sábado, 21 de junho de 2014

HOMILIA DO DOMINGO

12º. Domingo do Tempo Comum – Ano A

Pardal
A primeira leitura e o Evangelho falam das dificuldades da missão. A vida está repleta de desafios. Jeremias enfrenta a dura tarefa de denunciar o erro, vivendo com radicalidade seu profetismo. No Evangelho temos uma comunidade em conflito com os judeus, além de viver o contexto de perseguição romana. É neste contexto que as palavras de Jesus fazem eco.

O que dizer das cruzes do dia a dia? Deus não nos priva delas. Lembremos que o Filho de Deus morre clamando diante do abandono do Pai. É preciso deixar de lado um Deus intervencionista, que parece ter a obrigação de nos dar clareza, respostas, milagres, um deus tapa buracos que teria a obrigação de nos livrar sempre do perigo. É preciso entender que o amor tem o risco da dor. É preciso entender que Deus nos quer livres e autônomos na árdua jornada da vida, crescendo mediante os desafios que surgem diante de nossas escolhas ou de um modo inesperado, sem aparentes razões. Ou seja, nem sempre há uma razão no sofrimento.
O que, então, Deus tem a nos oferecer? Sua presença: “Eis que estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos!” Eis sua promessa. Ele não deu uma promessa de solução mágica para nossos conflitos, mas prometeu sua presença que consola e fortalece. O mais importante é manter-se unido ao amor de Deus em atitude de gratuidade, recebendo com a alegria os imensos benefícios de Deus e tentando deixar a lamúria diante das perdas. São Paulo deixa bem claro que o sofrimento não pode nos privar do amor de Deus: “Quem nos afastará do amor de Cristo: tribulação, angústia, perseguição, nudez, perigo, espada? Em todas essas circunstâncias, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou” (Rm 8,35-37).
Diante do conflito é comum que nos venha o medo. E vivemos em uma cultura do medo. O medo gera insegurança, tristeza, ansiedade, depressão… A Palavra de Deus neste domingo nos traz coragem: “Não tenhais medo!” Valemos mais do que pardais, nossos cabelos estão contados. Deus cuida da gente, não desampara, não deixa de amar. Combatemos o medo com a confiança na providência, com a esperança que nos anima a caminhar sempre. Deus é a nossa segurança, não precisamos nos apegar ao que nos ilude. Amar implica em arriscar, arriscar é saber soltar tudo aquilo que nos dá uma aparente segurança (circunstância, postos, coisas, pessoas) e entregar tudo nas mãos de Deus.
São bem vindas as palavras do Santo Papa Bom: “Consulte, não aos seus medos, mas as suas esperanças e sonhos. Pense, não sobre suas frustrações, mas sobre seu potencial não usado. Preocupe-se, não com o que você tentou e falhou, mas com aquilo que ainda é possível a você fazer” (São João XXIII).
Pe. Roberto Nentwig
Santuário São José
Arquidiocese de Curitiba - PR

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