segunda-feira, 13 de julho de 2020

NOVO DIRETÓRIO CATEQUÉTICO: O QUE MUDOU...


Anúncio e evangelização, catequese e Querigma

Cá estamos nós, ansiosas e ansiosos para ver o novo “Diretório Catequético” da Santa Sé. Com relação ao que vem de “novo”, os catequistas precisam conhecer o “velho” para que se faça uma comparação, pelo que sabemos, algo fora da realidade. Os catequistas não costumam estudar os documentos da Igreja. A maioria dos nossos catequistas nem sequer conhece o Diretório Nacional de Catequese lançado em 2006. Mas, fato é, que a realidade contemporânea, com tamanha velocidade de comunicação e informações, se sobrepõe ao longínquo 2006 e ainda mais a 1997, data da publicação do diretório anterior. Nunca se viu, em minha opinião, tamanho interesse dos catequistas pelo lançamento de um documento.

Penso que, primeiramente, este interesse vem do fato de que é um documento “da catequese”. Poucas vezes a Igreja publica documentos específicos relativos à evangelização e catequese. Claro que existem documentos a respeito, mas, desta vez é um “livro”, com mais de 250 páginas. E são 23 anos da última publicação com orientações específicas para a catequese. Outra coisa é a curiosidade: nossos catequistas são curiosos. Bom que o sejam porque isso favorece a formação. Uma pena é que a grande maioria desconheça que documento é esse e o porquê da sua publicação. Mas, graças a Deus pela internet e comunicação pelas redes sociais! Inúmeras “lives” e cursos já estão aí, disponíveis para quem quer saber do que se trata.

Importante salientar que, de modo algum, se deve desprezar o conhecimento da “história” da nossa catequese e da evangelização pós concílio Vaticano II. E que, antes de conhecer o “novo”, se saiba do que se tratava o “velho”. E nem é preciso se dedicar a leitura do DGC de 1997. Pode-se conhecê-lo por meio do DNC – Diretório Nacional de Catequese, documento 84 da CNBB, que é uma adaptação do DGC à nossa catequese brasileira. Que se encontra em vigor, até que se faça outro.

Mas, devagar vamos nos adaptar ao novo - sem saber muito do velho – e aproveitar a riqueza que este Diretório nos traz. O capítulo II do Diretório nos traz a IDENTIDADE DA CATEQUESE, ou seja, o que é a catequese e a que ela se propõe: 

1. Natureza da catequese (n. 55-65): A catequese é um ato de natureza eclesial, que nasce do mandado missionário do Senhor (Mt 28,19-20) e que está orientada, como seu nome indica, a fazer ressoar continuamente o anúncio de sua Páscoa no coração de cada pessoa, para que sua vida seja transformada. Uma realidade dinâmica e complexa a serviço da Palavra de Deus, a catequese acompanha, educa e forma na fé e para a fé, introduz à celebração do Mistério, ilumina e interpreta a vida e a história humanas. Integrando harmoniosamente essas características, a catequese expressa a riqueza de sua essência e oferece sua contribuição específica para a missão pastoral da Igreja. (DC, 55). (Grifos nossos)

 Novamente temos aqui a definição de que a catequese é de natureza Eclesial e, portanto, uma ação da Igreja, que desde sua origem tem como missão o anúncio da Palavra e do Reino. Como ações verbais, a catequese deve: acompanhar, educar,  formar, introduzir, iluminar e interpretar a vida, e, portanto, o que se vive na Igreja e no mundo, de forma a conduzir o catequizando a uma vida plena.

Logo em seguida o Diretório nos traz uma mudança a respeito das etapas da evangelização. Mudança muito importante, pois trata-se da visão da realidade em que vivemos. Já não temos mais um “anúncio” feito pela família, no caso de crianças e jovens; e muito menos um anúncio por parte dos batizados, na sua vida em sociedade.

 A catequese, etapa privilegiada do processo de evangelização, é geralmente voltada para pessoas que já receberam o primeiro anúncio, e em cujo íntimo ela promove os processos de iniciação, crescimento e amadurecimento na fé. É verdade, porém, que, embora seja útil a distinção conceitual entre pré-evangelização, primeiro anúncio, catequese, formação permanente, no contexto atual não é mais possível marcar tal diferença. De fato, por um lado, aqueles que hoje pedem ou já receberam a graça dos sacramentos muitas vezes não têm uma experiência explícita de fé ou não conhecem intimamente sua força e calor; por outro lado, um anúncio formal que se limita à crua enunciação dos conceitos de fé não permite uma compreensão da própria fé, que é, em vez disso, um novo horizonte de vida que se revela, a partir do encontro com o Senhor Jesus.  (DC 56). (Grifo nosso).

O parágrafo acima marca uma realidade já vista pelos catequistas, que não encontram seus catequizandos “querigmatados” para receber os ensinos da fé. Por “querigmatados” queremos dizer já preparados com a primeira etapa da evangelização, que era o “primeiro anúncio”. Nos próximos parágrafos o documento esclarece a “Íntima relação entre querigma e catequese:

 

Essa exigência, à qual a Igreja deve responder nos tempos atuais, evidencia a necessidade de uma catequese que coerentemente possa ser chamada querigmática, ou seja, uma catequese que é um “aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, [fazendo-se] carne” (EG, n. 165). A catequese, que nem sempre pode ser distinguida do primeiro anúncio, é chamada a ser primeiramente um anúncio da fé, e não deve delegar a outras ações eclesiais a missão de ajudar a descobrir a beleza do Evangelho. É importante que, precisamente através da catequese, cada pessoa descubra que vale a pena crer. Dessa forma, ela não mais se limita a ser um mero momento de crescimento mais harmonioso da fé, mas contribui para gerar a própria fé, permitindo descobrir sua grandeza e credibilidade. O anúncio não pode mais ser considerado simplesmente a primeira etapa da fé, prévia à catequese, mas sim a dimensão constitutiva de cada momento da catequese. (DC 57). (Grifo nosso)

 

Aqui observa-se que uma catequese “querigmática” se faz necessária no mundo de hoje. Mas, o catequista vai se perguntar: Como se faz uma catequese querigmática? O querigma, por mais que a literatura atual tenha se debruçado sobre o conceito, ainda é meio nebuloso para o catequista, que muitas vezes encontra dificuldade para explicitar o seu próprio “primeiro anúncio”.

 

O querigma, “fogo do Espírito que se dá sob a forma de línguas e nos faz crer em Jesus Cristo, que, com a sua morte e ressurreição, nos revela e comunica a misericórdia infinita do Pai” (EG, n. 164), é simultaneamente um ato de anúncio e o conteúdo mesmo do anúncio, que revela e faz presente o Evangelho. No querigma, o sujeito que age é o Senhor Jesus que se manifesta no testemunho daqueles que o anunciam; a vida da testemunha que experimentou a salvação torna-se, portanto, o que toca e move o interlocutor. No Novo Testamento estão presentes diversas formulações do querigma que respondem às várias compreensões da salvação, que ressoa com acentos particulares nas diferentes culturas e por diferentes pessoas. Da mesma forma, a Igreja deve ser capaz de encarnar o querigma para as exigências de seus contemporâneos, favorecendo e encorajando que nos lábios dos catequistas (Rm 10,8-10), a partir da plenitude de seu coração (Mt 12,34), em uma recíproca dinâmica de escuta e diálogo (Lc 24,13-35), floresçam anúncios críveis, confissões de fé vitais, novos hinos cristológicos para anunciar a Boa Notícia: “Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar” (EG, n. 164). (DC 58) (Grifo nosso).

Aí está: “para que nossa lábios do catequista (...) floresçam anúncios críveis, confissões de fé vitais, novos hinos a Cristo para anunciar a boa notícia”. Volta-se aqui, ao “ser” do catequista e a sua própria formação como anunciador do Reino.

O Diretório destaca as formulações feitas nos Evangelhos a respeito do “Querigma”: dentre as inúmeras fórmulas do querigma, veja-se, a título de exemplo: “Jesus, Filho de Deus, o Emanuel, o Deus conosco” (Mt 1,23); “está próximo o Reino de Deus. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15); “De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16); “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10); “Por toda a parte, ele [Jesus de Nazaré] andou fazendo o bem, e curando a todos” (At 10,38); “Jesus, nosso Senhor, (...) ressuscitado para nossa justificação” (Rm 4,24-25); “Jesus é Senhor” (1Cor 12,3); “Cristo morreu pelos nossos pecados” (1Cor 15,3); “Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Urge que o catequista tenha recebido o querigma, ou seja, acredite nas expressões aqui selecionadas e crie os seus próprios “hinos cristológicos” para anunciar a fé em Jesus Cristo.

Nos itens subsequentes o Diretório pede que a catequese coloque o anúncio como “conteúdo” daquilo a que se propõe:

 

Dessa centralidade do querigma para o anúncio, derivam alguns esclarecimentos também para a catequese: que “exprima o amor salvífico de Deus como prévio à obrigação moral e religiosa, que não imponha a verdade mas faça apelo à liberdade, que seja pautado pela alegria, pelo estímulo, pela vitalidade e por uma integralidade harmoniosa que não reduza a pregação a poucas doutrinas, por vezes mais filosóficas que evangélicas” (EG, n. 165). Os elementos que a catequese como eco de querigma é convidada a valorizar são: o caráter da proposta; a qualidade narrativa, afetiva e existencial; a dimensão de testemunho da fé; a atitude relacional; a ênfase salvífica. Com efeito, tudo isso interroga a própria Igreja, chamada primeiramente a redescobrir o Evangelho que anuncia: o novo anúncio do Evangelho pede à Igreja uma renovada escuta do Evangelho, junto com seus interlocutores. (DC 59) (Grifo nosso)

 Derruba-se  aqui, definitivamente, a proposta da catequese como ensino de doutrina, sem que os ecos do querigma levem a uma análise mais profunda da proposta salvífica como expressão de uma realidade social em crise.

 

Uma vez que “o querigma possui um conteúdo inevitavelmente social” (EG, n. 177), é importante que esteja explícita a dimensão social da evangelização de modo que seja possível encontrar a sua abertura em toda a existência. Isso significa que a eficácia da catequese é visível não somente por meio do anúncio direto da Páscoa do Senhor, mas também mostrando como a nova visão da vida, do ser humano, da justiça, da vida social e do universo inteiro emerge da fé, também mediante a realização de sinais concretos. Por essa razão, a apresentação da luz com a qual o Evangelho ilumina a sociedade não é um segundo momento cronologicamente distinto do anúncio da própria fé. A catequese é um anúncio da fé que não pode outra coisa senão se relacionar, mesmo que em semente, com todas as dimensões da vida humana. (DC 60). (Grifo nosso)

O mundo vive uma realidade muito além das propostas que se tem de uma catequese voltada para o interior da Igreja, que não olha a realidade de uma sociedade carente de justiça e igualdade. As propostas de Jesus continuam atuais hoje, por mais que milênios tenham se passado. O ser humano ainda é o foco de anúncio de que, uma nova realidade se faz necessária. E este anúncio só é possível se o coração do catequista for tocado e se ele próprio estiver “convertido” e abraçado a causa.

 Catequistas em Formação

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FONTE:

Diretório catequético, Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Vaticano: 2020. Documentos da Igreja nº 61, CNBB: Brasília, 2020.

** ACOMPANHE NOVAS ANÁLISES DO NOVO “DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE" – 2020, EM NOSSAS PUBLICAÇÕES FUTURAS.


terça-feira, 7 de julho de 2020

FORMAÇÃO ONLINE – CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO: DNC (FORMATURA)

FORMAÇÃO ONLINE – CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

DNC- Diretório Nacional de Catequese – Doc. 84 CNBB: Conheça mais!

 

“Qualquer atividade pastoral que não conte, para a sua realização, com pessoas realmente formadas e preparadas coloca em risco a sua qualidade”.

(DGC 234; cf. CDC 773 a 780). (DNC 252)

 

CONVITE

Somos eternos aprendizes e a na nossa jornada sempre contamos com a presença de um Anjo amigo que nos estende as mãos e nos impulsiona a seguir em frente. Com esse pensamento, queremos compartilhar com você a nossa alegria em estarmos concluindo mais uma etapa na nossa formação: Grupo de Estudo do Diretório Nacional de Catequese Turmas 1 e 2.

Foram dias de muitas dificuldades, mas com determinação e coragem, conseguimos concluir esta etapa tão importante para nossa caminhada.

Data: 07/07/2020

Horário: 20hs

Local:  Salão Nobre do Grupo Catequistas em Formação.

https://www.facebook.com/groups/catequistasemformacao/

(Somente membros podem acessar)

Sua presença abrilhantará ainda mais esse momento.

Nossa gratidão à Mestre Ângela Rocha por mais essa oportunidade.

É com muita alegria que comunicamos que os CATEQUISTAS abaixo, encerraram, com "louvor", nosso Curso Online: DNC- Diretório Nacional de Catequese – Doc. 84 CNBB: Conheça mais!

 PRIMEIRA TURMA – Abril 2020

01     Abigail Martins Oliveira

02     Ana Cláudia Graim Mendonça

03     Clélia de Souza Kaneda

04     Eunice Edite dos Santos

05     Gleides Gomes de Oliveira Pacheco

06     Glória Santos

07     Josenilda da Silva Rodrigues

08     Lucilene de Souza Matos Melo

09     Maria Tereza de Santana Tripiana

10     Meire Joca da Silva Gonçalves

11     Nelita Onilia Pegoraro Schneider

12     Rita Aparecida Borges Ferreira Melo

13     Sabrina Pedrotti de Oliveira

14     Sandra de Souza Schuincki


 SEGUNDA TURMA – Junho 2020

01     Adriana Aparecida Bragion de Araújo

02     Adriana Cristina Alves

03     Andrea Saggioro Barbosa

04     Andreia da Silva Duarte

05     Ana Claudia Quaglio

06     Anette Cristine de Araújo Alberti

07     Maria Cátia Brito da Costa

08     Clarice Amorim Garcia

09     Ediana Belucio Bernini

10     Elaine Aparecida de Castro

11     Etevânia Maria da Silva

12     Fabiana Aparecida Furco F. Vendrusculo

13     Fabiana F. Borges dos Santos

14     Fátima Regina Meira

15     Florismar Roque Silva.

16     Glauci Dias de Araújo

17     Gisiele B. Ferreira Simão

18     Helen Cassia Silva de Melo

19     Iandra Aparecida Rodrigues dos Santos

20     Jussiane Merquides de S. Santos

21     Maria Gorete da Silva Aquino

22     Maria Inês Monteiro M. F.Seridorio

23     Miracy Fátima Mota Queiroz

24     Nelci Somavilla   

25     Nísia  Casagrande F. Angelini 

26     Suzana Lossurdo Cardoso

27     Silvana Domingos da Silva

28     Valéria Freitas Lopes

29     Vanessa Andrade Porfírio Silva

33     Viviane Cristina Martins

31     Wagner Campos Mendes


Obrigada a todos pela participação e pela determinação em colocar o “Saber Fazer” como um ideal do CATEQUISTA!

 

Grupo Catequistas em Formação



quarta-feira, 1 de julho de 2020

NOVO DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE!


Aproveite a promoção de pré-lançamento do novo Diretório para a Catequese!

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quinta-feira, 25 de junho de 2020

COMO O CORONA VÍRUS VAI MUDAR NOSSAS VIDAS


Consumir por consumir sai de moda, morar perto do trabalho, atuar mais no coletivo com colegas de empresas, ou vizinhos do bairro. A Covid-19 vai rever valores e mudar hábitos da sociedade.

DEZ TENDÊNCIAS PARA O MUNDO PÓS-PANDEMIA

A Covid-19 mudou nossas vidas. Não estou falando aqui simplesmente da alteração da rotina nesses dias de isolamento, em que não podemos mais fazer caminhadas no parque ou ir aos nossos bares e restaurantes preferidos. Sim, tudo isso mudou nosso cotidiano – e muito! Mas o meu convite para você é para pensarmos nas mudanças mais profundas, naquelas transformações que devem moldar a realidade à nossa volta e, claro, as nossas vidas depois que o novo baixar a bola. Por isso talvez seja melhor mudar o tempo verbal da frase que abre este texto e dizer que o corona vírus vai mudar as nossas vidas. Mas como? Que cenários prováveis já começam a emergir e devem se impor no mundo pós-pandemia?

O mundo pós-pandemia será diferente

Entender que mundo novo é esse é importante para nos prepararmos para o que vem por aí. Porque uma coisa é certa: o mundo não será como antes, conforme nos alertou o biólogo Átila Iamarino.

“O mundo mudou, e aquele mundo (de antes do corona vírus) não existe mais. A nossa vida vai mudar muito daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade”, disse nesta entrevista para a BBC Brasil. Átila, que é doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale. “Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, a gente está tendo que implementar no susto, em questão de meses", diz ele.

Pandemia marca o fim do século 20

Ainda nessa linha, havia uma visão entre especialistas de que faltava um símbolo para o fim do século 20, uma época altamente marcada pela tecnologia. E esse marco é a pandemia do corona vírus, segundo a historiadora e antropóloga Lilia Schwaecz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, nos EUA, em entrevista ao Universa. “[O historiador britânico Eric] Hobsbawm disse que o longo século 19 só terminou depois da 1ª Guerra Mundial [1914-1918]. Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo. Ele tem razão, o longo século 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experiência do luto, mas também o que significou sobre a capacidade destrutiva. Acho que essa nossa pandemia marca o final do século 20, que foi o século da tecnologia. Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites”, diz Lilia.

Corona vírus, um acelerador de futuros

Vários futuristas internacionais dizem que o corona vírus funciona como um acelerador de futuros. A pandemia antecipa mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto, a educação a distância, a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais responsáveis do ponto de vista social.

Outras mudanças estavam mais embrionárias e talvez não fossem tão perceptíveis ainda, mas agora ganham novo sentido diante da revisão de valores provocada por uma crise sanitária sem precedentes para a nossa geração. Como exemplos, podemos citar o fortalecimento de valores como solidariedade e empatia, assim como o questionamento do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro a qualquer custo.

A vida depois do vírus será diferente”, disse ao site Newsday a futurista Amy Webb, professora da Escola de Negócios da Universidade de Nova York. “Temos uma escolha a fazer: queremos confrontar crenças e fazer mudanças significativas para o futuro ou simplesmente preservar o status quo?

Efeitos do corona vírus devem durar quase dois anos

As transformações são inúmeras e passam pela política, economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura, psicologia social e a relação com a cidade e o espaço público, entre outras coisas.

O ponto de partida é ter consciência de que os efeitos da pandemia devem durar quase dois anos, pois a Organização Mundial de saúde calcula que sejam necessários pelo menos 18 meses para haver uma vacina contra o vírus. Isso significa que os países devem alternar períodos de abertura e isolamento durante esse período.

Diante dessa perspectiva, como ficam as atividades de lazer, cultura, gastronomia e entretenimento no centro e em toda a cidade durante esse período? O que mudará depois? São questões ainda em aberto, mas há sinais que nos permitem algumas reflexões.

Para entender essas e outras questões e identificar os prováveis cenários, procurei saber que tendências os futuristas, pesquisadores e bureaus de pesquisas nacionais e internacionais estão traçando para o mundo pós-pandêmico. A partir dessas leituras e de um olhar para as questões que dizem respeito ao centro de São Paulo e à vida urbana em geral, fiz uma lista com algumas dessas tendências, que você pode ler a seguir.

Confira as 10 tendências para o mundo pós-pandemia

1. Revisão de crenças e valores

A crise de saúde pública é definida por alguns pesquisadores como um reset, uma espécie de divisor de águas capaz de provocar mudanças profundas no comportamento das pessoas. “Uma crise como essa pode mudar valores”, diz Pete Lunn, chefe da unidade de pesquisa comportamental da Trinity College Dublin, em entrevista ao Newaday.

“As crises obrigam as comunidades a se unirem e trabalharem mais como equipes, seja nos bairros, entre funcionários de empresas, seja o que for... E isso pode afetar os valores daqueles que vivem nesse período —assim como ocorre com as gerações que viveram guerras”.

Já estamos começando a ver esses sinais no Brasil - e no centro de São Paulo, com vários exemplos de pessoas que se unem para ajudar idosos, por exemplo.

2. Menos é mais

A crise financeira decorrente da pandemia por si só será um motivo para que as pessoas economizem mais e revejam seus hábitos de consumo. Como diz o Copenhagen Institute for Futures Studies, a ideia de “menos é mais” vai guiar os consumidores daqui para frente.

Mas a falta de dinheiro no momento não será o único motivo. As pessoas devem rever sua relação com o consumo, reforçando um movimento que já vinha acontecendo. “Consumir por consumir saiu de ‘moda’”, escreve no site O futuro das Coisa, Sabina Deweik, mestre em comunicação semiótica pela PUC e pesquisadora de comportamento e tendências.

O outro lado desse processo é um questionamento maior do modelo de capitalismo baseado pura e simplesmente na maximização dos lucros para os acionistas. “O Corona vírus trouxe para o contexto dos negócios e para o contexto pessoal a necessidade de revisitar as prioridades. O que antes em uma organização gerava resultados financeiros, persuadindo, incentivando o consumo, aumentando a produção e as vendas, hoje não funciona mais”, diz Sabina.

Hoje, faz-se necessário pensar no valor concedido às pessoas, no impacto ambiental, na geração de um impacto positivo na sociedade ou no engajamento com uma causa. Faz-se necessário olhar definitivamente com confiança para os colaboradores já que o home office deixou de ser uma alternativa para ser uma necessidade. Faz-se necessário repensar a sociedade do consumo e refletir o que é essencial.”

3. Reconfiguração dos espaços do comércio

A pandemia vai acentuar o medo e a ansiedade das pessoas e estimular novos hábitos. Assim, os cuidados com a saúde e o bem-estar, que estarão em alta, devem se estender aos locais públicos, especialmente os fechados, pois o receio de locais com aglomeração deve permanecer.

“Quando as pessoas voltarem a frequentar espaços públicos, depois do fim das restrições, as empresas devem investir em estratégias para engajar os consumidores de modo profundo, criando locais que tragam a eles a sensação de estar em casa”, diz um relatório da WGSN, um dos maiores bureaus de pesquisas de tendências do mundo.

Eis um ponto de atenção para bares, restaurantes, cafeterias, academias e coworkings, que devem redesenhar seus espaços para reduzir a aglomeração e facilitar o acesso a produtos de higiene, como álcool em gel. Os espaços compartilhados, como coworkings, têm um grande desafio nesse novo cenário.

4. Novos modelos de negócios para restaurantes

Uma das dez tendências apontadas pelo futurista Rohit Bhatgava é o que ele chama de “restaurantes fantasmas”, termo usado para descrever os estabelecimentos que funcionam só com delivery. Como a possibilidade de novas ondas da pandemia num futuro próximo, o setor de restaurantes deve ficar atento a mudanças no seu modelo de negócios, e o serviço de entrega vai continuar em alta e pode se tornar a principal fonte de receita em muitos casos.

5. Experiências culturais imersivas

Como resposta ao isolamento social, os artistas e produtores culturais passaram a apostar em shows e espetáculos online, assim como os tours virtuais a museus ganharam mais destaque. Esse comportamento deve evoluir para o que se pode chamar de experiências culturais imersivas, que tentam conectar o real com o virtual a partir do uso de tecnologias que já estão por aí, mas que devem se disseminar, como a realidade aumentada e virtual, assistentes virtuais e máquinas inteligentes.

De acordo com o estudo Hype Cycle, da consultoria internacional Gartner, as experiências imersivas são uma das três grandes tendências da tecnologia. Destacamos aqui a área cultural, mas isso também se estende a outros setores, como esportes, viagens a varejo, conforme indica o relatório A Post-Corona World, produzido pela Trend Watching, plataforma global de tendências.

6. Trabalho remoto

O home office já era uma realidade para muita gente, de freelancers e profissionais liberais a funcionários de companhias que já adotavam o modelo. Mas essa modalidade vai crescer ainda mais. Com a pandemia, mais empresas - de diferentes portes - passaram a se organizar para trabalhar com esse modelo. Além disso, o trabalho remoto evita a necessidade de estar em espaços com grande aglomeração, como ônibus e metrôs, especialmente em horários de pico.

7. Morar perto do trabalho

Essa já era uma tendência, e morar no centro de São Paulo se tornou um objeto de desejo para muitas pessoas justamente por conta disso, entre outros motivos. Mas, com o receio de novas ondas de contágio, morar perto do trabalho, a ponto de ir a pé e não usar transporte público, deve se tornar um ativo ainda mais valorizado.

8. Shopstreaming

Com o isolamento social, as lives explodiram, principalmente no Instagram. As vendas pela Internet também, passando a ser uma opção também para lojas que até então se valiam apenas do local físico. Pois pense na junção das coisas: o shopstreaming é isso. Uma versão Instagram do antigo ShopTime.

9. Busca por novos conhecimentos

Num mundo em constante e rápida transformação, atualizar seus conhecimentos é questão de sobrevivência no mercado (além de ser um prazer, né?). Mas a era de incertezas aberta pela pandemia aguçou esse sentimento nas pessoas, que passam, nesse primeiro momento, a ter mais contato com cursos online com o objetivo de aprender coisas novas, se divertir e/ou se preparar para o mundo pós-pandemia. Afinal, muitos empregos estão sendo fechados, algumas atividades perdem espaço enquanto outros serviços ganham mercado.

10. Educação a distância

Se a busca por conhecimentos está em alta, o canal para isso daqui para frente será a educação a distância, cuja expansão vai se acelerar. Neste contexto, uma nova figura deve entrar em cena: os mentores virtuais. A Trend Watching aposta que devem surgir novas plataformas ou serviços que conectam mentores e professores a pessoas que querem aprender sobre diferentes assuntos.

Clayton Melo - jornalista e analista de tendências do Jornal El País.




segunda-feira, 22 de junho de 2020

QUAL É O "JEITO" DE SE FAZER CATEQUESE?



Os métodos na catequese

“Não se trata tanto de um método (Interação fé e vida), quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese.”

Por que precisamos deste ou daquele método na catequese? Encontramos esta resposta no item 152 do DNC, onde a catequese é descrita como um processo educativo e faz-se referência aos métodos a serem seguidos.

Um bom Itinerário sempre indica os métodos a seguir. O itinerário catequético é o “mapa do caminho”, e este deve conter as instruções da caminhada, a direção a seguir e o como caminhar. Logo, é necessária uma metodologia, mostrar um “jeito” de fazer e de abordar conteúdos e ensinamentos.

O método da catequese é fundamentalmente o caminho do seguimento* de Jesus. A Catequese Renovada coloca como base e referência para a pedagogia da fé o princípio metodológico da Interação Fé e Vida.

* Citações dos Evangelhos:

“Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mc 8, 34).

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24).

Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. (Lc 9,23).

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14,6).

O princípio metodológico da Interação Fé e Vida, assim é descrito:

“Na catequese realiza-se uma interação (= um relacionamento mútuo e eficaz) entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado da Tradição. De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a formulação da fé é busca e explicitação das respostas a essas perguntas. De um lado, a fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com Ele; de outro, a experiência humana é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo. Essa confrontação entre a formulação da fé e as experiências de vida possibilita uma formação cristã mais consciente, coerente e generosa. Não se trata tanto de um método, quanto de um princípio metodológico, que perpassa todo conteúdo da catequese. O uso de um bom método garante a fidelidade ao conteúdo. (DNC 152)

Assim, já não se faz mais catequese como se fazia antes, com planos de “aula” bem traçados ao método escolar. Agora é preciso “transformar” e de maneira “evangélica” as atividades catequéticas. A vida e a experiência do catequizando, a sua intimidade com Deus, acrescenta-se ao seu aprendizado das Sagradas Escrituras, a sua vivência litúrgica e orante.

O método ver- iluminar-agir-celebrar-rever  (DNC 115 a 162)

O método “ver, Julgar, Agir”, por experiência e tradição pastoral latino americana, tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo.

O método foi criado pelo cardeal Joseph Cardijn, fundador do movimento da Juventude Operária Cristã. O Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961. Mas, aqui no Brasil e na América latina ele ganhou corpo depois da Conferência de Medellin em 1968.

Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.

VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos...

É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.

ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.

AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.

REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.

O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.

O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo.

Além desses métodos, a catequese conta ainda com a contribuição de ciências em sua prática: pedagogia, filosofia, psicologia, ciências sociais, comunicação, etc.

FONTE:

CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC, DOCUMENTO 84. Itens 152 a 162. Brasília: Edições CNBB, 2006.