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sábado, 31 de janeiro de 2026

BEM AVENTURADOS SEJAMOS: INCLUINDO A CATEQUESE...

AS BEM-AVENTURANÇAS

Neste domingo temos o Evangelho das Bem-Aventuranças, uma das catequeses mais importantes da nossa Igreja. Mateus começa o “Sermão da Montanha” com a narrativa das Bem-Aventuranças, desenvolvendo, nos capítulos 5, 6 e 7, um dos mais preciosos discursos de Jesus.

No entanto, este domingo, 31 de janeiro, não faz parte do itinerário catequético ainda… pois estamos de “férias” até a Quarta-feira de Cinzas. Nenhuma paróquia começa o ano catequético antes disso. Prejuízo? Não. Encaixamos as Bem-Aventuranças “onde der” ao longo do ano.

Mas será que isso não vai de encontro às nossas tentativas de fazer uma verdadeira Iniciação à Vida Cristã? Dizemos que a catequese é um processo, que precisa de coerência, continuidade e vínculo com a liturgia… mas, na prática, aceitamos que tudo fique desconectado.
Será mesmo que isso não faz diferença? Não seria frutuoso que as crianças escutassem, na missa do domingo, a mesma catequese que ouviram — ou ainda vão ouvir — durante a semana?

Bem… uma “vozinha” aqui insiste em me dizer: “A quem você está tentando enganar? Desde quando os pais frequentam a missa todos os domingos? Ainda mais nas férias? Sonha menos, Ângela!”

O problema não é estar de férias. O problema é o que consideramos essencial. As Bem-Aventuranças ficam para “quando der”, como se fossem um complemento opcional, e não o eixo da vida cristã.

Sonho ou utopia, acredito que seria muito bom que os pais ouvissem bem o Evangelho deste domingo e conversassem com os filhos a respeito. É claro que a linguagem do Evangelho proclamado no ambão é meio “demais” para pais “viajantes” na religião. Mas, para isso, temos o “sermão” do padre. E existem centenas de lugares onde se pode ler comentários sobre todos os Evangelhos da Bíblia. Basta fazer uma perguntinha no Google que logo a IA responde.

O Evangelho de Mateus mostra o início da vida pública de Jesus, que “sobe uma montanha” e, diante de uma multidão de pessoas, faz seu maior discurso sobre a justiça e sobre a maneira como se deve viver.

Jesus é o novo Moisés, aquele que anuncia a “Nova Lei”. Antes de estar ali, Jesus passou pela provação do deserto, preparando o coração para a missão que viria. Ele proclama a Nova Lei com as Bem-Aventuranças e atualiza os mandamentos com o mandamento maior: o amor aos irmãos.

Bem-aventurados é o mesmo que “felizes”. E ele fala também para as bem-aventuradas; para Jesus, não há distinção de gênero. Essa felicidade não é passageira nem superficial. É uma escolha: viver uma alegria profunda mesmo em meio à dor, sentindo a presença e a esperança do Reino de Deus.

Jesus promete a felicidade tanto para quem sofre a injustiça, para quem espera com paciência, para quem tem fome e sede — realidade dos pobres, excluídos e aflitos — quanto para aqueles que praticam a justiça com misericórdia, com pureza de coração, promovendo a paz. Esses também serão perseguidos, mas verão o Reino de Deus.

À luz deste Evangelho, somos chamados a ser “bem-aventurados/as”, porque o Reino de Deus está entre nós, florescendo no coração de quem ama e luta pela justiça.

Mas, como eu dizia no começo, a nós, catequistas, é dada a oportunidade de trabalhar esse discurso em outro momento. Porém, a oportunidade da liturgia não estará presente. E tudo o que fazemos é desfiar a “lista” das oito Bem-Aventuranças como se pouca coisa fosse. Nem sequer fazemos os catequizandos “decorarem” as oito Bem-Aventuranças, como fazemos com os Dez Mandamentos.

Dizemos que buscamos uma Iniciação à Vida Cristã, mas deixamos de iniciar justamente naquilo que define o modo de viver de Jesus. As Bem-Aventuranças não são decorativas. Não são um resumo bonito para decorar. São um projeto de vida.

Se elas passam… e nada fica, talvez o problema não esteja nas crianças. Talvez o Evangelho das Bem-Aventuranças incomode tanto porque ele não cabe em encontros apressados, nem em calendários mal pensados. Ele exige tempo, escuta, conversão. E isso, convenhamos, dá mais trabalho do que “encaixar onde der”.

P.S. E não vão me dizer que “Tem Entrega das Bem-Aventuranças em nossa paróquia”, porque aí já é demais! Estão massacrando a liturgia.

Ângela Rocha
Catequista e Formadora
Graduada em Teologia pela PUCPR

“Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los:
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”. 

Evangelho de Mateus 5,1-12




 

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