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sábado, 21 de maio de 2022


 

O GRANDE PRESENTE DE JESUS

Seguindo o costume judaico, os primeiros cristãos cumprimentavam-se desejando-se um mutuamente «Paz!». Não era uma saudação rotineira e convencional. Para eles tinha um significado mais profundo. Numa carta que Paulo escreve por volta do ano 61 a uma comunidade cristã da Ásia Menor, manifesta-lhes o seu grande desejo: «Que a paz de Cristo reine nos vossos corações».

Esta paz não deve ser confundida com qualquer coisa. Não é apenas a ausência de conflitos e tensões, nem uma sensação de bem-estar ou uma procura de tranquilidade interior. Segundo o Evangelho de João, “Paz” é o grande presente de Jesus, a herança que quis deixar para sempre aos seus seguidores e seguidoras. Assim diz Jesus: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz».

Não há dúvida que eles se lembraram do que Jesus pediu aos seus discípulos ao enviá-los a construir o reino de Deus: «Na casa em que entrares, dizei primeiro, “Paz a esta casa”. Para humanizar a vida, precisamos semear a paz, não a violência; promover respeito, diálogo e a escuta mútua, não a imposição, o confronto e o dogmatismo.

Por que é tão difícil promover a paz? Por que voltamos sempre de novo ao confronto e à agressão mútua? Há uma primeira resposta tão elementar e simples que ninguém a leva a sério: só homens e mulheres que possuem a paz podem promove-la na sociedade.

Não se pode semear paz de qualquer jeito. Com o coração cheio de ressentimento, intolerância e dogmatismo, podem-se mobilizar pessoas, mas não é possível trazer a verdadeira paz à convivência. Isso não ajuda a aproximar as posições e a criar um clima amigável de compreensão, aceitação mútua e diálogo.

Não é difícil assinalar algumas características da pessoa que leva no seu interior a paz de Cristo: procura sempre o bem de todos, não exclui ninguém, respeita as diferenças, não alimenta a agressão, fomenta o que une, nunca o que confronta.

O que estamos fazendo hoje na Igreja de Jesus? Concórdia ou divisão? Reconciliação ou confronto? E se os seguidores e seguidoras de Jesus não levam paz não seu coração, o que é que levam? Medos, interesses, ambições, irresponsabilidade?

Texto: José Antônio Pagola

Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez

Fonte: CEBI.ORG.BR

 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

HOMILIA: 6º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO A


                              O ESPÍRITO PERMANECE DENTRO DE VÓS!

O Evangelho de hoje é um discurso de despedida. Jesus prepara os discípulos para a sua ausência. Contudo, explica que da sua ausência decorre uma presença, realizada pela ação do defensor – o Paráclito. Aproximando-se da partida do Cristo na ascensão, somos convidados por Jesus a crer que Ele continua presente pela comunidade, fazendo-nos amar, orientado nossa vida para a verdade.

evangelista João utiliza o termo Paráclito, que significa defensor. Jesus sabia que os discípulos teriam que se defender do mundo. O mundo do mal e do pecado, aquilo que se opõe ao Reino, continua exigindo dos cristãos uma defesa. Pedro apóstolo nos convida a darmos “razões de nossa esperança”. Podemos falar de como nossa fé é razoável: razões de credibilidade de Jesus, de sua existência histórica, da coerência de sua mensagem… Porém, o mais importante é a razão do testemunho. O amor, fruto do Espírito, torna nossa fé credível. Os catecismos e encíclicas geram controvérsias, enquanto que a unanimidade nos vem pelos testemunhos de pessoas que se doam pelo próximo, que lutam pela justiça, que geram esperança no rosto de quem perdeu as razões mais elementares da vida.


“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.” (Jo 14,18). O Espírito nos retira da orfandade, portanto é uma mãe que nos acalenta e que cuida de nós. No momento derradeiro de nossa morte estaremos, de algum modo, órfãos de todas as seguranças deste mundo. Neste momento, somente a presença de Deus será o nosso alento. Mas, bem antes disso, podemos cultivar esta presença que não permite que vivamos vazios a procura de qualquer espécie de consolo. Lembremos que o Paráclito também é chamado de consolador.


O Espírito “permanece dentro de vós” (Jo 14,17). A presença do Espírito é sentida em nossa interioridade. Não é algo que vem de fora, mas uma presença viva que está aqui dentro de nós. Em linguagem mais afetiva, que mora em nosso coração. Não precisamos ir muito longe para encontra a Deus. Basta que voltemos os nossos olhos para o interior de nós mesmos. Lá encontraremos uma presença viva, uma voz que orienta, uma força que nos impulsiona pra frente. É o Espírito Santo!
Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba-PR