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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

ACOLHER É EVANGELIZAR!


Acolher... Acolher significa aceitar, receber. Acolher é sentir o outro e assim, enxergar sua alma. É enxergar no outro o reflexo de si mesmo que pede acolhida e que precisa, mais do que de uma solução, um exemplo ou uma palavra amiga. É como um abraço, e “dentro de um abraço, tudo mais já se está dito”.

Quem “chega”, seja de onde for, precisa de acolhida. A Igreja precisa ser acolhedora. Foi justamente por falta de acolhida na Igreja que hoje sou catequista. E muito, muito, apaixonada pela missão.

Desde que comecei a trabalhar pelas pastorais na Igreja, dediquei-me à comunicação. Começou porque sempre gostei de escrever e trabalhar com o visual. A apresentação dos ambientes, o que a Igreja fala por meio da música, das apresentações, em encontros, retiros, etc. Assim, fui convidada a ajudar na implantação da “Pascom” (Pastoral da Comunicação) na Paróquia. E foi um dos trabalhos mais apaixonantes que já fiz.

Durante dois anos me dediquei totalmente à Pastoral da Comunicação, cujo objetivo maior é a integração de todas as Pastorais e Movimentos que existem na Igreja. Aprendi muito neste tempo, apaixonei-me pela comunicação.

Depois, mudei de paróquia e fiquei meio “sem chão”. Uma das coisas que mais me deixou triste, foi ter que deixar aquela missão maravilhosa que Deus tinha me dado na Igreja: Comunicar as coisas Dele. Logo que cheguei na nova cidade, fui procurar a Paróquia do meu bairro. Conversei com o padre e me coloquei à disposição para qualquer coisa, disse-lhe o que eu sabia fazer e que estava disposta a ajudar em que eles precisassem.

Durante o ano que morei no bairro, frequentando a missa todos os domingos, nunca me chamaram para ajudar em nada. Senti-me tão vazia e tão sem objetivo. A Igreja que eu frequentava ficava ao lado da Universidade onde trabalhava e a três quadras da minha casa. Eu queria “pertencer”, mas, não fui acolhida.

Ainda bem que eu tinha feito muitos amigos junto a Pascom Diocesana e fui convidada a fazer parte dela e do Conselho editorial do boletim. Mas aquele era um serviço que não me parecia suficiente, esporádico, “de vez em quando”, não era ação de fato. Tínhamos que divulgar a pastoral da comunicação nas Paróquias, organizar os eventos da diocese, ajudar a montar o boletim e só. Senti-me muito frustrada. Nos últimos dois anos eu não tinha parado um minuto sequer. Mas, o que fazer? Não precisavam de mim.

Um ano depois, mudei de bairro e comecei a ir às missas em outra paróquia, era mês de janeiro, meu segundo ano na cidade. E, no final da missa, o padre falou que precisavam muito de catequistas na paróquia. E eu pensei: por que não? Quem sabe posso ajudar em alguma coisa.

E esse foi o início de uma outra paixão. Nos primeiros seis meses, foi desafiador. As crianças eram difíceis, eu não tinha preparo nenhum para aquilo e a organização da catequese era uma “desorganização”. Na verdade, pensei que primeiro ia fazer um curso, sei lá. Mas foi apenas com a “cara e a coragem” que enfrentei aquelas doze crianças.

Foi um ano de provações e de provocações. Ao mesmo tempo em que me abalou um pouco tanta falta de vontade das crianças, falta de participação dos pais, falta de comprometimento das catequistas, falta de uma coordenação efetiva; me deu uma vontade enorme de fazer alguma coisa. Pensei em sair da catequese logo que pudesse. Aquilo não parecia para mim. Mas, quando vi, já fazia parte da coordenação, ia a todas as formações e eventos da catequese e me envolvia cada vez mais.

E aquilo que parecia ser só por aquele ano, já está no 12º. E parece que vai durar até eu não ter mais forças para estar lá! Porque Deus quer que eu esteja lá, manda sinais sempre!

E um deles foi a “acolhida”, ou falta dela, que me faz permanecer na Igreja e tentar mudar as coisas. Não fosse a primeira “rejeição” eu não teria descoberto o quanto a missão de catequista é maravilhosa. Mas, eu poderia, simplesmente, nunca mais ter tentado...

Importante é fazer com que as pessoas se sintam acolhidas e que o "Bem vindos" não fique só no cartaz da parede.


Ângela Rocha
Catequistas em Formação
angprr@gmail.com


* Ângela Rocha estará coordenando também, de uma oficina sobre ACOLHIDA, no Catequistas em Formação, dias 7 a 9, em Aparecida SP.

 #catequistasbrasil2020
#catequistasemformacao


quinta-feira, 27 de junho de 2019

A PEDAGOGIA DO GESTO



Por que a Igreja Católica não "conquista" como algumas igrejas evangélicas?

