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segunda-feira, 28 de outubro de 2024

ROTEIRO DE ENCONTRO: DIA DE TODOS OS SANTOS E HALLOWEEN: UM OLHAR CRISTÃO SOBRE A DATA

Este Roteiro explora o tema “Dia de Todos os Santos”, abordando o significado da data, sua relação com o Halloween e o motivo pelo qual a Igreja celebra esse dia. O objetivo é ajudar as crianças a entenderem o valor espiritual dessa celebração e sua história, oferecendo uma perspectiva cristã positiva e atraente para crianças e adolescentes.

1. Tema:

DIA DE TODOS OS SANTOS E HALLOWEEN: UM OLHAR CRISTÃO SOBRE A DATA

2. Objetivos do Encontro:

- Entender o significado do Dia de Todos os Santos na Igreja Católica.

- Explicar o contexto e a origem do Halloween e seu contraste com a celebração cristã.

- Valorizar a santidade e o chamado para sermos santos no nosso dia a dia.

Esse roteiro vai ajudar as crianças a refletirem sobre o significado do Dia de Todos os Santos de uma maneira divertida e profunda, mostrando a beleza da santidade na Igreja e na vida cotidiana.

3. Ambientação:

Prepare o ambiente com imagens de santos conhecidos, como São Francisco de Assis, Santa Teresinha, e imagens mais contemporâneas, como São João Paulo II e Santa Dulce dos Pobres, representando diferentes épocas e contextos. Use algumas velas e um pano branco no altar para dar um clima de paz e espiritualidade.

4. Atividade de Acolhida:

- Comece o encontro acolhendo a todos com alegria e convide para um “jogo”. Essa atividade ajuda a aquecer e também introduz o tema dos santos de forma leve e divertida.

Jogo de Perguntas Rápidas

- Crie uma lista de perguntas sobre santos famosos e suas histórias (por exemplo: "Qual santo cuidava dos animais?", "Qual santa é conhecida como a padroeira das missões?", etc.).

- Divida o grupo em dois times e entregue a lista de perguntas (ao final temos as sugestões) para eles responderem. Quem responder corretamente primeiro, ganha pontos para o time.

- Faça 2 “rodadas”. Uma pra responder só conversando no grupo e outra pra pesquisar usando o celular. Cronometre o tempo: sugestão 3 minutos na 1ª rodada e 2 minutos na 2ª. cada rodada. Não comente com eles que terá a 2ª rodada, senão eles achar um jeito de ir pesquisando, eles são “malandrinhos”... rsrsrsr

(Ver ANEXO 1 com as sugestões e regras).

5. Leitura Bíblica:

Mateus 5, 1-12 – As Bem-aventuranças

- Leia com eles as Bem-aventuranças, destacando como Jesus descreve o que significa ser "bem-aventurado" ou "santo" na visão cristã.

Use a Lectio divina: leiam juntos, reflitam e dialoguem sobre como essas palavras de Jesus mostram o caminho para a santidade.

6. Aprofundando o tema:

O Dia de Todos os Santos

O Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro, foi instituído pela Igreja para homenagear todos os santos e mártires, conhecidos e desconhecidos. É uma festa para lembrar aqueles que viveram vidas de fé e são modelos de amor a Deus e ao próximo. A celebração foi oficializada pelo Papa Gregório III, no século VIII, como um dia especial para reconhecer a santidade e o exemplo de cristãos que não têm uma data específica em sua memória.

Dia de Finados (2 de Novembro)

No dia 2 de novembro, a Igreja Católica celebra o Dia de Finados, também conhecido como Dia dos Fiéis Defuntos. Esse dia é dedicado a lembrar e rezar por todos os falecidos. No Dia de Finados, nós lembramos e rezamos por todas as pessoas que já partiram, especialmente nossos familiares e amigos. É um momento para demonstrar nosso carinho, lembrar com amor de quem fez parte de nossas vidas e pedir que Deus os acolha em Seu amor. A tradição de visitar cemitérios no Dia de Finados é uma forma de honrar e lembrar os entes queridos que partiram. Muitas famílias levam flores, acendem velas e fazem orações, pedindo pela alma de seus familiares. Esse gesto simboliza a continuidade do amor e do respeito por aqueles que já não estão fisicamente presentes.

Conexão entre o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados

Essas duas datas seguidas (1º e 2 de novembro) lembram que a vida cristã continua após a morte e reforçam a crença na “comunhão dos santos”. No Dia de Todos os Santos, celebramos aqueles que já estão na presença de Deus, enquanto no Dia de Finados, rezamos por todos os que ainda precisam de nossas orações para alcançar essa plenitude com Deus.

(ver anexo 2)

Halloween (Dia das Bruxas)

O Halloween tem suas raízes no festival celta de Samhain, celebrado no dia 31 de outubro, que marcava o fim da colheita e o início do inverno no hemisfério norte. Os celtas acreditavam que, nessa noite, o véu entre o mundo dos vivos e dos mortos estava mais tênue, e espíritos poderiam caminhar entre nós. Para afastar os espíritos maus, eles acendiam fogueiras e usavam máscaras para se proteger.

Quando o Cristianismo chegou à Irlanda e outras regiões celtas, o Samhain foi transformado em uma celebração cristã, coincidindo com o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados, celebrados em 2 de novembro. O termo "Halloween" vem de All Hallows' Eve, que significa "Véspera do Dia de Todos os Santos".

A Tradição do "Doces ou Travessuras"

A prática de pedir doces nas portas começou em regiões da Europa, onde as crianças iam de porta em porta pedindo pequenos "pães de alma" e, em troca, prometiam rezar pelas almas dos mortos dos doadores. Com o tempo, essa prática evoluiu para o que hoje conhecemos como “doces ou travessuras”. Nos Estados Unidos, essa tradição ganhou força e se popularizou, e atualmente as crianças se fantasiam e batem de porta em porta pedindo doces.

No Brasil, o costume não se tornou uma tradição, pois nossas celebrações para o Dia de Todos os Santos e Finados são mais voltadas para homenagens aos falecidos, e não temos o hábito de bater nas portas dos vizinhos para pedir doces.

Essa é uma ótima oportunidade para ajudar as crianças a entender o Halloween de maneira equilibrada e saudável, reforçando que não há nada de "errado" ou "proibido" em se divertir com essa data, desde que compreendam seu contexto e significado.

Origem Histórica do Halloween 

O Halloween surgiu em uma cultura antiga (os celtas), que usavam fantasias e acendiam fogueiras para afastar o medo dos espíritos. Hoje em dia, o Halloween é mais uma festa divertida, onde as pessoas se fantasiam e brincam, especialmente nos Estados Unidos e em alguns outros países.

As fantasias e decorações são parte da diversão, e muitas vezes se escolhem monstros ou bruxas por serem personagens de contos e filmes, não por serem "do demônio". É como quando assistem a um filme ou jogam um jogo: é fantasia e entretenimento.

É preciso equilibrar esta festa com a Fé e as Celebrações da Igreja, participando tanto das festas da Igreja quanto das brincadeiras culturais. Podemos brincar no Halloween e se divertir com fantasias e doces, desde que sempre haja respeito pelos outros e pelas tradições cristãs. O mais importante é lembrar que nossa fé é o que nos guia e que não há problema em participar de festividades, desde que não percamos de vista o respeito e os valores que aprendemos.

Esse posicionamento dá às crianças uma perspectiva mais completa, aliviando qualquer culpa ou medo, e reforçando que o Halloween pode ser tratado como uma festa divertida. Ao mesmo tempo, isso ensina a importância de também valorizar as tradições da Igreja e seus significados.

O CHAMADO À SANTIDADE

   - Traga a reflexão de que todos nós, como cristãos, somos chamados a viver a santidade no nosso dia a dia. Dê exemplos de atitudes diárias que podem nos aproximar da santidade, como ajudar os outros, perdoar, ser honesto e rezar.

7. Atividade Prática

Desenhando o Meu Santo

   - Distribua papéis e lápis e peça para cada criança desenhar um "santo" que representa uma qualidade ou uma virtude que elas querem ter, por exemplo, o "santo da paciência", o "santo do amor ao próximo". Eles devem “criar” o santo. Podem surgir sugestões engraçadas, mas, o objetivo também é esse, tonar o encontro lúdico e criativo.

   - Elas podem se inspirar em santos reais ou criar um santo fictício com características que admiram.

   - No final, cada criança compartilha o seu desenho e fala sobre o "santo" que criou.

8. Compromisso

Desafie-os a realizar um "ato de santidade" durante a semana, algo simples como ajudar alguém sem esperar nada em troca ou fazer uma oração em intenção de outra pessoa. Esse compromisso reforça a ideia de que a santidade está nos gestos do cotidiano.

9. Oração e Encerramento

Rezem juntos pedindo a intercessão dos santos para ajudar a todos no caminho da fé. Convide as crianças a agradecerem por um santo que admirem ou por alguém que considerem "santo" em suas vidas, como um avô, uma professora ou um amigo.

Oração a Todos os Santos

"Ó Todos os Santos de Deus, gloriosos no céu, amigos e intercessores nossos, volvei o vosso olhar para nós que ainda peregrinamos neste mundo.

Nós vos pedimos que, pela vossa intercessão, nos inspirem a seguir o exemplo de fé e amor a Deus e ao próximo.

Dai-nos força para resistir às tentações, coragem para superar as dificuldades e graça para vivermos em santidade, como vocês viveram. Amém."

 

ANEXOS

ANEXO 1

1. SUGESTÕES DE PERGUNTAS SOBRE SANTOS PARA O “JOGO DOS SANTOS”:

(Forme 2 equipes. Se forem muitas crianças pode ser mais equipes).

Sugestão de regras:

1.Tempo para Responder sem Pesquisa: Dê às equipes 2 ou 3 minutos para responder as perguntas sem ajuda externa. Isso mantém a competição ativa e evita pausas longas.

2.Tempo para Pesquisar no Celular: Após a primeira rodada, conceda 2 minutos para que as equipes pesquisem sobre as perguntas que não souberam responder. Esse tempo será suficiente para eles encontrarem informações sem desacelerar o jogo.

3. Pontuação Extra: Para incentivar o esforço e o trabalho em equipe, você pode oferecer pontos extras para respostas corretas sem pesquisa!

4. Prêmio: Premie o grupo que tiver mais respostas certas (pode ser uma “medalhinha” do Santo ou Santa padroeiro(a). Mas, para não desincentivar os outros, faça um “suspense” e também entregue medalhinhas aos outros. E leve uma caixinha de Bis, um pacote de balas ou outro chocolate e distribua a todos.

* Cronometrar o tempo curto, mantem o jogo animado e evita que a pesquisa deixe o ritmo lento.

1. Qual santo é conhecido como o protetor dos animais e da natureza?

   - São Francisco de Assis.

2. Qual santa é chamada de “Pequena Flor” e escreveu sobre seu "caminho de santidade"?

   - Santa Teresinha do Menino Jesus

3. Qual santa é conhecida como a "mãe dos pobres" no Brasil?

   - Santa Dulce dos Pobres.

4. Qual santo foi um dos apóstolos de Jesus e conhecido como o "primeiro Papa"?

   - São Pedro.

5. Quem foi a primeira santa brasileira?

   - Santa Paulina

6. Qual santo era soldado e é conhecido como padroeiro dos jovens?

   - São Sebastião

7. Qual santa é conhecida como a padroeira das causas impossíveis?

   - Santa Rita de Cássia.

8. Qual santo recebeu os estigmas (feridas semelhantes às de Cristo) e é conhecido por seus milagres de cura?

   - São Padre Pio.

9. Qual santo é conhecido por ser médico e ajudar os pobres sem cobrar, sendo também um dos santos gêmeos?

   - São Cosme (e também São Damião)

* Tanto São Cosme quanto São Damião eram médicos! Eles são conhecidos por exercerem a medicina de forma gratuita, ajudando especialmente os pobres. Segundo a tradição, eles eram irmãos gêmeos, cristãos e praticavam a medicina na Síria ou Arábia no século III, dedicando suas vidas a cuidar dos doentes sem cobrar por seus serviços, o que fez deles grandes exemplos de caridade e serviço ao próximo.

10. Quem foi a santa francesa que teve visões de Maria na Gruta de Lourdes?

    - Santa Bernadette Soubirous

11. Qual santa é a padroeira da música e dos músicos?

    - Santa Cecília

12. Qual santo espanhol é conhecido como o fundador da Companhia de Jesus (jesuítas)?

    - Resposta: Santo Inácio de Loyola.

13. Qual santo dedicou sua vida à educação de crianças e jovens e é conhecido como padroeiro dos professores?

    - São João Bosco.

14. Qual santa italiana teve uma experiência com anjos e é conhecida por suas visões do paraíso?

    - Resposta: Santa Catarina de Sena

15. Qual santo é o patrono dos casos perdidos e das causas desesperadas?

    - São Judas Tadeu.

16. Qual santo é conhecido como o pai adotivo de Jesus e padroeiro dos trabalhadores?

   - São José.

17. Qual santo é conhecido por batizar Jesus no Rio Jordão e é celebrado com festas populares no Brasil em junho?

   - São João Batista.

18. Qual santo é conhecido como o “santo casamenteiro” e padroeiro dos pobres, ajudando pessoas a encontrar objetos perdidos?

   - Santo Antônio de Pádua.

19. Qual santo criou uma regra para a vida monástica e é conhecido como o “patrono da Europa” e dos exorcismos?

   - São Bento.

2. Qual santa é a mãe de Maria e avó de Jesus, sendo muito venerada como padroeira das avós?

   - Santa Ana ou Sant’Ana.

O toque final da premiação vai deixar o jogo ainda mais especial e reforça o espírito de união e inclusão. O suspense antes de premiar a todos vai criar um clima de surpresa e alegria, e os chocolates ou balas como recompensa certamente deixarão as crianças ainda mais empolgadas. A ideia da medalhinha é significativa, pois cada criança levará uma lembrança dos santos, reforçando o tema do encontro de forma concreta e alegre.

ANEXO 2

E o Céu, o Inferno e o Pugatório?

Pode acontecer de alguma criança perguntar: Por que precisamos rezar? Quem morre não vai pro céu? Pra onde vão as pessoas que morrem?. Neste caso, em um próximo encontro fale mais sobre isso, mas, sem criar noções equivocadas de céu, inferno, purgatório.

É bom que o catequista converse sobre isso com o seu pároco se tiver dúvidas a respeito. Ele dará orientações sobre como conversar com as crianças e adolescentes sobre isso.

Fato é que a Igreja, com os últimos papas, tem reformulado as concepções sobre céu, inferno e purgatório.

O Papa Francisco desmistificou e reformulou a compreensão tradicional sobre céu, inferno e purgatório. Em suas falas e escritos, ele enfatizou a misericórdia de Deus e a possibilidade de salvação para todos, apresentando uma visão mais inclusiva e esperançosa.  Ele tem falado sobre o amor de Deus e a necessidade de se concentrar mais na vida e nas ações concretas de amor e compaixão do que em conceitos rígidos de condenação.

Além disso, o Papa Francisco expressou uma abordagem mais pastoral, sugerindo que o inferno não é uma condenação eterna e absoluta, mas sim um estado de separação de Deus que pode ser superado pelo arrependimento e pela graça.

Essa mudança de perspectiva visa refletir a misericórdia divina e incentivar uma vivência da fé mais orientada ao amor e à inclusão, ao invés de temor e exclusão.

Um dos documentos que reflete a visão do Papa Francisco sobre a misericórdia e a salvação é a Exortação apostólica "Evangelii Gaudium", publicada em 2013. Neste documento, ele destaca a importância da misericórdia de Deus e como a Igreja deve se focar na evangelização e na promoção da esperança, em vez de se concentrar em condenações.

Outra fonte importante é a entrevista do Papa Francisco ao jornalista Eugenio Scalfari em 2013, na qual ele mencionou que o inferno não é um lugar, mas uma condição de separação de Deus, que pode ser superada através do arrependimento.

Além disso, na bula "Misericordiae Vultus" (2015), que convocou o Ano da Misericórdia, o Papa Francisco falou extensivamente sobre o amor e a misericórdia de Deus, encorajando os fiéis a se concentrarem na bondade e no perdão.

Em uma declaração do Papa Bento XVI, em 2011, ele afirmou que o purgatório pode ser entendido como um "fogo interior" e não como um lugar físico. Ele enfatizou que o purgatório é um processo de purificação onde as almas se preparam para encontrar Deus, destacando a importância da misericórdia divina. Essa afirmação ajudou a suavizar a concepção tradicional do purgatório como um lugar de sofrimento, apresentando-o mais como uma experiência de transformação e preparação para a vida eterna. Assim, ele contribuiu para uma compreensão mais profunda do purgatório, alinhando-se com a ideia de que Deus é um Deus de amor e misericórdia.

Portanto, tanto o Papa Francisco quanto o Papa Bento XVI trouxeram novas perspectivas sobre a concepção de céu, inferno e purgatório, mas em contextos diferentes. O Papa Francisco se concentra mais na misericórdia e inclusão, enquanto o Papa Bento XVI também buscou esclarecer e desmistificar a ideia do purgatório. Ambos têm contribuído para uma visão mais pastoral e compreensiva desses temas.

 Leia este artigo: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/voce-sabe-o-que-e-o-purgatorio-e-o-que-a-igreja-diz/

E este outro:

“Purgatório é um fogo interior, esclarece o papa”

Cidade do Vaticano, 12 jan.- O papa Bento XVI declarou nesta quarta-feira que o purgatório não é um lugar do espaço, do universo, "mas um fogo interior, que purifica a alma do pecado".

O Pontífice fez estas manifestações perante 9 mil pessoas que assistiram à audiência pública das quartas-feiras, cuja catequese dedicou à figura de santa Catarina de Gênova (1447-1510), conhecida por sua visão sobre o purgatório.

Bento XVI assinalou que Catarina de Gênova em sua experiência mística jamais fez revelações específicas sobre o purgatório ou sobre as almas que estão sendo purificadas, frente à imagem da época sempre ligada ao espaço.

"O purgatório não é um elemento das entranhas da Terra, não é um fogo exterior, mas interno. É o fogo que purifica as almas no caminho da plena união com Deus", afirmou o papa.

O papa acrescentou que a santa não parte do além para contar os tormentos do purgatório e indicar depois o caminho da purificação ou a conversão, mas parte da "experiência interior do homem em seu caminho rumo à eternidade".

O paraíso, o purgatório e o inferno preocuparam ao longo da história tanto os fiéis como os papas e assim Bento XVI, que afirmou em 2007 que o inferno, "do que se fala pouco neste tempo, existe e é eterno para os que fecham seu coração ao amor de Deus".

Seu antecessor, João Paulo II, concordou com Ratzinger ao afirmar que o purgatório existe, mas que não é "um lugar" depois da morte, mas sim "o caminho em direção à plenitude através de uma purificação completa".

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/01/purgatorio-e-um-fogo-interior-esclarece-o-papa.html


Ângela Rocha - Catequista e Formadora
Graduada em Teologia pela PUCPR

  




quarta-feira, 1 de novembro de 2023

DIA DE TODOS OS SANTOS

 


O DIA DE TODOS OS SANTOS

 “A Cristo, nós O adoramos, porque Ele é o Filho de Deus; quanto aos mártires, nós os amamos como a discípulos e imitadores do Senhor; e isso é justo, por causa da sua devoção incomparável para com o seu Rei e Mestre. Assim nós possamos também ser seus companheiros e condiscípulos!”.  (Martyrum sancti Polycarpi 17, 3).

A Igreja Católica celebra a Festum Omnium Sanctorum (Festa de Todos os Santos) no dia 1° de novembro, que é seguido pelo dia dos Fiéis defuntos ou Finados, no dia 2 de novembro. Na prática cristã ocidental, a celebração litúrgica começa na véspera na noite de 31 de outubro (Véspera de Todos os Santos), e termina no final de 1° de novembro.

O dia de “Todos os Santos” foi instituído com o objetivo de suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos nas celebrações das festas ao longo do ano. Esta tradição de fazer memória aos santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados como testemunho pela sua fé, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos. Posteriormente tornou-se habitual erguerem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais. 

