quinta-feira, 28 de novembro de 2019

MANUSCRITOS DE QUMRAN OU DO MAR MORTO


Você já ouviu falas dos Manuscritos do Mar Morto ou Manuscritos de Qumran?  Os Manuscritos do Mar Morto são uma coleção de centenas de textos e fragmentos de texto encontrados em cavernas de Qumran, no Mar Morto, no fim da década de 1940 e durante a década de 1950. Eles foram compilados e guardados por uma doutrina de judeus conhecida como Essênios, que viveram em Qumran do século II a.C. até aproximadamente o ano 70. Os Manuscritos do Mar Morto são de longe a versão mais antiga do texto bíblico, datando de mil anos antes do que o texto original da Bíblia Hebraica, usado pelos judeus atualmente.

Conheça mais sobre eles neste artigo de Frei Ildo Perondi.

MANUSCRITOS DE QUMRAN OU DO MAR MORTO

Frei Ildo Perondi (ildo.perondi@pucpr.br)

Na primavera de 1947 foram descobertos os primeiros Manuscritos de Qumran. Esta foi considerada a maior descoberta de manuscritos da época moderna e a mais importante na região da Terra Santa. É certo que foi uma riqueza, mas também provocou muitas polêmicas e certa confusão.

No segundo semestre de 2004, alguns destes manuscritos e objetos estiveram expostos no Rio de Janeiro e depois em São Paulo. Ultimamente encontramos livros, publicações e reportagens muito boas em jornais, revistas e sites na Internet, mas também encontramos algumas publicações sensacionalistas e livros best sellers (como os de M. Baigent e R. Leigh) ou o recente livro O Código Da Vinci, de Dan Brown, também sensacionalista. Este tipo de publicação mais confunde que informa. São obras de amadores, ignorando todo o trabalho feito e esquecendo a contribuição e o bem que estes Manuscritos nos trouxeram.

Neste artigo procuraremos apresentar de forma resumida o que são os Manuscritos de Qumran ou do Mar Morto, a sua história, as polêmicas e a ajuda que trouxeram para a tradução e interpretação dos livros do Antigo Testamento, e também para uma melhor compreensão de muitos elementos que ajudaram na formação do Novo Testamento e do Cristianismo.


1. Qumran

É o nome do lugar onde foram encontrados os primeiros manuscritos numa gruta. Situa-se perto do Mar Morto, em Israel. Em seguida foram encontradas novas grutas com outros manuscritos e objetos, não só em Qumran, mas em toda a região do Mar Morto, e por isso hoje se fala dos Manuscritos de Qumran ou do Mar Morto (ou do Deserto de Judá). Foram localizados também os restos dos edifícios onde se reunia a comunidade.

No ano 70 os romanos destruíram o Templo de Jerusalém, destruindo também a cidade e Israel deixou de existir como estado judaico (até 1948). Em seguida, os romanos conquistaram e destruíram a comunidade de Qumran e depois tomaram a fortaleza de Massada, localizada próximo a Qumran. E em 135 dC foi vencida a última resistência judaica.

Na época em que se descobriram os primeiros Manuscritos a região estava sob dominação inglesa, em seguida o território passou a fazer parte da Jordânia. Em 1948 Israel tornou-se um estado independente, porém somente em 1967, com a guerra dos seis dias, é que a região de Qumran e do Mar Morto passou a fazer parte do território de Israel.


2. O que são os Manuscritos?

Os manuscritos são escritos, em couro ou papiros, em sua maioria na língua hebraica, e alguns poucos em aramaico e grego, que foram encontrados nas 11 grutas. Alguns estavam em bom estado e outros estavam bastante deteriorados com o tempo e as condições onde foram guardados. Ao todo foram encontrados em torno de 800 documentos. Alguns estudiosos sugerem que alguns manuscritos sejam cópias de livros sagrados que os judeus do Templo esconderam ali, quando pressentiram que os romanos destruiriam Jerusalém. Alguns são apenas fragmentos (pedaços) de textos.

Em geral podemos dizer que os Manuscritos encontrados se classificam assim:

1)    Manuscritos bíblicos: estes textos são cópias fiéis que os habitantes da região de Qumran (escribas) transcreveram dos livros do Antigo Testamento (cerca de 225 manuscritos). O Livro dos Salmos é que foi encontrado maior número de cópias, o segundo é o Deuteronômio; o terceiro é Isaías (curiosamente são também estes os três livros mais citados pelo NT). Somente dos livros de Ester e Neemias não foi encontrada nenhuma cópia (veja relação no final).

2)    Apócrifos: Foram encontradas cópias de diversos livros que não entraram no cânon da Bíblia Hebraica, exemplo: apócrifo do Gênesis, de Henoc, de Noé, de Lamec, do Livro dos Jubileus, etc. É bom lembrar que na época em que foram escritos os Manuscritos a lista (cânon) dos livros do AT ainda não tinha sido concluída, embora já houvesse um certo consenso.

3)    Comentários bíblicos: Foram encontrados muitos textos que eram comentários e interpretações que a comunidade escreveu sobre os livros do AT. Estes comentários são importantes para percebermos como uma comunidade judaica daquele tempo interpretava os textos sagrados. Além disso encontramos muitas cópias de targums e midraxes rabínicos (estudos e interpretações).

4)    Livros da Comunidade: A comunidade também escreveu livros sobre a sua vida. São textos legais sobre a organização da comunidade, livros e textos litúrgicos, poéticos, apocalípticos, escatológicos, comerciais, etc. Os mais famosos são a Regra da Comunidade, o Rolo do Templo, o Documento de Damasco, a Carta Halákica, a Regra da Guerra, etc. Foi encontrado também um famoso Rolo de Cobre, um livro escrito em cobre. É um enigma, pois contém o mapa onde estão escondidos cerca de 60 tesouros (mais de 200 toneladas de ouro e prata), mas parece ser uma fantasia e jamais se encontrou qualquer coisa.

Além dos Manuscritos foi encontrada uma grande quantidade de outros materiais, importantes para o conhecimento da comunidade, como: cerâmicas, moedas, objetos de trabalho, vestuários, calçados, utensílios de cozinha e de trabalho, etc.

A data em que foram escritos os Manuscritos gerou muita controvérsia. A hipótese de que sejam uma farsa hoje está descartada. Os mesmos foram submetidos à análise com os métodos mais modernos, como o Carbono 14, e hoje cientificamente se pode afirmar que os mais antigos sejam do século III aC e os mais tardios não sejam depois do ano 68 dC.

3. Como foi a descoberta dos Manuscritos:

Na primavera de 1947 três beduínos da tribo Ta’amireh, que cuidavam do seu rebanho, na região de Qumran, se divertiam jogando pedras dentro das grutas. Um deles, porém, ouviu um som estranho. Voltou sozinho de madrugada e descobriu entre outras coisas, um vaso contendo manuscritos antigos. Os beduínos tentaram vendê-los, quase sem sucesso. (Outra versão indica que foi um beduíno que em busca de uma cabra perdida, que havia se refugiado em uma das grutas, fez as primeiras descobertas). O certo é que os beduínos chegaram a um senhor chamado Kando, que se converteu em intermediário para passar adiante os materiais descobertos. Como pensavam que eram escritos em siríaco, os beduínos foram encaminhados ao metropolita Mar Athanasius em Jerusalém, da Igreja Siro-jacobita (interessante que o porteiro vendo aqueles beduínos malvestidos quase colocou tudo a perder, mandando-os embora!). O metropolita comprou os manuscritos por cerca de 100 dólares (tempos depois os vendeu nos USA por 250.000 dólares).

O metropolita consultou Sukenik, um professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. A partir disso, iniciou-se uma longa história em que a descoberta foi levada a sério, os beduínos conseguiram novos manuscritos, porém devido à situação de conflito na região, alguns desses manuscritos foram levados aos Estados Unidos. Iniciaram-se também as escavações e novas buscas na região, coordenadas por G. L. Harding (jordaniano) e pelo Pe. Roland de Vaux, da Escola Bíblica de Jerusalém, que escavaram e estudaram o local, fazendo estudo da comunidade e em várias expedições fizeram novas descobertas. Porém, os beduínos lembrando que seus avós contavam a história de um caçador que havia seguido uma lebre numa gruta, foram de novo os protagonistas e descobriam duas grutas (chamadas Gruta 4) onde foi encontrado o maior e melhor número de material (era o resto da Biblioteca central da comunidade de Qumran).


Foi construído em Jerusalém um local especial para colocar e proteger todo este material, o chamado “Santuário do Livro”, em forma da tampa de uma jarra, semelhante àquela em que foram encontrados os primeiros manuscritos. É onde hoje se encontra todo o material que está sob a custódia do Museu de Jerusalém, hoje administrado pelo Estado de Israel. Segundo J. Strugnell, cerca de quatro rolos devem estar desaparecidos ou se perderam para sempre.

