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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

AS TRÊS COMPETÊNCIAS DO CATEQUISTA: FORMAÇÃO, PALAVRA, IGREJA!

O povo de Deus recebeu a vocação e a consagração de anunciar e testemunhar o Evangelho. Nesta vocação comum, o Senhor escolhe alguns para o serviço da Catequese. 
Portanto, os catequistas são convocados por Deus mediante a Igreja, para desempenhar a missão evangelizadora da educação na fé.

A fim de que estes agentes pastorais possam desempenhar de maneira responsável e qualitativa o seu ministério, devem prestar uma particular atenção às suas competências, entre as quais está o serviço à Palavra de Deus e à Igreja. 

I - A FORMAÇÃO 
A formação integral dos catequistas, delineada no Diretório Geral para a Catequese (DGC, 1997), numa tríplice dimensão: ser, saber e saber fazer, procura tornar os catequistas capazes de desempenhar de forma mais consciente a sua tarefa na comunidade eclesial. A finalidade destas três características educativas consiste em acompanhar progressiva e permanentemente o agente pastoral da catequese, a fim de que ele possa desenvolver a própria personalidade cristã, aonde confluem os valores e a sabedoria humana, a síntese da fé e o compromisso pastoral.

Este programa didático-formativo comporta:
- O conhecimento da Bíblia e da teologia;
- Da pedagogia e da comunicação;
- Da liturgia e da espiritualidade.

Tudo isto não diz respeito de maneira exclusiva a um simples saber intelectual, mas sim a um conhecimento em nível de testemunho, ou seja, a uma profunda experiência de comunhão, de misericórdia e de certeza do amor de Deus, que consiga fazer do catequista um autorizado educador na fé. 

II - SERVIDOR DA PALAVRA

A atitude típica do cristão consiste em praticar na sua própria existência o projeto de vida do Mestre, expresso de forma categórica, com as seguintes expressões: Com efeito, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10, 45). Por conseguinte, é mediante a participação no Mistério pascal de Cristo que cada um dos batizados se une à vontade do Pai, mas de maneira ainda mais específica aqueles que desempenham um determinado ministério no seio da comunidade eclesial. 

Consequentemente, a espiritualidade do catequista impõe uma escuta participativa da Palavra em ordem a uma interiorização, a um confronto e a uma resposta existencial. Consciente do seu papel a desempenhar na Igreja, ele tem necessidade de uma familiaridade com a Sagrada Escritura para acompanhar os irmãos na intimidade com o Verbo do Pai.

Da meditação fiel da Bíblia, como uma consequência lógica, o catequista poderá iluminar, encorajar e instruir os catequizandos a não se deixarem desanimar pelas dificuldades, a não se submeterem aos critérios secularizadores, hoje predominantes na sociedade, e a não venderem a sua dignidade de filhos de Deus.
Os livros sagrados forjam a mente e o coração do catequista, tornando-o capaz do martírio, ou seja, de dar testemunho da fé, onde se manifesta a sabedoria bíblica, porque conquista o domínio da Sagrada Escritura; inquietude missionária, porque adquire a consciência do incansável zelo missionário evangelizador de Jesus, caminha no seguimento dos seus passos para alcançar todas as pessoas com amor salvífico; caridade veemente, porque segundo o exemplo do Senhor se inclina diante do sofrimento do homem para dar alívio e infundir esperança,  sinais evidentes de que o seu  agir constitui um eco do novo mandamento: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente”. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mt 22, 37-40).

Da recepção humilde e obediente da Palavra revelada, o catequista dispõe-se a servir a comunidade eclesial para a edificar na comunhão, na diaconia e na missionariedade. 


III - SERVIDOR DA IGREJA

O ministério do catequista nasce, vive e realiza-se no seio da Igreja; por isso, ele pode ser considerado plena e justamente animador da comunidade eclesial, promotor da educação, da alimentação e do amadurecimento da sua fé, além de testemunha daquilo em que o povo de Deus acredita, daquilo que o mesmo celebravive e reza.

