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sábado, 29 de agosto de 2026

DGAE 2026–2032: O QUE TODO CATEQUISTA PRECISA COMEÇAR A CONHECER?


As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026–2032 já estão entre nós. Aprovadas pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril de 2026, elas passam a orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil pelos próximos seis anos.

Publicadas pelas Edições CNBB como Documento 114 da CNBB, as novas Diretrizes são muito mais do que um documento destinado aos bispos ou às equipes de planejamento pastoral. Elas dizem respeito a toda a Igreja: dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos e, portanto, também à catequese e aos catequistas.

A própria CNBB afirma que as DGAE devem ser estudadas e consideradas por todos os organismos eclesiais em seus processos de planejamento e ação evangelizadora.

Mas, afinal, o que são as DGAE? E por que um catequista precisa conhecer esse documento?

O que são as DGAE?

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil são orientações que ajudam a Igreja a discernir os caminhos da evangelização diante da realidade em que vivemos.

Elas não são simplesmente uma lista de atividades pastorais. São uma orientação para que a Igreja possa olhar para a realidade, escutar os sinais do nosso tempo, discernir à luz do Evangelho e encontrar caminhos para cumprir sua missão.

As novas DGAE são fruto de um longo processo de escuta, participação e discernimento, iniciado em 2022 e realizado em perspectiva sinodal, com a participação de dioceses, organismos eclesiais e diferentes expressões da Igreja no Brasil. Durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, o texto recebeu mais de 1.500 emendas antes de sua aprovação.

Portanto, não estamos diante de um documento elaborado de uma hora para outra. Ele é resultado de um caminho de escuta e discernimento da Igreja no Brasil.


A imagem que inspira as novas Diretrizes: a Tenda do Encontro

Uma das imagens mais fortes das novas DGAE é a tenda. A inspiração vem da passagem bíblica: “Alarga o espaço de tua tenda.” (Is 54,2)

A tenda é lugar de encontro, acolhida e proteção. Mas é também uma estrutura que pode ser ampliada. A imagem expressa o desejo de uma Igreja que não se fecha em si mesma, mas que é capaz de acolher, escutar, caminhar junto e sair em missão.

A CNBB apresenta a “tenda do encontro” como inspiração para uma Igreja acolhedora, missionária e aberta à participação de todos. E aqui já podemos fazer uma pergunta importante para a catequese:

Nossa catequese é uma tenda que acolhe ou uma porta que seleciona quem pode entrar?

Conhecendo os seis capítulos das DGAE

As novas Diretrizes estão organizadas em seis capítulos.

1. A Igreja: Tenda do Encontro

O primeiro capítulo apresenta a imagem da Igreja como tenda do encontro. Uma tenda que acolhe, que possui bases firmes, mas que também pode ser alargada conforme as necessidades da missão.

Para a catequese, essa imagem pode nos levar a pensar sobre acolhida, pertença e proximidade. Quem chega à catequese encontra uma comunidade que o acolhe? As famílias sentem que fazem parte da Igreja? Crianças e adolescentes encontram espaço para participar, falar, perguntar e contribuir?

2. A Escuta dos Sinais

A Igreja não pode evangelizar ignorando a realidade. Por isso, as Diretrizes destacam a necessidade de escutar os sinais dos tempos, mas também os sinais de esperança e a ação do Espírito Santo presentes nas comunidades.

Entre os desafios atuais aparecem questões como o individualismo, a polarização, a desinformação, as transformações culturais e digitais, os impactos das novas tecnologias e da inteligência artificial, a situação dos pobres e os desafios relacionados à Casa Comum.

Isso também interpela diretamente a catequese.

Estamos escutando o mundo em que vivem nossas crianças, adolescentes e famílias? Ou continuamos utilizando respostas antigas para perguntas que já mudaram?

3. Discernimento para uma Igreja Sinodal

As novas DGAE estão profundamente ligadas ao caminho do Sínodo sobre a Sinodalidade. Três palavras aparecem como fundamentais: Comunhão, participação e missão. Sinodalidade significa aprender a caminhar juntos, escutar, discernir e assumir responsabilidades na missão.

Para a catequese, isso significa também superar a ideia de que o catequista é alguém que simplesmente “dá aula”. O catequista faz parte de uma comunidade e participa de uma missão que pertence a toda a Igreja.

4. Povo de Deus em missão

Aqui aparece uma afirmação muito importante: todos somos chamados a testemunhar e anunciar o Evangelho. As Diretrizes reconhecem como sujeitos da missão diferentes membros e realidades do Povo de Deus: leigos e leigas, famílias, crianças, adolescentes, jovens, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e neurodivergência, vida consagrada, ministros ordenados, povos indígenas e outros.

Isso nos ajuda a superar uma visão em que somente algumas pessoas são consideradas responsáveis pela evangelização.

A criança também pode ser missionária.
O adolescente também pode ser missionário.
A família também pode ser missionária.
O catequista também é sujeito da missão.

5. Caminhos da Missão

Este capítulo apresenta caminhos concretos para colocar as Diretrizes em prática. Entre eles estão:

📖 Animação bíblica da pastoral

🌱 Iniciação à Vida Cristã

🙏 Liturgia e piedade popular

❤️ Serviço à vida plena para todos

🤲 Opção preferencial pelos pobres

📚 Formação

🌎 Ecologia integral

Perceba como vários desses pontos já fazem parte da nossa reflexão catequética. A catequese não pode ser entendida isoladamente. Ela participa de uma ação evangelizadora muito mais ampla.

6. Compromissos Sinodais

O último capítulo trata dos compromissos necessários para que a Igreja avance no caminho da sinodalidade. As Diretrizes falam em conversão das relações, dos processos e dos vínculos. Isso significa rever não apenas aquilo que fazemos, mas também como nos relacionamos, como tomamos decisões e como construímos nossos vínculos comunitários.

Entre os temas abordados estão a proteção de menores, a comunicação, os conselhos pastorais, as assembleias diocesanas, o dízimo, os organismos missionários, o Pacto Educativo Global, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. É uma proposta de transformação que ultrapassa a simples mudança de atividades.

E o que tudo isso tem a ver com a catequese?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

As DGAE não são um “documento da catequese”. Elas são Diretrizes para toda a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Mas justamente por isso elas interessam muito à catequese. A catequese participa da missão evangelizadora da Igreja e precisa estar em sintonia com os caminhos que a comunidade eclesial está sendo chamada a percorrer.

Alguns temas nos chamam especialmente a atenção:

📖 Palavra de Deus: A Bíblia precisa estar no centro da vida e da missão da Igreja. Para a catequese, isso significa ir além de simplesmente utilizar uma passagem bíblica para “ilustrar” o tema do encontro. É preciso ajudar crianças, adolescentes e famílias a encontrarem-se com a Palavra de Deus.

🌱 Iniciação à Vida Cristã: A catequese precisa ser compreendida como processo de iniciação à vida cristã, e não simplesmente como preparação para receber um sacramento. Isso significa acompanhar processos, experiências, relações, celebrações, oração, comunidade e missão.

🤝 Acolhida e cultura do encontro: A catequese precisa ser espaço de encontro. Não apenas encontro com conteúdos, mas encontro com pessoas, com a comunidade e, sobretudo, com Jesus Cristo.

❤️ Compromisso com a vida: A fé precisa tocar a realidade. A criança e o adolescente precisam descobrir que ser cristão também significa olhar para o outro, cuidar, partilhar, servir e defender a vida.

📱 Ambiente digital: O mundo digital também faz parte da realidade dos nossos catequizandos. As redes sociais, a inteligência artificial, os novos meios de comunicação e a cultura digital apresentam desafios, mas também possibilidades para a evangelização. A pergunta não é simplesmente: “Como levar a catequese para a internet?”

Talvez precisemos perguntar: “Como ser presença evangelizadora também no ambiente digital?”

🧩 Sinodalidade: A catequese também precisa aprender a caminhar junto. Catequistas, famílias, crianças, adolescentes, coordenação, padres, demais pastorais e toda a comunidade precisam superar o isolamento e assumir juntos a missão evangelizadora.

As DGAE não são apenas para serem lidas...

Existe uma frase da própria CNBB que merece nossa atenção: as Diretrizes não devem ser apenas mais um documento, mas precisam orientar a ação evangelizadora.

Por isso, conhecer as DGAE é apenas o primeiro passo. Depois será necessário perguntar:

O que precisamos mudar?

O que precisamos fortalecer?

O que precisamos deixar para trás?

Como essas Diretrizes podem chegar à nossa paróquia?

E, principalmente: o que elas nos pedem como catequistas?

A CNBB destaca que conhecer as Diretrizes é a primeira grande tarefa de 2026, antes dos processos de planejamento pastoral e das assembleias. Portanto, este é um assunto que já começou a fazer parte da caminhada da Igreja no Brasil. E os catequistas também precisam começar a conhecê-lo.

📘 Em breve: um estudo especial para catequistas

Este artigo é apenas uma primeira aproximação com as novas DGAE 2026–2032. Estamos preparando um estudo especial voltado aos catequistas, para aprofundar o Documento 114 da CNBB e ajudar a compreender:

📖 o que as novas Diretrizes propõem;

🌱 o que elas têm a ver com a Iniciação à Vida Cristã;

🤝 o que significa uma catequese em uma Igreja sinodal;

📱 quais desafios o ambiente digital apresenta;

❤️ como transformar as Diretrizes em atitudes concretas;

🎯 e, principalmente, o que tudo isso pode mudar na prática da catequese.

Porque conhecer um documento é importante. Mas transformar suas propostas em vida, missão e prática pastoral é ainda mais importante.

Em breve, aqui no Catequistas em Formação, vamos aprofundar esse caminho.

A tenda está aberta. Agora precisamos descobrir como alargá-la também na catequese.


FONTES:

📘 DGAE 2026–2032 — página oficial da CNBB

DGAE 2026–2032 — CNBB

❓ Perguntas e respostas sobre as DGAE

Esse é especialmente útil para nós, porque a CNBB explica de forma direta o que são as Diretrizes, como serão implementadas e sua relação com o Sínodo.
Perguntas e respostas — DGAE 2026–2032

🎥 Conheça o caminho proposto pelas DGAE

Vídeo com Dom Leomar Brustolin, coordenador do grupo de trabalho das novas Diretrizes, apresentando as ideias centrais do Documento 114.
Conheça o caminho proposto pelas DGAE — CNBB

 

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