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domingo, 31 de março de 2024

REFLEXÃO SOBRE A RESSURREIÇÃO – JOÃO 20,1-18

 morte de Jesus Cristo foi vista no primeiro momento como uma derrota para as primeiras pessoas cristãs, elas se sentiram fracassadas, impotentes, sem esperança e forças para lutar contra o sistema opressor. E agora, sem este Homem que tinha a palavra certa e na hora certa, o que seria deste povo?

Conforme o Evangelho de João 20, 1-18, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro ainda de madrugada, no escuro, e o encontra com a pedra revolvida. Isto a deixou preocupada e ela foi avisar aos outros discípulos. Naquele tempo, as mulheres eram desacreditadas e o aval de um homem seria importante. Ela vai ao encontro dos discípulos e diz: (20,2) tiraram do sepulcro o meu Senhor e não sabemos onde o levaram.

“Não sabemos” este verbo no plural indica que Maria Madalena não estava só quando fora ver ao sepulcro, certamente tinha algumas mulheres com ela, ainda mais que era madrugada e estava escuro. Ela representa a voz das pessoas fracas e oprimidas que eram desacreditadas. Dar uma notícia desse porte é muito preocupante, principalmente por uma mulher, daí ter a credibilidade dos apóstolos.

Segundo Pe. Cornélio Rodrigues, em sua reflexão do Evangelho (Jo 20,1-9), nos fala que “o dia seguinte é o sábado, último dia da antiga criação. Com essa expressão, o evangelista indica que há uma nova criação em curso; um novo tempo e um novo mundo estão sendo gestados, mas ainda está na etapa primordial, o caos, simbolizado pela expressão “quando ainda estava escuro”; o escuro, como sinônimo de caos, fora constatado também na primeira criação (Gn 1,1-2)“.

Isto nos mostra que o povo ainda estava triste e sem rumo, desamparado porque não perceberam que a morte de Jesus seria o começo de um novo tempo, um tempo de amor, de esperança renovada nesta nova “aliança” de Deus com seu povo. Maria Madalena representa todas as pessoas que estão no escuro, em busca de ver uma luz que as leve a um lugar de paz, amor, respeito, companheirismo. A busca dos discípulos e discípulas para que também vejam o sepulcro aberto é muito importante para abrir os olhos, sair do escuro e olhar adiante.

Pedro e o Discípulo amado também compartilham da dor e desesperança. Pedro, ainda abalado por ter negado Jesus ( Jo 18,17; 25) e se omitido, caminha devagar, sem esperança, pensativo nos últimos acontecimentos, enquanto que o Discípulo amado corre mais depressa, com esperança, e mesmo chegando primeiro espera pelo companheiro. No sepulcro aberto viram os lençóis que envolviam Jesus e o lenço que cobria   cabeça não estava com os lençóis, mas deixado num lugar a parte. O discípulo amado viu e creu.

Enquanto os discípulos contemplavam o sepulcro, Maria Madalena permanecia na entrada chorando, mas ao levantar a cabeça viu os anjos vestidos de branco, e perguntou onde eles tinham levado o corpo de Jesus (v.13-14), tendo feito a pergunta, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, mas não o reconheceu.

“Entre nós está e não o conhecemos”. Entre nós está o irmão que passa fome, que está desempregado, sem teto, sem amparo, sem saúde, sem justiça…

Ao ser reconhecido, Jesus diz a Maria Madalena (v.17-18): Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com meus irmãos e dize-lhes: subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.

Reconhecer Jesus Cristo é a experiência do amor autêntico no ressuscitado, na reconstrução da vida, da paz e da fé no divino.

Maria do Socorro Rodrigues dos Santos Morais
CEBI – RN

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/reflexao-sobre-a-ressurreicao-joao-201-18/ 

sábado, 30 de março de 2024

DESAFIO DIÁRIO: “ERA UMA PEDRA MUITO GRANDE" – Mc 16,1-8

O sábado era observado de acordo com o costume judaico, não se podia cumprir atividades sociais, entre elas, comprar e visitar. Era preciso esperar este dia passar para que se pudesse seguir a vida cotidianamente em suas urgências.

Foi o que Maria Madalena, Maria Mãe de Tiago e Salomé cumpriram: esperaram, ansiosamente, este dia passar, para no dia seguinte poder comprar perfumes e enfim visitar o túmulo. E como devem ter sofrido com esta espera! Imaginem o rigor da lei, que se intensificaria na condição de serem mulheres, se elas resolvessem transgredir!

Lembramos o quanto as “Marias e as Salomés” no dia a dia esperam, sofridas e ansiosamente, se cumprirem todas as burocracias e impedimentos caírem, para que elas possam tomar posse dos direitos de cuidarem do corpo de seu filhos e filhas, netos e netas, seja qual for o vínculo, que são levados e levadas à morte por um sistema covarde, cruel e brutal.  Paralelo a essa situação estão também as mulheres que ainda sobrevivem no genocídio promovido atualmente pelo governo de Israel, esperando a possibilidade “do nascer do sol” para que possam cuidar dos corpos que ainda ainda estão ao relento…

Conduzidas pelo Amor, imbuídas de sentimentos de dor, perda e desesperança, chegam ao túmulo. O Amor que as levaram naquela manhã de Páscoa está presente em seus corações. Um Amor que aparentemente foi derrotado por um sistema opressor de morte.

É no nascer do sol, de manhã, que as mulheres se apressam. Para elas significa novas oportunidades e superação das amarras. Elas fazem isto em grupo, em conjunto… articuladas, mas tinham a preocupação com a pedra que fechava o túmulo, a qual, de acordo com a estrutura das sepulturas da época, era muito pesada e as impediria de entrar. Uma das “pedras” elas já haviam superado, que era a de suportar o rigor do sábado passar.

É revelada a novidade: A pedra foi removida. É sinal de que elas não estavam sozinhas em suas esperanças e caminhadas e que podiam avançar nos desafios que fossem apresentados. O túmulo vazio era sinal de que não era o fim. As forças opressoras foram vencidas!

”Não fiquem assustadas” (v.6), ou com outras palavras “não tenham medo”, é a afirmativa constante da Palavra de Deus, permeando a caminhada e anunciando naquele momento a ressurreição. A mensagem é de Vida. A “pedra do medo” foi removida e deve ser removida continuamente.

Jesus Ressuscitou!

É uma notícia poderosa! Jesus está seguindo de novo para a Galiléia, lugar de caminhada desde o começo, devolvendo a vida e a liberdade. E está indo à frente, e, ao mesmo tempo, junto daqueles e daquelas que querem continuar a segui-lO.  Essa mesma notícia, dada inicialmente às mulheres, primeiras testemunhas da ressurreição, deve ser transmitida por elas aos discípulos e a Pedro. Em uma sociedade que as marginalizava e impedia a participação, Jesus subverte esta estrutura e as acolhe incondicionalmente.

Sim, certamente elas, em grupo, com alegria, cuidadosamente disseram sobre o ocorrido. Elas não calaram de medo, embora o texto o diga. Elas foram, sabendo e transmitindo que a ressurreição não significa euforia nem memória saudosa, mas que o seguimento a Jesus não é fácil, porque é um projeto de luta contra a opressão e a injustiça.

E a nós cabe a tarefa de levar a boa nova para as comunidades e desconstruir, na medida do que podemos, as novas formas de domínio do grande capital, que substitui com muita propriedade o Império Romano.

Com o mesmo cuidado de Maria Madalena, Maria Mãe de Tiago e Salomé, somos convidadas a nos colocar a caminho para ajudar a remover “pedras muito grandes”, que exigem coragem todos os dias.

Colaboração: Grupo Extensivo do CEBI RJ

FONTE: https://cebi.org.br/partilhas/desafio-diario-era-uma-pedra-muito-grande-mc-161-8/ 

sexta-feira, 29 de março de 2024

JESUS NA CRUZ – JOÃO 18,1-19,42

Para Jesus, a cruz não é motivo de glorificação, é motivo de condenação. É a condenação daquele que ousou levantar a voz contra a exclusão social, a violência contra o pequeno, a opressão, a exploração e o fanatismo religioso do seu tempo. Jesus é levado a cruz por ter ido contra esse sistema político/religioso que criava leis e as vigiava para manter o controle opressor. O que levou Jesus a essa condenação na cruz foi sua coragem de proclamar com atitudes e palavras o Reino de Deus dentro do Reino Judaico-Romano. Quem ousaria tal coisa? De onde veio tanto ardor?

Da aldeia de Nazaré vem Jesus passando por vales e montes, desertos e periferias, vilas e lagos … com sua voz firme falando de paz, acolhendo, incluindo, ouvindo, alimentando famintos e famintas; esses gestos ofenderam aqueles e aquelas que dominavam. Aqueles e aquelas que, em nome da lei, flagelavam a dignidade humana. O Reino anunciado por Jesus ofendia e assustava as autoridades: um reino de paz em oposição ao reino de guerra, um reino de amor em oposição ao reino de ódio, o Reino de Deus em oposição ao Reino de César.

Jesus entra em Jerusalém às vésperas da Páscoa. Ele sabe que é chegada a hora. Como humano sofre no horto, pois conhece a conjuntura que o condenará. Diante da angústia de ser incompreendido por aqueles e aquelas que o querem deter, Jesus mantém a serenidade e a fidelidade ao seu propósito. Quando perguntado onde está o Jesus, Ele responde “Sou Eu”, lembrando o Deus do êxodo “Eu sou Aquele que sou”. Jesus é Aquele que se manteve fiel ao projeto a Ele confiado. Levado ao tribunal, condenado, caminha pelas ruas tendo sobre as costas o fardo pesado da cruz que é símbolo da prepotência, da arrogância e da truculência do poder opressor. A cruz é símbolo da condenação romana, mas a glória desta condenação vem do poder local. Não esqueça que Anás, Caifás, o Sinédrio, … todos representam o poder emanado da lei, da religião, feito poder local.

No alto do Gólgota, o Nazareno é colocado na cruz, exposto como troféu da imbecilidade humana, como forma de intimidação contra quem ouse pensar contra as ideologias perversas de seus governantes. É a vitória daqueles e daquelas que em nome da Lei dilaceram a vida, que em nome da fé tornam-se fanáticos inescrupulosos.

A cruz não suprimiu o ideal do Reino plantado pelo Nazareno, ela fortaleceu este sonho de vitória da vida sobre a morte, no ideal da ressurreição. Não haverá vitória sem luta, ressurreição sem a insurreição.

Prof.Júlio Leão de Araújo
Membro das Cebs e integrante do CEBI PI.

FONTEhttps://cebi.org.br/noticias/jesus-na-cruz-joao-181-1942

quinta-feira, 28 de março de 2024

O TESTAMENTO – JOÃO 13,1-17,31b-35



Estamos na semana santa, segundo a tradição cristã de matriz católica e algumas igrejas cristãs. Hoje é um dia muito solene e sua solenidade se dá pelo fato da memória nos remeter a noite do testamento. Isto mesmo! A noite em que Jesus deixou um testamento para os seus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!” Nada de mais poderíamos dizer. Todo mundo sabe que, o amor move de certo modo o mundo e o sentido das nossas vidas e as relações desde que mundo é mundo e nos entendemos “por gente”. O que há de “novidade” nisto? O que Jesus traz “de novo” que é “diferente” e que, ao mesmo tempo, o distingue de todos e “qualquer tipo de amor”?

É disso que trata o texto das leituras de hoje, proclamadas na ação litúrgica deste dia nas igrejas, nas comunidades e nas famílias. O evangelho de João é um grande anúncio do amor de Deus a partir da vida, da existência e da mensagem de Jesus. Neste evangelho os conceitos não bastam, é preciso gestos e ações simbólicas fortes que remetem ao mais profundo daquilo que está sendo dito, apresentado. O gesto do lava-pés carrega toda uma força, todo um sentido e, o gesto de comer juntos, fazendo a grande ação de graças (eucaristia em grego) tem como pano de fundo tudo o que significa e representa Jesus para os seus seguidores. Para entender Jesus e sua mensagem é preciso está em sintonia com o grande projeto do Pai: o amor. Pois, o amor salva vidas, o amor acolhe, o amor inclui, o amor perdoa, o amor nos move ao encontro do outro, o amor transforma pessoas, dá sentido aos nossos engajamentos, as nossas lutas, e suaviza e cura onde dói no coração.

A leitura que agora nos é proposta para ler e meditar, Jo 13,1-15 ou 13,1-17.31b-35, nos remete à aquela noite que antecipa o ato supremo da paixão e que em cada Eucaristia litúrgica nas igrejas rememoramos com o compromisso de amar como Ele nos amou. Dessa cena evangélica podemos tirar muitos ensinamentos, mas creio que por hora, dois saltam aos olhos: o amor é sempre entrega, doação e não há explicação; e quem quiser ser discípulo de Jesus é preciso ser o menor, o servidor, o amoroso, sempre e em qualquer circunstâncias. Isto é um distintivo que faz toda a diferença. Este é o testamento de Jesus.

