|
Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer.” Lc 17, 10
|
Uma vez eu estava participando em uma paróquia de uma homenagem a um sacerdote ancião que havia trabalhado ali toda a sua vida, com uma dedicação total e muita generosidade. As pessoas diziam que era um homem que não sabia dizer não, sempre muito disponível e acolhedor com todos os que lhe pediam algo.
Depois de todos os discursos, lhe entregaram uma placa comemorativa. No momento dos agradecimentos, ele começou dizendo: “Não entendo porque vocês fazem tudo isso: eu sou somente um servo inútil e não fiz nada além daquilo que deveria ter feito”. Na época eu era ainda muito jovem, não sabia que esta era uma citação bíblica e confesso que aquelas palavras me chocaram um pouco. Me pareciam muito ásperas.
Com o passar do tempo, novamente encontrei esta citação, e aos poucos estas palavras foram adquirindo um sentido muito forte também em minha vida.
Toda pessoa tem uma vocação. Todos são chamados a ser felizes fazendo o bem. Cada um deve descobrir na vida qual é o bem que deve realizar, e realizá-lo será uma fonte de alegria, de gozo e de paz. Alguns são chamados à vida consagrada, e isto os deixa felizes. Outros à vida matrimonial, a fazer feliz o próprio cônjuge, e a gerar filhos e os servir, e isto os fará felizes. Também podemos pensar a outras atividades mais especificas como ser médico, professor, catequista, advogado, motorista, arquiteto, etc... E se não somos mercenários (isto é, se não trabalhamos somente por dinheiro), podemos nos realizar com nosso trabalho. O pagamento por fazer bem o que é nossa missão é a felicidade, a paz interior e a realização pessoal.
Tudo aquilo que fazemos dentro de nossa própria vocação, não deve estar na dependência dos aplausos ou do reconhecimento. Fazemos porque é nossa missão, é nosso caminho de felicidade. Isto temos que ter muito claramente. Devemos ser humildes e dizer: “esta é minha obrigação, eu a faço porque me faz feliz”. E não devemos estar dependendo de elogios e quando estes não chegam começar a pensar de deixar tudo de lado. Tampouco devemos ser muito delicados com as críticas más que nos podem fazer. A crítica que nos fazem deve ser acolhida com serenidade. Devemos nos perguntar: é verdade isto que me estão dizendo? E se for verdade, devemos tentar melhorar, para que nosso serviço seja ainda melhor e nossa felicidade será mais completa. Mas se a crítica não corresponde à realidade, sendo apenas fruto de inveja, ou de ciúmes, então, não há porque fazer caso. Basta que se tenha pena de quem me criticou, pois seus sentimentos demonstram que ainda não é feliz, que ainda não encontrou sua missão interior, que ainda não se sente realizado.
Para compreender melhor isto, eu sempre penso em uma flor. Ela pode florescer em um jardim onde todos a podem ver, mas igualmente pode florescer em uma montanha onde ninguém jamais a contemplará. Contudo, ela será igualmente bela, igualmente perfumada, pois ela não depende do público. E se eu fizer muitos elogios para esta flor, dizendo o quanto é bela e delicada, ela permanecerá igual, não mudará seu modo de ser por causa das minhas palavras. Nem tampouco se eu a critico desonestamente e lhe digo que é muito feia, que tem uma cor horrível... Ela permanecerá igual. Pois ela é o que é, ela realiza sua força interior, e não depende do que os outros possam dizer, sejam elogios ou críticas.
Nós também deveríamos descobrir nossa vocação, nossa motivação interior, e realizá-la sem estar dependendo do que nos possam dizer.
E ao final de cada dia, com muita humildade e sem presunção, deveríamos agradecer ao Senhor por conservar nossas vidas, e poder dizer “estou contente, porque fiz o que deveria ter feito.”
Acredito que isso seria o máximo para nossas vidas.
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
Mostrando postagens com marcador Gotas de paz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gotas de paz. Mostrar todas as postagens
domingo, 2 de outubro de 2016
HOMILIA DO DOMINGO - 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
HOMILIA DO DOMINGO - LIÇÃO DE HUMILDADE
|
Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: “Amigo, passa mais para cima.” Lc 14, 10
|
O evangelho deste domingo toca um tema muito delicado e ao mesmo tempo essencial na vida cristã: a humildade. Cristo é para todos nós o exemplo supremo de humildade, pois sendo Deus, não teve problema em se rebaixar e se fazer um de nós (e ainda mais em uma família pobre) assumindo toda a nossa condição e até mesmo aceitando ser considerado e condenado como criminoso.
Por isso, o abaixar-se é a direção indicada para todos nós que queremos ser seus seguidores. Aproveitar o ser cristão como um modo de se promover é um grande equívoco. Jesus nos empurra para os últimos lugares. Ele nos oferece seu lugar de servidor, de quem está disposto a lavar os pés dos demais com prazer.
