domingo, 13 de março de 2016

O COMPROMISSO COM A ÁGUA, QUE É DE TODOS

A água é tão indispensável para nossas vidas quanto o ar que respiramos. Apesar de sua importância, a água não recebe o cuidado que merece, nem no nível pessoal, no desperdício que não evitamos; nem no nível social, de acesso e distribuição justa da água para todos.

Dia 22 de março é o Dia Mundial da Água, criado pela ONU em 1992. E grande parte das fontes de água potável (rios, lagos, represas) está sendo contaminada pela ação humana. Poderá, então, faltar água para parcela considerável da população mundial. O Dia mundial é momento de reflexão, conscientização e elaboração de ações práticas para resolver o problema.

Hoje 1,1 bilhão de pessoas já não tem acesso à água potável, e 2,4 bilhões não tem saneamento básico. A cada ano, morem 6 milhões de pessoas pobres (4 milhões são crianças) de enfermidades ligadas a águas contaminadas. O problema é mais grave em países da África e da Ásia. O Brasil é privilegiado, com 17% de toda água doce do mundo. Cada brasileiro, teoricamente, teria cerca de 34 milhões de litros de água à sua disposição. Porém, apesar dessa abundância, muitos brasileiros ainda sofrem com a falta de Água devido á utilização inadequada que fazemos desse recurso vital. A poluição das águas, o assoreamento dos rios, a expansão da agroindústria e o desperdício contribuem com a escassez.

Cooperação X mercadoria

Muitos ainda usam a água de forma irresponsável, como se fosse um bem inesgotável. Mais grave ainda é o uso da água como mercadoria. Para o ambientalista Roberto Malvezzi, “o discurso privatista da água tem interesses e endereço certos: vender dificuldades para construir facilidades. A privatização da água gera negócios da escala de bilhões, se pensarmos em seus múltiplos usos como consumo humno, animal, industrial, geração de energia, sobretudo, o aumento intensivo de seus uso na irrigação. A agricultura irrigada devora 70% de toda água doce consumida no mundo.” (Mundo Jovem, março de 2013).

Para a ecologista social Vandana Shiva, da Índia, trata-se de um modelo de desenvolvimento predador  abusivo, pois “sistemas agrários que utilizam cinco vezes mais água para produzir a mesma quantidade de alimentos são ditos eficientes e produtivos. O  suposto milagre da revolução verde é um dos grandes motivos do desaparecimento de nossos lençóis freáticos, bem como da água utilizada na superfície terrestre em áreas que nunca deveriam ter passado por irrigação intensa.”
Também o comércio de água engarrafada é uma forma de uso da água como mercadoria. Estão nos acostumando a comprar essa água, que nem sempre é mineral nem de qualidade. Muita gente não bebe água da torneira, mesmo pagando por ela e compra água engarrafada para beber. Parece que a escassez é apenas um mito para dar valor econômico à água.

Fonte de fraternidade

Como cristãos, já na CF de 2004 dizíamos que a partilha da água pode ser fonte de fraternidade, não de guerra. Este ano de 2016, novamente a CFE desperta para a questão do Saneamento Básico, cuja água tratada faz parte, como um direito de todos.
A Bíblia fala da água como símbolo do Espírito de Deus que derrama sobre o universo uma vida nova, de justiça e cooperação. Já existe a consciência avançada para que a água seja reconhecida como um direito fundamental da pessoa humana e um patrimônio de todos os seres vivos, mas, ainda há um longo caminho a seguir na conscientização das pessoas.
O Brasil está despertando para a cooperação pela água. Ela vem principalmente da sociedade civil, através de ações, como a instalação de cisternas no nordeste, diminuindo a mortalidade infantil e outros efeitos da seca. Cabe a cada pessoa mudar seus hábitos no cuidado com a água de todos, a partir dos próprios hábitos cotidianos, individuais e familiares. Uma forma é calcular quanto de água se gasta em casa por pessoa ao mês. É só pegar a conta de água, dividir a metragem pelo número de pessoas e depois dividir pelos dias do mês. Se o consumo diário de cada pessoa estiver acima de 120 litros, já há desperdício. Nesse sentido, escolas, igreja e movimentos sociais tem um papel importante e amplo na educação para a cooperação e compromisso com a água de todos.

Fonte principal: Jornal Mundo Jovem – Março 2013 (Adaptado).

(Texto enviado pela catequista Cidinha de Ourinhos - SP)

 Para trabalhar no encontro de catequese...

Usar o texto como reflexão para a semana do Dia da Água  (22/03), aproveitando o tema da CFE 2016, Casa Comum - Saneamento Básico.
Em seguida pedir que as crianças façam em casa a seguinte atividade:

Vamos fazer as contas?
- Pegue a conta de água da sua casa e faça a conta do consumo diário de cada morador. Se estiver acima de 120 litros, há desperdício. Que ações podemos tomar para tornar o consumo racional e comprometido?

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO