domingo, 25 de janeiro de 2015

QUEM SÃO OS DESTINATÁRIOS OU INTERLOCUTORES DA CATEQUESE?

Por mais que a realidade que vivemos nas nossas paróquias com relação à catequese ainda não seja a ideal, é preciso pensar que muita coisa aconteceu nos últimos 50 anos, na prática catequética. Claro que saberíamos melhor disso se por acaso um de nós tivesse sido catequista há cinquenta anos, tempo em que a catequese ainda estava, na maioria das vezes, nas escolas e colégios católicos e era responsabilidade de padres e religiosas e religiosos. 

Hoje vemos uma integração da dimensão bíblico-litúrgica na educação da fé que praticamente não existia; a catequese hoje é mais experiencial e menos doutrinal (infelizmente não tanto quando deveria ser); o catequista hoje é, em sua grande maioria, leigo; na medida do possível a Igreja tem dado mais atenção à pessoa do catequista, sua formação e testemunho de vida; foram renovados textos e manuais de catequese e se busca uma catequese mais adulta para os adultos. No entanto, a grande maioria da catequese brasileira ainda gira ao redor de práticas sacramentalistas, sobretudo a Primeira Comunhão e a Crisma, e para crianças e adolescentes. Os jovens tem tido mais atenção em grupos de jovens e na Pastoral Juvenil, que não deixa de ser uma catequese também. E falta ainda muita formação catequética ao presbiterado, o que tem sido um dos maiores entraves a qualquer tipo de renovação profunda, como pede as práticas catecumenais de evangelização.

Um dos grandes desafios para esta renovação também vem da estrutura com que se organizam os sacramentos na Igreja. A maioria das dioceses ainda tem como desafio a catequese de adultos, que ainda é excessivamente voltada para aqueles que apenas procuram a Igreja para regularizar situações matrimoniais. Por mais que muita coisa esteja sendo feita neste sentido, ainda não se pode dizer que a paróquia dê prioridade ao adulto. Outro problema são os “cursos de batismo” e os “cursos de noivos”, de pouca ou quase nula eficácia evangelizadora: eles não convertem, não integram as pessoas à comunidade e não se preocupam com a missão apostólica; e com isso, continua-se a gerar pessoas sacramentalizadas, mas não evangelizadas. Com relação à “catequese” mesmo, esta que tanto se discute, temos um largo sistema de educação na fé que vai desde a pré-catequese para crianças menores de sete anos até a adolescência. Em geral a Primeira Comunhão se faz por volta dos 11, 12 anos e a crisma por volta dos 13, 14 anos. Aí a maioria esmagadora sai da Igreja e volta, para casar e batizar os filhos. Quando voltam.

E assim, perde-se o vínculo que se deveria ter entre Batismo, Confirmação e Eucaristia. O próprio Papa Bento XVI levantou esta questão na Exortação Sacramentum Caritatis dizendo que é preciso não esquecer que somos batizados e crismados para a Eucaristia, e isso implica favorecer uma compreensão mais unitária do percurso da iniciação cristã: “(...) é necessário prestar atenção ao tema da ordem dos sacramentos da iniciação. (...) é necessário verificar qual seja a prática que melhor pode, efetivamente, ajudar os fiéis a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para a qual tende toda a iniciação.” (SC, 17, 18). Assim, não seria melhor colocar a recepção da Eucaristia numa idade maior, como ápice da iniciação cristã? O Sínodo dos Bispos de 2012 chegou a levantar esta proposição, mas, o medo da Igreja é causar uma grande ruptura nas práticas que se vem fazendo e criar “vácuos” pastorais muito grandes no processo de evangelização. Realmente, fazer um transatlântico, como é a Igreja católica, mudar de rumo de repente é desafio enorme.

Ângela Rocha
Catequista

Fontes de Consulta: Revista de Catequese, 143 – Jan/Jul 2014. Pg. 14.  “A situação da catequese hoje no Brasil” (Pe. Luiz Alves de Lima).

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