Uma vez mais nos encontramos com o Senhor que nos propõe uma atitude não natural em nós. Se seguimos nossa natureza, preferimos estar no primeiro lugar ou sermos servidos pelos demais. Cada um de nós sempre se sente muito importante e deseja que todos reconheçam isto. É assim que nascem muitas decepções. Quantas pessoas ficam tristes e amarguradas porque não se sentem valorizadas, apreciadas e reconhecidas em suas capacidades, ou nível, ou títulos...
Sem dúvidas, acredito que seja muito mais importante fazer algumas distinções. Ao menos por três motivos uma pessoa pode ocupar o último lugar: porque lhe deram um lugar mais adiante, ou porque vencida pela timidez não teve a coragem de se colocar mais à frente, ainda que o desejasse muito, ou porque por opção se escolheu aquele lugar. Quanto ao primeiro caso, em que o último lugar vem designado por motivos externos, este não há algum valor evangélico, ao contrário, pode ser motivo de vergonha. Quanto ao segundo, é muito importante não confundir a virtude da humildade com a timidez. Existem pessoas que sempre se metem no último lugar ou se escondem porque são tímidas, mas em seu interior desejariam ser diferentes, convivem com uma amargura e ficam destilando veneno contra os demais. Certamente este último lugar tampouco tem um valor evangélico, de fato, não é uma atitude cristã, apesar do gesto ser o mesmo, as motivações são totalmente distintas...
Para que uma pessoa possa tranquilamente se colocar no último lugar, ela necessita estar muito segura de si mesma. Necessita ser verdadeiramente dona de si. (Como Cristo, pois para ele não foi um problema se fazer o último). Uma pessoa insegura, ao contrário, dificilmente conseguirá se colocar espontaneamente atrás dos demais. Isto será para ela uma violência demasiadamente forte. Terá medo de ser esquecida, ou de ser depreciada. Fazer a opção de se colocar no último lugar, e vier com paz e serenidade esta posição, exige com certeza uma boa auto;estima.
Mas de onde pode vir a nossa segurança? Penso que quando nos sentimos verdadeiramente amados por Deus, nos sentimos seguros. Insisto em te dizer “nos sentimos amados”, mas não basta saber que Deus nos ama, é necessário ter experimentado este amor, reconhecendo-o sem limites e incondicional. É este sentir-se importante para Deus, precioso a seus olhos, destinatário de sua confiança, que nos liberta de buscar os primeiros lugares.
Diante dos demais, sentir que o Senhor de todas as coisas tem um olhar carinhoso para nós nos faz relativisar qualquer desprezo por parte dos homens. Quando sentimos esta segurança, sabemos que este último lugar é passageiro, não é para sempre. Sabemos que a qualquer momento o Senhor, dono da festa, nos dirá; Amigo, vem mais para frente. Portanto, colocar-se no último lugar é uma viva expressão de nossa fé em Deus, Senhor da história, que exalta os humildes e derruba os soberbos.
Senhor, faz-me sentir profundamente o teu amor. Cura minhas inseguranças. Dá-me a graça de ter uma profunda confiança em ti, a fim que eu saiba que não necessito promover-me, porque és tu quem me promoverá se tenho a coragem de me abaixar. Convence meu coração de que eu não necessito defender-me, porque tu és o meu defensor.
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
sábado, 6 de agosto de 2016
HOMILIA DO DOMINGO - GOTAS DE PAZ
“Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração.” Lc 12, 34
|
Na semana passada, estivemos refletindo sobre a desgraça que pode provocar em nossas vidas a avareza, o querer sempre acumular e o materialismo. Pois bem, neste domingo Jesus continua chamando a nossa atenção sobre este perigo. Ele nos recorda que nosso coração se encontra naquelas coisas que nos interessam mais e com as quais gastamos a maior parte de nosso tempo e de nossas energias.
Esta chamada de atenção é muito importante porque muitas vezes nos enganamos a nós mesmos quando pensamos ou dizemos que existem coisas que são mais importantes para nós, quando na realidade os fatos dizem que estão em segundo plano. Por exemplo, Deus, quando falamos dele, sem dificuldades dizemos que o amamos acima de todas as coisas, e que ele é o mais importante para nós, mas na verdade, muitas vezes nem temos tempo para Deus. Somos consumidos por tantas outras coisas, que na realidade ele se encontra na periferia de nossas vidas e mantemos com ele uma relação superficial. Ou seja, neste caso Deus não é o tesouro e não temos nele o nosso coração, ainda que digamos durante a missa:o nosso coração está em Deus.
Muitos dizem que a família é a coisa mais importante de suas vidas, mas na verdade gastam muito mais suas energias com outras coisas. Estão mais preocupados com os planos pessoais. Ou se justificam dizendo que tudo o que fazem é para os filhos, quando na verdade, estes filhos necessitariam muito mais do abraço e da presença. Nestes casos o bem dos filhos não é mais do que uma máscara para disfarçar a cobiça, o desejo de ter sempre mais, de acumular. Outros não conseguem renunciar a seu programa de televisão, ou a seus entretenimentos pessoais pra estarem com a família. É claro que se é assim, ainda que o digam em palavras, no concreto dos fatos a família não é o seu tesouro, os seus corações não estão na família.