O desenvolvimento da celebração conjunta de vários mártires, no mesmo dia e lugar, deveu-se ao fato do martírio de grupos inteiros de cristãos e também devido ao intercâmbio e partilha das festividades entre as dioceses e paróquias por onde tinham passado e se tornaram conhecidos. A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande que se tornou impossível designar um dia do ano separado para cada um. O primeiro registro de um dia comum para a celebração de todos os santos, dá-se no século IV, em Antioquia, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais. O sentido do martírio que os cristãos respeitam, alarga-se ao da entrega de toda a vida a Deus e assim a designação "todos os santos" visa celebrar conjuntamente todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido proclamado santos.

Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética desta celebração que acontece em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para segui-lo e ser santo, à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar. Isto não só faz ver que existem santos vivos, não apenas os já martirizados e canonizados (e que cada pessoa o pode ser), mas, sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas, que da mesma forma, igualmente veem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós.  Segundo o John Henry Newman, canonizado pelo papa Francisco em 2019: “Não somos simplesmente pessoas imperfeitas em necessidade de melhoramentos, mas sim rebeldes pecadores que devem render-se, aceitando a vida com Deus, e realizar isso é a santidade aos olhos de Deus”. 

Segundo Catecismo da Igreja Católica, a Comunhão com os Santos: “Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus.” (CIgC, 957).           

Em resumo a Igreja é Comunhão dos Santos: esta expressão designa, em primeiro lugar, as coisas santas e, antes de mais, a Eucaristia, pela qual é representada e se realiza a unidade dos fiéis que constituem um só Corpo em Cristo.  Este termo também designa a comunhão das pessoas santas em Cristo, que morreu por todos, de modo que o que cada um faz ou sofre por Cristo e em Cristo reverte em proveito de todos. (CIgC 946-948). 

Pela profissão de fé católica (Creio), nós cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo: dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja; e cremos que, nesta comunhão, o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre atento às nossas orações. (CIgC 960-962). 

História

A Igreja Católica define o Dia de Todos os Santos como uma festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”. No fim do século II, os cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, certos de que eles já estavam com Cristo no céu, oravam a eles para que intercedessem a seu favor. 

A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610, o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão (o templo romano em honra a todos os deuses) a Maria e a todos os mártires. Assim, os deuses romanos cederam seu lugar aos santos da religião católica. 

A data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741) dedicou uma capela em Roma a Todos os Santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1° de novembro. Não se sabe ao certo por que ele fez isso, mas, pode ter sido porque já se comemorava um feriado parecido, na mesma data, na Inglaterra. A Enciclopédia da Religião afirma: O Samhain (festival pagão da mudança de ano) continuou a ser uma festa popular entre os povos  celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha. A Igreja britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data. É possível que a comemoração britânica medieval do Dia de Todos os Santos tenha sido o ponto de partida para a popularização dessa festividade em toda a Igreja cristã. 

A Enciclopédia Católica americana afirma: “Os irlandeses costumavam reservar o primeiro dia do mês para as festividades importantes e, visto que 1.° de novembro era também o início do inverno para os celtas, seria uma data propícia para uma festa em homenagem a todos os santos.” Finalmente, em 835, o Papa gregório IV declarou-a uma festa universal. 

Relação com o Dia dos Mortos 

O feriado do Dia de Finados, no qual as pessoas rezam a fim de ajudar as almas no purgatório a obter a bem-aventurança celestial, teve sua data fixada em 2 de novembro durante o século XI pelos monges de Cluny, na França. Embora se afirmasse que o Dia de Finados era um dia santo católico, é óbvio que, na mente do povo, ainda havia muita confusão. A Nova Enciclopédia Católica afirma que “durante toda a Idade Média era popular a crença de que, nesse dia, as almas do purgatório podiam aparecer em forma de fogo fátuo, bruxa, sapo etc. 

Incapaz de desarraigar as crenças pagãs do coração do seu rebanho, a Igreja simplesmente as escondeu por trás de uma máscara “cristã”. Destacando esse fato, a Enciclopédia da Religião diz: “A festividade cristã, o Dia de Todos os Santos, é uma homenagem aos santos conhecidos e desconhecidos da religião cristã, assim como o Samhain lembrava as deidades celtas e lhes pagava tributo”. Todavia, mais que uma semelhança a festa de Todos os Santos celebra-se os santos conhecidos ou não que fizeram de sua vida uma oração, testemunho e fé na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. São, como revela o livro do Apocalipse, a multidão de pessoas de várias nações que alvejaram as suas vestes brancas no sangue do Cordeiro e diante do trono de Deus proclamam hinos e cânticos de louvor e agradecimento dizendo que a salvação procede do Cordeiro (Ap 7, 2-14). 

Com o avançar do tempo, mais homens e mulheres se sucederam como exemplos de santidade e foram com estas honras reconhecidos e divulgados por todo o mundo. Inicialmente apenas mártires (com a inclusão de São João Batista), depressa se deu grande relevo a cristãos considerados heroicos nas suas virtudes, apesar de não terem sido mortos. O sentido do martírio que os cristãos respeitam alarga-se ao da entrega de toda a vida a Deus e, assim, a designação “todos os santos” visa a celebrar conjuntamente todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados, para o apuramento da heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo e através do qual se pode ser chamado universalmente de beato ou santo, e pelo qual se institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa. 

Oração a Todos os Santos 

Ó, Deus, Onipotente e Eterno, que pela força do teu Espírito Santo santificastes a vida de tantos fiéis que vos serviram ao longo de todos os tempos e em todos os lugares, testemunhando a vossa grandeza, amor e bondade, fazei que, pela poderosa intercessão de Todos os Santos, que vós bem conheceis, cheguemos nós também à graça da vida eterna junto de vós, na companhia de Vosso Santíssimo Filho Jesus Cristo, Nossa Senhora e Todos os Santos e Santas. Todos os Santos de Deus, rogai por nós. Amém.

 

FONTES:

Dia de todos os Santos. Pesquisa Google. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_de_Todos_os_Santos

HERBERMANN, Charles George (org.). Enciclopédia Católica. EUA: Robert Appleton Company, 1905.

JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica (CIgC). Edição típica vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.



 

 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

COMO SER UMA PESSOA SANTA, HOJE?


No dia 01 de novembro os católicos celebram a festa de todos os santos. Mas, o que é ser santo? É possível eu e você sermos pessoas santas, hoje?

Em se tratando da festa de todos os santos tomo a liberdade de dirigir a você, a seguinte pergunta: “cada dia mais santo (a)?” Como seria para você responder-me dizendo: “mais que ontem e menos que amanhã!”?

Ao dizer que está mais santo que ontem e menos que amanhã você estará se reportando a um processo. De fato, a santidade é um processo, uma caminhada de busca da vontade de Deus. Ao afirmar que a santidade é um processo estamos dizendo que a santidade acontece a cada dia, a cada instante, em cada ato, de forma lenta e gradual. A cada dia o cristão é chamado a ser mais santo, isto é, a fazer a vontade de Deus através das pequenas e grandes coisas, dos pequenos e grandes gestos, desejando e esforçando-se para amar a todos que se encontram à sua volta.

É bom lembrar que a santidade é projeto de Deus para todos. São Paulo, na carta aos Efésios diz que antes da criação do mundo, Deus Pai nos escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis (cf. Ef 1,3-4). São Pedro, em sua primeira carta nos exorta dizendo “a exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações [...]” (1Pd 1,15).

O Concílio Vaticano II reforça a ideia de que todos são chamados à santidade: “[...] todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (LG 31), o texto conciliar diz também que todos são chamados a viver a santidade como plenitude da vida cristã e perfeição da caridade (cf. LG 101,102). Segundo o Concílio viver a santidade à perfeição da caridade é promover “na sociedade terrestre um modo mais humano de viver” (LG 102). Portanto, eu e você também somos chamados a sermos pessoas santas e a promover a construção de uma sociedade mais justa, humana e humanizadora.

O mundo atual precisa urgentemente de santos. Segundo o Papa João Paulo II precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte. Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros. No dizer do papa "precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos". Você topa essa parada?

Em 20 de novembro de 2014, na audiência geral, o Papa Francisco afirmou que “para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra”.

Na festa de José, no dia 19 de março de 2018, o Papa Francisco lançou a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual. Assim afirma Francisco: “[...) o que quero recordar com esta Exortação é sobretudo a chamada à santidade que o Senhor faz a cada um de nós, a chamada que dirige também a ti [...]” (GE, n. 10). Mais adiante o papa enfatiza que todos somos chamados à santidade, ao dizer que “Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. [...]
Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra” (GE, n. 14).

Quando o ser humano se coloca no processo de busca e de prática da vontade de Deus está trilhando o caminho da felicidade. Santidade e felicidade andam juntas, são amigas inseparáveis. Estou convicto de que a santidade é a condição para uma felicidade plena. Todos podem ter momentos felizes, mas só as pessoas santas são felizes plenamente. Vamos ser mais santos?

Com ternura.

Autor: Denilson Aparecido Rossi.
(Teólogo, Filósofo, Professor e Palestrante).

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

“DIA DAS BRUXAS”: A FESTA DE HALLOWEEN

Muito mais assustador que caveiras de abóbora, bruxas, teias de aranha, corpos “sangrentos” e fantasmas; é a posição e opinião de algumas pessoas a respeito da festa do Halloween, essa nova “moda” que atingiu o nosso país, primeiro nas escolas e comércio e agora praticamente em todos os lugares. O tema do Halloween decora casas e jardins e é recorrente em festas de aniversário, festas temáticas e faz a alegria das crianças e jovens que adoram uma festa.

No entanto, há aqueles que “caem de pau” nesta nova “tradição”. Quando são opiniões a respeito de se valorizar o que é “nosso” e parar de imitar os americanos, até que são aceitáveis, mas, quando se trata de críticas ferrenhas ao aspecto “diabólico” da festa, aí, é preciso fazer uma mediação.

A Festa de Halloween ou o Dia das Bruxas, como é mais conhecida, se popularizou no Brasil de uns anos para cá, como uma comemoração folclórica, popular, onde crianças e adultos se vestem de fantasias (quase carnavalescas) para se divertir. Ainda não se vê aqui no Brasil, crianças que usem as fantasias de bruxa para fazer a famosa brincadeira do “trick or treat” (gostosuras ou travessuras), batendo de porta em porta. Mesmo porque, aqui é um tanto perigoso fazer este tipo de coisa.

Mas, muitos se perguntam: “Que festa é essa? ” 

Ela é realizada em grande parte dos países ocidentais, porém é mais representativa nos Estados Unidos. Neste país, levada pelos imigrantes irlandeses, ela chegou em meados do século XIX.

Na origem, o Halloween antes chamado de “All hallow’s eve”, significa “véspera de todos os santos”, já que se refere a noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos. A prática do Halloween vem do povo celta, o qual acreditava que, no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saíam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos, visitar as famílias e levar as pessoas ao mundo dos mortos. 

Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam, nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros. São símbolos comuns desta festa: fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos negros e até personagens como Drácula e Frankenstein.

De acordo com dom Edgard da Cunha, bispo americano, atualmente, a festa de Halloween tomou um novo sentido. As pessoas usam máscaras, assombrações sem saber o sentido ou o porquê do que fazem. O sentido original era para expulsar os espíritos maus e então poder celebrar a festa de Todos os Santos purificados. O bispo de Fall River ressalta ainda que a Igreja nunca proibiu ou condenou a celebração de Halloween: “As pessoas devem ver Halloween como uma tradição cultural que tem uma origem positiva para afastar o mau e celebrar o bem, ou tudo que é santo. Alguns, no entanto veem isso como uma superstição e as vezes até uma apologia ao mau e aos maus espíritos, ou a tudo que é ruim”.

No Brasil a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a propagação da festa em território nacional, pois valorizam e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.

Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro). Mas, esta data não “colou”.

A comemoração da data também recebe fortes críticas dos setores religiosos, principalmente das religiões cristãs. O argumento é que a festa de origem pagã dissemina, principalmente entre crianças e jovens, ideias e imagens que não correspondem aos princípios e valores cristãos. De acordo ainda com estes religiosos, as imagens valorizadas no Halloween são negativas e contrárias à pratica do bem. Nada mais longe da realidade se considerarmos a fala de D. Edgar: “As pessoas devem ver Halloween como uma tradição cultural que tem uma origem positiva para afastar o mau e celebrar o bem, ou tudo que é santo”.

Muitas vezes o mal está dentro de certas cabeças, que mesmo de vivos, já tem aspecto interior de caveiras. E quanto a valorizar uma cultura que não é nossa, neste mundo cada vez mais “global” - ainda mais com o avanço das tecnologias de comunicação - vai ficar cada vez mais difícil fugir de uma “mistura” de culturas.

Ângela Rocha



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A FESTA DE HALLOWEEN E SUA ORIGEM



A Festa de Halloween ou o Dia das Bruxas, como é mais conhecida, se popularizou no Brasil como uma comemoração folclórica, popular onde crianças e adultos se vestem de fantasias (quase carnavalescas) para se divertir. Entre os pequenos, há quem use as fantasias de bruxa para fazer a famosa brincadeira do “trick or treat” (gostosuras ou travessuras). Mas, muitos se perguntam: “Que festa é essa? ”.

Na origem, o Halloween antes chamado de “All hallow’s eve”, significa “véspera de todos os santos”, já que se refere de noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos. O bispo brasileiro da diocese de Fall River, nos Estados Unidos, dom Edgar da Cunha, explica que a origem do Holloween é preparar as pessoas para a celebração da festa de todos os Santos. “Espantar os maus espíritos para purificar o ambiente e então celebrar a festa de todos os santos de forma pura e livre dos espíritos maus”, diz.

Em um artigo, o teólogo e filósofo André Botelho, explica que a prática do Halloween vem do povo celta, o qual acreditava que, no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saíam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos, visitar as famílias e levar as pessoas ao mundo dos mortos. Segundo André, os sacerdotes druístas (religião celta) atuavam como médiuns, evocando os mortos.

“Parece que, para espantar esses fantasmas, os celtas tinham o costume de colocar objetos assustadores nas casas, como caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros”, ressalta.

De acordo com dom Edgard da Cunha, atualmente, a festa de Halloween tomou um novo sentido. As pessoas usam máscaras, assombrações sem saber o sentido ou o porquê do que fazem. O sentido original era para expulsar os espíritos maus e então poder celebrar a festa de Todos os Santos purificados.

O bispo de Fall River ressalta ainda que a Igreja nunca proibiu ou condenou a celebração de Halloween. “As pessoas devem ver Holloween como uma tradição cultural que tem uma origem positiva para afastar o mau e celebrar o bem, ou tudo que é santo. Alguns, no entanto veem isso como uma superstição e as vezes até uma apologia ao mau e aos maus espíritos, ou a tudo que é ruim”, esclarece.

Origens
O que é a contração do termo escocês “Allhallow-eve”, surgiu no contato da cultura celta com o Cristianismo. Essa festa é realizada, em grande parte, nos países ocidentais, sendo mais forte nos Estados Unidos, para onde foi levada por imigrantes irlandeses em meados do século XIX e chegou a ser parte do folclore popular.

Essa história de Dia das Bruxas surgiu ainda no antigo costume celta quando se supunha que os mortos vinham à Terra visitar seus familiares na noite de 31 e outubro. Por isso, segundo uma antiga lenda as fantasias, as abóboras iluminadas, caveiras e etc eram para afastar os visitantes do além. Com a proximidade dos celtas com o cristianismo essas práticas pagãs foram, em boa parte, cristianizadas pela Igreja, que instituiu a Festa de Todos os Santos, dia 1º de novembro e a comemoração de Finados, 2 de novembro.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

01 DE NOVEMBRO: SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS


“Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5,48). (Catecismo da Igreja Católica 2013).
Fruto da conversão realizada pelo Evangelho é a santidade de muitos homens e mulheres do nosso tempo; não só daqueles que foram proclamados oficialmente santos pela Igreja, mas também dos que, com simplicidade e no dia a dia da existência, deram testemunho da sua fidelidade a Cristo."

(1) João Paulo II, Homilia durante a Missa de encerramento da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Europa (23 de Outubro de 1999), 4: AAS 92 (2000), 179.


Durante o ano, a Igreja celebra ou faz memória de um santo diariamente. Mas no dia 1º de novembro, ela reúne-os todos numa festa comum. Isso porque, mesmo entre os canonizados, muitos santos não têm um dia exclusivo para sua homenagem. Essa celebração começou no século III, na Igreja do Oriente. Já em Roma, a festa de Todos os Santos ocorreu pela primeira no dia 13 de maio de 609, quando o papa Bonifácio IV transformou o Panteão, templo dedicado a todos os deuses pagãos do Olimpo, em uma igreja em honra à Virgem Maria e a Todos os Santos.

Próximo do ano 800, houve a mudança do dia graças à intervenção do abade inglês Alcuíno de York, professor de Carlos Magno. Os pagãos celtas entendiam o dia 1º de novembro como um dia de comemoração que anunciava o início do inverno. Quando eles se convertiam, queriam continuar com a tradição da festa. Assim, a veneração de Todos os Santos, lembrando os cristãos que morreram em estado de graça, foi instituída no dia 1º de novembro.

O papa Gregório IV, em 835, fixou e estendeu para toda a Igreja a comemoração em 1º de novembro. Oficialmente, a mudança do dia da festa de Todos os Santos, de 13 de maio para 1º de novembro, só foi decretada em 1475, pelo do papa Xisto IV.

Mas quem são os santos? Santos são todos os que foram canonizados pela Igreja ao longo dos séculos e também os que não foram e nem sequer a Igreja conhece o nome e que nos precederam em vida na terra perseverando na fé em Cristo. Todos viveram na terra uma vida semelhante à nossa. Batizados, marcados com o sinal da fé, fiéis aos ensinamentos de Cristo, eles precederam-nos na pátria celeste e convidam-nos a irmos ter consigo. Nos primeiros séculos, os cristãos praticavam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade.

Além disso, a solenidade de Todos os Santos enche de sentido a homenagem de Todos os Finados, que ocorre no dia seguinte.

* Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

PARA SERMOS SANTOS...

Ser santo não depende apenas de nossas forças, mas da graça de Deus. O princípio da santidade é a vida de Deus vivendo em nós.


A Igreja professa a fé na Comunhão dos Santos, pois cremos que existe uma comunhão entre o Céu e a Terra. Os santos do Céu podem interceder por nós, já que estão mais próximos de Deus, como nos diz Santa Teresinha: “Passarei o meu Céu fazendo o bem a Terra.” Nós também podemos orar pelos que já partiram, pedindo que tenham a graça de darem o último passo na sua conversão rumo à plenitude no Céu. 

Hoje celebramos todos os santos. Não somente aqueles que são canonizados, ou seja, reconhecidos pela Igreja como tais. Mas todos aqueles que já estão na glória de Deus, que participam da santidade de Deus são santos. Entre eles estão mães e pais de família, trabalhadores simples, jovens sinceros, crianças; estão pessoas de todas as classes, línguas e crenças. 

Para chegar à santidade plena do Céu há um caminho. As bem aventuranças são o programa de vida para se chegar a santidade. Não é apenas o caminho para se chegar ao Céu, mas o caminho para ser bem aventurado aqui e agora, ou seja, feliz. O dom da vida eterna, o dom escatológico, não cai do céu como mágica, mas pressupõe nossa colaboração. As bem aventuranças mostram que santidade exige liberdade: o reino é dos pequenos, dos pobres de coração (desapegados que não acumulam para si), dos puros de coração (que são sinceros, não usam máscaras), dos misericordiosos (que não julgam), dos que procuram a paz, dos perseguidos pelo amor a Deus e pela fidelidade à justiça. 

Ser santo, portanto, não é beatice, não é ter medo de viver, não é abraçar um monte de proibições e normas, não é fugir do mundo e das realidades do dia a dia. Ser santo é viver como uma pessoa de carne e osso que leva a sério as opções de Jesus Cristo. “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos” (1 Jo 3,1). Ser santo não depende apenas de nossas forças, mas da graça de Deus. O princípio da santidade é a vida de Deus vivendo em nós. É o seu amor derramado em nossos corações, dado como presente, como dom. Ser santo é responder com amor ao amor de Deus. 

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR