segunda-feira, 25 de maio de 2020

FALANDO SOBRE O DNC: DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE E OUTROS DOCUMENTOS...


Um resumo sobre os principais documentos da catequese: origem do diretório nacional de catequese.

Talvez, para alguns de vocês, essa conversa seja um tanto "velha", mas, acredito que é bom para reforçar algumas coisas para quem já ouviu falar e esclarecer aqueles que ainda não o conhecem (o DNC - Diretório Nacional de catequese).

Do Concílio Vaticano II - 1961 a 1965 - todo catequista já ouviu falar (Acredito...). Mas, o que foi afinal esse concílio para nossa Igreja? Em linhas gerais este concílio trouxe para a Igreja aquilo que se pode chamar de uma "grande renovação". Muita coisa vinha sendo feita ainda nos moldes do século dezenove. Renovou-se a Liturgia, a organização do clero, a visão da Palavra e muito mais.

Alguns acham que as mudanças foram boas, como por exemplo a Missa ser rezada na língua vernácula e não em latim, com o padre de costas para o povo. Outros já acham que essas mudanças desfiguraram a Igreja, que foi depois dessas mudanças que a Igreja começou a perder muitos de seus fiéis (apesar de que, se fossem "fiéis" mesmo não se perderiam). Uma coisa a se pensar: não se perde o que não se tem, não é verdade?

E há ainda os que acham que as mudanças trouxeram coisas estranhas à Igreja, como a RCC, com seu jeito meio pentecostal, a forte presença do leigo, o "desrespeito a algumas doutrinas, etc.

Mas, é preciso ler os documentos do Concílio para saber exatamente onde os bispos queriam chegar. As suas decisões estão expressas nas 4 CONSTITUIÇÕES, 9 DECRETOS e 3 DECLARAÇÕES elaboradas e aprovadas pelo Concílio. E só lendo e estudando os documentos podemos entender um pouco mais disso. Sugiro começar pelas Constituições Dogmáticas: a Lumen Gentium (sobre a Igreja) a Dei verbum (sobre a Palavra de Deus) , a Sacrossantum Concílium (sobre a liturgia), e a Gaudium et Spes (sobre a relação da Igreja com o mundo e a pastoral), aí descobrimos um tesouro de renovação e de atualização da Igreja católica em relação aos anos de atraso na História.

A estes documentos é preciso acrescentar vários outros, mas, sobretudo, os Decretos Conciliares Ad Gentes (sobre a atividade missionária Igreja) e Apostolicam Actuosittem (Sobre o Apostolado dos leigos). Estes documentos são essenciais para se compreender o impulso conciliar para a renovação da Igreja e de sua missão no mundo contemporâneo e, consequentemente, a renovação de todas as suas mediações evangelizadoras e formadoras, entra as quais a catequese é uma das mais importantes e privilegiadas.

E é interessante observar que o Concílio não produziu um documento específico sobre a catequese. O Concílio, apesar de algumas solicitações para tratar do assunto, preferiu solicitar a elaboração de um Diretório de Catequese, que foi feito pela Congregação para o Clero e publicado em 1971 com o título “Diretório Catequético Geral – DGC”, que infelizmente ficou desconhecido no Brasil. Este documento foi renovado em 1997 e daí surgiu o Diretório Geral para a Catequese (DGC). Que, em 2006, a CNBB atualizou e adequou as nossas realidades com o nome de "DNC - Diretório Nacional de Catequese". Inclusive, o DNC faz inúmeras referências ao DGC, que é o documento que o norteia.

Para entender a necessidade de renovação da catequese é importante conhecer alguns documentos emitidos pela Santa Sé depois do Concílio:

a) Paulo VI: Evangelii Nuntiandi (A Evangelização no mundo contemporâneo – 1965);
b) João Paulo II: Catechesi Tradendae (A catequese no mundo de hoje) - 1979;
c) Bento XVI – Verbum Domini (A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja) – 2010.

Aqui no Brasil, publicados pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) destaca-se ainda os seguintes documentos:

a) Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo – Documento 26, de 1983;
b) Com Adultos, Catequese Adulta – Estudos CNBB 80, de 2002.
c) Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários – Documento 107, de 2017;
d) Terceira Semana Brasileira de catequese - Iniciação à Vida Cristã - 2010.

É muito documento para se conhecer? Sim. Com certeza é. Aliás, nossa Igreja é especialista em produzir documentos que pouca gente lê e menos ainda põe em prática. Mas, vamos focar aqui o DNC - Diretório Nacional de Catequese, que hoje está com 14 anos, e poucos catequistas (e padres) o conhecem ou, se conhecem, tem noção da importância dele para nosso FAZER catequese.

Nenhum catequista deveria se atrever a ser catequista, sem ter esse livrinho na mão. Tão importante assim? Muito. A Bíblia é o nosso livro por excelência, é a Palavra que fundamenta nossa catequese; e o DNC é nosso "guia" de COMO fazer isso.

Por isso, faço esse apelo aos catequistas aqui comigo neste grupo: corram atrás do prejuízo! Mesmo que se tenha uma crítica geral de que: a catequese "dos documentos" não é a catequese da salinha, da paróquia; é bom ter em mente que, se é ruim conhecendo-se o que pede nossa Igreja; pior é fazer sem saber o que e como. Corremos sempre o risco de estar, constantemente, na contramão.

E não vão entrar em parafuso achando que tem que ler todos os documentos que citei acima. Não. Por enquanto, quero apenas que vocês leiam o DNC, mais que ler, aliás, é consultar sempre que precisar. E, coordenadoras(es) e padres, ATENÇÃO! Impensável não conhecer o DNC! Se possível, adquiram o livro e dê de presente ao catequista. proporcionem um estudo sobre ele. Como este que estamos oferecendo no grupo neste período de quarentena.

E para que vocês não desanimem, deixo aqui uma fala do Ir. Israel Nery, um dos religiosos que mais se dedicou à catequese no Brasil e que participou ativamente da construção de vários documentos (brasileiros) que citei.

"Percebo que ser catequista no Brasil é um milagre, pois é uma questão de puro Sim ao chamado do Espírito Santo, pura dedicação, puro heroísmo…
Ao longo de meus muitos anos dedicados à catequese, tenho visto que ser catequista é algo inexplicável em nossa Igreja, portanto, é ação direta do Espírito Santo. A maioria dos catequistas (das catequistas, devido à quantidade de mulheres na Catequese), não tem um razoável apoio das famílias, dos párocos e das Comunidades Eclesiais. Atuam com dedicação, mas sem os subsídios necessários (Bíblias, manuais, acesso às mídias digitais etc.). E não contam com ajuda financeira para participação em encontros, cursos e assembleias e nem para assinatura de revista ou compra de livros básicos.
Há uma impressionante profetismo e gratuidade no serviço à catequese. A boa vontade e a dedicação suprem muitas carências. É evidente a falta de investimento das Comunidades na formação inicial e permanente dos catequistas."

Mas, de nada adianta escrever belos textos que não são acessíveis aos catequistas, não é mesmo? Assim como não adianta os catequistas terem os documentos guardados na gaveta sem nem ter lido.

Vamos lá! Fé e coragem para buscar formação, é a formação que nos fará ter sucesso na evangelização ... E adquirir o DNC quem ainda não o fez.

Abraços
Ângela Rocha


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