sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

AVALIAÇÃO DE CONTEUDO NA CATEQUESE: TEM ISSO?

Muitos catequistas se perguntam se devem fazer (e muitos fazem!), “avaliação” de conteúdos na catequese. Penso que essa é uma ação que não cabe no processo de evangelização. Claro que podemos usar alguns recursos pedagógicos para trabalhar os temas: atividades, dinâmicas, brincadeiras, canto, etc. Na verdade, todos estes recursos, são técnicas ou métodos didáticos para tornar os conteúdos mais atraentes e não uma "avaliação". Da mesma forma, uma ou outra atividade para fixação de conteúdo, pode se fazer necessária, mas, nunca pensando em "corrigir" e apontar erros.

Estou na catequese de crianças há um bom tempo já, normalmente fico com elas na catequese até receberem a primeira Eucaristia. E NUNCA fiz qualquer tipo de avaliação, mesmo porque, se fizesse, ia chegar à conclusão de que elas não “aprenderam” nada... Pois, além de serem apenas crianças e adolescentes o universo da evangelização é de “experiências”, encontros; muito mais do que de “saber” ou reter “conhecimento”.

E essa é a questão na catequese: ela não existe para se "aprender” alguma coisa. E isso o documento Catequese renovada, já apontou em 1983.. A Catequese é “iniciação à vida cristã”. E vida, remete à “vivência” cristã.

Outra coisa também: Até quando a gente vai teimar em conduzir o barco com remos se a gente tem "motores" potentes hoje? Temos "informações"! Temos ajuda das ciências (pedagogia/psicologia). E estas nos ajudam a entender o universo da criança e do adolescente, e como eles “aprendem” e incorporam na sua vida as experiências que vão tendo. 

Mas, muitos catequistas se deparam com um "modelo pronto" já e é comum em suas paróquias avaliar o catequizando, o que ele aprendeu ou não aprendeu. E ficamos com aquele, "sempre foi assim" e acabamos incorporando em nossa prática a tal avaliação. No entanto, isso é meio fora dos propósitos da evangelização. Como se avalia a fé de uma pessoa? Como saber, “decor e salteado", mandamentos e sacramentos, indica que essa pessoa se converteu? Como esse "saber" pode mudar a vida de uma pessoa? Não tem, simplesmente não tem, como a gente saber se o que estamos trabalhando na catequese hoje, vai ou não mudar a vida de uma criança no futuro, portanto, "relax"!


Ao invés de esquentar a cabeça pensando numa "avaliação", vão lá fora, em algum lugar que tenha uma grama bem gostosa pra deitar, e fiquem uma meia hora olhando para o céu azul, brincando de “desenhar” figuras nas nuvens. Olhando e se maravilhando com a criação do Altíssimo. Garanto a vocês que daqui uns 30 anos, seus catequizandos vão "voltar ao passado" e pensar: "Como foi bom estar na catequese!".

O que se pode, e deve fazer sempre, é uma avaliação conjunta, pela equipe de catequese e pelo padre, sobre a eficácia e o alcance da evangelização que está sendo feita pela paróquia. Analisando isso, se está pondo a "prova" a catequese feita por todos nós.


Ângela Rocha - Catequista

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO