terça-feira, 16 de junho de 2020

CATEQUESE NA PANDEMIA: O QUE ACONTECE AGORA?


Estamos em isolamento social. Como fazer os encontros de catequese que exigem "presença" e a interação com a comunidade?

"Encontros virtuais", seriam a solução? Os meios digitais, neste caso, correm o risco de se tornar o “novo normal”?

Com a “evolução” da pandemia no Brasil e a questão do isolamento social estar ficando mais “grave” a cada semana, muitos catequistas estão se perguntando como ficará a questão nos encontros catequéticas com crianças, adolescentes e adultos. Até agora estão sendo usados vários meios ao alcance das paróquias, catequistas e famílias, principalmente grupos de Whatsapp, Facebook, Skype, etc. Mas, sabemos que a realidade no nosso país é que a tecnologia ainda não está ao alcance de todos. Muitos pais só têm celular para uso próprio e crianças não tem acesso a eles ou então a conexão móvel tem limitação de franquia.

Sem contar que um encontro “virtual” não é propriamente o que se espera da evangelização, que precisa se dar numa comunidade para levar ao seguimento. E a integração com a liturgia? A catequese já se realiza num contexto em que a maioria das famílias não frequentam as missas dominicais. Os encontros "virtuais" não estariam validando esta prática? Qual será o nosso futuro na catequese se isso se confirmar?

Importante que se faça esta reflexão!

Muitas Igreja locais (dioceses e arquidioceses), estão sando orientações a respeito dos encontros de catequese, agora no segundo semestre de 2020, que continuarão suspensos. Basicamente as instruções são dadas ao párocos e cabe a eles fazer as adequações e adaptações necessárias, mas, colocamos aqui algumas orientações básicas:

- A Iniciação à Vida Cristã não é apenas um caminho de conhecimento intelectual da fé. Por sua natureza a experiência de fé reclama um processo comunitário, gradual, progressivo.

- Requer encontro com a Palavra de Deus, ritos, celebrações e mistagogia.
- E os encontros virtuais não contemplam tais vivências. Torna-se difícil considerá-los válidos para o processo iniciático. Cabem adaptações à realidade paroquial e a situação particular familiar.

- Algumas paróquias estão “facilitando” algumas coisas e alguns catequistas estão dando os encontros via internet, sem atentar para o fato de quem nem todas as crianças e adolescentes, têm acesso e nem todos os catequistas têm a tecnologia e o expertise da utilização dos diversos meios.

- Porém, cuide-se para que não haja facilitações que negligenciem a iniciação a vida cristã. Para crianças e adolescentes a boa Iniciação permanecerá na memória afetiva por toda a vida. Não é preciso pressa, já que nosso objetivo não é o “sacramento” e sim, todo o processo de Iniciação a vida cristã.

A Arquidiocese de Curitiba, na pessoa de D. Antonio Peruzzo, arcebispo e também presidente da Comissão Bíblico Catequética da CNBB, estudou e lançou duas propostas para a catequese neste período:

PROPOSTA 1:

Enquanto durarem as medidas de distanciamento social, realizar encontros catequéticos nas casas conduzidos pelos pais ou responsáveis com validade no processo iniciático.
a)     O catequista enviará previamente aos pais ou responsáveis as orientações para a realização do encontro catequético em casa;
b)     O catequista acompanhará se houve ou não a realização do encontro catequético na casa da família;
c)     O catequista deverá utilizar o esquema com os elementos do encontro catequético já usado, para orientar os pais na condução do encontro catequético em casa;
d)     O itinerário de temas deve seguir o subsídio já utilizado pela paróquia (Manual, livro);
e)     Se for conveniente realize-se o sacramento no próximo ano, na última etapa da catequese de Crisma, no tempo pascal. Não há prejuízo algum se for realizada no mesmo momento da crisma, são dois sacramentos que se aproximam e são realizados no mesmo momento no catecumenato de adultos.

PROPOSTA 2:

Em 2020, usar os meios de comunicação virtual para encontros que preservem os vínculos eclesiais com os catequizandos. Embora não substituam os encontros presenciais, eles ajudam muito na preservação do grupo. O processo iniciático será, então, retomado em 2021.

a) Neste caso, mantém-se por agora suspensa a catequese de iniciação, retomando-a no próximo ano. Mas não se esqueçam os encontros virtuais e a proximidade do catequista com os "Iniciantes" (catequizandos);
b)   Aos catequistas recomenda-se vivamente que mantenham estreitos os vínculos com os seus catequizandos e suas famílias. Os meios virtuais se tornam uma preciosa ferramenta. Tudo o que se quer é manter a proximidade com famílias e catequizandos impossibilitados de realizar a "Proposta 1";
c)   A proposta 1 e 2 podem se realizar em conjunto. Assim o catequista terá condições de acompanhar as famílias no processo.

As celebrações com primeira comunhão devem estar sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical, conforme orientações da CNBB.

As crianças consideradas já preparadas para a Primeira Comunhão, e cujos pais assim o desejem, podem, de acordo com o pároco, fazê-la com pequenos grupos, em uma Missa dominical, sem excluir uma posterior participação numa celebração mais solene. Com relação à Crisma, as orientações são as mesmas.


A o sacramento da Crisma, realizada pelos Bispos, podem ter a autorização destes, para que os próprios párocos a realizem ou párocos de paróquias vizinhas. Convém que se faça sempre em pequenos grupos, sem aglomeração de pessoas somente com a família.

A Catequese de Adultos, tendo um caráter mais “personalizado” com pequenos grupos, pode continuar sendo feita com encontros “virtuais” se possível ou encontros realizados na paróquia, individuais ou com no máximo 3 ou 4 pessoas, sempre com todos os cuidados para evitar contaminação pelo Covid-19. Evite-se que estes encontros sejam com pessoas do “grupo de risco”. Todas as celebrações e ritos do catecumenato de adultos devem obedecer as orientações da CNBB a respeito da pandemia.

Ressalte-se que as orientações aqui dadas baseiam-se na realidade da Arquidiocese de Curitiba, no entanto, a critério e com AUTORIZAÇÃO dos párocos e das Comissões de catequese podem ser seguidas por outras localidades.

Segue as ORIENTAÇÕES LITÚRGICO PASTORAIS CNBB – COVID19:


 * Estas orientações foram redigidas quando a abertura de templos e Igreja foi autorizada pelas áreas governamentais. Nem todas as localidades do Brasil, tem esta autorização.

Catequistas em Formação



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