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sexta-feira, 1 de maio de 2020

BENDIGO A SAUDADE...

Bendigo a saudade

Bendigo porque ela me possibilita lembrar de quem faz falta.

Uma falta que dói no peito enquanto a mente traz pra perto os momentos vividos.

Bendigo a saudade porque costumo dizer: eita como era bom... Naquele tempo .... Que saudades.

Bendigo a saudade das pessoas que amei, que amo e que continuarei amando.

Bendigo a saudade das coisas vivenciadas mesmo que muitas quedas tenha sido necessária para me trazer aonde me encontro hoje.

Bendigo a saudade do tempo que de menino me formou homem com duras penas mas com a certeza de que valeria a pena. 

Bendigo a saudade pelo fato dela ser amor que fica.

Porque só sentimos saudades do que é bom, caso contrário era só lamento.

Bendigo a saudade porque sou parte dela e ela é parte constituinte de mim mesmo.

Eu sou saudade para alguém da mesma forma que alguém se torna saudade para mim.

Bendigamos a saudade.

Esta saudade imensa que sentimos da presença física quando apenas o virtual insiste em permanecer por ainda dia e dias incontáveis.

Assim, matamos um pouco da saudade sendo presença aqui. Assim. Sem fim. 


Rosevânio de Britto Oliveira, CRL.
Religioso da ordem Cônego Regular Lateranense, estudante do 2º Ano de Teologia - PUCPR. 
Paróquia São Miguel Arcanjo - Curitiba - PR

🙏🏾💙🙏🏾

terça-feira, 28 de abril de 2020

É TEMPO DE CUIDAR: CNBB AÇÃO EMERGENCIAL

A prática da solidariedade é inerente à vida e aos ensinamentos cristãos como um chamado permanente para olhar as realidades de vulnerabilidade e, principalmente, os necessitados. Não é um olhar de desprezo como o daqueles que passaram pelo caminho e foram indiferentes à dor e sofrimento daquele homem que foi atacado por assaltantes, mas um olhar bondoso e repleto de caridade como o que teve o bom samaritano. “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34).

IGREJA CATÓLICA NO BRASIL ESPALHA SOLIDARIEDADE PELO PAÍS DURANTE PANDEMIA


Neste momento de combate ao novo coronavírus, a solidariedade se tornou uma das principais armas contra a pandemia. Arquidioceses e dioceses têm se mobilizado para ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social, idosos — mais suscetíveis à COVID-19 — e quem precisa de apoio psicológico.


Arquidiocese de Curitiba - PR
A arquidiocese de Curitiba (PR), por exemplo, lançou um serviço de escuta telefônica solidária, criado para ouvir e acolher as pessoas que se sentem sós ou emocionalmente abaladas neste momento de isolamento social. Foi instalada uma central de atendimento, que funciona pelo telefone (41) 3550-0003, das 6hs às 22h30, todos os dias, contando hoje com 65 voluntários se revezando, neste período de 16 horas de atendimento.


Do outro lado da linha está um voluntário, que já atua no SOS Família ou projeto SobreViver, ambos serviços pastorais de acolhida na arquidiocese de Curitiba. Eles estão à disposição para atender e acolher, recebendo instruções para os atendimentos das coordenadoras do SOS Família, as psicólogas Mara Avelino e Carmen Simon.

O atendimento é voltado a todas as pessoas que se sentem sós, abaladas emocionalmente ou que queiram apenas desabafar, podendo ser de todas as idades, regiões e crenças religiosas. O objetivo é ouvir, acolher e transmitir mensagem de esperança e de paz.

Arquidiocese de Belo Horizonte

Também desde o início da pandemia da covid-19, a arquidiocese de Belo Horizonte (MG), a partir da articulação de seu Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, tem oferecido ajuda emergencial às famílias. É a ação Solidariedade em Rede, que mobiliza voluntários, pessoas e instituições solidárias. As ações envolvidas vão desde a doação de cestas básicas, confecção de máscaras que são doadas a instituições e comunidades, entre outras iniciativas.

Ação Solidária Emergencial


Desde o dia 12 de abril, domingo de Páscoa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil, uma iniciativa nacional que tem como lema ‘É tempo de cuidar’ para estimular a solidariedade, a começar pela arrecadação de alimentos, produtos de higiene e limpeza. Além de incentivar a ajuda material, a iniciativa promove o cuidado no campo religioso, humano e emocional. Assim, a CNBB se une a diversas campanhas e projetos de solidariedade que já estão em curso pelo país.

Diocese de Marabá - PA
Inspirando-se na iniciativa da CNBB, a diocese de Marabá (PA), através de leigos, sacerdotes, paróquias e o bispo diocesano estão realizando ações solidárias emergenciais em favor dos mais pobres, moradores de rua, sobretudo na cidade de Marabá. “O ponto importante é que muitas pessoas estão ajudando com alimentação, algumas com cestas básicas, mulheres que estão confeccionando máscaras, e também o governo do Estado contribuindo nesta missão que é para o bem de pessoas mais vulneráveis”, afirma dom Vital Corbellini, bispo de Marabá.

Diocese de Cruz Alta - RS

A diocese de Cruz Alta (RS), também inspirada pela iniciativa da CNBB, tem realizado inúmeras campanhas buscando arrecadar alimentos, material de higiene e limpeza, roupas e, também, em alguns casos, máscaras para aqueles que não têm condições de adquiri-las. Até o momento, das 31 paróquias, 12 estão realizando ações solidárias emergenciais.

A diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, agora conta com 30 pontos de arrecadação de donativos e de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social. A campanha “É tempo de cuidar” da Igreja potiguar soma-se aos esforços da CNBB e da Cáritas Brasileira de proteger as pessoas mais suscetíveis aos impactos da pandemia do novo coronavírus.

Todo o trabalho de planejamento, atendimento, arrecadação e distribuição das doações está sendo feito por cada uma das 29 paróquias existentes no território da diocese de Caicó (RN), além da Área Pastoral Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Todas contam com o apoio da Cáritas Diocesana local para orientações e divulgação das ações.

Ação Diocesana de Patos - PB

Também em sintonia com a Ação Solidária Emergencial, a Ação Diocesana de Patos, organização membro da Cáritas do regional Nordeste 2 da CNBB, na Paraíba, garantiu a entrega de 521 cestas básicas a famílias quilombolas. A aquisição e distribuição dos donativos foram feitas em parceria com a Gerência de Igualdade Racial do Governo do Estado.

Os kits foram destinados aos moradores de dez comunidades quilombolas do médio sertão paraibano que há mais de 15 anos são assistidos pelo Programa de Promoção e Ação Comunitária (Propac), com apoio da Misereor. Cada família recebeu arroz, feijão, macarrão, floco de milho, café, açúcar, sardinha, leite em pó, biscoito e óleo.

Como participar?

A Ação Solidária Emergencial oferece orientações importantes para quem tem interesse em ajudar. Um documento que poderá ajudar é o Plano de Contingência da Cáritas Brasileira que pode ser acessado AQUI. E também o material com orientações sobre como organizar a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil.

segunda-feira, 23 de março de 2020

POR QUE DEUS PERMITE UMA PANDEMIA E SE CALA? É UM CASTIGO? ONDE ESTÁ DEUS?

A GRIPE ESPANHOLA. Hospital militar de emergência durante a epidemia de gripe.
Camp Funston, Kansas, Estados Unidos.
* Artigo de Víctor Codina

"Onde está Deus? Está nas vítimas dessa pandemia, está nos médicos e agentes sanitaristas que os atendem, está nos cientistas que buscam vacinas antivírus, está em todos os que nesses dias colaboram e ajudam para solucionar o problema, está nos que rezam pelos demais, nos que difundem esperança", escreve Victor Codina, jesuíta boliviano, em artigo publicado por Religión Digital, 22-03-2020.

Eis o artigo:

Felizmente, junto aos aterrorizantes e quase mórbidos noticiários televisivos sobre a pandemia, aparecem outras vozes alternativas, positivas e esperançadoras.

Alguns recorrem à história para nos lembrar que a humanidade passou e superou outros momentos de pestes e pandemias, como as da idade Média e a de 1918 Idade Média e a de 1918, depois da Primeira Guerra Mundial. Outros se assombram da postura unitária europeia contra o vírus, quando até agora discrepavam sobre a mudança climática, os imigrantes e o armamentismo, seguramente porque essa pandemia rompe fronteiras e afeta os interesses dos poderosos. Agora os europeus sofrem algo do que padecem os refugiados e imigrantes que não podem cruzar as fronteiras.

Há humanistas que apontam que essa crise é uma espécie de “quaresma secular” que nos concentra nos valores essenciais, como a vida, o amor e a solidariedade, e nos obriga a relativizar muitas coisas que até agora acreditávamos ser indispensáveis e intocáveis. De repente, baixa a contaminação atmosférica e o ritmo frenético de vida consumista que até agora não queríamos mudar.

Caiu nosso orgulho ocidental de ser onipotentes protagonistas do mundo moderno, senhores da ciência e do progresso. Em plena quarentena doméstica e sem poder à rua, começamos a valorizar a realidade da vida familiar. Nos sentimos mais interdependentes, todos dependemos de todos, todos somos vulneráveis, necessitamos uns dos outros, estamos interconectados globalmente, para o bem e o mal.

Também surgem reflexões sobre o problema do mal, o sentido da vida e a realidade da morte, um tema tabu, hoje. A novela “A peste”, de Albert Camus, escrita em 1947, tornou-se um best seller. Não somente é uma crônica da peste de Orán, mas sim uma parábola do sofrimento humano, do mal físico e moral do mundo, da necessidade de ternura e solidariedade.

Os crentes de tradição judaico-cristã nos perguntamos pelo silêncio de Deus diante desta epidemia. Por que Deus a permitiu? É um castigo? É preciso pedir-lhe milagres, como pede o padre Penéloux, em “A peste”? Precisamos devolver a Deus o bilhete da vida, como Iván Karamazov, em “Os irmãos Karamazov”, ao ver o sofrimento dos inocentes? Onde está Deus?

Não estamos diante de um enigma, mas sim de um mistério, um mistério de fé que nos faz acreditar e confiar em um Deus Pai-Mãe criador, que não castiga, que é bom e misericordioso, que está sempre conosco, é o Emanuel; acreditamos e confiamos em Jesus de Nazaré que vem a nos dar vida em abundância e se compadece dos que sofrem; acreditamos e confiamos em um Espírito vivificante, Senhor e doador de vida. E essa fé não é uma conquista, é um dom do Espírito do Senhor, que nos chega através da Palavra na comunidade eclesial.

Tudo isso nos impede que, como , nos queixemos e processemos frente a Deus por ver tanto sofrimento, nem impede que, como Qohelet, ou Eclesiastes, constatemos a brevidade, leveza e vaidade da vida. Porém não pediremos milagres a um Deus que respeita a criação e nossa liberdade, ele quer que colaboremos na realização deste mundo limitado e finito. Jesus não nos resolve teoricamente o problema do mal e do sofrimento, mas sim que através das suas chagas de crucificado-ressuscitado nos abre o horizonte novo de sua paixão e ressurreição; Jesus com sua identificação com os pobres e os que sofrem, ilumina nossa vida; e com o dom do Espírito nos dá força e consolo nos nossos momentos difíceis de sofrimento e paixão.

Onde está Deus? Está nas vítimas dessa pandemia, está nos médicos e agentes sanitaristas que os atendem, está nos cientistas que buscam vacinas antivírus, está em todos os que nesses dias colaboram e ajudam para solucionar o problema, está nos que rezam pelos demais, nos que difundem esperança.

Acabemos com um salmo de confiança que a Igreja nos propõe aos domingos na hora litúrgica da Completas, para antes de dormir:

“Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: ‘Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente’
Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói.
Com suas asas haverá de proteger-te com seu escudo e suas armas, defender-te.
Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; nem a peste que caminha pelo escuro nem a desgraça que devasta ao meio-dia”.

Talvez nossa pandemia nos ajude a encontrar Deus onde não esperávamos.

FONTE:
http://www.ihu.unisinos.br/597357-por-que-deus-permite-uma-pandemia-e-se-cala-e-um-castigo-onde-esta-deus-artigo-de-victor-codina-sj