A quinta-feira santa, mais que “institucionalizar” um ato, um gesto, quer e nos remete a institucionalizar o Amor. Amar como Jesus amou, aprender dEle como amar hoje é imperativo. Se o nosso amor enquanto seguidores e seguidoras de Jesus não faz diferença na sociedade que aí está, é preciso rever todo nosso entendimento e seguimento a Jesus.

Por fim, o texto de hoje contextualizado no âmbito da páscoa judaica, começa nos falando do sentido da vida de Jesus entre nós: Seu senso de missão cumprida perante o Pai e o seu amor pelos seus discípulos, os pobres, o povão com quem conviveu. E para entender sua missão, lembremos o que o evangelista João no início de seu escrito nos diz quando fala que Deus, o Pai, amou de tal forma o mundo que enviou Seu Filho para salvar o mundo (Jo 3,16-17s), isto é, dá vida plena e sentido profundo para a existência de tudo criado (Jo 10,10) aqui. Eis a missão de Jesus! Agora Ele volta para o Pai dando-nos a própria vida como ato supremo de amor. De agora por diante, também nós, no dia a dia, somos chamados a “reinventar” aqui e agora em nossas vidas e nos ideais que assumimos como cumprimento da Justiça e da Vida, esse ideal e esse ato supremo de Jesus: o amor.

E agora, pergunto a você leitor/a amigo/a: O que nos distingue das demais pessoas enquanto seguidores de Jesus na luta, no engajamento, nos ideais que abraçamos através de nossos movimentos, pastorais e grupos afins? Em que o nosso amor é continuação do amor de Jesus? Em que fazer memória dessa quinta-feira santa muda tua forma de pensar e agir? Como o Testamento de Jesus te impacta nesse momento atual quando, o país vive uma crise de narrativas religiosas, de intolerância, de fake news, e amigos/as, famílias inteiras são afetadas em suas relações, por acreditarem em valores que aparentemente bons, dividem o povo e corrompe sua alma em nome do sagrado e de Jesus? Fica a provocação… Que o Testamento e com ele, o Seu autor, possa ser nossa inspiração em todo tempo, lugar e circunstâncias nos ajudando a sermos pessoas e discípulos melhores. Boa meditação para ti.

Por, Sebastião Catequista – CEBI PE

quarta-feira, 27 de março de 2024

A PÁSCOA E AS CONTRADIÇÕES QUE ACOMPANHAM A FÉ - MATEUS 26,14-25

A pessoa a quem você só ajudou e só fez o bem, pode atrapalhar a sua vida e lhe fazer mal. Ajude-a e faça-lhe o bem mesmo assim. 


Essa ideia, além de encontrar sintonia nos Evangelhos, é atribuída, com outras palavras, a Madre Teresa de Calcutá. E apresenta duas dimensões opostas, mas que costumam não se distanciarem muito na vida: a fidelidade e a traição. E com elas a contradição, algo tão humano. Judas é um personagem controverso no enredo dos Evangelhos e na vida terrena de Jesus. É certo que Judas não fez o que se espera de um Discípulo de Jesus, mas também é igualmente certo que Judas é tido e citado como uma espécie de “boi de piranha” para quem prefere olhar para o dedo indicador apontando e por vezes acusando o outro, a olhar para os outros três dedos apontando para si mesmo. Afinal, é mais fácil encontrar um ser humano que se equipara a Judas nas suas fraquezas e nas suas inconstâncias humanas e que até o supere, do que encontrar outro ser humano que se aproxime da humanidade de Jesus de Nazaré. Embora também existam.

A comunidade de Mateus apresenta Judas como mentor, organizador e executor de uma ação de fraqueza em que ele trai o seu Mestre, a sua comunidade e põe em risco o projeto de salvação. Na linguagem de nosso tempo, no entanto, os sumos sacerdotes são os mandantes e pagantes e Judas é o mercenário que fez “o serviço sujo” por trinta moedas de prata. É mais ou menos o que também vemos em nosso tempo conhecido como “Delação Premiada”. Porém, fora do que sugere a lei. Tanto que o texto usa o verbo entregar!  Segundo a nota de rodapé da TEB e (Ex 21,32), este era o valor pago por um escravo atacado por um boi. O dono do boi indenizava o senhor do escravo come este mesmo valor. Jesus, portanto, é igualado, neste sentido, a um escravo. Esta é uma interpretação possível. Ou ainda, quando alguém age na comunidade com egoísmo, por conta própria e em seus próprios interesses, escraviza o coletivo.

Vejam que, respondendo à pergunta dos discípulos: “Onde queres que preparemos para ti a refeição da Páscoa?” (v. 17), Jesus sugere, a casa de “fulano”, isso pode significar, hoje, qualquer casa. Inclusive a minha ou a de um de vocês que estão lendo este texto. Qualquer casa, ou a casa de qualquer um. Parece ser esta uma das mensagens sugeridas. Jesus é um líder que conhece seus companheiros e tem consciência de seus limites e de suas virtudes. Demonstrou isso por diversas vezes. Duas lições importantes para nós que lideramos comunidades e pastorais: a insegurança está em nós, assim como a contradição, até com relação ao nosso próprio agir. Passa a impressão de que foi Judas, mas poderia ter sido qualquer um dos doze!  Cada um deles, perguntou a Jesus: “Seria eu, Senhor?” (v. 22); e Judas, foi o último a falar e o único nominado no texto.

É interessante e fica para uma reflexão na comunidade, o fato de, se Jesus tinha uma vida pública, com atividades dirias, pois Ele era até famoso, por que alguém o teria que entregar? Inclusive, as autoridades já O monitoravam e o acompanhavam de perto. Seria um jeito de dizer que todo homem tem seu preço (ou pode cair em contradição), confirmando um ditado popular? Até um discípulo de Jesus? Seria um alerta para as possibilidades ou mesmo para as fragilidades humanas?

Curitiba, 19 de março, dia de São José, a personificação do Pai.

João Ferreira Santiago
Coordenador Estadual do CEBI-PR
Doutorando em Teologia pela PUC-PR.

terça-feira, 26 de março de 2024

HOSANA O FILHO DE DAVI!