Existe também um grande número de pessoas que afirmam que os amigos são um tesouro. Que por um verdadeiro amigo seriam capazes de dar tudo. Mas quando chega o momento exato de fazê-lo, quando encontram um amigo em necessidade, acabam por descobrir a própria realidade: não são capazes de renunciar a nada de sua vida para ajudar a seu amigo. Então o que antes parecia ser um tesouro desaparece como fumaça, e se descobrem mais atados a outras coisas materiais as quais não são capazes de deixar.
Jesus insiste: Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração. Eu já encontrei muitas pessoas que têm seu tesouro em coisas materiais ou passageiras, ainda que não o digam o não aceitem. Algumas têm o coração depositado em um banco, outras têm o coração em uma linda casa, outras em um automóvel, outras na carreira profissional ou política, outras em um título acadêmico, outras ainda em uma pessoa-paixão... mas todas estas coisas são circunstanciais e em algum momento podem vir a faltar, e então as pessoas que tinham ali os seus corações acabam destruídas, deprimidas e arrasadas. Jesus nos convida hoje a nos perguntarmos: Onde está o meu tesouro? Onde está o meu coração? Temos que ser sinceros conosco mesmos: devemos descobrir quais são as coisas que efetivamente ocupam nosso tempo, nossas forças, nossas preocupações, nossos planos e sonhos, pois estes serão os melhores indícios para descobrirmos onde de fato temos nosso coração, sem enganar a nós mesmos com belas palavras que ocultam a nossa realidade.
Somente quando acumulamos um tesouro no céu, estamos seguros de que nada poderá destruir, pois como disse Jesus, no céu o ladrão não rouba e nem a ferrugem consome. Os modos de que dispomos para acumular este tesouro no céu são: a caridade, o amor, o serviço aos demais, a solidariedade, a partilha... estas são as únicas coisas que nunca perderemos e que nos acompanham até a vida eterna. As outras coisas, os bens, as posses, todas permanecerão aqui e talvez até serão motivo de discórdia entre os que permanecerão.
Que o Senhor nos encoraje a começar a acumular um tesouro no céu!
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
sábado, 23 de julho de 2016
O PAI NOSSO: ORAÇÃO COMPLETA
|
“E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá. .” (Lc 11, 9-10)
|
Neste fim de semana a liturgia nos convida a celebrar o mistério da oração e sua importância em nossas vidas.
Um dos discípulos pediu a Jesus que lhes ensinasse a rezar. E Ele lhes ensinou o Pai Nosso e depois lhes fez um discurso sobre a importância da oração.
O Pai Nosso é sem dúvidas, a melhor oração que temos pois nos foi entregue pelo próprio Deus que se fez carne. Às vezes me assusto quando algumas pessoas, ainda que com muito boa intenção, atribuem poderes quase mágicos a outras orações e colocam em segundo lugar a oração do Pai Nosso. Não digo que não tenhamos belíssimas orações, muitas delas feitas por santos, e que nos ajudam a rezar melhor, mas nenhuma se pode comparar àquela que Jesus nos deu.
Nos dizia santa Tereza D´Ávila, que quem quisesse fazer uma hora de boa oração, bastaria usar este tempo para rezar um Pai Nosso, meditando suas palavras, e isto seria já suficiente. Seguramente esta é uma mulher que aprendeu a rezar com Jesus.
O Pai Nosso é um oração completa. Ali damos glória a Deus, não porque Ele tenha necessidade de nossos louvores, mas porque para nós é fundamental reconhecer a sua glória a fim que possamos descobrir quem somos e até onde devemos ir. No Pai Nosso nos abrimos a ação de Deus e expressamos nossa confiança em sua graça. Dizer “faça-se a tua vontade” é muito comprometedor, mas é o único caminho para nossa real felicidade. Dentro deste “faça-se”, lhe apresentamos nossas necessidades: o pão quotidiano; o perdão; a proteção. Mas depois de nos dar esta maravilhosa oração, Jesus insististe muito sobre a importância de rezar.
O tema central de seu discurso é a perseverança. Nossa oração deve ser perseverante. Devemos fazê-la com insistência. Não basta dizer: já lhe pedi uma vez, agora só me resta esperar. É na constância da oração, que reside a sua eficácia. O exemplo que nos dá Jesus, falando do homem que durante a madrugada insiste com seu vizinho até que lhe atenda, se não por amizade, ao menos para não ser mais incomodado, é muito claro. Também nós devemos pedir e pedir, chamar e chamar até que o Senhor nos escute.
Contudo, é importante ter claro que existem três classes de coisas que podemos pedir a Deus:
a) coisas que colaboram para nossa salvação, para nosso crescimento como pessoas;
b) coisas que são indiferentes para a vida em Deus, mas que nos ajudam a ser mais felizes em certas situações;
c) e outras que, ainda que não nos demos conta, nos farão danos ou ao menos colocarão em perigo a nossa salvação.
Com respeito às primeiras, poderemos dizer que Deus é o primeiro interessado em nossa salvação. Este é o presente que ele mais nos quer dar e não negará a ninguém que o peça.
Com relação as segundas, dependerão de nossa insistência, das motivações que tenhamos. Do modo como pedimos. Do quanto realmente são importantes para nós. (Como um pai de família sente prazer em presentear seu filho, em alguma oportunidade especial, alguma coisa que ele sabe que o filho deseja muito porque pede com freqüência, ainda que não seja essencial para sua vida, assim também Deus faz conosco.)
Mas se nós lhe pedimos uma coisa que não nos fará bem, ou que nos pode fazer dano, é natural que ele não nos conceda, ainda que passemos toda a vida insistindo. Deus é nosso pai e quer acima de tudo nos proteger e defender. Assim como os pais se negam a ceder aos caprichos de uma criança pequena que pede lhes uma faca afiada, ainda que lhes peça com lágrimas, também a nós, porque nos ama, Deus algumas vezes nos atende.
Mas não nos esqueçamos, rezar não é somente fazer uma lista de pedidos. É também agradecer, reconhecer os benefícios, conhecer tudo o que Deus já fez e louvá-lo. Oração é acima de tudo um diálogo, não é um monólogo. Devemos estar também dispostos a escutar a Deus, a contemplá-lo, a deixar-nos tocar por ele.
A oração deve se transformar em nossa vida como uma “respiração de amor”.
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
sábado, 25 de junho de 2016
HOMILIA - 13º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C
|
"Te seguirei por onde quer que vás"
|
Mesmo sabendo que em alguns países este domingo se celebra a festa de São Pedro e São Paulo (para dar maior possibilidade do fieis participarem na celebração), creio que a maioria dos países celebra esta festa no dia 29 de junho, por isso faremos a nossa reflexão sobre o evangelho de domingo. No entanto aproveitamos a oportunidade para pedir a todos de fazer uma oração ao Pai celestial, pelo sucessor de Pedro, o nosso Papa Bento XVI, para que Deus o ilumine e abençoe o seu ministério.
A eucaristia deste domingo nos leva a refletir e rezar sobre nossa relação com Jesus Cristo: como somos diante dele - indiferentes, simpatizantes, aproveitadores, admiradores ou seus seguidores.
Para muitos, Jesus não conta nada, não importa o que tenha dito ou feito. Para outros, algumas de suas palavras podem parecer interessantes, e até é bonito levar a cruz no peito, ou participar eventualmente de uma celebração.
Outros ainda são interessados no título de cristão. Correm atrás de vantagens políticas ou sociais por serem amigos de sacerdotes, ou por terem uma foto tirada ao lado bispo, ou do Papa, ou ainda por terem dado generosas esmolas. Contudo, quanto a Jesus e suas propostas, pensam que são coisas do passado. Outros estão somente interessados em algum milagre, ou em sair de um problema.
Não faltam também os admiradores. Aqueles que até se emocionam e choram durante uma Via Sacra. Mas que não conseguem sair do sentimentalismo para assumir, na vida concreta, um modo novo de agir.
A proposta de Jesus vai muito além disso. Jesus desafia: "segue-me". Seguir uma pessoa significa colocar-se no seu próprio caminho. Acompanhar os seus passos. Não é um fato intelectual, é vivencial. Não basta estudar e conhecer o que fez, é muito mais, é repetir no concreto da vida cotidiana a sua ação. (Certamente é fundamental conhecer, mas não se pode parar aí, seria inútil).
Não posso dizer que estou seguindo uma pessoa, quando o meu percurso é outro, quando meus passos vão em outra direção.Há uma diferença muito grande entre seguir a Cristo e levá-lo comigo em MEU caminho. Penso que muitos de nós confundimos isto. Não é muito difícil encontrar pessoas disponíveis a levar Jesus consigo. Elas querem que Jesus esteja em seus planos, suas ocupações, seu mundo, mas nem pensam na possibilidade de mudar estes planos ou esta vida. É Jesus quem tem que se adaptar.
Temos uma forte resistência a levar uma vida de seguimento. Esta resistência não é gratuita. O próprio Evangelho nos fala das dificuldades que comporta o seguir a Cristo.
Em primeiro lugar, o Evangelho deste domingo nos fala das dificuldades que Jesus sabia que enfrentaria e ainda assim decidiu caminhar "resolutamente" para Jerusalém. Ele sabia que caminhava em direção da ressurreição, mas sabia também que teria que passar pela cruz. Jesus sabia que o rumo que estava tomando não era o da boa vida, dos aplausos e dos prazeres. Mas ele caminhava "resolutamente". Também seus seguidores devem, descobrindo as suas motivações, tomar o mesmo caminho, o mesmo rumo. É sinal de maturidade assumir as dores do caminho, quando se tem claro aonde se chegar.
Em segundo lugar, o Evangelho nos alerta para a experiência da rejeição. Os samaritanos não quiseram receber Jesus porque ele ia para Jerusalém. Também a nós, muitos rejeitarão quando souberem que estamos indo para "Jerusalém" (quando souberem que queremos ser cristãos de verdade e não somente nas aparências e nas palavras). Contudo, é muito interessante as reações que surgem diante das rejeições. Alguns discípulos disseram a Jesus: "quereis que mandemos descer fogo dos céus para consumir os samaritanos? Mas Jesus os repreendeu". Seguramente também nós teremos a mesma tentação de destruir nossos oponentes. Quantas vezes fazemos "descer fogo do céu" com nossas palavras, gestos, desejos e vinganças. Porém, se somos seguidores de Jesus, estas coisas não são boas. Diante das oposições ou rejeições, devemos continuar em frente no nosso caminhar.
Em terceiro lugar Jesus nos previne que segui-lo não significa ter tudo a mão. Pelo contrário, muitas vezes nos faltará até mesmo as comodidades básicas ("o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça"). Aquele que segue deve estar disposto a correr o risco de que faltem até mesmo as coisas que nos parecem muito importantes, porém que depois descobriremos que não eram tão necessárias e que pudemos passar sem elas.
Em quarto lugar, a experiência do seguimento implica sempre em deixar algo. Seguir é movimento e quando alguém se move, na medida em que avança, deixa outras coisas para trás. É impossível mover-se sem deixar algo para trás. Muitos passam a vida estáticos, por terem medo de despedir-se, de deixar. Jesus nos desafia: "deixa que os mortos enterrem os mortos".
Em quinto lugar Jesus nos fala da direção a ser vislumbrada. Quem o segue deve ter os olhos postos Nele, pois só assim não perderá o caminho. Quem caminha olhando para traz, perde o rumo. ("Todo o que põe a mão no arado e olha para trás, não serve para o Reino de Deus"). O passado não é capaz de indicar o rumo ou uma direção. Nos faz apenas girar em torno de nós mesmos até que nos vença o cansaço. Contudo, não só o passado nos atrapalha, mas também é importante ter a consciência que a paisagem dos lados pode ser uma tentação e pode nos fazer perder o equilíbrio e cair, ou mesmo tirar-nos do caminho. Podemos dizer ainda, que fechar os olhos não é próprio de quem segue. Olhar para frente, quando estamos indo atrás de Jesus, significa vê-lo constantemente, e esta é a única garantia de que chegaremos a ser como Ele: pessoas plenas, realizadas e felizes.
Oh Jesus, dai-nos a graça de fazer uma verdadeira experiência de seguimento.
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
sábado, 18 de junho de 2016
HOMILIA DO DOMINGO - 12º DOMINGO TEMPO COMUM - ANO C
|
"Quem quiser conservar a sua vida a perderá, mas o que perde a sua vida pela minha causa, a conservará”. (Lc 9, 24)
|
As palavras do Evangelho deste domingo são um verdadeiro desafio para nós. "Quem quiser conservar a sua vida, a perderá". Até poderíamos dizer que parece sem sentido. De fato, uma das tendências naturais do homem é a conservação da vida, em alguma medida, todos queremos tê-la garantida.
Evitamos as ameaças, os perigos e os sofrimentos. Lutamos para salvar a nossa parte. Somos instintivamente egoístas. E até criamos uma cultura que favorece este modo "natural" de ser: "quem pode mais, chora menos".
Falar hoje em dia de renúncia, de ceder a vez, de ser caridoso, de oferecer a uma outra pessoa o próprio lugar, de fazer um trabalho gratuitamente, de deixar a melhor parte para o próximo ainda que se tenha chegado primeiro, de estar atento às necessidades dos demais... Parece fora de moda. Ninguém mais pensa assim. É ser um bobo. Vivemos em uma sociedade que está consagrando o egoísmo.
Mas, qual é o resultado desta cultura hedonista que não conhece limites, ou um ideal de vida? O ponto máximo é crer: "eu sou o único importante!" Isto nos leva a ver os demais como um bem relativo, isto é, são importantes apenas quando me servem. Fora disto, todos são descartáveis. As humilhações, a falta de educação, o abandono, a infidelidade, os roubos, os assassinatos, as violações, a corrupção, a poluição, as guerras, o trafico de drogas... e tantas outras coisas, são as conseqüências desta cegueira que nos faz pensar somente nós mesmos, em nosso bem imediato crendo que os demais podem ser usados para minha satisfação.
Somos filhos de uma cultura que está perdendo o sentido profundo da vida. E quem de nós tem as mãos limpas para poder atirar a primeira pedra e condenar, até mesmo os piores crimes? Jesus Cristo nos alerta e nos desafia. O egoísmo, com o tempo, conduz à morte, ainda que em um primeiro momento crie uma ilusória vantagem. "Quem quiser ganhar a sua vida a perderá”. O egoísmo é autodestrutivo, é um veneno, ainda que seja agradável ao paladar, porém, suas conseqüências não são fáceis de serem neutralizadas.
Com certeza, este desafio é apresentado ao homem de todos os tempos, mas em nossos dias é ainda mais exigente devido à sociedade de consumo. Devemos estar muito atentos e verdadeiramente decididos. Seguramente será um nadar contra a corrente. Contudo, o Senhor, com a eucaristia, com o seu perdão, será o nosso sustento.
É necessário ter a coragem de inverter o esquema: "quem perder a sua vida por causa de mim, vai tê-la assegurada".
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
sábado, 21 de maio de 2016
HOMILIA DO DOMINGO - SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE ANO C
|
“Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.”
“Tudo aquilo que o Pai possui também é meu.” (Jo 16,15)
|
Estamos celebrando a festa da
Santíssima Trindade. Depois de celebrarmos a ascensão de Jesus e a vinda do
Espírito Santo, a Igreja nos chama a recordar o mistério da unidade de Deus.
Mesmo sendo o nosso Deus três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, nós professamos
a fé em um Deus único. Não temos três deuses. Não somos politeístas, como eram,
por exemplo, os gregos. Estes tinham muitos deuses que, sendo diferentes entre
si, causavam a Zeus um grande transtorno para poder administrar contrastantes
conflitos e interesses.
Nós, cristãos, nascemos da fé hebraica e cremos em
um só Deus, onipotente e criador de todas as coisas. Mas Jesus nos revelou que
este Deus único é também comunidade. Deus não é um ser solitário. Em seu
interior estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo, gozando da mesma onipotência,
da mesma glória, da mesma vontade, têm também os mesmos interesses, se amam
entre si e transbordam o seu amor... Mesmo sendo esta uma realidade de difícil
compreensão, ou seja, um mistério impossível de ser compreendido em toda a sua
profundidade, somos todos convidados a contempla-lo e a encontrar nele
explicações e motivações para as nossas vidas.
Por meio deste mistério constatamos que nós também
não fomos feitos para a solidão. Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, quando
nos fez à sua imagem e semelhança, já nos fez abertos e em relacionamento
profundo com os demais. É inútil pensar que posso viver sozinho, ou que posso
encontrar felicidade fechado em meu egoísmo. Não fomos feitos para ser assim. É
o pecado que se encarrega de obscurecer nossa semelhança com Deus, nos levando
a buscar o isolamento. Desde de o princìpio fomos feitos para a vida em
comunidade, para a comunhão, para a fraternidade. Toda a nossa ação tem algum
efeito que, indo além de nós mesmos, acaba por atingir toda a comunidade
humana. Se faço o bem a uma pessoa, estou fazendo isto a ela, mas também a mim
mesmo e a toda a humanidade. De igual modo, ao maltratar uma pessoa, estou
ferindo a mim mesmo e estou atingindo a comunidade como um todo. Assim sendo, será
sempre inútil pensar que posso crescer pisando sobre os demais.
Que poderei ser melhor por criticar os outros.
Que posso ser mais rico por desprezar a caridade.
Que posso saber mais se não ensinar o que sei.
Que posso ser mais respeitado por humilhar aqueles
que acredito estarem abaixo de mim.
Infelizmente o diabo entrou na nossa história. A
palavra diabo significa: “aquele que se atravessa e separa”. Sempre que somos
motivo de divisão e de contendas, estamos sendo diabólicos, estamos colaborando
para obscurecer a imagem de Deus. Não é razoável pensar que eu possa ser imagem
de Deus me afastando dos demais. Sozinho, ninguém é imagem de Deus, pois nosso
Deus é comunidade, é Trindade. A imagem de Deus é o matrimonio, é a família, é
a comunidade, é a amizade, é a fraternidade.
Jesus Cristo veio ao mundo para reunir-nos. Ele
queria refazer a imagem de Deus. Toda a sua vida, suas palavras e suas ações
queriam nos ensinar o caminho da unidade. Até mesmo a eucaristia, é uma unidade
mística com Deus, mas a unidade de todo o gênero humano.
Somos chamados a romper os muros, abrir as portas,
fazer estradas, construir pontes, a abraçar, ajudar, estender a mão, perdoar,
elogiar.
Que todos sejam um!
|
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
|
sábado, 14 de maio de 2016
HOMILIA DO DOMINGO - FESTA DE PENTECOSTES ANO C
A Igreja nos convida a celebrar neste domingo a Festa de Pentecostes.
Mas esta não é uma festa isolada ou independente, ela é o coroamento de todo o
tempo pascal.
Desde a paixão, morte e ressurreição de Cristo, o Espírito Santo vai
ocupando um espaço cada vez maior. Em outras palavras: o tempo pascal é todo
pentecostal, pois se nos recordamos bem, já na cruz, quando Jesus morreu, diz o
evangelho: "e inclinando a cabeça entregou o
espírito." Em seguida, em uma das suas aparições, soprou
sobre os apóstolos e disse: "recebam o Espírito
Santo..." A outros, fez arder o coração enquanto caminhavam,
e abriu-lhes os olhos ao partir o pão. Estas são ações próprias do Espírito Santo.
Por isso, não devemos perder a conexão com a Páscoa de Jesus, se quisermos
verdadeiramente celebrar esta festa.
Pentecostes não é a experiência
mágica de um único dia. Pentecostes é um processo de abertura a Deus, de
entrega, de oração, de revisão de vida, de conversão, de vencer os medos...
Os apóstolos e a Virgem Maria não foram surpreendidos pelo Espírito
Santo, eles o aguardavam, por isso estavam em oração. Também não tinham muitas
ilusões quanto aos seus dons. Eles sabiam que ter o Espírito Santo e agir
segundo a sua inspiração era aprender a imitar a Jesus. Não esperavam o
Espírito Santo a fim de possuir auréolas vistosas, falar com palavras difíceis,
para entender todos os mistérios, fazer milagres, receber o aplauso de todos,
ou não mais encontrar dificuldades na vida. Eles sabiam muito bem que o
objetivo a ser alcançado era a capacidade de lavar os pés uns dos outros, como
fez Jesus; poder perdoar generosamente até mesmo os que nos perseguem; ser
capaz de dar a própria vida pelos amigos; conseguir dizer a verdade mesmo que
isso tenha suas consequências desfavoráveis; ver em cada pessoa a imagem do
próprio Deus, mesmo naquelas mais débeis; que eram para saber abraçar a cruz a
cada dia com amor e ternura...
E nós, o que poderemos celebrar neste dia de Pentecostes?
É muito importante que também nós possamos celebrar esta festa não
somente como uma lembrança do passado, mas ele deve ser atual para cada
cristão, nós devemos vive-la como a nossa festa de pentecostes. Devemos
sair da Igreja neste domingo cheios deste espírito, desta força que nos anima e
move a fazer o mesmo que fez Jesus. Também para nós esta festa deve ser o
coroamento do tempo da Páscoa. O dia em que todos os ensinamentos destes cinquenta
dias começam a florescer em nossos corações.
Mas se alguém não viveu profundamente o tempo da Páscoa, não entenderá
verdadeiramente o sentido de Pentecostes e não gozará de seus dons. Então, para
estes, esta festa poderá ser o ponto de partida, não como foi para os
apóstolos, mas como o das pessoas que escutaram neste dia as palavras e
pregações e decidiram aderir à fé e começaram um novo estilo de vida.
Coragem! Esta festa é para todos.
O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor te faça brilhar o seu rosto e
tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te
de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, Capuchinho.
sábado, 12 de dezembro de 2015
HOMILIA DO DOMINGO - 3º DOMINGO DE ADVENTO ANO C
“E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?...” (Lc 3, 10)
Já estamos no terceiro domingo do Advento. Como no domingo passado é a pessoa de João Batista que quer ajudar-nos a preparar, mais uma vez, para acolher a presença do Senhor.
Profeta, é aquela pessoa que tem uma visão clara da vida e da história, que sabe discernir quais coisas estão bem e quais estão equivocadas, porque olha a todas as cosas com os olhos de Deus.
O profeta, como enviado de Deus, não pode ‘tapar o sol com a peneira’, não pode fazer de conta que não viu nada, não pode ter medo de dizer o que está errado. Seu desejo não é estragar a vida de ninguém, ao contrário, é levar a plenitude, é ajudar a ser melhores, sem máscaras, sem enganos, sem equivocações ...
As vezes isto é uma tarefa um pouco dolorosa. Porém o profeta deve ser maduro, e enfrentar a situação. É como quando encontramos uma pessoa que se espetou com um anzol, tirá-lo é momentaneamente doloroso, mas deixá-lo é mortal.
O profeta, como enviado de Deus, não pode dizer ao corrupto, tranqüilo, não tem problema, existem pecados piores que este. Ou dizer ao que desperdiça seus bens, tiveste sorte de nascer rico ou soubeste ganhar muito, então podes usar como te parece. O profeta não pode bendizer ao que explora os demais, dizendo que o importante é que ele está dando emprego a tanta gente. Ou ao pai ou a mãe de família que não cumpre com sua missão, o profeta não pode dizer que o que conta é que não falte a comida ou os outros bens materiais.... e tantos outros exemplos.
As pessoas perguntavam a João Batista: o que eu devo fazer?, E ele respondia muito concretamente a cada um: “o que tem dois mantos dê um ao que não tem, e quem tem de comer que faça o mesmo”. Vieram também os cobradores de impostos para que João os batizasse. Lhe disseram: ‘Mestre, que temos que fazer?’ Respondeu João: ‘Não cobrem mais do devido.’ A sua vez uns soldados lhe perguntaram : ‘E nós , que devemos fazer?’ João interpelou: ‘Não abusem das pessoas, não façam denuncias falsas, e fiquem contentes com os que lhes pagam.”
Penso que neste domingo cada um de nós deveria apresentar-se diante de João Batista, perguntar-lhe que coisa devo fazer para preparar-me ao encontro com o Senhor?
Estou seguro que através de nossa consciência, ele nos dirá exatamente quais ações e atitudes devemos mudar imediatamente.
Eu sei que não é fácil para ninguém, mudar sua própria vida. Até mesmo reconhecer nossos próprios pecados é um processo muito difícil. É por isso que o caminho de conversão é também chamado caminho de penitencia. Pois a verdadeira penitencia, a mais exigente, não é fazer jejuns, caminhadas e abstinências. A verdadeira penitencia é mudar o coração, é mudar nosso modo de ver, é assumir nossos defeitos e lutar por transformar-los. Por isso, esta penitencia é absolutamente necessária se queremos realmente humanizar-nos, se desejamos crescer na graça de Deus, se aspiramos ser plenamente felizes.
O pecado é o caminho da morte. Sutilmente, ele destrói nossas vidas. Nos ilude com uma aparência de felicidade, mas nos corroe, nos consome, nos escraviza.
Preparar-se para o Natal, é muito mais que enfeitar uma árvore, que enviar cartões, preparar luzes, comprar presentes, limpar toda a casa, mandar fazer novas roupas, visitar aos parentes e amigos, comer bem ... Estas são coisas externas, algumas delas puramente comerciais. Uma boa preparação para o natal, sem duvidas é criar a coragem de perguntar a João Batista, de acordo com nossa condição (cobrador de impostos, soldados, médicos, sacerdotes, marido, esposa, pai, mãe, cristão, trabalhador...) o que devo fazer?.
O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor te faça brilhar seu rostro e tenga misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho
sábado, 21 de novembro de 2015
HOMILIA - SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO
Com a festa de Cristo Rei do Universo a Igreja católica chega a conclusão do seu ano litúrgico. Esta é a festa da esperança cristã. Festa que nos permite começar a vislumbrar aqui e agora a vitória final do Senhor, mesmo que atribulados pelas vicissitudes da vida quotidiana.
Mas devemos estar atentos em procurar celebrar esta festa com os sentimentos de Jesus e não desfigurá-la com as nossas fantasias. É muito importante partir desta frase de Jesus: “O meu Reino não é deste mundo.”
Diante de reis e presidentes, que vivem no luxo, que desfilam com carros extraordinários, que vestem as marcas mais caras, que estão muito preocupados com as aparências... Jesus diz: “O meu reino não é deste mundo.”
Diante de reis e presidentes, que estão preocupados em enriquecer cada vez mais, que aceitam suborno para tomar as suas decisões e se vendem aos grupos econômicos, traindo o seu povo... Jesus afirma: “O meu reino não é deste mundo.”
Diante de reis e presidentes, que vivem de festa em festa, de banquete em banquete, recepções em recepções, e não sabem o que significa ter fome, sentir frio, estar doente... Jesus grita: “O meu reino não é deste mundo.”
Diante de reis e presidentes, que usam força repressora e abusam do poder, que fazem guerras sem buscar soluções dialogadas, por ter interesses escondidos, sem importar-se com o valor da vida... Jesus insiste: “O meu reino não é deste mundo.”
Diante de reis e presidentes, que não têm escrúpulos em fazer propagandas enganosas, que mentem sem nem ficarem vermelhos, que não cuidam dos valores de uma nação como a família, a cultura, as tradições, a honestidade, a educação, a vida... Jesus responde: “O meu reino não é deste mundo.”
Diante de reis e presidentes, que cruzam os braços diante do narcotráfico, que financiam projetos de aborto, que fecham os olhos à industria pornográfica, que promovem campanhas de esterilização, até sem o consentimento das pessoas... Jesus brama: O meu reino não é deste mundo.”
Enfim, diante destes que pensam que por ter um cargo, são mais que os outros, e se sentem no direito de pisar, desprezar o prejudicar aos demais.... Jesus repete: “O meu reino não é deste mundo.”
É um terrível engano pensar em Cristo Rei como se fosse um rei “deste mundo”. Usando coroas, vestindo roupas e capas cheias de ouro. Sentado em tronos majestosos. Tendo servidores que lhe fazem tudo. Tomando decisões arbitrárias, somente para mostrar que ele é quem manda.
Jesus é rei de um outro mundo.
Jesus é um rei que lava os pés dos seus servos.
É um rei que não quer perder nenhum daqueles que vêm a ele, e por isso se interessa por cada um, o acompanha, o visita, cura as suas feridas...
É um rei que não trairá jamais os seus, ao contrário, será capaz de dar a própria vida para salvá-los...
É um rei que conhece pelo nome um por um dos seus servidores, e ama a cada um de um modo tão especial como se fosse o único...
É um rei que faz uma festa quando um dos seus servidores decide retornar ao seu reino, mesmo que tenha feito grandes disparates...
É um rei que não impõe uma lei para ser vivida à força, que não assusta fazendo ameaças, que não oprime nem faz chantagens, que não pede coisas absurdas mas somente aquilo que ele mesmo já viveu...
É um rei que reina na cruz. Este é o seu trono. A sua coroa são espinhos. Seus braços estão estendidos. O seu coração está aberto, ferido de amor.
Para participar deste reino, basta aceitá-lo e no dia a dia procurar viver estes valores que são do “outro mundo”: o amor, a fraternidade, o serviço, o perdão, a alegria... sem importar-se se os que estão “neste mundo” não te compreendem muito bem.
Ser cidadão deste “outro mundo” é fantástico.
O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor te faça brilhar seu rostro e tenga misericordia de ti.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e te de a PAZ.
Gotas de Paz
Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho
Assinar:
Postagens (Atom)










