As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026–2032 já estão entre nós. Aprovadas pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril de 2026, elas passam a orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil pelos próximos seis anos.
Publicadas pelas Edições CNBB
como Documento 114 da CNBB, as novas Diretrizes são muito mais do que um
documento destinado aos bispos ou às equipes de planejamento pastoral. Elas
dizem respeito a toda a Igreja: dioceses, paróquias, comunidades, pastorais,
movimentos e, portanto, também à catequese e aos catequistas.
A própria CNBB afirma que as DGAE
devem ser estudadas e consideradas por todos os organismos eclesiais em seus
processos de planejamento e ação evangelizadora.
Mas, afinal, o que são as DGAE? E
por que um catequista precisa conhecer esse documento?
O que são as DGAE?
As Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil são orientações que ajudam a Igreja a
discernir os caminhos da evangelização diante da realidade em que vivemos.
Elas não são simplesmente uma
lista de atividades pastorais. São uma orientação para que a Igreja possa olhar
para a realidade, escutar os sinais do nosso tempo, discernir à luz do
Evangelho e encontrar caminhos para cumprir sua missão.
As novas DGAE são fruto de um
longo processo de escuta, participação e discernimento, iniciado em 2022
e realizado em perspectiva sinodal, com a participação de dioceses, organismos
eclesiais e diferentes expressões da Igreja no Brasil. Durante a 62ª Assembleia
Geral da CNBB, o texto recebeu mais de 1.500 emendas antes de sua aprovação.
Portanto, não estamos diante de
um documento elaborado de uma hora para outra. Ele é resultado de um caminho de
escuta e discernimento da Igreja no Brasil.
Uma das imagens mais fortes das
novas DGAE é a tenda. A inspiração vem da passagem bíblica: “Alarga o
espaço de tua tenda.” (Is 54,2)
A tenda é lugar de encontro,
acolhida e proteção. Mas é também uma estrutura que pode ser ampliada. A imagem
expressa o desejo de uma Igreja que não se fecha em si mesma, mas que é capaz
de acolher, escutar, caminhar junto e sair em missão.
A CNBB apresenta a “tenda do
encontro” como inspiração para uma Igreja acolhedora, missionária e aberta à
participação de todos. E aqui já podemos fazer uma pergunta importante para a
catequese:
Nossa catequese é uma tenda que
acolhe ou uma porta que seleciona quem pode entrar?
Conhecendo
os seis capítulos das DGAE
As novas Diretrizes estão organizadas em seis capítulos.
1. A
Igreja: Tenda do Encontro
O primeiro capítulo apresenta a
imagem da Igreja como tenda do encontro. Uma tenda que acolhe, que
possui bases firmes, mas que também pode ser alargada conforme as necessidades
da missão.
Para a catequese, essa imagem
pode nos levar a pensar sobre acolhida, pertença e proximidade. Quem
chega à catequese encontra uma comunidade que o acolhe? As famílias sentem que
fazem parte da Igreja? Crianças e adolescentes encontram espaço para
participar, falar, perguntar e contribuir?
2. A
Escuta dos Sinais
A Igreja não pode evangelizar
ignorando a realidade. Por isso, as Diretrizes destacam a necessidade de
escutar os sinais dos tempos, mas também os sinais de esperança e a ação
do Espírito Santo presentes nas comunidades.
Entre os desafios atuais aparecem
questões como o individualismo, a polarização, a desinformação, as
transformações culturais e digitais, os impactos das novas tecnologias e da
inteligência artificial, a situação dos pobres e os desafios relacionados à Casa
Comum.
Isso também interpela diretamente
a catequese.
Estamos escutando o mundo em
que vivem nossas crianças, adolescentes e famílias? Ou continuamos
utilizando respostas antigas para perguntas que já mudaram?
3.
Discernimento para uma Igreja Sinodal
As novas DGAE estão profundamente
ligadas ao caminho do Sínodo sobre a Sinodalidade. Três palavras
aparecem como fundamentais: Comunhão, participação e missão. Sinodalidade
significa aprender a caminhar juntos, escutar, discernir e assumir
responsabilidades na missão.
Para a catequese, isso significa
também superar a ideia de que o catequista é alguém que simplesmente “dá aula”.
O catequista faz parte de uma comunidade e participa de uma missão que pertence
a toda a Igreja.
4. Povo
de Deus em missão
Aqui aparece uma afirmação muito importante: todos somos
chamados a testemunhar e anunciar o Evangelho. As Diretrizes reconhecem
como sujeitos da missão diferentes membros e realidades do Povo de Deus: leigos
e leigas, famílias, crianças, adolescentes, jovens, mulheres, idosos, pessoas
com deficiência e neurodivergência, vida consagrada, ministros ordenados, povos
indígenas e outros.
Isso nos ajuda a superar uma visão em que somente algumas
pessoas são consideradas responsáveis pela evangelização.
A criança também pode ser missionária.
O adolescente também pode ser missionário.
A família também pode ser missionária.
O catequista também é sujeito da missão.
5.
Caminhos da Missão
Este capítulo apresenta caminhos concretos para colocar as
Diretrizes em prática. Entre eles estão:
📖 Animação bíblica da
pastoral
🌱 Iniciação à Vida
Cristã
🙏 Liturgia e piedade
popular
❤️ Serviço à vida plena para
todos
🤲 Opção preferencial
pelos pobres
📚 Formação
🌎 Ecologia integral
Perceba como vários desses pontos
já fazem parte da nossa reflexão catequética. A catequese não pode ser
entendida isoladamente. Ela participa de uma ação evangelizadora muito mais
ampla.
6.
Compromissos Sinodais
O último capítulo trata dos
compromissos necessários para que a Igreja avance no caminho da sinodalidade. As
Diretrizes falam em conversão das relações, dos processos e dos vínculos.
Isso significa rever não apenas aquilo que fazemos, mas também como nos
relacionamos, como tomamos decisões e como construímos nossos vínculos
comunitários.
Entre os temas abordados estão a
proteção de menores, a comunicação, os conselhos pastorais, as assembleias
diocesanas, o dízimo, os organismos missionários, o Pacto Educativo Global, o
ecumenismo e o diálogo inter-religioso. É uma proposta de transformação que
ultrapassa a simples mudança de atividades.
E o que
tudo isso tem a ver com a catequese?
Talvez essa seja a pergunta mais importante.
As DGAE não são um “documento da
catequese”. Elas são Diretrizes para toda a ação evangelizadora da Igreja no
Brasil. Mas justamente por isso elas interessam muito à catequese. A
catequese participa da missão evangelizadora da Igreja e precisa estar em
sintonia com os caminhos que a comunidade eclesial está sendo chamada a
percorrer.
Alguns temas nos chamam
especialmente a atenção:
📖 Palavra de Deus: A
Bíblia precisa estar no centro da vida e da missão da Igreja. Para a catequese,
isso significa ir além de simplesmente utilizar uma passagem bíblica para
“ilustrar” o tema do encontro. É preciso ajudar crianças, adolescentes e
famílias a encontrarem-se com a Palavra de Deus.
🌱 Iniciação à Vida Cristã:
A catequese precisa ser compreendida como processo de iniciação à vida
cristã, e não simplesmente como preparação para receber um sacramento. Isso
significa acompanhar processos, experiências, relações, celebrações, oração,
comunidade e missão.
🤝 Acolhida e cultura do
encontro: A catequese precisa ser espaço de encontro. Não apenas encontro
com conteúdos, mas encontro com pessoas, com a comunidade e, sobretudo, com
Jesus Cristo.
❤️ Compromisso com a vida: A
fé precisa tocar a realidade. A criança e o adolescente precisam descobrir que
ser cristão também significa olhar para o outro, cuidar, partilhar, servir e
defender a vida.
📱 Ambiente digital: O
mundo digital também faz parte da realidade dos nossos catequizandos. As redes
sociais, a inteligência artificial, os novos meios de comunicação e a cultura
digital apresentam desafios, mas também possibilidades para a evangelização. A
pergunta não é simplesmente: “Como levar a catequese para a internet?”
Talvez precisemos perguntar: “Como
ser presença evangelizadora também no ambiente digital?”
🧩 Sinodalidade: A
catequese também precisa aprender a caminhar junto. Catequistas, famílias,
crianças, adolescentes, coordenação, padres, demais pastorais e toda a
comunidade precisam superar o isolamento e assumir juntos a missão
evangelizadora.
As DGAE
não são apenas para serem lidas...
Existe uma frase da própria CNBB
que merece nossa atenção: as Diretrizes não devem ser apenas mais um
documento, mas precisam orientar a ação evangelizadora.
Por isso, conhecer as DGAE é
apenas o primeiro passo. Depois será necessário perguntar:
O que precisamos mudar?
O que precisamos fortalecer?
O que precisamos deixar para trás?
Como essas Diretrizes podem chegar à nossa paróquia?
E, principalmente: o que elas nos pedem como catequistas?
A CNBB destaca que conhecer as
Diretrizes é a primeira grande tarefa de 2026, antes dos processos de
planejamento pastoral e das assembleias. Portanto, este é um assunto que já
começou a fazer parte da caminhada da Igreja no Brasil. E os catequistas também
precisam começar a conhecê-lo.
📘 Em breve: um estudo especial para catequistas
Este artigo é apenas uma primeira
aproximação com as novas DGAE 2026–2032. Estamos preparando um estudo
especial voltado aos catequistas, para aprofundar o Documento 114 da
CNBB e ajudar a compreender:
📖 o que as novas
Diretrizes propõem;
🌱 o que elas têm a ver
com a Iniciação à Vida Cristã;
🤝 o que significa uma
catequese em uma Igreja sinodal;
📱 quais desafios o
ambiente digital apresenta;
❤️ como transformar as Diretrizes
em atitudes concretas;
🎯 e, principalmente, o
que tudo isso pode mudar na prática da catequese.
Porque conhecer um documento é
importante. Mas transformar suas propostas em vida, missão e prática
pastoral é ainda mais importante.
Em breve, aqui no Catequistas
em Formação, vamos aprofundar esse caminho.
A tenda está aberta. Agora
precisamos descobrir como alargá-la também na catequese.
FONTES:
📘 DGAE 2026–2032 — página
oficial da CNBB
❓ Perguntas e respostas sobre as
DGAE
Esse é especialmente útil para nós, porque a CNBB
explica de forma direta o que são as Diretrizes, como serão implementadas e sua
relação com o Sínodo.
Perguntas
e respostas — DGAE 2026–2032
🎥 Conheça o caminho
proposto pelas DGAE
Vídeo com Dom Leomar Brustolin, coordenador do grupo
de trabalho das novas Diretrizes, apresentando as ideias centrais do Documento
114.
Conheça
o caminho proposto pelas DGAE — CNBB



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