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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020 - Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso


Estamos chegando a mais um período de Quaresma e com ela vem a Campanha da Fraternidade, um período para analisarmos e colocarmos em prática algo que deveria ser natural para nós, a prática do amor, da solidariedade e a nossa conversão diária. Sair um pouco da “casinha” e enxergar as inúmeras dores e realidades que se passam ao nosso redor. Nesse tempo penitencial a rotina na comunidade se torna diferente, nos nossos encontros de catequese temos a oportunidade de dialogar com nossas crianças, jovens e adultos, nos nossos bairros, fazemos os encontros nos grupos de rua, com nossos vizinhos e nestes momentos em grupo, meditamos, conversamos, partilharmos histórias, experiências e nos conscientizamos dos dramas do nosso próximo. E o mais importante: temos a chance de fazer algo concreto para ajudar as pessoas, seja nas ações sociais da nossa comunidade ou na contribuição para a CF, chega o momento de se ter atitudes de fato e mostrar que pode fazer a diferença.

Neste ano, com o tema: “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34) podemos refletir sobre o que significa isso na nossa vida.

Quantas vezes assumimos o papel do levita e do sacerdote e passamos adiante e quando incorporamos a do samaritano? Temos olhado ao nosso redor, sobretudo nos grandes centros urbanos e temos visto quão grande é o número de pessoas sofrendo por inúmeras enfermidades, das doenças, dos vícios, do abandono, da depressão... e onde estamos nós? As vezes quando ficamos sabendo do sofrimento de alguém, de  a gente se dispõe a rezar, claro que  nossa oração é muito importante, mas  muitas vezes não basta, precisamos sair da nossa comodidade e precisamos rezar com atitudes, com nossas mãos. Precisamos fazer algo concreto para ajudar o próximo, nos conscientizar, por meio dos ensinamentos de Jesus, do valor da vida, dom concedido por Deus a todos e do nosso compromisso como cristão de amar o próximo como a si mesmo, que se traduz em cuidado mútuo, o olhar você e olhar para o outro, na sua casa, no seu trabalho, no seu bairro, na sociedade e no mundo. Cuidar do nosso planeta, nossa casa comum, onde todos são prejudicados pela falta de responsabilidade e por não pensar no futuro.


Baseada na leitura do Evangelho do Bom Samaritano, os objetivos da CF deste ano estão divididos em três partes:

I PARTE – VIU

 - O olhar de Jesus – atenção aos outros
 - O olhar da indiferença gera ameaças à vida
 - O olhar que destrói a natureza
-  O olhar da indiferença exclui a vida
-  O olhar da solidariedade social
- Qual será o nosso olhar?

II PARTE – SENTIU COMPAIXÃO

- Compaixão de Jesus – romper com indiferença
-  Compaixão é ter mais coração nas mãos
-  Compaixão é ter mais justiça no coração
-  A caridade: verdadeiro sentido da vida
- Cuidar é ter mais ternura na vida
-  A Boa-nova do cuidado da vida
-  Ecologia integral
-  O desafio do sentido

III PARTE – CUIDOU DELE

-  O cuidar de Jesus – disposição em servir
- Um compromisso com a vida
- Um compromisso pessoal
- Uma renovação familiar
-  Em Comunidades Eclesiais Missionárias
- Jornada Mundial dos Pobres
- Uma colaboração social

Santa Dulce dos pobres, é a inspiração para os cartazes da Campanha deste ano, canonizada em outubro, seu legado permanece vivo em suas obras onde a prioridade era amar e servir.Para conhecer um pouco mais de história da nossa primeira santa brasileira clique aqui:


Que tal se inspirar neste testemunho de vida e preparar encontros inesquecíveis com seus catequizandos? Quantas obras inspiradoras não podemos tomar como exemplo?

Aqui fica um pequeno pensamento dela para refletirmos e colocarmos em prática:

“Habitue-se a ouvir a voz do seu coração. É através dele que Deus fala conosco e nos dá a força que necessitamos para seguirmos em frente vencendo obstáculos que surgem na nossa estrada. Não se vai acabar com a pobreza. Deus instituiu pobres e ricos, porém, a agente deve empregar todos os esforços possíveis para melhorar a situação. A miséria é a falta de amor entre os homens”.

Santa Dulce dos pobres


Os subsídios para os encontros, cartaz, livrinho, texto base; já estão nas livrarias e o Hino da Campanha da Fraternidade está no link abaixo:




Colaboração:
Vivian Leite - São Paulo SP.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

AMAR E SERVIR: IRMÃ DULCE


A PRIMEIRA SANTA NASCIDA NO BRASIL SERÁ CANONIZADA DIA 13 DE OUTUBRO - CONHEÇA UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Irmã Dulce foi uma das mais importantes, influentes e notórias ativistas humanitárias do século XX. Suas grandes obras de caridade são referência nacional e ganharam repercussão pelo mundo. 
Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã DulceBeata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres e até mesmo Santa Dulce, foi uma religiosa, nascida em Salvador, que desde criança se importava com os pobres, doentes e necessitados, usando sua própria casa para acolhê-los. Ainda menina sentia o desejo de servir a Deus. Aos treze anos tentou entrar para a vida religiosa, porém não foi aceita por causa da pouca idade.
Sem jamais desistir, em 15 de agosto de 1934, Maria Rita fez votos de fé, na congregação Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, Sergipe, tornando-se freira e recebendo o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe, falecida quando a religiosa tinha apenas 9 anos. De volta a Salvador, já como freira, sua primeira missão foi ensinar geografia e história em um colégio mantido por sua congregação e prestar assistência religiosa no Hospital Espanhol de Salvador, onde atuou em serviços de auxiliar de enfermagem e no setor de radiologia.
Em 1º de novembro de 1936, com 22 anos, Irmã Dulce fundou a União Operária São Francisco e em 1937 criou o Círculo Operário da Bahia, mantido pela arrecadação de três salas de cinema fundadas pela religiosa. Deve-se também à Irmã Dulce a criação, em maio de 1939, do Colégio Santo Antônio, voltado para operários e suas famílias, inicialmente atendendo 300 crianças e 300 adultos. Importante também foi a sua participação na criação de um albergue para doentes, localizado no convento de Santo Antônio, que depois iria se transformar no Hospital Santo Antônio. Em 8 de agosto de 1941 foi diplomada como “ Oficial de Farmácia”.
Ao conhecer a precária situação em que viviam os moradores de rua e favelados dos alagados de Salvador, sentiu a necessidade de oferecer-lhes assistência social e religiosa e passou a acolher os mais necessitados nos arcos da Igreja do Bonfim. Logo foi impedida pelo pároco, que argumentou que isto estava causando transtornos aos fiéis e turistas que visitavam o famoso templo. Transferiu seu atendimento para o Mercado do Peixe, onde também foi desalojada pelo poder público. A solução encontrada foi, com a permissão da madre superiora, acolher seus protegidos no galinheiro do Convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, que em 1960 foi transformado no Albergue Santo Antônio, com 150 leitos (onde hoje funciona o Hospital Santo Antônio).
Obras assistenciais de Irmã Dulce - OSID
Atualmente, segundo dados da OSID, (Obras Sociais da Irmã Dulce), cerca de duas mil pessoas são atendidas todos os dias nesta unidade médica. São mais de 2,2 milhões de atendimentos ambulatoriais anuais,18 mil internamentos e 12 mil cirurgias. Além disso, são mais de 11 mil atendimentos por mês para tratamento de câncer. Tudo isso 100% gratuito, pois a irmã jamais quis que houvesse aceitação de convênios médicos ou atendimento particular. Sobre isso irmã Dulce afirmava: “Essa obra não é minha, é Deus, e o que é de Deus permanece e não vai faltar nada para o paciente”, elegendo Santo Antonio, seu santo de devoção como seu “tesoureiro”. Essa obra é um verdadeiro milagre, que se mantém por meio do SUS, doações e vendas de produtos.
Entre outras instalações inaugurou ainda um asilo, o Centro Geriátrico Júlia Magalhães, e um orfanato, o Centro Educacional Santo Antônio, em Simões Filho, que atende mais de setecentas crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo educação infantil até o nono ano, além de acesso à arte-educação, inclusão digital, atividades esportivas, assistência odontológica, alimentação, uniforme e material escolar gratuitos. Foram mais de 50 anos dedicados a servir o próximo.
Em 1980, durante a primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil, Irmã Dulce foi convidada a subir no altar e recebeu do Papa, um terço e ouviu as seguintes palavras: “Continue, Irmã Dulce, continue”. Em 1988, foi indicada ao Nobel da Paz, com o apoio da rainha Silvia da Suécia, mas não foi a escolhida.
Irmã Dulce era muito frágil fisicamente. Media apenas 1,50m, sofria de problemas respiratórios, e dormia sentada em uma cadeira de madeira. Mesmo com a saúde debilitada, não parou seu trabalho. Já enfraquecida pela doença, foi internada no Hospital Português da Bahia e depois transferida para a UTI do Hospital Aliança e finalmente para o Hospital Santo Antônio. No dia 20 de outubro de 1991, Irmã Dulce recebeu a visita do Papa João Paulo II, para receber a benção e a extrema-unção.  Faleceu em Salvador no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos. Seus restos mortais foram enterrados na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e depois transferidos para a capela do Hospital Santo Antônio, onde permanecem.
Foi beatificada pelo Papa Bento XVI, no dia 10 de dezembro de 2010, passando a ser reconhecida com o título de Bem-aventurada Dulce dos Pobres. ” A cerimônia de beatificação foi realizada na cidade de Salvador, dia 22 de maio de 2011, e presidida pelo Arcebispo emérito de Salvador, Dom Geraldo Magela Agnelo, enviado do Papa Bento XVI.
Em julho de 2019, o papa Francisco anunciou sua canonização para 13 de outubro de 2019, tornando-se a primeira mulher brasileira nata a ser canonizada. Lembrando que sua canonização será a terceira mais rápida da história (27 anos após seu falecimento), atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa) e do Papa João Paulo II (9 anos após sua morte).
A canonização de Santa Dulce dos Pobres, será realizada no Vaticano e seu dia será celebrado sempre em 13 de agosto, a partir de 2020. Regida pelo Papa Francisco, a cerimônia ocorre durante o Sínodo da Amazônia.
Cartaz da CF 2020.
Nossa Santa Dulce dos Pobres, também é a inspiração para o tema da Campanha da Fraternidade de 2020, com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, com o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, relacionado ao Evangelho de Lucas, e a parábola do Bom Samaritano.
Para ouvir: música oficial da cerimônia de canonização de irmã Dulce

Fontes:
- Obras Sociais Irmã Dulce
- ACI Digital
- Hospital do Coração/RN
- G1

Imagens:
Foto - Divulgação Obras Assistenciais Irmã Dulce
Cartaz CF -  Leonardo Cardoso designer da Edições CNBB.

Colaboração: Vivian leite - São Paulo SP.