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sábado, 14 de fevereiro de 2026

UM CONVITE À COERÊNCIA DO CORAÇÃO

VI Domingo do Tempo Comum

Leituras:
Eclo 15,16-21
Sl 18(119),1-2.4-5.17-18.33-34 (R. 1)
1Cor 2,6-10
Mt 5,17-37

🌿 Evangelho do Domingo – Mateus 5,17–37

Este trecho do Sermão da Montanha nos coloca diante de um desafio delicado e profundamente atual. Jesus não descarta a Lei; Ele a leva à sua plenitude. Sai do campo das normas externas e entra no território mais exigente: as intenções, atitudes e disposições do coração.

O texto começa lembrando o 5º mandamento: “Não matarás.” Mas Jesus amplia: a raiva cultivada, o desprezo, a palavra que humilha… tudo isso também fere e destrói. Para nós, que educamos na fé, essa palavra toca diretamente na missão de evangelizar. Quantas vezes falamos de amor, perdão e fraternidade; mas nossas relações, até mesmo na catequese, carregam impaciência, dureza ou julgamentos?

Antes de falar, testemunhar. Antes de ensinar reconciliação, viver reconciliação. Jesus propõe algo revolucionário: se houver ruptura com o irmão, a reconciliação vem antes da oferta. Em linguagem catequética, poderíamos dizer: não basta preparar belos encontros, dinâmicas e celebrações se o coração permanece fechado, ressentido ou indiferente.

A pedagogia de Jesus é interior. Ao falar de adultério, juramentos e fidelidade à palavra, Jesus insiste na mesma direção: a verdadeira vivência da fé nasce de dentro para fora. Não se trata de vigiar comportamentos alheios, mas de cultivar: integridade, verdade, respeito, coerência entre fé anunciada e fé vivida

Para o catequista, isso é essencial. Crianças, adolescentes e adultos em iniciação cristã aprendem menos com discursos e muito mais com posturas. Eles percebem como tratamos as pessoas, como reagimos aos conflitos, como usamos nossas palavras e como vivemos aquilo que propomos

Jesus usa uma linguagem forte para acordar consciências. As imagens radicais usadas por Ele (“arrancar o olho”, “cortar a mão”) não pedem literalidade, mas decisão. É um chamado a remover aquilo que nos afasta do Evangelho: atitudes tóxicas, vaidades feridas, palavras agressivas, incoerências repetidas

“Seja o vosso sim, sim”: Num mundo de promessas frágeis e discursos vazios, Jesus valoriza a simplicidade da verdade. Para quem catequiza, isso é ouro:

Que nosso “sim” à missão seja verdadeiro. Que nosso compromisso não seja apenas agenda, mas vocação. Que nossa palavra tenha peso porque nasce de uma vida autêntica.

Para rezar e refletir:

Senhor Jesus, purifica nosso coração de toda dureza, cura nossas impaciências, alinha nossas palavras com o Teu amor. Que nossa catequese não seja apenas transmissão de conteúdos, mas testemunho vivo da Tua presença. Amém.

Ângela Rocha
Catequista e formadora



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