Uma das finalidades específicas da catequese consiste em iniciar os catecúmenos na vida comum, onde se vive a experiência de amar e louvar a Deus, de se ajudarem uns aos outros e de se aperfeiçoarem fraternamente, de compartilharem as tribulações e as alegrias, de oferecerem a própria disponibilidade, tolerância, paciência e prudência nos relacionamentos interpessoais, de tal maneira que, em qualquer situação, a Igreja se apresente como ícone da Santíssima Trindade.

Nesta altura, é necessário relevar a importância do relacionamento de colaboração entre os catequistas e os pastores, em vista de realizar conjuntamente a programação pastoral da catequese, para que ela possa corresponder de maneira constante à sua natureza no contexto da missão evangelizadora da Igreja.

Por sua vez, os pastores que se interessam sinceramente pela preparação dos catequistas, cuidam da sua competência doutrinal e metodológica, enquanto se dedicam à orientação espiritual e virtuosa destes agentes pastorais. E tudo isto, sempre para servir e edificar a Igreja de Deus, na certeza de que cada um dos ministérios encontra a sua gênese na confiante chamada divina. "Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e que vos destinei para irdes e dardes fruto, e que o vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16).

O serviço eclesial à palavra 

Por meio de uma análise da realidade social contemporânea, evidencia-se o afastamento de tantos batizados da Igreja, porque os valores que no passado orientavam o comportamento humano, atualmente são ameaçados por uma mentalidade ateia; por conseguinte, é necessária uma séria e qualificada catequese em que a Palavra de Deus seja apresentada orgânica e unitariamente, mediante a sua linguagem narrativa dos acontecimentos salvíficos e através do seu impetuoso poder de redenção.

Não com menos urgência, é necessário demonstrar a identidade apostólica da igreja, onde o catequista desempenha o seu serviço em particular sintonia e comunhão com ela. Quanto mais forem evidenciados o amor e a responsabilidade em relação à comunidade eclesial, tanto mais os catequizandos se sentirão como verdadeiros filhos da igreja, orientados pelas Sagradas Escrituras.    

             
FONTE: http://www.osservatoreromano.va/pt   (Sem autor definido).
Adaptação: Ângela Rocha - Catequistas em Formação.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

PRESÉPIOS CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

Durante o mês de dezembro, nas duas últimas semanas, promovemos um "concurso" de presépios com os catequistas do nosso grupo no Facebook. A ideia foi da Vivian Leite, catequista de São Paulo, que começou a história apresentando o próprio presépio:

Vivian Leite - São Paulo SP

E foi um SUCESSO!


Catequistas de todo Brasil publicaram fotos dos seus presépios de casa, alguns da paróquia, outros da catequese. Todos absolutamente LINDOS! E escolher os mais significativos para serem votados foi difícil! Mas, dos mais de 100 presépio foram selecionados os seguintes:


Ana Lucia Almindo (exposição de presépios dos cateqquizandos), Heloisa Silva, Raimundo Cesa, Suzana Lossurdo, Juliana Bellozo, Marcio Prazeres (2 presépios das crianças da exposição promovida pela catequese), Nilva Mazzer, Adriana Pereira, Josefa Macleide Gomes Da Silva Gonçalves, Rosane C. Barbosa, Camila Viccioli ( 2 presépios muito fofos), Andreia Soares, Clarice Vieira Giasson, Rita Fernandes, Rosalia Nogueira Rodrigues, Marciano Ribeiro, Catari Viana, Rosana Lima da silva.


Feita a escolha, cada um contou um pouco da história do seu presépio para que os catequistas do grupo votassem nos 5 melhores, para serem premiados. Foi mais difícil ainda escolher, mas, aí estão eles:

Heloísa Silva - 1º LUGAR (91 votos)
Presépio montado na casa da minha mãe (82 anos). Moramos em Ceilândia - DF. Todo ano tenho a incumbência de montar o presépio, ela fica ansiosa, esperando. Embaixo do menino Jesus ela colocou um pedido para que eu engravide. Então todos os anos quando monto, devolvo o pedido no lugar.

