domingo, 3 de janeiro de 2016

ANO NOVO! E É ANO "BISSEXTO"!

Mais um ano se inicia... E o ano de 2016 traz uma novidade: mais um dia é acrescentado ao ano! Afinal é...

ANO BISSEXTO...

Arte: Paulo Daniel Rocha
MAS, COMO SURGIU O ANO BISSEXTO?

O homem, sempre buscou na agricultura a sua sobrevivência. E a programação das épocas de semeaduras e colheitas, eram baseadas no calendário das estações. Qualquer divergência neste calendário afetava a agricultura, que era base da economia dos povos antigos. E com o tempo o homem foi percebendo que nem sempre as estações coincidiam com a mesma época do ano anterior, ou seja, não era possível colocar um número exato de dias no ano.

Então, após alguns cálculos dos astrônomos da época, no ano de 238 a.C., em Alexandria, no Egito, foi decretada a adição de um dia a cada 4 anos para compensar a diferença que existia entre o ano do calendário, com duração de 365 dias, e o ano solar com duração aproximada de 365,25 dias, ou seja, de 365 dias + 6 horas. Com este excesso anual de 6 horas, um dia extra deveria ser acrescentado ao calendário oficial, a cada 4 anos, para evitar os deslocamentos das datas que marcavam o início das estações.

Quase 200 anos depois, o ano bissexto foi introduzido no calendário pelo Imperador Júlio César, que trouxe de Alexandria o astrônomo grego Sosígenes para elaborá-lo (por isso o calendário era chamado "Juliano", em homenagem ao imperador). As mudanças no calendário eram necessárias porque o tamanho do ano não era um número inteiro de dias. O calendário Juliano baseia-se no fato de que o ano se completa com aproximadamente 365,25 dias. Para compensar essa fração, foi decidido adicionar um dia extra a cada quatro anos.

Mas, onde acrescentar este dia?

Foi o "dia sexto antes das calendas de Março" (calendas era o dia representativo do início de cada mês no calendário romano), que o imperador mandou repetir. Passou, assim, a haver, a cada quatro anos, um dia, o "bis sextum ante diem calendas martii", e lá está o tal "bis sextum" que acabou virando "bissexto". Nessa época o ano começava em março e nada mais correto que acrescentar um dia no último mês do ano, que era fevereiro. Esse calendário foi usado até o século XVI, quando observou-se uma pequena discrepância entre o tamanho aproximado (365,25 dias) e o real (365,24219 dias).

É interessante observar que foram feitas tantas mudanças no ano 46 a.C., ano em que foi introduzido o calendário Juliano, que ele acabou ficando com 445 dias e por isso foi conhecido durante algum tempo como "ano da confusão"...

O ANO DURA NA VERDADE...

A duração exata do ano é 365,242199 dias. Esse não é um número inteiro de dias, ou seja, o ano dura: 365 dias + 5 horas + 48 minutos + 47 segundos, que é o tempo para que a Terra leva para dar uma volta completa ao redor do Sol. Por causa da falta de precisão nas observações os antigos arredondavam para 365 dias + 6 horas. Porém se somarmos seis horas a cada ano em quatro anos as estações ficam defasadas um dia. Por isso existe o ano bissexto, ou seja, a cada quatro anos o ano tem 366 dias para que as estações não fiquem defasadas com o passar do tempo. Se não houvesse o ano bissexto em 360 anos o inverno estaria começando no outono, ou seja, o início de todas as estações, estariam atrasadas 90 dias. Em 720 anos o verão estaria começando no inverno!

Em 1582 o Papa Gregório XIII instituiu o Calendário Gregoriano e as regras para determinar o ano bissexto mudaram. Foi considerado que o ano com final "00" de cada século (1600, 1700, 1800, 1900, 2000...) seriam considerados bissextos somente se fossem divisíveis também por 400. De fato, isto significou adotar uma média no tamanho do ano de 365,2425 dias, o que causa um erro aproximado de 3 dias a cada 10.000 anos.

A pequena diferença que sobra só será detectada a cada 3.300 anos. Desse modo, provavelmente no ano de 4.880 os astrônomos da época decidirão que aquele ano não será bissexto para corrigir o pequeno erro do calendário (Só não se sabe se existirão astrônomos ou calendários no ano de 4.880…).

Todos os anos que sejam múltiplos de 4 mas que não sejam múltiplos de 100, com exceção daqueles que são múltiplos de 400, são bissextos.

Que confuso isso! Mas, resumindo:
1 - Todo ano divisível por 4 é bissexto.
2 - Todo ano divisível por 100 não é bissexto.
3 - Mas se o ano for também divisível por 400 é bissexto. 

Comparação entre Calendários
Nome
Instituído em:
Ano Médio
Erro Anual Médio Aproximado
Fixo de 365 dias
———
365 dias
6 horas (1 dia a cada 4 anos)
Juliano
45 AC
365,25 dias
11 minutos (1 dia a cada 128 anos)
Gregoriano
1582
365,2425 dias
27 segundos (1 dia a cada 3.236 anos)

A adoção do calendário gregoriano foi feita nos países católicos em 1582, com a eliminação de 10 dias, ou seja, 4 de outubro foi seguido por 15 de outubro. Nessa época foi também adotado o dia 25 de dezembro como sendo o dia do Nascimento de Jesus, de modo a substituir uma festa pagã em homenagem ao sol que acontecia nessa data, dois dias após o solistício de inverno no hemisfério norte (o dia 23 de dezembro é o que tem a noite mais longa do ano, no hemisfério norte, ou o dia mais longo, no hemisfério sul).

Este calendário também estipulou que o ano começaria em primeiro de janeiro e não em março como era até então. Nos países não católicos a mudança foi feita mais tarde; a Inglaterra e suas colônias fizeram a mudança em 1752, onde o dia 2 de setembro precedeu o dia 14 de setembro e o dia de ano novo foi mudado de 25 de março para primeiro de janeiro. Os países sob domínio da Igreja Ortodoxa demoram mais tempo para fazer o ajuste e, no caso da Rússia, isso só foi feito após a revolução comunista em 1918, com um erro que já se acumulava em 14 dias.

MAS, O QUE SÃO CALENDÁRIOS?

Arte: Paulo Daniel Rocha
Os calendários surgiram da necessidade do homem de contar o tempo e controlar suas atividades. Inicialmente abrangiam pequenos períodos de tempo (dias e semanas) e posteriormente para programar os plantios e colheitas, determinados pelas estações. Mas a determinação precisa dos dias de início de uma estação e fim da outra só era feita por sacerdotes muito experientes, que tivessem financiamento para construir e manter os observatórios, que eram caros e precários, normalmente eram os reis que financiavam os sacerdotes, por isso, era difícil para os agricultores determinar o início e o fim das estações.

A partir dessa necessidade os sacerdotes elaboraram os calendários que eram registros escritos dos dias onde eram marcadas as datas de cheias, plantios e colheitas. As estações ocorriam e ocorrem de forma regular a cada ano. Então, bastava fazer a contagem correta dos dias e marcar os dias de início e fim das estações como temos hoje (21 de junho início do inverno, 22/23 de setembro início da primavera, 21/22 dezembro início do verão e 21 de março início do outono).  Os calendários atuais são formados por um conjunto de regras baseadas nas Astronomia e em convenções culturais.

OUTROS CALENDÁRIOS...

Na antiguidade a comunicação entre os povos e principalmente entre os sacerdotes de cada nação era difícil devido a demora no transporte das informações, por isso trocar informações era algo muito demorado para que os calendários fossem os mesmos. Além disso cada rei queria impor sua autoridade e impunha o calendário que lhe era conveniente. Por essas razões muitos calendários foram criados. Os principais eram:

Calendário Babilônico: o ano não tinha um número de dias fixo. Era dividido em 12 meses lunares de 29 ou 30 dias cada o que somava 354 dias. Para acertar a data das estações do ano os babilônios adicionavam um 13o mês a cada três anos, assim as estações não ficavam muito defasadas com o passar do tempo, mas essa adição do 13o não era muito regular, por causa da dificuldade no transito das informações. Também faziam a divisão do mês em semanas de sete dias.

Calendário Egípcio: é um calendário baseado no movimento solar. O ano tinha 365 dias, divididos em 12 meses de 30 dias que somam 360 dias e mais 5 dias de festas depois da colheita. Eles tinham conhecimento de que o ano tinha 365,25 dias, mas até serem invadidos pelos romanos no século I a.C. eles não faziam a correção de adicionar um dia a mais a cada quatro anos.

Calendário Grego: baseado nos movimentos solares e lunares, seguindo um padrão parecido com o calendário babilônico, porém a intercalação do 13o mês era bem mais bagunçada.

Os índios americanos: Maias, Astecas e Incas, também tinham calendários baseados principalmente no mês lunar.

Hoje em dia existem, basicamente, três calendários em vigência no mundo. Um deles é o calendário que nós usamos e que conta os anos a partir do nascimento de Cristo, ou seja, o ano em que Cristo nasceu foi o ano 1, outros são os calendários muçulmano e israelita que não consideram o nascimento de Cristo e por isso apresentam anos diferentes do nosso.

O calendário israelita é baseado no babilônico. Uma curiosidade é que o dia desse calendário como do muçulmano inicia-se com o por do Sol e não a 0:00h como o nosso calendário. O primeiro dia de cada ano novo não pode cair na quarta, sexta ou domingo. Se isso acontecer o início do ano é transferido para o dia seguinte.

AS DIVISÕES DOS CALENDÁRIOS

As unidades básicas dos calendários são os dias. Os dias normalmente são agrupados em porções maiores que formam as semanas, que formam os meses, que se dividem em estações e por fim, os anos. Esses agrupamentos ocorrem para facilitar a contagem como fazemos naturalmente com os números. Os seres humanos tinham a necessidade de contar a passagem do tempo e descobriram que a própria natureza se encarregou de fornecer agrupamentos que ajudavam nessa contagem.


As semanas:

Existem dois motivos que fizeram os antigos agrupar sete dias para formar uma semana, um deles é baseado nas fases da lua. Se você observou as fases da lua irá perceber que entre o quarto crescente e a lua cheia passam-se sete dias. Vimos que muitos calendários são baseados na lua para formar os agrupamentos.

Outro motivo que deu origem a esse agrupamento de sete dias para formar a semana eram os astros visíveis no céu a olho nu. Na antiguidade podiam ser vistos sete astros no céu e que não eram estrelas; o Sol, a Lua, e cinco planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Por isso muitos povos deram a cada dia da semana o nome de um desses astros. Em muitos idiomas esses nomes estão presentes até hoje, veja a tabela abaixo. 

Astros 
Espanhol
Italiano
Inglês
Português
Sol
Domingo
Domenica
Sunday
Domingo
Lua
Lunes
Lunedi
Monday
Segunda-feira
Marte
Martes
Martedi
Tuesday
Terça-feira
Mercúrio
Miercoles
Mercoledi
Wednesday
Quarta-feira
Júpiter
Jueves
Giovedi
Thursday
Quinta-feira
Vênus
Viernes
Venerdi
Friday
Sexta-feira
Saturno
Sabado
Sabato
Saturday
Sábado

Os meses:

“Trinta dias tem novembro
Abril, junho e setembro
Fevereiro vinte e oito tem,
se for bissexto mais um lhe deem.
E os outros que sete são
Trinta e um todos terão.”

Sua origem em quase todos os calendários foram as fases lunares. Inicialmente os meses tinham 28 ou 29 dias, mas isso fazia com que o ano tivesse 12,5 meses o que dificultava um agrupamento coerente. Assim, os meses deixaram de ter exatamente o número de dias das fases lunares para que o ano tivesse sempre 12 meses. A primeira idéia desses ajustes, no número de dias do mês, foi dos egípcios que dividiram o ano em doze meses de trinta dias cada um e mais cinco dias de festas para completar os 365 dias. O mês de fevereiro foi o único a ser preservado para coincidir com o número de dias das quatro fases lunares.

O Calendário Romano primitivo possuía 10 meses de 30 ou 31 dias, totalizando 304 dias, o que determinava uma falta de sincronia na relação estações x calendário civil, ocasionando, por exemplo, a época correta para o plantio e colheita. Mais tarde, sob o governo de Numa Pompilo, foi introduzido o ano lunar, com 355 dias distribuídos em 12 meses, sendo acrescentados os meses de januarius, (deus de duas caras) e februarius, (deus dos infernos e das purificações), com o ano romano começando em março.

Quando resolveram sincronizar o ano com as estações, instituíram que, entre os dias 24 e 25 haveria, a cada 2 anos, a intercalação de um décimo terceiro mês, chamado Marcedônius. Contudo, a sistemática de intercalação foi delegada aos sacerdotes que, nem sempre o faziam da forma correta, gerando uma grande defasagem de dias.

Para sincronizar o calendário com as estações e evitar que novas falhas viessem a ocorrer, o astrônomo alexandrino Sosígenes, no ano 45 a.C. assessorou o Imperador Júlio César, introduzindo 90 dias ao ano de 45 a.C., que passou a ter 455 dias. Desta forma, Júlio César acertou o calendário e impôs que janeiro, e não março, fosse o início do ano. Para eliminar a intercalação do décimo terceiro mês, Júlio César redistribuiu pelos 12 meses os 11 dias que faltavam ao ano lunar, para que ele se transformasse em solar, criando o Calendário Juliano. Como o ano Juliano passava a ter 365,25 dias e o ano solar tem aproximadamente 365,2422 dias, seria adicionado a cada 4 anos um dia a mais no mês de fevereiro, que passou a ter 30 dias, em lugar de 29.

Por ter corrigido o calendário, o senado homenageia o imperador, determinando que o mês “Quintilis” (o quinto mês), fosse chamado de Julius. No entanto, as intercalações não foram rigorosamente feitas até por volta de 8 d.C, sendo no governo do imperador Otávio Augusto que elas passaram a ser feitas. Por este motivo, recebeu reconhecimento do senado, que rebatizou o mês Sixtilis (sexto mês) para Augustus, em sua homenagem.

Porém, o imperador não aceitou que o mês de Julho tivesse 31 dias e o seu (Agosto) apenas 30. Sendo assim, o mês de fevereiro cedeu 1 dia a Sixtilis, ficando esse com 31 dias e fevereiro com 28 (ou 29 dias nos anos bissextos). Entretanto, essa redistribuição de dias fez os meses de julho, agosto e setembro ficarem com 31 dias. Para melhorar a redistribuição dos meses de 31 dias, subtraíram 1 dia de setembro e de novembro, passando-os para outubro e dezembro, resultando na atual distribuição de dias pelos meses. O calendário Juliano perdurou por aproximadamente 1.600 anos.
Arte: Paulo Daniel Rocha
O Ano:

Sua origem é comum em todos os calendários que é o período necessário para as estações do ano voltarem a se repetir. Essa repetição coincide com uma volta completa da Terra ao redor do Sol. 

E COMO COMEMORAM SEU ANIVERSÁRIO AS PESSOAS QUE NASCEM NO DIA 29 DE FEVEREIRO?

 As pessoas que nascem no dia 29 de fevereiro "só fazem aniversário a cada 4 anos"!

Se isso fosse verdade, só se obteria a licença para dirigir automóveis quando se tivesse 72 anos de idade! Na verdade o "primeiro aniversário" é calculado adicionando-se 365 dias à data de nascimento. Ou seja, um bebê que nasceu no dia 29 de fevereiro de 2012 comemorou seu primeiro aniversário 365 dias depois que nasceu, ou seja, no dia 28 de fevereiro de 2013. O mesmo ocorreu em 2014 e em 2015 mas, a partir daí, novamente faz-se como as outras pessoas, ou seja, adiciona-se 366 dias, pois o ano seguinte será bissexto. O resultado será uma festa de aniversário de 4 anos no dia 29 de fevereiro de 2016.

É comum, no entanto, que os nascidos no dia 29 de fevereiro comemorem de modo especial o seu dia de nascimento a cada 4 anos e por isso são pessoas diferentes das demais.

É pena que muitos pais de crianças que nascem no dia 29 de fevereiro fiquem com receio sobre a data de aniversário dos seus filhos e acabem por fazer o registro civil como se os filhos tivessem nascidos no dia 28 de fevereiro (ou 1 de março). Como resultado, não é fácil encontrar pessoas que tenham nascido no dia 29 de fevereiro e possuam essa informação corretamente registrada em seus documentos.

CONVERSÃO DE DATAS 



Você sabia que dia 01 de janeiro de 2016 do calendário gregoriano, corresponderia ao dia 19 de dezembro de 2015, no calendário Juliano? Ou seja, pelo calendário do Imperador Júlio Cesar, estaríamos ainda há 12 dias do ano novo...

Quem foi nosso Papa do calendário?
Homenagem ao Papa Gregório XIII na Basílica de São Pedro.

Gregório XIII (1502 – 1585), nasceu Ugo Boncompagni, foi Papa da Igreja Católica Romana de 1572 a1585. Nascido em Bologna, Itália, promulgou o Calendário Gregoriano e fundou o sistema de seminários para formação de padres católicos romanos. Estudou jurisprudência na Universidade de Bologna, onde doutorou-se em direito canônico e civil. Ensinou jurisprudência (1531-1539) na mesma universidade onde estudou. Por causa de seu conhecimento em leis canônicas, foi requerido (1539) pelo cardeal Parizzio para assessorá-lo em Roma, e nomeado pelo papa Paulo III juiz e consultor papal. Participou do Concílio de Trento (1545) como jurista papal. Foi assessor dos papas Pio IV (1559-1565) e Pio V (1565-1572), especialmente como conselheiro, jurista e diplomata da Igreja em questões internacionais. Após a morte de Pio V (1572) foi eleito papa aos setenta anos de idade, mas ainda cheio de energia, e adotou o nome de Gregório, que significa “o que vigia”, exercendo um mandato onde ainda havia muitas disputas com os reformistas protestantes. Morreu em Roma, na Itália, em 1585, nos deixando como herança o calendário que usamos até hoje.

Ângela Rocha
Catequista

Fonte: Diversas fonte da internet.



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