Esta é uma pergunta que a gente sempre se faz. Aí eu me lembrei lá das minhas velhas "lições" de "pedagogia", que aprendi ao longo da minha vida de catequista. No quanto precisamos IMITAR e aprender com Jesus em sua pedagogia.

Entre tantas outras coisas, Jesus era uma pessoa COMPROMETIDA. Partia da vida concreta das pessoas; entrava pela porta das preocupações, sabia aquilo que estava tocando o coração das pessoas (Lc 24,18-24). Jesus partia das experiências, das necessidades, temores, lutas e aspirações das pessoas. Ele falava do Reino de Deus depois de ter escutado as pessoas. Seus ensinamentos partiam de imagens simples e populares, como a luz, o sal, o grão de mostarda, as ovelhas, as aves e os lírios do campo. Hoje podemos dizer que estas imagens foram substituídas por coisas como aluguel vencido, contas para pagar, luta diária pelo emprego, etc e tal.

E, na catequese - que é onde agimos em nome de Jesus - os anseios, as dificuldades, as alegrias e tristezas, as angústias e esperanças, os sonhos e os fracassos dos nossos catequizandos são pontos de partida. O catequista verdadeiro, sabe respeitar o ritmo de cada um para chegar à fé. Não se arrisca a começar a falar da fé antes de conhecer o que toma conta do coração deles. Conhece suas famílias, suas vivências, suas expectativas. Não é escravo do tempo (ou da falta dele), não se deixa guiar pelas limitações de espaço ou de organização - ou falta dela. Vive e prega numa COMUNIDADE. E só a partir dessa conscientização que faremos verdadeiramente nosso papel como catequistas.

O que quero dizer com tudo isso?

Que precisamos deixar de focar nossos esforços na simples "sacramentalização", no ato findo de receber o sacramento. E quando e onde, se deve, se não deve, com que roupa, com que vela. Questões tão pequenas perto do tamanho da FÉ que temos a missão de aprofundar.

Muitos catequistas ainda "pensam" a catequese como meio de “chegar lá” no sacramento. Então, o objetivo da catequese deixa de ser INICIAÇÃO para ser um simples curso de formação em doutrina.

Sim, o sacramento é importante. E como é! É graça, é sinal sagrado da presença de Deus em nossas vidas. Mas, quando começamos a pensar se este ou aquele "merece" ou não, estamos indo na contramão da Iniciação cristã, dando mais importância a um gesto que muitas vezes acontece só naquele momento, prescindindo de uma coisa muito maior: o SEGUIMENTO a Ele. O sacramento é a "água" que se bebe ao longo do caminho, não é o fim dele. O sacramento é "parte" e não ponto de chegada.

Compreender o "gesto" é muito maior do que ele simplesmente. Que o digam as pessoas impedidas de fazê-lo (por algum impedimento da Igreja), que comungam apenas espiritualmente e que em todas as confissões sentem o peso de seus erros.

Não vamos nos iludir achando que todas as crianças que recebem a comunhão conseguem compreender o tamanho e a importância deste gesto. Muitas estão ali para "pertencer" somente, e não à Igreja, como Corpo de Cristo e sim a uma comunidade no sentido social. E falamos tanto na ação do Espírito Santo... Por que então não damos mais "crédito" a Ele? Ele age, age onde as pessoas deixam que ele o faça.

A preocupação se o catequizando está ou não preparado para "beber a água do caminho", começa no ato da inscrição dele na catequese, na conversa com os pais neste momento, na visita que se faz à família; nas conversas com ele desde o primeiro encontro, no convite sempre "novo" de se participar das celebrações, das festas, dos encontros de pais.

O que lembra outra característica pedagógica de Jesus: Ele era uma pessoa ATENCIOSA e RESPEITOSA aos outros e suas carências, valorizava o melhor de cada pessoa, em seus encontros e diálogos, mostrando-se atento a quem estava com ele. Lembram dos discípulos de Emaús? (Lc 24,17). Jesus não intimida, faz uma pergunta natural, familiar, coloca-se ao lado e inspira confiança. Não exerce nenhum tipo de imposição. A pergunta de Jesus deixa os discípulos surpresos e os motiva a falar do que estão experimentando naquele momento. E a partir dali ele fala, fala a ponto de deixar nossos corações ardentes de vontade de ouvir e ouvir, ouvir sempre. E quando parece que já não cabe mais em nós tanta coisa, aí sim! Saciamos a nossa fome do pão vivo e saímos a espalhar a boa nova.

Não será isso que está faltando em nossa catequese? Um pouco da pedagogia desse gesto?

Especialista em Catequética
Graduanda em teologia
Administradora do Catequistas em Formação
Junho de 2017.