Juliana Bellozo -  também em 1º LUGAR (91 votos) - Empatou com a Heloísa!

Presépio eu que fiz de biscuit e em cada peça eu coloquei um ímã. Ele está na tampa de uma lata de panetone. A ideia de colocar o ímã foi dos meus catequizandos. Eu uso sempre na catequese. Meus catequizandos sempre querem que eu dê pra eles as peças! rsrsrsrs. Sou de Rolândia-Pr. e dou catequese na paróquia São Pedro Apóstolo e Nossa Senhora de Fátima - Arquidiocese de Londrina PR.

Nilva Mazzer - 2º LUGAR - 65 votos
Fiquei muito feliz por meu presépio estar entre os escolhidos. Ganhei na confraternização de final de ano da nossa catequese aqui da Paróquia São José Operário de Maringá, da nossa equipe da coordenação. E o mais legal de tudo, ele foi feito por uma catequista nossa, que também faz parte do grupo: Regina Celia Fregadolli Auada. 



Clarice Vieira Giasson - 3º LUGAR - 48 votos
Estou muito feliz que a foto dessa turminha linda foi classificada para a escolha do presépio mais curtido desse grupo! 💝 Sou coordenadora da catequese em minha comunidade, Paróquia Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças, na cidade de Medianeira- Paraná, e também Catequista junto com meu esposo Rogério, nessa turma de 2ª etapa. Trabalhamos sobre o presépio e eles amaram pintar, recortar e montar juntos. Estamos estudando e colocando em prática a catequese mistagógica e acredito que podemos sim fazer a diferença na vida dos pequenos, mostrando o amor pelo Céu, pelas coisas de Deus!

Rita Fernandes - 4º LUGAR - 47 votos
O meu presépio é bem simples, feito de papelão, as imagens foram impressas no computador e colorida pelos meus netinhos que queriam saber o que é o presépio, eles tem 8 e 5- 9 e 6 anos, como ficaram em casa após termino das aulas, resolvemos fazer um mini presépio, eles amaram, e ficaram encantados com a história do nascimento de Jesus. Maravilhoso ver aqueles olhinhos brilhando de curiosidade...❤✨✨ Sou da Paróquia Santuario Fátima -

Suzana Lossurdo - 5º LUGAR - 44 votos
Meu presépio. Tão espaçoso quanto a dona. 😊 Já o monto há 22 anos, cada vez de uma forma diferente. Quando meus filhos eram pequenos, os animais passeavam por todo os lados, ora juntos, ora separados. De repente sumiam todos e apareciam novamente. Hoje, finalmente, eles ficam sempre no mesmo lugar. Sou de Barra Bonita/SP. Paróquia São José.

Raimundo Cesa - 6º LUGAR - 40 votos.
O Meu presépio foi baseado na realidade em que vivemos, em um mundo onde a simplicidade prevalece....moramos no interior do estado do Ceará, a 350 km da capital, somos uma capela pequena..e nosso presépio representada a nossa simplicidade, representa o Deus menino que enxergamos em nossa realidade: Iluminado e que nasceu no meio da simplicidade.Utilizei material do nosso cotidiano e cotidiano rural, como o pote de barro, as plantas e as raizes. Sou da Cidade de Dep. Irapuan Pinheiro-Ceará.

Adriana Pereira - 7º LUGAR - 39 votos
Em nossa Paróquia (Sr. Bom Jesus - Monte Alto - SP) realizamos pela primeira vez uma exposição de presépios. As pastorais e comunidades prepararam seus presépios de acordo com o tema sugerido. Tivemos presépio de migrantes, de moradores de rua, oriental, dentre outros. Minha comunidade foi responsável pelo presépio indígena e a ideia foi retratar que Jesus pode nascer nas mais diversas realidades. Foi uma experiência enriquecedora de partilha, espiritualidade e de união.

Rosália Nogueira Rodrigues - 8º LUGAR - 35 votos
O meu presépio foi realizado em família. Tenho 4 filhos e por isso a construção do presépio é um momento de muita alegria e um espaço de imaginação, trabalho de equipe e oração. Somos de Leiria - Fátima - Portugal.

Camila Viccioli - 9º LUGAR - 35 votos
Aqui estão meus dois presépios, que montei com toda simplicidade, porém com o mais importante de todos: o amor em Jesus. Um deles foi feito na lata de sardinha. Sou Camila da cidade de Cândido Mota - SP.

Rosane C. Barbosa - 10º LUGAR - 34 votos
Boa tarde catequistas. Agradeço o carinho e oportunidade. Sou Rosane, de Contagem/MG. Este presépio ganhei de minha mãe, falecida em 13 de maio deste ano passado, 2019. E que muito me honra ter, porque como minha primeira catequista, ela me ensinou a importância da nossa Sagrada Família de Nazaré. É um presépio em miniatura, artesanal e me acompanha o ano todo. No advento coloco essa mini-velinha, no natal acendemos e rezamos pro menino Jesus abençoar todas as famílias do mundo. Neste Natal, minha mãe ficou com nossa mãe do céu, Jesus e José, a interceder por nós, como um anjo. Desejo a todos um ano cheio de bênçãos!

Andreia Soares - 29 votos
Meu presépio tenho há mais ou menos dois anos.Tinha uma vontade enorme de ter um, pois montava o da igreja onde participo há 17 anos. Mas meu sonho era ter o meu e com a graças de Deus consegui .Minha vontade é ter peças maiores.
Comunidade Nossa Senhora da Paz Arujá / São Paulo.


Catari Viana - 28 votos
Desde criança admirava o presépio de minha avó . Era simples, na fazenda e não tinha luz, era iluminado com lamparinas a óleo. Hoje, não deixo a tradição ser esquecida. Amo fazer meu Presépio. Ele sempre tem no mínimo 3 metros de comprimento por 1 de largura, mas esse ano tive que fazê-lo em um espaço um pouco menor, mas também ficou bonito. E esse ano fui formando em etapas, até estar completo, com todos os personagens juntos no dia da Epifania do Senhor. E começo com a Nossa Senhora do Ó, ou da Expectaçao, que é a Nossa Senhora Grávida. Ainda não desmontei.. estou com muita pena.... 😯🙏❤❤❤
Sou da Paróquia de São José, em Piratininga, Niterói/ RJ.

Josefa Macleide Gomes da Silva Gonçalves - 28 votos
Presépio confeccionado em 03/12/2015 (Um tesouro precioso, guardado com carinho). Bem simples: as imagens foram impressas e coloridas por meus catequizandos que tinham idade de 5 a 8 anos. Comunidade São Francisco- Paróquia Senhor do Bonfim- Macurure - BA.

Rosana Lima da Silva - 28 votos
Bom esse é o meu presépio, ele é bem simples mas montado com muito carinho. Sempre quis ter um, mas nunca conseguia comprar! Rsrsrsrs... Faz uns 4 anos que consegui adquirir❤❤. Ele é montado na minha casa, num cantinho reservado no rack, coloco pisca-pisca pra deixar bem alegre. Moro na Comunidade de Nossa Senhora das Graças que pertence à Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus em Campos do Jordão - SP.


MARCIO PRAZERES - 27 votos
Dois dos presépios da primeira exposição da minha paróquia, feito com muito amor e carinho, com as famílias dos catequizandos. Com esses presépios trabalhamos catequese em família. Obs: a primeira exposição de muitas que vão vim.
Paróquia São Pedro, Diocese de Osasco SP.

Ana Lucia Almindo e Mara Gandolfe - 22 votos
Eu e a Mara Gandolfe, somos catequistas da comunidade N.S. das Dores (Paróquia Cristo Rei), cidade São Vicente, litoral de São Paulo, e todo ano nós pedimos para nossos catequizandos fazerem um presépio em casa com ajuda dos pais, para depois fazer exposição na comunidade. Como sempre eles se superam e aí estão, lindos como sempre.

Marciano Ribeiro - 20 votos
Este é o presépio de minha casa, todo ano faço questão de montá-lo, com todo carinho em um lugar de destaque, para a chegada do Menino Deus. O presépio foi comprado pela minha mãe, em Aparecida – SP, quando eu ainda era criança. Cada vez que o contemplo, sinto que no presépio, Deus se fez pequeno e se tornou nosso irmão. E, ainda nos dias de hoje quer renascer em nossos corações. Que todo dia seja Natal!  
Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, Bom Sucesso – MG - Diocese de Oliveira.

Além dos selecionados acima tivemos muitos outros presépios, cada um mais bonito que o outro. Eles estão todos publicados no grupo Catequistas em Formação no Facebook: 

Quem quiser fazer parte do grupo, é só pedir adesão respondendo as perguntas!

* Também disponível no link: 
https://drive.google.com/drive/folders/1tiyjGytxH8uWYrZ2fGULjh_jyxGld39k?usp=sharing

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O SIGNIFICADO DO TETRAGRAMA YHVH (DEUS EM HEBRAICO)


Para que esse tipo de contemplação seja mais significativo, é preciso ter uma ideia do significado das quatro letras do nome de D'us. Como eu disse, o Tetragrammaton está escrito YHVH. Portanto, consiste nas quatro letras hebraicas yod, heh, vav e heh. Essas quatro letras têm um significado muito especial.

Este nome pode ser entendido com base em um antigo ensino cabalístico. O ensino afirma que as quatro letras contêm o mistério da caridade.

De acordo com este ensinamento, a primeira letra, yod, denota a moeda. A letra yod é pequena e simples como uma moeda.

A segunda letra, heh, denota a mão que dá a moeda. Cada letra do alfabeto hebraico também representa um número. Como heh é a quinta letra do alfabeto, ele tem um valor numérico de cinco. O "cinco" de heh faz alusão aos cinco dedos da mão.

A terceira letra, vav, denota o braço estendendo a mão para dar. Esta carta tem a forma de um braço. Além disso, em hebraico, a palavra vav indica um gancho e, portanto, vav tem a conotação de conexão. De fato, em hebraico, a palavra para a conjunção “e” é representada pela letra vav prefixada em uma palavra.

Finalmente, a quarta letra, a última heh, é a mão do mendigo que aceita a moeda.
Essa é a essência da caridade em um nível mundano. No entanto, “caridade” também pode ser entendida em uma escala divina. O maior ato de caridade possível é aquele pelo qual D'us nos dá. A maior caridade que D'us dá é a própria existência. Não reivindicamos a existência e não podemos exigir que D'us nos dê como nosso direito. Portanto, quando Ele nos dá existência, é um ato de caridade. Como essa “caridade” é denotada pelo Tetragrammaton, as quatro letras representam o mistério do elo criativo entre D'us e o homem.

Autor: Rebe Aryeh Kaplan sobre o Tetragrammaton da Meditação Judaica, Um Guia Prático.
Fotografia: O Tetragrammaton (Nome de D'us).

* D-us, ou D'us, é uma das formas utilizadas por alguns judeus de língua portuguesa para se referirem a Deus sem citar seu nome completo. Essa forma de escrever o nome divino é uma maneira de lembrar o respeito que ele suscita para o povo judeu. O nome de Deus não é pronunciado pelos judeus. Na Bíblia é usado o Tetragrama, isto é, as 4 letras (YHWH). Nós discutimos se temos que dizer "Jeová", "Javé", etc. Os judeus simplesmente não pronunciam e, nisso, se revela a esterilidade dessa discussão. Os judeus, quando veem tal nome, ou dizem “adonai” ou "o nome" (Ha-Shem), mas nunca algo como "Javé".
Nós, cristãos, pela raiz judaica da nossa religião, não deveríamos “discordar” ou “concordar” sobre a pronúncia desse nome, já que é uma questão religiosa que diz respeito aos judeus, que usam Adonai, que é uma tradução que se aproxima de “Senhor”.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

QUAL É A DELES? (Adolescentes)



Sabemos realmente quem são os nossos catequizandos? Os que eles pensam da vida e do mundo? Por que as meninas se maquiam, pintam as unhas de vermelho? Por que os meninos usam brincos? Por que crianças tem tatuagens? Por que se vestem assim ou assado? Pintam os cabelos de azul? Nós sabemos como são suas famílias, a vida que levam e o que os leva a se auto afirmar tão precocemente? A amadurecer (ou querer isso...) tão cedo?

Podemos afirmar com certeza que cada pessoa é um ser único e que cada pessoa assume a identidade que melhor a representa. Mas, em se tratando da infância e adolescência ainda é um pouco cedo para “assumir” algo que modifica seu corpo, no caso das tatuagens e piercings. Mas, os pais acabam cedendo aos pedidos dos filhos...

Tive um catequizando que fez a primeira eucaristia aos 14 anos - diferente das outras crianças que tinham 11, 12 anos - usava boné, usava brinco e claramente estava "em outra". E faltava bastante aos encontros ou chegava quando eles já iam pelo meio.

Quando perguntei a ele o porquê, ele me disse que estudava de manhã e na sexta dormia tarde e não conseguia acordar cedo no sábado. O que ele fazia na sexta à noite? Jogava os jogos tão amados pelos adolescentes. Hum... perguntei quais jogos ele gostava e fiz de conta que entendia do negócio falando um "Que legal!", na maior animação. E perguntei se podia ligar para ele no sábado de manhã pra acordá-lo. E tive um Sim relutante. E combinamos assim: Às 8hs eu ligava e avisava da catequese, ele chegava atrasado, mas, vinha. Os pais saiam para trabalhar e penso que o chamavam para levantar..., mas, tanto fazia se ele fosse ou não ao encontro. Foi uma conquista lenta.

E aos poucos eu fui “descobrindo” as coisas. Ele usava boné porque o cabelo era "desajeitado"... e se ressentia quando alguém pedia e ele para tirar. Eu não pedia, mas, quando as turmas se reuniam, sempre tinha uma catequista "espirito de porco" (desculpe o termo... rsrsrsr) que acabava pedindo. Eu via o quanto aquilo o "machucava", mostrar cabelo "ruim" pra todo mundo? Que "mico"!

No dia da primeira eucaristia, lá estavam elas, as "beatas de plantão", "fiscais de porta de Igreja" como diz o Papa Francisco, a se incomodar com o brinco do meu menino. Vieram falar comigo e eu respondi: "Vai lá e fala você com ele". E foram!

Ele, educado, olhou pra mim a se perguntar se tirava ou não o brinco. Senti no olhar dele o quão "violentado" em sua identidade ele se sentiu. Que "banquete da comunhão" era aquele que não permite a uma pessoa ser o que ela é? Mostrar-se a Deus do jeito que se sente bem. Senti tudo isso quando ele me perguntou com o olhar.

Fui até ele e cochichei no seu ouvido: "Tire o brinco aqui agora na entrada, mas, quando estiver sentado no seu lugar, coloque de novo. Senão Jesus vai se perguntar onde anda você." Ele sorriu, tirou o brinco, pôs no bolso e foi pra fila de novo.

Tenho certeza que ele, hoje no grupo de jovens, nunca se sentiu mal na presença de Jesus. A gente aqui pode não aceitar as crianças como elas são e gostam de ser, mas, Jesus está sempre dizendo: "venham a mim os pequeninos... do jeito que eles são". Que diferença faz para Deus, a cor da unha? O corte de cabelo? O brinco? São perguntas que me faço sempre.

O caminho ou a receita para lidar com os adolescentes, eu não sei qual é e nem tenho. Mas, acredito que, se os aceitarmos como são e buscarmos entender o porque deles estarem "fora do padrão" já é um começo. A orientação pelo "melhor" e pelo "certo" vem com o tempo e depende muito daquilo que vivemos hoje, no contexto da comunidade e no que a sociedade prega. Discernimento é a palavra.


*Este texto originou-se de uma pergunta de uma catequista a respeito de brincos e tatuagens. Achei que a resposta merecia uma publicação a parte.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

sábado, 4 de janeiro de 2020

06 JANEIRO, DIA DE REIS E EPIFÂNIA DO SENHOR



O "Dia de Reis" é uma das festas tradicionais mais singelas celebrada em todo o mundo católico. Neste dia se comemora a visita de um grupo de reis magos (Mt 2 1 -12), vindos do Oriente, para adorar a "Epifania do Senhor". Ou seja, o nascimento de Jesus, o Filho por Deus enviado, para a salvação da humanidade.
O termo "mago" vem do antigo idioma persa e serviu para indicar o país de suas origens: a Pérsia. Eram reis, porque é um dos sinônimos daquela palavra, também usada para nomear os sábios discípulos de uma seita que cultuava um só Deus. Portanto, não eram astrólogos nem bruxos, ao contrário, eram inimigos destas enganosas artes mágicas e misteriosas.
Esses soberanos corretos, esperavam pelo Salvador, expectativa já presente mesmo entre os pagãos. Deus os recompensou pela retidão com a maravilhosa estrela, reconhecida pela sabedoria de suas mentes como o sinal a ser seguido, para orientação dos seus passos até onde se achava o Menino Deus.
Foram eles que mostraram ao mundo o cumprimento da profecia de séculos, chegando no palácio do rei Herodes, de surpresa e perguntando "pelo Messias, o recém-nascido rei dos judeus". Nesta época aquele tirano reprimia a população pelo medo, com ira sanguinária. Mas os magos não o temeram, prosseguiram sua busca e encontraram o Menino Deus.
A Bíblia diz que os magos chegaram à casa e viram o Menino com sua Mãe. Isto porque José já tinha providenciado uma moradia muito pobre, mas mais apropriada, do que a gruta de Belém onde Jesus nascera. Alí, os reis magos, depois de adorar o Messias, entregaram os presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro, significa a realeza de Jesus; o incenso, sua essência divina e a mirra, sua essência humana. Prestada a homenagem, voltaram para suas nações, evitando novo contato com Herodes, como lhes indicou o anjo do Senhor.
A tradição dos primeiros séculos, seguindo a verdade da fé, evidenciou que eram três os reis magos: Melquior, Gaspar e Baltazar. Até o ano 474 seus restos estiveram sepultados em Constantinopla, a capital cristã mais importante do Oriente, depois foram trasladados para a catedral de Milão, na Itália. Em 1164 foram transferidas para a cidade de Colônia, na Alemanha, onde foi erguida a belíssima Catedral dos Reis Magos, que os guarda até hoje.
No século XII, com muita inspiração, São Beda, venerável doutor da Igreja, guiado por uma inspiração, descreveu o rosto dos três reis magos, assim: "O primeiro, diz, foi Melquior, velho, circunspecto, de barba e cabelos longos e grisalhos... O segundo tinha por nome Gaspar e era jovem, imberbe e louro... O terceiro, preto e totalmente barbado chamava-se Baltazar (cfr. "A Palavra de Cristo", IX, p. 195)".
Deus revelou seu Filho ao mundo e ordenou que o acatassem e seguissem. Os reis magos fizeram isto com toda humildade, gesto que simboliza o reconhecimento do mundo pagão desta Verdade. Isso é o mais importante a ser festejado nesta data. A revelação, isto é, a Epifania, que confirma a divindade do Santo Filho de Deus feito homem, que no futuro sacrificaria a própria vida em nome da salvação de todos nós.
                                                                                             Pe.Ezequiel Dal Pozzo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ





A INSPIRAÇÃO CATECUMENAL DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

A Iniciação à Vida Cristã resgatada pelo Concílio Vaticano II busca inspiração nas fontes do cristianismo, ou seja, nas experiências de transmissão e educação da fé das primeiras comunidades. 

O fato: a ressurreição de Jesus.
A experiência: a unidade da fé em comunidade. 
A experiência pascal da ressurreição de Jesus revelou à comunidade o valor de permanecerem unidos (Jo 20,19). Outra experiência, agora pós-pascal, foi a consciência de que Jesus se tornou corporalmente ausente: “Homens da Galileia, por que vocês estão aí parados?” (At 1,11). 
Neste misto de experiências, a comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus dá destaque para os fatos que ficaram na memória, passando a recordar os lugares e os gestos de Jesus de Nazaré. Dizemos, portanto, que a comunidade se dá conta da importância das experiências pré-pascais. E viverá da recordação destes fatos, interpretando-os na força da ressurreição.
Mas, onde fica a inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã, em meio a tantos fatos e experiências? 
Conversamos anteriormente que a novidade da Iniciação à Vida Cristã se dá na transmissão da fé ao longo de um caminho, um itinerário. Em vista disso é que se fala em inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã, ou seja, a educação da fé que leva em conta as experiências da comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus antes, durante e depois da Páscoa. O que nos revela um percurso de transmissão e educação da fé cristã. 
Na Apresentação do Documento 107 da CNBB temos: “Um itinerário! Um caminho de pertencimento. O movimento de quem está a caminho, que se põe a caminho, que faz o caminho, percorre o caminho de Jesus Cristo. Uma pessoa discípula, aprendiz, seguidora. A pessoa que aprende com o Mestre Jesus”. 
A inspiração catecumenal, portanto, é despertar para a arte de anunciar Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus, com a mesma motivação, sentimentos e testemunho como os cristãos e cristãs faziam nos primeiros séculos. Ainda somos reféns de itinerários lineares, que ensinam doutrinas e preparam tão somente para os sacramentos. 
Na inspiração catecumenal o mais importante é a pessoa de Jesus Cristo. O que salva é a pessoa de Jesus Cristo, e nãos as ideias e teorias acerca dele. “O caminho de formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque lhe conhecem a voz” (DAp 277). 
E, por último, a iniciação à vida cristã, que passa pelo itinerário formativo e pela centralidade de Jesus Cristo, é uma metodologia destinada aos adultos. Pessoas adultas são capazes de fazer sua opção de escolha. Em se tratando de fé, a escolha é fundamental para o seguimento, àquilo que dá sentido no caminhar. Em nosso contexto, em que a maioria dos católicos são batizados quando crianças, a inspiração catecumenal é uma resposta à necessidade de completar a formação bíblica e missionária dos batizados. 
A inspiração catecumenal da Iniciação à Vida Cristã é uma proposta de metodologia em tempos de conversão pastoral. E, por ser caminho metodológico, fará surgir um jeito, um modo de ser Igreja-comunidade, que será diferente do nosso jeito de ser Igreja atual. Mas para isso, é preciso investir na inspiração catecumenal por completo, não apenas em partes. Esse é o tema da eclesiologia da Iniciação à Vida Cristã de inspiração catecumenal, tema de nossa próxima contribuição. Até lá. 
Ariél Philippi Machado
Teólogo
Assessor de catequese na Arquidiocese de Florianópolis-SC
Fonte: CNBB