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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

ANGELUS DO PAPA

                              SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA AO CÉU
 “Trazendo Jesus, Nossa Senhora traz também a nós uma nova alegria, cheia de significado; nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis”.

Falando aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro e provenientes de diversas partes da Itália e do mundo para assistir a cerimónia mariana do Ângelus na Solenidade da Assunção, o Papa Francisco recordou que devemos pedir a Maria aquele “dom imenso”, da “graça que é Jesus Cristo” para as nossas famílias e comunidades de pertença.

A narrativa do evangelista Lucas sobre a visita de Maria a sua prima Isabel, foi o tema da reflexão do Papa, que precedeu a oração mariana do Ângelus.

Francisco recordou que “na casa de Isabel e do seu marido Zacarias, onde antes reinava a tristeza pela falta de filhos, agora existe a alegria de uma criança que chega, uma criança que se tornará o grande João Batista, precursor do Messias”.

“E quando chega Maria, a alegria transborda e explode nos corações, porque a presença invisível mas real de Jesus preenche tudo com um sentido: a vida, a família, a salvação do povo, tudo!”

“E esta alegria plena – explica o Santo Padre – se exprime com a voz de Maria na estupenda oração” do Magnificat: “É o canto de louvor a Deus que opera grandes coisas por meio das pessoas humildes, desconhecidas para o mundo, como é a própria Maria, como é o seu esposo José, e como é também o local onde vivem, Nazaré. As grandes coisas que Deus fez com as pessoas humildes! As grandes coisas que o Senhor faz no mundo com os humildes, porque a humildade é como um vazio, que deixa espaço para Deus. O humilde é poderoso, não porque é forte. E esta é a grandeza do humilde, da humildade” sublinhou o Santo Padre.

“Gostaria então de perguntar a cada um de vós aqui presente  e também a mim mesmo – sem contudo que se tenha de responder em voz alta; mas que cada um responda no coração: Como está a minha humildade?”

“O Magnificat – disse o Papa – canta o Deus misericordioso e fiel que cumpre o seu plano de salvação para com os pequenos e os pobres, para com aqueles que têm fé n’Ele, que confiam na sua palavra como Maria”. Neste sentido, acrescentou Francisco “a vinda de Jesus naquela casa por intermédio de Maria, criou não somente um clima de alegria e de comunhão fraterna, mas também um clima de fé que leva à esperança, à oração, ao louvor”.

“Tudo isto nós gostaríamos que acontecesse hoje nas nossas casas. Celebrando Maria Santíssima Assunta ao Céu, gostaríamos que ela, mais uma vez, trouxesse para nós, para as nossas famílias, às nossas comunidades, o dom imenso, a graça única que devemos sempre pedir em primeiro lugar e acima das outras graças que também estão no coração: a graça que é Jesus Cristo”.

“Trazendo Jesus – acrescentou o Pontífice – Nossa Senhora nos traz também uma alegria nova, cheia de significado: nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis; nos traz a capacidade de misericórdia para perdoar-nos, compreender-nos, apoiarmo-nos uns aos outros”.

“Maria – concluiu dizendo o Papa – é modelo de virtude e de fé”; “agradeçamos a ela porque sempre nos precede na peregrinação da vida e da fé”, pedindo que “nos proteja e nos sustente”. “Que possamos ter uma fé forte, alegre e misericordiosa, que nos ajude a sermos santos, para nos encontrarmos com ela um dia no Paraíso”.

Após recitação do Ângelus, o Papa Francisco saudou aos fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, confiando a Maria  “as ansiedades e as dores das populações que em tantas partes do mundo sofrem por causa das calamidades naturais, de tensões sociais ou de conflitos. Que a nossa Mãe Celeste, disse Francisco, obtenha para todos a consolação e um futuro de serenidade e de concórdia!”


RADIOVATICANA.VA

domingo, 3 de agosto de 2014

ANGELUS COM O PAPA FRANCISCO, EM 03 DE AGOSTO

ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 3 de agosto de 2014
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste domingo, o Evangelho nos apresenta o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes (Mt 14, 13-21). Jesus o realiza ao longo do lago da Galileia, em um lugar isolado onde havia se retirado com os seus discípulos depois de saber da morte de João Batista. Mas tantas pessoas os seguiram e os alcançaram; e Jesus, vendo-as, sentiu compaixão e curou os doentes até a noite. Então os discípulos, preocupados com a hora tardia, sugeriram-lhe despedir a multidão para que pudesse ir aos povoados comprar algo para comer. Mas Jesus, tranquilamente, respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14, 16); e fazendo-se levar cinco pães e dois peixes, abençoou-os e começou a fracioná-los e a dá-los aos discípulos, que os distribuíam ao povo. Todos comeram e ficaram satisfeitos e mesmo assim sobrou!
Neste acontecimento, podemos ver três mensagens. A primeira é a compaixão. Diante da multidão que O segue e – por assim dizer – “não O deixa em paz”, Jesus não reage com irritação, não diz: “Este povo me cansa”. Não, não. Mas reage com um sentimento de compaixão, porque sabe que não o procuram por curiosidade, mas por necessidade. Mas estejamos atentos: compaixão – aquilo que sente Jesus – não é simplesmente sentir piedade; é mais! Significa com-paixão, isso é, identificar-se no sofrimento do outro a ponto de tomá-lo para si. Assim é Jesus: sofre junto a nós, sofre conosco, sofre por nós. E o sinal dessa compaixão são as numerosas curas por Ele realizadas. Jesus nos ensina a colocar as necessidades dos pobres antes das nossas. As nossas necessidades, por mais legítimas, não serão nunca tão urgentes como aquelas dos pobres, que não têm o necessário para viver. Nós falamos dos pobres. Mas quando falamos dos pobres, sentimos que aquele homem, aquela mulher, aquelas crianças não têm o necessário para viver? Que não têm o que comer, não têm o que vestir, não têm a possibilidade de remédios… Também que as crianças não têm a possibilidade de irem à escola. E por isto, as nossas necessidades, por mais legítimas, nunca serão tão urgentes como aquelas dos pobres que não têm o necessário para viver.
A segunda mensagem é a partilha. A primeira é a compaixão, aquilo que sentia Jesus, a segunda é a partilha. É útil confrontar a reação dos discípulos, diante do povo cansado e faminto, com aquela de Jesus. São diferentes. Os discípulos pensam que seja melhor dispensá-lo, para que possa ir procurar comida para si. Jesus, em vez disso, diz: dai-lhe vós mesmos de comer. Duas reações diferentes, que refletem duas lógicas opostas: os discípulos raciocinam segundo o mundo, para o qual cada um deve pensar em si mesmo; raciocinam como se dissessem: “Arranjem-se sozinhos”. Jesus raciocina segundo a lógica de Deus, que é aquela da partilha. Quantas vezes nós nos viramos para outro lado para não vermos os irmãos necessitados! E este olhar para outra parte é um modo educado para dizer, em luvas brancas, “arranjem-se sozinhos”. E isto não é de Jesus: isto é egoísmo. Se tivesse dispensado a multidão, tantas pessoas teriam ficado sem comer. Em vez disso, aqueles poucos pães e peixes, compartilhados e abençoados por Deus, foram suficientes para todos. E atenção! Não é uma magia, é um “sinal”: um sinal que convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos deixa faltar o “nosso pão cotidiano” se nós sabemos compartilhá-lo como irmãos.
Compaixão, partilha. E a terceira mensagem: o milagre dos pães preanuncia a Eucaristia. Vê-se isso no gesto de Jesus que “pronunciou a benção” (v. 19) antes de fracionar os pães e distribui-los ao povo. É o mesmo gesto que Jesus fará na Última Ceia, quando instituirá o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia, Jesus não dá um pão, mas O pão de vida eterna, doa a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por amor nosso. Mas nós devemos ir para a Eucaristia com aqueles sentimentos de Jesus, isso é, a compaixão e aquela vontade de compartilhar. Quem vai à Eucaristia sem ter compaixão pelos necessitados e sem compartilhar não se encontra bem com Jesus.
Compaixão, partilha, Eucaristia. Este é o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho. Um caminho que nos leva a enfrentar com fraternidade as necessidades deste mundo, mas que nos conduz além deste mundo, porque parte do Pai e retorna a Ele. A Virgem Maria, Mãe da divina Providência, acompanhe-nos neste caminho.

domingo, 13 de julho de 2014

Angelus do dia 13 de julho de 2014.


PAPA FRANCISCO
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 13 de Julho de 2014

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt 13, 1-23) mostra-nos Jesus que prega à margem do lago da Galileia, e dado que é circundado por uma grande multidão, Ele entra numa embarcação, afasta-se um pouco da margem e dali anuncia. Quando fala ao povo, Jesus recorre a muitas parábolas: uma linguagem que todos podem compreender, com imagens tiradas da natureza e das situações da vida diária.

A primeira que Ele narra é uma introdução a todas as parábolas: é aquela do semeador, que sem poupar lança as suas sementes em todos os tipos de terreno. E o verdadeiro protagonista desta parábola é precisamente a semente, que produz mais ou menos frutos, em conformidade com o terreno onde ela caiu. Os primeiros três terrenos são improdutivos: ao longo da estrada a semente é comida pelos pássaros; no terreno pedregoso, os rebentos secam-se imediatamente porque não têm raízes; no meio dos arbustos a semente é sufocada pelos espinhos. O quarto terreno é fértil, e somente ali a semente medra e produz fruto.

Neste caso, Jesus não se limitou a apresentar a parábola; também a explicou aos seus discípulos. A semente que caiu ao longo do caminho indica quantos ouvem o anúncio do Reino de Deus, mas não o acolhem; assim, sobrevém o Maligno e leva-a embora. Com efeito, o Maligno não quer que a semente do Evangelho germine no coração dos homens. Esta é a primeira comparação. A segundo consiste na semente que caiu no meio das pedras: ela representa as pessoas que escutam a palavra de Deus e que a acolhem imediatamente, mas de modo superficial, porque não têm raízes e são inconstantes; e quanto chegam se apresentam as dificuldades e as tribulações, estas pessoas deixam-se abater repentinamente. O terceiro caso é o da semente que caiu entre os arbustos: Jesus explica que se refere às pessoas que ouvem a palavra mas, por causa das preocupações mundanas e da sedução da riqueza, é sufocada. Finalmente, a semente que caiu no terreno fértil representa quantos escutam a palavra, aqueles que a acolhem, cultivam e compreendem, e ela dá fruto. O modelo perfeito desta terra boa é a Virgem Maria.

Hoje esta parábola fala a cada um de nós, como falava aos ouvintes de Jesus há dois mil anos. Ela recorda-nos que nós somos o terreno onde o Senhor lança indefessamente a semente da Palavra e do seu amor. Com que disposições a acolhemos? E podemos levantar a seguinte pergunta: como é o nosso coração? Com qual dos terrenos ele se assemelha: uma estrada, um terreno pedregoso, um arbusto? Depende de nós, tornar-nos um terreno bom ou sem espinhos sem pedregulhos, mas desbravado e cultivado com esmero, a fim de poder produzir bons frutos para nós e para os nossos irmãos.

E far-nos-á bem não esquecer que também nós somos semeadores. Deus lança sementes boas, e também aqui podemos interrogar-nos: que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca? As nossas palavras podem fazer muito bem mas inclusive muito mal; podem curar e podem ferir; podem animar e podem deprimir. Recordai-vos: o que conta não é aquilo que entra, mas o que sai da nossa boca e do nosso coração.

Com o seu exemplo, Nossa Senhora nos ensine a acolher a Palavra, a cultivá-la e a fazê-la frutificar em nós e nos outros!


Apelo
Dirijo a todos vós um apelo urgente a continuar a rezar com insistência pela paz na Terra Santa, à luz dos trágicos acontecimentos destes últimos dias. Ainda conservo na memória a profunda lembrança do encontro que teve lugar no dia 8 de Junho passado, com o Patriarca Bartolomeu, o Presidente Peres e o Presidente Abbas, juntamente com os quais invocamos a dádiva da paz e ouvimos a chamada a interromper a espiral do ódio e da violência. Alguém poderia pensar que este encontro teve lugar em vão. Pelo contrário! A oração ajuda-nos a não nos deixarmos vencer pelo mal, a não nos resignarmos ao predomínio da violência e do ódio sobre o diálogo e a reconciliação. Exorto as partes interessadas e todos aqueles que têm funções de responsabilidade política a níveis local e internacional, a não poupar oração nem esforço algum para fazer cessar toda a hostilidade e alcançar assim a paz desejada, para o bem de todos. E convido todos a unir-vos na oração. Em silêncio, oremos todos juntos. (Prece silenciosa). Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Concedei-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, orientai-nos Vós rumo à paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações, e incuti-nos a coragem de dizer: «Nunca mais a guerra!»; «com a guerra tudo está destruído!». Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para edificar a paz... Tornai-nos disponíveis para ouvir o clamor dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos temores em confiança e as nossas tensões em perdão. Assim seja!



Depois do Angelus

Saúdo-vos todos cordialmente, romanos e peregrinos!
Hoje celebra-se o «Domingo do Mar». Dirijo o meu pensamento aos marítimos, aos pescadores e às suas famílias. Exorto as comunidades cristãs, em especial as costeiras, a fim de que permaneçam atentas e sensíveis em relação àquelas. Convido os capelães e os voluntários do Apostolado do Mar a continuarem o seu trabalho na atenção pastoral a estes irmãos e irmãs. Confio todos, especialmente quantos se encontram em dificuldade e labutam em casa, à salvaguarda maternal de Maria, Estrela do Mar.

Uno-me em oração aos Pastores e aos fiéis que participam na peregrinação da Família, da Rádio Maria em Jasna Góra, Czestochowa. Agradeço-vos as vossas orações, enquanto vos abençoo de coração.

Agora saúdo com grande carinho todos os filhos e filhas espirituais de são Camilo de Lellis, de cuja morte amanhã recordaremos o 400° aniversário. Convido a Família camiliana, no apogeu deste Ano jubilar, a ser sinal do Senhor Jesus que, como bom samaritano, se debruça sobre as feridas do corpo e do espírito da humanidade sofredora, derramando o azeite da consolação e o vinho da esperança. A vós congregados aqui na praça de São Pedro, assim como aos agentes no campo da saúde que prestam serviço nos vossos hospitais e casas de cura, formulo votos a fim de que cresçais cada vez mais no carisma de caridade, alimentado pelo contacto diria com os enfermos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Desejo feliz domingo e bom almoço a todos. Até à vista!

Fonte: Vaticano.
http://w2.vatican.va/content/vatican/pt.html