Chegamos à semana santa de 2024. Sou chamado a fazer algo em que a minha alma se deita, refletir sobre o Evangelho de Jesus de Nazaré. Nesse diapasão, mais importante do que refletir sobre a páscoa do ocidente cristão, é tentar mergulhar na profundidade do seu significado. A busca desse sentido crístico da festa me leva de volta à Jerusalém do ano 33 da nossa era, onde tudo começou. O nazareno, montado num jumentinho, entrava pela porta principal da cidade, aclamado como um rei. A multidão levantava as folhas de palmeiras cantando “Hosana ao Filho de Davi” enquanto o aclamava como o Messias que finalmente havia chegado para salvá-los do domínio de Roma. Aquela gente palestina, de rostos marcados pelo sofrimento e pelo desencanto com os governantes do mundo, agora se reconhecia naquele Rei, montado num jumento. Enquanto isso, as castas que governavam a cidade destilavam o veneno da inveja, inconformadas com as honrarias concedidas a um galileu campesino, vindo da periferia, morador de Nazaré.

Enquanto era acolhido pela multidão e rejeitado pelas castas do templo, Jesus permanecia sereno, focado no objetivo da sua missão: consolidar os fundamentos do Reino de Deus num mundo dominado pela paz violenta do império! Para isso, o rei periférico, radicalizado em sua humanidade/divindade, sabia que a travessia precisava ser realizada. O sentido profundo da páscoa haveria de ser confirmado afim de permanecer, para sempre, como o registro da participação amorosa da divindade na história humana. Um sentido indelével, cheio de simbolismo libertador, afinal, são os símbolos que dão significado à existência, onde o ser humano protagoniza a história. Por isso, o REI vinha montado num jumentinho, ao invés de conduzido numa carruagem real. Fez assim, para mostrar que seu governo tem a cara, o jeito e o cheiro das pessoas mais simples do povo.

Não canso de me surpreender com o salvador que vem de Nazaré. Ele é o ungido de Deus! Proclamado pelas Escrituras como Rei dos reis e Senhor dos senhores, se revela no carpinteiro periférico de Nazaré, incrivelmente humilde, que deseja estabelecer seu trono no coração humano. Ele deseja que o reconheçamos nas outras pessoas, “nazarenos” como ele, independentemente da camada social, religião, origem étnica, orientação sexual, ou qualquer outra diferença que nos desumanize. Naquele dia, na entrada de Jerusalém, o galileu inaugurou um sentido profundo de pertencimento a um outro tipo de reino, diferente dos reinos humanos, um reino cujo REI se tornou como um de nós!

Agora sim, as palavras da profecia fazem sentido! Olhando para o Rei montado no jumento, celebrando a chegada de uma nova humanidade, inaugurada em sua própria vida, consigo entender as palavras do profeta ditas muito antes de Jesus nascer:

“Alegre-se muito, povo de Sião! Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois o seu rei está chegando. Ele vem triunfante e vitorioso; mas é humilde, e está montado num jumento, num jumentinho, filho de jumenta.” (Zacarias 9:9).

Convido você que lê estas linhas a viver, uma vez mais, o sentido libertador do Páscoa do Salvador Jesus. Segura na minha mão e acolhamos o Senhor. Ele é um de nós!

** Texto adaptado do livro (do autor) Café Com Esperança – Para deixar a vida mais leve, publicado pelo CEBI.

Lenon Andrade é membro do CEBI /PB e pastor da Comunidade Batista do Caminho (CBC) em Campina – Paraíba.

segunda-feira, 25 de março de 2024

AS SETE PALAVRAS DA CRUZ: ROTEIRO DE CÍRCULO BÍBLICO


Introdução:

Vamos meditar sobre as Sete Palavras da Cruz, trazendo à reflexão não apenas as palavras de Jesus, mas também as realidades das pessoas excluídas e vulneráveis que Ele representa e defende em sua vida e ministério. Que este momento de oração nos permita mergulhar na compaixão e na solidariedade de Cristo para com as pessoas marginalizadas, oprimidas e sofredoras de nosso mundo.

Que este Círculo Bíblico nos ajude a vivenciar o verdadeiro significado da Sexta-feira Santa e nos inspire a continuar seguindo os passos de Jesus, em serviço as pessoas mais necessitadas.

Abertura:

  • Canto: “Pai-Nosso dos Mártires”
  • Momento de silêncio e acolhimento.

Todas as pessoas  em coro – 1ª Palavra: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34)

Animador(a) : Reflitamos sobre a compaixão de Jesus, que mesmo diante da injustiça e da violência, pede perdão para aqueles que o crucificaram. Ele nos ensina a estender o perdão mesmo às pessoas que nos prejudicaram, reconhecendo a ignorância que muitas vezes as impulsiona.

Leitor(a) 1 – Como podemos praticar o perdão em nossas próprias vidas, especialmente em relação àqueles que nos prejudicaram?

Todas as pessoas  em coro – 2ª Palavra: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23:43)

Animador(a) : Pensemos nas pessoas marginalizadas e excluídas pela sociedade, assim como o criminoso crucificado ao lado de Jesus. Que possamos reconhecer o valor e a dignidade de cada ser humano, independentemente de suas circunstâncias ou erros passados.

Leitor(a) 2  Como podemos reconhecer e valorizar a dignidade de todas as pessoas, independentemente de suas circunstâncias ou erros passados?

Pausa 

Todas as pessoas  em coro  3ª Palavra: “Mulher, eis aí o teu filho… Eis aí a tua mãe.” (João 19:26-27)

Animador(a) : Contemplemos o cuidado de Jesus com sua mãe Maria e com o discípulo amado, confiando-lhes uns aos outros. Que possamos reconhecer a importância de cuidar umas das outras, especialmente das mais frágeis e vulneráveis em nossa comunidade.

Leitor(a) 1 – Como podemos cuidar umas dos outros como Jesus cuidou de sua mãe e do discípulo amado? (Pausa)

Todas as pessoas  em coro  4ª Palavra: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46)

Animador(a) : Reflitamos sobre o grito de desamparo de Jesus, que experimentou a solidão e a angústia mais profundas. Lembremo-nos das pessoas que se sentem abandonadas e esquecidas pela sociedade e pela igreja. Que possamos ser presença de conforto e esperança para aqueles que sofrem em silêncio.

Leitor(a) 2 – Como podemos estar presentes para aquelas que se sentem abandonadas e esquecidas pela sociedade e pela igreja? (Pausa)

Todas as pessoas  em coro –   5ª Palavra: “Tenho sede.” (João 19:28)

Animador(a): Meditemos sobre a sede física de Jesus na cruz, mas também sobre a sede espiritual das pessoas que sofrem hoje, privadas não apenas de água, mas também de justiça, amor e compaixão. Que possamos ser instrumentos de saciar a sede dos necessitados em nosso meio.

Leitor(a) 1 – Quais são as necessidades mais urgentes em nossa comunidade que podemos ajudar a suprir? (Pausa)

Todas as pessoas em coro  6ª Palavra: “Está consumado.” (João 19:30)

Animador(a): Contemplemos o momento em que Jesus entrega sua vida nas mãos do Pai, cumprindo sua missão de amor até o fim. Que possamos encontrar inspiração em seu sacrifício para continuar lutando por um mundo mais justo e compassivo, onde todas as pessoas sejam reconhecidas em sua dignidade.

Leitor(a) 1 – O que significa para nós a ideia de que a missão de Jesus estava consumada na cruz? (Pausa)

Todas as pessoas  em coro  7ª Palavra: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lucas 23:46)

Animador(a): Meditemos sobre a confiança de Jesus no Pai, mesmo no momento da morte. Que possamos entregar nossas vidas e nossas preocupações nas mãos de Deus, confiando em sua misericórdia e providência para conosco e para com todos os que sofrem.

Leitor(a) 2 – Como podemos confiar em Deus mesmo nos momentos mais difíceis de nossas vidas? (Pausa)

Encerramento:

  • Momento de partilha opcional.: Cada pessoa pode dizer como se sente após vivenciar este Círculo Bíblico Orante, o que este momento significou para ela.
  • Ação concreta: A comunidade pode pensar uma ação de solidariedade para ser realizada em favor das pessoas de sua localidade.

Oração Final:

Todas as pessoas  em coro – Senhor Jesus, ao meditar sobre tuas palavras na cruz, reconhecemos tua profunda solidariedade com as pessoas excluídas e vulneráveis de nossa sociedade. Que possamos seguir teu exemplo de amor e compaixão, comprometendo-nos a ser presença de esperança e justiça onde quer que estejamos. Amém.

FONTE: https://cebi.org.br/partilhas/circulo-biblico-para-a-sexta-feira-santa-as-sete-palavras-da-cruz/



terça-feira, 19 de março de 2024

SÃO JOSÉ: PROMESSAS E DEVOÇÕES

 SÃO JOSÉ - 19 DE MARÇO

Considerado Padroeiro da Igreja Católica, São José ganhou sua santidade assim que aceitou Maria e seu filho para amar e cuidar. Em 1621, o Papa Gregório XV decretou que a santidade seria celebrada em 19 de março.

Ele foi exemplo de esposo, Pai e de trabalhador, por isso, na data em que é celebrado, centenas de fiéis realizam orações e rituais religiosos, pedindo proteção para os filhos, a família, um bom casamento,  oportunidades na carreira ou outra graça. Entre os ritos mais comuns, é possível destacar a “Oração de São José” e a “Simpatia das Frutas”.

Simpatia das frutas ou outro alimento

Um dos mais famosos ritos dedicados a São José é a “Simpatia das Frutas”. Em princípio o objetivo da simpatia era conseguir um bom casamento, no entanto, com o passar do tempo, muitos fiéis fazem a simpatia simplesmente para conseguir uma graça.

O costume, exige que um papel seja cortado em vários pedaços, onde, em cada um deles, o interessado escreverá o nome das frutas que mais gosta. Ao dobrar cada pedaço e colocá-lo em uma vasilha, é necessário pensar, com muita fé, naquilo que deseja. Em seguida, é hora de pedir ao santo e sortear um papel. Após o sorteio, o fiel deve rezar a oração de São José.

Para que a benção seja concedida, não se deve ingerir nem a fruta sorteada, nem qualquer prato que a tenha como ingrediente, durante um ano.

A simpatia também pode se estender a alimentos muito caros para quem deseja a graça: chocolate, café, refrigerante, etc.

Oração de São josé

“Ó glorioso São José, a quem foi dado o poder de tornar possível as coisas humanamente impossíveis, vinde em nosso auxílio nas dificuldades em que nos achamos. Tomai sob vossa proteção a causa importante que vos confiamos para que tenha uma solução favorável. Ó pai muito amado, em vós depositamos toda a nossa confiança. Amém!”

Um testemunho:

No ano de 2010, por questões de trabalho do meu marido, eu fui morar em uma cidade do norte do Paraná. E por ter nascido e vivido meus mais de 40 anos na região sul, o calor de lá me incomodava ao máximo, isso aliado ao cultivo e queima de cana-de-açúcar naquela região, fazia da minha vida uma provação: calor, fuligem da cana de açúcar, o mal cheio dos tanques de decantação de álcool, o trem que passava de 2 em 2 horas no fundo da minha casa... tudo me incomodava.

Foi então que no dia 19/03/2010 eu fiz uma promessa e rezei para São José me tirar logo de lá. Minha promessa era não tomar refrigerante por um ano. E isso era mesmo uma provação! Não tomar um refri gelado num lugar quente como aquele, era uma renúncia e tanto. Mesmo eu sendo diabética eu tomava refrigerante sem açúcar. A coca diet era minha salvação.

E o tempo passou e chegamos no mês de outubro daquele ano. Foi quando meu marido se candidatou a uma vaga em Londrina. Que era quase tão quente quanto... mas, pelo menos não tinha usina de cana de açúcar perto o bastante para incomodar.

No carro, indo para Londrina, conversávamos a respeito de como seria bom ele conseguir a transferência, pois seria promovido também. E rindo e brincando eu disse que: se acontecesse, eu nunca mais na vida tomaria refrigerante. E não é que São José me escutou?

Ele foi promovido e dali 2 meses estávamos em Londrina. E de lá pra cá ele foi galgando degraus que nos levaram para Curitiba, onde estamos há 8 anos.

Confesso que não sou daquelas devotas muito fiéis às promessas. Tanto é que quando minha promessa completou 10 anos voltei a tomar alguns refrigerantes como água saborizada, refri de limão ou laranja, sempre diet, é claro. Minha família brinca comigo às vezes... dizem que estou enganando o santo... Mas, a Coca Cola e a Pepsi saíram da minha vida! Rsrsrsrs...

Penso que as “promessas” e “devoções” nos fazem bem. Não só porque lembramos de rezar invocando a intercessão de uma pessoa santa, mas também porque provamos a nós mesmos a nossa capacidade de nos dedicarmos a um projeto que nos fará bem. Renunciar a um alimento, fruto, bebida ou o que for, deve ser considerado também em seu aspecto “saudável”. Deus não nos quer reféns de compulsões e vícios alimentares. Ele nos quer bem. Mas, é preciso ser um “bem” que não prejudique outro ou a si mesmo. Também não devemos fazer promessas pedindo graças egoístas e inalcançáveis. Mesmo o Santo das coisas impossíveis, tem seus limites.



Ângela Rocha
Catequistas em Formação


 

domingo, 17 de março de 2024

SANTA GERTRUDES DE NIVELLES: SANTA PROTETORA DOS GATINHOS



17 DE MARÇO: SANTA GERTRUDES DE NIVELLES

Você sabia que existem duas Santas com o nome de Gertrudes? Pois é, uma delas é Santa Gertrudes de Helfa, monja beneditina nascida na Alemanha, padroeira das pessoas místicas, cuja festa é celebrada em 16 ou 17 de novembro,

Mas, a Santa Gertrudes que comemoramos hoje, dia 17 DE MARÇO, é Santa Gertrudes de Nivelles, nascida na Bélgica no ano de 626. Sua mãe, Santa Ida, depois de viúva, fundou o Mosteiro de Nivelles, onde foi abadessa até a morte. Suas filhas Gertrudes e Begga também fizeram os votos e passaram a viver no mosteiro. Após a morte da mãe, Gertrudes foi eleita abadessa com apenas vinte anos de idade. Ela reformulou o mosteiro usando toda a fortuna da família. A missão de Gertrudes se tornou uma luta para a difusão da doutrina católica através da instrução. Com tanta sabedoria e predisposição para a santidade, ela adquiriu muitos dons especiais tendo visões, revelações e graças, durante suas orações contemplativas, seguidas de jejuns e penitências constantes. 

O que mais a destacava era a sua profunda capacidade de compreender os anseios das almas. Por isso, Gertrudes se revelou uma eficaz pacificadora do seu tempo. As guerras pacificadas e o alívio ao povo sofrido fortaleceram sua fama de santidade em vida e gerou muitas tradições e venerações populares. 

Ela morreu em Nivelles, no dia 17 de março de 659, aos trinta e três anos e o seu culto foi imediato. O precioso relicário que continha seus restos mortais foi destruído num bombardeio, em 1940, que atingiu a basílica que o guardava.

Santa Gertrudes de Nivelles é também considerada padroeira dos gatos e jardineiros. Em suas visões, ela via as almas do Purgatório transformadas em ratos negros, que depois se tornavam dourados, o que simbolizava a salvação das suas almas. Por esse motivo, Santa Gertrudes é muitas vezes invocada para pedir proteção contra pragas de ratos, para perder o medo de roedores e também para pedir proteção para os gatos, naturais caçadores de ratos.

Sua vida na verdade, não tem muito  ver com gatos. Mas, por ela ter as visões com ratos, no século XIV, por causa da com a peste negra, se fez a analogia que ela era a patrona dos gatos, naturais predadores dos ratos.

Fonte: Diversas na Internet, adaptadas.

Para quem rezar pelo seu gatinho?

Assista o vídeo!


Oração a Santa Gertrudes de Nivelles para proteção do seu Gato

Bondosa Santa Gertrudes,
a ti que és a protetora dos gatos e de todos os felinos,
peço com especial fervor e devoção
que protejas o (dizer o nome do gato) de todo e qualquer mal
e de toda e qualquer dor ou doença.
Protege-o contra pessoas maldosas,
mantendo-o sempre abrigado e em segurança.
Toma conta do (dizer o nome do gato)
todos os dias, trazendo-o de volta ao seu lar se algum dia se perder.
Concede-lhe uma vida boa, feliz e com saúde, livre de qualquer dificuldade.
Que assim seja.
Obrigada, Santa Gertrudes, por protegeres o (dizer o nome do gato).

Amém!

Maria Paula Rocha
Catequistas em Formação



sexta-feira, 15 de março de 2024

DOUTRINA E CONSERVADORISMO: CUIDADO!

Imagem: https://adiberj.com.br/

Como nós excluímos aquilo que consideramos excessivamente conservador e doutrinário e, portanto, mais prejudicial do que enriquecedor para nossa formação como catequistas, muitas coisas não são respondidas ou esclarecidas de imediato. Normalmente eu busco pesquisar e refletir a respeito antes de comentar.

Vejam este comentário:

"É por falta de uma boa catequese que muitos se perdem em seus próprios conceitos de como ser católico. Quando falamos de Religião não devem existir suposições, mas sim convicções. Só há certezas na doutrina católica, pois quando abrimos margem à dúvida ou ambiguidades, caímos no erro do protestantismo...."

E por aí continuava, recomendando a leitura da "sólida doutrina da igreja, com o básico necessário para não se tornar um protestante". Por fim, a pessoa recomendava o livro para educação dos filhos e dava uma "alerta":

"Se alguém deixa a igreja católica para ingressar em uma protestante, é porque nunca foi católico e não conhecia os ensinamentos básicos da igreja. Portanto tomem essa vacina para que não sejam contaminados também pelo protestantismo ou outras doenças presentes na Igreja, como a Teologia da Libertação."

O texto recomendava um site, mas, nem vou citar para que vocês não percam seu precioso tempo acessando e lendo o que não lhes trará acréscimo nenhum.

Não me atentei no momento se a pessoa pediu uma opinião, perguntava algo, defendia a doutrina, criticava a TL ou simplesmente queria recomendar o site.

Sem querer causar polêmica – apesar de isso ser meio difícil - vou dar a minha opinião a respeito de algumas coisas.

Primeiro que, para mim, a mais sólida doutrina, encontra-se no CIgC - Catecismo da Igreja Católica, criado e escrito para este fim: ensinar a doutrina. Não é necessário que nenhum livro nos explique melhor pra que ele serve, do que a própria Carta Apostólica "Fidei Depositum" (Depósito da fé), emitida pelo Papa João Paulo II que explica sobre a missão da guarda da verdadeira doutrina e da publicação do catecismo em 1997.

Sobre o site sugerido, acredito que ele prima por um "rigor" excessivo a respeito da Doutrina Católica,  podemos aprender melhor a Doutrina sem eles, do que com eles.

Quanto a deixar a Igreja católica para ser protestante, acredito que cada pessoa tem livre arbítrio para saber o que é melhor para si mesmo. A máxima de que "fora da Igreja não há salvação", não se aplica e muito menos já se aplicou, se considerarmos o verdadeiro cristianismo e ecumenismo necessários a um bom cristão. Na verdade, o que andamos fazendo, durante muitos séculos, foi "doutrinação", esquecendo Jesus Cristo, que nos inspirou a criar a Igreja e que nos ensinou a amar o próximo independente de que Igreja ou credo ele frequente e possua.

