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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

PAPA: A ESPERANÇA CRISTÃ NÃO EXCLUI NEM MARGINALIZA NINGUÉM



Papa Francisco durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI. Quarta-feira, 15 de fevereiro: audiência com Papa Francisco na Sala Paulo VI. Na sua catequese o Papa, partindo da epístola aos Romanos, repropôs o tema da esperança cristã, uma esperança sólida e que não decepciona, disse, porque baseada no amor de Deus por nós.


Desde a infância, observou o Papa, nos é ensinado que não é coisa boa se vangloriar, por aquilo que se é ou se tem, pois isso indicaria certo orgulho e é também falta de respeito para com os outros, especialmente os que são menos afortunados do que nós. Mas o apóstolo Paulo nos surpreende exortando-nos por duas vezes a nos vangloriarmos. De que, então, é justo vangloriar-se, e como é possível fazer isso sem ofender os outros, sem excluir alguém, se perguntou Francisco.


Somos convidados a nos vangloriarmos, antes de tudo,  da abundância da graça de que fomos imbuídos em Jesus Cristo, por meio da fé – explicou o Papa:

“Paulo quer fazer-nos entender que, se aprendemos a ler tudo com a luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça, tudo é dom! Se prestarmos atenção, de fato, quem age - na história, como na nossa vida - não somos apenas nós, mas é Deus antes de tudo. É Ele o protagonista absoluto, que cria tudo como um dom de amor, que tece a trama do seu plano de salvação, e que o leva a cumprimento por nós, mediante o seu Filho, Jesus”.


Nós temos apenas – prosseguiu o Papa - de reconhecer e acolher com gratidão este dom e fazer que se torne motivo de louvor, bênção e grande alegria. Se fizermos isso, estamos em paz com Deus e experimentamos enorme liberdade, estamos em paz conosco, estamos em paz na família, na nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos todos os dias no nosso caminho.


Mais difícil de perceber, para nós, disse ainda Francisco, quando Paulo nos exorta a nos vangloriarmos também nas tribulações mas, na verdade, a paz que o Senhor nos oferece e garante não deve ser entendida como ausência de preocupações, decepções, fracassos, ou quaisquer motivos de sofrimento – é uma paz que nos vem da fé, porque se assim não fosse, uma vez conseguida essa paz, aquele momento acabaria bem depressa e cairíamos inevitavelmente no desconforto, reiterou Francisco:


“Mas a paz que vem da fé é pelo contrário um dom: é a graça de experimentarmos que Deus nos ama e que está sempre ao nosso lado, não nos deixa sozinhos nem um só momento da nossa vida. E isto, como diz o Apóstolo, gera a paciência, porque sabemos que, mesmo nos momentos mais difíceis e devastadores, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores de todas as coisas e nada nos vai arrancar de suas mãos e da comunhão com Ele”.


Eis porque a esperança cristã é sólida, eis porque ela não decepciona – sublinhou o Papa – porque não se funda naquilo que nós podemos fazer ou ser, e nem naquilo em que nós podemos acreditar,  o seu fundamento é aquilo que de mais fiel e seguro possa existir, ou seja, o amor que o próprio Deus nutre  para cada um de nós:


“É fácil dizer que Deus nos ama, mas pode cada um de nós dizer “estou seguro, estou seguro que Deus me ama”? Não é assim tão fácil … Mas é verdade. É um bom exercício dizer a si próprio: “Deus me ama!”, e esta é a raiz da nossa segurança, a raiz da esperança”.


E o Senhor derramou abundantemente nos nossos corações o seu Espírito como artifício e garante, para que possa alimentar em nós a fé e manter viva esta esperança de que Deus me ama: neste momento mau, Deus me ama; e a mim que fiz esta coisa má, Deus me ama – disse o Papa Francisco, convidando a todos a repetir como oração “Deus me ama, eu estou seguro que Deus me ama”.


O nosso maior orgulho é, pois, termos como Pai um Deus que não faz preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa para todos os seres humanos, começando pelos últimos e distantes, para que, como seus filhos, aprendemos a consolar-nos e apoiar-nos  uns aos outros – concluiu Francisco.


Nas saudações o Santo Padre dirigiu-se aos fiéis de língua portuguesa com estas palavras:


“Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta Audiência. Possa este encontro, que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus, renovar a vossa esperança no Deus misericordioso que não exclui ninguém e nos convida a ser testemunhas do seu amor sobretudo para com os mais necessitados. Obrigado”.


Uma saudação especial  foi também aos jovens, os doentes e os recém-casados: recordando a festa – celebrada ontem - dos Santos Cirilo e Metódio, evangelizadores dos povos eslavos e co-padroeiros da Europa, Francisco auspiciou que o seu exemplo ajude em particular aos jovens a se tornarem em cada ambiente discípulos missionários; a sua tenacidade encoraje os doentes a oferecer os seus sofrimentos pela conversão dos distantes; e o seu amor pelo Senhor ilumine os esposos recém-casados, para colocarem  o Evangelho como regra fundamental da sua vida familiar.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção.


 RADIOVATICANA.VA

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

PAPA – ESPERANÇA TEM UMA DIMENSÃO INDIVIDUAL, COMUNITÁRIA E ECLESIAL


Na sua catequese semanal quarta-feira, 8 de Fevereiro, o Papa Francisco partiu da passagem bíblica da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses para mostrar que a esperança cristã não tem apenas uma valência pessoal, como também comunitário e  eclesial. “Todos nós esperamos. Todos nós temos esperança, mas também comunitariamente”. Ouça a síntese desta catequese que, durante a audiência, foi feita em português para os peregrinos lusófonos:

“Não se aprende, sozinho, a esperar. Não é possível. A esperança, para se alimentar, precisa de um «corpo», no qual os vários membros se apoiem e animem mutuamente. Isto significa que esperamos, porque muitos irmãos e irmãs nos ensinaram a esperar e mantiveram viva a nossa esperança.


A morada natural da esperança é um «corpo» solidário; no caso da esperança cristã, este corpo é a Igreja. Nela, os primeiros chamados a alimentar a esperança são aqueles a quem está confiado o cuidado e a orientação pastoral; e não por serem melhores do que os outros, mas em virtude dum ministério divino, que supera de longe as suas próprias forças. Por isso têm tanta necessidade do apoio orante, do respeito e compreensão de todos.


Depois dos responsáveis, o apóstolo Paulo pede a nossa atenção aos irmãos e irmãs cuja esperança corre maior risco de apagar-se: os desanimados, os frágeis, os oprimidos pelo peso da vida e das próprias culpas que estão sem forças para se levantar. Nestes casos, a proximidade solidária da Igreja deve fazer-se ainda mais intensa e amorosa, sob as formas de compaixão, conforto e consolação. Como escreve Paulo aos Romanos, «nós, os fortes, temos o dever de carregar com as fraquezas dos que são frágeis e não procurar aquilo que nos agrada». Este dever não está circunscrito aos membros da comunidade eclesial, mas estende-se a todo o contexto civil e social como apelo a não criar muros mas pontes, a não pagar o mal com o mal mas vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão, a viver em paz com todos.


Esta é a Igreja; e isto é o que realiza a esperança cristã, quando assume os lineamentos fortes e, ao mesmo tempo, ternos do amor. Ora o sopro vital, a alma desta esperança é o Espírito Santo; é Ele a moldar as nossas comunidades, num Pentecostes perene, como sinais vivos de esperança para a família humana”.


Depois o Para dirigiu em italiano uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa…


 “Carissimi pellegrini di lingua portoghese, benvenuti! Quando Dio aveva stabilito di venire sulla terra, Glielo ha consentito il «sì» della Vergine Immacolata. Ella ha vissuto come tutte le donne del suo tempo; ma, nella propria vita semplice di ogni dì, diede libero transito a Dio. Fate come Maria: date a Dio libero transito nella vostra vita, e sarete benedetti!


Fonte: RADIOVATICANA.VA