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domingo, 7 de setembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO 07 DE SETEMBRO DE 2025

 


07 DE SETEMBRO DE 2025.
Evangelho do Domingo: O Caminho do Discípulo
Evangelho: Lucas 14,25-33


– Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor

Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31 Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”. Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Hoje, no 23º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos apresenta um discurso de Jesus que pode parecer duro à primeira vista: “Quem não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Essas palavras nos convidam a refletir sobre o verdadeiro significado de seguir a Cristo.

O que significa "renunciar a tudo"?

Jesus não está pedindo que abandonemos literalmente nossas famílias ou bens materiais. O que Ele nos convida é a colocar tudo em perspectiva, reconhecendo que nada deve ocupar o lugar central em nosso coração, a não ser Ele. É um chamado a viver com desapego, colocando o Reino de Deus acima de tudo.

Jesus utiliza duas parábolas para ilustrar a necessidade de planejamento: a do construtor que calcula os custos antes de iniciar uma obra e a do rei que avalia suas forças antes de ir à guerra. Essas imagens nos ensinam que seguir a Cristo exige discernimento e compromisso. Não se trata de uma decisão impulsiva, mas de uma escolha consciente e deliberada.

Para nós, discípulos de hoje, isso significa avaliar nossas prioridades. Estamos dispostos a colocar Cristo no centro de nossas vidas? Estamos prontos para carregar nossa cruz diária, seja ela qual for? Essas questões nos desafiam a viver nossa fé de maneira autêntica e comprometida.

Que neste domingo, possamos refletir sobre o verdadeiro custo de seguir a Jesus e renovar nosso compromisso com Ele, colocando-O no centro de nossas vidas.






domingo, 17 de agosto de 2025

EVANGELHO DOMINICAL: O FOGO QUE JESUS VEIO TRAZER

20º Domingo do Tempo Comum – Ano C
17 de agosto de 2025
Evangelho: Lucas 12, 49-53 - O fogo que Jesus veio trazer

Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que já estivesse aceso! Tenho de receber um batismo, e como estou angustiado até que se realize! Pensais que eu tenha vindo trazer a paz sobre a terra? Não, eu vos digo, mas sim a divisão. Pois, doravante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; estarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.” Palavra de salvação.

(Bíblia de Jerusalém)

Reflexão

Este é um Evangelho que causa desconforto à primeira vista. Jesus, o Príncipe da Paz, declara que veio trazer fogo, divisão, conflito… Como entender essa mensagem?

Jesus está falando do fogo do Espírito Santo, aquele que purifica, transforma e inflama o coração dos que decidem segui-Lo de verdade. Ele está dizendo que o Evangelho é exigente e que nem todos estarão dispostos a aceitá-lo. Por isso, surgem divisões, inclusive dentro das famílias.

Ser cristão não é buscar uma vida tranquila e sem confronto, mas uma vida coerente com o Evangelho. Essa coerência muitas vezes nos coloca em choque com os valores do mundo. É isso que Jesus está nos alertando: o discipulado exige coragem, postura, fidelidade… até quando isso nos custa.

Aplicação para a catequese / vida

  • Como cristãos, muitas vezes teremos que nos posicionar com firmeza: dizer “não” à injustiça, à mentira, à corrupção, mesmo que isso nos afaste de certas amizades ou do “grupo”.
  • É preciso viver com autenticidade a fé, mesmo quando isso parecer estranho ou impopular.
  • O fogo que Jesus veio trazer é transformador – ele queima o que é superficial e acende em nós a paixão pelo bem, pela justiça, pela verdade.

Sugestão de gesto/compromisso

Durante a semana, pense em uma situação em que você precisa ser firme na sua fé. Pode ser uma escolha, um comportamento ou um posicionamento. Coragem: Jesus está contigo!

Ângela Rocha - Catequista e formadora



sábado, 9 de dezembro de 2023

ANDAR NA CONTRAMÃO - Mc 1, 1-8

Frei Carlos Mesters dizia que pertencer ao Reino de Deus, para a Comunidade de Marcos, era viver na contramão. À luz dessa compreensão vamos caminhar com este texto.

1. Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus

Andar na contramão é trazer a boa notícia de que o povo de Deus não é composto dos judeus ricos, mas de todo pobre, de qualquer lugar, que reconhece que o Filho de Deus é Jesus de Nazareth e não o imperador de Roma.

2. Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. 3 Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Andar na contramão era ler as Escrituras de modo diferente dos doutores da Lei, Deus falava pela boca de João Batista e não pelos rabinos fariseus.

3. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. 5. E toda a província da Judeia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por João. 6. E João andava vestido de pelos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.

Quando o tempo chega, as multidões são capazes de correr o mundo para refrescar a alma. Andar na contramão é não fazer nenhuma concessão. João Batista não vestia roupas finas e se alimentava de gafanhotos e mel. Não participava dos banquetes dos opressores, em que o prato principal era a cabeça dos profetas. Pela boca de João Deus gritava no deserto que chegou o momento do juízo. A foice de Deus derrubava a maldade pela raiz e queimava a terra para que não sobrasse nenhum broto. Mas as águas sagradas do Jordão poderiam lavar os pecados de quem estivesse disposto a mudar de vida.

4. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. 8. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

Andar na contramão é denunciar e anunciar que o tempo dos pobres chegou. A melhor notícia é a de que Jesus foi trazido pela Brisa Santa para fazer a escuridão virar dia, a doença virar saúde, a tristeza virar alegria. Jesus inventa um novo batismo. O antigo lavava o corpo. O novo, o da Brisa Santa, lava a alma para que chegue o tempo do amor.

Marcos Monteiro
Recife, 02 de dezembro de 2023.
CEBI.ORG

domingo, 17 de setembro de 2023

A GRAÇA DE PODER PERDOAR - REFLEXÃO

 

Mateus 18,15-35: A graça de poder perdoar 

[Mesters, Lopes e Orofino]

Nesta reflexão para o evangelho do domingo, Jesus nos fala da necessidade de perdoar o irmão, a irmã. Não é fácil perdoar, pois certas mágoas continuam machucando o coração. Há pessoas que dizem: “Eu perdoo, mas não esqueço!” Rancor, tensões, brigas, opiniões diferentes, ofensas, provocações dificultam o perdão e a reconciliação.

1  Situando

1. Leremos a segunda parte do Sermão da Comunidade e meditar sobre ela. Veremos os assuntos da correção fraterna (18,15-18), da oração em comum (18,19-20), do perdão (18,21-22) e a parábola do perdão sem limites (18,23-35).

2. A organização das palavras de Jesus em cinco grandes Sermões mostra que, já no fim do primeiro século, as comunidades tinham formas bem concretas de catequese. O Sermão da Comunidade, por exemplo, traz instruções atualizadas de como proceder caso algum conflito surgisse entre os seus membros. Eram como cinco grandes setas no caminho que apontavam o rumo da caminhada e ofereciam critérios concretos para solucionar conflitos.

2  Comentando

1.    Mateus 18,15-18: A correção fraterna e o poder de perdoar

Jesus traz normas simples e concretas de como proceder no caso de algum conflito na comunidade. Se um irmão ou uma irmã pecar, isto é, se tiver um comportamento não de acordo com a vida da comunidade, não se deve logo denunciá-los. Primeiro, procure conversar a sós. Procure saber os motivos do outro. Se não der resultado, leve mais duas ou três pessoas da comunidade, para ver se conseguem algum resultado. Só em caso extremo, deve levar o problema para a comunidade toda. E se a pessoa não quiser escutar a comunidade, que ela seja para você como um publicano ou pagão, isto é, como alguém que já não faz parte da comunidade. Não é você que a está excluindo, mas é a pessoa que se exclui a si mesma.

2.    Mateus 18,19: A oração em comum

Essa exclusão não significa que a pessoa seja abandonada à sua própria sorte. Ela pode estar separada da comunidade, mas não estará separada de Deus. Caso a conversa na comunidade não der resultado, e a pessoa não quiser integrar-se na vida da comunidade, resta o último recurso de rezar juntos ao Pai para conseguir a reconciliação. E Jesus garante que o Pai vai atender.

3.    Mateus 18,20: A presença de Jesus na comunidade

O motivo da certeza de ser ouvido é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles!” Jesus diz que ele é o centro, o eixo, da comunidade e, como tal, junto com a comunidade estará rezando ao Pai, para que conceda o dom do retorno ao irmão ou à irmã que se excluiu.

4.    Mateus 18,21-22: Perdoar setenta vezes sete!

Diante das palavras de Jesus sobre a reconciliação, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?” Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete é sinônimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe. Ele elimina todo e qualquer possível limite para o perdão: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!” Pois não há proporção entre o amor de Deus para conosco e o nosso amor para com o irmão. Jesus conta uma parábola para esclarecer a sua resposta a Pedro.

5.    Mateus 18,23-35: A parábola do perdão sem limite

Dívida de dez mil talentos é 164 toneladas de ouro. Dívida de cem denários é de 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois. Mesmo que o devedor junto com mulher e filhos fosse trabalhar a vida inteira, jamais seria capaz de juntar 164 toneladas de ouro. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente nossa dívida de 164 toneladas de ouro, é nada mais que justo que nós perdoemos ao irmão a dividazinha de 30 gramas de ouro. E atenção! O único limite para a gratuidade da misericórdia de Deus é a nossa incapacidade de perdoar o irmão. (Mt 18,34; 6,15).

3. Alargando

A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade

A sociedade do Império Romano era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. Nas comunidades, o rigor de alguns na observância da Lei levava para a convivência os mesmos critérios injustos da sociedade e da sinagoga. Assim, nas comunidades começaram a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade e na sinagoga entre rico e pobre, dominação e submissão, falar e calar, carisma e poder, homem e mulher, raça e religião. Em vez de a comunidade ser um espaço de acolhimento, tornava-se um lugar de condenação. Juntando palavras de Jesus neste Sermão da Comunidade, Mateus quer iluminar a caminhada dos seguidores e das seguidoras de Jesus, para que as comunidades sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade, devem ser uma boa-nova para os pobres.

 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

A CORREÇÃO FRATERNA (Mt 18,15-20)

CEBI.ORG
Na passagem do evangelho de Mt 18,15-20, Jesus nos convida a refletir sobre quão importante e necessária é a correção fraterna quanto aos conflitos encontrados quando se vive em comunidade. Viver em comunidade tem suas considerações e se colocar nesse papel de “direcionador” também é complexo, Jesus traz para a gente uma forma simples e concreta para atuar nesses momentos. Procure dialogar com a pessoa, saber os motivos, procurar entender e se não der resultado, agregue mais pessoas, a fim de chegar em algum resultado e, se mesmo assim não chegar há um ponto de convergência, será necessário ampliar esta conversa.

Importante ter presente e em mente que quem não se sente comunidade e não acolhe a comunidade, não faz mais parte dela por escolha própria, afinal há necessidade de conviver em paz e harmonicamente, lutando as mesmas lutas e vivendo a mesma esperança.

Vivemos hoje numa grande comunidade chamada planeta terra, sabemos que nem todas as pessoas se sentem parte da mesma comunidade, porém há algo que nos une, a utilização das riquezas naturais e o cuidado com a Biodiversidade. Neste sentido temos que nos colocar como parte fundamental desta comunidade e atuar corrigindo fraternamente todas àquelas que atuam devastando o planeta e proliferando atitudes que prejudicam o coletivo. ‘Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.’ (Salmos 104:24), sabendo que há uma obra de Deus e mesmo assim destruir consciente e inconscientemente está obra, merece uma ação imediata e a depender coletiva para corrigir antes que não haja mais meios de recuperar o que se perdeu.

Jesus também nos lembra que ele sempre estará no nosso meio, “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles!”, isso mostra que Ele se coloca no cerne da comunidade, isso nos traz um conforto para entendermos que não estamos sozinhas e sozinhos nas nossas lutas, estamos sempre acompanhados dessa força que alimenta nossa fé e nos faz cada dia mais firmes e diminui os conflitos daqueles que professam, igualmente, a mesma fé.

Sabemos que hoje tem muita falsa atuação movida por uma fé que não se baseia no amor, pois destrói vidas e acaba com o sentido de comunidade. Mas temos que nos colocar nos sempre como acolhedores dos irmãos e das irmãs que se arrependem e voltam para o nosso convívio, e tenham aceitado e entendido que o melhor caminho é sempre viver me paz e em comunidade, lutando as mesmas lutas, vivendo as mesmas dores e gozando das mesmas vitórias. Não podemos nos esquecer que sempre é tempo de aplicar a correção fraterna e com amor.

Autor: Alex Sandro – CEBI/MT

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-correcao-fraterna-mt-1815-20/ 

sábado, 15 de julho de 2023

O DIVINO SEMEADOR: REFLEXÃO DO EVANGELHO

cebi.org
A passagem do Evangelho de Mateus 13,1-9,18-23, conhecida como a Parábola do Semeador, oferece uma reflexão profunda sobre a rejeição e a aceitação da mensagem divina, destacando a postura dos poderosos em contraste com a atitude das pessoas empobrecidas. Essa narrativa nos leva a refletir sobre a importância da leitura popular da Bíblia para semear a semente que deve gerar empatia e responsabilidade social.

Na parábola, Jesus descreve um semeador que lança sementes em diferentes tipos de solo. Algumas caem à beira do caminho, onde os pássaros as comem; outras caem em solo pedregoso, onde brotam rapidamente, mas são logo murchadas pelo sol; outras ainda caem entre os espinhos, que as sufocam. Por fim, há aquelas que caem em boa terra, produzindo fruto abundante.

Os poderosos, representados pelo solo duro e cheio de espinhos, simbolizam aqueles que, por causa de sua riqueza e poder, são incapazes de acolher a mensagem do evangelho. Suas preocupações materiais e suas ambições pessoais os impedem de permitir que a semente da Palavra de Deus penetre em seus corações. Eles rejeitam a mensagem, pois ela desafia o status quo e exige uma mudança de perspectiva e de ação.

Por outro lado, as pessoas empobrecidas, representadas pela boa terra, acolhem a mensagem e permitem que ela frutifique em suas vidas. Elas estão mais abertas para compreender os ensinamentos de Jesus, pois muitas vezes enfrentam as dificuldades da vida e estão dispostas a buscar esperança e consolo nas palavras divinas. Ao encontrar a mensagem de amor, justiça e solidariedade presente no evangelho, elas são tocadas profundamente e respondem com atos de generosidade e compaixão.

A leitura popular da Bíblia desempenha um papel fundamental na disseminação dessa mensagem de empatia e responsabilidade social. Quando as Escrituras são acessíveis e compreendidas pelo povo, elas se tornam uma fonte de inspiração e guia para a ação transformadora. A leitura popular permite que os ensinamentos bíblicos sejam apropriados e aplicados às realidades concretas das comunidades empobrecidas, gerando um senso de identificação e empoderamento.

Ao compreenderem a mensagem de Jesus através da leitura popular, as pessoas empobrecidas são encorajadas a praticar atos de solidariedade, buscando a transformação de suas próprias vidas e da sociedade em que vivem. A Palavra de Deus se torna um convite para a construção de relações mais justas, onde os mais vulneráveis são acolhidos e amparados, e onde a partilha e a dignidade humana são valores fundamentais.

Portanto, a Parábola do Semeador nos recorda que a mensagem do evangelho pode ser rejeitada pelos poderosos, mas encontra um solo fértil nas pessoas empobrecidas. A leitura popular da Bíblia desempenha um papel vital na semeadura dessa semente que gera empatia e responsabilidade social. É através da compreensão e prática dos ensinamentos de Jesus que podemos encontrar inspiração para transformar o mundo, nutrindo a solidariedade e a justiça em nosso meio.

Ruan da Silveira Isnardi
CEBI-SP

FONTE: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/o-divino-semeador/

sábado, 24 de junho de 2023

SÃO JOÃO: ANUNCIADOR DO EVANGELHO

Imagem: CEBI.ORG

Reflexão Bíblica Mateus 10, 24 -39:

Perseguição e Martírio por Causa do Reino

O Evangelho de Mateus nasceu de uma comunidade que já havia experimentado a violência da perseguição por causa do anúncio evangélico de Jesus.

As pessoas cristãs sentiam as contrariedades e as perseguições por causa da sua fé, do testemunho de Jesus e pela atuação em favor do Reino de Deus, por isso o convite à coragem para a vivência da fé cristã. O testemunho dos profetas, a palavra de Jesus e a práxis dos primeiros cristãos, dizem não ser possível ser Igreja de Cristo sem passar pela perseguição, martírio e a cruz, consequência da fidelidade ao Projeto de Deus.  Necessitamos de muita coragem diante das adversidades deste mundo, para sermos seguidoras de Jesus de Nazaré, pois Ele nos pede resistência, resiliência, persistência e amorosidade para testemunhar corajosamente e seu Reino. As cristãs, enquanto seguidoras de Jesus, sabiam que as discípulas não estavam acima do Mestre e que quem quisesse segui-Lo também deveria carregar a cruz, por isso o convite, a insistência de não ter medo, confiar no Pai-Mãe e continuar anunciando e testemunhando sem se calar e com muita coragem.

Não Tenham Medo, mas Anunciem!

Contar com Jesus, tendo a experiência de Deus como Pai, sentindo-o presente, faz reagir, reanimar as forças para vencer o medo que deixa o discípulo paralisado. Muitas foram as passagens que mostram Jesus libertando as pessoas do medo. Na época, o terror do poder do Império, as ameaças dos mestres da Lei, as cobranças dos sacerdotes e até a imagem de um Deus Juiz, cheio de ira, tudo isso, criava uma situação de medo e pavor. Hoje, muitos se sentem inseguros na sua vida, no seu trabalho, assustados/as com as crises política, econômica, medo da conjuntura; tensos diante da necessidade de assumir posições e tomar iniciativas, falta de liberdade interior e medo do que dizem, ou seja, sofrendo o medo em segredo. “O medo causa muito dano, onde cresce o medo, perde-se Deus de vista e se afoga a bondade que há no coração das pessoas. A vida se apaga, a alegria desaparece” (Pagola, 2013b, p.121).

E quando o medo toma conta, atitudes como: consumo de mais mercadorias, diversões e prazeres a qualquer custo, fazem esquecer os problemas e o que os desafia. Outros ainda mergulham na resignação, passividade e desencanto com a vida, deixando tudo como está, outros ainda, com desejo de voltar ao passado, torcem pela volta das liturgias da Idade Média, das relações autoritárias, conservadoras e centralizadoras. Jesus nos lembra: “Não tenhais medo dos que matam o corpo”, o Pai   acompanha e cuida de nós muito mais do que dos pardais. Jesus está nos encorajando para a Criatividade e a Liberdade, para retomarmos ações e iniciativas nas quais já sentimos o gosto do mundo novo que queremos para todos, todas e todes.

A luta pela justiça do Reino, esbarra na resistência dos que não querem mudanças sociais. Por isso, a afirmação de Jesus tem dois aspectos: primeiro diz respeito a coerência da comunidade com o Projeto de Deus. Segundo aspecto diz respeito as consequências do testemunho corajoso: acusação dos que continuam eliminando vidas humanas.

Não Tenhais Medo da Perseguição

Disse Jesus: “Dizei à luz do dia o que vos digo na escuridão, e proclamai de cima dos telhados o que vos digo ao pé do ouvido”. “Porque não há nada encoberto que não venha a ser revelado”. “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos outros, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus”.

Deus está dentro da história humana e do universo, por isso, o encontro, a comunhão com Jesus, nos faz sentir confiança nesse Deus que nos ajuda a enfrentar as forças do mal e os poderes do mundo que constituem um forte anti-Reino, fazendo surgir o bem do próprio mal, encontrar caminho correto pelas vias tortuosas da sociedade, não nos abandonando jamais. “Esta fé firme em Deus não leva à evasão ou a passividade. Traduz-se pelo contrário, em coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Leva a enfrentar riscos e aceitar sacrifícios para ser fiel a si mesmo e a própria dignidade. A verdadeira pessoa crente não se caracteriza pela covardia, pela resignação, mas pela audácia e criatividade”(Pagola, 2013b, p.123-124). Mesmo encontrando forças contrárias, o cristão sabe que, mais cedo ou mais tarde, a perseguição do anti-Reino chega: pelas ameaças, pela indiferença, pela omissão, pelos braços cruzados por não apoiar, por deixar tudo como está, “O ser humano precisa encontrar uma esperança definitiva e uma força que dê sentido à sua luta diária. Precisa descobrir uma ação para viver, uma confiança para morrer”, diz Pagola(id., p.125) E terá a certeza de que, na prestação de contas diante de Deus, conta com Jesus: “Eu darei testemunho dele diante do Pai que está nos Céus”.

Não Temer Conflito

“Não pensem que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada”(v.34); diante desta afirmação, a fé  nos questiona: a palavra meditada e o pão partilhado em nossas comunidades, tem nos dado coragem para agir no mundo com testemunho profético e cristão?  Como nos tornar defensores e promotores da Vida e da Paz numa sociedade carregada de ódio, feminicídio, racismos, relações do patriarcado, agressão a natureza e aos povos originários, aporofobia (rejeição aos pobres), violências diversas?

Diante desta realidade somos chamados/as a ser discípulos/as de Jesus na construção de novas relações para o bem-estar de toda a Criação e futuro do Planeta.

Canto:/:A verdade vos libertará, Libertará:/  –   De Antonio Cardoso.

Leonides Ana Marsaro – Chapecó/SC – Coordenação CEBI/SC.
Lindolfo Luiz Welter – Chapecó/SC-  CEBI  Região  Chapecó/SC.

sábado, 3 de junho de 2023

REFLEXÃO DO EVANGELHO: IDE E FAZEI DISCÍPULOS

Imagem: CEBI.ORG

Estamos no segundo domingo após Pentecostes quando a promessa do Pai se cumpre sobre todas que estavam reunidas. Isto significa que estamos vivendo a experiência do Ressuscitado, agora iluminadas pela Força da Ruah Divina. Sob esta força vamos refletir o capítulo 28.16-20 de Mateus. 

Duas palavras de início me chamam bastante a atenção. A primeira delas é a Galileia e segundo o Monte ou montanha, v 16. A pergunta que nos cabe é: porque a Galileia e não Jerusalém terra “Santa”?  Lembremo-nos que foi na Galileia onde Jesus inicia sua missão. A Galileia era a cidade dos gentios e lá residia pessoas vindas de muitos lugares com suas crenças e costumes e por isso mal vista pelos que guardavam a Lei a Torá, os assim chamados religiosos. O Ressuscitado convida a igreja a iniciar sua missão de onde tudo começou. Entre aquelas criticadas e excluídas pela Religião. Ainda nessa mesma linha de reflexão podemos lembrar o domingo da ascensão quando Jesus convida seus irmãos a irem à Betânia fc Lc 24,50, cidade dos pobres.  Nitidamente Jesus aponta para onde deve ser a missão de sua igreja.  Cabe a nós hoje olharmos para onde Jesus aponta nossa missão.

O monte me faz lembrar a grande figura de Moisés. Parece que a comunidade de Mateus quer apontar para Jesus como o novo Moisés. Moisés desce do monte com as Leis e apresenta ao povo como caminho para viver na vontade de Deus. Jesus no monte ressignifica a Lei de Moises pois, agora a lei é: amem uns aos outros como eu vos amei (cf Jo 13.34). O monte também faz lembrar um lugar de recolhimento, de oração, de iluminação onde Jesus transfigurou. Creio que os versículos 16 e 17 nos ajudam também a entendermos que somos desafiados a conviver com aqueles que duvidam do ressuscitado. Ir a Igreja não é ser igreja.

Nos últimos versículos a comunidade de Mateus apresenta Jesus com plena autoridade no céu e na terra pois não é apenas como uma referência, mas alguém que deve ser seguido. Com esta autoridade Jesus diz: “Ide e fazei discípulos entre todos os povos…” Deus não é exclusividade de um povo, mas de todos os povos. Na minha compreensão, Jesus devolve a Deus a humanidade e liberta Deus da Religião, por isso a Galileia e não Jerusalém.  

No entanto, nossas Igrejas escravizaram-se pela instituição do Batismo, entendendo como requisito para sua pertença. Muitas das nossas denominações religiosas só batizam filhos de membros da Igreja e se for pagante, contribuinte. O Ide foi convertido em Vinde para minha Igreja, pois aqui tens a salvação, de novo aprisionamos Deus. 

Domingo de Pentecostes, encerramos a semana de Oração pela Unidade Cristã. Orando para que nos tornemos um.  Mas contraditoriamente é o batismo que nos separa, nos torna exclusivos. O que deveria ser o contrário, o batismo deveria nos inserir como grande família de Deus e assim o é no seu sentido teológico.  A tradução da Bíblia do Peregrino nos trás a seguinte expressão: “Portanto, ide fazer discípulos entre todos os povos, batizai-os consagrando ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ensinai-lhe a cumpri tudo o que vos mandei”. V.19 e 20.  E o que Jesus nos mandou cumprir? Cf Jo 15. 17 “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros”.

Finalizo dizendo: precisamos olhar para onde Jesus aponta. E de novo resgatar o ser humano pelo batismo de consagração e não de pertença religiosa, institucional. Aqui estou me referindo a nova Galileia a comunidade das pessoas empobrecidas, marginalizadas por sua condição social, por sua orientação sexual, por sua cor da pele, por sua etnia. Fazei discípulos pelo testemunho do amor. Com este testemunho temos a certeza de que Jesus está conosco até o fim do mundo.

Antonio Terto, tssf
Revdo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Diocese Anglicana de Pelotas.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

REFLEXÃO DO EVANGELHO: Permaneçamos no Amor (Jo14,15-21)

Imagem: CEBI.ORG

Vejamos as seguintes palavras do Evangelho deste domingo: “Se me amais, observareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Qual o maior mandamento de Jesus?Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis umas as outras. Como eu vos amei, amai-vos também umas as outras. Nisso reconhecerão todas que sois minhas discípulas, se tiverdes amor umas pelas outras” (Jo 13,34-35).

Jesus é o defensor, mas indo para o Pai, ele enviará outro defensor, o Paráclito, o Espírito Santo, a Ruah Divina, que revelará a verdade, para que a comunidade joanina não se sinta órfã, (14,18) como ficoaram os judeus depois da guerra do ano 70. É uma resposta contra Jâmnia.

Para Jesus, amar não é somente um sentimento, mas passa pelas atitudes de testemunhar o verdadeiro amor. Ele é a aliança entre o Pai e a sua comunidade (14,21).

Os mandamentos estão desacreditados para alguns cristãos, devido a uma educação religiosa traumatizante. “Isto é pecado, isso pode ser feito, isso não pode ser feito…” Mas Jesus diz que a lei que resume todos os mandamentos, a todos contendo, é a seguinte: “Ama a Deus e ama ao teu irmão”. Esse enfoque da lei é um enfoque libertador.

Falemos do amor, mas não como sempre se fala dele. Devemos procurar encontrar uma definição de amor que seja nova e que valha a pena. Por exemplo: amar uma pessoa não é usá-la. Naturalmente, nós podemos usar Deus: quando queremos que Ele faça aquilo que nos agrade, quando queremos que Ele esteja a nosso serviço e não pensamos que nós devemos estar a serviço d’Ele. Isso não é amar a Deus, mas sim usá-lo. Mas qual seria então a verdadeira atitude? Seria colocar-se à disposição de Deus, como Jesus ensinou os apóstolos e apóstolas, discípulos e discipulas.

Tudo isso nos ajuda a revisar todas aquelas formas em que a pessoa é usada, no plano político, nas relações de trabalho, na amizade. Mas o amor é exatamente o contrário disso: amar uma pessoa é respeitar sua identidade, ouvi-la, desejar que ela cresça e fazer todo o possível para que ela cresça. É praticar a comunhão e a participação (Puebla 215).

Que o Espírito Santo nos ilumine para vivermos segundo o Evangelho, segundo a verdade, livres da mentira, das “fake News”. Permaneçamos testemunhando nosso amor a Jesus (14,21).

José Airton Otávio
Terapeuta naturalista
Educador social

sábado, 4 de junho de 2022

O ESPIRITO NOS VEM COMO DINAMISMO DE AÇÃO QUE LIBERTA

REFLEXÃO DO EVANGELHO: JOÃO 20, 19-23  

O envio do Espírito por Jesus é a culminância da experiência pascal.  Reunimo-nos como assembleia de chamados/as para pedir que o Espírito renove em nós os prodígios que realizou no início do cristianismo, esperando que o Sopro de Deus nos dê respiro e vida, nos ajude a testemunhar e anunciar o Reino de Deus na língua das diversas culturas, nos ajude a derrubar os muros que nossos medos e prepotências ergueram, abra as portas das nossas Igrejas sitiadas pelas leis e dogmas, e nos empurre para fora, em ritmo de missão.

O Espírito Santo atua e3m nós para q

ue não sejamos como papagaios, que repetem palavras e discursos que não entendem. Um dos primeiros frutos da ação do Espírito Santo é uma palavra nova e viva. Com a força do Espírito, as pessoas caladas vencem o medo e começam a falar. São palavras de protesto que saem da boca dos marginalizados, clamores que reivindicam reconhecimento e respeito; palavras proféticas que denunciam as injustiças praticadas contra os oprimidos e anuncia uma nova ordem social e rompe com as velhas lições.

Mas o Espírito suscita também palavras orantes e celebrativas, cânticos novos que reconhecem e louvam a ação libertadora de Deus no coração das pessoas e do mundo. São palavras despertadas por uma compreensão espiritual das Escrituras, não mais lidas como coisa do passado ou simples doutrina, mas como Palavra viva e plena de sentido para os homens e mulheres de hoje. Esta palavra nova, suscitada pelo Espírito, assume a gramática das culturas e anuncia o Reino de Deus de tal modo que os povos possam compreender na sua própria cultura.

O Espírito também nos livra da ameaça de sermos fragmentos desarticulados, perdidos no tempo e no espaço. Ele cria vínculos de amor, amizade e solidariedade. Onde o Espírito é acolhido e age, as pessoas isoladas se reúnem, os membros formam um corpo, nasce um povo novo e peregrino. Cria-se uma comunhão que transcende os indivíduos e o tempo, pois o Espírito une pessoas e gerações diferentes numa unidade familiar, étnica e nacional, as pessoas e culturas numa comunidade eclesial, centrada na memória de Jesus de Nazaré.

A presença do Espírito Santo é força que nos livra do risco de sermos sempre e apenas escravos, indivíduos que reproduzem, sob pressão e por medo, as ações determinadas pelos senhores. Ele nos faz pessoas livres, capazes de agir por iniciativa própria, inclusive na arena política. Aos macacos fica bem a imitação e a repetição, mas não aos filhos e filhas de Deus! O Espírito nos é dado para superar a condição de escravos e alcançar a condição de filhos e filhas maiores, livres de todas as tutelas, herdeiros do Reino de Deus. Onde está o Espírito, ali está a liberdade!

Esta liberdade não é apenas ‘liberdade de’ algo que oprime, mas principalmente ‘liberdade para’ alguma coisa nova. O Espírito nos faz livres da dependência das forças da natureza, dos condicionamentos inconscientes, do poder de persuasão dos meios de comunicação social, do constrangimento das instituições e sistemas políticos, econômicos, culturais e religiosos. O Espírito nos assegura a liberdade radical e nos possibilita agir sem medos em favor da vida dos outros, em vista da criação de uma realidade social nova, baseada na liberdade e na cooperação.

O Espírito Santo impede ainda que sejamos mortos-vivos, pois ele não se coaduna com os sistemas e instituições que impõem silêncio, com o individualismo narcisista e com a passividade omissa. Ele é a força de Deus na história, a força libertadora de Jesus Cristo. Aos cristãos ele é enviado como dinamismo missionário, como capacidade de agir no plano do homem novo: partilhar o pão, curar as doenças, perdoar e acolher os pecadores, anunciar a Boa Notícia aos pobres, desarmar para amar, percorrer o êxodo missionário. “Envias teu Espírito e assim renovas a face da terra…”

Vem Espírito Santo, e suscita em nós o desejo de sermos dom, de engajar-nos na luta para que todos tenham vida. Não permita que te aprisionemos na intimidade do coração ou no silêncio dos templos. Faz que nossa vida seja semente de liberdade, solidariedade e eternidade. E que o Filho do Homem ungido por ti, seja o Caminho que percorremos, a Verdade que acolhemos e a Vida que aspiramos ardentemente e promovemos generosamente. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

 

sábado, 16 de abril de 2022

A LIÇÃO DA PEDRA REJEITADA QUE SE TORNOU ESSENCIAL!



REFLEXÃO DO EVANGELHO 

Reunimo-nos hoje em vigília, marcados pela dor da perda, recapitulando a história da salvação, regando as frágeis sementes de esperança que nos restam. “Eu sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente…” Acompanham-nos muitas testemunhas que nos antecederam nessa travessia. Mas a vigília sempre nos possibilita também assumir a herança humana e espiritual de quem partiu, levantar o olhar e encontrar forças para continuar a caminhada.

A ação criadora de Deus é sempre lenta, e avança numa luta sem tréguas contra o vazio, o caos e o abismo. Quem sonha e luta se vê frequentemente encurralado, com o mar intransponível à frente e as tropas ameaçadoras atrás. Existem pessoas lutadoras e iniciativas promissoras, mas são frágeis e estão muito dispersas, como o povo de Israel no cativeiro da Babilônia. E sem falar nas perseguições e linchamentos judiciais e midiáticos, que querem abortar mesmo os mais frágeis brotos de mudança e de justiça verdadeira. Onde estão os sinais da páscoa?

O vazio da sepultura não é prova da ressurreição, mas convida a perceber que as marcas dos pregos e o corpo torturado não são a última palavra da história. Na tumba vazia, anjos e mulheres anunciam que o caos do lixo pode dar lugar a uma criação harmoniosa, que o mar ameaçador pode ser atravessado a pé enxuto, que os grupos dispersos podem ser unificados, que os crucificados caminham à nossa frente e vislumbram novidades em gestação. Precisamos abrir-nos às novas possibilidades escondidas no segredo do átomo, no íntimo das pessoas, nos caminhos da história.

As mulheres, as poucas conhecidas e as muitas anônimas, estão a nos dizer que, para entender o mistério da vida, precisamos retomar a Palavra de Jesus, a lição da sua compaixão. Como discípulos seus, não podemos insistir em buscar entre os mortos aquele que está vivo, em enclausurar no passado aquele que é presente e futuro. A surpresa do túmulo vazio é apenas o começo, e não pode ser um convite a ‘voltar para casa’, ignorando nossa responsabilidade com a lição das mãos dadas. É preciso morrer para o pecado e renascer para o cuidado!

Como cristãos, completamos em nossos corpos os sofrimentos de Jesus Cristo. A ressurreição se multiplica como semente no testemunho e nas iniciativas de discípulos e discípulas, comunidades e Igrejas, grupos e movimentos que aprendem e ensinam a lição da misericórdia. Como na ressurreição de Jesus, os sinais pequenos passam a ser reais e promissores. O batismo, recordado e celebrado comunitariamente na vigília pascal, expressa este dinamismo na vida de cada um de nós e da comunidade eclesial. Morreu o velho homem, nasceu uma nova criatura!

Já vivemos e sofremos o bastante para saber que esta passagem não é nem automática, nem evidente. Trata-se de um projeto de vida que, para ser realizado, exige disciplina e empenho. O sonho e a luta pedem vigilância sobre nós mesmos e sobre a permanente tentação de sermos sempre os primeiros e deixar a ninguém o cuidado do que é de todos. Mas esta não é uma luta inglória, pois Jesus de Nazaré, nosso irmão maior, já venceu a batalha, removeu muitas pedras, derramou sobre nós seu Espírito e nos fez capazes de compaixão.

Os primeiros cristãos resgataram uma imagem preciosa para falar da ressurreição de Jesus: Ele é como uma pedra que os construtores jogaram na caçamba de entulhos e que Deus transformou em pedra que sustenta todo o teto em forma de abóbada. Por isso, a páscoa pede que abramos os olhos às pessoas e grupos sociais descartados como desnecessários ou eliminados como incômodos. Se não os tivermos no coração das celebrações e projetos eclesiais, nossa fé poderá ser como casa construída sobre a areia, e nossa utopia pode se deteriorar em simples ideologia.

Senhoras da madrugada, humildemente pedimos a vocês ajuda para caminhar na noite que nos envolve, para ver com nossos próprios olhos que o mestre de vocês e nosso nos precede na periferia e no deserto. Por favor, acompanhem nossos passos inseguros e emprestem-nos um pouco do perfume que vocês souberam conservar, a fim de não chegarmos de mãos vazias ao encontro com Aquele que vive para sempre. E então anunciaremos de mil modos que a carne amada e amante de Jesus vivifica todos os sonhos que nos habitam. Assim seja! Amém!

Texto:Itacir Brassiani msf

Fonte: cebi.org.br

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DE MARCOS 12, 28b - 34

 


No Evangelho proposto para o 31º do Tempo Comum (Mc 12, 28b-34), Jesus e os discípulos já estão em Jerusalém. O capítulo 11 do Evangelho da comunidade de Marcos já tinha nos contado sobre o início da caminhada de Jesus em Jerusalém, após ele entrar na referida cidade montado em um jumentinho. Depois, continuando a caminhada com Jesus, vivenciamos o acontecimento da figueira sem frutos e a expulsão dos comerciantes do Templo. Caminhando um pouco mais, chegamos à encruzilhada em que o texto de hoje nos situa mais de perto: fariseus, herodianos e saduceus, aproximando-se de Jesus, enquanto ele circulava pelo Templo, criando armadilhas, “para pegá-lo em alguma palavra” e assim, antecipar sua condenação. E, é após uma dessas artimanhas (saduceus querendo pegar Jesus em contradição, a partir de um questionamento sobre a ressurreição), é que um certo doutor da Lei, que tinha ouvido a discussão entre Jesus e os saduceus, e gostado da resposta de Jesus, aproximou-se dele e perguntou qual era o primeiro de todos os mandamentos.

Pode parecer, mas essa pergunta não era tão simples, pois os líderes religiosos tinham catalogado 613 preceitos na Lei. Logo, não era fácil escolher um entre tantos.

Bem… Jesus respondeu ao doutor da Lei:

– O primeiro mandamento é: “Ouça, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Ame o Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente, com toda a sua força”. O segundo é: “Ame o seu próximo como a si mesmo. Não existe outro mandamento maior que estes”, sendo ambos inseparáveis.

Ao escutar a resposta, o doutor da lei disse a Jesus:

– Muito bem, mestre. Com razão disseste que Deus é o único, e que não existe outro além dele. E que amá-lo com todo o coração, com a toda a inteligência e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios.

Por sua vez, Jesus viu que o doutor da Lei respondeu com inteligência e lhe disse:

– Você não está longe do Reino de Deus”. (E eu senti vontade de complementar: “apesar de ser sábio e inteligente”). “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

A partir desse diálogo amigável, digamos assim, a sabatinada de perguntas a Jesus, por parte dos grupos religiosos e políticos da época, deu uma trégua naquele momento, pois o Evangelho conclui dizendo: “E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus”.

Um fato curioso nesse texto bíblico é que em Marcos a primeira vez que o doutor da Lei se dirige a Jesus, ele não o chama de mestre. Porém, após a resposta de Jesus, o doutor da Lei diz: “Muito bemmestre”. Essa atitude do doutor da lei pode nos ensinar, entre outras coisas, que fora do grupo dos discípulos, ou fora das nossas bolhas, existem pessoas abertas e dispostas aos ensinamentos de Jesus. Jesus não é privilégio exclusivo de determinados grupos.

Ao dizer “não existe outro mandamento maior que estes”, Jesus nos ensina que o amor, e nada mais que o amor, é critério para fundamentar qualquer ação na Vida e, para ler qualquer texto da Bíblia. O amor é que dá sentido às nossas atitudes, e não fórmulas e aparatos rituais. O que nos deixa perto do Reino de Deus é amar a Deus e o próximo, com a inteireza do nosso ser. A nossa fé, a nossa prática precisam se expressar e serem expressão do amor. No diálogo presente no texto, o doutor da Lei complementa: “Amar vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios”. Essa afirmação é muito significativa em um contexto em que o pátio do Templo era um verdadeiro mercado de animais que eram vendidos para serem sacrificados, com finalidade religiosa.  Além disso, como um bom estudioso da Escritura do seu povo (Leis e Profetas), provavelmente aquele doutor da Lei conhecia a profecia de Oséias (6, 6) que diz: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos”.

Mas, por que Jesus agrega dois mandamentos? (Dt 6,4-5 e Lv 19,18)

Provavelmente para nos ensinar que não é possível amar a Deus e ser indiferente às pessoas caídas à beira do caminho, porque lhe foram retiradas a sua dignidade e modos de sobrevivência. Ou, uma religião que anuncia o amor a Deus e se esquece das pessoas oprimidas e violentadas nos seus corpos, é uma grande falsidade.

Por fim, em tempos de pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19) e de mudanças climáticas, em que a Terra grita por causa de um modelo baseado na exploração econômica ininterrupta dos seus recursos, na degradação ambiental desenfreada e na sujeição sociocultural dos povos, é preciso ampliar os olhares e as ações sobre as “relações-proximais”, de forma que “todas as criaturas encontrem seu lugar para florescerem na Casa Comum”.

Texto do Múria Carrijo

Fonte: cebi.org.br


sábado, 20 de março de 2021

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO - V DOMINGO DA QUARESMA : O ATRATIVO DE JESUS


Imagem: CEBI.org

SÓ COMEÇAMOS A ENTENDER ALGO DA FÉ QUANDO NOS SENTIMOS AMADOS POR DEUS

Reflexão do Evangelho de João 12,20-33


Texto de José Ântonio Pagola

O atrativo de Jesus

Se alguém me quer servir, que venha atrás de mim; e, onde eu estiver, ali estará meu servo (Jo 12,26).

Uns peregrinos gregos que vieram celebrar a Páscoa dos judeus aproximaram-se de Felipe com uma petição: “Queremos ver Jesus”. Não é curiosidade. É um desejo profundo de conhecer o mistério que se encerra naquele Homem de Deus. Também a eles lhes pode fazer bem.

Jesus é visto preocupado. Dentro de alguns dias será crucificado. Quando lhe comunicam o desejo dos peregrinos gregos, pronuncia umas palavras desconcertantes: “Chega a hora de que seja glorificado o Filho do Homem”. Quando for crucificado, todos poderão ver com claridade onde está a sua verdadeira grandeza e a sua glória.

Provavelmente ninguém entendeu nada. Mas Jesus, pensando na forma de morte que o espera, insiste: “Quando eu for elevado sobre a terra, atrairei todos até mim”. O que se esconde no crucificado para que tenha esse poder de atração? Apenas uma coisa: O seu amor incrível a todos.

O amor é invisível. Só o podemos ver nos gestos, nos sinais e na entrega de quem nos quer bem. Por isso, em Jesus crucificado, na sua vida entregue até à morte, podemos perceber o amor insondável de Deus. Na realidade, só começamos a ser cristãos quando nos sentimos atraídos por Jesus. Só começamos a entender algo da fé quando nos sentimos amados por Deus.

Para explicar a força que se encerra em sua morte na cruz, Jesus utiliza uma imagem simples que todos podem entender: “Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto”. Se o grão morre, germina e faz brotar a vida; mas se se encerra no seu pequeno involucro e guarda para si a sua energia vital, permanece estéril.

Essa bela imagem descobre-nos uma lei que atravessa misteriosamente a vida inteira. Não é uma norma moral. Não é uma lei imposta pela religião. É a dinâmica que torna fecunda a vida de quem sofre movido pelo amor. É uma ideia repetida por Jesus em diversas ocasiões: Quem se agarra egoisticamente à sua vida, coloca-a a perder; quem sabe entregá-la com generosidade gera mais vida.

Não é difícil comprová-lo. Quem vive exclusivamente para o seu bem-estar, o seu dinheiro, o seu êxito, a sua segurança, acaba vivendo uma vida medíocre e estéril: a sua passagem por este mundo não faz a vida mais humana. Quem se arrisca a viver uma atitude aberta e generosa difunde a vida, irradia alegria, ajuda a viver. Não há uma forma mais apaixonante de viver que fazer a vida dos outros mais humana e leve. Como poderemos seguir Jesus se não nos sentimos atraídos pelo seu estilo de vida?


FONTE: CEBI.ORG