O Concílio Vaticano II foi um marco na história da Igreja e veio justamente para se retomar os Evangelhos, dando à Revelação Divina seu lugar de direito. A Doutrina e o magistério da Igreja nos ajudam a perseverar em nossa fé, mas, a FÉ, com letra maiúscula vem de se crer em Deus, Pai Misericordioso e não "castigador" de todo desvio humano.

O catequista, o bom catequista, se guarda com a Doutrina, mas, vive COM Deus e para SERVIR a Deus e não para espalhar a doutrina.

Sobre a Teologia da Libertação, cujos conservadores consideram a "praga" maior que já aconteceu na Igreja, é bom lembrar que trata-se de uma "teologia", ou seja, um viés de estudo sobre a fé e a ação a que esta fé leva. A "Opção pelos pobres", além de ser uma escolha preferencial da nossa Igreja, não deixa de ser um pouco teologia da libertação também.

O catequista - e novamente o "bom" catequista - precisa estar ciente dos documentos da nossa Igreja e também do que acontece no mundo, para "ler" a vida, à luz dos Evangelhos. É com Evangelho que se "evangeliza" e não com a doutrina.

E, muito cuidado com o que lê e com o que se distribui por aí sem conhecer. Você, catequista, é o "rosto" da Igreja e o exemplo de muitas crianças e adolescentes.

Olha só outro comentário: “Quem quer se afastar e manter-se bem longe da TL, cuidado! Não tenha e nem leia uma Bíblia Pastoral da Paulus”. Segundo estes conservadores, ela não foi inspirada por Deus e sim pelos teólogos da libertação. Por aí se vê a quantas anda o "poder" maligno da TL.

E por último, não existe "vacina" para a intolerância religiosa e nem para a ignorância. Quer ser um bom Católico? Leia os sermões, ensinamentos e parábolas que Jesus nos deixou; leia Atos e as Cartas; busque viver conforme eles; frequente a Igreja que escolher, respeite-a e aos seus preceitos; fale dela com coerência e justiça; tenha para com ela e para com todos os homens e mulheres, igual amor e respeito. Simples assim.

TRADICIONALISMO é a fé morta dos que vivem e TRADIÇÃO é a fé viva dos que morreram. (Jaroslav Pelikan)


Ângela Rocha - Catequista

Graduada em Teologia pela PUCPR.

 

O QUE É O CREDO?


Não por acaso, a entrega do Credo ou Profissão de fé dos apóstolos, faz parte da Iniciação à Vida Cristã, como símbolo de adesão à fé Cristã.

O Credo é a Profissão de Fé ou Símbolo de Fé, por meio do qual fazemos uma confissão de fé num ato público e comunitário. É um sinal (símbolo) de identificação dos cristãos que resume as principais verdades da fé. Utilizado nos primeiros séculos na Igreja de Roma, liderada por Pedro, o Credo que recitamos na missa resume a fé dos apóstolos sendo chamado Símbolo dos Apóstolos.

Desde o início de sua vida apostólica, a Igreja elaborou o que passou a ser chamado de “Símbolo dos Apóstolos”, cujo nome é o resumo fiel da fé dos apóstolos de Jesus. Foi uma maneira simples e eficaz de a Igreja exprimir e transmitir a sua fé em fórmulas breves e normativas para todos. Em seus doze artigos, o ‘Creio’ sintetiza tudo aquilo que o católico crê. É como “o mais antigo Catecismo romano”. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma.

Os grandes santos doutores da Igreja falaram muito do ‘Credo’. Santo Irineu (140-202), na sua obra contra os hereges gnósticos, escreveu: “A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e de seus discípulos a fé num só Deus, Pai e Onipotente, que fez o céu e a terra (…). Essa é a doutrina que a Igreja recebeu; e essa é a fé que, mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Essa fé anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua. (Adv. Haer.1,9).

O Credo foi elaborado segundo as escrituras. São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, disse: “Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira, de onde se recolheu o que existe de mais importante para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém, em um pequeníssimo grão, um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra, em algumas palavras, todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento (Catech. ill. 5,12)

Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja que batizou Santo Agostinho, mostra de onde vem a autoridade do ‘Símbolo dos Apóstolos’ e sua importância:

Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé” (CIC 194). “Este símbolo é o selo espiritual, a mediação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é seguramente o tesouro da nossa alma” (CIC 197). Os seus doze artigos, segundo uma tradição atestada por Santo Ambrósio, simbolizam com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica (cf. CIC 191).

O símbolo da fé, o ‘Credo’, é a identificação do católico. Assim, ele é professado solenemente no Dia do Senhor, no batismo e em outras oportunidades. Todo católico precisa conhecê-lo com profundidade.

Por causa das heresias trinitárias e cristológicas, que agitaram a Igreja nos séculos II, III e IV, ela foi obrigada a realizar concílios ecumênicos (universais) para dissipar os erros dos hereges. Os mais importantes para definir os dogmas básicos da fé cristã foram os Concílios de Niceia (325) e Constantinopla I (381). Desses dois importantes Concílios originou-se o ‘Credo’, chamado “Niceno-constantinopolitano”, o qual traz os mesmos artigos da fé do ‘Símbolo dos Apóstolos’, porém de maneira mais explícita e detalhada, especialmente no que se refere às Pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo.

Além desses dois símbolos da fé mais importantes, outros ‘Credos’ foram elaborados ao longo dos séculos, sempre em resposta a determinadas dificuldades ou dúvidas vividas nas Igrejas Apostólicas antigas. Um exemplo é o símbolo “Quicumque”, dito de Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria; as profissões de fé dos Concílios de Toledo, Latrão, Lião, Trento e também de certos Pontífices como a do Papa Dâmaso e do Papa Paulo VI (1968).

O Catecismo da Igreja nos diz que “nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado como ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a tocar e a aprofundar, hoje, a fé de sempre por meio dos diversos resumos que dela têm sido feitos” (CIC 193).

Em seus doze artigos, o ‘Creio’ sintetiza tudo aquilo que o católico crê.

CREIO

 🙏 Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do Céu e da Terra

Nós, cristãos, ao dizermos a premissa ‘Eu creio’, estamos pronunciando a frase mais livre que nasce do coração do ser humano, porque ninguém pode obrigar alguém a crer em nada, pois a fé nasce da liberdade humana. Eu dizer ‘eu creio’ quer dizer ‘eu aceito’, que confesso isso como uma verdade, um princípio para a minha vida..

 🙏 E em Jesus Cristo, seu Único Filho, Nosso Senhor

Jesus, o filho de Deus, é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que Ele é Deus Eterno e todo poderoso e ao mesmo tempo Criador e Senhor como o ‘pai’, que o fez homem para nos salvar.

🙏 Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo

A encarnação de Jesus, filho de Deus, é obra da bondade e do amor, e as obras que se procedem dessa forma são atribuídas ao Espírito Santo. Toda a Igreja acredita que Jesus Cristo é Deus Encarnado e homem ao mesmo tempo, de modo perfeito em ambas as naturezas.

🙏 Nasceu da Virgem Maria

Refletimos aqui a concepção humana de Jesus, a Encarnação do Verbo. Jesus é Deus Verdadeiro, mas também quis conhecer a realidade dos homens nos salvar e ser nosso Santíssimo Redentor.

 🙏 Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado

O Credo cita o governador da Judeia, Pôncio Pilatos, para contextualizar os fatos, servindo como um marco histórico, pois entre o ano 30 e 33 Cristo foi crucificado. Citá-lo traz credibilidade aos fatos pelo fato dele ser cidadão romano, pois os judeus não podiam condenar ninguém a morte.

 

🙏 Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia

Esse trecho representa o sinal Pascal do mistério do amor de Deus. Mostra a nós que Jesus foi a uma dimensão inferior, ao inferno, um estado de vida que se encontravam todos aqueles que morreram antes de Jesus. Ao se tornar homem, morrer e ressuscitar, Jesus permite que os mortos que estavam sob o pecado de Adão, alcançassem finalmente o seu estado originário a Deus, o Paraíso.

 

🙏 Subiu aos céus, está sentado a direita de Deus Pai, todo poderoso

Vemos a partida de Jesus da terra ao retorno ao céu. Na ascensão Jesus subiu aos céus e retornou ao convívio da Santíssima Trindade mas não nos deixou órfãos, enviou o Espírito Santo para continuar a missão da Igreja e permaneceu na Eucaristia para continuar ao nosso lado como alimento e força para seguirmos com a nossa missão apostólica.

 

🙏 De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos

Do fim do mundo, Jesus cheio de glória, majestade e misericórdia há de vir do céu para julgar todos os homens, os bons e os maus, para dar a cada um, um prêmio ,conforme a vida que levou, conforme o destino que lhe será proposto. No juízo universal, há de se manifestar a glória de Deus, a segunda vinda de Jesus será momento de glória pois todos hão de reconhecer a justiça com que Deus governa o mundo.

 

🙏 Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão

dos santos

O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, é um espírito perfeito que pode tomar muitas formas e então se revelar a nós como vemos nas Sagradas Escrituras. Ele se manifesta na forma de sopro, de fogo, de pombo, é o espírito de Deus que age na humanidade e nos inspira.

 

🙏 Na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna.

Essas três citações correspondem aos fundamentos da religião cristã e trazem o sinal da nossa vida futura ao crer que seremos redimidos por Jesus, que ressuscitaremos na carne e teremos a vida eterna ao lado dele, isso é fundamental para a nossa fé.


Amém.


SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA ENCONTRO: O CREDO (CREIO) 

Interlocutores: Catequizandos da crisma. 

Objetivos: Reflexão de todos os pontos do Credo.  

Ambientação: Providenciar 8 velas grandes para serem acesas. Estas velas devem estar dispostas em um pequeno altar para serem acesas à medida que se for recitando o Credo. Decore o ambiente de forma a torná-lo celebrativo. 

Oração Inicial: Todos somos humanos, por isso todos passamos pela incerteza, pela insegurança. A certeza só nos vem através da fé, e a Fé é um dom de Deus. Que cada um de nós livremente possa dizer o como anda a sua fé.

(Provocar orações espontâneas) 

Terminada a oração vamos refletir o texto bíblico de Lucas- 17,5-6 

Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé!

Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá. 

Pontos para refletir:

1.    Assim é minha fé?

2.    Busco em Deus e na minha fé, forças para enfrentar o que for preciso?

3.    Só lembro de Deus quando preciso?

4.    Ou, por acreditar, sei que Deus está sempre comigo?

Minha resposta a Deus: 

Vamos estudar TRECHOS do Credo. Esta oração traz um resumo de nossa fé aceito pela igreja Católica e algumas outras, e é rezado em todas as missas. Normalmente rezamos um credo simplificado nas demais celebrações. 

Além do Creio que conhecemos e recitamos em todas as missas, temos também o Credo "Niceno-constantinopolitano", rezado em missas solenes, que veio do Primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.), e depois complementado no Primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.). Na Igreja Católica Romana, o Credo de Niceia faz parte da profissão de fé exigida daqueles que realizam funções importantes na Igreja. 

Vamos fazer uma leitura “dinâmica” do CREDO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO, separando-o em 8 trechos e a cada um dos trechos vemos uma referência de Leitura bíblica. Escolha 1 catequizando para ler o trecho e outro para ler o trecho bíblico, envolvendo todos. A cada leitura, acender uma vela. 

Abaixo os trechos: 

01 - Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.Genesis – 1, 1-5. 

02 - Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.João – 1, 1-18. 

03 - Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Lucas 1, 26-38. 

04 - Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. João – 19, 17-35. 

05 - Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. João – 20, 1-18. 

06 - De novo há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim. Marcos – 13, 24-37. 

07 - Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas. Atos dos Apóstolos, 2, 1-13. 

08 - Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há-de vir. Mateus, 16, 13-19. 

Conclusão: No final, verifique se alguém tem alguma dúvida ou curiosidade e termine com uma oração final, que pode ser o próprio Creio em sua forma simplificada.

Prepare cartões marca-páginas com o CREDO Niceno-Constantinopolitano, para deixar aos catequizandos como lembrança/marca-páginas.

 CARTÕES:

 CREDO 

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,  Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; E subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito † Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.

Creio na Igreja Una †, Santa, Católica e Apostólica.

Professo um só batismo para remissão dos pecados. Espero a ressurreição dos mortos; E a vida do mundo que há de vir.

Amém.

Fonte: Internet com adaptação de Ângela Rocha.


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Um estudo sobre o CREDO APOSTÓLICO e suas partes. Com roteiro da celebração de entrega do Símbolo.


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