4. A Comunidade de Qumran:

R. de Vaux e sua equipe tentaram estudar quem foi esta comunidade que viveu ali e produziu todo este material. Baseados nas escavações e também em historiadores da época como Plínio - o Velho, Fílon e Flavio Josefo, chegou-se à conclusão que a comunidade começou a ser povoada cerca de 700 anos antes de Cristo. Porém, somente uns 200 anos aC é que teve a organização como grupo essênico separado. Esta sofreu uma forte destruição com o terremoto de 31 aC e depois deve ter ressurgido, até ser destruída pelos romanos tendo seu fim por volta dos anos 100 dC. Alguns traços desta comunidade:

a)    Tinham uma forte vida comunitária, com normas para a admissão, formação e vivência interna. Seguiam uma disciplina rígida, rezavam e faziam penitência, tinham os bens praticamente em comum. Liam, interpretavam e davam muita importância às Escrituras. Esperavam o fim dos tempos, onde eles, os “filhos das luzes”, combateriam ao lado de Deus contra os “filhos das trevas”;

b)  A princípio parece que era uma comunidade constituída somente de homens, porém nos cemitérios foram descobertas ossadas também de mulheres (que podiam ser de visitantes ou familiares que vivam nas proximidades);
c)    Uma figura importante na comunidade era o Mestre da Justiça;
d) Tinham uma forte expectativa messiânica, porém eram dois os Messias esperados: um de linha mais política, seria o descendente de David e o segundo seria o Messias Sacerdote, descendente de Aarão;
e)    Seguiam um calendário de 364 dias.

O mais provável é que esta comunidade fosse um grupo de essênios, em uma comunidade de mais ou menos 200 pessoas. Alguns poucos sugerem que poderiam ser saduceus, zelotes, etc.

5. O Novo Testamento e Qumran

Surgiram várias hipóteses indicando que alguns dos personagens do NT seriam provenientes de Qumran ou tiveram contatos com esta comunidade. De fato, quem visita hoje Qumran na recepção vê um filme que informa sobre um personagem que esteve na comunidade, mas que foi expulso por não se adaptar à comunidade. Este personagem é identificado como o Profeta João Batista. E se lermos os evangelhos sinóticos vemos que os traços de João Batista (a radicalidade da sua proposta) têm muito a ver com a comunidade de Qumran. Outros sugerem que Tiago “irmão do Senhor” (cf. At 12,17; 15,13; Gl 1,19, etc.) pudesse ter ligações com a comunidade e Robert Eisenman até chegou a afirmar que este Tiago seria o Mestre da Justiça da comunidade. Nesses textos, segundo Eisenman, se falaria dos primeiros cristãos e em particular emergiria na sua plena luz o contraste que dividia a corrente de Tiago e aquela de Paulo. Encontramos também alguns que até chegaram a sugerir que o Apóstolo Paulo viesse desta Comunidade (é bom lembrar que o próprio Apóstolo Paulo várias vezes afirma seu passado como fariseu e nunca como essênio).

É interessante ver o paralelismo de certos termos com os escritos do NT. Um dos vocábulos que mais chamou a atenção é “os muitos” ou “maioria” que encontramos em At 15,12 e em 2Cor 2,5-6 e no relato da Eucaristia de Mt 26,27-28; Mc 14,23-24; Lc 22,20. Em Qumran encontramos o mesmo termo seja em relatos jurídicos e celebrativos.

Encontramos também outras expressões como: “justiça de Deus”, “pobres em espírito”, “obras da lei”, “Igreja /Assembleia de Deus”, “a sorte dos santos”, “o Senhor do céu e da terra”, etc. que não são encontrados nos textos rabínicos da época.

Textos como 2Ts 2,7 “o mistério da iniquidade”; o tema paulino da “justificação pela fé” (cf. Rm 3,21-24; Gl 2,16), a figura de Melquisedec lembrada na Carta aos Hebreus, a expressão “ele será chamado Filho de Deus” de Lc 1,35-37, entre outros, também são encontrados nos escritos Qumrânicos.

No entanto, se existem paralelos, encontramos também divergências. E. Stauffer enumera pelo menos oito pontos diferentes entre a comunidade de Qumran e as primeiras comunidades cristãs:
1) um clericalismo maior em Qumran;
2) mais ritualismo e cerimônias;
3) o preceito de amar os filhos da luz e odiar os filhos das trevas;
4) o militarismo e a preparação para a guerra “apocalíptica”;
5) a supervalorização do calendário;
6) o caráter esotérico;
7) a expectativa dos dois Messias;
8) o relacionamento diverso com o Templo, com os sacerdotes de Jerusalém e com a Lei.

6. Problemas com a publicação dos Manuscritos

No início a Equipe responsável pelo cuidado dos Manuscritos e pela sua divulgação e publicação era constituída de um pequeno grupo, chefiada pelo Pe. de Vaux, da Escola Bíblica de Jerusalém. Devemos recordar que muitos fatores atrapalharam o trabalho. Basta lembrar que o território passou por mudanças políticas importantes: Inglaterra, Jordânia e depois Israel. Houve dificuldade de recursos econômicos e mesmo humanos (pessoas capazes de traduzir e interpretar os documentos). Falta de recursos para a aquisição dos Manuscritos. Tudo isso fez com que, passados 40
anos das primeiras descobertas, muitos textos ainda não eram de conhecimento público. Surgiram suspeitas sobre as descobertas e sobre os seus conteúdos, falou-se até em conspiração. Mesmo entre os biblistas católicos e protestantes criou-se um mal-estar, tanto que J. Fitzmyer qualificou como um “escândalo” esta demora. Era inadmissível que documentos assim importantes ficassem em segredo, mas praticamente sem razão, e que não fossem de domínio público.

É certo que devido à falta de recursos, financeiros e humanos, a morte de R. de Vaux (que foi substituído por J. Strugnell – inglês, presbiteriano e depois católico – já velho), houve atraso nas traduções e publicações. Além disso, a Equipe queria publicar os textos com uma interpretação que fosse unânime entre os diversos membros. Tudo isso deu margem a inúmeras especulações.

Por isso na década de 90 houve uma mudança na Equipe, mais recursos e pessoas foram colocados à disposição e assim hoje todos os Manuscritos já foram divulgados, pelo menos através de fotografias. Hoje faltam somente uns poucos textos para serem publicados e traduzidos. Em português temos a excelente obra publicada pela Vozes: Textos de Qumran, de Florentino Garcia Martinez (tradução de Valmor da Silva), que traz praticamente todos os textos já publicados.

7. Questões e polêmicas com o Cristianismo

É certo que documentos dessa importância e que têm algo a dizer sobre a própria comunidade de Qumran, mas também sobre o judaísmo, o cristianismo e a própria cultura mundial, tendem a causar polêmicas e divergências.

Vejamos as principais:

a)    John Allegro: Entre os membros da equipe havia um pesquisador chamado John Allegro, inglês agnóstico. Devido a divergências com o grupo, ele se retirou fazendo fortes acusações dizendo que a equipe estava escondendo documentos da Gruta 4. Segundo ele, haviam manuscritos que poderiam prejudicar o Cristianismo e que havia uma conspiração do Vaticano para impedir a divulgação dos mesmos. Ele mesmo se pôs a publicar manuscritos por conta (e que depois se revelaram de péssima qualidade. Strugnell fez cem páginas de notas de correções ao seu livro). Allegro atribui as origens do Cristianismo aos efeitos de um alucinógeno. Quase na mesma direção, está a interpretação de Bárbara A. Thiering que vê João Batista como o Mestre da Justiça e Jesus como o Sacerdote Ímpio.

b)   Textos do NT em Qumran? J.O’Callaghan, jesuíta espanhol, insistiu nos anos 70 que havia descoberto partes de textos do NT em Qumran na gruta 7 (nesta gruta foram descobertos também textos escritos em grego). Segundo ele, seriam textos de Marcos, Atos dos Apóstolos, Romanos, 1Timóteo, Tiago e 2Pedro. Esta hipótese foi assumida também pelo alemão C. Thiede e fez sucesso, mas também logo foi contestada. Primeiro, porque a grafia não é tão igual; segundo porque a 2Pedro é colocada pela maioria dos biblistas como o último escrito do NT (portanto foi escrita depois da destruição de Qumran); terceiro porque não foi encontrado nenhum livro do NT, mas somente alguns fragmentos com textos parecidos; quarto porque o material é muito fragmentado e não permite nenhuma hipótese segura. O texto encontrado (7Q5) e que O’Callaghan supõe seja de Mc 6,52-53, e pode ser traduzido assim: “porque [não] haviam compreendido o fato dos pães estando o seu coração endurecido. Terminada a travessia chegaram ao território de Genesaré e chegaram à terra. Apenas desceram...” O texto não fala de Jesus e poderia muito bem se referir a um outro fato, com outro grupo, ainda que se pareça com o texto de Marcos. Por isso, hoje se exclui a possibilidade que qualquer uma das 11 grutas contenha algum texto da literatura cristã primitiva.

c)    Jesus era de origem essênia? Alguns autores procuram comparar as práticas, os costumes, as propostas entre Jesus e as primeiras comunidades cristãs com os essênios e descobrem muitas semelhanças. Por isso, afirmam que o cristianismo seria de origem essênia. Esta hipótese também é fraca, pois temos todos os textos do NT que comprovam a origem judaica de Jesus na Galileia. Embora com isso não se negue que alguns membros do grupo de Jesus possam ter tido ligações com a comunidade de Qumran (João Batista e outros).

d)    O caso do Messias assassinado ou que assassinou: Um dos textos que mais causou polêmicas foi 4Q285. O fragmento estava em certa parte corrompido e foi passível de várias interpretações, por isso não foi logo divulgado. Isso ajudou a aumentar as suspeitas. Os estudiosos sugerem várias traduções: “E esses assassinaram (ou: assassinarão) o príncipe da comunidade, o reben[to de Davi]”. O texto pode ser interpretado tanto no passado como no futuro. Outros preferem: “O príncipe da comunidade o matará (ou: o matou)”. Poderia também ser: “O príncipe da comunidade, o rebento de Davi, o matará” ou: “matará o ímpio”. Tudo isso traz um certo paralelo com o NT. Em 1991 R. Eisenman publicou um livro (à revelia do comitê e desrespeitando até os direitos autorais) onde diz revelar textos inéditos, um dos quais que falava da execução capital de um Messias e insiste que este Messias seja Jesus e que por isso o texto não havia sido tornado público. Poucos são os que aceitam esta hipótese, já que Eisenman optou pela tradução menos segura. Em 1992, ele publica outro livro juntamente com M. Wise. Porém, em seguida, Wise se retratou das interpretações feitas (cf. se pode ver na apresentação da edição italiana feita por E. Jucci). No entanto, estas publicações tiveram o mérito de tornar públicos muitos dos manuscritos que demoravam para serem publicados.

Sobre os pontos acima, é bom lembrar que eminentes estudiosos encarregados da publicação dos manuscritos sempre afirmaram que, embora se encontrem muitos paralelos, não existe nada nos textos que tenha ligação direta com o nascimento do Cristianismo na Galileia. Também em nenhum dos textos se encontra o nome de Jesus. Segundo F. G. Martinez, as últimas análises dos Manuscritos feitas com carbono 14, comprovam que os mesmos são anteriores ao cristianismo e, portanto, “excluem definitivamente as teorias de uma origem zelota ou judeu-cristã dos manuscritos”.

O que percebemos é que alguns (como O’Callaghan) gostariam de ver em Qumran e no Mar Morto indícios de Jesus e dos textos do Novo Testamento. Não precisamos disso para a credibilidade da nossa fé. Outros, em outro extremo, querem fazer “provocações” e sugerir que Jesus e o cristianismo tenham origens essênias. Nem isso está nos Manuscritos. Jesus continua sendo de origem judaica e o cristianismo continua com sua origem na Galileia. Embora seja verdade que o pensamento de Jesus algumas vezes se aproximasse das ideias dos essênios, porém a prática de Jesus e das primeiras comunidades se distanciava muito do extremismo deles.

8. A importância dos Manuscritos

Os manuscritos de Qumran e do Mar Morto foram, sem dúvida, a maior descoberta do milênio passado para a crítica literária e para o estudo da Bíblia, pois voltamos a ter acesso a cópias de textos bíblicos da época de Cristo e alguns até dos séculos II-III aC. Tanto a religião judaica, como o cristianismo, foram duas religiões muito perseguidas na história, por isso foi difícil preservar os originais ou cópias antigas dos textos sagrados. Para se ter uma ideia, antes desta descoberta, tínhamos a Bíblia Hebraica de Soncino do ano 1477; a Bíblia Rabínica (com massora, isto é, anotações que os escribas faziam nas margens das páginas copiadas) de 1518, já impressa com a descoberta de Gutenberg e a obra de Jacob Ben Chayyion, o famoso textus recceptus de 1524/1525. Em 1929 surgiu a BHS, a Bíblia Hebraica de Kittel e P. Kahle, baseada no Código de Leningrado de 1008. Então, estes manuscritos de Qumran e do Mar Morto nos forneceram cópias com cerca de mil anos mais antigas dos livros do AT. Tudo isso ajudou a corrigir e melhorar as traduções da Bíblia.

Para o mundo judaico, além da contribuição bíblica, a descoberta abriu o caminho para o acesso a manuscritos e materiais de dois mil anos, bem como as escavações e o conhecimento de uma comunidade de um grupo judaico (os essênios), que contribuem também para entender melhor a história dos últimos anos da existência do estado de Israel (antes de ser destruído pelos romanos). E proporcionou um grande conhecimento da literatura hebraica pré-cristã.

Para o cristianismo, a maior importância está nas descobertas bíblicas, mas também em poder conhecer melhor o ambiente, as estruturas, ideias do mundo judaico da época de Jesus e de uma comunidade que tinha pontos em comum e pontos divergentes com o cristianismo.

Porém, com J. C. Vanderkam podemos afirmar: “Sustentando que o Jesus histórico era o Messias, no itinerário que conduziu à época escatológica, os cristãos se colocaram muito além em comparação com os essênios de Qumran, os quais esperavam que os seus Messias viriam em um futuro imediato”.

Concluindo, podemos dizer que tinha razão a afirmação do exegeta bíblico W. F. Albright quando soube da descoberta dos Manuscritos: “Parabéns pela maior descoberta de manuscritos dos tempos modernos”. E em outra ocasião: “É fácil de perceber que esta nova descoberta revolucionará os estudos neotestamentários e logo renderá superados os manuais que tratam do ambiente do NT e da crítica textual e da interpretação do AT”.


