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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

JORNADA QUARESMAL - EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS


 QUARESMA

“Assim como o corpo sem a alma é morto, a fé sem obras é morta.” (Tg 2, 26). 

A palavra QUARESMA se origina do número quarenta, que aparece várias vezes na Sagrada escritura, destacando o sentido de um tempo para a conversão e purificação. No Tempo Litúrgico da Quaresma a Igreja reflete sobre as práticas que nos levam às mudanças de pensar e agir. O tempo quaresmal tem seu início na quarta-feira de Cinzas e termina com o início do Tríduo Pascal. Durante este tempo os fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do Jejum, da Esmola e da Oração. Nas celebrações, principalmente as dominicais, as leituras bíblias, próprias para este tempo, abordam práticas e formas de cada fiel poder viver melhor sua caminhada com e para Deus. Todo fiel que desejar viver bem o tempo da quaresma e alcançar as virtudes santificadoras deve participar das celebrações e buscar praticar as obras de misericórdia.
Para isso, propomos que nesta Quaresma nos dediquemos a construir o nosso ser como pessoas melhores, tentando observar um exercício espiritual para cada dia da Quaresma, preparando-se para viver verdadeiramente a Páscoa.

Qual o objetivo dos exercícios espirituais?

Este quadro de exercícios tem por objetivo auxiliar os fieis na realização de boas obras. No quadro foi feita uma relação de quarenta ações santificadoras a serem praticadas. Você pode, na noite anterior, durante a sua oração, escolher qual atividade vai praticar no dia seguinte de acordo com seus compromissos e atividades diárias. Se não for possível praticar uma a cada dia, observe aquelas que de mais importância para que possam ser feitas.

Como fazer os exercícios?

1 – Tenha consigo a relação das práticas durante a sua oração diária, da noite ou da manhã;
2 – Escolha a atividade que melhor convier para aquele dia e vá assinalando à medida que for realizando, os exercícios são pessoais;
4 – Escreva uma lista de intenções e também sua lista de pessoas pelas quais deseja interceder e faça a Oração para o Tempo Quaresmal.

Lista de Intenções
Lista de Nomes













ORAÇÃO PARA O TEMPO QUARESMAL

Pai Nosso, que estais no céu,durante esta época de arrependimento,
Tende misericórdia de nós. Com nossa oração, nosso jejum e nossas boas obras,
transformai o nosso egoísmo em generosidade.
Abri os nossos corações à vossa Palavra, curai-nos das feridas do pecado,
Ajudai-nos a fazer o bem neste mundo. Que transformemos a escuridão e a dor em vida e alegria.
Concedei-nos o que vos pedimos, por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!


 JORNADA QUARESMAL – 40 EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS PARA A QUARESMA

“Que os  lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se  tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença! ” (Papa Francisco).

