sexta-feira, 14 de setembro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: SEGUIR UM MESSIAS DIFERENTE


                   HOMILIA DO 24° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B
Dizem que o povo não gosta de jogar voto fora. Vota em quem pensa que vai ganhar. Assim, quem representa os deserdados não tem ibope, enquanto os políticos corruptos são reeleitos e a situação não muda nunca. Parece que também Simão Pedro não gostava de torcer pelo time perdedor. Queria estar do lado do poder. Tinha chegado à conclusão de que Jesus era o Messias (8,29). Mas quando Jesus começou a explicar que o Messias e Filho do Homem devia sofrer e morrer, Pedro quis fazer-lhe a lição: sofrer, nunca! (8,31-32). Então, Jesus lhe dirige dura advertência: “Vai, satanás, para trás de mim, pois não tens em mente as coisas de Deus e sim as dos homens” (8,33). Pedro é chamado de satanás, não de diabo, porque o satanás é uma figura folclórica na literatura bíblica, exercendo o papel de tentador, de sedutor (cf. Jô 2,1-2). Jesus associa Pedro ao “sedutor”, porque tentou desviá-lo do caminho do sofrimento. Então, Jesus o manda para o lugar do discípulo obediente, atrás do mestre, para segui-lo carregando a cruz (Mc 8,34-35).

Jesus é Messias, mas à maneira do Servo Sofredor de que fala Isaías (1ª leitura). Este oferece as faces a quem lhe arranca a barba, não teme o fracasso, pois Deus está com ele. O Servo Sofredor é como um herói que desce na cova dos leões: desce nas profundezas do ódio para vencê-lo, por dentro, assumindo o sofrimento injustamente infligido. Seu poder não é como os poderes deste mundo; é a força de Deus que vence o poder pelo amor. Mas para isso, ele tem de escutar a voz de Deus: “O Senhor abriu meu ouvido” (Is 50,5).

Acreditar em Jesus é aderir ao Servo, o líder rejeitado e morto, mas que é também ressuscitado por Deus, como está em Mc 8,31 (Pedro parece não ter percebido esse “detalhe”). Ser cristão é seguir Jesus pelo caminho do sofrimento. Não existe fé cristã sem via sacra. E isso não pelo prazer de sofrer, mas porque é preciso enfrentar a injustiça e tudo quanto se opõe a Deus no próprio campo de batalha. Ser cristão não é compatível com sempre ter sucesso no mundo; quem não é perseguido provavelmente não está trilhando os passos de Jesus.
A Igreja não é para torcedores que pagam para ver o time ganhar; é para jogadores dispostos a enfrentar sacrifícios. Mas esta comparação esportiva é perigosa: pode sugerir auto-afirmação, e então estaríamos novamente pensando nas coisas dos homens e não nas de Deus. Não se trata de auto-afirmação, nem de heroísmo para glória própria, mas antes, de ter um ouvido aberto à voz de Deus, que nos mostra um caminho que por nós mesmos não suspeitávamos ser o caminho de Deus. Trata-se de ter um coração de discípulo, que saiba escutar Deus nos seus planos mais misteriosos. Será que Deus não está mostrando um caminho de “mais vida” quando sugere cuidar de uma criança doente, de pessoas excluídas, do silêncio de quem não pode falar, do esquecimento de si?… Tenhamos o ouvido aberto!

Cristo nos deu o exemplo. Nele confiamos. Tendo em vista sua “vitória”, não importa que “perdemos nossa vida” segundo os critérios deste mundo. Ganharemos Deus.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

FONTE: Franciscanos.org

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DICAS LITÚRGICAS - MÊS DA BÍBLIA



O mês de setembro é tradicionalmente conhecido como o Mês da Bíblia, uma homenagem a São Jerônimo, cuja festa celebramos no dia 30. É uma grande oportunidade que temos para reforçar a importância da Palavra de Deus em nossas vidas, e também em nossas celebrações.

Como podemos aproveitar essa motivação? O que fazer para valorizar a liturgia e as celebrações da Palavra? Certamente não será fazendo um altar ou estante concorrente à Mesa da Palavra (ambão) para expor à assembleia uma Bíblia bonita! Muito menos congestionando a celebração de cantos que “falam” da Bíblia, mas desconexos da própria liturgia da Palavra ou fazendo entradas "criativas" com a bíblia com dancinhas, elementos alegóricos (bíblia dentro de um coco, por exemplo) ou quaisquer coisas do gênero. Tende-se às vezes a transformar o mês da Bíblia em mês de "entrada da Bíblia". Com essa pedagogia velha e ultrapassada se esvazia o rito e condicionamos nossas celebrações a entradas temáticas.

A importância da mesa da Palavra

A Igreja sempre venerou as Escrituras Sagradas, como venerou o próprio Corpo do Senhor, porque, de fato, principalmente na Sagrada Liturgia, não cessa de tomar e entregar aos fiéis o Pão da Vida, da mesa tanto da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo. (cf. DV 21).

A Palavra de Deus não vale menos que o Corpo de Cristo. E por isso, todo o cuidado que tomamos quando nos é dado o Corpo de Cristo, para que nenhuma parte escape de nossas mãos e caia por terra, tomemos esse mesmo cuidado, para que a Palavra de Deus que nos é entregue, não morra em nosso coração enquanto ficamos pensando em outras coisas ou falando de outras coisas... Pois aquela pessoa que escuta de maneira negligente a Palavra de Deus, não será menos culpada do que aquela que, por negligência, permitir que caia por terra o corpo de Cristo”(Cesário de Arles, Monge. 470-543).
Quando Deus fala à comunidade reunida, algo grandioso acontece: libertação, salvação, comunhão... “A Palavra na celebração se converte em SACRAMENTO por intervenção do Espírito Santo...” (ILM, 41).

A comunidade se reúne para fazer a memória de Jesus, lendo e atualizando as Sagradas Escrituras. Ela lê, ao mesmo tempo, a Bíblia e a vida. Busca discernir nos acontecimentos da vida pessoal, comunitária e social, os passos do Senhor que salva e transforma com o dinamismo do Espírito.

A celebração da Palavra é uma verdadeira ação litúrgica: é parte integrante do Mistério Pascal de Jesus e da nova Aliança realizada por Ele. É uma palavra eficaz: faz acontecer a Páscoa, porque passamos da morte para a vida, do egoísmo para a fraternidade. Por isso falamos que ela é sacramento! É anúncio e manifestação do Reino de Deus. É denúncia das forças da morte que procuram impedir a vinda do Reino de Deus. É apelo de conversão, mudança de vida, santificação, solidariedade. É comunhão com o Pai por Jesus, Palavra Viva, no Espírito Santo; é comunhão também entre nós, na medida em que ouvimos a mesma Palavra do Senhor. É Jesus que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na celebração da comunidade. A Palavra é o próprio Cristo, Verbo de Deus feito carne, realidade humana, em nossa história.

O Espírito Santo está presente e atuante; orienta a comunidade, os ministros e cada fiel para que compreendam e aceitem a Palavra de Jesus, as promessas de Deus, a vida nova que recebemos de Cristo.

A comunidade é chamada a ouvir, receber a Palavra no coração, deixar-se atingir e converter, responder à Palavra de Deus com a profissão de fé, a oração e a intercessão, o louvor e a ação de graças, o compromisso, a comunhão de vida. Também isso é obra do Espírito Santo em nós!


Dicas para valorizar a liturgia da Palavra
  • Que em todo espaço celebrativo (igrejas, salões, etc.) haja uma mesa da Palavra (ou ambão) com toda a dignidade que ela merece. Haja proporção de harmonia entre o ambão e o altar (cf. ILM, 32), isto é, que se procure salvaguardar a unidade das duas mesas, sendo a mesa da Palavra do mesmo material e estilo da mesa do altar, e que não haja uma estante que lhe seja concorrente. Sendo assim, não há sentido alguém em duplicar a mesa da Palavra, fazendo um altar paralelo para expor a Bíblia. A Palavra não é para ser exposta, e sim lida e guardada no coração;
  • Proclamam-se da Mesa da Palavra as leituras, Salmos, Evangelho, homilia, oração dos fiéis (podendo esta ser feita o meio da assembleia, em se tratando de grupos pequenos). 
  • Que haja um esmero ainda maior na qualidade da proclamação da palavra, de modo que, além de audível, o proclamador anuncie a Palavra do modo como requer o ministério: com boa comunicação e profunda espiritualidade; 
  • “Não é conveniente que subam ao ambão outras pessoas, como o comentarista, o cantor, o animador” (ILR, 33), e muito menos que se façam discursos ou se deem avisos nesse local reservado à Palavra e a seus ministros; 
  • É de fundamental importância que as leituras sejam proclamadas dos Lecionários, e nunca de folhetos ou livretos IGL 37). Ênfase seja dada sempre ao Evangeliário; 
  • Jamais se coloquem no data show os textos bíblicos do dia, nem mesmo imagens apelativas que distraiam a assembleia do ministro da Palavra, postado no ambão; 
  • Salmo também é Palavra de Deus. Responde à Palavra anunciada com a Palavra rezada e cantada pelo povo. Nunca deve ser substituído por um canto ou texto qualquer. Salmista exerce ministério específico. Portanto, quem canta salmo, na celebração em que exerce esse ministério, não canta no coral, mas permanece junto dos outros proclamadores; 
  • Recomenda-se, para maior proveito litúrgico, que se evitem comentários de qualquer espécie antes das leituras; 
  • Após a oração da coleta (primeiro “oremos”), é de bom senso e utilidade litúrgica cantar um canto de escuta, convidando a assembleia a uma escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus; 
  • Sendo o Evangeliário o livro da Palavra por Excelência, sempre que possível que ele seja entronizado na procissão de entrada da celebração, depositado sobre a mesa do altar até a aclamação ao Evangelho e levado solenemente em procissão até a mesa da Palavra, para a proclamação do Evangelho. Seja ladeado por castiçais durante a procissão, recomendando-se, ainda, o uso de incenso. Já o Lecionário permanece desde o início na mesa da palavra, não sendo necessária sua entronização; 
  • A Palavra também é valorizada por momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de escuta e acolhida. (Guia Litúrgico Pastoral, p. 32) 
  • Os cantos da celebração, mesmo em se tratando de meses temáticos (como o mês da Bíblia), devem ser escolhidos a partir da Liturgia da Palavra de cada celebração. Portanto, não se cantam cantos que “falam” da Bíblia, só por ser mês de setembro; 
  • Sugere-se à equipe de celebração, especialmente os ministros da Palavra, que se preparem dignamente para o anúncio da Palavra, fazendo uma leitura orante, durante a semana, do texto a ser proclamado na celebração litúrgica.

Pe. Vanildo de Paiva
Especialista em Catequese e Liturgia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA: ORIENTAÇÕES


Um excelente material sobre Leitura Orante para passar aos catequistas:


I. A IGREJA RECOMENDA A LEITURA ORANTE DA BÍBLIA

“Fala Senhor, que teu servo escuta”. (1Sm 3,10)

O Concílio Vaticano II recomenda, com grande insistência, a leitura Orante da Bíblia, que pela piedosa leitura, quer por cursos apropriados (DV 25). O Documento de Aparecida (247;249) e as Diretrizes Gerais da CNBB (2015-2019 nº 98) destacam a Leitura Orante com os seus quatro passos: Leitura, Meditação, Oração e Contemplação., como um meio privilegiado de encontro pessoa com jesus Cristo. Os documentos ainda incentivam a prática dos Grupos Bíblico de reflexão, dos Círculos Bíblicos e das reuniões de grupos.  A Pontifícia Comissão Bíblica ensina que “a Leitura Orante (...), corresponde a uma prática antiga da Igreja” (A Interpretação da Bíblia na Igreja, p. 81). E por fim, ensina o Sínodo da Palavra de 2008, que p “método mais prático de acesso |à Bíblia é a Leitura Orante” (Lectio Divina).


“Maria meditava em seu coração”. (Lc 2, 19.51)


II. PREPARAÇÃO PARA A PRÁTICA DA LEITURA ORANTE

- Escolher um texto com antecedência.
- Pode ser a Palavra da Liturgia do dia; ter hora e lugar marcados.
- Ser fiel ao plano proposto; tomar posição tranquila e agradável.
- Cuidar da boa posição do corpo; fazer um pequeno relax, acalmar-se.
- Construir o seu santuário interior; estar na presença de deus e viver em comunhão fraterna para poder silenciar e escutar; ter paz interior; colocar-se na presença de Deus com fé.
- Desejar rezar; invocar as luzes do Espírito Santo; ter paciência, não desistir; perseverar; abrir o texto e realizar os quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação.

“O Senhor deu-me um ouvido de discípulo”. (Is 50,4)

III. QUATRO EXIGÊNCIAS PARA A LEITURA ORANTE

1. Ler o texto na unidade da Bíblia: respeitar o princípio da unidade da Escritura, não tirar o texto fora do contexto. Não se pode isolar o texto fora do conjunto da bíblia. Cada texto é um tijolo dentro de uma grande construção. Não “ficar ao pé da letra”, mas, ler e interpretar o texto na vida de hoje. Leitura Orante não é estudar o texto sagrado, mas, sob a luz da Palavra, compreender, iluminar e transformar a realidade, converter-se ao deus Vivo e Verdadeiro e aos irmãos.

2. Ligar o texto com a realidade: com os olhos na vida, nos acontecimentos, na situação concreta. A leitura orante não faz de nós professores da Escritura, mas, transformadores da realidade. Não separar a Leitura Orante dos acontecimentos e dos sinais dos tempos, mas, iluminar a vida com a palavra, eis o objetivo da Leitura Orante.

3. Ler a partir da fé em Jesus Cristo: Tudo na Bíblia converge para Jesus, Ele é a chave da compreensão e interpretação das escrituras. Jesus é a última e definitiva revelação de deus. “Ignorar as Escrituras é ignorar a Jesus Cristo”. A leitura orante é uma escola bíblica para sermos discípulos missionários de Jesus.

4. Ler o texto em comunhão com a Igreja: Com a comunidade de fé. O leitor não é “dono” do texto. A Palavra de Deus foi confiada à Igreja que, por sua vez, é serva da Palavra. A leitura Orante deve ser feita em comunhão com a Tradição, o Ensino e a Fé da Igreja (Magistério). Ler usando os resultados dos estudos bíblicos.

“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”. (Lc 1,38)

IV. OS QUATRO PASSOS DA LEITURA ORANTE

1º Passo – LEITURA:

Ler, ler, ler...
“O que p texto diz em si mesmo? ”

Conhecer, respeitar, situar o texto. Leitura lenta e atenta; reler, repetir, recordar de memória, relembrar em voz alta; ver o que o texto diz; perceber os verbos, as palavras chaves, as ideias centrais; averiguar a geografia, o contexto, as circunstâncias, as passagens do texto, os personagens com suas atitudes, seus gestos; ler com atenção, respeito, amizade, interesse, dedicação, como se faz em um encontro com um amigo; ler não é estudar, discutir, pesquisar, nem aumentar conhecimentos e teorias. É acolher, escutar, interiorizar a Palavra.



2º Passo – MEDITAÇÃO

Ruminar, mastigar, revolver na memória.
“Oque o texto me (nos) diz hoje? ”

Meditar é guardar no coração e deixar-se amar; meditar é aplicar o texto em nossa vida e realidade; ver o que a Palavra diz para mim; procurar atualizar a Palavra hoje; perceber as inspirações, os apelos, os afetos, as revelações, as iluminações do texto lido; interiorizar, internalizar, ingerir a mensagem; acolher outros significados do texto; aplicar na realidade pessoal, comunitária, social; deixar-se afetar pela Palavra; acolher o toque da graça.



3º Passo – ORAÇÃO

Louvar, agradecer, pedir.
“O que o texto me (nos) faz dizer a Deus”?

É o momento da resposta, do diálogo, do encontro mais pessoa, do relacionamento com Deus. É expressar os sentimentos de perdão, louvor, intercessão, súplicas. Abrir o coração, envolver-se na presença de Deus, acolhendo a realidade e os apelos dos irmãos; fazer atos de perdão e reconciliação; rezar salmos, fazer preces, hinos com o texto meditado.




4º Passo – CONTEMPLAÇÃO

Levar para a vida.
“O que o texto me (nos) leva a viver”?

É saborear, degustar, deixar-se envolver pela Palavra. É silenciar, estar quieto, em descanso sob o olhar amoroso de Deus. Sentir-se tocado, envolvido, aceito, amado, acolhido, perdoado, pacificado. Permanecer na presença, em receptividade, nos braços do Pai; dar espaço para Deus, para o irmão e a realidade da vida, afetivamente. Toda contemplação é para ser comunicada e vivida, em vista da transformação pessoal, comunitária e social. A contemplação leva a viver a própria Palavra.



“Buscai na Leitura, encontrareis pela Meditação. Batei a porta da Oração, vós encontrareis na Contemplação. ” (Guido II)

V. LEITURA ORANTE E VIDA DE DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS

A Leitura Orante da Bíblia deve incendiar o coração do orante e motivá-lo para a ação apostólica, para a missão, para a evangelização. A palavra de Deus nos impele à caridade e à ação social: atenção aos pobres, acolhimento das pessoas, perdão às ofensas, partilha do pão, solidariedade. Pela prática da Leitura Orante, todos se colocam à disposição para trabalhar nas pastorais, nas comunidades, no dízimo, na catequese, assumindo grupos de reflexão, a visitação nas casas, etc. Quem medita as Escrituras encontra Cristo, sua Igreja e Seu Reino; cresce na dimensão profética e social da fé, assumindo responsabilidades e trabalhos na comunidade e na sociedade. A leitura orante move o coração e abre os olhos para o irmão, para os necessitados, para a comunidade, para a implantação do Reino de Deus.

Fonte: Secretariado de Pastoral – Arquidiocese de Londrina Pr.


terça-feira, 4 de setembro de 2018

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA - DICAS




INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL DO YOUTUBE:
http://www.youtube.com/c/CatequistasemFormacao 

SETEMBRO MÊS DA BÍBLIA: LEITURA ORANTE


Dicas rápidas de Leitura Orante

Preparação:

Ficar em silêncio, relaxada (o), confortável. Colocar-se na presença de Deus, abrir-se à escuta do que Ele tem a dizer.

Pedindo a graça:

Senhor que todas as minhas intenções, desejos e ações sejam somente para Sua maior glória, para Seu serviço e seu louvor. Amém!

Rezando o texto:

O que este texto diz?
Ler o texto devagar, sem querer fazer um estudo. Deixar que a Palavra toque o coração. Observar o que os personagens do texto fazem, olham, dizem. Dialogar com os personagens do texto.

O que o texto me diz?
Quais expressões ou palavras mais me marcaram? Senti algum apelo do Senhor? Qual?

O que digo ao texto? (Resposta)
Qual minha reação ao que o Senhor me pede? Resisto a atender o que Deus quer de mim? Por que? 

Partilha da experiência se for em grupo.
Ligação do texto bíblico com a temática.
Reações diante das provocações do texto.

Encerrando a oração:
Agradecer à Trindade Santa a experiência na oração.
Rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria.


Fonte: Marca página - paróquia Nossa Senhora das Graças - Londrina - Pr.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

OS SETE “PECADOS” DA LEITURA BÍBLICA



1- LEITURA FUNDAMENTALISTA

O que é: interpretar o texto sagrado ao pé da letra, sem levar em conta o que o texto diz por trás das palavras.

Sintomas:
- Fanatismo: defesa violenta das próprias ideias sobre a Bíblia; colocá-la acima dos principais valores humanos;
- Intolerância com pessoas e grupos que interpretam de forma diferente os mesmos textos.

Como evitar:
- Não impor aos outros, suas próprias ideias;
- Deixar-se questionar pelas ideias dos outros;
- Levar em conta o contexto em que os livros surgiram;
Descobrir nos textos o que há de simbólico, poético, etc.

2- LEITURA APOLOGÉTICA

O que é: usar textos para defender ideias ou doutrinas que não estão presentes neles.

Sintomas:
- Tradicionalismo: colocar a religião, a doutrina e os ritos acima da busca da Verdade e da defesa da Vida;
- Medo de descobrir nos textos dados novos e diferentes que questionam parte da tradição recebida.

