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sábado, 28 de dezembro de 2024

AS OITAVAS DO NATAL: FELIZ NATAL!

 Vocês sabem que não é errado desejar “Feliz Natal” depois do dia 25 de dezembro? Pois é, para a Igreja Católica, celebramos o Natal por mais OITO dias. São as “Oitavas do Natal”!

POR QUE NAS OITAVAS TODOS OS DIAS SÃO NATAL?

Infelizmente, a maioria dos católicos não sabe a importância das Oitavas de Natal, bem como da Oitava da Páscoa. Essas duas solenidades litúrgicas são as mais importantes do Ano litúrgico, pois marcam o Nascimento e a Ressurreição de Jesus, sendo assim, a Igreja prolonga as suas celebrações por oito dias.

Mas qual seria a sua intenção? Com o propósito de que esse “tempo especial de graças”, que significa a Páscoa e o Natal, estenda-se por oito dias e o povo de Deus possa “beber mais copiosamente” e por mais tempo as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre elas suas bênçãos copiosas.

Mas só poderá se beneficiar dessas graças abundantes e especiais aqueles que têm sede, que conhecem, que acreditam e que pedem. É uma lei de Deus: quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.

Celebração dos santos nas Oitavas

As mesmas graças e bênçãos do Natal se estendem até o final da Oitava. Neste período, a Igreja acrescenta a celebração de alguns santos. No dia 26 de dezembro, por exemplo, a memória do grande Santo Estevão, o primeiro mártir do cristianismo, para que, com sua intercessão, as graças do Natal sejam ainda mais copiosas sobre nós.

Depois, temos a memória dos santos inocentes, os quais Herodes mandou matar. Eles intercedem por nós com seu sangue inocente. Também São João evangelista, o “discípulo que Jesus amava”, e outros santos.

No meio da Oitava, no domingo após o Natal, a Igreja nos faz olhar e meditar na Sagrada Família de Nazaré. É hora de dizer como a música: “Jesus, Maria e José, nossa família vossa é!”. É o momento de fazer um longo silêncio diante do Presépio e aprender as grandes lições dessa Família através da qual o Salvador quis entrar em nossa história.

(Felipe Aquino – Blog Canção Nova).

OITAVAS DO NATAL

É importante resgatar a dimensão Pascal do Natal. O presépio, as encenações, os gestos e os cânticos do Natal e da epifania devem nos ajudar a celebrar a “passagem” solidária de Deus na pobreza da gruta, na manifestação Jesus aos povos, em Belém, e na manifestação a seu povo, no Jordão. Os ofícios de vigília, com o simbolismo da luz, retomam, de modo especial, o clarão da vigília pascal: lembram o nascimento e a manifestação do Senhor Jesus qual luz a iluminar os que andavam nas trevas. O Rito da aspersão, especialmente na festa do batismo, expressa o nosso mergulho na divindade do Cristo, do mesmo modo como ele mergulhou em nossa humanidade.

A prática da celebração das oitavas pode ter tido suas origens na celebração de oito dias da Festa dos Tabernáculos e da Dedicação do Templo do Antigo Testamento. Porém, o número “oito” também pode ser uma referência à ressurreição, que na igreja antiga era geralmente chamada de “oitavo dia”.

Por esta razão, antigas fontes batismais e tumbas cristãs tinham a forma de octógonos. A prática das oitavas foi introduzida pela primeira vez por Constantino I, por conta da festa de dedicação das basílicas de Jerusalém e Tiro, que duraram oito dias. Depois disso, festas litúrgicas anuais passaram a ser observadas na forma de oitavas. As primeiras foram a Páscoa, o Pentecostes e, no oriente, a Epifania. Isto ocorreu no século IV d.C. e indicava a reserva de um período para os conversos terem um alegre retiro.

O desenvolvimento das oitavas ocorreu vagarosamente. Do século IV até o VII d.C., os cristãos observaram as oitavas com uma celebração no oitavo dia, com poucas liturgias durante os dias intermediários. O Natal foi a próxima festa a receber uma oitava. Já pelo século VIII d.C., Roma tinha desenvolvido oitavas não somente para Páscoa, Pentecostes e Natal, mas também para a Epifania e as festas de dedicação de igrejas individuais. Do século VII d.C. em diante, as festas dos santos também passaram a ter oitavas (uma festa no oitavo dia e não uma festa de oito dias), sendo as mais antigas as festas de São Pedro e São Paulo, São Lourenço e Santa Inês. A partir do século XII d.C., o costume passou a ser a observância dos oito dias intermediários, além do oitavo. Durante a Idade Média, as oitavas para diversas outras festas e dias santos eram celebradas de acordo com a diocese ou a ordem religiosa.

Fonte: Mons. Carlos - http://encontrocomcristo.com.br/oitava-do-natal/


CELEBREMOS!



terça-feira, 11 de abril de 2017

O TRÍDUO PASCAL: TRADIÇÃO, RITOS E COSTUMES



O Tríduo Pascal, além de ser um Tempo mais do que especial na Igreja, marca também pela riqueza de seus ritos e celebrações, nem sempre conhecidos pelo próprio católico. Somados à Tradição da Igreja a ao ordinário da Liturgia, temos também os costumes e devoções do povo, que sente e sofre com Jesus de Nazaré em sua paixão e morte e rejubila-se com Ele na Ressurreição, mostrando em procissões, Via- sacras, encenações o quanto vive a sua fé.

A Semana Santa, de modo especial, o Tríduo Pascal, é o centro de toda a celebração litúrgica anual, momento alto em que se celebra a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. O Tríduo Pascal (em latim Triduum Paschal) compreende a Quinta-Feira Santa, a Sexta-Feira Santa e o Sábado Santo em preparação para a maior festa da Igreja, que é a Páscoa, ressurreição de Nosso Senhor.

QUINTA-FEIRA SANTA (Quinta-feira da Ceia)


Cristo lavando os pés dos apóstolos, Meister des Hausbuches, 1475.

A Quinta-Feira Santa, é marcada pela Instituição da Eucaristia, do Sacerdócio Ministerial e um dos gestos significativos deste serviço é o lava-pés.  Na Igreja Católica, na missa durante o Glória todos os sinos da igreja devem dobrar, só voltarão a ser escutados na proclamação da Glória na Vigília Pascal.

Após a homilia ocorre o ritual do Lava-pés pelo sacerdote. A missa termina com a transladação do Santíssimo Sacramento para um lugar menor. Adoração Eucarística é recomendada, mas deve ser feita sem solenidades. Todos os altares da igreja ficam desnudos, exceto onde se está o Santíssimo. A cor litúrgica é o branco.

Procissão do Ecce homo na Quinta-feira Santa em Braga, Portugal.

Quinta-feira Santa, Quinta-feira de Endoenças ou Grande e Sagrada Quinta-feira é a quinta-feira que antecede a celebração da morte e ressurreição de Jesus. É o quinto dia da Semana Santa no cristianismo ocidental e o sexto no cristianismo oriental (que conta também o Sábado de Lázaro, anterior ao Domingo de Ramos).

A data ocorre sempre entre 19 de março e 22 de abril, mas os dias variam dependendo do calendário litúrgico utilizado, o gregoriano ou o juliano. As igrejas orientais geralmente usam este último e por isso celebram esta festa em datas que correspondem ao período entre 1 de abril e 5 de maio, no calendário gregoriano utilizado no ocidente.

A liturgia utilizada na noite da Quinta-feira Santa encerra a Quaresma e dá início ao Tríduo Pascal. A missa neste dia é geralmente celebrada no final da tarde, o início da sexta de acordo com a tradição judaica, e relembra o fato de Última Ceia ter sido uma refeição da Páscoa judaica.

Serviços litúrgicos da Quinta-feira:

Jesus lavando os pés dos apóstolos.
Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, Brasil.

A Quinta-feira Santa é notável por ser o dia no qual a Missa do Crisma (ou "Missa da Unidade") é celebrada em todas as dioceses da Igreja Católica Romana. Geralmente celebrada na catedral da diocese, nesta missa os Santos Óleos são abençoados pelo bispo para serem utilizados na crisma, na unção dos enfermos e como óleo dos catecúmenos. O primeiro e o último serão utilizados no Sábado de Aleluia, durante a Vigília Pascal, para batizar e confirmar os que entram para a igreja.

A cerimônia do lava-pés é um componente tradicional da celebração em muitas igrejas cristãs. Nas igrejas católicas e anglicanas, a Missa da Ceia do Senhor começa de forma tradicional, mas o Glória é acompanhado pelo soar de sinos, que permanecerão em silêncio até a Vigília Pascal. Depois da homilia, realiza-se então o lava-pés onde a cerimônia é realizada.

Na missa católica, o Santíssimo Sacramento permanece exposto até que o serviço se conclua com uma procissão para levá-lo até o local onde ele será depositado. O altar-mor e todos os demais são limpos de toda decoração, com exceção do Altar de Reposição. Até 1969, o missal romano previa este rito sendo realizado de forma cerimonial acompanhado do canto dos salmos 21 e 22, uma prática que ainda permanece em muitas igrejas anglicanas.

Curiosidades:

Visita a sete igrejas

Uma da tradição da Quinta-feira Santa, é visitar sete igrejas. É uma prática antiga originada provavelmente em Roma. Em diversos países da América Latina, a visita às sete igrejas geralmente ocorre à noite.

Procissão do Encontro

Uma das tradições da Semana Santa, a Procissão do Encontro, que celebra o encontro do Senhor dos Passos e Nossa Senhora das dores, acontece normalmente na Quarta-feira Santa.

Procissão do Encontro - Tradição portuguesa. Encontro com o Senhor dos Passos e Nossa Senhora da Dores

A devoção à Nossa Senhora das Dores tem origem na tradição que conta o encontro de Maria com seu filho Jesus, a caminho do Calvário. Nos primórdios da Igreja, a festa era celebrada com o nome de Nossa Senhora da Piedade e da Compaixão. No século XVIII, o papa Bento XIII determinou, então, que se passasse a chamar de Nossa Senhora das Dores.
A ordem dos servitas foi responsável por criar uma devoção especial conhecida como “As Sete Dores de Nossa Senhora”, que nos lembram os momentos de sofrimento e entrega de Maria ao seu Senhor.

As Sete Dores de Maria

1 – A profecia de Simeão – Lc 2, 35
2 – A fuga com o Menino para o Egito – Mt 2, 14
3 – A perda do Menino no templo, em Jerusalém – Lc 2, 48
4 – O encontro com Jesus no caminho do calvário – Lc 23, 27
5 – A morte de Jesus na cruz – Jo 19, 25-27
6 – A lançada no coração e a descida de Jesus da cruz – Lc 23, 53
7 – O sepultamento de Jesus e a solidão de Nossa Senhora – Lc, 23, 55

 SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO


Cristo crucificado. A morte de Jesus é o principal evento relembrado na Sexta-feira Santa. 1632. Por Diego Velázquez, atualmente no Museu do Prado, em Madri, na Espanha.

A Sexta-Feira Santa, segundo momento do Tríduo, é o único dia do ano em que a Igreja Católica no mundo inteiro não celebra missas e comumente, nenhum sacramento. Celebra-se a Paixão, Morte e Sepultamento do Senhor. É o Servo Sofredor de quem nos lembra o profeta Isaías, que diz que tudo se realiza na pessoa de Jesus Cristo. A própria cerimônia tem preces universais pela Igreja e é marcada especialmente pelo beijo da Cruz.

As imagens dos santos e crucifixos devem estar encobertas e suas respectivas luzes apagadas, conforme a Tradição local. A cor litúrgica é o vermelho, porém em algumas paróquias se utiliza o preto, numa espécie de luto. Sexta-feira Santa é dia de Jejum e abstinência de carne. A Igreja pede aos seus filhos que se silenciem para relembrar a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O grande gesto de amor de Jesus Cristo é lembrado também através das celebrações da Via Sacra, procissões, caminhadas, encenações no meio de comunidades e paróquias, dentro de igrejas e principalmente pelas ruas. Além de todo o relato da Paixão e Morte do Senhor, com a Via Sacra, a Procissão do Senhor Morto, à noite, lembra as figuras de Maria e Nicodemos, junto de mais alguns discípulos, que levaram o corpo de Jesus da cruz até a sepultura. A procissão pode ser silenciosa, para que lembrar todas as pessoas que sofrem com a perda dos filhos, entes queridos e passam por este mesmo sofrimento.

Basílica do Santo Sepulcro - Jerusalém

Tradições e ritos na Igreja Católica Romana

Dia de jejum

A Igreja Católica trata a Sexta-feira Santa como dia de jejum, o que, na Igreja Latina, é compreendido como sendo um dia em se faz apenas uma refeição (menor do que uma refeição normal) e duas colações (um pequeno repasto que, contados juntos, não perfazem uma refeição completa), todas sem carne. É por conta desta tradição que em muitos restaurantes em países católicos servem peixe neste dia. Nos países onde não é feriado, o serviço litúrgico das três da tarde é geralmente atrasado algumas horas.

Serviços litúrgicos

O rito romano não prevê a celebração de missas entre a Missa da Ceia do Senhor na noite da Quinta-feira Santa e a Vigília Pascal, exceto por autorização especial da Santa Sé ou do bispo local. O único sacramento celebrado neste período é o batismo para os que estão à beira da morte, a confissão e a unção dos enfermos. Durante este período, velas e toalhas são retiradas do altar, que fica completamente limpo. Costuma-se também esvaziar todas as fontes de água benta, já como preparação para a benção da água durante a Vigília Pascal. Tradicionalmente, nenhum sino é tocado na Sexta-feira Santa e no Sábado de Aleluia.

Celebração da Paixão do Senhor se realiza à tarde, idealmente às três da tarde, mas, por razões pastorais (dar tempo aos fiéis chegarem em países em que não há feriado, por exemplo), é possível que seja mais tarde. As vestes utilizadas são vermelhas ou, mais tradicionalmente, negras. Até 1970, eram sempre negras, exceto para o ritual da comunhão, quando se usava o violeta. Antes de 1955, só se usava o preto. Se um bispo ou abade estiver celebrando, ele deverá vestir uma mitra simples (mitra simplex).

Liturgia

A liturgia da Sexta-feira Santa está dividida em três partes: a Liturgia da Palavra, a Veneração da Cruz e a Sagrada Comunhão.

A "Liturgia da Palavra" é um ritual no qual o clero e os ministros ajudantes param de cantar e entram num silêncio completo. Sem nenhum ruído, prostram-se como sinal do "rebaixamento do 'homem terreno' e também o pesar e tristeza da Igreja". Segue-se a oração da coleta e a leitura de Isaías 52,13 -Isaías 53, 12, Hebreus 4,14-16, Hebreus 5:7-9 e o relato da Paixão no Evangelho de João, tradicionalmente recitado por três diáconos ou pelo padre, um ou dois leitores e a congregação, que lê a parte da "multidão". Esta parte do ritual termina com as orationes sollemnes, uma série de orações pela Igreja, o Papa, o clero e os leigos da Igreja, os que estão se preparando para o batismo, a unidade dos cristãos, os judeus, os que não acreditam em Cristo, os que não acreditam em Deus, os que prestam serviço público e os que precisam de ajuda imediata. Depois de cada uma destas intenções, o diácono conclama os fiéis a se ajoelharem por um breve período de oração individual; o padre celebrante então encerra com uma oração conjunta.

A "Veneração da Cruz" apresenta um crucifixo, não necessariamente o que está normalmente no altar ou perto dele em situações normais, que é solenemente desembrulhado e mostrado para a congregação e venerado por ela, individualmente se possível, geralmente através de um beijo, enquanto se cantam hinos, a Improperia ("censuras") e o Trisagion.

A "Sagrada Comunhão" é celebrada com base no rito do final da missa, começando com o Pai Nosso, mas omitindo a "Partilha do pão" e seu cântico, o "Agnus Dei". A Eucaristia, consagrada na Missa da Ceia do Senhor da Quinta-feira Santa, é distribuída neste momento. Antes da reforma do papa Pio XII, apenas o sacerdote recebia a comunhão, um rito chamado de "Missa do Pré-santificado", que incluía as orações normais do ofertório, inclusive o vinho no cálice. O padre e a congregação se despedem em silêncio e a toalha do altar é retirada, deixando o altar limpo, exceto pelo crucifixo e duas ou quatro velas.

Estações da cruz –  Via Sacra


Décima-segunda estação ("Jesus morre na cruz") em Arco, na Itália.

Além das prescrições tradicionais do serviço litúrgico, as estações da cruz também são visitadas para orações, dentro ou fora da igreja, na Via-sacra. É um serviço específico é às vezes realizado entre meio-dia e três da tarde, conhecido como “Três Horas de Agonia” ou “As sete Palavras de jesus na Cruz”.

Procissão do Senhor Morto

Procissão do Senhor Morto - Inicio no Santuário N. Sra. Perpétuo Socorro até a Catedral Metropolitana de Curitiba Pr.

Em muitas cidades históricas ou interioranas do Brasil e Portugal, a "Celebração da Paixão e Morte do Senhor" é procedida da Procissão do Enterro, também conhecida como "Procissão do Senhor Morto", em que são entoados cantos em latim.



 SÁBADO SANTO OU SÁBADO DE ALELUIA

Jesus no túmulo - Igreja de Santa Maria - Palermo 

Não se celebram missas pela manhã. É o dia onde se faz a lembrança de Jesus morto, onde se cultiva a esperança e perseverança. A cor litúrgica é o branco.

No Sábado Santo, ou Sábado de Aleluia, celebra-se o grande momento da Ressurreição do Senhor. Quando a luz vence as trevas e a Ressurreição vence a Morte. Nossa esperança é renovada mais uma vez, de que Cristo ressuscitou e ressuscita e de que a vida vence a morte.

Nesta celebração, realizada na véspera do dia da Páscoa, acontece a Benção do Fogo Novo e da Água. Quando da rocha sai a luz que ilumina a escuridão, pois o Cristo ressuscitou. A água nos lembra o Batismo, pelo qual somos purificados e nos tornamos filhos e filhas de Deus.

Sábado de Aleluia (em latim: Sabbatum Sanctum), conhecido como dia de descanso, também como Sábado Santo, Sábado Negro e Véspera da Páscoa. É o último dia da Semana Santa, na qual os cristãos se preparam para a celebração da Páscoa. Nele se celebra o dia que o corpo de Jesus Cristo permaneceu sepultado no túmulo.

Para alguns cristãos, particularmente os católicos, foi neste dia que a Virgem Maria, como Nossa Senhora das Dores, recebeu o título de "Nossa Senhora da Solidão", uma referência ao profundo sentimento de solidão associado ao seu luto e tristeza.

Práticas do Sábado Santo

Nas igrejas católicas romanas, todo o coro (inclusive o altar) permanece sem decoração nenhuma (a partir da missa da Quinta-Feira Santa) e a administração dos sacramentos é bastante limitada. A Eucaristia depois do serviço litúrgico da Sexta-Feira Santa é dada apenas aos moribundos. Batismos, confissões e a Unção dos Enfermos também podem ser administradas a eles, pois asseguram a salvação dos que estão para morrer.

Em termos litúrgicos, o Sábado Santo vai até às 18hs (crepúsculo), quando se celebra a Vigília de Páscoa e se inicia oficialmente o tempo pascal. As rubricas afirmam que a Vigília deve acontecer depois do anoitecer e terminar antes do amanhecer.

O serviço pode começar com fogo e o acendimento do novo Círio Pascal. Na observância católica e em algumas anglicanas, a missa é a primeira a ser realizada desde a Quinta-Feira Santa e nela, o "Glória" - que permaneceu ausente durante toda a Quaresma - volta a ser utilizado e é durante o canto que as imagens e ícones, que estavam cobertos de mantos púrpuras fora do coro e do altar durante a Época da Paixão, são novamente revelados para alegria dos fiéis. Algumas igrejas anglicanas preferem celebrar a Páscoa e o acendimento do novo Círio ao amanhecer da Páscoa. É comum que se realizem batismos ou renovações de votos batismais nesta missa.

Vigília Pascal

A Igreja Católica celebra nas últimas horas do Sábado Santo e nas primeiras de Domingo de Páscoa, o principal e mais antigo momento do ano litúrgico, a Vigília Pascal, assinalando a ressurreição de Jesus.

Esta é uma celebração mais longa do que habitual, em que são proclamadas mais passagens da Bíblia do que as três habitualmente lidas aos domingos, continuando com uma celebração batismal e a comunhão.

A vigília começa com um ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus; o círio pascal é abençoado, antes de o presidente da celebração inscrever a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ômega), e inserir cinco grãos de incenso, em memória das cinco chagas da crucifixão de Cristo.

Círio Pascal durante a Vigília da Páscoa

A inscrição das letras e do ano no círio são acompanhadas pela recitação da fórmula em latim “Christus heri et hodie, Principium et Finis, Alpha et Omega. Ipsius sunt tempora et sæcula. Ipsi gloria et imperium per universa æternitatis sæcula” (Cristo ontem e hoje, princípio e fim, alfa e ômega. Dele são os tempos e os séculos. A Ele a glória e o poder por todos os séculos, eternamente).

Na tradição católica romana, a Vigília Pascal consiste de quatro partes:

1) Breve Lucernário - Celebração da Luz (Benção do Fogo)
2) Liturgia da Palavra ou Celebração da Palavra
3) Liturgia Batismal ou Celebração da Água
4) Liturgia Eucarística ou Celebração da Eucaristia

Benção do Fogo

A vigília começa após o pôr-do-sol no Sábado Santo fora da igreja, onde o fogo ou fogueira é abençoada pelo celebrante. Este novo fogo simboliza o esplendor do Cristo ressuscitado dissipando as trevas do pecado e da morte. O Círio pascal ou (vela pascal) é abençoado com um rito muito antigo. Esta vela pascal será usada em todo o Tempo Pascal, permanecendo no santuário da igreja, e durante todo o ano em batismos, Crismas e funerais, lembrando a todos que Cristo é a "luz do mundo".

Bênção do Fogo Novo - Mamborê - Pr

Assim que a vela for acesa segue o antigo rito do Lucernário, em que a vela é carregada por um sacerdote ou diácono através da nave da igreja, em completa escuridão, parando três vezes e cantando a aclamação: "Lumen Christi" ou Luz de Cristo (em português), ao qual a assembleia responde "Deo Gratias" (Graças a Deus). A vela prossegue através da igreja, e os presentes portam velas que são acesas no Círio pascal. Como este gesto simbólico representa a "Luz de Cristo" se espalhando por todos, a escuridão é diminuída. Assim que a vela foi colocada num lugar dignamente preparado no santuário, ela é incensada pelo diácono, que entoa solenemente o canto Exsultet, de tradição milenar. Ele é conhecido também como Proclamação da Páscoa, ou Pregão Pascal. Nele, a Igreja pede que as forças do céu exultem a vitória de Cristo sobre a morte, passando pela libertação do Egito e até mesmo agradecendo a Adão pelo seu pecado "indispensável", pois as consequências de tal pecado foram o motivo da vinda de Cristo.

Ao findar do canto, apagam-se as velas e inicia-se a Liturgia da Palavra.

A Liturgia da Palavra é composta de sete leituras do Antigo Testamento, que são como um resumo de toda a História da Salvação. Cada leitura é seguida por um salmo e uma oração relativa a aquilo que foi lido. Depois de concluir estas leituras, é entoado solenemente o Gloria in excelsis Deo (Glória a Deus nas alturas). Os sinos, sinetas e campainhas da igreja devem ser tocados. (No pré-rito Vaticano II, as imagens, que foram cobertas, são reveladas neste momento). Uma leitura da epístola aos Romanos é lida, e se segue o canto do Salmo 118.

O Aleluia então é cantado pelo celebrante, também de forma muito solene, pois também não é cantado desde o início da Quaresma. Após a celebração da Liturgia da Palavra, a água da pia baptismal é solenemente abençoada e quaisquer catecúmenos e candidatos à plena comunhão são iniciados na Igreja, pelo batismo ou confirmação. Após a celebração destes sacramentos da iniciação, a congregação renova os seus votos batismais e recebem a aspersão da água batismal.

A liturgia batismal é parte integrante da celebração, pelo que mesmo quando não há qualquer Batismo, se faz a bênção da fonte batismal e a renovação das promessas.

Em algumas celebrações se faz a "Benção das Sete Águas" usando, além da fórmula tradicional da Bênção, uma encenação, dando enfoque às "águas", enquanto elas são despejadas na pia batismal, uma por uma:

"Ó Deus, pelos sinais visíveis dos sacramentos realizais maravilhas invisíveis. Ao longo da história da salvação, vós vos servistes da água para fazer-nos conhecer a graça do batismo. Já na origem do mundo, vosso espírito pairava sobre as águas (1 - ÁGUA DA CRIAÇÃO) para que elas concebessem a força de santificar. Nas próprias águas do dilúvio (2 - ÁGUAS DO DILÚVIO) prefigurastes o nascimento da nova humanidade, de modo que a mesma água sepultasse os vícios e fizesse nascer a santidade. Concedestes aos filhos de Abraão atravessar o mar Vermelho (3 - ÁGUA DO MAR VERMELHO) a pé enxuto, para que, livres da escravidão, prefigurassem o povo nascido na água do batismo. Vosso Filho, ao ser batizado nas águas do Jordão (4 - ÁGUAS DO RIO JORDÃO), foi ungido pelo Espírito Santo. Pendente da cruz do seu coração aberto pela lança fez correr sangue e água (5 - ÁGUA QUE JORRA DO CORAÇÃO DE JESUS). Após sua ressurreição, ordenou aos apóstolos: “Ide, fazei meus discípulos todos os povos, e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Olhai agora, ó Pai, a vossa Igreja, e fazei brotar para ela a água do batismo (6 - ÁGUA DO BATISMO). Que o Espírito Santo dê, por esta água, a graça do Cristo, a fim de que o ser humano, criado à vossa imagem, seja lavado da antiga culpa pelo batismo e renasça pela água e pelo Espírito Santo ( 7 - ÁGUA VIVA DO ESPIRITO SANTO) para uma vida nova." 

Temos então as SETE ÁGUAS da história da Salvação contada na bênção.
A oração dos fiéis (do qual os recém-batizados são agora uma parte) se seguem. Depois da oração, a Liturgia Eucarística continua como de costume, sendo tradição a utilização da Oração Eucarística I, ou Cânon Romano, a mais solene de todas.

Esta é a primeira missa do dia da Páscoa. Durante a Eucaristia, os recém-batizados adultos recebem a Sagrada Comunhão pela primeira vez, podendo ou não serem crismados também. De acordo com as rubricas do Missal, a Eucaristia deve terminar antes do amanhecer.

Fontes:

Missal Romano, Sagrada Congregação para o Culto Divino. São Paulo, paulinas, 1997.

Diversos internet.
Imagens: Google Imagens

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

A Quaresma é uma oportunidade, um tempo de graça. São quarenta dias que nos lembram da permanência do povo e de Jesus no deserto. Entramos na dinâmica pascal – morte e ressurreição – morrendo para nós mesmos e para o pecado, tornando-nos vivos para a o Senhor, como ressuscitados.
Cada ano a Quaresma tem um acento especial. Neste ano, o acento é penitencial. Vamos percorrer um caminho de conversão, deixando ressoar em nossos ouvidos o convite do profeta: “Rasgai os corações e não as vestes!” Nossa religião não se fundamenta nas aparências, mas na essência do coração. Nossos atos externos de nada valem, se realmente não purificamos o nosso interior, se não transformamos a intenção do coração. Uma religião que cria pessoas que propagam a própria santidade como um holofote de mídia caiu em auto contradição.
Lembremos sempre que reconciliação é uma graça, ou seja, depende de Deus. A ascese – exercícios que nos ajudam no caminho da santidade – é necessária, mas a maior responsável pela nossa conversão é a graça de Deus. Mas nós precisamos fazer a nossa parte, como nos alerta São Paulo: “Deixai-vos reconciliar por Deus!”.
Práticas quaresmais:
- Jejum: ascese, luta espiritual, prova, consciência da própria fraqueza, não fuga do mundo. Torna visível e concreta a nossa oração, o nosso desejo de conversão. Precisamos destes sinais visíveis e concretos. Daí sua importância.
- Oração: não para proveito pessoal, para pedir dádivas, mas para que nos coloquemos na sintonia do projeto do Pai.
- Caridade: amar, ser generosos, mudar de vida em relação ao irmão, tirar do coração o rancor que nos destrói. Neste ano, A CF nos leva a refletir sobre os jovens: o seu lugar na sociedade e na Igreja. O seu rosto deve ser visível como sinal da juventude de Cristo. Fica o convite para os jovens afirmarem o seu sim. Os demais são convidados a abrir a porta do coração e da Igreja para eles.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

JORNADA QUARESMAL - EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS


 QUARESMA

“Assim como o corpo sem a alma é morto, a fé sem obras é morta.” (Tg 2, 26). 

A palavra QUARESMA se origina do número quarenta, que aparece várias vezes na Sagrada escritura, destacando o sentido de um tempo para a conversão e purificação. No Tempo Litúrgico da Quaresma a Igreja reflete sobre as práticas que nos levam às mudanças de pensar e agir. O tempo quaresmal tem seu início na quarta-feira de Cinzas e termina com o início do Tríduo Pascal. Durante este tempo os fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do Jejum, da Esmola e da Oração. Nas celebrações, principalmente as dominicais, as leituras bíblias, próprias para este tempo, abordam práticas e formas de cada fiel poder viver melhor sua caminhada com e para Deus. Todo fiel que desejar viver bem o tempo da quaresma e alcançar as virtudes santificadoras deve participar das celebrações e buscar praticar as obras de misericórdia.
Para isso, propomos que nesta Quaresma nos dediquemos a construir o nosso ser como pessoas melhores, tentando observar um exercício espiritual para cada dia da Quaresma, preparando-se para viver verdadeiramente a Páscoa.

Qual o objetivo dos exercícios espirituais?

Este quadro de exercícios tem por objetivo auxiliar os fieis na realização de boas obras. No quadro foi feita uma relação de quarenta ações santificadoras a serem praticadas. Você pode, na noite anterior, durante a sua oração, escolher qual atividade vai praticar no dia seguinte de acordo com seus compromissos e atividades diárias. Se não for possível praticar uma a cada dia, observe aquelas que de mais importância para que possam ser feitas.

Como fazer os exercícios?

1 – Tenha consigo a relação das práticas durante a sua oração diária, da noite ou da manhã;
2 – Escolha a atividade que melhor convier para aquele dia e vá assinalando à medida que for realizando, os exercícios são pessoais;
4 – Escreva uma lista de intenções e também sua lista de pessoas pelas quais deseja interceder e faça a Oração para o Tempo Quaresmal.

Lista de Intenções
Lista de Nomes













ORAÇÃO PARA O TEMPO QUARESMAL

Pai Nosso, que estais no céu,durante esta época de arrependimento,
Tende misericórdia de nós. Com nossa oração, nosso jejum e nossas boas obras,
transformai o nosso egoísmo em generosidade.
Abri os nossos corações à vossa Palavra, curai-nos das feridas do pecado,
Ajudai-nos a fazer o bem neste mundo. Que transformemos a escuridão e a dor em vida e alegria.
Concedei-nos o que vos pedimos, por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!


 JORNADA QUARESMAL – 40 EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS PARA A QUARESMA

“Que os  lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se  tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença! ” (Papa Francisco).

Levarei materiais de higiene à minha paróquia para que seja encaminhado à pastoral carcerária.
Acenderei uma vela para o Anjo da Guarda de meus filhos e afilhados (ou Sobrinhos, netos).
Escreverei uma carta a alguém que há tempos não vejo (Ou enviarei uma mensagem).
Dedicarei minhas orações pela Juventude: Grupos de Jovens, Pastoral da Juventude.
Neste dia tomarei cuidado em não julgar as pessoas. (Jo 8, 1-11).
Levarei uma doação à Pastoral Social da minha paróquia.
Reservarei uma hora do dia para orar com um grupo de amigos (as). Lc 9, 28b-36.
Acolherei as pessoas, neste dia como se estas fossem Jesus.
Meditarei sobre a Via Sacra para o bem da minha fé ou participarei dela na comunidade.
Visitarei um enfermo.
Vou dedicar um dia especial à família.
Hoje levarei uma cesta de alimentos para minha paróquia.
Rezarei um Terço pelos que não creem.
Farei o terço da misericórdia pelas vocações sacerdotais
Consagrarei minha família ao Sagrado Coração de Jesus.
Minhas orações serão para as vítimas de guerra, conflitos e catástrofes naturais.
Rezarei a Novena de N. Sra. do Perpétuo Socorro pelo meu pároco e demais padres.
Farei uma oferta para as missões.
Minha oferta de hoje na missa será pela implantação do Reino de Deus.
Participarei da santa Missa em intenção às pessoas com quem não me relaciono muito bem.
Vou separar roupas para doar a alguma instituição.
Farei silêncio por meio dia (ou... horas), e meditarei sobre a palavra que sai da minha boca.
Em oração, perdoarei alguém que tenha me magoado/ofendido.
Levarei um dízimo especial à minha comunidade.
Organizarei uma reunião familiar para a oração do Terço.
Farei a novena da Padroeira (o) de minha paróquia pela fidelidade dos dizimistas.
Consagrarei meu dia à Nossa Senhora.
Minhas oraçãoes de hoje serão pela conversão das famílias.
Renovarei, diante do Santíssimo, meu compromisso para com a Palavra de Deus.
Hoje vou arrumar minha casa e separar utensílios que não uso e doá-los.
Meditarei o salmo 138.
Farei Vigília de uma hora diante do Santíssimo pelos que não tem fé.
Farei um bom ato de contrição e vou procurar me confessar. (Lc 13, 1-9).
Refletirei sobre a parábola do Filho pródigo. (Lc. 15, 11-32).
Buscarei falar sobre a Palavra de Deus a alguém.
Jejuarei pelos que sofrem tentações. (Lc 4, 1-13).
Hoje vou meditar e orar pelos trabalhos da Campanha da Fraternidade.
Hoje, dedicarei meu dia a orar pelas pessoas com necessidades especiais.
Hoje, irei ao cemitério orar pelas almas de entes queridos.
Farei uma ação concreta de generosidade sem que ninguém saiba.

Ângela Rocha
Catequista