sexta-feira, 14 de agosto de 2020

AS SEMENTES QUE CULTIVAS

Aprendi algo edificante sobre as sementes neste último mês, visto que a liturgia foi em sua maioria relacionada a semear, sementes, semeador, plantio e terrenos. Ouvi muitas explicações sobre tais passagens. No entanto, O Espírito Santo conduziu-me ao entendimento que eu precisava.

Sempre compreendi que sementes boas são oriundas dos ensinamentos de Jesus, por meio de seus exemplos vivenciados e descritos na Bíblia pelos apóstolos. Que devemos semear essas sementes na vida de todos a nossa volta. E devemos cuidar do terreno de nosso coração, pois é ali que a semente será plantada. Mas, compreender que más sementes podem ser geradas em nós também, e  as distribuímos com gratuidade por aí, foi algo novo que Jesus iluminou-me. "Você colhe o que planta". Eis o ditado mais sábio de toda sociedade.

Existem sementes de todos os tamanhos, formatos e cores, mas isso é o que menos importa. Importa de fato que ela germina. Sementes garantem vida de qualidade. Garantem a continuidade de um reino.

Deveríamos cada um olhar os variados tipos de sementes que produzimos ou acolhemos em nosso coração. Há muita gente por aí plantando joio no meio de boas plantações. Nem sempre por má intenção, as vezes é por não observar seu próprio terreno e perceber que há mais joio que trigo. Então entrega-se um feche de trigo e não nota que entre ele há joio. Exemplificamos aqui a má semente. Um joio no meio do trigo, pode comprometer a colheita. Ele assemelha-se muito com o trigo, mas não é. É falso. Só se nota a diferença entre joio e trigo, na fase adulta, ou seja, após o seu crescimento. Existe ainda risco de intoxicação para quem consome o joio. Entretanto, quando exposta às altas temperaturas, ele perde suas toxinas. Assim, se um grão de joio se misturar ao trigo, ele não fará mal. Quantas vezes nos sentimos intoxicados pelas vãs palavras do próximo? Ou ainda, quantas vezes fomos toxina?

Sementes são semeadas por palavras e gestos. A semente do amor por exemplo, frutificará em dobro se vier regada por gestos de gentileza, abraços e carinhos. E a semente da justiça, necessita de palavras motivadoras inundadas por atos de coragem. 

Sementes precisam morrer para gerar frutos. São lançadas e depois morrem para então germinar. De uma única semente pode nascer uma grande quantidade de frutos. A semente dá a vida para que o fruto cresça e multiplique. Há maior coragem que esta? No entanto, uma semente só germinará se o solo estiver bem cuidado e adubado. Que solo seria esse? Pois bem, compreende-se que esse solo é também chamado de coração. Mas, antes de chegar ao coração, palavras e gestos passam pela nossa mente, e ali é que selecionamos o certo do errado, a semente boa da má. Nossa mente, faz a seleção para que seja enviada ao coração que tudo sente e germina. Ali as sementes frutificaram ou não. O coração é, portanto, o canteiro, e a mente a estufa.

Um exemplo prático: eis que "minha amiga" tem dentro de si uma semente chamada inveja. Essa semente já passou pelo processo de ser lançado, acolhido na estufa e plantado no coração desta amiga. Outra pessoa lançou a semente, e ela acolheu. Ela poderá agora dar continuidade a esse processo, lançando as sementes a mim, por meio de difamações, mentiras, palavras grosseiras entre outras formas de distribuir semente de joio. Cabe a mim, selecionar essas sementes.

 Para saber distinguir essa semente, tenho que observar os ensinamentos do mestre do plantio: Jesus. Ele deixou tudo descrito por meio de um manuscrito dessa arte, chamada Palavra de Deus. Ela indicará como esse processo ocorre. E o mestre ensinou a dar importância as sementes que acrescentam ao Reino de Deus. Um reino que se faz presente aqui e agora, e está dentro de cada um de nós. O segredo é, portanto, dar ou não importância a essa semente. Só cresce a semente que recebe cuidados.  

Se me jogaram olhares maldosos, vou ignorá-lo e retribui-lo com sementes de gentilezas. Se as sementes forem de julgamentos e grosserias, devo fazer como o mestre fez no episódio que um grupo de pessoas se dignaram em apedrejar a mulher adúltera: Primeiro silenciar. Depois aguardar a raiva passar e dar tempo para o próprio inimigo refletir. Em seguida, proteger o solo da própria mente do ataque dos inimigos e retribuir de forma inteligente e piedosa com sementes de perdão e afeto, impulsionando assim o inimigo a tirar o cisco do próprio olho. Acolher o pecador e não o pecado. Ninguém retribui com más sementes, tendo em si boas sementes.  Humildade e mansidão.

Parece fácil, porém na pratica é uma habilidade a ser conquistada. E a prática inicia-se no reconhecimento de que somos capazes de conseguir as mesmas façanhas que o Jesus humano conquistou,  orando e vigiando por nosso terreno sagrado.  Tudo nos pode ser tirado materialmente falando. Mas, no solo de nosso coração e mente só eu e Jesus podemos tocar e dar permissões. Ali só germinará o que eu cultivar, e com a graça de Jesus ele poderá render a mais bela colheita.

Cultivar pode ser compreendido como vigiar pensamentos e condutas que temos. Ressalto que vigiar a pessoa que "EU" sou e não as pessoas a nossa volta. No canteiro do vizinho o máximo que podemos é indicar o caminho instigando-o a curiosidade dos segredos do sucesso do meu canteiro, mas não poderemos tocar sem a permissão dele, caso contrário levaremos a culpa por uma colheita que não nos pertence. 

Cultivar ainda pode ser interpretado como incentivar nossas próprias vontades e paixões. Treinar bons pensamentos, manter-se humilde, orar ao Pai sempre que perceber uma armadilha que se dispoe contra os ensinamentos de Deus ou ainda sacrificar-se duramente nesse cuidado. Silenciar quando se tem vontade de gritar, surpreender alguém. Ser manso diante de grosserias, conceder palavras de ânimo e vida ao invés de julgar. Lutar por causas nobres saindo do comodismo.  Vencer o orgulho que impede de dar ou pedir perdão. Amar sem pedir nada em troca e por aí segue...

Vigiai e orai meu terreno Senhor! Envia tua graça sobre mim para que esteja atenta aos ataques e ciladas ao meu reino.

Tenha pressa em me guiar, porque outros precisam de mim para aprender essa habilidade que se renova a cada segundo. Demorei compreender, mas agora anseio em passar adiante a fórmula para as "plantinhas" que me presenteou como filhas. Para que elas tenham mais tempo de aperfeiçoar a técnica do plantar e colher. Como mãe e catequista, tenho essa missão.

O que se planta, colhe. Confio na sua graça querido e bom amigo Jesus.


Catequista Sandra Fretta Gomes Malagi.
Paróquia Sant’Ana- Laranjeiras do Sul-PR


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