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domingo, 5 de março de 2023

É TEMPO DE NOS TRANSFIGURAR E TRANSFIGURAR O MUNDO

cebi.org

Vivemos tempos desafiadores. E muitas vezes a tendência nossa é querer perpetuar os momentos felizes que nos acontecem, como forma de garantir a felicidade agora entre nós. Mas será que isso é possível? A constatação natural nos diz que não. Entretanto, muitas vezes vivemos correndo atrás de mais e mais momentos que prometam felicidade constante. Para isso o ser humano inventa, cria subterfúgios que supostamente vão garantir isso.

O tempo da Quaresma que estamos vivendo quer nos ajudar a perceber que a vida pode e deve ser diferente, especialmente para aquelas pessoas que possuem uma fé e desejam ser fiéis a ela, procurando crescer cada vez mais no seguimento do autor da nossa Fé.

Somos então convidados e convidadas a nos deixar iluminar pela realidade das Comunidades cristãs do primeiro século da era comum, apresentada pelo Evangelho da Comunidade de Mateus. Seguir Jesus, viver a justiça, significava, naquele momento em que este Evangelho foi escrito, enfrentar dificuldades, perseguições e sofrimentos impostos, tanto pelos julgamentos civis, nos tribunais, quanto pelos julgamentos religiosos nas sinagogas.

O QUE PODEMOS APRENDER NO TEXTO BÍBLICO DESTE FINAL DE SEMANA

O texto bíblico desta 2ª Semana da Quaresma está no capítulo 17 do Evangelho da Comunidade de Mateus. Os versículos são do primeiro até o nono, a chamada Transfiguração do Senhor. Ali, a Comunidade cristã recorda o episódio em que Jesus leva três dos seus discípulos até o alto de uma montanha e se transfigura diante deles. Quais as lições a Comunidade de Mateus podem tirar meditando o episódio descrito nessa perícope?

Comecemos pelo fim, quando Jesus chama os discípulos para descerem a montanha, após acordarem do susto que tiveram. A palavra de ordem é: “Levantem-se, e não tenham medo.” (Mt 17,7). O susto dos discípulos, o sofrimento vivido pelas comunidades cristãs, e os desafios vividos pelas pessoas que acreditaram e acreditam no Jesus, o Filho de Deus, recebem a mesma ordem, ou seja, não fiquem parado, deitados, presos nos seus medos por causa dos acontecimentos do tempo presente.

A razão para a superação do medo é a presença d’Ele, ou seja “Eu estou convosco”. A certeza dessa presença se deu na voz vinda do céu onde o Pai dá testemunho do Filho “Escutem o que ele diz”. É preciso ouvir o que Jesus diz, porque Ele “é seu Filho querido, este lhe dá muita alegria” (Mt 17,5). Todos puderam ouvir essa afirmação. As comunidades cristãs puderam também recordar essa certeza. Para os tempos atuais, como é importante recordar isso e não ficarmos presos aos nossos desejos de buscar criar motivos “de felicidade a todo custo”, como se a “felicidade” aqui pudesse ser eterna. A felicidade eterna está na glória que os discípulos contemplaram. É para ela que a comunidade cristã deve insistir no testemunho da pessoa de Jesus Cristo, mesmo correndo o risco da perseguição e da morte. As pequenas ilhas de felicidade agora, assim como aquela que os discípulos contemplaram no topo da montanha, devem ser de motivação, inspiração para superarmos as cruzes cotidianas, pois devemos ser testemunhas do Crucificado-Ressuscitado. Não nos deixemos abalar pelas cruzes cotidianas.

Seguir Jesus não significa ficar só correndo atrás dele e batendo palmas, enquanto buscamos ver apenas seus milagres ou curas extraordinárias. “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, vai ser rejeitado, crucificado e morto, mas vai ressuscitar ao terceiro dia.” (Mt 16,21-23). Os discípulos já haviam escutado esse anúncio; as comunidades já sabiam desse acontecimento e agora experimentavam as cruzes; nós já conhecemos como isso se deu e como as Comunidades Cristã venceram esses desafios.

É verdade que todos nós precisamos de felicidade, de esperança. As primeiras comunidades também buscavam viver essas experiências para não desanimarem do caminho. Os discípulos que estavam com Jesus, antes, assustados com o anúncio de sua paixão, viam agora que era bom ficar no alto da montanha. Pedro disse isso a Jesus: “Senhor como é bom ficarmos aqui” Mt 17,4). Viam também que eles não eram os únicos que estavam na montanha com Jesus. Tinham a companhia de Moisés e Elias. Os personagens do primeiro testamento lembram aos discípulos e às comunidades vindouras que Deus havia prometido, desde o princípio, revelar a sua Palavra. E ali estava, a Palavra viva do Pai, Jesus humano, como eles conheciam, mas agora transfigurado, como nunca podiam imaginar, conversando com Moisés e Elias.

Diante desta contemplação a tentação não poderia ser outra; mas sim querer perpetuar aquela sensação de gozo, de felicidade quase inacabável. “Vamos construir três tendas, uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias!” (Mt 17,4). Mas ainda não era a hora da plenitude. A felicidade completa ainda virá e por isso mesmo, eles se assustam, quando a nuvem luminosa se manifesta e dormem. O sono parece dizer “esqueçam a ideia de querer prender Jesus” em apenas um momento de felicidade. A contemplação plena da glória está reservada para quem permanecer fiel, apesar das perseguições e sacrifícios. Não podemos querer viver uma fé descomprometida com a cruz, do Cristo, que ainda permanece presente na vida das pessoas da comunidade e, principalmente, daquelas pessoas crucificadas pela exclusão e, que vivem fora da Comunidade, longe do topo da montanha.

Assim, ao acordarem porém do susto, as duas testemunhas – Moisés e Elias – já tinham ido, e só restava aqu’Ele que fora revelado pelo Pai, Jesus, o próprio Filho de Deus. E com Ele, era hora de descer a montanha, voltar à planície e continuar a caminhada, sem fazer barulhos ou alardes, mas testemunhar o que contemplaram no alto da montanha. Assim fizeram as comunidades cristãs, e o testemunho delas chegou até os nossos dias.

Vivendo esse tempo quaresmal, busquemos nos abastecer da Palavra proclamada, nesse retiro espiritual em preparação para a Páscoa da Ressurreição. Nossas Celebrações Litúrgicas devem nos ajudar a fazer também uma experiência de transfiguração, como forma de abastecer a nossa esperança e a certeza de que acreditamos no Filho amado do Pai. Mas não esqueçamos, as diversas situações de fome, de injustiça, de violência doméstica e outras, continuam nos interpelando e pedindo de nós um testemunho real e verdadeiro do Ressuscitado.

Não podemos querer agora armar as tendas do nosso comodismo. Precisamos vivenciar a experiência da glória do Senhor e do testemunho do Pai. Mas não podemos cair na tentação reproduzir “pseudos felicidades”, a qualquer custo, que nos afastem da Cruz dos irmãos e irmãs. Associadas ao Cristo elas se tornam sinal do Ressuscitado entre nós.

Afinal de contas, é tempo de nos deixar transfigurar e transfigurar o mundo com o nosso testemunho de cristãos e cristãs, especialmente lutando contra todas as formas de fome que ainda existem entre nós.

Pe. Manoel David Neto
CEBI-ES

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/e-tempo-de-nos-transfigurar-e-transfigurar-o-mundo/

 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

                      HOMILIA DO 2º DOMINGO DA QUARESMA - ANO B

A Quaresma e a Páscoa manifestam dois momentos da nossa existência. Por um lado, enfrentamos a cruz, a dor, o drama, a renúncia, as lágrimas. Por outro lado, temos a vida, a alegria, o gozo, a paz, a ressurreição. O Mistério Pascal é composto das realidades de morte e ressurreição, cruz e vida.


Abraão enfrentou a dor da renúncia, quando o Senhor pediu o sacrifício de seu filho amado e único. O Primogênito deveria ser consagrado a Deus e Abraão levou isso a sério, não se opondo ao desejo divino. No momento crucial, Deus poupou a vida de Isaac e se alegrou pela fidelidade de seu servo.  A dor de Abraão não é sem sentido, mas é sinal de fidelidade. Desta dor, nasce a vida. Também somos convidados a renunciar, em algumas ocasiões, aquilo que nos é precioso. Precisamos identificar o que é o nosso Isaac. O Senhor o convida a oferecer alguma coisa a Ele. O que podemos oferecer? Deus fará a renúncia se transformar em alegria.


O sacrifício de Abraão prefigura o sacrifício divino. Deus ofereceu seu próprio filho e ofereceu-se a si mesmo. Nas palavras de Paulo, se Deus é capaz de oferecer seu próprio filho, como não nos daria tudo junto a Ele (cf. Rm 8, 32). Deus deseja nos dar a vida.


No Tabor, Deus antecipa a sua ressurreição, concede gostinho prévio do que espera os discípulos.  Mas não deixem que fiquem sem o monte, pois a cruz os espera. Por vezes, discursos romantizados falam da alegria desse fabricar tendas para que se usufrua das consolações divinas. No entanto, Jesus deixa claro que não quer tendas, pois estas simbolizam o imobilismo, o comodismo diante da vida e da missão. É preciso descer do Monte Tabor.


Na lógica do Evangelho não existe ressurreição sem cruz e não existe cruz sem a exposição gratificante da Transfiguração do Senhor. Poderíamos esperar o Deus das gratificações, do milagre, da prosperidade, da religião, utilitarista que afeita ao tempo de Pós-Modernidade. Mas Deus nos quer seguidores capazes de enfrentar a cruz.


Porém, a cruz não deve ser uma busca do sofrimento em si mesmo. Deve ser a doação de nosso tempo, de nossos sentimentos, de nossos esforços, da nossa energia em função do bem, dos irmão. A cruz torna-se possível pela graça. A transfiguração é o sinal do combustível que Deu nos concede para que a cruz não se torne um fardo pesado, mas um caminho para a vida verdadeira. A Quaresma é uma oportunidade para que Deus conceda esta força que nos faz oferecer a vida. Mesmo diante das propagandas do valor da preservação de si como caminho para a felicidade, a Palavra de Deus é um apelo forte que nos conduz a fazer da vida um dom. Não construamos tendas que escondem a realidade, mas tenhamos a coragem de descer do monte para que o Mistério da Páscoa aconteça em nossa vida.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba- PR   


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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sexta-feira, 10 de março de 2017

HOMILIA: 2º DOMINGO DA QUARESMA

A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

“Sai da tua terra!” É assim que começa a aliança entre Deus e Abraão. Deus convidou Abraão a deixar a sua terra e ir para um lugar desconhecido. Deus pediu que Abraão deixasse tudo: sua casa, suas seguranças, sua estabilidade. A partir daí o futuro seria incerto, pois o nosso patriarca iria para uma terra desconhecida e enfrentaria desafios novos. Movido pela confiança, aceitou deixar o seu passado para se aventurar diante do chamado de Deus. Como Abraão fez o seu êxodo, também Moisés e Elias o fizeram. Agora é Jesus que nos coloca a caminho, para chegar a Jerusalém. O caminho tem um destino eterno – esperamos chegar à Jerusalém Celeste.

Jesus nos coloca a caminho, mas Pedro não quer seguir em frente. Ao propor ficar na montanha e construir três tendas (Mt 17,4), Pedro revela sua resistência. Não é possível acomodar-se nas tendas da montanha. É preciso desinstalar-se, sair, não ficar na mesmice. Nossa história pode ser fixa, imutável, rígida… Mas também pode ser uma caminhar constante. Precisamos caminhar para fora de nosso pecado, para novas atitudes, precisamos sempre estar nos movendo: no casamento, na vida comunitária e pastoral, na vida profissional, no modo de pensar e agir. Não podemos nos acomodar a esquemas prontos… A Igreja também é convidada a abandonar as estruturas que não favorecem a transmissão da fé, fazer uma conversão pastoral, colocar-se no caminho da missão.

Caminhar não nos dá seguranças, pois o destino não é o triunfalismo, mas a cruz. Por isso, só se pode seguir pela fé. No caso de Abraão, Deus promete formar dele um grande povo. Deus pediu tudo, mas também lhe concedeu uma grande graça, deixando-lhe uma promessa: “Farei de ti uma grande nação e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma benção” (Gn 12,2). Apesar de sua esposa ser uma mulher estéril, Abraão acredita na Palavra de Deus. Aqui vem a importância da fé. Como Abraão, somos convidados a caminhar por um caminho, sabendo o destino, mas sem nenhuma evidência de que a estrada vai chegar onde desejamos. Por isso, o Pai diz: “Eis o meu Filho amado… Escutai-o!” Escutar a voz de Deus é uma atitude de fé. Confiar é desinstalar-se, apoiando-se na certeza de que Deus nunca nos abandona.

Ter a certeza de que Deus segue conosco é o único meio de aceitar um caminho de contradição. Jesus nos revela uma vida de opostos no Tabor: Jesus fala da Cruz e desanima os discípulos; depois se transfigura, e anima os discípulos; desce do monte, e volta a desafiá-los; depois vai entrar triunfante em Jerusalém, e morre. Por fim, ressuscita. A vida não pode ser medida pelo sucesso a todo custo. A medida da vida é uma contradição constante, que não pode nos desanimar, não pode nos destruir. Com a mesma fé de Abraão, podemos vencer os momentos de contradição, na certeza da vitória sobre o mal e o pecado.
Estamos dispostos a deixar Ur? Queremos caminhar para outra terra? Desejamos descer do Tabor e caminhar para Jerusalém? A Eucaristia é uma oportunidade para experimentar a transfiguração: um encontro de paz com o Ressuscitado que nos prepara para a luta e para o caminho sempre incerto, mas não sem a presença do Mestre e Senhor.
Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese Curitiba - PR