Como evitar:
- Abrir-se ao novo trazido pela realidade e pela Palavra;
- Ler não apenas o trecho selecionado; descobrir livros e textos relacionados para ampliar a visão;
- Não ser submisso à interpretação já pronta dos livros; ter espírito de busca e pesquisa;
- Ser fiel ao conteúdo dos trechos estudados.

3- LEITURA INTIMISTA

O que é: interpretar os textos exclusivamente em benefício pessoal; achar-se o único destinatário da Palavra.

Sintomas:
- Emocionalismo: ler só com o coração, sem usar a cabeça, como se a Bíblia fosse um livro de autoajuda;
- Absolutizar textos agradáveis e negar textos mais duros.

Como evitar:
- Abrir-se à dimensão social e comunitária da Bíblia;
- Não ler sozinho, mas buscar as opiniões dos outros;
- Procurar conhecer amplamente a Bíblia, ler também os textos que parecem, à primeira vista, distantes de sua realidade pessoal;
- Respeitar a autonomia do texto, ou seja, reconhecer que ele foi escrito para outras pessoas numa situação histórica diferente da sua.

4- LEITURA ESOTÉRICA

O que é: usar a Bíblia como se fosse um livro de fórmulas mágicas, de ciências ocultas. (Esotérico quer dizer oculto).

Sintomas:
- Misticismo: crer que existe na Bíblia conhecimentos acessíveis somente a poucos privilegiados;
- Citar frases isoladas como se fossem palavras mágicas;
- Usar a Bíblia para fazer previsão do futuro.

Como evitar:
- Não ler a Bíblia para adivinhar o futuro, ou como se os textos do Antigo Testamento fossem apenas anúncios do que aconteceria na época de Jesus;
- Ser fiel ao conteúdo dos trechos estudados;
- Não usar frase bíblicas isoladas, desvinculadas de seu contexto, como “abracadabra” em situações difíceis;
- Ter humildade e reconhecer que toda interpretação da Palavra deve estar de acordo com o projeto de Jesus.

5- LEITURA REDUCIONISTA

O que é: reduzir os textos sagrados à dimensão religiosa; desprezar seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.

Sintomas:
- Divisionismo: achar tudo bonito, correto e piedoso, sem levar em conta as fraquezas do povo de Deus;
- Conservadorismo religioso, falta de consciência social;
- Falta de confiança no ser humano.

Como evitar:
- Lembrar-se que Deus é Deus em todas as dimensões da Vida, não só na religião;
- Valorizar as diversas dimensões da vida (política, economia, cultura, afetividade, etc.) como queridas por Deus e importantes para a felicidade humana.
- Interpretar os textos tendo em mente as várias dimensões da vida.

6- LEITURA MATERIALISTA

O que é: interpretar a Palavra de uma forma puramente científica; negar a inspiração divina dos textos.

Sintomas:
- Intelectualismo: ler só com a cabeça, sem usar o coração, como se a Bíblia fosse um baú de fósseis;
- Usar a Bíblia só para estudar as civilizações antigas, sem interesse nas civilizações humanas de hoje.

Como evitar:
- Cultivar a leitura orante da Bíblia, em intimidade com Deus, invocando sempre (na oração ou no mero estudo) o Espírito Santo;
- Buscar o bem comum e a defesa da vida em primeiro lugar, em obediência ao Deus da Vida;
- Reconhecer com humildade a presença do Deus vivo na história e colocar-se a serviço Dele na luta pela justiça.

7- LEITURA ESPIRITUALISTA

O que é: ler a Bíblia e a vida com os olhos voltados para a salvação pessoal, sem preocupação com a vida do irmão.

Sintomas:
- Moralismo: dar mais importância ao bom comportamento que o bem do ser humano; colocar a lei acima da vida;
- Desprezo pelo corpo humano e pela afetividade.

Como evitar:
- Ler com os pés no chão, lembrando que não há alma sem corpo nem corpo sem alma;
- Ler com a preocupação de melhorar o aqui-e-agora de toda a humanidade, por menos “santa” que ele seja.

Fonte: Folheto Ecoando 11 – Formação Interativa com Catequistas – Editora Paulus.



SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO