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sexta-feira, 19 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 4: Introdutor, quem é ele?


QUEM É ESTE TAL DE "INTRODUTOR"?

Bom, vocês devem já ter lido bastante sobre o modelo catecumenal e visto que, o primeiro Tempo, ou seja, o Pré-catecumenato, ou até antes dele, exige uma "figura", que se chama INTRODUTOR. Mas, que figura é essa? Quem seria essa pessoa, responsável pelo "primeiro anúncio" e introdução na comunidade? Dá para "nomear" alguém pra sair por aí buscando ovelhas perdidas do redil do Senhor? É possível fazer "curso" para ser introdutor?

E cada vez que me fazem estas perguntas, mais pulgas se mudam para detrás da minha orelha... Já escrevi um texto sobre isso e vou reeditá-lo para vocês entenderem meu ponto de vista.

“Quem é, afinal, a figura do INTRODUTOR, no processo de Iniciação à Vida Cristã”?

E muito se discute e muito se atribui a tão importante figura que, no entanto, ninguém sabe direito quem é. Algumas paróquias “preparam” pessoas para ser esse introdutor, outras até constituem grupos de introdutores. E muitas ainda estão procurando o dito cujo...

Primeiro vamos ao conceito mais simples do que seria um “introdutor” em qualquer lugar que seja:

É aquele que leva alguém a algum lugar, fazendo com que esta pessoa participe de um clube, instituição, agremiação, grupo, etc. Claro que antes ele precisa fazer com que essa pessoa partilhe dos objetivos e ideais daquele grupo.

Agora vamos aos nossos conceitos na iniciação cristã:

Primeiro vamos pensar que “cabe a todo discípulo de Cristo a missão de difundir a fé” (Conc. Vat, II – Lumien Gentium, 17). A este respeito podemos encontrar no item 41 do RICA, uma explanação mais completa a este respeito. E no item 42 temos que:

O candidato que solicita sua admissão entre os catecúmenos é acompanhado por um introdutor, homem ou mulher que o conhece, ajuda e é testemunha de seus costumes, fé e desejo”.

Ou seja, o introdutor é aquele que dá testemunho a respeito do candidato a ponto de tornar-se seu “padrinho” se assim for a vontade do catecúmeno. Esta pessoa "conhece" e sabe da vontade do outro em entrar para a comunidade cristã e o acompanha durante todo o processo.

Com certeza é um “papel” sério demais para se exercer na vida de alguém e não uma “designação” que se dê a uma pessoa específica, cuja função seja acompanhar a quem não conhece e não convive no dia a dia.

Por isso, e por acreditar que “introdutor” não é um título e nem um ministério que se dê a alguém depois de um "curso", penso que é necessário a comunidade se atentar ao que diz o Decreto Ad Gentes (14):

O povo de Deus, representado pela Igreja local, sempre compreenda e manifeste que a iniciação dos adultos é algo de seu e interessa a todos os batizados”.

Portanto, a nós, todos os batizados, compete o papel de “introdutores” na fé. Não sou só eu, catequista ou agente de pastoral. Somos todos nós que vivemos e participamos da comunidade católica. Que são aqueles que devemos "introduzir"? São todas aquelas pessoas que conosco convivem: nossos vizinhos, nossos amigos e todos aqueles a quem a mensagem do Reino de Deus precisa chegar. São pessoas do nosso convívio que se encontram afastadas da Igreja e de Jesus por um motivo ou outro. Ou ainda aqueles que nunca ouviram falar do que se vive ao acompanhar Jesus pela vida afora. |Obviamente vamos encontrar mais "desiludidos" na fé do que pessoas que não conhecem Jesus.

Falaremos mais disso numa outra publicação...

Aproveite para levantar suas dúvidas sobre o "INTRODUTOR"...

Ângela Rocha
Administradora




segunda-feira, 15 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 3


O QUE É A "IVC" AFINAL?

A chamada Catequese de “IVC”, sigla para Iniciação à Vida Cristã,  é um processo diferenciado da catequese a que estamos acostumados, pois ela assume um lado mais “Iniciático” da fé, em detrimento de uma catequese “sacramental” (apenas para se adquirir os sacramentos) e excessivamente doutrinal (voltado ao catecismo). Com a IVC, ela assume algumas características importantes: é querigmática, Cristocêntrica, é Celebrativa, é Orante, é Litúrgica, é Mistagógica.

Sua inspiração é o "Catecumenato", processo catequético instituído nos séculos I e II da era cristã. O processo de Iniciação à Vida cristã era constituído de 4 TEMPOS e de 3 ETAPAS ou "passagens", conforme se vê na imagem:


Com a IVC de Inspiração Catecumenal, a Igreja assume que é preciso “voltar” aos primeiros tempos da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã, onde a catequese era feita, realmente, para INICIAÇÃO na fé. Ali iniciava-se o Cristão de forma tão intensa e profunda que ele era capaz de dar a própria vida pela sua fé.

Ao longo dos séculos, com propagação do cristianismo, perdeu-se muito deste estilo e foi-se assumindo uma catequese de “manutenção” e exclusivamente “sacramental” e “doutrinária”, partindo-se do princípio que “todos” já nasciam no seio de uma família cristã, que proporcionava os primeiros rudimentos da fé católica.

Hoje, sabemos que isso não acontece mais. As próprias famílias perderam suas referências cristãs e não fazem mais o "anúncio" e nem a "pré" catequese das crianças. E a fé não é mais encarada como um “encontro” pessoal com Jesus e inserção numa comunidade. Hoje ela é mais ligada a inserção num círculo social do que ao "seguimento" de Jesus Cristo.

E muito se tem "ouvido falar" na IVC em nossas paróquias. No entanto, ainda sem o devido conhecimento a respeito. E muito mais sem orientação do que se poderia imaginar.

Então, tem sido comum "ouvirmos" que "Nossa catequese é pelo processo do RICA"... se atinar ao fato de que o RICA* é um livro com instruções litúrgicas para as celebrações e ritos (e para adultos, principalmente!), e não um Diretório catequético.

Também ouvimos falar que "Nossa catequese é de IVC, estamos fazendo as entregas"... de novo, sem entender que, entregar um "símbolo" de fé, pura e simplesmente, sem uma catequese orientadora e iniciática por trás, é mero ritualismo.

E, finalmente, a última... "Nossa CATEQUESE assumiu a IVC." Se só a "catequese" assumiu a IVC, deixando-a restrita à pastoral catequética, ela não é Iniciação à Vida Cristã. Se ninguém, além dos catequistas, sabem o que é IVC, ela não é Iniciação à Vida Cristã. A IVC precisa ser assumida por TODA A PARÓQUIA, começando pelo padre, pelo CPP e por todas as pastorais. A "pastoral catequética" é apenas uma "parte" do processo, assim como a pastoral do batismo e a Catequese de adultos que caminha separada da infantil e a preparação de noivos feita pela Pastoral Familiar.

Tirando a catequese de Adultos, a catequese de CRIANÇAS e Adolescentes NÃO É uma IVC pelo processo catecumenal (assim como a preparação de noivos e batismo de crianças).

O processo catecumenal do RICA foi feito para CATECÚMENOS, ou seja, para quem ainda não foi batizado. A catequese de Eucaristia e Crisma, devem aproveitar o que já está sendo feito e gradualmente ir se adequando ao processo catecumenal. Na catequese de crianças, pode-se instituir alguns ritos e celebrações INSPIRADAS no catecumenato para dar mais “mistagogia” ao processo catequético. Já o CATECUMENATO DE ADULTOS, tem uma metodologia própria, segue as orientações do RICA com um pouco mais de proximidade.

Uma sugestão é que se faça Catecumenato com as famílias/pais dos catequizandos da Catequese Infantil, mesmo para aqueles que já tenham os sacramentos, como forma de Re-evangelização daqueles que tiveram uma catequese exclusivamente sacramental.

Mas, primeiramente, como já foi comentado, TODAS as Arquidioceses e Dioceses, devem ter um PROJETO ou DIRETÓRIO de INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ. Este PROJETO ou Diretório é um instrumento que vai auxiliar todas as paróquias a conduzir e formar uma unidade entre as comunidades para que a IVC funcione de forma coesa e eficaz.

Continuamos nossa conversa ainda...

Ângela Rocha
ADM Catequistas em Formação