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segunda-feira, 18 de maio de 2020

PEDAGOGIA: QUAL É A SUA?


PEDAGOGIA E CATEQUESE

O QUE É PEDAGOGIA?

Origem da palavra: A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução). Paidagogus era o condutor da criança, ele era um paternal "cuidador", e guiava a criança até o local de ensino e, metaforicamente, em direção ao saber. Entretanto, a prática educativa é um fato social, cuja origem está ligada à da própria humanidade

No decurso da história do Ocidente, a Pedagogia firmou-se como correlato da educação e da ciência do ensino. Nós nos apropriarmos da palavra para dizer que a pedagogia é a ciência da "condução" ao saber. Pedagogo é aquele que conduz. Então, nossa pedagogia é a forma como "conduzimos" o outro ao saber ou na direção correta.

Sendo assim, a Pedagogia é a ciência ou disciplina cujo objetivo é a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo.

Estatueta produzida na Grécia Antiga em terracota representando o escravo pedagogo.

Na Grécia antiga, o velho pedagogo (παιδαγωγός) com sua lanterna, conduzia a criança (παιδόσ) até a palestra (παλαίστρα) e exigia que ela realizasse as lições recomendadas. Esse παιδόσ (criança) tinha a idade entre sete e quatorze anos e era sempre do sexo masculino. Hoje, a figura do pedagogo clássico converteu-se no professor generalista das séries Iniciais do Ensino Fundamental e nos educadores não docentes que atuam na administração escolar, mas com formação em pedagogia.



Mas, vamos agora, "transportar" a palavra pedagogia para o nosso modo de "evangelizar", ou seja, levar a nossa "criança" (que muitas vezes é um adulto), para o ensino da fé. Em se falando de ensino da fé, temos como exemplos máximos a pedagogia de Deus, de Jesus e do Espírito Santo. Inspirada nestas pedagogias, a Igreja tem a sua própria que também leva a uma pedagogia catequética.

1.  PEDAGOGIA DE DEUS (DNC 138-139)

- Educador da fé – procura interação com o povo;
- Um sábio que assume as pessoas nas condições em que estão, liberta do mal e chama para viver o amor para crescer na fé;
- Se comunica por meios dos acontecimentos da vida do povo, de acordo com a situação pessoal e cultural de cada um;
- Parte da realidade das pessoas, acolhendo-as e respeitando-as com suas vocações e dons, chamando-as para a conversão;
- Forma eficiente de catequese narrativa e celebrativa, que transmite a fé e os ensinamentos do Senhor, de geração em geração, para o povo se deixar guiar por seu projeto de amor (Ex 24,10; Dt 5,2-4; Js 24,17; Is 51, 1b).

2. PEDAGOGIA DE JESUS (DNC 140)

- Modelo da pedagogia catequética;
- Convivência com as pessoas, continuidade da pedagogia do Pai;
- Jesus por meio de sua vida, palavras, sinais e atitudes; levou a plenitude a revelação Divina do Antigo Testamento;
- Motiva as pessoas a viverem de acordo com os seus ensinamentos, planta a semente da comunidade/ Igreja, que passa de geração em geração a mensagem da salvação e a pedagogia que ele ensinou com a vida.

2.1 Traços da pedagogia de Jesus que inspira a catequese:

a) Acolhimento as pessoas, pobres, pequenos, excluídos e pecadores (Mt 18, 12-14) – opção preferencial pelos pobres;
b) Anúncio do Reino: boa nova de verdade, da liberdade, do amor, da justiça, que dá sentido à vida;
c) Convite amoroso para viver a fé, esperança e caridade com a conversão e seguimento;
d) Envio dos discípulos para semear a Palavra e transformar a sociedade (Somos enviados e ao mesmo tempo mestres de outros discípulos);
e) Assumir a radicalidade do mandamento do amor, princípio pedagógico fundamental: Mt 17,20; Lc 13,16; Jo 13,24; Lc 10,29-37.
f) Atenção as necessidades e situações de vida das pessoas, valores culturais, provocando reflexão para mudança de vida;
g) Conversa simples, acessível, narrativas, comparações, parábolas e gestos, adaptando-as aos interlocutores e seguidores;
h) Firmeza diante das tentações, das crises, do sofrimento, buscando força na oração.

3. PEDAGOGIA DO ESPÍRITO SANTO (DNC 142 a 144)

- Princípio inspirador da atividade catequética;
- “Mestre interior”, faz compreender as palavras e gestos de Jesus;
- Pedagogia interior do coração; a catequese procura a união do conhecimento intelectual e a experiência amorosa da vida em Deus;
- A mensagem das Sagradas Escritura, na Tradição, na Liturgia, no Magistério, nos sinais dos tempos, precisa ser conhecida: A Catequese estimula a vivência no Espírito para que o catequizandos viva na liturgia, no Ano Litúrgico e na oração cotidiana o caminho de crescimento na fé;
- Experiência existencial, pessoal e comunitária de Deus: da vida, do coração, da contemplação, da relação com si mesmo e com o outro, com a natureza e com Deus. É a marca do amor de Jesus, caminho da catequese, iluminado pela ação do Espírito Santo;
- Anuncia a verdade revelada: cria meios para a comunhão filial com Deus, com a comunidade, justiça, solidariedade e fraternidade.

4. PEDAGOGIA DA IGREJA (DNC 145):

- Mãe e educadora da fé;
- Cria comunidade, exemplo dos valores do Evangelho;
- Vida dos Santos e Mártires são testemunhos catequéticos (pedagogia do herói);
- A dedicação dos seus missionários é uma Catequese movida pela força do exemplo;
- Sua ação no mundo transmite o que ela é e crê;
- Seus fiéis são chamados a transformar o mundo segundo o Evangelho;
- Comunidades precisam ser coerentes com o Evangelho;
- A pedagogia eclesial (Igreja) precisa demonstrar que é possível viver com autenticidade o seguimento de Jesus.

5. PEDAGOGIA CATEQUÉTICA (DNC 146 a 148):

- A pedagogia catequética tem uma originalidade específica, que é ajudar às pessoas no caminho rumo a maturidade na fé, no amor e na esperança;
- A Igreja é mediadora do encontro entre Deus e a pessoa humana e em seu nome, os catequistas sentem a responsabilidade de serem mediadores especiais para que catecúmenos e catequizandos cheguem ao conhecimento da verdade e da salvação;
- O catequista precisa estar entusiasmado por aquilo que crê, alegre por estar em processo de permanente conversão, disposto a fazer diferença num mundo marcado por tanta coisa contrária ao projeto de Deus.

5.1 Objetivos alcançados pela catequese inspirados na pedagogia da fé (DNC 147):

a) Adesão livre e total a Deus;
b) Conhecimento vivo da Palavra de Deus contida na Bíblia, desenvolvendo as dimensões da fé contidas no Catecismo da Igreja Católica;
c) Discernimento vocacional para que assumam na Igreja e na sociedade, o seguimento de Jesus de acordo com seu potencial, aspiração e escolhas existenciais.

5.2 Atitudes do catequista frente a dimensão espiritual da pedagogia da fé (DNC 148):

a) Clima de acolhimento e docilidade, humildade e obediência; muitas vezes o catequista deverá refugiar-se no silêncio, na discrição e, sobretudo, na oração, sabendo respeitar e esperar a ação do Espírito;
b) Ambiente espiritual de oração e recolhimento; não significa perda do espírito crítico nem da racionalidade, mas, alegria interior de uma atividade aberta ao Espírito;
c) Palavras ditas com autoridade e fortaleza: o catequista é um profeta guiado pelo Espírito e pronuncia palavras corajosas, criativas e seguras, pois tem consciência de ser enviado por Deus; diante desta missão o catequista precisa de sólida formação, humildade, senso de responsabilidade, espiritualidade e inserção na comunidade.

5.3 Fidelidade a Deus e a pessoa humana (DNC 149):

A catequese, inspirada na Pedagogia de Deus busca incentivar a participação ativa dos catequizandos, pois eles são os sujeitos do processo educativo. A catequese tem a missão permanente de inculturar-se, buscando uma linguagem capaz de comunicar a Palavra de Deus e a Profissão de fé (Credo) da Igreja, conforme a realidade de cada pessoa. Nisso segue o exemplo do Verbo Divino, que se fez carne, assumiu a natureza humana e a cultura de um povo conforme o seu tempo.


Ângela Rocha
Catequista e formadora, estudante do 3º período de teologia da PUCPR.

FONTE:
- Pedagogia Catequética: Resumo do DNC – Diretório Nacional de Catequese – Cap. 5.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

A PEDAGOGIA DO GESTO



Por que a Igreja Católica não "conquista" como algumas igrejas evangélicas?

Esta é uma pergunta que a gente sempre se faz. Aí eu me lembrei lá das minhas velhas "lições" de "pedagogia", que aprendi ao longo da minha vida de catequista. No quanto precisamos IMITAR e aprender com Jesus em sua pedagogia.

