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domingo, 5 de fevereiro de 2017

CONHECENDO O ROSÁRIO

1. O que é o Rosário?

O Rosário, ou o Terço (ou Coroa), de Nossa Senhora, é uma profissão de fé, particular, que passa diante de nossos olhos todo o mistério de nossa redenção, expresso no mistério da vida de Cristo. Por ser uma oração cristã aplicada à contemplação do rosto de Cristo, é evangélica. É uma síntese da oração, porque inclui: contemplação dos mistérios,invocação e súplica com Jesus no Pai-Nosso, o louvor na Ave-Maria, a intercessão na Santa Maria, e a adoração trinitária no Glória. Portanto, o rosário é oração.

2. Qual a origem e a história do Rosário?

Uma antiga tradição na Igreja faz de S. Domingos (nascido em 1170 e morto em 1221) o seu fundador. Na realidade ele recolheu um costume já existente e o popularizou ao usá-lo como meio pastoral. Ainda que não seja possível datar com precisão as origens históricas do Rosário, podemos afirmar que a forma, hoje universalmente difundida desta oração, se desenvolveu na segunda metade do século XV. Neste período dividiu-se o rosário em três partes de 50 unidades; cada parte foi dividida em cinco “mistérios”. No início do século XXI, o Papa João Paulo II acrescentou mais uma parte no rosário, com 50 unidades. Hoje a forma do rosário é de 4 ciclos meditativos (mistérios) e 200 unidades (ave-maria e santa-maria). Assim podemos falar que o rosário teve várias formas na história.

3. Quais são os elementos do Rosário?

A contemplação: em comunhão com Maria, contemplamos o rosto de Cristo, recordando a encarnação e a sua vida oculta (mistérios da alegria); meditamos em alguns momentos da vida pública de Jesus (mistérios da luz), nos sofrimentos da paixão (mistérios da dor) e no triunfo da ressurreição (mistérios da glória). A oração do Pai-Nosso está na base da oração cristã. É Jesus que nos leva ao Pai. A Ave Maria é o elemento que faz do Rosário uma oração mariana por excelência. A repetição sintoniza-nos com o encanto de Deus: “a encarnação do Filho no ventre virginal de Maria”. A doxologia, Glória-ao-Pai, que, em conformidade com uma orientação da piedade cristã, encerra a oração com a glorificação de Deus, uno e trino. É a meta da contemplação cristã.

4. Quais são os mistérios do Rosário?

De tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário aponta só alguns, que são confirmados pela autoridade eclesial. Esses ciclos meditativos estão assim distribuídos: Mistérios da Alegria: 1o Anunciação do anjo a Nossa Senhora; 2o A visita de Nossa Senhora à sua prima Isabel; 3o O nascimento de Jesus em Belém; 4o A apresentação de Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora; 5o A perda e o encontro de Jesus no Templo. Mistérios da Luz : 1o Batismo de Jesus; 2o As bodas de Caná; 3o O anúncio do Reino; 4oTransfiguração de Jesus; 5o Instituição da Eucaristia. Mistérios da Dor: 1o Agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras; 2o A flagelação de Jesus; 3o A coroação de espinhos de Jesus; 4o Jesus carregando a cruz para o calvário; 5o A crucifixão e a morte de Jesus. Mistérios da Glória: 1o A ressurreição de Jesus Cristo; 2o A ascensão de Jesus Cristo ao céu; 3o A vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria Santíssima; 4o A assunção de Maria ao céu; 5o A coração de Maria como rainha do céu e da terra. 

5. Quais os dias da semana para contemplar os mistérios do Rosário?

Contemplar os mistérios nos dias próprios da semana é uma ajuda que facilita a concentração do espírito do mistério. Na Segunda-feira e no Sábado, recorda-se a encarnação; na Terça-feira e na Sexta-feira, medita-se nos sofrimentos da paixão; na Quarta-feira e no Domingo, evoca-se o mistério pascal e na Quinta-feira, contemplam-se os mistérios da vida pública de Jesus entre o batismo e a paixão. Esta indicação não deve limitar a liberdade de opção, na meditação pessoal e comunitária do Rosário. O importante é que esta oração seja, cada vez mais, vista e sentida como itinerário contemplativo.

6. É necessário seguir o esquema comum dos mistérios do Rosário?

Sem prejudicar nenhum aspecto essencial do esquema da oração do Rosário, podemos também fazer uma adaptação aos tempos litúrgicos. Por exemplo, no Advento, os mistérios da alegria, que nos preparam para a vinda do Senhor; durante a Quaresma, os mistérios dolorosos; os mistérios gloriosos, contemplados durante o Tempo Pascal e os mistérios da luz, no Tempo Comum, acompanhando Jesus na sua vida pública, junto à Maria.

7. A repetição das mesmas preces no Rosário tem algum sentido?

A oração do Rosário é um método baseado na repetição. Isto é visível sobretudo nas ave-marias, repetidas dez vezes em cada mistério. É preciso entender o sentido que deve ser dado a uma oração repetitiva : não se trata de fixar a mente, a cada instante, nas palavras que são ditas, mas estas são como que uma motivação para manter a atmosfera mariana, na qual meditamos o mistério de Cristo.  No rosário não se trata de uma oração dirigida diretamente a Maria, mas de uma oração por ela e com ela. O Rosário é uma expressão do amor que não se cansa de voltar à pessoa amada. E o amor se exprime com poucas palavras, mas quase sempre as mesmas.

8. O Rosário é uma oração monótona?

Depende de quem reza. Ele pode ser também uma oração cheia de alegria, se soubermos recitá-lo. O rosário tornar-se-á um olhar fixo em Maria, aquela que vivenciou diferentes olhares, ao contemplar o seu Filho Jesus. O Papa João Paulo II chama a nossa atenção para os olhares de Maria, a serem redescobertos nesta oração: o olhar interrogativo da mãe que reencontra seu Filho entre os doutores do Templo; o olhar penetrante, que lê o coração do Filho nas Bodas de Caná; o olhar doloroso de quem acompanha sua Paixão; o olhar radiosopelo júbilo da Ressurreição e, enfim, o olhar ardoroso pela efusão do Espírito Santo em Pentecostes.

9. Como fazer do Rosário uma oração contemplativa?
O Rosário, a partir da experiência de Maria, é uma oração contemplativa. Maria é aquela que “guardava todos os fatos meditando-os em seu coração” (Lc 2,51). A recitação do Rosário requer um ritmo tranquilo e uma certa demora, que favoreçam a meditação dos mistérios da vida do Senhor, vistos através do coração de Maria, aquela que mais de perto esteve em contato com o Senhor.

10. Por que não se deve rezar o Rosário durante a missa?
É uma norma comum . Não se deve rezar o rosário durante a missa ou outras cerimônias litúrgicas. Isso impedirá a necessária participação ativa dos fiéis. Mas a reza do terço pode ser uma excelente preparação espiritual para participar mais conscientemente da missa.

11. Quais as maneiras para se recitar o Rosário?
O Rosário pode ser recitado pessoalmente, comunitariamente, por grupos de pastoral ou em família. Por antiga tradição, o Rosário, de modo particular, é uma oração onde a família se encontra. O Rosário, recitado pelos pais, em companhia dos filhos, constitui uma espécie de liturgia doméstica. “A família que reza unida o Rosário reproduz em certa medida o clima da casa de Nazaré: põe-se Jesus no centro, partilham-se com ele alegrias e sofrimentos, coloca-se em suas mãos necessidades e projetos, e dele recebe esperança e força para o caminho”. (João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, n. 41)

12. O Rosário é um meio de rezar pela paz?
Vários papas viram o Rosário como oração pela paz. São João Paulo II afirmou que o Rosário é “por natureza, uma oração orientada para a paz, porque consiste na contemplação de Cristo, Príncipe da paz e “nossa paz” (Ef 2,14). ( RVM, n.40). Devido ao seu caráter meditativo ele exerce uma ação pacificadora sobre quem o reza, seja sozinho, em família ou comunidade. Assim, pelo Rosário aprendemos o segredo da paz.

Fonte: Pequeno Catecismo Mariano – Academia Marial de Aparecida

Texto: Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R

sábado, 4 de fevereiro de 2017

ORIGEM DO ROSÁRIO: REFERÊNCIA AOS 150 SALMOS


A prática de se rezar o Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. No século XI, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios. 
O Dominicano Alan de la Roche propagou a recitação do rosário no século XV.
O terço Católico, composto de contas agrupadas em cinco dezenas, intercaladas com a oração do Pai-Nosso e do Glória ao Pai, é uma parte do Rosário, que compreende os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. O Papa João Paulo II, por meio da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16 de outubro de 2002, sugeriu uma nova série de mistérios, os chamados mistérios luminosos. Essa nova série de mistérios disponíveis para contemplação não alterou o formato do Rosário, que continua sendo de 150 Ave Marias, ou três Terços de 50 Ave Marias com os 3 mistérios: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.

Diminutivo da palavra “chapel”, o terço (Chapelet em francês), significa uma coroa de metal e de flores. A palavra “rosário” surgiu do amor cortês. O rosarium, que significa um campo de rosas, designava uma compilação de poemas que um cavaleiro dedicava à sua dama. Saudar a Virgem Maria com as Ave-Marias significa oferecer-lhe rosas, meditando o Evangelho com a Santa Mãe de Deus.

Fontes: 
O Segredo do Rosário, São Luís Maria Grignion de Montfort;
- O Santo Rosário da Santa Sé;
- Encíclica Magnae Dei Matris do papa Leão XIII sobre o Rosário;
- Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, do Papa João Paulo II.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

COMO SURGIU A ORAÇÃO DA AVE-MARIA?

A Ave Maria é sem dúvida a oração mariana mais conhecida em todo o mundo. Ela é rezada todos os dias por milhões de católicos e muitos chegam a recitá-la até duzentas vezes, quando reza-se o rosário ao longo do dia.


Esta oração, que na época medieval era conhecida como “Saudação angélica”, é o resultado de um longo processo. É uma oração composta de duas partes: uma de louvor e a outra de súplica. A sua primeira parte é tirada do evangelho de São Lucas: consiste na saudação do Anjo Gabriel a Maria: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28b), e na saudação de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! (Lc 1,42b).

Inicialmente esta união entre as duas saudações era encontrada somente na liturgia, e só mais tarde tornou-se uma oração popular. O seu uso como fórmula de oração começou nos mosteiros, em torno do ano 1000 e foi aos poucos se difundindo, tornando-se universal após o século XIII. O texto, porém, compreendia somente a primeira parte sem o nome de Jesus.

Foi somente no século XV que se acrescentou a segunda parte da Ave Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém.” E foi nesta época também que se acrescentou o nome “Jesus” no final da primeira parte.

Esta segunda parte é de origem popular-eclesial e também foi surgindo aos poucos.

Vale a pena lembrar o sermão no qual S. Bernardino de Senna (+ 1444) ao comentar a Ave Maria disse que ao final desta se poderia acrescentar “Santa Maria, rogai por nós pecadores”. A súplica a Maria começa com a adjetivo santa, porque Maria é a primeira entre todos os santos venerados pela Igreja, pois somente Ela é “cheia de graça”.

A fórmula atual da Ave Maria, que se difundiu lentamente, foi divulgada no breviário publicado em 1568, por ordem do papa Pio V.

Missionária Marlete Lacerda
Marióloga


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

ORAÇÕES À MARIA

A mais antiga Oração Mariana


À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Ó Virgem gloriosa e bendita!”.

A oração “Sub tuum praesidium” (À vossa proteção) é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece.

Encontrada num fragmento de papiro, em 1927, no Egito, remonta ao século III. Tem uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (“Estamos na provação” e “Livrai-nos de todo perigo) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Theotókos (Mãe de Deus). Este título é o mais importante e belo da Virgem Santíssima. Já no século II era dirigido a Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso em 431. O texto primitivo do qual derivam as diversas variações litúrgicas (copta, grega, ambrosiana e romana) é o seguinte:

Sob a tua misericórdia nos refugiamos. Mãe de Deus!
Não deixes de considerar as nossas súplicas em nossas dificuldades, mas livra-nos do perigo, Única Casta e Bendita!”

Theotókos: O título que comumente se traduz por "Mãe de Deus", quer dizer, ao pé da letra: "Aquela que deu à luz Deus", em latim Deipara. Este título professa que a pessoa que Maria deu à luz, é a pessoa do Filho de Deus ou a segunda Pessoa da SSma. Trindade na medida em que quis assumir a carne humana. Note-se que o vocábulo Theotóke é forma de vocativo; donde se depreende que a oração é dirigida a Maria, como expressão da grande antiguidade da devoção mariana no povo de Deus.


Fonte: Dom Estêvão Bittencourt (OSB) - Paraclitus.



Acompanhe os nossos textos sobre "Orações à Maria" nas próximas publicações:

- A mais antiga Oração Mariana;
- Como surgiu a Oração da Ave-Maria;
- Origem do Rosário: 150 Ave-Marias, referência aos 150 salmos;
- O Rosário;
- A origem da Oração Salve Rainha;
- Consagração à Maria.