero (Santa Sé) que disciplina a iniciação de adulto à vida cristã. No entanto, os ritos e celebrações do RICA, para as crianças, não pode ser absorvido como um todo, ele precisa ser adaptado à Igreja do século XXI com todos os problemas que ela vive hoje.

Vamos lembrar um pouco da nossa história para entender!

A missa é uma prática relatada desde o primeiro século da nossa Igreja, claro que não da forma como a conhecemos. Quem conhece o Didaquê? Então, Didaquê é o nome das primeiras catequeses dos discípulos de Jesus (Temos o documento na íntegra em nosso blog se alguém quer conhecer).  Pois bem, o Didaquê recita a missa em seu catecismo nº XIV e também podemos ver uma "missa" em Atos 2, na doutrina dos apóstolos, em Atos 20 e também na 1ª Carta aos Coríntios 10 e 11.

Mas, onde quero chegar?

Que a "missa" existe praticamente desde a morte de Jesus, não da forma como a conhecemos, é lógico. Ela foi mudando ao longo do tempo. Encontramos nos escritos de São Justino no século II e Santo Hipólito (aliás, é dele a primeira Oração Eucarística) as descrições da missa, sua ordem, a ordem dos ritos, etc.

Agora vamos a ORIGEM da própria palavra MISSA.

A palavra missa vem de "missio", que significa missão, envio, ou seja, uma despedida.

E onde ocorria a primeira "despedida" nas celebrações antigas? Justamente na "despedida dos catecúmenos", na saída daqueles que ainda não tinham recebido os sacramentos. Isso era feito logo após a homilia ou sermão.

Naquela época não era permitido aos catecúmenos participar da oração eucarística porque eles ainda não estavam "prontos", preparados para receber a Eucaristia. Aliás, não eram só eles que eram "despedidos" no meio da missa, os "penitentes" também eram. Saiam e as portas eram, inclusive, fechadas para que eles não soubessem o que acontecia no rito dali para frente.

E vocês pensam que comungar era tão fácil como é hoje? Não era não!

Se você fosse um pecador (penitente) em arrependimento passava por longo processo até receber a reconciliação. E, se a recebia, e pecava novamente, nunca mais era admitido na Eucaristia! Algumas pessoas chegavam a viver um catecumenato permanente, não podendo comungar, de medo de voltar ao pecado e então não poder passar pelo processo novamente.

Então o nome "missa" vem da despedida dos catecúmenos, que designava tal momento da missa. Lá pelo século IV que o termo passou e a ser aplicado a todo rito eucarístico, de modo que este passou a ser chamado de MISSA integralmente.

Vejam só que ironia: foi a "despedida" no meio da missa, daqueles que não podiam comungar, que deu o nome a ela!

Mas, como dissemos, a missa foi mudando ao longo do tempo. Só para vocês terem uma ideia, a missa já chegou a ter SEIS leituras. E antes da reforma atual, terminava a Eucaristia, seguia-se a bênção, se rezava o último Evangelho (prólogo de S. João), rezava-se três Ave Marias, duas orações e a invocação ao Coração de Jesus, para, só então o padre dar a bênção final e a despedida.

Vocês conseguem imaginar uma criança com seis ou sete anos numa missa assim, de três ou quatro horas?

Portanto, a "despedida dos catecúmenos" subsistiu durante quase quatro séculos na Igreja. Pelos escritos de São Justino e São Clemente vemos a descrição desta despedida após o Credo ou após a Oração dos Fiéis, que só aparece mesmo no século V, antes era apenas uma oração pela Igreja e pelos fiéis que só o bispo fazia.

Por falar em Credo, naquela época só podia recitar o Credo quem já estivesse admitido para receber os sacramentos e tivesse recebido a oração no ritual. Quem ainda não tinha passado pelo rito, só podia escutar de boquinha fechada.

A prática da despedida foi cessando à medida que se passou a batizar crianças pequenas. Isso depois que vários doutores da Igreja começaram a defender a tese do pecado original na concepção. Quase a totalidade das pessoas no final do século IV e V já eram cristãs, logo não havia mais o catecumenato como iniciação cristã, e as práticas dele foram morrendo. A fé cristã era passada pelas famílias às crianças e não se via mais a necessidade de uma catequese com adultos. A ideia era a de que TODOS já eram cristãos desde a barriga da mãe, faltava então, batizar com a "água do Espirito" para livrá-los do pecado original.

Mas, o mundo mudou novamente. E nem é preciso dizer para vocês como e onde. Vivemos esta realidade hoje na catequese. Que família é catequizada e catequiza os filhos? Poucas na verdade. Então a Igreja sente a necessidade de se voltar a atenção aos adultos novamente, já muitos foram “catequizados”, receberam os sacramentos da iniciação, no entanto, não estão evangelizados.

No século XX a Igreja percebeu que precisava mudar, renovar-se. E aconteceu o Concílio Vaticano II, onde, entre outras coisas, pediu-se a volta do processo CATECUMENAL, que, em sua essência, catequiza adultos e não crianças.

Mas, a nossa cultura, não pensa catequese como INICIÁTICA (de iniciação) e sim, como SACRAMENTAL, ou seja, se eu falar para vocês que precisamos fazer catequese com os adultos, qual a primeira dúvida que vem na cabeça? “Mas, e os sacramentos? E se ele já é batizado? Se já comunga? Por que catequese? Ah! ele não vai querer!”.

Infelizmente fizemos, nestes séculos todos que se passaram, que os sacramentos passassem de uma "parte do processo", a OBJETIVO da catequese. Então se a pessoa já recebeu sacramento, para que catequese? Esse é nosso primeiro pensamento.  E não importa se a pessoa sabe ou conhece o rito, vive o rito, sente o rito; importa que ele pode entrar na fila para receber a comunhão. Não é assim que queremos "doutrinar" nossos pequenos desde cedo? Para que eles "aprendam" como entrar na fila e não fazer feio? Que eles saibam o que está acontecendo e ENTREM VERDADEIRAMENTE na MISTAGOGIA da fé, é coisa secundária.

Agora vamos a este caso específico de se estar retirando os pequenos no meio da missa e, de repente, ficar um vácuo de bancos no meio da Igreja, parar o rito e tudo mais.

Primeiro: existe um RITUAL de despedida, com bênção e tudo mais, inclusive descrito pelo RICA itens 96, 160 e outros. Não é, simplesmente, as catequistas arrancarem as crianças dos bancos e levarem para outra sala.

Segundo: estas crianças nem deviam estar lá! Por que fazemos catequese com crianças que deviam estar sendo catequizadas pelos pais? Estas crianças podem, evidentemente, estar na missa sim! Sentadinhos com sua família, aprendendo COM ELA, o silêncio, a contemplação, a oração.

Pelo que foi dito, percebe-se que, equivocadamente, está se usando um RITO antigo, “Despedida dos catecúmenos”, com quem nem é catecúmeno! Usando razões psicopedagógicas, ou seja, a criança de hoje em dia não se concentra na missa, não consegue prestar atenção em nada, utiliza-se esta prática. Bom, se esta é a explicação, ela é bem "furada". Por que se faz pré-catequese com crianças pequenas, então?  Que pré-catequese é essa? Ela não precisa se concentrar? Prestar atenção?

Agora um alerta final: Fazer iniciação a vida cristã com crianças, sem ter feito antes com as catequistas delas, com os pais delas? No final das contas, não está entendendo nada, nem quem manda e nem quem obedece. Primeiramente, os catequistas deveriam entender o que está acontecendo, depois os pais e as crianças. A comunidade então, deve estar completamente “vendida” nesse processo todo! Estamos andando na contramão faz tempo. Estamos tentando evangelizar crianças para ver se elas evangelizam os pais. Pode acontecer é claro, mas, qual é realmente a probabilidade de que isso aconteça?  

Muitas paróquias estão tentando estabelecer o processo catecumenal, mas estão com a "clientela" errada. Fosse eu, repensava a pré-catequese, incluía a família e ensinava todos a participar da missa.

Ângela Rocha
Catequista
ADM Catequistas em Formação



sexta-feira, 19 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 4: Introdutor, quem é ele?


QUEM É ESTE TAL DE "INTRODUTOR"?

Bom, vocês devem já ter lido bastante sobre o modelo catecumenal e visto que, o primeiro Tempo, ou seja, o Pré-catecumenato, ou até antes dele, exige uma "figura", que se chama INTRODUTOR. Mas, que figura é essa? Quem seria essa pessoa, responsável pelo "primeiro anúncio" e introdução na comunidade? Dá para "nomear" alguém pra sair por aí buscando ovelhas perdidas do redil do Senhor? É possível fazer "curso" para ser introdutor?

E cada vez que me fazem estas perguntas, mais pulgas se mudam para detrás da minha orelha... Já escrevi um texto sobre isso e vou reeditá-lo para vocês entenderem meu ponto de vista.

“Quem é, afinal, a figura do INTRODUTOR, no processo de Iniciação à Vida Cristã”?

E muito se discute e muito se atribui a tão importante figura que, no entanto, ninguém sabe direito quem é. Algumas paróquias “preparam” pessoas para ser esse introdutor, outras até constituem grupos de introdutores. E muitas ainda estão procurando o dito cujo...

Primeiro vamos ao conceito mais simples do que seria um “introdutor” em qualquer lugar que seja:

É aquele que leva alguém a algum lugar, fazendo com que esta pessoa participe de um clube, instituição, agremiação, grupo, etc. Claro que antes ele precisa fazer com que essa pessoa partilhe dos objetivos e ideais daquele grupo.

Agora vamos aos nossos conceitos na iniciação cristã:

Primeiro vamos pensar que “cabe a todo discípulo de Cristo a missão de difundir a fé” (Conc. Vat, II – Lumien Gentium, 17). A este respeito podemos encontrar no item 41 do RICA, uma explanação mais completa a este respeito. E no item 42 temos que:

O candidato que solicita sua admissão entre os catecúmenos é acompanhado por um introdutor, homem ou mulher que o conhece, ajuda e é testemunha de seus costumes, fé e desejo”.

Ou seja, o introdutor é aquele que dá testemunho a respeito do candidato a ponto de tornar-se seu “padrinho” se assim for a vontade do catecúmeno. Esta pessoa "conhece" e sabe da vontade do outro em entrar para a comunidade cristã e o acompanha durante todo o processo.

Com certeza é um “papel” sério demais para se exercer na vida de alguém e não uma “designação” que se dê a uma pessoa específica, cuja função seja acompanhar a quem não conhece e não convive no dia a dia.

Por isso, e por acreditar que “introdutor” não é um título e nem um ministério que se dê a alguém depois de um "curso", penso que é necessário a comunidade se atentar ao que diz o Decreto Ad Gentes (14):

O povo de Deus, representado pela Igreja local, sempre compreenda e manifeste que a iniciação dos adultos é algo de seu e interessa a todos os batizados”.

Portanto, a nós, todos os batizados, compete o papel de “introdutores” na fé. Não sou só eu, catequista ou agente de pastoral. Somos todos nós que vivemos e participamos da comunidade católica. Que são aqueles que devemos "introduzir"? São todas aquelas pessoas que conosco convivem: nossos vizinhos, nossos amigos e todos aqueles a quem a mensagem do Reino de Deus precisa chegar. São pessoas do nosso convívio que se encontram afastadas da Igreja e de Jesus por um motivo ou outro. Ou ainda aqueles que nunca ouviram falar do que se vive ao acompanhar Jesus pela vida afora. |Obviamente vamos encontrar mais "desiludidos" na fé do que pessoas que não conhecem Jesus.

Falaremos mais disso numa outra publicação...

Aproveite para levantar suas dúvidas sobre o "INTRODUTOR"...

Ângela Rocha
Administradora




segunda-feira, 15 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 3


O QUE É A "IVC" AFINAL?

A chamada Catequese de “IVC”, sigla para Iniciação à Vida Cristã,  é um processo diferenciado da catequese a que estamos acostumados, pois ela assume um lado mais “Iniciático” da fé, em detrimento de uma catequese “sacramental” (apenas para se adquirir os sacramentos) e excessivamente doutrinal (voltado ao catecismo). Com a IVC, ela assume algumas características importantes: é querigmática, Cristocêntrica, é Celebrativa, é Orante, é Litúrgica, é Mistagógica.

Sua inspiração é o "Catecumenato", processo catequético instituído nos séculos I e II da era cristã. O processo de Iniciação à Vida cristã era constituído de 4 TEMPOS e de 3 ETAPAS ou "passagens", conforme se vê na imagem:


Com a IVC de Inspiração Catecumenal, a Igreja assume que é preciso “voltar” aos primeiros tempos da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã, onde a catequese era feita, realmente, para INICIAÇÃO na fé. Ali iniciava-se o Cristão de forma tão intensa e profunda que ele era capaz de dar a própria vida pela sua fé.

Ao longo dos séculos, com propagação do cristianismo, perdeu-se muito deste estilo e foi-se assumindo uma catequese de “manutenção” e exclusivamente “sacramental” e “doutrinária”, partindo-se do princípio que “todos” já nasciam no seio de uma família cristã, que proporcionava os primeiros rudimentos da fé católica.

Hoje, sabemos que isso não acontece mais. As próprias famílias perderam suas referências cristãs e não fazem mais o "anúncio" e nem a "pré" catequese das crianças. E a fé não é mais encarada como um “encontro” pessoal com Jesus e inserção numa comunidade. Hoje ela é mais ligada a inserção num círculo social do que ao "seguimento" de Jesus Cristo.

E muito se tem "ouvido falar" na IVC em nossas paróquias. No entanto, ainda sem o devido conhecimento a respeito. E muito mais sem orientação do que se poderia imaginar.

Então, tem sido comum "ouvirmos" que "Nossa catequese é pelo processo do RICA"... se atinar ao fato de que o RICA* é um livro com instruções litúrgicas para as celebrações e ritos (e para adultos, principalmente!), e não um Diretório catequético.

Também ouvimos falar que "Nossa catequese é de IVC, estamos fazendo as entregas"... de novo, sem entender que, entregar um "símbolo" de fé, pura e simplesmente, sem uma catequese orientadora e iniciática por trás, é mero ritualismo.

E, finalmente, a última... "Nossa CATEQUESE assumiu a IVC." Se só a "catequese" assumiu a IVC, deixando-a restrita à pastoral catequética, ela não é Iniciação à Vida Cristã. Se ninguém, além dos catequistas, sabem o que é IVC, ela não é Iniciação à Vida Cristã. A IVC precisa ser assumida por TODA A PARÓQUIA, começando pelo padre, pelo CPP e por todas as pastorais. A "pastoral catequética" é apenas uma "parte" do processo, assim como a pastoral do batismo e a Catequese de adultos que caminha separada da infantil e a preparação de noivos feita pela Pastoral Familiar.

Tirando a catequese de Adultos, a catequese de CRIANÇAS e Adolescentes NÃO É uma IVC pelo processo catecumenal (assim como a preparação de noivos e batismo de crianças).

O processo catecumenal do RICA foi feito para CATECÚMENOS, ou seja, para quem ainda não foi batizado. A catequese de Eucaristia e Crisma, devem aproveitar o que já está sendo feito e gradualmente ir se adequando ao processo catecumenal. Na catequese de crianças, pode-se instituir alguns ritos e celebrações INSPIRADAS no catecumenato para dar mais “mistagogia” ao processo catequético. Já o CATECUMENATO DE ADULTOS, tem uma metodologia própria, segue as orientações do RICA com um pouco mais de proximidade.

Uma sugestão é que se faça Catecumenato com as famílias/pais dos catequizandos da Catequese Infantil, mesmo para aqueles que já tenham os sacramentos, como forma de Re-evangelização daqueles que tiveram uma catequese exclusivamente sacramental.

Mas, primeiramente, como já foi comentado, TODAS as Arquidioceses e Dioceses, devem ter um PROJETO ou DIRETÓRIO de INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ. Este PROJETO ou Diretório é um instrumento que vai auxiliar todas as paróquias a conduzir e formar uma unidade entre as comunidades para que a IVC funcione de forma coesa e eficaz.

Continuamos nossa conversa ainda...

Ângela Rocha
ADM Catequistas em Formação