CONHEÇA!

quarta-feira, 18 de maio de 2022

V9INDE E VEDE...

 

Vinde e vede...

O encontro começou com o convite: “Vinde e vede!” (Jô 1, 39). E este foi o convite que fiz e o desafio que lancei ao me apresentar a turma de 4ª Etapa da catequese. Que é chamada de “pré-crisma” ou “perseverança” em outros lugares. Aqui devemos chamar de 4º Tempo, por determinação da Coordenação Arquidiocesana de Catequese. Que deseja “inculturar” a Iniciação á Vida Cristã à lida e à fala dos catequistas.

Mas aqueles dezesseis jovens que receberam a primeira eucaristia no dia 01 de maio, foram chamados, como Pedro e André, a serem discípulos. E mereciam um convite especial, afinal Começa a caminhada rumo ao sacramento do crisma, a unção que lhes dará poder de discipulado e missionariedade em nossa Igreja. E confesso a vocês que não é fácil encarar essas cabecinhas criança/adolescente! É preciso muito preparo, muita fé e perseverança, enfim, muito café no bule...

E hoje pra gente se conhecer melhor, fizemos a brincadeira da “loteria”. A brincadeira consiste em montar uma lista com 13 perguntas que você precisa responder com o nome de alguém do grupo. Algo assim: “Alguém que tem um animal de estimação” ou então “Quem faz aniversário mais perto do seu”... E por aí vai. Mas, não pode repetir o nome das pessoas. Isso vale para um grupo acima de 13 pessoas, senão é necessário reduzir o número de perguntas ou aumentar se o grupo for grande. Ganha quem conseguir fazer os “treze pontos” antes.

Mas a coisa fica legal, na hora de se conferir as respostas. Foi muito engraçado. Vou recebendo os formulários por ordem de chegada e à medida que vamos conferindo vemos os “furos”. Pra vocês terem uma idéia, em nossa brincadeira de hoje o quarto menino a entregar foi quem levou o prêmio (uma caixa de chocolate Bis). Isso porque quem ficou em primeiro lugar colocou o nome da amiga na pergunta que pedia alguém que gostasse de cantar. E quem diz que a amiga quis cantar ali para o grupo? E o segundo lugar? O menino colocou na resposta do aniversario mais próximo do dele que é em novembro, alguém de março!! Alguém que gosta da mesma sobremesa: Isabela que gosta de chocolate, apontou Julia. Júlia qual sua sobremesa favorita? Pudim...

E isso tudo fizemos embaixo da enorme figueira brava do pátio. E minhas dezesseis crianças/gente-que-pensa-que-é-grande, que começaram o encontro no maior dos silêncios, receosos, terminaram rindo e jogando figo seco um no outro. E, claro, havia outra caixa de chocolate pra dividir entre todos.

Essas pequenas coisas, aparentemente tão sem importância, como encontrar alguém que tenha a mesma cor nos olhos, saber quem tem mais de quatro pessoas na família, quem gosta de cantar, tocar algum instrumento ou quem morou em mais de três cidades diferentes; longe de nos trazer só curiosidades sobre as outras pessoas, fazem com que olhemos os outros nos olhos, perguntemos sobre a sua família, saibamos que dons ele possui e sobretudo se ele se sente um “novato” na cidade e se precisa de amigos. Conhecer-se é a chave. Aceitar o convite. Vir e ver como é o espaço que precisamos ocupar na nossa comunidade.

 

Ângela Rocha

Catequista

quinta-feira, 5 de maio de 2022

DIA DAS MÃES: COMÉRCIO OU HOMENAGEM?

O Dia das Mães foi oficializado no Brasil quando o presidente Getúlio Vargas emitiu o Decreto nº 21.366, em 5 de maio de 1932.

O Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais importantes no Brasil e foi oficializado no país na década de 1930, quando o presidente Getúlio Vargas emitiu o Decreto nº 21.366, em 5 de maio de 1932. Por meio desse documento, determinou-se o segundo domingo de maio como momento para comemorar os “sentimentos e virtudes” do amor materno.

Essa data foi uma conquista realizada por influência do movimento feminista brasileiro, que estava em crescimento. Outra conquista importante na época foi o voto feminino, decretado também em 1932.

O Dia das Mães será celebrado nas seguintes datas:

2022: 8 de maio
2023: 14 de maio

Origens do Dia das Mães

Considera-se que o Dia das Mães surgiu nos Estados Unidos, bem no começo do século XX. Apesar disso, os historiadores enxergam algumas semelhanças entre essa data comemorativa e algumas celebrações realizadas na Antiguidade clássica, isto é, na Grécia e Roma antigas.

Não existe uma associação direta entre a celebração moderna e a realizada na Antiguidade, mas os historiadores pontuam-nas em diálogo para demonstrar que festivais em homenagem à figura materna não são uma exclusividade do mundo contemporâneo. Na Grécia, por exemplo, celebrava-se Reia, a mãe dos deuses.

O Dia das Mães, enquanto data comemorativa, surgiu na primeira década do século XX, sendo criado por Anna Jarvis, cujo intento era homenagear a sua mãe, Ann Jarvis, conhecida por realizar trabalho social com outras mães, sobretudo no período da Guerra Civil americana.

Ann Jarvis, que frequentava uma igreja metodista, dedicou sua vida ao ativismo social. Ela o iniciou promovendo ações que possibilitaram a melhoria das condições sanitárias de sua comunidade. Lá ela criou o Mother’s Day Work Clubs, uma instituição voltada para melhorar as condições sanitárias de algumas cidades na Virgínia Ocidental. Nesse trabalho, Ann Jarvis dava assistência às famílias que necessitavam de ajuda, e orientava-as para que elas tivessem boas condições sanitárias, de forma a evitar doenças.

