domingo, 18 de maio de 2014

A solidão dos pequenos...

A agitação do mundo de hoje faz com que a rotina das famílias se transforme numa verdadeira roda viva. Pais trabalhando fora (isso quando não estudam também), fazem com que crianças sejam entregues a babás super atarefadas com os afazeres domésticos ou sejam levadas de um lado para o outro, sobrecarregadas de atividades. É a escola, a catequese, o inglês, o balé, o vôlei, a natação... Haja pique para tanta coisa!

Mas onde é que ficam as brincadeiras, o companheirismo e as conversas jogadas fora tão necessárias ao relacionamento humano? As crianças estão em contato com muita gente todos os dias. Estão na internet e tem amigos virtuais. E estão sós. A gente sente a solidão dos pequenos nos encontros de catequese. Naqueles momentos em que falamos do amor de Jesus, das amizades, da caridade... As crianças querem falar. E geralmente todas ao mesmo tempo: contar da vida, dos colegas, dos pais, da avó, do gato, do cachorro.

Quando essa solidão se manifesta assim, com algazarra, com boquinhas que não fecham um minuto, tudo bem. E quando elas se manifestam com retraimento, comportamento violento, pequenos furtos de coisas que nem precisam, com dificuldade de aprendizagem, palavrões e revolta? O que a gente faz? Muito maior que a carência de pão é a carência de atenção.

A realidade urbana das crianças de hoje é essa: muitas têm quase tudo que precisam e até mais, mas não tem a companhia dos pais, tão imprescindível ao crescimento e ao amadurecimento do ser humano. E olhe que essa companhia pode ser até mesmo igual a nossa, de pelo menos uma hora por dia.

Nós, catequistas, nessa nossa horinha semanal com eles, podemos dar-lhes um caloroso abraço e dizer que está tudo bem, mas jamais substituiremos os pais...

Ângela Rocha

angprr@gmail.com

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO