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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

A CATEQUESE A SERVIÇO DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Imagem: diocesedeuruguaiana.org.br


A Catequese tem passado por muitas mudanças, respondendo aos desafios de uma nova situação histórica: A verdadeira Iniciação à Vida cristã. A Igreja assume, a partir do Concílio Vaticano II, o pedido de restauração do catecumenato.

As linhas fundamentais deste processo, podem ser assim resumidas:

1-   Catequese como iniciação à fé e vida da comunidade

Do século I ao V a Catequese iniciava nos mistérios da fé (Mistagógica) envolvendo Catequese e Liturgia,  testemunhadas na comunidade. (At  2,42-47) -Catecumenato.

2-   Catequese como processo de imersão na cristandade

Do século V ao séc. XVI a catequese se realizava pela participação numa vida social, profissional e artística marcada pelo religioso, num ambiente cristão presente na sociedade inteira, o poder civil se une ao eclesiástico. Desaparece o catecumenato dos primeiros séculos.

3-   Catequese como instrução

A partir do século XVI, a catequese torna-se intelectualizada (catecismos), instruindo a doutrina com pouca ligação com a comunidade e a liturgia. Muito devocionismo e sacramentalista.

4-   Catequese como educação permanente para a comunhão e participação na comunidade de fé.

No século XX o Concílio Vaticano II (1962-65) estabelece a volta ao Catecumenato, uma catequese que une fé e vida. Caminha com a comunidade, com a liturgia, torna-se experiência e vivência. Iniciação aos mistérios da fé centralizada no mistério pascal de Cristo. É a catequese de Iniciação à Vida Cristã aonde, gradualmente, as crianças (e adultos) vão entrando conscientes e ativamente na comunidade celebrante, assimilando sua pertença na vida da Igreja.

O catequizando e a Liturgia  

Não é fácil iniciar as crianças na liturgia pois as palavras e os sinais não estão adaptados à capacidade delas, e sim aos adultos. Como Igreja que são, precisam ser educadas como cristãs através da iniciação eucarística. É importante que elas sintam-se “celebrantes” na missa com crianças e não somente como espectadoras (missa para as crianças). A missa não é de crianças nem de adultos, é da comunidade.

A iniciação eucarística introduz nas grandes atitudes que formam o conteúdo da Eucaristia:

      a) Reunimo-nos com outros para celebrar: o sentido da “comunidade” na celebração;

        b) Escutamos a Palavra que Deus nos dirige;

    c) Damos graças e bendizemos a Deus;

    d) Recordamos e oferecemos o sacrifício de Cristo na cruz;

    e) Comemos e bebemos juntos a Eucaristia;

    f)   Despedimo-nos assumindo um maior compromisso de vida cristã: viver e anunciar o Evangelho. 

Os valores humanos necessários na formação eucarística, portanto são:

         ·        O saber fazer (celebrar) algo em comum com os outros;

·        A ação do cumprimento;

·        A capacidade de escutar;

·        A atitude de pedir e dar perdão;

·        A expressão de agradecimento a quem nos fez bem;

·        A linguagem dos símbolos;

·        O comer fraternalmente com outros;

·        A experiência de uma celebração festiva.

Tudo o que for feito - no seio da família, na catequese ou escola - para fomentar nas crianças essas atitudes positivas vai preparando-as e introduzindo-as em uma celebração eucarística saudável e ativa. Esses valores humanos são básicos para depois conduzi-las aos valores cristãos na “celebração do Mistério de Cristo”.

O acesso das crianças à fé cristã e sua celebração é uma experiência pessoal que deve ser propiciada principalmente  pela FAMÍLIA e pela COMUNIDADE. Os primeiros mestres são os pais, para isso a necessidade de uma formação permanente dos pais. A comunidade por seu testemunho é a “escola de instrução cristã e litúrgica” com seus agentes (padrinhos, catequistas, grupos, associações).

O Diretório para Missas com crianças (aprovado em 1973 pelo papa Paulo VI) enfatiza a “força didática” da própria celebração. Uma Eucaristia bem celebrada leva aos poucos a penetrar na sua dinâmica.

A iniciação eucarística não deve ser separada da iniciação eclesial: Eucaristia e Igreja não podem se separar. As crianças desde pequenas devem compreender que Cristo nos chama a cada um, mas não sozinhos, e sim em comunidade.

A iniciação à Eucaristia não é apenas instrução ou explicação, mas deve fomentar a relação pessoal com Deus, experimentar a fé, a comunhão. Dar o significado da Missa através de seus ritos e orações, com destaque a Oração Eucarística, a oração central da celebração.

A catequese que prepara para a Primeira Comunhão precisa não só ensinar as verdades da fé e o que é a Eucaristia; mas sim, o que é pertencer ao “Corpo de Cristo”, à Igreja. Realçar que a primeira comunhão eucarística é a primeira vez que as crianças vão “participar ativamente com o povo de Deus, plenamente inseridas no Corpo de Cristo”, ou seja, simultaneamente  na mesa do Senhor e na comunidade dos irmãos”. Não esquecer que celebrar bem a Palavra já é uma primeira “comunhão” com Jesus Cristo.

Celebrações de várias espécies, mais informais também, podem iniciar as crianças nas atitudes básicas para celebrar a Eucaristia:  O sentido do silêncio, da saudação, do louvor comum, da ação de graças, do canto. As celebrações da Palavra, sobretudo no Advento e na Quaresma (SC 35,4) conduzem ao apreço pela Palavra de Deus.

Nas missas os adultos são um exemplo vivo para as crianças: às vezes elas olham mais a cara e o comportamento dos adultos que o altar, percebendo instintivamente  se é ou não importante o que se está celebrando.

Para as crianças pequeninas, o Diretório sugere celebrações especiais em outro local, fora da missa. Não para “entreter” com animadores que saibam interagir com as crianças, mas para “celebrar” segundo a sua capacidade, com alegria e com seriedade a Palavra de Deus que as interpela.

A presença das crianças deve ser notada através de monições, atenção na homilia, nos ministérios a elas confiados (preparar o local, cantar, tocar, proclamar as leituras, recitar as orações, etc.). Diferenciar os ministérios onde ela “atua, intervém”, da participação que é ver, escutar, atender, etc., enfim celebrar.

Gestos e posturas do corpo precisam ser valorizados, pois, Liturgia é “ação de toda a pessoa humana” e não apenas da inteligência e da vontade humana. O CORPO TAMBÉM FALA! É preciso explicar os gestos e sinais clássicos da celebração cristã como, por exemplo: o fato de utilizar  o pão e vinho, o elevar as mãos no Pai-Nosso, etc.

A importância do visual: 

A linguagem da liturgia afeta todos os sentidos. As crianças respondem melhor à linguagem dos sinais e símbolos, ornamentos, etc., que às simples palavras.

Por meio da Mistagogia vai se introduzindo o mistério: explica – celebra - explica, etc. Nunca a liturgia deverá aparecer como algo árido e somente intelectual, ela tem que passar pelo coração, experienciar.

É importante ajudar as crianças a “preencher os momentos de silêncio”, educando-as a concentrar-se em si mesmas, meditar, louvar e rezar a Deus em seu coração.

A Oração Eucarística é a parte central da missa. Faz pouco tempo que é escutada em voz alta. Há necessidade de dar o texto para a criança ler e saborear, não fazer uma catequese meramente teórica. Evitar o costumeiro estudo da missa parte por parte, vista de uma vez, intelectualizada. Passar ao método mistagógico, que faz enxergar o invisível como ato de fé . Esse método baseia-se nos passos:

ü 1º- partir do sentido antropológico (significado comum e cotidiano);

ü 2º- ver como aparece (o gesto, objeto, símbolo, etc.)na Bíblia;

ü 3º- analisar o significado que adquire na vida cristã e na celebração;

ü 4º- extrair o compromisso que a evangelização e o rito cristão anunciam e celebram para suscitar e alimentar a fé.

Percebe-se que o mistério não se ensina nem se aprende, ele ultrapassa a verdade intelectual, racional, pois é uma verdade de Revelação e Descoberta.

 

* Organizado por:

Helena Okano
Ângela Rocha

Fontes de pesquisa:

ALDAZÁBAL, José. Celebrar a eucaristia com crianças. São Paulo: Paulinas, 2008

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edição típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.

CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Documento nº 84. São Paulo: Paulinas, 2006.

CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a sagrada liturgia. São Paulo: Paulinas, 1998.

NERY, Israel. Iniciação ao  seguimento de Jesus - slides 37ss - Formação para catequistas. Londrina, 2009.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Edições Paulinas, 1973.




 

 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ





A INSPIRAÇÃO CATECUMENAL DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

A Iniciação à Vida Cristã resgatada pelo Concílio Vaticano II busca inspiração nas fontes do cristianismo, ou seja, nas experiências de transmissão e educação da fé das primeiras comunidades. 

O fato: a ressurreição de Jesus.
A experiência: a unidade da fé em comunidade. 
A experiência pascal da ressurreição de Jesus revelou à comunidade o valor de permanecerem unidos (Jo 20,19). Outra experiência, agora pós-pascal, foi a consciência de que Jesus se tornou corporalmente ausente: “Homens da Galileia, por que vocês estão aí parados?” (At 1,11). 
Neste misto de experiências, a comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus dá destaque para os fatos que ficaram na memória, passando a recordar os lugares e os gestos de Jesus de Nazaré. Dizemos, portanto, que a comunidade se dá conta da importância das experiências pré-pascais. E viverá da recordação destes fatos, interpretando-os na força da ressurreição.
Mas, onde fica a inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã, em meio a tantos fatos e experiências? 
Conversamos anteriormente que a novidade da Iniciação à Vida Cristã se dá na transmissão da fé ao longo de um caminho, um itinerário. Em vista disso é que se fala em inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã, ou seja, a educação da fé que leva em conta as experiências da comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus antes, durante e depois da Páscoa. O que nos revela um percurso de transmissão e educação da fé cristã. 
Na Apresentação do Documento 107 da CNBB temos: “Um itinerário! Um caminho de pertencimento. O movimento de quem está a caminho, que se põe a caminho, que faz o caminho, percorre o caminho de Jesus Cristo. Uma pessoa discípula, aprendiz, seguidora. A pessoa que aprende com o Mestre Jesus”. 
A inspiração catecumenal, portanto, é despertar para a arte de anunciar Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus, com a mesma motivação, sentimentos e testemunho como os cristãos e cristãs faziam nos primeiros séculos. Ainda somos reféns de itinerários lineares, que ensinam doutrinas e preparam tão somente para os sacramentos. 
Na inspiração catecumenal o mais importante é a pessoa de Jesus Cristo. O que salva é a pessoa de Jesus Cristo, e nãos as ideias e teorias acerca dele. “O caminho de formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque lhe conhecem a voz” (DAp 277). 
E, por último, a iniciação à vida cristã, que passa pelo itinerário formativo e pela centralidade de Jesus Cristo, é uma metodologia destinada aos adultos. Pessoas adultas são capazes de fazer sua opção de escolha. Em se tratando de fé, a escolha é fundamental para o seguimento, àquilo que dá sentido no caminhar. Em nosso contexto, em que a maioria dos católicos são batizados quando crianças, a inspiração catecumenal é uma resposta à necessidade de completar a formação bíblica e missionária dos batizados. 
A inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã é uma proposta de metodologia em tempos de conversão pastoral. E, por ser caminho metodológico, fará surgir um jeito, um modo de ser Igreja-comunidade, que será diferente do nosso jeito de ser Igreja atual. Mas para isso, é preciso investir na inspiração catecumenal por completo, não apenas em partes. Esse é o tema da eclesiologia da Iniciação à Vida Cristã de inspiração catecumenal, tema de nossa próxima contribuição. Até lá. 
Ariél Philippi Machado
Teólogo
Assessor de catequese na Arquidiocese de Florianópolis-SC
Fonte: CNBB


sábado, 27 de julho de 2019

HISTÓRIA DA MISSA COMO “DESPEDIDA”


Você sabia que, nos primeiros séculos da Igreja, os catecúmenos (não batizados) não podiam participar da missa?

Recentemente uma catequista relatou que na paróquia onde frequenta, as crianças pequenas, que ainda não fazem catequese ou estão na pré-catequese (menores de 8,9 anos), são convidadas a sair do espaço da missa logo depois da acolhida e só voltam ao final, para a bênção. Para muitos isso causa um pouco de espanto e pareceu errado. Ou ainda que o pároco está sendo "cruel" ao dispensar as crianças da missa, já que estas, normalmente não se acomodam, dão um certo trabalho às catequistas e não permanecem em silêncio. Então... vamos levá-las para outro lugar onde não incomodem! E para a missa, sai a criançada e ficam vários bancos vazios na Igreja.

Por mais ilógico que isso pareça, não é absurdo, exagero ou crueldade. Não conheço a paróquia em questão e nem os itinerários utilizados, mas, a prática parece de acordo com o Processo Catecumenal de evangelização. E pode não ser coisa do Espírito Santo, mas, foi de São Justino, Santo Hipólito, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e vários outros Santos Padres da nossa Igreja. Esta era uma prática da Missa nos primeiros séculos da nossa Igreja, que deixou de ser feita no século IV, quando o batismo de crianças se tornou uma prática normal.

O que temos visto em alguns lugares, é que se tem procurado adaptar o processo catecumenal aos dias de hoje, utilizando-se práticas um pouco diferentes da que estamos acostumados. E precisamos conhecer todos os lados.

Muito se tem absorvido da IVC utilizando-se ritos e celebrações do RICA – Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, livro Litúrgico da Sagrada Congregação para o Clero (Santa Sé) que disciplina a iniciação de adulto à vida cristã. No entanto, os ritos e celebrações do RICA, para as crianças, não pode ser absorvido como um todo, ele precisa ser adaptado à Igreja do século XXI com todos os problemas que ela vive hoje.

Vamos lembrar um pouco da nossa história para entender!

A missa é uma prática relatada desde o primeiro século da nossa Igreja, claro que não da forma como a conhecemos. Quem conhece o Didaquê? Então, Didaquê é o nome das primeiras catequeses dos discípulos de Jesus (Temos o documento na íntegra em nosso blog se alguém quer conhecer).  Pois bem, o Didaquê recita a missa em seu catecismo nº XIV e também podemos ver uma "missa" em Atos 2, na doutrina dos apóstolos, em Atos 20 e também na 1ª Carta aos Coríntios 10 e 11.

Mas, onde quero chegar?

Que a "missa" existe praticamente desde a morte de Jesus, não da forma como a conhecemos, é lógico. Ela foi mudando ao longo do tempo. Encontramos nos escritos de São Justino no século II e Santo Hipólito (aliás, é dele a primeira Oração Eucarística) as descrições da missa, sua ordem, a ordem dos ritos, etc.

Agora vamos a ORIGEM da própria palavra MISSA.

A palavra missa vem de "missio", que significa missão, envio, ou seja, uma despedida.

E onde ocorria a primeira "despedida" nas celebrações antigas? Justamente na "despedida dos catecúmenos", na saída daqueles que ainda não tinham recebido os sacramentos. Isso era feito logo após a homilia ou sermão.

Naquela época não era permitido aos catecúmenos participar da oração eucarística porque eles ainda não estavam "prontos", preparados para receber a Eucaristia. Aliás, não eram só eles que eram "despedidos" no meio da missa, os "penitentes" também eram. Saiam e as portas eram, inclusive, fechadas para que eles não soubessem o que acontecia no rito dali para frente.

E vocês pensam que comungar era tão fácil como é hoje? Não era não!

Se você fosse um pecador (penitente) em arrependimento passava por longo processo até receber a reconciliação. E, se a recebia, e pecava novamente, nunca mais era admitido na Eucaristia! Algumas pessoas chegavam a viver um catecumenato permanente, não podendo comungar, de medo de voltar ao pecado e então não poder passar pelo processo novamente.

Então o nome "missa" vem da despedida dos catecúmenos, que designava tal momento da missa. Lá pelo século IV que o termo passou e a ser aplicado a todo rito eucarístico, de modo que este passou a ser chamado de MISSA integralmente.

Vejam só que ironia: foi a "despedida" no meio da missa, daqueles que não podiam comungar, que deu o nome a ela!

Mas, como dissemos, a missa foi mudando ao longo do tempo. Só para vocês terem uma ideia, a missa já chegou a ter SEIS leituras. E antes da reforma atual, terminava a Eucaristia, seguia-se a bênção, se rezava o último Evangelho (prólogo de S. João), rezava-se três Ave Marias, duas orações e a invocação ao Coração de Jesus, para, só então o padre dar a bênção final e a despedida.

Vocês conseguem imaginar uma criança com seis ou sete anos numa missa assim, de três ou quatro horas?

Portanto, a "despedida dos catecúmenos" subsistiu durante quase quatro séculos na Igreja. Pelos escritos de São Justino e São Clemente vemos a descrição desta despedida após o Credo ou após a Oração dos Fiéis, que só aparece mesmo no século V, antes era apenas uma oração pela Igreja e pelos fiéis que só o bispo fazia.

Por falar em Credo, naquela época só podia recitar o Credo quem já estivesse admitido para receber os sacramentos e tivesse recebido a oração no ritual. Quem ainda não tinha passado pelo rito, só podia escutar de boquinha fechada.

A prática da despedida foi cessando à medida que se passou a batizar crianças pequenas. Isso depois que vários doutores da Igreja começaram a defender a tese do pecado original na concepção. Quase a totalidade das pessoas no final do século IV e V já eram cristãs, logo não havia mais o catecumenato como iniciação cristã, e as práticas dele foram morrendo. A fé cristã era passada pelas famílias às crianças e não se via mais a necessidade de uma catequese com adultos. A ideia era a de que TODOS já eram cristãos desde a barriga da mãe, faltava então, batizar com a "água do Espirito" para livrá-los do pecado original.

Mas, o mundo mudou novamente. E nem é preciso dizer para vocês como e onde. Vivemos esta realidade hoje na catequese. Que família é catequizada e catequiza os filhos? Poucas na verdade. Então a Igreja sente a necessidade de se voltar a atenção aos adultos novamente, já muitos foram “catequizados”, receberam os sacramentos da iniciação, no entanto, não estão evangelizados.

No século XX a Igreja percebeu que precisava mudar, renovar-se. E aconteceu o Concílio Vaticano II, onde, entre outras coisas, pediu-se a volta do processo CATECUMENAL, que, em sua essência, catequiza adultos e não crianças.

Mas, a nossa cultura, não pensa catequese como INICIÁTICA (de iniciação) e sim, como SACRAMENTAL, ou seja, se eu falar para vocês que precisamos fazer catequese com os adultos, qual a primeira dúvida que vem na cabeça? “Mas, e os sacramentos? E se ele já é batizado? Se já comunga? Por que catequese? Ah! ele não vai querer!”.

Infelizmente fizemos, nestes séculos todos que se passaram, que os sacramentos passassem de uma "parte do processo", a OBJETIVO da catequese. Então se a pessoa já recebeu sacramento, para que catequese? Esse é nosso primeiro pensamento.  E não importa se a pessoa sabe ou conhece o rito, vive o rito, sente o rito; importa que ele pode entrar na fila para receber a comunhão. Não é assim que queremos "doutrinar" nossos pequenos desde cedo? Para que eles "aprendam" como entrar na fila e não fazer feio? Que eles saibam o que está acontecendo e ENTREM VERDADEIRAMENTE na MISTAGOGIA da fé, é coisa secundária.

Agora vamos a este caso específico de se estar retirando os pequenos no meio da missa e, de repente, ficar um vácuo de bancos no meio da Igreja, parar o rito e tudo mais.

Primeiro: existe um RITUAL de despedida, com bênção e tudo mais, inclusive descrito pelo RICA itens 96, 160 e outros. Não é, simplesmente, as catequistas arrancarem as crianças dos bancos e levarem para outra sala.

Segundo: estas crianças nem deviam estar lá! Por que fazemos catequese com crianças que deviam estar sendo catequizadas pelos pais? Estas crianças podem, evidentemente, estar na missa sim! Sentadinhos com sua família, aprendendo COM ELA, o silêncio, a contemplação, a oração.

Pelo que foi dito, percebe-se que, equivocadamente, está se usando um RITO antigo, “Despedida dos catecúmenos”, com quem nem é catecúmeno! Usando razões psicopedagógicas, ou seja, a criança de hoje em dia não se concentra na missa, não consegue prestar atenção em nada, utiliza-se esta prática. Bom, se esta é a explicação, ela é bem "furada". Por que se faz pré-catequese com crianças pequenas, então?  Que pré-catequese é essa? Ela não precisa se concentrar? Prestar atenção?

Agora um alerta final: Fazer iniciação a vida cristã com crianças, sem ter feito antes com as catequistas delas, com os pais delas? No final das contas, não está entendendo nada, nem quem manda e nem quem obedece. Primeiramente, os catequistas deveriam entender o que está acontecendo, depois os pais e as crianças. A comunidade então, deve estar completamente “vendida” nesse processo todo! Estamos andando na contramão faz tempo. Estamos tentando evangelizar crianças para ver se elas evangelizam os pais. Pode acontecer é claro, mas, qual é realmente a probabilidade de que isso aconteça?  

Muitas paróquias estão tentando estabelecer o processo catecumenal, mas estão com a "clientela" errada. Fosse eu, repensava a pré-catequese, incluía a família e ensinava todos a participar da missa.

Ângela Rocha
Catequista
ADM Catequistas em Formação



segunda-feira, 15 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A "IMPLANTAÇÃO" DA IVC? - 3


O QUE É A "IVC" AFINAL?

A chamada Catequese de “IVC”, sigla para Iniciação à Vida Cristã,  é um processo diferenciado da catequese a que estamos acostumados, pois ela assume um lado mais “Iniciático” da fé, em detrimento de uma catequese “sacramental” (apenas para se adquirir os sacramentos) e excessivamente doutrinal (voltado ao catecismo). Com a IVC, ela assume algumas características importantes: é querigmática, Cristocêntrica, é Celebrativa, é Orante, é Litúrgica, é Mistagógica.

Sua inspiração é o "Catecumenato", processo catequético instituído nos séculos I e II da era cristã. O processo de Iniciação à Vida cristã era constituído de 4 TEMPOS e de 3 ETAPAS ou "passagens", conforme se vê na imagem:


Com a IVC de Inspiração Catecumenal, a Igreja assume que é preciso “voltar” aos primeiros tempos da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã, onde a catequese era feita, realmente, para INICIAÇÃO na fé. Ali iniciava-se o Cristão de forma tão intensa e profunda que ele era capaz de dar a própria vida pela sua fé.