Levarei materiais de higiene à minha paróquia para que seja encaminhado à pastoral carcerária.
Acenderei uma vela para o Anjo da Guarda de meus filhos e afilhados (ou Sobrinhos, netos).
Escreverei uma carta a alguém que há tempos não vejo (Ou enviarei uma mensagem).
Dedicarei minhas orações pela Juventude: Grupos de Jovens, Pastoral da Juventude.
Neste dia tomarei cuidado em não julgar as pessoas. (Jo 8, 1-11).
Levarei uma doação à Pastoral Social da minha paróquia.
Reservarei uma hora do dia para orar com um grupo de amigos (as). Lc 9, 28b-36.
Acolherei as pessoas, neste dia como se estas fossem Jesus.
Meditarei sobre a Via Sacra para o bem da minha fé ou participarei dela na comunidade.
Visitarei um enfermo.
Vou dedicar um dia especial à família.
Hoje levarei uma cesta de alimentos para minha paróquia.
Rezarei um Terço pelos que não creem.
Farei o terço da misericórdia pelas vocações sacerdotais
Consagrarei minha família ao Sagrado Coração de Jesus.
Minhas orações serão para as vítimas de guerra, conflitos e catástrofes naturais.
Rezarei a Novena de N. Sra. do Perpétuo Socorro pelo meu pároco e demais padres.
Farei uma oferta para as missões.
Minha oferta de hoje na missa será pela implantação do Reino de Deus.
Participarei da santa Missa em intenção às pessoas com quem não me relaciono muito bem.
Vou separar roupas para doar a alguma instituição.
Farei silêncio por meio dia (ou... horas), e meditarei sobre a palavra que sai da minha boca.
Em oração, perdoarei alguém que tenha me magoado/ofendido.
Levarei um dízimo especial à minha comunidade.
Organizarei uma reunião familiar para a oração do Terço.
Farei a novena da Padroeira (o) de minha paróquia pela fidelidade dos dizimistas.
Consagrarei meu dia à Nossa Senhora.
Minhas oraçãoes de hoje serão pela conversão das famílias.
Renovarei, diante do Santíssimo, meu compromisso para com a Palavra de Deus.
Hoje vou arrumar minha casa e separar utensílios que não uso e doá-los.
Meditarei o salmo 138.
Farei Vigília de uma hora diante do Santíssimo pelos que não tem fé.
Farei um bom ato de contrição e vou procurar me confessar. (Lc 13, 1-9).
Refletirei sobre a parábola do Filho pródigo. (Lc. 15, 11-32).
Buscarei falar sobre a Palavra de Deus a alguém.
Jejuarei pelos que sofrem tentações. (Lc 4, 1-13).
Hoje vou meditar e orar pelos trabalhos da Campanha da Fraternidade.
Hoje, dedicarei meu dia a orar pelas pessoas com necessidades especiais.
Hoje, irei ao cemitério orar pelas almas de entes queridos.
Farei uma ação concreta de generosidade sem que ninguém saiba.

Ângela Rocha
Catequista

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A PÁSCOA E SUAS MUDANÇAS NO CALENDÁRIO


"Quem é o que celebra a Páscoa, senão quem crê Naquele que padeceu na terra, para reinar com Ele no céu?"
(Santo Agostinho)

Origens da Páscoa

Muitos povos antigos tinham por costume comemorar o fim do Inverno e o início da Primavera com festas durante as noites iluminadas pela Lua Cheia. A primeira noite de Lua Cheia, após a entrada da Primavera, era para eles uma noite especial.

Foi durante a noite, numa dessas comemorações, que ocorreu o Pessah (passagem, em hebraico), relatado na Torah dos hebreus e no Antigo Testamento da Bíblia Cristã. Foi quando o anjo da morte passou sobre o Egito e todos os primogênitos dos não hebreus foram mortos. A esse acontecimento, seguiu-se a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés. A comemoração da data da Pessah (passagem), que viria a dar origem à Páscoa dos cristãos, foi diretamente ordenada por Deus a Moisés.

Na tradição Cristã, a Páscoa é igualmente importante, pois quando Jesus retornou a Jerusalém para participar das comemorações do Domingo da Pessah (Páscoa), foi capturado e, depois, crucificado, tendo morrido na sexta-feira e ressuscitado no domingo. Alguns historiadores relatam que a ressurreição de Jesus se deu na lua cheia da primavera (no nosso caso, hemisfério sul, no outuno).

A Páscoa, como festa cristã comemorativa da Ressurreição de Jesus Cristo, foi instituída pela Igreja Católica somente no ano 30 d.C. e, originalmente, coincidia com a Páscoa (Pessah) dos hebreus.

Já, o Carnaval tem sua origem ligada à Páscoa Cristã. Às vésperas da Quaresma, prestes a passar 40 dias sem comer carne, os povos antigos instituíram uma festa para fartarem-se o quanto pudessem durante 3 dias com comidas, bebidas e, é claro, de carne.

A palavra “carnaval” provavelmente tem origem na expressão latina “Carne Vale”, que significa que “se pode comer carne”. O Carnaval (originalmente) começa no domingo, a exatos 49 dias antes do Domingo de Páscoa, termina na Terça-Feira Gorda, à véspera da Quarta-Feira de Cinzas, quando começa a Quaresma.

A Páscoa no calendário

Primeiramente a Páscoa Cristã, coincidia com a Páscoa Judaica. Mas com a instituição do calendário Juliano começaram a ocorrer algumas diferenças, uma vez que o calendário cristão é diferente do calendário judaico. O calendário cristão é solar (baseado na movimentação da Terra em volta do Sol). O calendário judaico é lunissolar: os meses são baseados nos ciclos da lua, mas as estações do ano no movimento solar, nele o ano pode ter 12 ou 13 meses, dependendo do ciclo.