Relação dos Manuscritos bíblicos encontrados:

Gênesis 15 Salmos 36
Êxodo 17 Provérbios 2
Levítico 13 Jó 4
Números 8 Cântico dos Cânticos 4
Deuteronômio 29 Rute 4
Josué 2 Lamentações 4
Juízes 3 Eclesiastes 3
1-2 Samuel 4 Ester 0
1-2 Reis 3 Daniel 8
Isaías 21 Esdras 1
Jeremias 6 Neemias 0
Ezequiel 6 1-2 Crônicas 1
12 Profetas 8

Também foram encontradas cópias de alguns livros deuterocanônicos que não vieram a fazer parte da Bíblia Hebraica: Tobias (4 cópias em aramaico e uma em hebraico); Eclesiástico (alguns fragmentos); Carta de Jeremias = Baruc 6 (foi encontrada uma cópia em grego); Salmo 151, que se encontra na LXX (uma cópia).

Bibliografia

DONNINI, D. Cristo e Qumran. La chiave di un rapporto controverso. In: http://www.etanali.it/mar_morto/files/qumran.htm

EISENMAN, R. – WISE, M. Manoscritti segreti di Qumran. Edizione italiana a cura di Elio Jucci (Piemme, Asti 21994).

JUCCI, E. I manoscritti ebraici di Qumran: A che punto siamo? in: http://dobc.unipv.it/SETH/achepunt.htm

JUCCI, E. Qumran. A cinquant’anni dalla ricorrenza della scoperta dei manoscritti, in: http://dobc.unipv.it/SETH/qumran50.htm

MACKENZIE, J. L. Dicionário Bíblico. Verbete: “Qumran”. (Paulus, São Paulo 72002).

MARTINEZ, F. G. Textos de Qumran. Tradução de Valmor da Silva. (Vozes, Petrópolis 1995).

MOLINA, C. As relíquias que o Mar Morto conservou por mais de 2 mil anos. (O Estado de S. Paulo, 25/11/2004, Caderno 2, pg. D3).

VANDERKAM, J. C. Manoscritti del Mar Morto. Il dibattito recente oltre le polemiche.  (Città Nuova, Roma 21997).

OBS. Para a elaboração deste texto utilizei muito o livro de James C. Vanderkam, que é atualmente membro da Equipe responsável pela tradução e divulgação dos Manuscritos. Além disso, ele mesmo no seu livro – parodiando Lucas – afirma que fez uma boa pesquisa para poder informar melhor todos os fatos ocorridos desde a descoberta dos manuscritos até os dias atuais. Esperamos que o livro seja publicado no Brasil.


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

TÁ FALTANDO “SENSO CRÍTICO” POR AÍ!


Uma coisa que se pode observar no mundo midiático, principalmente das redes sociais, é que o ser humano, de modo geral, esqueceu total e completamente o que é “senso crítico”. E podemos perceber isso também nas nossas relações cotidianas. Cada vez mais as pessoas querem ter razão, porém, a “sua razão” e não aquela razão lógica e comprovada. E como o senso crítico faz falta para nossa civilização!

E não pense que isso é um assunto "filosófico" somente. Ele se enquadra também naquilo que fazemos como catequistas, ou seja, ajudamos a aprofundar a fé e também a "pensar", "refletir" e encontrar o melhor caminho. Portanto, orientar nossos catequizandos a desenvolver senso crítico, vai torná-los pessoas melhores e desta forma, criar um mundo melhor.

O senso crítico é o avesso do senso comum: enquanto este é a atitude dos que emitem meras opiniões (em grego, doxa), aquele é baseado em conhecimentos testados e aprofundados metodologicamente (em grego, episteme). O senso comum são ideias que se desenvolvem em uma sociedade baseadas, muitas vezes, na herança cultural de cada povo. Senso crítico é o principal fundamento da filosofia e significa a capacidade de questionar e analisar as situações de forma racional e objetiva.

Ao contrário do senso comum, baseado nas informações meramente sensíveis, a atitude crítica exige reflexão constante e avaliação radical das causas e das consequências do conhecimento. Se o senso comum geralmente confirma as opiniões alheias sem processá-las, o senso crítico coloca-as em questão, para serem confirmadas ou refutadas.

A pessoa que desenvolve criticidade tem gosto pelo diálogo e pelas opiniões divergentes e é capaz de desenvolver e comunicar de maneira respeitosa suas próprias opiniões. Quando se valoriza a visão crítica, não há perdedores: todos ganham quando a verdade - produto do debate e do intercâmbio de ideias - é alcançada. Posso desenvolver o senso crítico? Mas é claro!

Que perguntas posso me fazer se quero ser uma pessoa com senso crítico?

- Faço julgamentos com maturidade e responsabilidade, favorecendo a liberdade de opinião e o respeito pela experiência própria dos outros?

- Critico e discordo de opiniões alheias de maneira cordata e gentil, sendo capaz de renunciar a um ponto de vista em benefício da verdade?

- Sou capaz de ouvir e de discutir sem paixões exageradas, mas, a fim de compreender melhor as razões dos outros?

- Permaneço atento às variantes em jogo numa argumentação e busco sempre desenvolver um raciocínio lógico e contextualizado?

- Faço adequadas intervenções em discussões e debates, visando à aprendizagem pessoal e coletiva?

- Assumo meus próprios posicionamentos, sem generalizá-los como sendo visão de todos?

Posso ajudar as pessoas a desenvolver senso crítico? Sim! Faz parte da nossa missão como educadores.

Que perguntas posso me fazer se quero ser uma pessoa que estimula o senso crítico?

- Promovo a interlocução crítica como modelo de participação e valorizo a participação de todos numa discussão ou debate?

- Aceito naturalmente feedback por parte dos outros?

- Tenho autoconfiança sem ser pedante?

- Ouço e respeito as opiniões alheias, mas mantenho coerência com as normas e os valores da sociedade e das instituições de que faço parte?

- Tenho capacidade de decisão e juízo autorregulatório, ou seja, sei refrear atitudes que não condizem com o bem comum?

- Sei argumentar com ponderação, com base em evidências, contextos, conceitualizações, métodos e critérios?

Respondidas todas estas perguntas...

E agora, tenho senso crítico ou vou pelo senso comum? Ou ainda, uso meu próprio senso sempre?

FONTE:
* Adaptado de: Princípios orientadores dos processos de ensino e aprendizagem na graduação da PUCPR. – Curitiba: PUCPRess, 2016.  

sábado, 2 de novembro de 2019

SEMANA DE ÉTICA PUCPR: CATEQUESE E MIDIAS SOCIAIS

Um vídeo sobre CATEQUESE E MÍDIAS SOCIAIS, sobre o grupo CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO, está concorrendo aos melhores vídeos da XX SEMANA DE ÉTICA DA PUCPR.

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EIXO TEMÁTICO: "Responsabilidade e tecnologia"

JESUS E ZAQUEU: SUGESTÃO DE ENCONTRO


Fiz para minhas crianças da Infância e adolescência missionaria e para catequese.

Existe uma musiquinha que fala sobre Zaqueu (link abaixo), a ideia é cantar com eles e usar o material sugerido.

Ao final da musiquinha, conversar com eles sobre como enxergar Zaqueu hoje, de acordo com a realidade deles. Questionar de que forma estão procurando enxergar Jesus (dar o exemplo de Zaqueu).

Não basta apenas enxergá-lo, mas também, segui-lo. Muitas vezes Jesus se faz presente no coleguinha na escola, na catequese, na família, em casa. E devemos amá-lo, amando aos outros, ajudando naquilo que pudemos.

Na lembrancinha não colei Zaqueu, coloquei ele com barbante, para explicar que ele não fica na arvore, ele desce e segue Jesus.

Papel cartão colorido - Frase: "Hoje a salvação entrou em sua casa"
                                                                     Figura de Zaqueu (Tirada do Google imagens)



Árvore em EVA


LINK DA MÚSICA:


Colaboração: Catequista Marilza Beltramim - Paróquia de São Carlos Borromeu – Dourados- MS


Uma breve reflexão do encontro de Zaqueu com Jesus – Lucas 19, 1-10.

Quem não conhece a passagem bíblica que narra a insistência do baixinho Zaqueu para ver Jesus? Sem dúvida, essa é uma das passagens mais conhecidas do Evangelho.  

Jesus estava passando por Jericó a caminho de Jerusalém, para realizar aquilo que seria a coisa mais importante para a humanidade: a salvação. Ao passar por Jericó Jesus encontrou um homem e mudou a sua vida; seu nome era Zaqueu.

Zaqueu é derivado da palavra “Zakchaios”, um nome hebraico que quer dizer puro, justo. Havia algo de estranho: “Zaqueu”, que significava “justo”, era um coletor de impostos e os coletores de impostos eram odiados pelos judeus, os compatriotas de Jesus. Os judeus viam os coletores de impostos como grandes traidores, uma vez que eles trabalhavam para o Império Romano. Eram vistos como alguém que roubava o seu próprio povo

Assim, Zaqueu, não tinha nenhum valor para os judeus. E para piorar ainda mais a situação Zaqueu, era de baixa estatura. Mas, ele queria muito ver Jesus. E enquanto jesus passava, toda aquela multidão à frente de Zaqueu o impedia de ver Jesus.

Ele tinha duas opções: desistir de ver Jesus ou tentar encontrar uma maneira diferente para vê-Lo. Ele homem optou pela segunda. Zaqueu “correu adiante” e subiu em uma árvore.

E chegou o momento tão esperado por Zaqueu: seu encontro com Jesus. Zaqueu, por assim dizer, estava pendurado em uma árvore. Jesus parou; olhou para Zaqueu; e deu atenção para aquele homem. O mais interessante é que Jesus já sabia o nome de Zaqueu sem que ninguém tivesse lhe informado. Ao levantar os olhos e enxergar Zaqueu, Ele disse: “Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa” (Lc 19,5).

Jesus conhecia o nome daquele homem, mas não apenas o nome, sobretudo conhecia o coração dele; o conhecia por inteiro. E é assim conosco também: podemos até passar despercebidos aos olhos do mundo, contudo, não passamos despercebidos aos olhos de Jesus.

Jesus já sabia o nome de Zaqueu e, além disso, disse àquele homem que ficaria em sua casa. Jesus mesmo se convidou. Esse não era um gesto qualquer, era sinal de intimidade. Ao se “convidar” para ficar na casa de Zaqueu, no fundo era Jesus quem estava convidando Zaqueu a adentrar e permanecer na Sua casa, no Seu coração. Permanecer no coração de Jesus é permanecer em intimidade com Ele.

Provavelmente Zaqueu levou um grande susto! E ele deve ter se perguntado: “como Jesus, sendo judeu, poderia entrar na casa de um pecador como eu?”. Isso mudou a vida de Zaqueu, pois se sentiu amado e acolhido, aceito e perdoado por seus erros.

No mesmo instante, Zaqueu se colocou de pé diante do Senhor, e disse-Lhe: “Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo” (cf. Lc 19,8). Certamente, a vida daquele homem não mais foi a mesma. É impossível encontrar-se com o Senhor e permanecer da mesma maneira.

Zaqueu desejou muito encontrar-se com Jesus e conseguiu. E o encontro com Jesus não é um privilégio apenas de Zaqueu, você também pode encontrá-Lo. Jesus está falando diretamente para nós que quer entrar em nosso coração.

Fonte: Reflexões Bíblicas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

COMO SER UMA PESSOA SANTA, HOJE?


No dia 01 de novembro os católicos celebram a festa de todos os santos. Mas, o que é ser santo? É possível eu e você sermos pessoas santas, hoje?

Em se tratando da festa de todos os santos tomo a liberdade de dirigir a você, a seguinte pergunta: “cada dia mais santo (a)?” Como seria para você responder-me dizendo: “mais que ontem e menos que amanhã!”?

Ao dizer que está mais santo que ontem e menos que amanhã você estará se reportando a um processo. De fato, a santidade é um processo, uma caminhada de busca da vontade de Deus. Ao afirmar que a santidade é um processo estamos dizendo que a santidade acontece a cada dia, a cada instante, em cada ato, de forma lenta e gradual. A cada dia o cristão é chamado a ser mais santo, isto é, a fazer a vontade de Deus através das pequenas e grandes coisas, dos pequenos e grandes gestos, desejando e esforçando-se para amar a todos que se encontram à sua volta.

É bom lembrar que a santidade é projeto de Deus para todos. São Paulo, na carta aos Efésios diz que antes da criação do mundo, Deus Pai nos escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis (cf. Ef 1,3-4). São Pedro, em sua primeira carta nos exorta dizendo “a exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações [...]” (1Pd 1,15).

O Concílio Vaticano II reforça a ideia de que todos são chamados à santidade: “[...] todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (LG 31), o texto conciliar diz também que todos são chamados a viver a santidade como plenitude da vida cristã e perfeição da caridade (cf. LG 101,102). Segundo o Concílio viver a santidade à perfeição da caridade é promover “na sociedade terrestre um modo mais humano de viver” (LG 102). Portanto, eu e você também somos chamados a sermos pessoas santas e a promover a construção de uma sociedade mais justa, humana e humanizadora.

O mundo atual precisa urgentemente de santos. Segundo o Papa João Paulo II precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte. Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros. No dizer do papa "precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos". Você topa essa parada?

Em 20 de novembro de 2014, na audiência geral, o Papa Francisco afirmou que “para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra”.

Na festa de José, no dia 19 de março de 2018, o Papa Francisco lançou a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual. Assim afirma Francisco: “[...) o que quero recordar com esta Exortação é sobretudo a chamada à santidade que o Senhor faz a cada um de nós, a chamada que dirige também a ti [...]” (GE, n. 10). Mais adiante o papa enfatiza que todos somos chamados à santidade, ao dizer que “Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. [...]
Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra” (GE, n. 14).

Quando o ser humano se coloca no processo de busca e de prática da vontade de Deus está trilhando o caminho da felicidade. Santidade e felicidade andam juntas, são amigas inseparáveis. Estou convicto de que a santidade é a condição para uma felicidade plena. Todos podem ter momentos felizes, mas só as pessoas santas são felizes plenamente. Vamos ser mais santos?

Com ternura.

Autor: Denilson Aparecido Rossi.
(Teólogo, Filósofo, Professor e Palestrante).