quinta-feira, 10 de outubro de 2019

AMAR E SERVIR: IRMÃ DULCE


A PRIMEIRA SANTA NASCIDA NO BRASIL SERÁ CANONIZADA DIA 13 DE OUTUBRO - CONHEÇA UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Irmã Dulce foi uma das mais importantes, influentes e notórias ativistas humanitárias do século XX. Suas grandes obras de caridade são referência nacional e ganharam repercussão pelo mundo. 
Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã DulceBeata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres e até mesmo Santa Dulce, foi uma religiosa, nascida em Salvador, que desde criança se importava com os pobres, doentes e necessitados, usando sua própria casa para acolhê-los. Ainda menina sentia o desejo de servir a Deus. Aos treze anos tentou entrar para a vida religiosa, porém não foi aceita por causa da pouca idade.
Sem jamais desistir, em 15 de agosto de 1934, Maria Rita fez votos de fé, na congregação Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, Sergipe, tornando-se freira e recebendo o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe, falecida quando a religiosa tinha apenas 9 anos. De volta a Salvador, já como freira, sua primeira missão foi ensinar geografia e história em um colégio mantido por sua congregação e prestar assistência religiosa no Hospital Espanhol de Salvador, onde atuou em serviços de auxiliar de enfermagem e no setor de radiologia.
Em 1º de novembro de 1936, com 22 anos, Irmã Dulce fundou a União Operária São Francisco e em 1937 criou o Círculo Operário da Bahia, mantido pela arrecadação de três salas de cinema fundadas pela religiosa. Deve-se também à Irmã Dulce a criação, em maio de 1939, do Colégio Santo Antônio, voltado para operários e suas famílias, inicialmente atendendo 300 crianças e 300 adultos. Importante também foi a sua participação na criação de um albergue para doentes, localizado no convento de Santo Antônio, que depois iria se transformar no Hospital Santo Antônio. Em 8 de agosto de 1941 foi diplomada como “ Oficial de Farmácia”.
Ao conhecer a precária situação em que viviam os moradores de rua e favelados dos alagados de Salvador, sentiu a necessidade de oferecer-lhes assistência social e religiosa e passou a acolher os mais necessitados nos arcos da Igreja do Bonfim. Logo foi impedida pelo pároco, que argumentou que isto estava causando transtornos aos fiéis e turistas que visitavam o famoso templo. Transferiu seu atendimento para o Mercado do Peixe, onde também foi desalojada pelo poder público. A solução encontrada foi, com a permissão da madre superiora, acolher seus protegidos no galinheiro do Convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, que em 1960 foi transformado no Albergue Santo Antônio, com 150 leitos (onde hoje funciona o Hospital Santo Antônio).
Obras assistenciais de Irmã Dulce - OSID
Atualmente, segundo dados da OSID, (Obras Sociais da Irmã Dulce), cerca de duas mil pessoas são atendidas todos os dias nesta unidade médica. São mais de 2,2 milhões de atendimentos ambulatoriais anuais,18 mil internamentos e 12 mil cirurgias. Além disso, são mais de 11 mil atendimentos por mês para tratamento de câncer. Tudo isso 100% gratuito, pois a irmã jamais quis que houvesse aceitação de convênios médicos ou atendimento particular. Sobre isso irmã Dulce afirmava: “Essa obra não é minha, é Deus, e o que é de Deus permanece e não vai faltar nada para o paciente”, elegendo Santo Antonio, seu santo de devoção como seu “tesoureiro”. Essa obra é um verdadeiro milagre, que se mantém por meio do SUS, doações e vendas de produtos.
Entre outras instalações inaugurou ainda um asilo, o Centro Geriátrico Júlia Magalhães, e um orfanato, o Centro Educacional Santo Antônio, em Simões Filho, que atende mais de setecentas crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo educação infantil até o nono ano, além de acesso à arte-educação, inclusão digital, atividades esportivas, assistência odontológica, alimentação, uniforme e material escolar gratuitos. Foram mais de 50 anos dedicados a servir o próximo.
Em 1980, durante a primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil, Irmã Dulce foi convidada a subir no altar e recebeu do Papa, um terço e ouviu as seguintes palavras: “Continue, Irmã Dulce, continue”. Em 1988, foi indicada ao Nobel da Paz, com o apoio da rainha Silvia da Suécia, mas não foi a escolhida.
Irmã Dulce era muito frágil fisicamente. Media apenas 1,50m, sofria de problemas respiratórios, e dormia sentada em uma cadeira de madeira. Mesmo com a saúde debilitada, não parou seu trabalho. Já enfraquecida pela doença, foi internada no Hospital Português da Bahia e depois transferida para a UTI do Hospital Aliança e finalmente para o Hospital Santo Antônio. No dia 20 de outubro de 1991, Irmã Dulce recebeu a visita do Papa João Paulo II, para receber a benção e a extrema-unção.  Faleceu em Salvador no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos. Seus restos mortais foram enterrados na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e depois transferidos para a capela do Hospital Santo Antônio, onde permanecem.
Foi beatificada pelo Papa Bento XVI, no dia 10 de dezembro de 2010, passando a ser reconhecida com o título de Bem-aventurada Dulce dos Pobres. ” A cerimônia de beatificação foi realizada na cidade de Salvador, dia 22 de maio de 2011, e presidida pelo Arcebispo emérito de Salvador, Dom Geraldo Magela Agnelo, enviado do Papa Bento XVI.
Em julho de 2019, o papa Francisco anunciou sua canonização para 13 de outubro de 2019, tornando-se a primeira mulher brasileira nata a ser canonizada. Lembrando que sua canonização será a terceira mais rápida da história (27 anos após seu falecimento), atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa) e do Papa João Paulo II (9 anos após sua morte).
A canonização de Santa Dulce dos Pobres, será realizada no Vaticano e seu dia será celebrado sempre em 13 de agosto, a partir de 2020. Regida pelo Papa Francisco, a cerimônia ocorre durante o Sínodo da Amazônia.
Cartaz da CF 2020.
Nossa Santa Dulce dos Pobres, também é a inspiração para o tema da Campanha da Fraternidade de 2020, com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, com o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, relacionado ao Evangelho de Lucas, e a parábola do Bom Samaritano.
Para ouvir: música oficial da cerimônia de canonização de irmã Dulce

Fontes:
- Obras Sociais Irmã Dulce
- ACI Digital
- Hospital do Coração/RN
- G1

Imagens:
Foto - Divulgação Obras Assistenciais Irmã Dulce
Cartaz CF -  Leonardo Cardoso designer da Edições CNBB.

Colaboração: Vivian leite - São Paulo SP.


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