Como a Páscoa Judaica passou a não coincidir com a Páscoa Cristã, a igreja,  para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C,  definir a data relacionada a uma Lua imaginária, conhecida como a "Lua eclesiástica", uma série de projeções da posição da lua feita pelos estudiosos da época.

Com isso, surge uma variabilidade decorrente da precisão da lua cheia eclesiástica. A situação melhorou com a entrada do calendário gregoriano, mas a coincidência entre a lua teórica e a real ainda não é perfeita. Por tudo isso, é que a data da Páscoa pode variar entre 22 de março e 25 de abril, e a do carnaval caminha junto com ela, fixada sempre sete domingos antes.

O dia da Páscoa cristã, que marca a ressurreição de Cristo, de acordo com o  decreto do Papa Gregório XIII instituído 1582, (seguindo o concílio de Nicéia), é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março ou 22 de março, época em que ocorre o equinócio de Primavera (ou de outono no hemisfério sul) e consequentemente a mudança da estação (equinócio é o ponto da órbita da terra em que se registra igual duração do dia e da noite).

Esse fenômeno ocorre no dia 21 de março e no dia 23 de setembro. Lembrando que, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas, que, sem levar totalmente em conta o movimento complexo da Lua, pode ser calculada e está próxima da lua real.

Com relação a Páscoa Judaica (Pessah), ela ocorre 163 dias antes do ano novo judaico, na primeira lua cheia da primavera do hemisfério norte. No calendário judaico cada mês (que podem ser de 29 ou 30 dias) se inicia com a lua nova. Comparado com o calendário gregoriano (solar), ocorre a cada ano uma diferença de aproximadamente 11 dias. Para compensar essa diferença a cada ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II) em sete destes anos. Essa adaptação acontece, também, para que a Páscoa judaica sempre aconteça na Primavera (hemisfério norte), já que as estações do ano obedecem ao ciclo solar. Os anos que possuem treze meses, no calendário judaico, são chamados de Embolísticos. Pelo calendário judaico estamos no ano de 5.774, da criação do mundo e o ano novo se dará em setembro/outubro.  Complicado isso, né?

Normalmente a Páscoa judaica é próxima da Páscoa Cristã. Este ano a Páscoa cristã será no dia 20 de abril e a Páscoa Judaica, dia 15 para 16 de abril.

Interessante é que, há mais de 1600 anos, os sábios do Talmude (coletânea de livros sagrados que contem as leis judaicas), que não contavam com o auxílio de computadores, calculadoras ou outros aparelhos sofisticados, deixaram por escrito o cálculo das datas do calendário judaico até o ano 6000 da Criação do mundo, que corresponde a 30 de setembro de 2.239.

Festas móveis do calendário Cristão

Para calcular a data da Páscoa para qualquer ano no calendário Gregoriano (o calendário civil), usa-se uma fórmula matemática bastante complicada.  Essa fórmula é do astrônomo francês Jean Baptiste Joseph Delambre (1749-1822). Um dado importante é que a fórmula calcula a data da Páscoa a partir de 1583, ano em que foi instituído o calendário gregoriano.

Fixado, assim, a festa da Páscoa para determinado ano, todas as outras festas também se movem desde a septuagésima (65 dias antes da páscoa) até o Corpus Christi. A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa e, portanto, a Terça-Feira de carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.  Vamos ver o calendário das principais festas até o ano de 2020:

Ano
Cinzas
Paixão
Páscoa
Ascenção
Pentecostes
Corpus Christi
2014
05/03
18/04
20/04
01/06
08/06
19/06
2015
18/02
03/04
05/04
17/05
24/05
04/06
2016
10/02
25/03
27/03
08/05
15/05
26/05
2017
01/03
14/04
16/04
28/05
04/06
15/06
2018
14/02
30/03
01/04
13/05
20/05
31/05
2019
06/03
19/04
21/04
02/06
09/06
20/06
2020
26/02
10/04
12/04
24/05
31/05
11/06

Todos esses cálculos e projeções parecem confusos, mas vale lembrar que a Festa da Páscoa além de ser uma tradição milenar, é a festa da Ressurreição, da passagem da morte para a vida, da escravidão para liberdade e é interessante que todos os povos a comemoram juntos (ou o mais próximo possível).

Antecipadamente eu desejo: Uma feliz Páscoa a Todos!

Angela Rocha
angprr@gmail.com

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

AS SETE PEDRAS FUNDAMENTAIS DA CATEQUESE

SUSTENTAÇÃO DA FÉ... 

Vamos lá... Vamos tentar destrinchar esse negócio das SETE PEDRAS FUNDAMENTAIS da catequese...

Certo dia eu escutei na missa que a paróquia precisava de catequistas. Eu já tinha ajudado a catequese várias vezes mas, como agente da pastoral da comunicação. Ajudando a arrumar ambientes, apresentações, slides, fazendo jornal, impressos, etc... Mas nunca me toquei, nem mesmo quando meus filhos a freqüentavam, O QUE AFINAL A CATEQUESE ENSINAVA ou deveria ensinar. Não me orgulho em confessar, mas, para mim, fazia-se catequese como uma “obrigação” para fazer a primeira comunhão. Foi assim comigo. Quanto a Crisma, fui crismada aos dois anos...

Então eu fui à paróquia ser catequista. “Mas o que é que eu faço?” Graças ao bom Deus naquela paróquia davam sempre uma turminha de primeira etapa aos catequistas... Senão, sei lá que estragos eu poderia ter feito... A resposta a minha pergunta foi um: “Siga estes roteiros.” E me deram um “manual”. E comecei a seguir o dito cujo...

Mas, no final do meu segundo ano como catequista, aquilo começou a me intrigar... De onde, afinal, a Igreja tirava a necessidade de ensinar aquelas coisas? E com isso fui me informando e assim, me formando...

Primeiro eu descobri que havia um DIRETORIO GERAL PARA A CATEQUESE: O DGC, criado em 1997 pelo Vaticano, mais especificamente pela Congregação para o Clero. Este DIRETÓRIO substituiu o DCG (Diretório Catequético Geral)de 1971, criado por orientação do CONCILIO VATICANO II.  Ambos fazendo parte daquilo que chamamos de MAGISTÉRIO DA IGREJA.

E com base neste último, no DGC de 1997,  a CNBB se reuniu em 2005 e criou o NOSSO. O diretório tupiniquim, brasileiro. Que chamamos carinhosamente de DNC, Diretório Nacional de Catequese. O próprio DGC orienta que cada Igreja particular construa o SEU diretório, orientado às suas realidades e especificidades. E em setembro de 2006, a Congregação para o Clero e a Congregação para a Doutrina da fé, instâncias maiores da nossa Igreja, aprovaram o texto do nosso diretório, publicado em 2006. Lembrando que no ano seguinte,  aconteceu no Brasil a V Conferência do CELAM, em Aparecida, cujo texto conclusivo também é de suma importância para a catequese do Brasil.

Mas vamos voltar as nossas pedras fundamentais... O texto do DGC as cita, por coincidência, no ITEM 130, também.

Agora vamos ao nosso DNC, no item 129 e 130...

129. Na mensagem cristã, há uma hierarquia de verdades e de normas, segundo a diversidade de seu nexo com o fundamento da fé cristã (cf. UR 11, 3). Algumas são mais fundamentais que outras. Seguindo as grandes linhas do Catecismo da Igreja Católica e seu Compêndio, podemos resumir assim o conjunto das verdades que professamos em nossa fé:

a)  crer em Deus, uno e trino, pai, filho e Espírito Santo, em seu mistério de Salvação; (O símbolo, Creio)
b)  celebrar o mistério pascal nos sacramentos, que têm o Batismo e a Eucaristia como centro; (sacramentos)
c)  viver o grande mandamento do amor a Deus e ao próximo, buscando a santidade; (Bem- aventuranças e os mandamentos).
d)  rezar para que o reino de Deus se realize. (Oração do Pai Nosso).

Ora, o que vemos aqui como fundamento da fé cristã? 

1 - Acreditar em Deus e no mistério da Salvação, PORTANTO, professar o CREDO: “Creio em Deus pai todo poderoso...”;
2 – Celebrar o mistério nos sacramentos, PORTANTO, batismo e eucaristia que se celebra na LITURGIA;
3 – Viver o mandamento do amor, PORTANTO, seguir os conselhos das bem-aventuranças e obedecer  aos 10 mandamentos;
4 – Rezar, PORTANTO, orar como Jesus nos ensinou, a oração do Pai-Nosso.

Estas são, portanto, as QUATRO primeiras colunas da fé, as quatro bases primeiras do que se deve ensinar na catequese: CREIO; SACRAMENTOS; MANDAMENTOS E BEM-AVENTURANÇAS; e a oração do PAI NOSSO.

Não é isso que “ensinamos” aos nossos catequizandos??

Agora vamos ao item 130:

130. Esses conteúdos se referem à fé crida, celebrada, vivida e rezada, e constituem um chamado à educação cristã integral (cf. DGC 122). A estas quatro colunas da exposição da fé que provêm da tradição dos catecismos (o símbolo, os sacramentos, as bem-aventuranças-decálogo e o Pai-nosso), deve-se acrescentar a dimensão narrativa da História da Salvação, com suas três etapas, que provêm da Tradição patrística (o Antigo Testamento, a vida de Jesus Cristo e a História da igreja). O Diretório Geral para a Catequese fala de “sete pedras fundamentais, base tanto do processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo do amadurecimento cristão” (n. 130; cf. 128).”

Aqui nos é orientado a acrescentar à nossa catequese, a dimensão NARRATIVA da História da Salvação, ou seja,  as TRÊS ETAPAS que provem da tradição dos antigos santos padres:

1 – Antigo Testamento,
2 – Vida de Jesus (Novo testamento);
3 – História da Igreja (magistério, tradição).

E não é isso que fazemos em todos os nossos encontros?  

Lemos a Bíblia.Contamos a História da Salvação que começa na criação e segue com a primeira aliança de Deus com Noé, passa por Abraão, Moisés e chega, finalmente, na “nova e eterna aliança” celebrada por Jesus Cristo na última  ceia... E a esta dimensão acrescentamos os aspectos da Tradição: devoção aos santos, devoção Mariana, terços, costumes; e o que ensina e prescreve o magistério da Igreja em seus documentos, entre eles, os diretórios catequéticos.

SETE PEDRAS FUNDAMENTAIS:

1 - SÍMBOLO (CREIO)
2 –SACRAMENTROS
3- BEM AVENTURANÇAS
 E  MANDAMENTOS;
4 –  PAI NOSSO
4







+
1 – Antigo Testamento,
2 – Vida de Jesus (Novo testamento);
3 – História da Igreja (Tradição, Magistério)

3






=


PEDRAS FUNDAMENTAIS


7


Esta é, portanto, a BASE DO PROCESSO DA CATEQUESE DE INICIAÇÃO E DO ITINERARIO CONTÍNUO DO AMADURECIMENTO CRISTÃO!

Mas, vejam só:

É só a BASE... E não todo o processo! Em cima dela é que construímos o edifício CRISTÃO!

Aqui estamos falando, exclusivamente, do processo de ENSINO da fé. Não estamos excluindo a importância do QUERIGMA e nem da PALAVRA, ou seja, da Bíblia como mensagem de conversão. Ensina-se a doutrina e a tradição, somente depois que cada um fez a sua experiência pessoal de encontro com Jesus Cristo. E talvez seja essa a fonte dos nossos maiores problemas: estamos tentando colocar colunas, sustentáculos, em terreno que não está firme!

Ângela Rocha

angprr@gmail.com.br

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CORAÇÃO DE CATEQUISTA - ENTREVISTA

CORAÇÃO DE CATEQUISTA

Nome completo: ANGELA ROCHA
Idade: 48 anos
Paróquia: N. Sra. Rainha dos Apóstolos – Shangri-lá – Londrina PR
Tempo de catequista: 09 anos
Agente da Pascom, Catequista e formadora de catequistas com Especialização em Catequética pela Faculdade Vicentina de Curitiba –Pr.

I. Fale um pouco de sua vida:
    1.   Por que quis se tornar catequista?

Na verdade eu não quis, foi mais ou menos como Elias: me escondi numa “caverna” o máximo que pude, mas, chegou uma hora que não dava mais... rsrsr... Comecei minha missão pastoral aos 34 anos na Pastoral da Comunicação.
E considero que meu chamado foi para “profetizar” não exatamente como catequista, mas, como comunicadora . Comecei na Pascom e fui para a catequese porque nossa Igreja é cheia de nuances que só Jesus entende ... digamos que a catequese veio como uma “brisa” em minha vida.

II. Algumas perguntas:
1.   O que é ser catequista?

É ser mais que “ser de Deus”... é ser do mundo e das pessoas que vivem nele,  é ser, de certa forma, co-responsável pelos filhos de Deus. Algumas pessoas dizem que é ser profeta, anunciador, educador da fé... eu diria que é ser a “voz” de Deus e a ação de Deus entre os homens e mulheres.
Para isso o catequista precisa ter consciência de que só se “comunica” pela boca, aquilo que sai do coração e é aprimorado pelo intelecto.

2.   Quais os principais desafios de um catequista?

Hoje os desafios são os mesmos que dos primeiros profetas, só que, em diferentes contextos. Tal qual os primeiros apóstolos, o evangelizador se vê num mundo aparentemente hostil, mas cheio da “necessidade” de fé, de transcendência. As pessoas andam perdidas pelo caminho, e a Palavra é entendida como resposta para tudo, só que no mundo de hoje, precisamos pensar o Evangelho como “pergunta”. Temos nos dedicado demais a dar respostas a perguntas que ninguém faz, o Papa Francisco na EG, afirma isso. O ser humano precisa “se perguntar” mais: A que veio? Qual é sua missão aqui? O que se espera dele? Recentemente li uma entrevista em que o Pe. Antonio Spadaro, pergunta: “O homem de hoje tem necessidade de perguntas. A Igreja sabe envolver-se com as dúvidas e as perguntas dos homens? Sabe despertar as perguntas que estão no coração deles sobre a existência?”.
Sem que o catequista entre em diálogo com o catequizando, compreenda suas expectativas e suas esperanças, entenda suas motivações e conheça o contexto em que ele vive, não há evangelização. E aqui eu falo de um catequizando com maturidade para entender os aspectos da fé, não de crianças.
Penso que o maior desafio, hoje, para a catequese ainda é deixar o “conteúdo” de lado e partir para o “relacionamento”. Deixar de pensar no sacramento como “fim” e fazê-lo acontecer como “etapa” na caminhada de conversão e seguimento. O catequista de hoje precisa pensar em evangelizar o adulto muito mais do que a criança. Ela não é mais educada na infância pelo testemunho dos pais, já não vivemos mais um cristianismo de “berço”, existe pluralidade religiosa dentro até de uma mesma família.
3.   Como a catequese é vista e compreendida pelos pais? Como é feito o encontro dos pais e catequese?

Com raríssimas exceções, os pais pensam a catequese como uma “escola” onde se ensina o “catecismo” e se recebe a primeira comunhão (com poucas chances de se receber uma segunda) e o sacramento da Crisma, de preferência no menor tempo possível. Na verdade, é essa a catequese que receberam e o modelo que conhecem.

A catequese nem sempre é entendida como um processo gradual e contínuo, que se prolonga por toda vida. Ela é fragmentada: com algumas noções de oração dada pelos mais velhos, normalmente os avós, na infância; uma catequese entre os 9 e 13/14 anos para os sacramentos da Eucaristia e Crisma; a volta à Igreja quando se pretende o matrimônio e depois quando se deseja batizar o filho e, finalmente, um retorno bem superficial ao trazer os filhos à catequese. Isso faz com que não haja um comprometimento dos pais com relação à educação na fé dos seus filhos.

Quantos aos encontros com os pais temos que mudar o conceito de “reunião” que muitos ainda têm. É difícil trazer os pais à Igreja para um encontro, para a missa. Infelizmente temos pouca participação dos pais na catequese dos filhos, o papel da família como “primeira catequista” tem deixado a desejar. A catequese, como “segunda” etapa da evangelização, tem tomado para si a “primeira” (anúncio/querigma) também... etapa esta que caberia aos pais e ao contexto social que a criança ou adolescente está inserida: família, avós, escolinha infantil, amizades.

Estamos agora vivendo um tempo em que a evangelização precisa atingir, não tanto as crianças, como os pais, os adultos. Existe um grande esforço da Igreja em retomar o modelo Catecumenal de Iniciação à Vida Cristã, reevangelizando e trazendo de volta aqueles que receberam uma catequese ao estilo “cursinho para receber sacramento”, no entanto ainda há uma longa caminhada nesse sentido, que começa pela conscientização e formação do próprio clero e dos agentes de pastoral. Algumas paróquias tem tentado a experiência da catequese familiar e a inserção do modelo catecumenal na catequese com as crianças e adolescentes.

4.   Como o catequista traduz a teologia catequética – presente em tantos documentos bonitos da Igreja – em linguagem que se preste à comunicação com os catequizandos?

Esse é um assunto bastante delicado. Nos processos formativos com os catequistas eu vejo muita gente com anos de caminhada, que não conhece, por exemplo, os documentos do Papa. O próprio Diretório de Catequese – DNC, com quase 10 anos, ainda é desconhecido por muitos catequistas. O Catequese Renovada, marco da catequese no Brasil, com mais de 30 anos, é ainda uma surpresa para muitos.
E assim, o catequista conta, na verdade, com sua própria interpretação das Escrituras Sagradas, sem base teológica. Quase não temos estudos bíblicos. Ele se apoia, quase sempre, nos conteúdos de manuais, em roteiros já construídos, sem um estudo aprofundado dos temas. Posso dizer, sem medo de errar, que não existe exatamente uma teologia catequética “traduzida” numa linguagem que o catequista entenda e possa, desta forma, levar para o seu “fazer” catequético e comunicar aos seus catequizandos. È mais uma prática daquilo que vêm sendo feito pela geração anterior sem muito questionamento.

5.   Como a catequese deve falar realmente ao coração das pessoas?

Pelo testemunho da “experiência de Deus”. Eu diria que ela “fala” exatamente como “deve”... rsrrrs... Pela ação do Espírito Santo, presente na vida e no testemunho de tantas pessoas. Vemos tanta carência de formação e apoio que é surpreendente que ainda existam tantas pessoas dispostas a assumir o papel de catequista nas paróquias. Aqui eu parafraseio Ir. Nery: a catequese só resiste mesmo na Igreja, por absoluta “rebeldia do Espírito Santo”. Penso que, se fosse aliada a essa “rebeldia” - que aqui troco por “disposição” - um empenho verdadeiro da Igreja em formar seus agentes, teríamos uma catequese bem mais eficaz.

6.   O que é preciso ter além da formação?

Aqui podemos citar o tripé da metodologia catequética: SER, SABER e SABER FAZER. Antes de aprender, adquirir conhecimentos que embasem  o “ensinar” a fé, o catequista precisa SER uma pessoa de fé, testemunhar com sua vida e exemplo a fé em Jesus Cristo e a pertença na Igreja instituída por Ele e construída pelos seus discípulos. É preciso Vocação e Dom, sem essas coisas a catequese se transforma em mera transmissão de doutrina. O catequista precisa mostrar a “experiência de Deus” em sua vida e uma intimidade com a Palavra, além dos conhecimentos que adquire nas formações.

7.   Como educar para o amor, transmitindo valores humanos e cristãos, nesse mundo plural e fragmentado?

Relacionamentos. Não tenho outra palavra. Precisamos conhecer e entender as pessoas e nos tornarmos mais “disponíveis” a elas. Não vamos transmitir valores e nem “ensinar” a amar sem amarmos aqueles que nos são confiados. E não apenas a eles como seres independentes. Eles vêm de uma família que precisa ser conhecida, entendida e amada. Apesar de sermos tão plurais em nossas crenças, atitudes e valores, somos seres oriundos de um mesmo Criador e temos as mesmas necessidades: amor, reconhecimento, atenção e aceitação das nossas diferenças e erros.

E há que se considerar também, nestes tempos em que a tecnologia e as informações dominam praticamente todos os espaços, que o catequista precisa estar no meio digital também. È neste mundo que as pessoas estão vivendo e “convivendo” mais uns com os outros. Temos agora o desafio de evangelizar na era da cultura digital. Nesse sentido, o mundo pede uma Nova Evangelização voltada para mais um espaço que toma forma na vida das pessoas, cada vez mais.

Entrevista para matéria da

Revista Digital Sou Catequista – 6ª Edição