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terça-feira, 26 de março de 2019

SUGESTÃO DE ENCONTRO: A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

www.inacianos.org.br

D. Peruzo, arcebispo de Curitiba e Bispo referencial da Catequese no Regional Sul 2- PR, disse uma vez que sem criatividade, não há catequese. E concordamos com ele. O catequista que usa a criatividade, enriquece seus encontros. Eis aqui um modelo a nos inspirar: Gisele, catequista de Bocaiuva do Sul - PR.


ROTEIRO DE ENCONTRO: A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

Acolhida/Oração Inicial:

- Receber as crianças com carinho e atenção.
- Relembrar o encontro anterior.


LEITURA DO EVANGELHO: Lucas 9,28-36.

1. Apresentação da Transfiguração em história (vídeo).


2. Reflexão da palavra

OBS. A reflexão do evangelho foi adaptada para a turma de 2°ano da eucaristia, idade entre 9-10 anos. É importante adaptar a reflexão às várias etapas/idades.

Já lemos o evangelho; já entendemos o que aconteceu, agora é hora de refletir um pouco. Na passagem que ouvimos Jesus é transfigurado na frente dos discípulos e Deus Pai o apresenta como seu filho muito amado.

- O que podemos aprender?
- O que é Transfiguração? (Aguardar e incentivar respostas)
Transfigurar é mudar.
- Não houve uma mudança nas vestes de Jesus?

(Incluir reflexão sobre Quaresma: caminho de conversão)

Nós também podemos enxergar Jesus Transfigurado. 
Como? Basta nos aproximarmos de Jesus, chegar mais perto dele; sendo seu amigo. Jesus nos deixa conhece-lo na Missa, na palavra, na eucaristia. Mas precisamos aprender a ouvir a voz do PAI.

- Nós temos escutado a voz de Deus? (Aguardar respostas).

- Podemos ser transfigurados como Jesus, mudando nossas atitudes, palavras e ações. Tratar o próximo como irmão. Assim todos perceberão que somos iluminados por Deus e podemos ajudar aqueles que estão nas trevas.

- Escutamos também que, após os acontecimentos, os discípulos ficaram em silêncio. O silêncio é essencial para ouvirmos Jesus. No amanhecer eles desceram do monte. Desceram porque era hora de mostrar aos demais aquilo que tinha acontecido. Era hora de ser LUZ.

Se você está preparado é hora de descer do monte e se tornar discípulo de Jesus. Se ainda não sentiu esta presença, é hora de abrir o coração e os ouvidos, procurar o silêncio e a oração para que possamos enxergar a luz e a verdadeira luz que é Jesus.

Atividade: Blog da Catequista Lucimar 25/02/13.

*Caso a imagem esteja ruim para baixar, refaça em um arquivo word colocando uma imagem para colorir.

Achei ótima a atividade, além de caça palavras que as crianças adoram, podemos no final, com as palavras, fazer um resumo do que aconteceu.

Para concluir:

Apresentar algum exemplo de como precisamos carregar nossa luz para continuar. Um exemplo é nosso celular, se esquecermos de carregar ele para de funcionar por um tempo. É necessário achar uma tomada e deixar que ele recarregue a a bateria. Assim também é a nossa vida, mesmo depois de iluminados devemos continuar sempre abastecendo nosso coração com a oração para não deixar que nossa luz se apague.

Oração final: Espontânea.

Catequista Gisele Antonieta de Araújo
Paróquia Santo Antônio Bocaiúva do sul – PR.
2º domingo da Quaresma. 


sexta-feira, 22 de março de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: SOMOS CONVIDADOS A PRODUZIR BONS FRUTOS



                       HOMILIA DO 3° DOMINGO DA QUARESMA – ANO C
Na sarça ardente Moisés fez a experiência que marcou toda a sua vida e missão. Ardia o coração de Deus ao ver o clamor e o sofrimento do seu povo; o mesmo Deus chamou Moisés para falar em seu nome e libertar o povo. O Deus que se revelou a Moisés era ainda um Deus que não se podia tocar, que exigia reverência, mas que já se revelou como Aquele que caminha com seu povo, Aquele que se interessa pela história dos seus: “Eu sou o Deus de teus pais...” (Ex 3,6). Precisamos perceber que Deus se interessa por nós e quer a nossa libertação, que Ele nos convida a cada um de nós para seguirmos os seus passos. Deus não fica assistindo o sofrimento, Ele se interessa por seus filhos e vem em seu auxílio para libertá-los. Mas ele precisa de pessoas de carne e osso que aceitem o convite Dele para cooperar nessa libertação. Precisamos ser impregnados pelo mesmo fogo que abrasou o coração de Moisés, fazendo-o entusiasmado pela causa de Javé.

No Evangelho, vemos que os judeus consideravam as catástrofes como castigos de Deus e a proteção um mérito por serem fiéis observantes da lei. Jesus mostra que não basta ser judeu, que ninguém tem nada garantido: todos precisam de conversão. Do mesmo modo, nós poderíamos nos considerar católicos fiéis, observantes da lei, o grupinho dos escolhidos. Como o Povo eleito, corremos o risco da infidelidade. Como aqueles que escutam a palavra de Jesus, precisamos, de conversão, para não perecermos todos do mesmo modo. Além disso, devemos cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação entre pecado e castigo: os males não são castigos, e todos nós somos passíveis do sofrimento. Aliás, muito dos males são frutos de nossas próprias escolhas. Somos também responsáveis pelo bem o pelo mal que rodeia nossa vida, provavelmente os primeiros responsáveis.

Na segunda parte do Evangelho temos a parábola da figueira que não produzia frutos. Aqui é interessante observar que o pecado da figueira não foi ter feito algo de ruim, mas de não ter feito nada de bom. A figueira infrutífera, tornou-se passível, imóvel. Corremos o risco de querer uma garantia, uma tranquilidade de consciência que me faz dizer a mim mesmo: “eu estou bem com Deus, não prejudico a ninguém, cumpro minhas obrigações.” Entretanto, Deus espera mais de nós. Não basta sermos cristãos aparentemente certinhos, cristãos de preceito, de um ritualismo vazio; precisamos produzir frutos. Conversão não significa focar no pecado, mas no bem que devemos realizar. Cada um de nós é convidado a produzir bons frutos - isso significa conversão! O que podemos produzir nesta Quaresma?

Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios.

Deus, na sua bondade, é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas Ele não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei e outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR

FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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Palavras sobre o Reino na vida a partir dos Evangelhos. São três livros: Ano Litúrgico A, B e C. Cada livro tem o valor de R$ 15,00. Kit com os três livros: R$ 30,00 + frete.

domingo, 10 de março de 2019

ATIVIDADES PARA A QUARESMA: SUGESTÕES

CATEQUESE = CRIATIVIDADE
Buscando inovar os encontros de catequese deste tempo de Quaresma, algumas sugestões para os encontros:

1 - PRÁTICAS NA QUARESMA:
Uma sugestão de atividade encontrada na internet para a Quaresma: Montar um calendário com uma tarefa (pequenos sacrifícios, orações) para cada dia, de acordo com a idade. 
* Você pode usar o nosso "calendário" com as 40 práticas ou montar outro com a ajuda dos seus catequizandos.
Fazer uma coroa de espinhos com massinha de modelar e palitos de dente. A cada tarefa cumprida diariamente, a criança poderá tirar um espinho da coroa de Jesus.

(Cintia Cristina de Araújo - Maringá PR)

 

2 - CAMINHO DA QUARESMA
Cartolina com a "Caminhada Quaresmal": A cada encontro vamos preenchendo e colorindo a "estrada".


(Gabriela Palumbo - São João del Rei - MG).

Caso queira fazer impressão do "Caminho" em folha A4 ou mandar imprimir em cartaz:

3 - ATIVIDADE: SEMANA SANTA
Material: 2 folhas e lápis de cor.
Imprimir as imagens numa folha e os quadradinhos da cruz em outra. Pintar, recortar e colar os quadrinhos da Semana Santa em formato de CRUZ.




(Apostila Catequese Familiar - Catequistas em Formação)

4 - PINTE O CARTAZ DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2019:




(Portal Kairós: https://portalkairos.org/arquivo-portal/cartaz-para-colorir-da-campanha-da-fraternidade-2019/)

5 - DOBRADURA DO PERDÃO
(Encontros, partilhas e celebrações com catequistas e catequizandos)

Para isso é necessário:
- Folhas de papel A4
- Uma tesoura (pode-se usar a mão para rasgar o papel também).
Objetivo: Falar sobre o perdão que precisamos sempre pedir a Deus pelas nossas culpas e falhas. 
Execução: A medida que forem feitas as dobraduras fazer uma reflexão sobre a folha de papel, que deve ser comparada com a nossa vida, as várias "dobras" e "vincos" são as situações pelas quais passamos que nos fazem pecar contra Deus, mas quando encontramos a fé, podemos "rasgar" o que não necessitamos e jogar fora feito "lixo" (mostrar as sobras de papel que mostram a palavra LIXO). 
E ao desdobrar a parte final, mostrar que só a Cruz de Cristo é nos nos salva e é tudo que deve restar em nós. 
Claro que essa reflexão pode e DEVE ser enriquecida por vocês agora no tempo da Quaresma. 


(Ângela Rocha - Catequistas em Formação)

* ROTEIRO DE ENCONTRO SUGERIDO COM A DINÂMICA DA "DOBRADURA" 

JESUS NO DESERTO 
( Gisele Araújo - Bocaíuva do Sul - PR) 

Tema: Jesus nos ensina a vencer as dificuldades e tentações. 
- conversar sobre quem veio na missa de cinzas 
- Entender cenário: Caminho x Quaresma 

Quaresma é um caminho. Um caminho de 40 dias. Assim como Jesus percorreu um longo caminho, nós também vamos procurar a aproximação com Jesus através da caridade, jejum e principalmente, da oração. Esse caminho vai nos levar ao encontro pessoal com o ressuscitado. 

Hoje no evangelho de Lucas vamos lembrar este caminho de 40 dias de Jesus no deserto. 

Leitura do evangelho: Lucas 4,1-13. 

Conversando sobre o evangelho: 
- Falar sobre as tentações e como Jesus as enfrentou. 
- Discussão: o que é tentação? 
- Histórias de como escolhemos o caminho mais fácil. Ex: Como quando não estudamos para a prova e vamos dormir, e na hora "H", "colamos" do amiguinho, etc. 
- Falar de quantas vezes escolhemos o caminho mais fácil mesmo sabendo que não é o certo. (Pedir testemunhos). 
- Como podemos resistir? Como Jesus nos ensinou: Quem reza tem mais forças para vencer as tentações. 

Dinâmica da dobradura do perdão (Catequistas em Formação) 
Adaptação da dinâmica para o tema do dia: 

- 1ª dobradura: Quando estamos com Jesus andamos de cabeça erguida. 
- 2ª dobradura: Mas quando vem as tentações da vida, abaixamos nossa cabeça e passamos a não acreditar em Deus. 
-3ª e 4ª dobradura: Nos fechamos, ficamos com medo, pensando que não vamos conseguir e nos afastamos de Deus. 
-1°e 2°corte: Mas, hoje Jesus nos ensinou que para vencer nos temos a melhor arma: a Oração. E Que com ela todos estes medos e maus pensamentos vão para o Lixo.( com as sobras do corte torna-se a palavra Lixo.) 
- Com o pedaço que sobrou fica o desenho da Cruz. 

Com a oração podemos superar e seguir em frente e assim como Jesus carregou sua cruz, nos também podemos enfrentar a nossa. 

Quanta coisa aprendemos hoje! A exemplo de Jesus devemos ser fortes e obedientes e resistir as tentações de procurar o caminho mais fácil. 

Oração Final: Senhor Jesus assim como você conseguiu vencer as tentações no deserto, que eu também saiba resistir a tudo que me afasta de Deus com a força do Espírito Santo. Amém!









sábado, 9 de março de 2019

PAPA FRANCISCO: FORMA CONCRETA DE AMOR AO PRÓXIMO

"Francisco recorda que ser católico comprometido na política não significa ser um recruta de algum grupo, organização ou partido, mas viver dentro de uma comunidade".

Iniciamos no último dia 06 de março, quarta-feira de Cinzas, o tempo da Quaresma, um tempo, como disse o Papa Francisco celebrando a missa na Basílica de Santa Sabina, em Roma, que nos convida “a olhar para dentro de nós mesmos, com o jejum, que liberta do apego às coisas, do mundanismo que anestesia o coração. Oração, caridade, jejum: três investimentos num tesouro que dura”.

Também na quarta-feira de Cinzas, como já é tradição no Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente a Campanha da Fraternidade (CF). Neste ano de 2019 o tema é “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).
Ouça o Editorial

A Igreja Católica quer chamar a atenção dos cristãos para o tema das políticas públicas, ações e programas desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis. Com a Campanha, como destaca a CNBB, a Igreja no Brasil pretende estimular a participação dos cristãos em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade. 

Francisco enviou uma mensagem na qual afirma que os cristãos “devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça”. Citando o Documento de Aparecida, recorda que “são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus”.

Quem se dedica formalmente à política deve viver com paixão “o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças”.

Neste mesmo tema, o Papa Francisco recebendo nesta semana em audiência, no Vaticano, os participantes de um Programa de pós-graduação em Doutrina Social da Igreja e compromisso político na América Latina, recordou da necessidade de “uma nova presença de católicos na política na América Latina”.

O Santo Padre recordou que ser católico comprometido na política não significa ser um recruta de algum grupo, organização ou partido, mas viver dentro de uma comunidade.

“A política – chamou mais uma vez a atenção Francisco - não é a mera arte de administrar o poder, os recursos ou as crises. A política é uma vocação de serviço”. Na América Latina e em todo o mundo vive-se uma verdadeira “mudança de época”, que exige renovar linguagens, símbolos e métodos.

A dimensão política da vida cristã é a "construção do bem comum", que nasce do novo olhar sobre a realidade que Jesus nos dá. E citando São Oscar Romero, acrescentou o Papa: "O verdadeiro cristão deve preferir a sua fé e demostrar que a sua luta pela justiça é para a justiça do Reino de Deus, e não para outra justiça.

Para o Papa, três as realidades emblemáticas que mostram uma "mudança epocal" na América Latina e que fortaleceria a construção de um projeto para o futuro: as mulheres, porque "a esperança na América Latina tem um rosto feminino; os jovens", porque neles vive o anti-conformismo e a rebelião necessárias para promover mudanças reais e não apenas estéticas; e, finalmente, os mais pobres e marginalizados porque na relação privilegiada com eles, “a Igreja manifesta a sua fidelidade como esposa de Cristo".

O Papa pediu uma nova presença de católicos na vida política, não no sentido de apresentar novos rostos, mas novas alternativas que deem voz aos movimentos populares e que "exprimam as suas autênticas lutas". E ele afirmou com força que "a própria fé cristã pode levar a compromissos diferentes. A partir daqui, o convite de Francisco para viver a fé com grande liberdade e a "jamais acreditar que há apenas uma forma de compromisso político para os católicos”.

Silvonei José – Cidade do Vaticano
https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2019-03/editorial-forma-concreta-amor-proximo.html

HOMILIA DO DOMINGO: A TENTAÇÃO DO DESERTO! VENCIDA POR AMOR...



HOMILIA DO 1° DOMINGO DA QUARESMA – ANO C
Ir ao deserto. Na primeira leitura, vemos que o Povo de Israel fundamenta a sua fé em algo bem concreto: Deus conduziu Abraão, e depois o Povo todo para um êxodo, uma saída. O Povo viveu uma experiência pascal, indo ao deserto e também experimentando um Deus que liberta r que faz aliança; mas também um Deus que põe à prova. Jesus[A1]  também vai ao deserto, preparando-se para o seu ministério que será uma grande Páscoa – a passagem da morte para a vida.

O deserto é o lugar da tentação. O Povo de Israel foi tentado ao viver uma experiência de total despojamento, o que o trouxe a tentação de desconfiar de Javé. Jesus, conduzido pelo Espírito, viveu esta experiência antes de sua vida pública. Os padres eremitas da antiguidade viam o deserto como o lugar de luta contra o demônio: no silêncio e na solidão se revela os males do interior dos eremitas. Ao se deparar com o seu verdadeiro eu, aprendiam a vencer aquilo que se opunha ao projeto de Deus.

Jesus é tentado no deserto. Jesus é humano em todas as suas ações, pensamentos e sentimentos: Ele sente sede e fome, fica frustrado com seus amigos, enfurece-se com os vendilhões, chora no túmulo de Lázaro, muda de ideia com a insistência da Cananéia... E tal fato se evidencia na tentação. Ele, como qualquer um de nós, é tentado a sucumbir, a falhar, a se render ao prazer, ao ter, ao poder... São essas as três forças que se opõem ao projeto do Pai, que foi assumido pelo Senhor:

1.    “Se és filho de Deus, manda que estas pedras se mudem em pão” (Lc 4, 3). É a tentação de buscar ser saciado a todo custo. Nós queremos ser saciados, precisamos de alimento, de abrigo, de proteção... Torna-se perigoso quando nos esquecemos a sacies do pão da Palavra. Deus não está a serviço de nossos caprichos, mas deseja antes que nos orientamos para sua vontade. Por isso, Jesus responde: ”Não de pão vive o homem! (Lc 4,4).

2.     “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória...” (Lc 4,6). O diabo é o doador dos bens deste mundo. É fácil perceber como nos curvamos diante dos bens deste mundo. É preciso os extremos do acúmulo egoísta como aquele homem que guardou tudo no celeiro e foi surpreendido pelo fim da vida, como o extremo do consumismo que realiza a busca da felicidade na obtenção dos bens anunciados pela mídia, proclamados como segurança.

3.    “Se és filho de Deus, atira-te daqui para baixo!” (Lc 4,9). É a tentação de se usar o poder para o exibicionismo, em benefício próprio. Também queremos o prestígio, o reconhecimento, a fama, o respeito. Somos tentados a fazer o mau uso do poder para obter tudo isso. Pais, mestres, chefes, religiosos... De alguma forma, todos nós temos algum poder. O que fazemos com ele?

O Diabo se afastou e voltará no tempo oportuno. Não apenas para tentar a Jesus, mas para tentar a cada um de nós. É tempo de tomarmos consciência de nossa fraqueza, certos de que eliminar todo o mal do coração é um processo para a vida toda.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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quinta-feira, 7 de março de 2019

A COMUNIDADE QUE CONTEMPLA O ROSTO DAS JUVENTUDES



“A juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação para a sociedade”. “Considerar o jovem como lugar teológico é acolher a voz de Deus que fala por ele”.

Documento de Evangelização da Juventude – CNBB nº 85, item 01 e 81.

Em comunhão com a Igreja no ano em que acontece a Jornada Mundial da Juventude no Panamá e o lançamento do Documento Pós Sinodal sobre Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional, muitas dioceses estabelecem para o ano 2019 como prioridade a Juventude. Este artigo traz alguns enxertos do documento da Arquidiocese de Montes Claro – MG, que estabeleceu esta prioridade, com o tema: “A comunidade que contempla o rosto das Juventudes”.

Em seu livro “Deus é Jovem”, o Papa Francisco diz: “(...), Portanto, Deus é Aquele que sempre renova, porque Ele é sempre novo: Deus é jovem! Deus é o Eterno que não tem tempo, mas é capaz de renovar, rejuvenescer-se continuamente e rejuvenescer tudo. As características mais peculiares dos jovens também são suas. Ele é jovem porque ‘faz todas as coisas novas’ e ama a novidade; porque se encanta e ama o êxtase; porque sabe sonhar e deseja os nossos sonhos; porque é forte e entusiasmado; porque constrói relacionamentos e nos pede para fazer o mesmo, é social” (Deus é Jovem, p. 67).

Em 2007, após dois anos de estudo, a CNBB lançou seu primeiro documento oficial sobre a juventude (Documento 85), e após vários esforços, em 2013 foi possível a realização da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, que proporcionou um reacender da paixão pela juventude. Além disso, a Campanha da Fraternidade de 2013 (“Eis-me aqui, envia-me” – Is 6,8), gerou momentos de reflexão acerca da presença da Igreja no meio dos Jovens.

A Igreja hoje é convidada a se fazer jovem também. É necessário assumir que a cultura juvenil atual é capaz de acolher Jesus Cristo, pois carrega em si sementes do evangelho. O Verbo quer fazer-se carne no jeito dos jovens de hoje, que se encontram, se organizam, cantam, se vestem e se expressam a seu modo. 3 O papel do evangelizador da Juventude é, primeiramente, confiar nela e descobrir métodos de alcançá-la dentro de sua própria realidade, sem a condenar, a julgar ou descartar seu estilo de vida.

Fundamentação Bíblica

Na Sagrada Escritura podem ser identificados diversificados tipos de jovens: os guerreiros, os sábios, os profetas, os trabalhadores. Os exemplos de vida de cada um deles exibem a ação protagonista da juventude e como o Senhor os chama. Eles nos ajudam a refletir a realidade da juventude hoje, auxiliando no modo como levar Jesus aos meios juvenis.

Samuel foi um jovem que desde cedo serviu ao Senhor. Orientado por Eli, escutou o chamado que o Senhor lhe fez e O atendeu, tornando-se assim um grande profeta para sua época. Soube viver com autoridade o ministério que o Senhor lhe concedera, servindo ao povo para protegê-los e torná-los livres de seus inimigos. (Cf. 1Sm 3,1-21; 4,1). Ele é o retrato da juventude atual a quem o Senhor confia grandes missões e que necessita de valorização.

Grande missão também foi confiada aos jovens Salomão e Davi. Salomão se tornou rei ainda muito jovem e buscou a sabedoria do Senhor para administrar habilmente o seu povo. (Cf. 1Rs 3,4-28). Davi foi um jovem que temia ao Senhor. Homem de fé e inteligente derrotou o gigante Golias sem utilizar armaduras. (Cf. 1Sm 16-17). Tornou-se rei e defendeu os fracos, oprimidos e necessitados, sendo considerado um rei justo.

No livro de Ester vemos a história de uma jovem pobre e órfã que, devido à sua beleza, encantou o rei, que se casou com ela. (Cf. Est 2, 1-18). Rainha, lutou para salvar o povo oprimido. Através da influência que tinha com o rei, salvou o seu povo da morte que era odiado e ameaçado de extermínio. (Cf. Est 8-9).

Outra jovem que a Bíblia retrata é Rebeca, uma bela jovem que recebe o convite para se casar com Isaac e que prontamente responde sim à missão que o Senhor lhe confiara, abandonando família, terras e casa. (Cf. Gn 24).

Há ainda outra jovem que também deixou o que tinha para cumprir o plano do Senhor. Maria. A jovem de Nazaré estava prometida a José em casamento, vivia a fidelidade e o temor a Deus. A visita do anjo e o anúncio de que seria a mãe do Salvador (Cf. Lc 1, 26-38) fez com que ela deixasse seus planos. Assumiu sua missão com coragem e obediência, sempre dando prioridade a Deus em sua vida e apontando para seu Filho Jesus.

Jesus, o Filho de Maria, viveu grande parte da sua juventude durante sua vida oculta. Referente a este tempo, o trecho da Sagrada Escritura de maior importância traz o episódio do encontro entre Jesus e os doutores da lei no templo em Jerusalém, aos 12 anos, onde retrata a obediência de Jesus ao seu Pai Deus. (Cf. Lc 2, 41-51).

Durante a sua vida pública, Jesus é aquele que ensina para as pessoas de sua época um modo diferente de pensar e agir, segundo o projeto de Deus, superando todo egoísmo e discriminação. Ele trouxe libertação e cura para muitos, entre eles os libertados e curados estão os jovens, como por exemplo a filha de Jairo, que possuía somente doze 4 anos. (Mc 5, 35-43). Jesus chamou muitos jovens ao seu seguimento, assim como o jovem rico (Mt 19, 16-22), que, apegado aos bens terrenos, como muitos de hoje, não correspondeu afirmativamente ao chamado.

Há ainda outras histórias de jovens na Bíblia, como a de Tobias, que foi um exemplo de castidade, Daniel, que interveio corajosamente pela vida de uma inocente; dos três jovens que confiaram em Deus e foram salvos da fornalha; de Paulo que se converteu ao Senhor e viveu para anunciá-lo. Na Bíblia estão relatos de um Deus que ama os jovens e os quer em sua Igreja.


Maneiras de se aproximar da juventude

Há diversas maneiras de se aproximar das culturas juvenis. Umas podem ajudar na avaliação de atividades que valorizem a vida e a participação dos jovens, outras talvez dificultem. Vejamos algumas:

a) Juventude idealizada: Nosso mundo contemporâneo projeta na juventude qualidades que gostaria de ver perpetuar-se no tempo para todas as pessoas: vigor físico, liberdade, autenticidade, ousadia, beleza, atualidade, entre outros. São qualidades esboçadas na juventude e muito bem utilizadas pelo marketing comercial atual. Porém, se observarmos com mais atenção, nem todos os jovens apresentam essas qualidades. E, mesmo assim são jovens. Esta concepção, embora bastante difundida no senso comum, mostra-se insuficiente para a realidade de uma adequada e inclusiva Pastoral Juvenil.

b) Juventude como “problema”: Ao mesmo tempo em que a imagem dos jovens pode ser estereotipada e idealizada, também ocorre, não poucas vezes, que seja negativamente. Segundo essa compreensão, os jovens de hoje são indisciplinados, baderneiros, abertos às drogas, à devassidão sexual e, sobretudo, violentos. Mas é também fato que a violência, a indisciplina, e demais problemas encontrados no meio juvenil são consequências das falhas geradas por toda nossa sociedade (esses mesmos problemas se repetem no mundo dos adultos). Essa compreensão negativa da juventude tem provocado danos que, longe de ajudar os jovens a terem mais vida, cria uma visão distorcida e preconceituosa para com os jovens e prejudica toda a sociedade, destrói a vida da juventude e perpetua as situações de violência nas cidades e no campo.

c) Juventude como “Futuro”: Os jovens somente serão o futuro se forem protagonistas no presente. O Papa Bento XVI manifestou-se assim em seu discurso aos jovens no Estádio do Pacaembu/SP, em 2007: “Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente da Igreja e da Humanidade. Sois seu rosto jovem” (Bento XVI, Discurso no encontro com os jovens. 2007, n.7). 6

d) Juventude como sujeito: Esta concepção considera a juventude como grupo social diferente da infância e do mundo adulto e que carrega aspectos das demais visões acima, sem, contudo, absolutizá-las. Em outras palavras, é preciso considerar a juventude como ela realmente é: composta de pessoas humanas que, em virtude de sua idade e condição, têm necessidades especificas, direitos que precisam ser garantidos, opinião acerca da situação atual da Igreja e da sociedade e em muitos casos, desejam fazer parte da edificação de um mundo melhor.

Dicas práticas de uma aproximação com a juventude

Não existe receita prática e exata para aproximação de adultos nos meios juvenis. As diversas culturas e subculturas juvenis da atualidade não se mostram fechadas a essa aproximação. Portanto, há que se ter o cuidado necessário, mas há que se arriscar um pouco mais, superando medos e preconceitos. Faz-se, portanto, urgente e necessário o despertar de adultos que, amando os jovens, desejam conhecê-los, dialogar com seus sistemas culturais e ajudá-los a promover a vida.

Seguem algumas dicas neste processo de aproximação:

Em primeiro lugar, aproxime-se! Será necessário não temer estar em meio aos jovens! Lembre-se: eles são pessoas, assim como você!

Permaneça junto aos jovens, vencendo a estranheza inicial. Não é incomum um grupo juvenil, seja eclesial ou não, ignorar, nos primeiros dias, o adulto que se aproxima. Não leve em consideração! Tente mostrar que sua aproximação é desinteressada. Não force conversas e não tente ser centro das atenções. Muitos jovens não querem um “segundo pai”, uma “segunda mãe” ao lado deles! Querem ter seu grupo, sua tribo. Por isso, é difícil para eles acolher um adulto no seu meio.

Não queira “parecer jovem”. Para estar em meio aos jovens não é preciso falar como eles, vestir ou se comportar como eles. Não será preciso forçar nada. Seja você mesmo. Autenticidade atrai muito mais do que gestos ou palavras forçadas.

Escute mais do que fala. Os jovens têm sede de serem ouvidos pelos adultos. Mas um assessor de jovens precisa “sentar-se do lado” e gastar tempo escutando. A compreensão que recebem ajuda-os a se compreender. As poucas palavras podem socorrer mais do que os “sermões”.

Seja uma presença transformadora. Depois de conquistada a confiança do grupo, você precisará ajudá-los a refletir sobre suas atitudes. Faça perguntas! Ajude-os a compreender os porquês de suas posturas! Questione-os e faça-os pensar!

Respeite o protagonismo juvenil. Lembre-se que sua presença não é de chefe ou de líder. Você está ajudando-os a refletir sobre suas vidas e a pensar sobre suas atitudes. Mas a decisão quem toma são eles. Os jovens aprendem mais quando acertam ou erram por si mesmos.

Não se desespere com os erros! É natural nesta idade errar muito! Mas os erros são fonte de aprendizado! Ajude-os a compreender o porquê de suas falhas e a aprender a evitá-las no futuro.

Ame os Jovens. Se os jovens se sentirem amados, tudo mais virá por acréscimo. A lógica do amor é o melhor caminho a se seguir e a pedagogia adequada para a aproximação dos jovens e de seus sistemas culturais.

Estratégias:

· Promover o DNJ (Dia Nacional da Juventude), no último domingo de outubro;
· Promover formação sobre o DoCat (Doutrina Social da Igreja Jovem) e YouCat (Catecismo da Igreja Jovem);
· Organizar e/ou criar a Pastoral Juvenil Paroquial, envolvendo todos os movimentos que fazem parte dela sob orientação do Setor Arquidiocesano das Juventudes.
· Cada Paróquia procure organizar atividades de cunho formativo, espiritual e artístico voltadas à Juventude e orientadas pelos CPP/CPCs e Pastoral Juvenil Paroquial;
· Divulgar em todas as Mídias possíveis, a realização do Ano da Juventude (onde estiver proclamado);
· Abordar nas Festas de Padroeiro temas ligado a juventude a partir do documento 85 e do Instrumentum Laboris: “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”.

Indicação de Subsídios para Assessores e para os próprios Jovens:

1. PAPA FRANCISCO. Deus é jovem. Planeta Editora, 2018;
2. CNBB. Evangelização da Juventude (Documento 85);
3. CNBB. Pastoral Juvenil no Brasil. Identidade e horizontes (Estudos 103);
4. CNBB/CELAM. Civilização do Amor: Projeto e Missão (Edições CNBB);
5. CNBB. Texto-base da Campanha da Fraternidade 2013;
6. CNBB. Laços de Fé e Vida (Coleção em 3 volumes das Edições CNBB);
7. CNBB. Aos jovens com afeto (Coleção em 3 volumes das Edições CNBB);
8. YouCat e DoCat;
9. Instrumento Laboris do Sínodo sobre Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional;
Obs.: No site Jovens Conectados são disponibilizados cursos de capacitação para jovens e assessores da juventude.


FONTE: Arquidiocese de Montes Claros – MG. Setor Juventude. 18/11/2018.