terça-feira, 16 de agosto de 2016

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: REFLEXÕES A PARTIR DO DOCUMENTO DE APARECIDA

CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO
SÉRIE: Formação Básica para Catequistas

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: REFLEXÕES A PARTIR DO DOCUMENTO DE APARECIDA

 “A Iniciação Cristã é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado” (DAp 288).

“Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para segui-lo, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (DAp 287).

“Ser discípulo é um dom destinado a crescer. A iniciação cristã dá a possibilidade de uma aprendizagem gradual no conhecimento, no amor e no seguimento de Cristo. Dessa forma, ela forja a identidade cristã com as convicções fundamentais e acompanha a busca do sentido da vida” (DAp 291).

“Como características do discípulo, indicadas pela iniciação cristã, destacamos: que ele tenha como centro a pessoa de Jesus Cristo; que tenha espírito de oração, seja amante da Palavra, pratique a confissão frequente e participe da Eucaristia; que se insira cordialmente na comunidade eclesial e social, seja solidário no amor e fervoroso missionário” ( DAp 292).

“A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos, mas sim itinerário catequético permanente (DAp298); não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas de formação integral” (DAp 299). É catequese para o seguimento de Jesus, o discipulado.

O processo de formação dos discípulos missionários



No processo de formação de discípulos missionários, destacam-se cinco aspectos fundamentais que se complementam e se alimentam entre si (DAp 278):

01) O encontro com Jesus Cristo:

O Encontro dá origem à iniciação cristã; é o Senhor quem chama (Mc 1,14) aqueles que o buscam (cf. Jo 1,38). Esse encontro desperta o encantamento, paixão por Jesus. São Paulo descreve na Carta aos Filipenses, como ele se encantou por Jesus. O Documento de Aparecida fala da ação de graças (nº 23 a 27) e da alegria do encontro com Jesus (nº 28 e 29):

“Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria. ”

Esse Encontro envolve o testemunho pessoal, o anúncio do Querigma e a ação missionária da comunidade.

Quem compreendeu que ser cristão não é um peso, mas um dom (cf. DAp 28), é capaz de anunciar a Boa Nova do amor de Deus, na certeza que brota da fé. A vibração interior é fundamental. Aqui há necessidade da humildade, aceitar e aprender com o outro, a EMPATIA. É preciso respeito e acolhida das pessoas e de suas realidades por causa de Deus e da obra que Ele já realizou; antes do evangelizador, o Espírito Santo chegou! Valorizar o diálogo para identificar e reconhecer os valores da pessoa, ouvir o outro, para depois anunciar o Querigma.
O anúncio querigmático requer uma formação bíblico-doutrinal, mediante um aprofundado conhecimento da Palavra de Deus e dos conteúdos da fé.

O Diretório Nacional de Catequese (nº30 a 32) destaca os seguintes elementos essenciais do querigma:

a) Em Jesus que anuncia a chegada do Reino, Deus se mostra Pai amoroso;
b) A salvação em Jesus, integral, que começa aqui e se projeta na eternidade;
c) Deus nos chama à conversão e a crer no seu Reino que se inaugura em Jesus;
d) Deus quer nos salvar com a nossa participação e responsabilidade;
e) A Igreja, comunidade dos que creem em Jesus, é o início desse Reino;
f) O destino eterno e glorioso daquele que crê, ama e espera.

Gevaert (2009, p.7), ao tratar do primeiro anúncio, afirma: “Urge anunciar Jesus Cristo liberto dos fundamentalismos que tentam aprisiona-lo como um milagreiro”. A CNBB em “Anúncio Querigmático e Evangelização Fundamental” afirma no nº 16: “Às vezes, o homem urbano procura, na religião, não a verdade, mas a utilidade, a libertação de todos os seus males. ”

Gevaert (2009, p. 105), lembra ainda que, o primeiro anúncio não é levar a doutrina cristã (catecismo) ao convertido e nem aumentar os conhecimentos dogmáticos deste. Tudo é orientado para a fé no único Deus, seu amor, a fé em Jesus e a esperança da vida eterna com Deus. O autor destaca também: “A acolhida é fundamental, significa oferecer refúgio, proteção ou conforto. O introdutor ou catequista, quando acolhe alguém, o faz não em seu nome pessoal, mas sim em nome de Cristo e da Igreja” (GEVAERT, 2009, P 17).

OBS: A passagem dos discípulos de Emaús (Lucas 24, 13-35) pode servir de modelo de um percurso de primeiro anúncio do Evangelho. 
  
02) A Conversão:

É a resposta inicial de quem escutou o Senhor, decide ser seu amigo e ir após Ele, mudando sua forma de pensar e de viver. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo.

03) O Discipulado:

A pessoa amadurece no conhecimento, amor e seguimento de Jesus, através da catequese permanente e da vida sacramental. A finalidade da catequese é de aprofundar o primeiro anúncio do Evangelho. Aprofunda-se nos mistérios do Cristo através da catequese mistagógica, segue seu exemplo e sua doutrina.

04) A Comunhão:

O seguimento de Jesus realiza-se na comunidade fraterna.  Não pode existir vida cristã fora da comunidade: nas famílias, nas paróquias, nas comunidades de base, nos movimentos, etc. O discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. É também acompanhado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito. Catequese é, em primeiro lugar, uma ação eclesial (DNC 39).

05) A missão:

O discípulo que se encantou por Jesus, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a sua alegria de ser enviado a anunciar Jesus Cristo morto e ressuscitado, a construir o Reino de Deus. A missão é inseparável do discipulado, o qual não deve ser entendido como etapa posterior à formação. “Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma moeda. O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (DAp pag.256).
Para D.Orlando Brandes, arcebispo de Londrina:

“Catequese é processo para a vida. Hoje precisamos catequizar para a humanização, a reconciliação, a inserção social. A palavra central do cristianismo é o OUTRO e VOCÊ (Tu). Para ser discípulo missionário, alegre, dando testemunho de Jesus, a Igreja nos alimenta com dois seios: a Bíblia e a Eucaristia. Catequese é Fé e Vida!

O Pe. José Luis Quijano (Revista de Catequese, pág.63) no Congresso de Catequética realizado em 2008/Lisboa, onde a dimensão missionária da catequese se mostrou preocupação de todos, reconhece a necessidade da Catequese de “desinstalar-se”, revisar os conceitos e tornar-se uma Catequese querigmática ou missionária:

“Mais que um processo linear no qual a Catequese se coloca em continuação do Primeiro Anúncio, parece que o pluralismo, a diversidade de propostas, o descrédito da religiosidade, as mudanças nos modos de viver, sentir e de crer, solicitam da Catequese essa “transformação semântica” que nos faz concebê-la como um processo ESPIRALADO , sempre aberto e em desenvolvimento: O Querigma vai-se ampliando e aprofundando, ao longo de nossa vida, sempre se reiterando, de um modo novo, vigoroso e atraente, mesmo depois da conversão inicial.”

Ângela Rocha
Helena Okano


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

CELAM. Documento de Aparecida. 3ªed. São Paulo: Paulus, 2007.
CNBB. Anúncio querigmático e evangelização fundamental. Brasília: CNBB, 2009.
______ . Diretório Nacional de Catequese. Doc. 84. 9ª ed. São Paulo: Paulinas, 2010.
GEVAERT, Joseph. O primeiro anúncio. São Paulo: Paulinas, 2009.

UNISAL. Iniciação Cristã ontem e hoje. Revista de catequese. Ano 31, nº 126. Abril-junho 2009.    

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