Durante a Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865, Ann Jarvis passou a trabalhar no socorro a soldados feriados, tanto dos confederados quanto daqueles que lutavam pela União. Depois que a guerra terminou, Jarvis criou um clube para que ações fossem tomadas de maneira a garantir o entendimento e o convívio pacífico entre famílias de soldados que lutaram de diferentes lados. Esse clube contou com o envolvimento de outras mães. Juntas elas criaram o Mother’s Friendship Day (Dia das Mães pela Amizade), um dia para celebrar-se a paz.

Surgimento do Dia das Mães

Anna Jarvis, filha de Ann Jarvis, criou o Dia das Mães como forma de homenagear sua mãe, falecida em 1905.

O Dia das Mães foi criado como uma homenagem à vida de Ann Jarvis. O falecimento dela, em 9 de maio de 1905, afetou bastante a sua filha, Anna Jarvis. Anos depois, ela decidiu criar uma data comemorativa para homenagear a sua mãe. O trabalho de Anna Jarvis fez com que um memorial em homenagem a ela fosse realizado em maio de 1908 — esse foi o primeiro Dia das Mães.

Anna Jarvis engajou-se para que o Dia das Mães se convertesse permanentemente em uma data comemorativa nos Estados Unidos. Em 1910, o estado da Virgínia Ocidental, tornou o Dia das Mães oficial. Dois anos depois, em 1914, o Congresso norte-americano estabeleceu o segundo domingo de maio como o data para a celebração, e a medida foi ratificada pelo então presidente Woodrow Wilson.

Ao contrario do que se vive nos dias atuais, com uma data quase exclusivamente comercial, a data foi criada como forma de homenagear todas as mães. Lembrando que maio é também considerado pela Igreja Católica o "Mês de Maria", mãe de Deus.

Maio: Mês de Maria

A ideia de dedicar 31 dias à memória de Maria, que com um ato de amor e fé, aceitou o pedido do anjo Gabriel e deu à luz a Jesus Cristo, começou no século XVII com dias repletos de orações e pedidos destinados à Mãe de Jesus. No entanto, as comemorações não eram exclusivas ao mês de maio. Somente durante o século XIX que o mês passou a ser declarado como exclusivo das devoções marianas.

No Brasil, mais especificamente, a devoção Mariana foi espalhada pelo país graças aos padres Jesuítas, que estavam nas recém descobertas terras brasileiras para evangelizar os povos originários que aqui viviam.

As celebrações durante o mês variam, mas rezar o terço diariamente durante maio é uma das tradições mais comuns, além de sempre relembrar as graças, intercessões e milagres concedidos através dos anos para os fiéis devotos à Mãe de Deus.

Origem  do mês mariano

Essa ideia de dedicar todo um mês a Nossa Senhora não é nova. De fato, remonta à Idade Média uma devoção parecida, que nos meses de agosto e setembro, dedicava trinta dias nos quais se faziam exercícios piedosos para honrar Maria.

Essa devoção se chamava Tricesimum. Mas, com o passar do tempo, deslocou-se essa devoção para o mês de maio, por uma razão muito bonita: a primavera do hemisfério norte.

Lembremos que, no hemisfério sul, maio não é primavera, mas outono. No hemisfério norte, portanto, é que se celebra a chegada da primavera nessa época. E é desse hemisfério é que vem tal devoção. Depois de ter isso claro, pode-se pensar na primavera como fenômeno e ver as razões pelas quais é muito bonito e conveniente que seja na chegada da primavera que se celebre uma especial devoção dedicada a Maria.

sábado, 16 de abril de 2022

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: A RESSURREIÇÃO DE JESUS INAUGURA UMA NOVA CRIAÇÃO


 REFLEXÃO DO DOMINGO DA PÁSCOA DO SENHOR

Chegamos à festa que preparamos com tanto empenho nas últimas seis semanas. Trazemos a memória agradecida da aliança realizada na última ceia e, nos olhos, o sinal luminoso das mãos perfuradas e dos braços abertos em forma de cruz, prontos a abraçar a humanidade inteira. Partilhamos com Madalena o vazio de uma ausência querida, e trazemos na mente e no ventre o trabalho das mulheres e homens, comunidades e movimentos que, no escuro da noite, prepararam tecidos e perfumes para cuidar da casa comum e não permitir que a vida se perca

A Páscoa celebra o reconhecimento de Jesus como Filho de Deus. Proclama que, nele e nos que o seguem, Deus vence todas as formas de morte, desde a morte física até a morte progressiva e massiva que resulta das estruturas iníquas e dos poderes despóticos. Anuncia que Jesus, considerado uma pedra sem utilidade na manutenção do mundo, é por Deus reconhecido e apresentado como pedra fundamental da construção de um mundo novo. Afirma que nossa esperança, embora ainda dance na corda bamba, é teimosa e tem futuro.

A Páscoa de Jesus de Nazaré e dos cristãos celebra as possibilidades escondidas na vida de cada pessoa e da humanidade. Afirma que a última palavra não é o discurso frio daqueles que impõem sua injusta ordem, lincham midiaticamente os líderes populares e mandam calar os profetas. Proclama que a ação realmente eficaz e grávida de futuro é aquela que estabelece a absoluta superioridade das vítimas. Evidencia que a direção certa e o sentido da vida está no cuidado da terra, no fazer-se semente de um mundo outro e de uma vida outra, tão possível quanto urgente.

Ademais, a ressurreição não é algo que acontece apenas depois da morte. Paulo nos surpreende afirmando que já ressuscitamos. Ele se refere ao dinamismo pascal do nosso batismo, que possibilita e pede a passagem de uma vida individualista a uma vida plena e solidária. “Procurem as coisas do alto”. E isso significa assumir um estilo de vida centrado no amor, no serviço e na partilha, na busca de uma segurança que tenha a justiça como mãe. O pecado ainda não perdeu totalmente sua influência, mas está mortalmente ferido, e não domina mais sobre nós.

