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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

MAIS UMA CARTA! E ESTA É LONGA...

Queridas amigas,

Bom, antes de nós, Andréia e eu, entrarmos numa depressão profunda achando que somos mais porcaria de catequistas do que já achamos que somos... faço aqui algumas observações. 

Nem todas as realidades são iguais, Rô!  Louvo o seu ardor e gostaria, sinceramente, de poder passar noites sem dormir e semanas estudando para me tornar uma catequista melhor. Mas isso não é possível. Também gostaria de estar lá na minha primeira comunidade, onde conhecia a todos e onde podia acompanhar as crianças na catequese durante mais que alguns meses. Quando estava lá meu discurso era o mesmo que o seu. Estava no paraíso e não sabia. Minha realidade é que sou uma recém-chegada aqui. E pra mim é como se estivesse começando a ser catequista agora. 

Aliás, ainda converso com muitos dos "meus" ex-catequizandos. Sobre vídeo-game, filme, namoro, música. Somos amigos ainda. E muitos deles nunca mais pisaram na Igreja! Se acreditam em Deus, se seguem os passos de Jesus? Nem questiono isso. Basta-me que sejam pessoas de bem.

O que eu, a Glícia e a Andréia estamos colocando aqui são situações completamente diferentes da sua. E que, infelizmente, fazem parte da vida da maioria dos catequistas. Nem sempre podemos escolher a turma, o horário, o dia. Nem sempre temos tempo pra dedicação integral à catequese. Assim como nem sempre encontramos adolescentes com "ânsia” em saber como construir um mundo diferente, como fazer para lidar com o mundo, sem se matar, sem se mutilar, sem se “contaminar". A grande maioria já está "contaminada" desde muito cedo. 

E agora lembrei de uma fala de uma catequizanda minha:. "Porque você quer ficar nos chateando contando essas história? Isso não interessa, vamos brincar de alguma coisa." E aí eu questiono nosso papel de catequistas da Igreja Católica. Se é para fazê-los se sentir "aceitos, ouvidos, valorizados, e principalmente amados" não é melhor a gente montar consultório de psicólogo na catequese e jogar a bíblia fora? Ou quem sabe adotar todo mundo e levar pra casa? 

E quero lembrar o contexto das "pérolas aos porcos", que faz parte do Sermão da Montanha, ou seja, um dos maiores ensinamentos de Jesus aos homens. Em Mateus 7, 6, Jesus diz: "Não deis aos cães o que é santo, nem jogueis vossas pérolas diante dos porcos...". E aí acredito que ele fala das pessoas que, claramente, mostram desdém pelo evangelho, não devemos continuar insistindo e forçando-as a aceitar a palavra. Algumas pessoas, não querem ou simplesmente não conseguem ou estão preparadas para apreciar o grande valor da palavra de Deus. E essa é o nosso trabalho na catequese, fazer ecoar a Palavra de Deus. 

E se a gente for um pouco mais adiante em Mateus, vai ler o seguinte: "Todo aquele que pede recebe, quem procura encontra, e a quem bate, a porta será aberta." Não é preciso perder o sono ou se achar responsável pelas desgraças da humanidade ou se culpar porque ninguém está "aprendendo nada". Lembremos da "regra de ouro": "pedi e vos será dado!". Não podemos pedir pelo outros! É preciso que cada um se converta e se responsabilize pela sua própria fé. Querer isso de uma criança? Olha... É improvável que aconteça! 

E lembro aqui também uma fala de Içami Tiba: "Amigo é amigo e Pai é Pai", cada um tem seu papel. E vamos adaptar à catequese: "Catequista é catequista e Pais são Pais", não queiramos tomar o lugar destes, porque com os filhos, ficamos no máximo uma hora por semana e no período escolar. E esse é o período que nos é dado para CATEQUIZAR e não para praticar terapia de grupo! 

Por que nossos catequizandos parecem não saber nada e não seguem nossa religião depois da catequese? Porque não estamos sendo catequistas de verdade! Porque estamos querendo substituir relações humanas imprescindíveis! Queremos ser pais, terapeutas, conselheiros, professores, amigos. Educar para a fé que é bom, nada! E de quebra ainda usando a Bíblia, que nem todo mundo está preparado para entender. Primeiro a conversão! Sem estar convertido quem é que assimila alguma fé? 

Fico feliz, que você tenha catequizandos com presença constante na catequese e que você se sinta realizada com eles. Mas eu me nego a assumir a culpa pelo meu fracasso na catequese de adolescentes, assim como a Andréia também não deve assumir. E também não tenho amargura nenhuma. Só penso que a catequese de crianças e adolescentes, nos moldes em que estão, não tem futuro algum. 

Se pretendo deixar de ser catequista? Não, de maneira alguma. Mas, "educar" os filhos dos outros nas coisas elementares como respeito, cortesia, gentileza; não é função do catequista, como diz aquele ditado: "educação vem do berço". E isso não é um julgamento, é uma constatação dos fatos. 

E sim, cada vez mais se prova que o grande "segredo" do sucesso são as relações humanas! É com elas que precisamos contar para poder evangelizar as pessoas. Mas nunca pensando "substituir" ou "furtar" aos pais a grande responsabilidade de criar os filhos e fazê-los pessoas boas! A nós, cabe sermos os "segundos", nunca os primeiros, na vida das crianças e adolescentes. Precisamos complementar a educação dada pelos pais e ajudá-los quando necessário. Já imaginou que maravilha seria se, pelo menos uma vez por semana, a gente também pudesse se encontrar com as famílias? Esse é meu sonho! 

E assim como a Renata e a Rosangela relataram, existem muitas e muitas experiências maravilhosas de sucesso na catequese. Eu mesma tenho muitas. E é claro que não há uma debandada geral da Igreja, senão não teríamos mais católicos! Mas é ingenuidade nossa achar que tudo tem jeito e que basta um pouco mais de esforço nosso. Muitas vezes esse "esforço" pode custar a nossa própria fé na humanidade e nossa saúde! 

Angela Rocha – Londrina Pr.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

QUE ALEGRIA RECEBER ESTA CARTA!


 Amigas,

Olha, eu concordo com a Rô, os adolescentes precisam de nós... eu AMO trabalhar com eles, esquento a cabeça? Esquento... Se me incomodo? Também... mas quando eu consigo chegar no coração de um deles, e ouvir a verdade do que se passa lá dentro, eu sofro e choro por eles, porque não era pra ser assim...

Faz pouquíssimo tempo que sou catequista e comecei de cara com a Crisma, desafio dos grandes, mas o amor fala mais alto em mim... Aliás, esse é um dos motivos pelo qual eu me encanto com Jesus, quando consigo, através da inspiração que Ele traz para minha vida, olhar o outro com olhos de amor, sem preconceito, sem mágoa, sem querer que a minha vontade prevaleça... apenas amor. E é isso que eles querem, eles querem mostrar ao mundo que são autossuficientes, mas, mexe onde dói pra ver, eles chorarem como bebês!

Outra coisa que percebi por aqui, é que o fato de a igreja ter algo pra eles contribui e muito para que o número de crismandos que voltam para a igreja depois do Crisma aumente mais e mais.

Recentemente foi criado um grupo de oração jovem aqui na nossa paróquia que tem cada vez mais e mais, arrebanhado os jovens, muitas vezes antes mesmo de eles entrarem para a catequese de Crisma, já estão participando. São mais de 100 jovens que se reúnem todos os domingos à tarde, e encerram o encontro com a participação na missa. Eles sempre fazem a entrada da procissão e todos podem vê-los, isso mesmo, eles querem ser vistos por nós! Claro que a participação não é de 100% dos catequizandos, mas sempre que eu vejo três das minhas catequizandas da turma passada lá, com a Bíblia numa mão, rosário na outra, acenando pra mim, eu digo pra mim mesma, "Obrigada Senhor, pois hoje eu sei que valeu a pena!"

Já que hoje tô "faladeira" ...rs... posso dizer que  também concordo com você Angela, pois em todos os e-mails que leio por aqui, tem um fundo de verdade aqui e ali. Eu amo trabalhar com os jovens, e os meus tem 14/15 anos por isso acho um pouquinho mais fácil me comunicar com eles. Mas a família deveria ser o principal foco da catequese sim. Catequizando os pais, os filhos seguiriam o mesmo caminho, ou pelo menos a probabilidade de isso acontecer, seria maior.

E nós não estamos preparados pra isso e duvido que estaríamos em mais 100 anos! Não concordo também que os sacramentos sejam valorizados pelos números, mas sim pelo valor que tem.

Eu tinha um catequizando que mais faltava do que vinha, me pregou umas mentiras pra justificar as faltas, e qualquer esforço meu para que ele recuperasse as faltas, ele não acompanhava. Frustrada, disse para eles que se alguém realmente não quisesse estar ali, que chegasse em casa e falasse com os pais, e se os pais reclamassem, mandasse vir até mim. Eu disse que na idade deles eu não estava preparada para receber o Crisma, que gostaria muito é de recebê-lo agora e eles me olharam espantados. Mas é a verdade, e também é verdade de que a semente em mim plantada há mais de 15 anos atrás, resolveu acordar e mostrar seu brotinho na terra. Devemos crismar só por crismar?

Acho que não. Mas como seria para mim hoje, se não tivesse sido crismada mesmo não estando preparada? Eu seria catequista hoje? Eu procuraria a Igreja? Eu me interessaria pela história da nossa fé? Só Deus saberia responder... E quanto a esse catequizando faltante meu, deixou a catequese, disse à mãe que não estava preparado para assumir o compromisso, mas que sabia que quando estiver, ele sabe onde buscar. Eu fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, feliz por ele ter tido a coragem de não ser só mais um número na catequese por vontade dos pais, e triste por ele não sentir o que eu queria que ele sentisse, mas o momento não pertence à mim, é de Deus, e ele é compassivo.

Andreia amada, que bom que você escreveu, o que é justo sim, pois esse é um grupo de amigos, e não  "Clubinho da alegria"! Compartilhar, o que é bom e o que é ruim faz parte e ajuda a todos. Ajuda a você que precisa desabafar e não sabe onde, e ajuda a gente a perceber que o problema não está “estacionado” em nossa catequese, todos passam por dificuldades aqui e ali,  você está passando pelas suas agora. Se os seus catequizandos querem conversar, converse com eles, e use a Bíblia, seu conteúdo, suas histórias e ensinamentos para conversar de volta com eles! Não se apegue ao planejamento, isso sim deixa a gente frustrada demais se não conseguimos pô-lo em prática, aconteceu comigo! Eu via catequista falando que já estava no final do roteiro e eu toda atrapalhada no meio do meu. Mas quando vi meus catequizandos me abraçando, cumprimentando, sentando ao meu lado para conversar, eu percebi que é isso que eles precisam é disso, atenção... Se eles souberem que na igreja tem alguém pra ouvi-los, eles voltam. Ânimo mulher!

Renata - Cocal do Sul SC