Ao longo dos séculos, com propagação do cristianismo, perdeu-se muito deste estilo e foi-se assumindo uma catequese de “manutenção” e exclusivamente “sacramental” e “doutrinária”, partindo-se do princípio que “todos” já nasciam no seio de uma família cristã, que proporcionava os primeiros rudimentos da fé católica.

Hoje, sabemos que isso não acontece mais. As próprias famílias perderam suas referências cristãs e não fazem mais o "anúncio" e nem a "pré" catequese das crianças. E a fé não é mais encarada como um “encontro” pessoal com Jesus e inserção numa comunidade. Hoje ela é mais ligada a inserção num círculo social do que ao "seguimento" de Jesus Cristo.

E muito se tem "ouvido falar" na IVC em nossas paróquias. No entanto, ainda sem o devido conhecimento a respeito. E muito mais sem orientação do que se poderia imaginar.

Então, tem sido comum "ouvirmos" que "Nossa catequese é pelo processo do RICA"... se atinar ao fato de que o RICA* é um livro com instruções litúrgicas para as celebrações e ritos (e para adultos, principalmente!), e não um Diretório catequético.

Também ouvimos falar que "Nossa catequese é de IVC, estamos fazendo as entregas"... de novo, sem entender que, entregar um "símbolo" de fé, pura e simplesmente, sem uma catequese orientadora e iniciática por trás, é mero ritualismo.

E, finalmente, a última... "Nossa CATEQUESE assumiu a IVC." Se só a "catequese" assumiu a IVC, deixando-a restrita à pastoral catequética, ela não é Iniciação à Vida Cristã. Se ninguém, além dos catequistas, sabem o que é IVC, ela não é Iniciação à Vida Cristã. A IVC precisa ser assumida por TODA A PARÓQUIA, começando pelo padre, pelo CPP e por todas as pastorais. A "pastoral catequética" é apenas uma "parte" do processo, assim como a pastoral do batismo e a Catequese de adultos que caminha separada da infantil e a preparação de noivos feita pela Pastoral Familiar.

Tirando a catequese de Adultos, a catequese de CRIANÇAS e Adolescentes NÃO É uma IVC pelo processo catecumenal (assim como a preparação de noivos e batismo de crianças).

O processo catecumenal do RICA foi feito para CATECÚMENOS, ou seja, para quem ainda não foi batizado. A catequese de Eucaristia e Crisma, devem aproveitar o que já está sendo feito e gradualmente ir se adequando ao processo catecumenal. Na catequese de crianças, pode-se instituir alguns ritos e celebrações INSPIRADAS no catecumenato para dar mais “mistagogia” ao processo catequético. Já o CATECUMENATO DE ADULTOS, tem uma metodologia própria, segue as orientações do RICA com um pouco mais de proximidade.

Uma sugestão é que se faça Catecumenato com as famílias/pais dos catequizandos da Catequese Infantil, mesmo para aqueles que já tenham os sacramentos, como forma de Re-evangelização daqueles que tiveram uma catequese exclusivamente sacramental.

Mas, primeiramente, como já foi comentado, TODAS as Arquidioceses e Dioceses, devem ter um PROJETO ou DIRETÓRIO de INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ. Este PROJETO ou Diretório é um instrumento que vai auxiliar todas as paróquias a conduzir e formar uma unidade entre as comunidades para que a IVC funcione de forma coesa e eficaz.

Continuamos nossa conversa ainda...

Ângela Rocha
ADM Catequistas em Formação



terça-feira, 9 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE A IMPLANTAÇÃO DA IVC? - 2

Vamos continuar nossa conversa sobre INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ NAS PARÓQUIAS?

Vou começar com uma citação do artigo da Ir. Carmen Pulga publicado Missão Jovem jul/2019:

"Há tempo, a Igreja do Brasil vem se empenhando para implantar um método de iniciação à vida cristã que integre fé e vida, doutrina e celebração, presença e compromisso. Um processo que não se restrinja apenas à catequese, mas que se abra à toda ação pastoral."

E é esse o ponto que quero abordar agora: o fato de que se a IVC pelo processo catecumenal não envolver TODA a paróquia, ela não vai funcionar ou vai funcionar meio “capenga”. Uma das maiores dificuldades em se implantar um processo de Iniciação cristã na Igreja é o fato de que se pensa que ela envolve só a Catequese, os catequistas, ou a pastoral catequética ou as ações catequéticas. Mas, não é bem assim. Porque a comunidade fica ausente, as equipes de canto e liturgia ficam ausentes, as demais lideranças ficam ausentes, as famílias ficam ausentes, o CPP fica ausente e até o PADRE FICA AUSENTE! E um processo dessa magnitude, que modifica a ação pastoral da Igreja, não pode ter ninguém ausente!

Então o passo agora é o seguinte:

ENVOLVER TODA A COMUNIDADE E TODAS AS PASTORAIS, GRUPOS E MOVIMENTOS NA IVC!

Como é que se faz isso?

1 - CONSCIENTIZAÇÃO: começando pelo pároco e todos os demais padres da paróquia. A IVC é urgência pastoral em todas as dioceses. E aqui temos mais uma citação: "O processo catecumenal que hoje se apresenta como novo, foi um caminho antigo de transmissão da fé a partir das testemunhas vivas da palavra e ação de Jesus. Trata-se de um itinerário, um caminho de pertencimento que leva em conta as experiências da comunidade dos seguidores de Jesus antes, durante e depois da Páscoa. A atitude de quem se põe a caminho é a de uma pessoa discípula, aprendiz, seguidora do Mestre (Documento 107 da CNBB).

Praticamente todas as dioceses do Brasil falam no processo catecumenal e tem um projeto de IVC em andamento. Estranho que alguns dos nossos padres estejam ainda alheios. Mas, quem tem que dar o pontapé inicial na paróquia são eles: os padres.

2 - A catequese, seja ela no processo catecumenal ou não ainda, precisa estar EM SINTONIA COM AS DIRETRIZES DIOCESANAS, com o projeto de IVC da diocese. Nenhuma paróquia pode evangelizar de maneira isolada, sem conhecer o que a sua diocese e o seu Bispo estão orientando. Os cursos e formações oferecidas pelas dioceses são de suma importância para todos, não só para os catequistas. Trata-se de IVC? Automaticamente todos estão convidados.

3 - UNIÃO DE TODAS AS PASTORAIS: é a velha conversa da "pastoral da unidade", onde todos falam a mesma linguagem e cuja objetivo/fim é sempre a evangelização. Não se pode entrar num processo catecumenal sem a liturgia, sem o canto, sem a pastoral familiar, sem os missionários (COMIPA), sem a pastoral do batismo, sem a pastoral dos noivos, etc. TODOS precisam saber do que é que o catequista está falando, quando ele diz que a "catequese agora é IVC". Ninguém pode ficar "vendido" na história. Não é só a "catequese" que muda, muda toda a ação pastoral da paróquia.

4 - Por fim, é PRECISO criar uma COMISSÃO PAROQUIAL DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ, onde todas as lideranças paroquiais se façam representar. Esta comissão estará sempre em sintonia com o "Projeto diocesano de IVC", conforme Doc 107, item 138: "É fundamental ter um Projeto Diocesano de Iniciação à Vida Cristã, através do qual seja possível promover a renovação das comunidades paroquiais. Não se trata de fazer apenas "reformas" na catequese, mas, de rever toda a ação pastoral a partir da Iniciação à Vida Cristã".

Aqui, mais um documento precisa ser do conhecimento de todos os agentes de pastoral: O DOC 107 da CNBB - INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS. Este documento, aprovado em 2017, por meio do método Ver, Julgar e Agir, direciona as ações na implantação do processo catecumenal de evangelização. Todo mundo de livrinho azul na mão! Você já tem, já leu? A paróquia já divulgou o conteúdo a todos os agentes de pastoral?

Isso não é só coisa da catequese de crianças não! Se estiver “sendo”, pode ter certeza de que ela não vai ser “A” IVC, aquela mudança de que nossa Igreja precisa...

E por hoje é só! Amanhã tem mais!

Ângela Rocha
ADM Catequistas em Formação


* O Documento 107 da CNBB está a venda nas livrarias católicas, Paulus, Paulinas, Vozes, etc. e também na internet.



segunda-feira, 8 de julho de 2019

VAMOS CONVERSAR SOBRE "IMPLANTAÇÃO" DA IVC - 1?

INICIAÇÃO à VIDA CRISTÃ: A gente tem falado tanto disso que parece até assunto velho já, porém, para algumas dioceses e paróquias a coisa é bem nova.

Para começar, quem trabalha com a CATEQUESE INFANTIL, ou seja, de crianças e adolescentes, em "fases" ou "anos", tem que começar a coisa fazendo "adaptações".

Isso porque a Catequese Catecumenal ou CATECUMENATO é para ADULTOS e não para crianças. E por mais que tenha gente por aí chamando criança batizada de catecúmeno, isso está muito ERRADO! CATECÚMENO é quem ainda NÃO RECEBEU O BATISMO. Até temos crianças em idade de catequese sem batismo, mas são bem poucas. E elas devem ser tratadas e catequizadas como as outras crianças.

Enfim, quem quer tratar de "INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ" deve:

1 - EM PRIMEIRO LUGAR, deve conhecer o RICA, aquele livrinho vermelho de que todo mundo fala, mas, poucos se deram ao trabalhar de LER e CONHECER a fundo. precisamos LER e entender como ele disciplina os sacramentos, ritos e celebrações. O RICA fala em ADULTOS, mas, tem um capítulo a respeito de "crianças em idade de catequese", que pode ser bastante aproveitado para ajudar na adaptação da catequese infantil.

Só um exemplo: estão sendo feitas muitas adaptações do RITO DA ELEIÇÃO ou inscrição do nome, com as crianças da eucaristia e adolescentes da crisma e, EM MOMENTO ALGUM, o livro RICA, QUE DISCIPLINA a parte litúrgica pede isso! Ele sugere que, com as CRIANÇAS, sejam feitos "RITOS PENITENCIAIS", privilegiando o sacramento da RECONCILIAÇÃO ou primeira confissão das crianças. Mas, tenho visto por aí este rito - eleição - sendo feito de "baciada" por aí, envolvendo cento e tantas crianças. Isso é, sem dúvida, banalizar o ápice da catequese no catecumenato, um dos ritos mais importantes dele. Mas, disso falamos noutra hora.

A conversa mesmo é COMO COMEÇAR a implantar a dita cuja da IVC. São "passos" gente! Passos vagarosos, mas, contínuos.

2 - A SEGUNDA coisa é REVOLUCIONAR a "Catequese de adultos" da paróquia - implantar o Catecumenato de Adultos - colocá-la nos eixos, e por eixo eu quero dizer ANO LITÚRGICO. Renovar o quadro de catequistas da CATEQUESE DE ADULTOS, colocar lá gente que esteja caminhado a passos com a IVC e tudo que se tem falado a respeito, não aqueles "velhos" catequistas que há anos trabalham só com o catecismo. Não dá mais, o CATECUMENATO é dinâmico e dinâmicas devem ser as pessoas que trabalham com ele. Se o pároco mandar aquele mesmo povo fazer "curso" e não colocar lá gente de cabeça aberta, nova em espírito, pode ter certeza que ele vai estar pondo roupa nova nos mesmos velhos espantalhos da Igreja e continuar fazendo catequese só para quem quer "casar na Igreja".

3 - E como o Catecumenato está estreitamente - tão estreita é a linha entre eles que parece uma só - ligado à liturgia; as coisas devem andar COM o ano litúrgico e não ano civil. Com isso a catequese da criançada deve começar a caminhar da mesma forma e aos poucos se acostumar a essa nova "mistagogia" pois a liturgia é feita de "mistérios", de espiritualidade e não de "planos de aula" de março a novembro.

Não precisa fazer nada radical do tipo começar a catequese no Tempo do Advento - porque aí é ir na contra mão da realidade mesmo - já que em nosso país começam as férias de verão e as crianças não começariam nada antes de fevereiro do ano seguinte.

Ideal é iniciar o processo catequético no Tempo Pascal, que é próprio para o querigma e cheio de mistagogia. E podem brigar a vontade com coordenadores e lideranças contrárias, o início ou "Rito de Acolhida" - este sim deve ser feito com as crianças E SUAS FAMÍLIAS - PRECISA SER MARCANTE! E precisa ter "espaço de manobra" para se trabalhar os itinerários.

Os meses de abril e maio são ideais para isso. As crianças não estão de férias da escola, já sabem onde vão estudar e em que horário, os pais já matricularam seus pequenos em todos os "cursos" possíveis (para ocupá-los no contra turno) e todo mundo já saiu do clima de "férias de verão". Quer tempo mais ideal além de se ter acabado de passar pelo tempo mais forte da evangelização, que é a Quaresma?

Pode-se marcar a Primeira Eucaristia em abril também, o Tempo é propício para isso. Não vai ter atropelos de final de ano e o sacramento não vai nem competir nem ser confundido com "formatura".

Taí! Esses são os PRIMEIROS PASSOS da catequese de crianças e adolescentes, para se ADAPTAR à IVC Catecumenal: Focar o ANO LITÚRGICO sem radicalismo, pois também temos que "viver" a realidade e o contexto dos dias atuais, e fazer um itinerário coerente com as liturgias dominicais, festas e eventos da Igreja.
Continuamos numa próxima publicação...

Ângela Rocha
ADM catequistas em Formação