É verdade que a ressurreição de Jesus não é algo que se impõe com força de evidência. O dia já havia amanhecido, mas, na cabeça de Maria Madalena e dos apóstolos, a experiência do fracasso pairava como escuridão. Só muito lentamente eles foram percebendo que os lençóis estendidos não estavam lá para cobrir um morto mas para acolher as núpcias de uma nova aliança de Deus com a humanidade. O sudário sim, depois de ter coberto a cabeça de Jesus, agora estava à parte e envolvia totalmente o templo, o lugar onde a morte fora tramada e decretada.

A Páscoa de Jesus de Nazaré inaugura uma Nova Criação. Ressuscitando e trazendo no corpo as feridas dos pregos e da lança, ele é o Homem Novo, o Novo Adão, o Irmão primogênito e solidário de todos os homens e mulheres. Os discípulos e discípulas se reúnem em torno da sua memória e organizam comunidades que continuam seu sonho e seu caminho. E as pessoas acolhidas nestas comunidades estabelecem vínculos que formam um Novo Povo de Deus, a comunhão dos grupos e movimentos de cuidadores e servidores, de gente que luta por vida abundante para todos.

Pedro diz que Jesus andou por toda parte fazendo o bem e agindo sem medo, apesar da violência. Enfatiza que Deus estava com ele, inclusive no vazio escuro da cruz, quando parecia havê-lo abandonado. Ensina que Deus o ressuscitou dos mortos, e transformou em juiz aquele que fora réu. E lembra que os discípulos e discípulas, apesar da dificuldade de acreditar nele, e apesar da permanente tentação de abandoná-lo, são constituídos como testemunhas dessa Boa Notícia.

Jesus de Nazaré, filho amado de Deus, irmão querido da humanidade! Aqui estamos reunidos para celebrar contigo a festa dos pequenos, daqueles que se desvelam no cuidado de todas as vítimas. O mistério da vida ressuscitada se dissemina discretamente em tantas pessoas e grupos, inclusive naqueles que não te reconhecem explicitamente. Por isso, celebramos nossa páscoa na tua páscoa, e saímos apressados a testemunhar que a vida é mais forte que a morte e que o amor é imortal. Eis a lição que, como bom mestre, nos ensinar com amor ferido. Assim seja! Amém!

Texto: Itacir Brassiani msf

Fonte: cebi.org.br

A LIÇÃO DA PEDRA REJEITADA QUE SE TORNOU ESSENCIAL!



REFLEXÃO DO EVANGELHO 

Reunimo-nos hoje em vigília, marcados pela dor da perda, recapitulando a história da salvação, regando as frágeis sementes de esperança que nos restam. “Eu sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente…” Acompanham-nos muitas testemunhas que nos antecederam nessa travessia. Mas a vigília sempre nos possibilita também assumir a herança humana e espiritual de quem partiu, levantar o olhar e encontrar forças para continuar a caminhada.

A ação criadora de Deus é sempre lenta, e avança numa luta sem tréguas contra o vazio, o caos e o abismo. Quem sonha e luta se vê frequentemente encurralado, com o mar intransponível à frente e as tropas ameaçadoras atrás. Existem pessoas lutadoras e iniciativas promissoras, mas são frágeis e estão muito dispersas, como o povo de Israel no cativeiro da Babilônia. E sem falar nas perseguições e linchamentos judiciais e midiáticos, que querem abortar mesmo os mais frágeis brotos de mudança e de justiça verdadeira. Onde estão os sinais da páscoa?

O vazio da sepultura não é prova da ressurreição, mas convida a perceber que as marcas dos pregos e o corpo torturado não são a última palavra da história. Na tumba vazia, anjos e mulheres anunciam que o caos do lixo pode dar lugar a uma criação harmoniosa, que o mar ameaçador pode ser atravessado a pé enxuto, que os grupos dispersos podem ser unificados, que os crucificados caminham à nossa frente e vislumbram novidades em gestação. Precisamos abrir-nos às novas possibilidades escondidas no segredo do átomo, no íntimo das pessoas, nos caminhos da história.

As mulheres, as poucas conhecidas e as muitas anônimas, estão a nos dizer que, para entender o mistério da vida, precisamos retomar a Palavra de Jesus, a lição da sua compaixão. Como discípulos seus, não podemos insistir em buscar entre os mortos aquele que está vivo, em enclausurar no passado aquele que é presente e futuro. A surpresa do túmulo vazio é apenas o começo, e não pode ser um convite a ‘voltar para casa’, ignorando nossa responsabilidade com a lição das mãos dadas. É preciso morrer para o pecado e renascer para o cuidado!

Como cristãos, completamos em nossos corpos os sofrimentos de Jesus Cristo. A ressurreição se multiplica como semente no testemunho e nas iniciativas de discípulos e discípulas, comunidades e Igrejas, grupos e movimentos que aprendem e ensinam a lição da misericórdia. Como na ressurreição de Jesus, os sinais pequenos passam a ser reais e promissores. O batismo, recordado e celebrado comunitariamente na vigília pascal, expressa este dinamismo na vida de cada um de nós e da comunidade eclesial. Morreu o velho homem, nasceu uma nova criatura!

Já vivemos e sofremos o bastante para saber que esta passagem não é nem automática, nem evidente. Trata-se de um projeto de vida que, para ser realizado, exige disciplina e empenho. O sonho e a luta pedem vigilância sobre nós mesmos e sobre a permanente tentação de sermos sempre os primeiros e deixar a ninguém o cuidado do que é de todos. Mas esta não é uma luta inglória, pois Jesus de Nazaré, nosso irmão maior, já venceu a batalha, removeu muitas pedras, derramou sobre nós seu Espírito e nos fez capazes de compaixão.