Entre tantas outras coisas, Jesus era uma pessoa COMPROMETIDA. Partia da vida concreta das pessoas; entrava pela porta das preocupações, sabia aquilo que estava tocando o coração das pessoas (Lc 24,18-24). Jesus partia das experiências, das necessidades, temores, lutas e aspirações das pessoas. Ele falava do Reino de Deus depois de ter escutado as pessoas. Seus ensinamentos partiam de imagens simples e populares, como a luz, o sal, o grão de mostarda, as ovelhas, as aves e os lírios do campo. Hoje podemos dizer que estas imagens foram substituídas por coisas como aluguel vencido, contas para pagar, luta diária pelo emprego, etc e tal.

E, na catequese - que é onde agimos em nome de Jesus - os anseios, as dificuldades, as alegrias e tristezas, as angústias e esperanças, os sonhos e os fracassos dos nossos catequizandos são pontos de partida. O catequista verdadeiro, sabe respeitar o ritmo de cada um para chegar à fé. Não se arrisca a começar a falar da fé antes de conhecer o que toma conta do coração deles. Conhece suas famílias, suas vivências, suas expectativas. Não é escravo do tempo (ou da falta dele), não se deixa guiar pelas limitações de espaço ou de organização - ou falta dela. Vive e prega numa COMUNIDADE. E só a partir dessa conscientização que faremos verdadeiramente nosso papel como catequistas.

O que quero dizer com tudo isso?

Que precisamos deixar de focar nossos esforços na simples "sacramentalização", no ato findo de receber o sacramento. E quando e onde, se deve, se não deve, com que roupa, com que vela. Questões tão pequenas perto do tamanho da FÉ que temos a missão de aprofundar.

Muitos catequistas ainda "pensam" a catequese como meio de “chegar lá” no sacramento. Então, o objetivo da catequese deixa de ser INICIAÇÃO para ser um simples curso de formação em doutrina.

Sim, o sacramento é importante. E como é! É graça, é sinal sagrado da presença de Deus em nossas vidas. Mas, quando começamos a pensar se este ou aquele "merece" ou não, estamos indo na contramão da Iniciação cristã, dando mais importância a um gesto que muitas vezes acontece só naquele momento, prescindindo de uma coisa muito maior: o SEGUIMENTO a Ele. O sacramento é a "água" que se bebe ao longo do caminho, não é o fim dele. O sacramento é "parte" e não ponto de chegada.

Compreender o "gesto" é muito maior do que ele simplesmente. Que o digam as pessoas impedidas de fazê-lo (por algum impedimento da Igreja), que comungam apenas espiritualmente e que em todas as confissões sentem o peso de seus erros.

Não vamos nos iludir achando que todas as crianças que recebem a comunhão conseguem compreender o tamanho e a importância deste gesto. Muitas estão ali para "pertencer" somente, e não à Igreja, como Corpo de Cristo e sim a uma comunidade no sentido social. E falamos tanto na ação do Espírito Santo... Por que então não damos mais "crédito" a Ele? Ele age, age onde as pessoas deixam que ele o faça.

A preocupação se o catequizando está ou não preparado para "beber a água do caminho", começa no ato da inscrição dele na catequese, na conversa com os pais neste momento, na visita que se faz à família; nas conversas com ele desde o primeiro encontro, no convite sempre "novo" de se participar das celebrações, das festas, dos encontros de pais.

O que lembra outra característica pedagógica de Jesus: Ele era uma pessoa ATENCIOSA e RESPEITOSA aos outros e suas carências, valorizava o melhor de cada pessoa, em seus encontros e diálogos, mostrando-se atento a quem estava com ele. Lembram dos discípulos de Emaús? (Lc 24,17). Jesus não intimida, faz uma pergunta natural, familiar, coloca-se ao lado e inspira confiança. Não exerce nenhum tipo de imposição. A pergunta de Jesus deixa os discípulos surpresos e os motiva a falar do que estão experimentando naquele momento. E a partir dali ele fala, fala a ponto de deixar nossos corações ardentes de vontade de ouvir e ouvir, ouvir sempre. E quando parece que já não cabe mais em nós tanta coisa, aí sim! Saciamos a nossa fome do pão vivo e saímos a espalhar a boa nova.

Não será isso que está faltando em nossa catequese? Um pouco da pedagogia desse gesto?

Especialista em Catequética
Graduanda em teologia
Administradora do Catequistas em Formação
Junho de 2017.