Os primeiros cristãos resgataram uma imagem preciosa para falar da ressurreição de Jesus: Ele é como uma pedra que os construtores jogaram na caçamba de entulhos e que Deus transformou em pedra que sustenta todo o teto em forma de abóbada. Por isso, a páscoa pede que abramos os olhos às pessoas e grupos sociais descartados como desnecessários ou eliminados como incômodos. Se não os tivermos no coração das celebrações e projetos eclesiais, nossa fé poderá ser como casa construída sobre a areia, e nossa utopia pode se deteriorar em simples ideologia.

Senhoras da madrugada, humildemente pedimos a vocês ajuda para caminhar na noite que nos envolve, para ver com nossos próprios olhos que o mestre de vocês e nosso nos precede na periferia e no deserto. Por favor, acompanhem nossos passos inseguros e emprestem-nos um pouco do perfume que vocês souberam conservar, a fim de não chegarmos de mãos vazias ao encontro com Aquele que vive para sempre. E então anunciaremos de mil modos que a carne amada e amante de Jesus vivifica todos os sonhos que nos habitam. Assim seja! Amém!

Texto:Itacir Brassiani msf

Fonte: cebi.org.br

terça-feira, 12 de abril de 2022

SÍNODO 2021-2023


Sínodo 2021-2023

Toda a Igreja está convocada pelo papa Francisco a percorrer o caminho rumo ao Sínodo (outubro 2023): “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Assim, ele “convida a Igreja inteira a se interrogar sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: “O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”.


Igreja Sinodal

A Igreja de Jesus Cristo, ao longo de sua história, concretizou muitos passos e aprendizados. Foi notadamente, no Concílio Vaticano II (1962-1965), que ela percebeu com clareza que o melhor jeito de ser e de caminhar, para bem cumprir a sua missão, é o “jeito sinodal”. Não se trata de tarefa fácil, exige muita preparação e profunda conversão de todos ao projeto de Deus.

Sinodalidade


Sinodalidade é o esforço coletivo e a busca contínua de aprendermos a “caminhar juntos” como irmãos e irmãs que somos. É um jeito de ser Igreja pelo qual cada pessoa é importante, tem voz, é ouvida, capacitada e envolvida na realização da missão. Não se trata mais de estar uns sobre outros, mas de nos colocarmos entre iguais para juntos fazermos a experiência de fé, frente aos desafios internos e externos que se apresentam em nosso dia a dia.







domingo, 3 de abril de 2022

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: O MORALISMO PODE SER OPORTUNISTA, CÍNICO E HIPÓCRITA

 

QUINTO DOMINGO DA QUARESMA – EVANGELHO João 8, 1-11A

A fé vivida e testemunhada pelas gerações que nos antecederam serve para acender nossas utopias e iluminar a estrada a ser percorrida. Paulo deixa bem claro que quem encontra e acolhe Jesus Cristo não tem medo de jogar no lixo costumes, sistemas e doutrinas que hierarquizam, desprezam e escravizam. Iluminados pelo encontro de Jesus com a mulher acusada na praça, assumamos, com força renovada, a luta por uma educação universal e de qualidade.

Pelo profeta Isaías, é Deus que nos convida a não ter saudades do passado. “Eis que estou eu fazendo coisas novas…” Não é uma promessa: é uma ação em curso, no tempo presente. E Paulo completa: “Esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente.” Nossas celebrações, nossa catequese e nossas pregações devem pôr em relevo a vida presente, e não podem ser reduzidas a uma memória morta de fatos de um passado remoto.

Evitemos escutar o episódio relatado por João como coisa do passado. Os escribas e fariseus não dão tréguas no zelo pela lei e agem de noite: em plena madrugada, prendem uma mulher adúltera e a trazem para o centro do círculo que se formara em torno de Jesus, no templo. O centro, que era o lugar da Lei, fora invadido por Jesus e agora é ocupado pela mulher acusada. Até parece que os pobres e oprimidos só ocupam o centro das atenções e sistemas quando são réus.

O cinismo da elite religiosa é impressionante: acusam uma pobre mulher com o objetivo de atingir o próprio Jesus. “Esta mulher foi flagrada cometendo adultério. Moisés, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, o que dizes?” Jesus evita a armadilha, e não lhe passa despercebida a leitura tendenciosa que os escribas e fariseus fazem da Lei de Moisés, pois no Levítico está escrito: “Se um homem cometer um adultério com a mulher do próximo, o adúltero e a adúltera serão punidos com a morte” (Lv 20,10). Onde foi parar o adúltero, o primeiro citado pela Lei?

No fundo, aqueles senhores que se apresentam como zelosos defensores dos direitos de Deus não passam de ferozes agressores dos direitos humanos. E assim como era no passado é também no presente! Em nome do maldito e absoluto direito à propriedade privada, aquela que nos priva de viver e de amar, criminaliza-se os sem-terra, os índios e aqueles que os apoiam. E em nome de um suposto combate a corrupção, foi reconstituído um sistema que privilegia os fortes e o comando do país foi àqueles que mais sabem conviver com a corrupção e se beneficiar dela.

Diante da insistência dos agentes da tradição, dispostos a executar a sentença capital contra a mulher e a denunciá-lo como subversivo diante da Lei, Jesus pronuncia sua sentença: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra.” Aquela pobre e frágil mulher é transformada numa espécie de espelho no qual todos podem ver suas próprias debilidades, frustrações e transgressões. É como se Jesus dissesse que não faz sentido transformar uma pessoa ou um grupo social em bode expiatório. Aqui temos um exemplo eloquente de como ele fala com sabedoria e ensina com amor.

A sabedoria e o amor de Jesus são como uma memória e um sonho que enchem nossa boca de sorrisos, fazem nossa língua cantar de alegria e nos desafiam a mudar conceitos e práticas. Paulo não brinca quando diz que, por causa de Jesus Cristo, perdeu tudo e jogou no lixo aquilo que sempre lhe parecera precioso e certo. Para ele, diante da pessoa e do projeto de vida de Jesus Cristo, todos os sistemas e ideologias, inclusive religiosas, perderam o sentido. O que resta é a dignidade e a igualdade de todos os humanos, humanidade acima de tudo e de todos, a misericórdia divina acolhendo e socorrendo misérias humanas e sociais.

Jesus de Nazaré, nós te agradecemos pelas palavras sábias e pela lição de amor e misericórdia que nos ensinas hoje. O que são nossos privilégios, costumes e doutrinas diante da humana solidariedade e da incrível liberdade que nos propões? Que tua Igreja fale com sabedoria, ensine com amor e nos inicie na coragem de pôr no centro dos nossos projetos e decisões a defesa e a promoção da dignidade da pessoa humana. Ajuda-nos a desmascarar a hipocrisia e a violência, mesmo quando aparecem maquiadas de luta contra a corrupção. Assim seja! Amém!

Texto de Itacir Brassiani

Fonte: CEBI.ORG.BR

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

NÃO JOGAR PEDRAS

Imagem: CEBI.ORG

Reflexão sobre João 8, 1-11 - texto de José Antônio Pagola

Em todas as sociedades há modelos de conduta que, explícita ou implicitamente, moldam o comportamento das pessoas. São modelos que determinam, em grande parte, a nossa forma de pensar, atuar e viver.

Pensemos na ordem jurídica da nossa sociedade. A convivência social está regulada por uma estrutura legal que depende de uma determinada concepção do ser humano. Por isso, ainda que a lei seja justa, a sua aplicação pode ser injusta se não se considerar a cada homem e mulher na sua situação pessoal única a e irrepetível.

Mesmo na nossa sociedade pluralista é necessário chegar a um consenso que torne possível a convivência. Por isso configurou-se um ideal jurídico de cidadão, portador de direitos e sujeito a obrigações. E é este ideal jurídico que se vai impondo com a força de lei na sociedade.

Mas esta ordem jurídica, sem dúvida necessária para a convivência social, não pode chegar a compreender de forma adequada a vida concreta de cada pessoa em toda a sua complexidade, a sua fragilidade e o seu mistério.

A lei tratará de medir com justiça cada pessoa, mas dificilmente pode tratá-la em cada situação como um ser concreto que vive e padece a sua própria existência de uma forma única e original.

É cômodo julgar as pessoas a partir de critérios seguros. É fácil mas também injusto apelar ao peso da lei para condenar tantas pessoas marginalizadas, incapacitadas para viver integradas na nossa sociedade, de acordo com a «lei do cidadão ideal»: filhos sem verdadeiro lar, jovens delinquentes, vagabundos analfabetos, toxicodependentes sem remédio, ladrões sem possibilidade de trabalho, prostitutas sem amor algum, maridos fracassados no seu amor conjugal, e assim por diante.

Frente a tantas condenações fáceis, Jesus convida-nos a não condenar friamente os outros pela pura objetividade de uma lei, mas sim a compreendê-los a partir da nossa própria conduta pessoal. Antes de atirar pedras contra alguém, temos que saber julgar o nosso próprio pecado. Talvez descubramos então que o que muitas pessoas precisam não é da condenação da lei, mas sim que alguém as ajude e lhes ofereça uma possibilidade de reabilitação. O que a mulher adúltera necessitava não eram pedras, mas uma mão amiga que a ajudasse a levantar. Jesus entendeu-o.


FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/nao-jogar-pedras/ 

sábado, 26 de março de 2022

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: NÃO SOMOS CHAMADOS A JULGAR, MAS A AMAR E SERVIR!

 


4º DOMINGO DA QUARESMA: Lucas 13,1-9

Há pessoas que se comprazem em condenar as vítimas e alforriar os algozes, e em afirmar que as tragédias que se multiplicam não passam de fatalidades imprevisíveis. E há muita gente resiste a encarar e dar nomes aos males que nos rodeiam e com os quais às vezes colaboramos, da pandemia à guerra na Ucrânia. O conhecimento e o reconhecimento dos fatos e das pessoas supõem abertura, sensibilidade, conversão.

Deus irrompe na vida de Moisés a partir do sofrimento do seu povo. Este sofrimento profundo, intenso e real é simbolizado no fogo. Deus chega dizendo, quase aos gritos, que está vendo a opressão do seu povo, que os seus sofrimentos ferem seu coração e os clamores ferem seus ouvidos. É como se Deus dissesse a Moisés: ‘E você não vê nada, não escuta nada?’ Acontece que o nosso ver e o nosso julgar podem estar a serviço de uma determinada ideologia ou por ela condicionados, de modo que vemos algumas coisas e estamos cegos para outras

Esta questão está bem ilustrada no episódio narrado por Lucas, no evangelho do terceiro domingo da quaresma. Está no contexto do ensino de Jesus sobre a missão profética e solidária dos discípulos e sobre a necessidade de interpretar corretamente os sinais dos tempos. Alguns fariseus interrompem a catequese de Jesus trazendo-lhe a notícia de que um grupo de galileus rebeldes fora assassinado por Herodes no templo. Isso ressoa como uma advertência a Jesus: ‘Continue assim, e verás o que acontecerá! Não esqueça que Herodes e Pilatos estão atentos’.

Mas está presente também uma acusação às próprias vítimas: no entendimento dos fariseus, Herodes representaria a mão de Deus, que pune aqueles que, de alguma forma, são culpados. Esta é uma interpretação terrível de fatos em si mesmo trágicos. Por isso, Jesus reage criticando o preconceito dos fariseus frente aos galileus e questionando a leitura justificadora e irresponsável que eles fazem dos fatos. E o faz chamando à memória dos discípulos e fariseus outra ocorrência, conhecida de todos: a queda de uma torre que resultara na morte de 18 judeus em Jerusalém.

Ao mesmo tempo, Jesus enfrenta com firmeza as tentativas que querem demovê-lo da decisão de prosseguir sua missão profética e a teologia ensinada pelos defensores do templo.  Afirmando que somos todos pecadores, que estamos sujeitos a errar ou a não atingir a meta, Jesus nos convida a deixar a cadeira de juízes e abrir os olhos para uma realidade que é mais complexa que a simples divisão entre ‘pessoas de bem’ e ‘gente que não presta’.

Os Bispos do Brasil afirmam “O individualismo não nos torna mais livres, mais iguais, mais irmãos. A simples soma dos interesses individuais não é capaz de gerar um mundo melhor para toda a humanidade, nem pode nos preservar de tantos males que se tornam cada vez mais globais. O individualismo radical é o vírus mais difícil de vencer. Ele nos ilude e faz crer que tudo se reduz a soltar as rédeas das próprias ambições, como se acumulando ambições e seguranças, pudéssemos construir o bem comum” (cf. Texto-Base, nº 40).

A mensagem mais forte da liturgia do terceiro domingo da quaresma é o apelo à conversão, que começa com uma mudança no nosso modo de ver a realidade e de julgar os fatos e as pessoas. A conversão não se faz aos saltos, nem de uma vez para sempre. ‘Conversão, justiça, comunhão e alegria no cristão é missão de cada dia.’ A conversão começa no encontro com Jesus, que nos ama de forma incondicional e aposta nas nossas possibilidades e na nossa vontade. Mesmo não vendo os frutos esperados e tendo motivos para não esperar qualquer mudança, ele se dispõe a adubar o terreno com sua palavra e seu próprio corpo.

Jesus de Nazaré, Filho da Humanidade e Filho de Deus! Não nos deixes cair na tentação de pensar que a pandemia, a guerra e a educação nada têm a ver com nossa fé e de culpar as vítimas pelas próprias misérias. Que cada um de nós, nossas comunidades e movimentos, partindo da certeza de que Deus, teu e nosso pai, é lento e suave na cólera, mas rápido e estável na bondade, não assimilemos tuas lições. Aduba nossa vida com tua Palavra, teu Corpo e teu Sangue, para que possamos dar os frutos esperados. Assim seja! Amém!

texto de Itacir Brassiani

fonte: cebi.org.br

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

O PODER DAS PLATAFORMAS DIGITAIS

 

As redes sociais digitais, produto desta nova civilização são, com certeza, uma inovação e um grande avanço na comunicação humana. A internet em si é uma revolução em tudo aquilo que conhecíamos do ponto de vista dos relacionamentos. Um dos pontos positivos é que ela é de acesso a todos. O ponto nevrálgico disso é que nem "todos" deveriam ter esse acesso fácil.

Ontem ainda, discutíamos numa live com catequistas, a importância do uso da rede na evangelização. São espaços que se não ocupamos com o bem, com certeza vai ser ocupado pelo mal. Vemos milhares de youtubers como Monark por aí e também vemos milhares de pessoas que usam a religião de forma dantesca para expressar sua natureza preconceituosa, racista, homofóbica, xenofóbica...

É, assim como o bolsonarismo se apropriou da bandeira do Brasil como "escudo", muita gente usa a cruz de Cristo como anteparo para falar besteira.

Cuidemos, cuidemos do que vemos, do que expressamos, do que compartilhamos, do que curtimos. Para cada Monark que cai, surge um "injustiçado" que se defende com a bandeira da "liberdade de expressão". E no lugar dele nas redes e podcasts, surge mais 20 todos os dias.

Li hoje que, sendo a internet gigantesca, não é difícil achar imbecis para seguir ideias imbecis. Monark é uma peça descartável, colapsou porque chegou ao limite, mas, existem outros beirando este limite.

As plataformas incentivam esse tipo de comportamento e discurso. Permitem que os "polêmicos" encontrem seguidores em nome da monetização e do comércio. Ideias extremistas e discursos de ódio são produtos com muita aceitação no mercado.

E onde ficam as pessoas de bem? Espero que não, estarrecidas e caladas com o que veem ou revidando na mesma moeda com discursos inflados que alimentam mais ainda o crescimento nefasto deste tipo de personagem, que na verdade, quer atenção, quer 👍 (likes), quer o dinheiro dos anúncios. Espero que estas pessoas estejam "lutando", com as armas que possuem (argumentos lógicos e civilizados!) para que se crie espaços limpos, conteúdos mais humanos, mais palatáveis, mais enriquecedores nas plataformas e redes digitais.

Moderar conteúdo é algo que as grandes empresas não querem fazer. Custa caro e exige que se "desça do muro", exige posicionamento. Se houvesse interesse em mudar isso, teríamos um espaço mais limpo, um debate de qualidade, sem tanta polarização. Mas, as Big Techs teriam que promover isso a custa de seus lucros. A legislação, que defende (ou deveria) o cidadão digital, acaba sem ação diante do poderio do capital. Então, são os internautas, consumidores de conteúdos que precisam começar as mudanças. Não há outra forma.

Vem aí a campanha política. E nada causa mais polêmica que política. Já me causa arrepios o que vou ver na internet...

Ângela Rocha

domingo, 6 de fevereiro de 2022

A SOLIDARIEDADE NÃO PODE TER FIM

Leonardo Boff - Teólogo

Nós estamos vivendo em um mundo onde é cada vez mais escasso encontrar um ato de boa vontade.

Ver alguém fazendo uma ação de bom coração é algo a se aplaudir hoje em dia. Mas não era para ser assim, ser bom deveria ser algo mais costumeiro, estar mais latente em nossas rotinas.

Mas, parece que não é para esse lado que o mundo está caminhando.

Veja, Francis Crick e James Watson, foram dois biólogos que decodificaram o código genético, ou seja, eles descobriram a mesma base biológica que todos os seres vivos possuem, que são como vinte tijolinhos com quatro tipos de cimentos diferentes e é com isso que construímos toda a biodiversidade e, também, toda vida humana.

Watson diz que no código genético, dentro da nossa existência, está o instinto de solidariedade, o instinto de amor.

Mas isso acontece não porque nós queremos ou não queremos, a verdade é que isso é um grande impulso natural da nossa vida, tudo porque convivemos uns com os outros. Nós não vivemos, nós convivemos na família, na sociedade, no trabalho, no grupo de estudos etc.

Agora, mesmo que nesse momento esteja predominando o egoísmo, a rejeição, ainda temos a solidariedade das pessoas que por exemplo doam toneladas de roupas, de alimentos.

E é essa a solidariedade que não pode ter fim. Precisamos nos unir nesse momento de dificuldade que a maior parte das famílias estão passando, sofrendo com doenças, fome, perdas, é um momento realmente difícil.

E quais práticas então serão indispensáveis para construirmos um futuro viável a todos nós?

É isso que veremos em nossa aula gratuita com Leonardo Boff, um dos maiores teólogos do mundo.

Essa aula será no dia 17 de fevereiro, às 20h e contará com o tema: As virtudes fundamentais no novo tempo pós-pandemia.

Grande abraço
Equipe Instituto Conhecimento Liberta

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sábado, 5 de fevereiro de 2022

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: SEGUIMENTO DE JESUS NÃO RIMA COM SUPERFICIALIDADE!

 


5º DOMINGO DO TEMPO COMUM –  LUCAS 3-10-14

Após do episódio da sinagoga de Nazaré, quando Jesus foi expulso da cidade depois de apresentar-se como o profeta que prioriza a vida dos marginalizados, temos hoje o belo relato da pesca que termina em vocação. Jesus já havia estado em Cafarnaum e curado um homem possuído por um espírito impuro, a sogra de Pedro curvada sob a febre, e muita gente que estava doente (cf. Lc 4,31-41). Jesus então se retira para rezar (cf. Lc 4,42-44) e, posteriormente, chama, reúne e inicia a formação dos primeiros seguidores e colaboradores.

Simão, Tiago e João voltam de uma noite de trabalho. Os barcos estão vazios de peixe e cheios de frustração. Jesus vê os barcos parados à margem do lago e, mesmo percebendo que os pescadores não estão interessados na sua palavra, sobe num dos barcos. É de dentro da própria lida cotidiana, frequentemente dura e vazia, que Jesus fala assegurando que as promessas de Deus estão se cumprindo, que, com ele uma boa notícia finalmente é anunciada aos pobres e oprimidos. Jesus entra na nossa vida e, desde o interior dela, nos ama, nos acolhe e nos chama.

Os pescadores não parecem muito interessados com o que está acontecendo naquele momento às margens do lago de Genesaré. O cansaço e a sensação de frustração os invade por inteiro. Não vislumbram um horizonte que não seja voltar ao mesmo e rotineiro trabalho na noite seguinte. Para eles, o duro realismo não pode fazer concessão a sonhos e utopias. Seu destino está desde sempre escrito a ferro e fogo nas instituições. Poderiam repetir o ditado: ‘A vida é um combate que aos fracos abate’. Inicialmente, o jovem pregador não suscita neles nenhuma expectativa.

Infelizmente, também hoje são muitos os que se contentam com as rotinas de uma religião recebida como herança e conservada por inércia. Outros vivem a fé como um fardo pesado e cansativo, ou como um hábito que envergonha. Permanecem cristãos por conveniência ou por medo de mudar, mas exalam vazio e a frustração por todos os poros. E o que dizer dos bispos, padres, religiosos e catequistas que reclamam do afastamento dos fiéis mas se conformam às ‘antigas lições’ com cheiro de caserna e aderem a posturas violentas, armadas e discriminadoras?

Sem desconhecer a frustração dos pescadores, Jesus pede que Pedro avance para águas mais profundas e recomece a pesca. A superficialidade sempre nos parece tentadoramente segura, mesmo que saibamos que é também é menos fecunda. Lugares profundos costumam ser arriscados e exigem prudência e habilidade. Mas a excessiva prudência impede o avanço, e a superficialidade conduz à esterilidade. A abertura e a obediência à Palavra de Jesus abre-nos as portas à fecundidade. Como Pedro, aprender reaprender a pescar, recomeçar sempre.

Em atenção à Palavra de Jesus, Pedro lança as redes novamente, e o resultado é surpreendente. Ele então reconhece sua indignidade, mas Jesus não dá ouvidos à sua contrição. “Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!” Ele é chamado a vivificar e reunir para conservar a vida. E este chamado dirigido a Pedro, que implica em aprender uma nova missão, não é isolado: Tiago e João, companheiros no ofício da pesca, são agora também companheiros nesta nova identidade e missão. “Eles levaram os barcos para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus.”

Chamando-nos, Jesus nos coloca cara a cara com nossa realidade mais profunda e autêntica: a vulnerabilidade e a finitude, que, quando negadas ou esquecidas, nos induzem ao erro desde o primeiro passo. Mas, ao mesmo tempo, descobrimo-nos preciosos aos olhos de Deus. Ele dá impérios pela nossa liberdade (cf. Is 43,3-4), tatua nosso nome na palma da sua mão (cf. Is 49,16) e, tocando nossos lábios, perdoa nosso pecado e confirma nossa dignidade.

Jesus de Nazaré, peregrino nos santuários das dores e esperanças humanas! Abre nossos ouvidos à tua Palavra, preenche nossos vazios com tua presença, cura nossas frustrações e desamarra as mãos que o medo e a acomodação imobilizaram. Engaja-nos na tua missão de reunir teus irmãos e irmãs, de promover e conservar a vida e de anunciar teu Evangelho. E não nos deixes cair na tentação de que podemos fazer tudo sozinhos e esquecer que somos sempre discípulos e aprendizes, distribuidores e servidores. Assim seja! Amém!

Texto de Itacir Brassiani

FONTE: cebi.org.br

 

sábado, 29 de janeiro de 2022

COMBATER AS FAKE NEWS, MAS NÃO ISOLAR OS QUE TEM DÚVIDAS


Encontro do Papa com o Consórcio Internacional de Mídia Católica (Catholic Factchecking)

"Se for necessário combater as fake news, as pessoas devem sempre ser respeitadas porque muitas vezes aderem inconscientemente a elas". Palavras do Papa no encontro com aos membros do Consórcio internacional da mídia católica "Catholic fact-checking" nesta sexta-feira dia 28 no Vaticano.                                              

Dirigindo-se aos membros do consórcio internacional da mídia católica "Catholic fact-checking", o Papa Francisco convida a refletir sobre o estilo dos comunicadores cristãos diante de certas questões relacionadas com a pandemia. Para isso, ele cita algumas expressões de São Paulo VI presentes na Mensagem para o Dia das Comunicações Sociais de 1972, onde ele reconheceu o poder dos instrumentos de comunicação social sobre o comportamento e as escolhas das pessoas. O Papa Paulo VI dizia ainda que "a excelência da tarefa do informante consiste não apenas em destacar o que é imediatamente perceptível, mas também em buscar elementos de enquadramento e explicação sobre as causas e circunstâncias de cada fato que ele deve relatar". Uma tarefa, portanto, que requer um senso de responsabilidade e rigor. 

“O Paulo VI falava da comunicação e da informação em geral, mas suas palavras estão muito de acordo com a realidade se pensarmos em certas desinformações que circulam hoje na web. De fato, vocês se propõem em chamar a atenção às fake news e informações tendenciosas ou enganosas sobre as vacinas Covid-19, e o fazem colocando em rede com diferentes mídias católicas e envolvendo vários especialistas.”

ESTAR JUNTOS PELA VERDADE

Francisco lembra que o objetivo do Consórcio é "estar juntos pela verdade". Estar juntos, é fundamental no campo da informação e, em um tempo de divisões, já é um testemunho. Hoje, além da pandemia, a "infodemia" se espalhou, ou seja, "a distorção da realidade baseada no medo, que na sociedade global faz ecos e comentários sobre notícias falsificadas ou mesmo inventadas". A multiplicação de informações e a circulação dos chamados pareceres científicos também podem gerar confusão. É necessário, continua o Papa, citando o que ele já havia dito em um discurso em outubro de 2021, "fazer aliança com a pesquisa científica sobre doenças, que progride e nos permite combater melhor", considerando sempre que o conhecimento deve ser compartilhado.

Isto também se aplica às vacinas, recordou o Papa:

“Há uma necessidade urgente de ajudar os países que têm menos, mas isto deve ser feito com planos a longo prazo, não apenas motivados pela pressa das nações ricas em serem mais seguras”

"Os remédios devem ser distribuídos com dignidade, e não como esmolas de piedade. Para fazer um bem real, é preciso promover a ciência e sua aplicação integral. Portanto, estar corretamente informado, ser ajudado a entender com base em dados científicos e não em fake news, é um direito humano.

A PALAVRA  "PARA"

A segunda palavra que o Papa Francisco enfatiza é para, uma palavra pequena, mas cheia de significado: os cristãos, comentou, são contra as mentiras, mas sempre em prol das pessoas. Não devemos esquecer a "distinção entre as notícias e as pessoas". Se for necessário combater as fake news, as pessoas devem sempre ser respeitadas porque muitas vezes aderem inconscientemente a elas. E o Papa afirma ainda:

"O comunicador cristão faz seu o estilo evangélico, constrói pontes, é um artífice da paz também e sobretudo na busca da verdade. Sua abordagem não é de oposição às pessoas, ele não assume atitudes de superioridade, ele não simplifica a realidade, para não cair em um fideísmo do estilo científico. Na verdade, a própria ciência é uma contínua aproximação à resolução dos problemas. A realidade é sempre mais complexa do que pensamos, e devemos respeitar as dúvidas, ansiedades e perguntas das pessoas, tentando acompanhá-las sem jamais tratá-las com superioridade".

O Papa Francisco sublinha mais uma vez o dever como cristãos de fazer todo o possível para "evitar a lógica da contraposição", sempre tentando aproximar e acompanhar o percurso das pessoas. "Tentemos trabalhar pela informação correta e verdadeira sobre a Covid-19 e sobre as vacinas", afirmou, "mas sem criar muros, sem criar isolamentos".

VERDADE

A terceira palavra que Francisco prende em consideração é verdade, que deve ser sempre procurada e respeitada pelos comunicadores. O Papa adverte a este respeito:

"A busca da verdade não pode ser levada a uma perspectiva comercial, aos interesses dos poderosos, aos grandes interesses econômicos. Ficar juntos pela verdade significa também buscar um antídoto para algoritmos destinados a maximizar a rentabilidade comercial, significa promover uma sociedade informada, justa, saudável e sustentável. Sem uma correção ética, estes instrumentos geram ambientes de extremismo e levam as pessoas a uma radicalização perigosa".

A verdade para o cristão, continuou o Papa, não se trata apenas de coisas individuais, mas de toda a existência e também inclui significados relacionais como "apoio, solidez, confiança". E o único "verdadeiramente confiável e digno de confiança, com quem se pode contar, que é 'verdadeiro', é o Deus vivo". Jesus disse de si mesmo: "Eu sou a verdade". E conclui indicando novamente um estilo preciso de comunicação:

“Trabalhar ao serviço da verdade significa, portanto, buscar o que favorece a comunhão e promove o bem de todos, não o que isola, divide e se opõe.”


Adriana Masotti 

Fonte: VATICAN NEWS