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sábado, 9 de agosto de 2014

ARTIGOS - O BELO, LUDICO E A MISTICO NA CATEQUESE - parte lll

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG.


A BELEZA QUE SEDUZ

Este artigo é uma adaptação, com ligeiras interferências, do texto de Inês Broshuis apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 23 de julho de 2010. 

1. Que é o “belo”? Primeiro precisamos perguntar que é o “belo”. É algo objetivo, subjetivo, intuitivo...? Por que temos conceitos diferentes do “belo”? Independente da resposta dada, o conceito de belo nos leva a entender que o bom gosto pode ser formado, educado. Compreendemos também que toda experiência de beleza é uma experiência religiosa, leva a Deus, que é a Beleza por excelência. A beleza é transmissora de fé. 

2. Para perceber o belo, precisa-se silenciar
No barulho ou na agitação não se percebe o belo. A beleza é para ser sentida; não é dirigida à nossa inteligência, mas ao coração. Observar um quadro bonito, uma flor, ouvir uma música clássica, exige silêncio. O belo também faz silenciar. O belo é o contrário do superficial. Perceber a beleza das coisas significa penetrar em sua realidade mais profunda. Quando nos encantamos com a beleza da criação chegamos à contemplação de Deus. A primeira revelação de Deus se deu na criação. A proposta da beleza é gratuita, exige tempo, contemplação, admiração... abre ao Transcendente, conduz ao mistério. 

3. Para descobrir o belo, deve-se desenvolver a admiração A admiração levou a grandes descobertas científicas. Os sábios da antiguidade diziam: “a admiração é o princípio de toda sabedoria”. Newton se perguntou, maravilhado, porque uma maçã cai de uma árvore, em linha reta, na terra. E ele descobriu que são as mesmas forças que fazem a maçã cair no chão que levam os planetas a girarem ao redor do sol. James Watt se maravilhou com o fato da tampa de uma panela com água fervendo ficar pulando e, com base nisso, inventou a máquina a vapor. Milhares de pessoas de milhares de gerações viam cair frutas das árvores, mas ninguém ficou tão maravilhado como Newton. Milhares também viram a tampa da panela pulando, mas ninguém se admirou. 

A capacidade de se maravilhar é a capacidade fundamental de todos os investigadores, cientistas e descobridores. É também o impulso para aqueles que acreditam. A admiração que sentimos diante das belezas da natureza, de tudo que nos cerca, nos leva a sentir o mistério que nos envolve. Nada é “normal”, sempre está acontecendo algo bem superior à nossa realidade. Admirando o céu estrelado sentimos nossa pequenez. Ouvindo as descobertas da astronomia ficamos estupefatos diante daquilo que ela nos revela. 

O sol é uma das 400 bilhões de outras estrelas da nossa Via Láctea. Os astrônomos acreditam que há cerca de 100 bilhões de galáxias no universo. Em cada uma dessas galáxias existem centenas de bilhões de estrelas. Nenhuma galáxia do universo está parada. Todas estão em movimento e se distanciam umas das outras a uma velocidade impressionante. O universo é um acontecimento, uma explosão. Diante da grandeza da natureza exclamamos: “O céu manifesta a glória de Deus; o firmamento proclama a obra de suas mãos!” (Sl 19,2). 

O que dizer da maravilha do corpo humano? O corpo humano tem cerca de 100 trilhões de células. Dentro de cada uma dessas células há um núcleo. Cada núcleo contém 46 cromossomos, agrupados em 23 pares. Os cromossomos são compostos de cordões helicoidais do DNA. Genes são segmentos de DNA que arquivam instruções para fabricar proteínas, os tijolos da construção da vida. Que maravilha é o nosso corpo! Que mundo de segredos, de maravilhas contém! Podemos dizer que tudo é normal? Que não há nada a admirar? 

O modo com que meu corpo e minha mente funcionam é outra maravilha. Cada órgão, cada parte do cérebro é um mundo incrível. Admirável é também que cada ser humano é único. Não há repetição. Cada um é um indivíduo irrepetível. O nascimento de uma criança é uma nova maravilha. Podemos dizer que sempre presenciamos um milagre. Viver é um milagre.
Admirável também é a capacidade que o próprio ser humano tem de questionar, de penetrar os segredos da natureza e descobrir o funcionamento. Basta pensar na tecnologia, na informática, na comunicação e na engenharia. Diz o Salmo 8: “Que é o homem, para dele e lembrares? Tu o fizeste pouco menos do que um deus e o coroaste de glória e esplendor”. 

4. A beleza na catequese Somente quem é capaz de admirar, de se maravilhar, é capaz de contemplar, de mergulhar em Deus e em seu mistério, cair em silêncio profundo e se entregar! Devemos desenvolver em nós e em nossos catequizandos o dom de admirar, de maravilhar-nos. Vivemos dentro de um grande mistério: Deus. Através do belo, fazemos a experiência de Deus. Cada encontro catequético deve levar à experiência de Deus. Como podemos criar em nossa catequese um ambiente que favoreça o silêncio, a admiração, a contemplação? 

Quando entramos numa igreja bonita, limpa e organizada, o próprio ambiente nos leva ao silêncio. A ornamentação, a luz que passa pelos vitrais, algumas imagens de bom gosto, a luz do sacrário... tudo nos faz contemplar o belo. Também o ambiente da catequese deve levar a isto. Em geral, não temos um espaço próprio e os centros comunitários e paroquiais não contribuem para se criar ambiente onde se sinta o Sagrado. 

Devemos preparar, de antemão, o ambiente e, para isto, estar no local pelo menos 15 minutos antes de começar o encontro. A sala limpa, algum cartaz bonito sobre o tema (não muitos), uma mesinha com toalha, alguma flor ou planta bonita (natural), uma estante para a Bíblia, uma vela acesa, cadeiras em círculo... Tudo isso expressa zelo, cuidado, contemplação, comunicação que revela a beleza da mensagem cristã. A(o) própria(o) catequista faz parte deste ambiente. Ela(e) se comunica: 70% com a postura (roupa decente, atitudes dignas); 25% com a voz (tom suave, boa articulação); 5% com o conteúdo (bem preparado). 

É preciso cultivar o silêncio. O contrário do silêncio é o barulho, a bagunça, a agitação, a desordem, o desequilíbrio. Podemos fazer exercícios de silêncio, ouvir alguma música suave (mantras), selecionar bem os cantos. As gravuras precisam ser de bom gosto, principalmente as que retratam o Cristo. Devemos evitar imagens ou desenhos de Deus e reforçar as imagens de Deus contidas na Bíblia. É muito importante que o catequista cresça na arte de narrar. Basta lembrar as narrativas bíblicas, como as que se encontram nos Atos dos Apóstolos... 

Símbolos são objetos que transmitem uma realidade interior mais profunda que o objeto apresentado. A Liturgia se expressa (além da Palavra) por gestos e símbolos: água, vela, pão, vinho, óleo, espaço, vestes, vestes, silêncio, música, imagens, Bíblia, expressão corporal... A Liturgia é escola de beleza pela riqueza de seus símbolos. Nós podemos usá-los também na catequese, ligando-os à vida de cada dia. Plantas, flores, retratos, pedras, tudo pode se tornar um símbolo. O símbolo não toca as pessoas do mesmo jeito. O sentido mais profundo é diferente para cada um. 

A Bíblia é um livro cheio de poesia e linguagem simbólica que pode inspirar a catequese e a oração, como acontece com os Salmos. Na catequese não pode faltar formação para a oração. Se a catequese não ensina, onde a pessoa vai aprender a orar?

Devemos, então, ensinar fórmulas meditadas, orações espontâneas, celebrações, culminando na oração silenciosa e contemplativa.
(Inês Broshuis)

*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O belo, lúdico e a mistica na Catequese - parte ll

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG. *por conta da extensão do arquivo estaremos publicando em três partes. Acompanhe a sequência!

A MÍSTICA QUE TRANSFORMA

Este artigo é uma adaptação do texto de Lucimara Trevizan, apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 24 de julho de 2010.
Mística é a motivação densa e profunda da caminhada cristã. É o ponto de apoio da vida, o gancho onde a gente prende o sentido da vida. Falar em mística é falar do sentido da existência. É falar da experiência amorosa de Deus, experiência fundante do cristão. É ser iniciado no Mistério.

1. Deus é Mistério de Amor
A experiência do amor é a chave para o conhecimento de Deus, para ser iniciado no Mistério, já nos diz a carta de São João. A gente só se conhece quando se reconhece
amado. Ninguém se conhece se não reconhece que é conhecido amorosamente. O olhar de Deus é olhar amoroso.


Jesus vê o que os outros não vêem. Vê numa pecadora bondade e amor. A verdadeira profecia de Deus é ser capaz de ver o bem onde aparentemente existe pecado e mal. O método para conhecer uma pessoa é amá-la, é confiar, é crer. Deus nos conhece e reconhece com amor. O olhar de Deus é bondade, amor... Deus tem fé no amor. Só enxergo na media em que olho o que Deus vê.

Para Santa Teresa, orar é olhar o olhar de Deus para mim. Sentimos saudade e fome desse olhar amoroso de Deus. O olhar de Deus me devolve, me faz ser eu mesmo. Jesus nos permite conhecer como Deus nos conhece.

2. Como Deus me conhece e como posso conhecer que sou conhecido?
Chamar de Deus de Pai supõe que, se quero conhecer como ele me conhece, preciso escutar sua voz que diz: Filho. Se pelo batismo fomos incorporados no Filho, precisamos reconhecer: sou filho(a) amado(a). Esta é a resposta à pergunta fundamental: Deu quem sou, ou quem sou eu? Somos filhos do amor.

Deus nos amou primeiro. Nossa bondade é porque Deus nos ama. Para Deus a criação é uma aposta. Cria gratuitamente. Fomos feitos à imagem e semelhança daquele que nos criou livremente. A liberdade é parte da criação. Deus nos criou livremente nos criou para a liberdade. Deus nos criou criadores (do nosso próprio destino, ou seja, para criar a forma concreta da vida, desenvolver as capacidades que temos). O original em nós é a Graça, o amor, a liberdade, a criatividade.

Jesus “me conhece”. Ele faz tudo por nós, pela nossa salvação. O que Jesus faz em nossa vida é garantir com sua Palavra e vida a certeza de que ninguém nos afasta do amor de Deus. Não é preciso ser Deus para ser filho de Deus. É preciso parar de sonhar em ser onipotente, grandioso, vendo limite como algo que oprime. É possível amar ainda quando parece que tudo acabou: o amor, a vida...

Jesus, o Filho, nos ensina que é possível amar a humanidade. O Filho se encarnou para mostrar o que Deus queria com a criação. A humanidade definitivamente faz parte de Deus. Quando dizemos “Jesus subiu aos céus” não queremos dizer que deixou de ser humano. Jesus Ressuscitado voltando ao Pai volta humano. Por ser solidário radicalmente com a humanidade, a nossa humanidade está em Deus. Mesmo com a ressurreição e ascensão de Jesus, nossa humanidade continua em Deus.

A beleza da Encarnação é ver que Deus nos faz tão filhos dele que nos participar de sua vida. O amor de Deus faz com que a vida não acabe, o perdão seja possível, a morte não tenha a última palavra. Sou filho, alguém que está a salvo. A vida vai dar na Plenitude, na Glória. Acreditar no Espírito Santo é acreditar que não é só na morte que vamos para Deus, mas é já aqui. A vida é sopro de Deus em nós.

O Espírito nos foi dado para vivificar/santificar. É o Espírito que nos inspira a bondade (que às vezes a pessoa nem percebe). Deixar o Espírito vivificar é deixar que o nosso coração vá ficando bom. Que a criação volte à bondade original. Que cada um encontre
o caminho para a bondade. Deus nos chama a todos à santidade, ou seja, à bondade que nos faz parecidos com o único bom: Deus Pai.


3. A mística na catequese
Catequese é lugar da experiência da beleza do amor de Deus, revelado em plenitude em Jesus Cristo. A catequese tem a missão de ajudar as pessoas a se reconhecerem filhos amados de Deus. Precisamos considerar os seguintes aspectos:
* A nossa catequese é ainda muito escolar, somos presos ao livro, ao texto.
* É necessário rever os conteúdos dos encontros. Perde-se tempo com temas que são secundários.
* Devemos cuidar mais da acolhida, da partilha e da convivência.
* É importante investir na espiritualidade da comunhão e perceber o outro como obra de arte de Deus.
Em relação ao grupo de catequistas:
* Cuidar do encantamento inicial (formação).
* Resgatar a alegria de ser catequista, a alegria do chamado (vocação: é Deus quem chama).
* Ajudar o grupo a melhorar a intimidade com o Amado: Deus mesmo.
* Organizar manhãs, tardes de espiritualidade para silêncio, oração pessoal, partilha.
* Cuidar da preparação das celebrações e orações.
* Zelar pela boa acolhida e acompanhamento das pessoas.
* Melhorar o jeito de trabalhar a espiritualidade nos cursos, nas escolas catequéticas.
(Lucimara Trevizan)


*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O belo, lúdico e a mistica na Catequese - PARTE l

Trechos do material produzido pelo Regional Leste II da CNBB: O belo, o lúdico e o místico na Catequese. Belo Horizonte – MG. *por conta da extensão do arquivo estaremos publicando em três partes. Acompanhe a sequência!

O LÚDICO QUE LIBERTA

Este texto, de Edwar Neves M. B. Guimarães, foi apresentado no Encontro Regional de Coordenadores de Catequese promovido pela Dimensão Bíblico Catequética do Secretariado Regional Leste II, em Belo Horizonte, no dia 23 de julho de 2010. 

1. O “lúdico” aos olhos da fé cristã Esta é uma dimensão profunda da vida humana. Ela está presente em todas as culturas. Ela tem a função de preparar o coração para saborear a vida. Há uma diversidade enorme de manifestações típicas de nossa natureza lúdica: criação de jogos, brincadeiras, diversões, festas, ritos, expressões de humor...

Criação de instrumentos musicais, canções, danças, poemas, teatro, cinema, jardins, parques... O lúdico é a expressão externa do prazer de viver, da harmonia e alegria presente na interioridade humana. O ser humano além de homo sapiens, homo faber, homo socialis é também homo ludens.

O sinal mais imediato, comprovador de nossa dimensão lúdica, estampa-se em nosso próprio rosto através das inúmeras expressões do sorriso humano. Somos insaciavelmente famintos e sedentos de sorriso. Pode-se perceber, na verdade, uma dupla necessidade: a de sorrir e, principalmente, a de colher sorrisos. E aqui não se trata de qualquer sorriso, mas da autêntica expressão diante da realização humana na intimidade do amor, da acolhida sincera, do prazer da convivência nas muitas formas de amor experimentado e compartilhado.

Entre as experiências mais profundas da vida humana, fundamental para nosso equilíbrio afetivo e segurança pelos caminhos da vida, destaca-se o sorriso. O sorriso de uma mãe tem o poder de acalentar e trazer tranqüilidade e paz para a criança. O sorriso de um amigo ou da pessoa amada tem o dom de restaurar as forças do cansaço, revigorar o ânimo e promover a saúde do coração. Quem não se lembra das emoções provocadas pelas narrativas de um avô/avó, de um pai/mãe ou um professor/professora? 

A grandeza e as maravilhas da criação revelam a face amoroso do Deus que cria por amor, com amor e para o amor. A pessoa de fé, quando contempla admirada a criação, colhe a transcendência do “sorriso” da gratuidade terna do Deus estradeiro conosco e experimenta, dentro de si, o chamado divino para ser co-criador: cuidar e defender a vida, alegrar-se com e saborear as possibilidades oferecidas e, sobretudo, participar da comunhão amorosa com Deus. 

2. Nem toda experiência lúdica liberta Toda realidade humana é ambivalente. Pode ajudar ou atrapalhar, ser boa ou ruim, construir ou destruir... Nesse sentido, toda experiência humana exige contínua avaliação crítica. Pode-se, de fato, observar que muitas entre as experiências lúdicas não libertam. Ao contrário, frequentemente viciam, escravizam e destroem. Entre nós há grande variedade de manifestações deturpadas da dimensão lúdica. O ser humano é capaz de criar jogos violentos, jogos que são até chamados de azar... Há jogos que são verdadeiras experiências de degradação da dignidade da vida humana. Há entre nós brincadeiras de péssimo gosto. Algumas podem ser denominadas desumanas, pois promovem a humilhação e ofendem a moral e a dignidade da pessoa. O mesmo pode ser observado em nossos modos de divertir. Há diversões que são cansativas, outras que são excludentes e exploradoras, e outras ainda que são violentas, perigosas e que colocam em risco a própria vida. Há modos de festejar dos quais saímos piores, sentimos mau estar no dia seguinte... 

3. Alguns critérios de avaliação do lúdico A vida humana precisa de contínua avaliação. A sabedoria produzida pela reflexão ética promove como critério fundamental de avaliação a própria vida, a dignidade da vida humana. Bom e desagradável é tudo aquilo que promove a dignidade da vida. E, portanto, o que deve ser evitado e combatido é o que ofende e agride a beleza da vida. Desse modo, diante de qualquer manifestação da dimensão lúdica pode-se e deve-se perguntar: Em que sentido este jogo, esta brincadeira, este modo de divertir, alegrar e festejar promove ou agride a dignidade da vida das pessoas envolvidas ou do meio ambiente? As pessoas tornam-se mais amigas? Em que sentido este jogo, esta brincadeira, este modo de divertir, alegrar e festejar impulsiona ou destrói a integração, a boa convivência, os sentimentos e a paz entre as pessoas? Alguém sai magoado ou ferido? Em que sentido este jogo, esta brincadeira, este modo de divertir, alegrar e festejar favorece ou impede o processo de amadurecimento e de aperfeiçoamento das pessoas? As pessoas ficam felizes? A catequese encontra aqui um critério importante de avaliação da caminhada, dos fatos acontecidos e de cada atividade planejada ou realizada. 

4. A pessoa de Jesus e o lúdico na catequese O rosto de Deus, revelado através da pessoa de Jesus Cristo, em seus ensinamentos e ações, o Abba (paizinho querido), pode ser caracterizado pela ternura, pelo encanto e pela proximidade amorosa... Para Jesus de Nazaré, Deus é, sobretudo, aquele que promove a vida em plenitude, aquele que se alegra com cada ser humano feliz e realizado. Jesus encontrou no Abba uma fonte inesgotável de amor e de sentido, de modo que sua experiência religiosa configurou-se muito diferente da de João Batista. No centro de sua pregação estava o projeto salvífico universal. O Deus de Jesus quer salvar a todos: pecadores, excluídos e marginalizados. Diante do rosto deste Deus não há lugar para o mau humor, a postura carrancuda, o semblante sombrio... Ele é o Deus da vida, fonte da verdadeira alegria e amor. A catequese que pretende revelar esta experiência de salvação, uma verdadeira “Boa Nova” precisa encontrar uma expressão adequada, esperançada, lúdica, alegre, bem humorada... A cruz para o cristão é um “fardo leve” e um “desafio suave”. Neste sentido, o seguimento de Jesus não pode ser compreendido como um peso a mais para a vida. Mas, ao contrário, o que torna a dureza da vida algo mais suave.

As exigências da vida cristã tornam a vida mais gostosa de ser vivida. Deus não é um inimigo da vida. Ao contrário, Ele é o que dá sentido à vida. Por isso, a experiência de Deus alegra o coração do ser humano. Uma configuração do cristianismo e, portanto, da catequese, que não expresse essa autêntica alegria da “Boa Nova” denuncia a sua falta de autenticidade. Como diziam os antigos, ainda que santo, “um santo triste é um triste santo”. Uma das marcas do cristão é sua alegria e o encantamento diante da vida. Mesmo diante da derrota, da dor, da perda, o cristão é chamado a contemplar a presença amorosa de Deus, nossa fonte inesgotável de sentido, nosso destino último, nossa pátria definitiva.

5. Algumas sugestões práticas Não há uma receita geral e infalível, a dimensão lúdica da catequese deve ser uma preocupação constante de cada catequista: O que fazer para que cada encontro seja vivenciado em um clima de alegria e encantamento com a pessoa e com a proposta de seguimento de Jesus de Nazaré? Há vasta literatura sobre a prática catequética e uso de dinâmicas e brincadeiras. Aqui daremos apenas alguns lembretes que julgamos importantes. Importa diversificar o uso de criatividades, inserido na realidade de cada lugar onde a catequese acontece, com a preocupação constante de ajudar a tornar o aprendizado de cada conteúdo uma experiência marcante, leve, agradável, interativa, participativa, nas palavras do nosso congresso, sedutora, libertadora e transformadora... Importa buscar e preparar dinâmicas, músicas, filmes, aplicativos, gestos, ritos, símbolos, narrativas, teatros (encenações), imagens e brincadeiras, que sejam adequadas a cada encontro.
(Edwar Neves Guimarães)


*Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

terça-feira, 5 de agosto de 2014

AS CRIANÇAS E A MISSA

Nós aqui já discutimos muito a MISSA e um "modelo" para que nossos catequizandos participem dela. Neste texto tem um síntese das minhas e de muitas outras idéias para tornar a missa mais atrativa:

AS CRIANÇAS E A MISSA

Essa questão da "chamada" na missa é uma coisa, em minha opinião, total e completamente fora de propósito. Sem falar que os pais ficam possessos com isso. E os pais, via de regra, estão menos interessados em ir à missa do que as crianças. Quem já viveu a experiência da obrigatoriedade sabe que isso não dá certo.
E a missa, pelo ritual e simbolismo que representam, também não é lá a coisa mais interessante do mundo para uma criança.

Mas então, o que fazer?

Primeiro acho que todos os catequistas deveriam conhecer e se aprofundar no estudo do DIRETÓRIO PARA MISSA COM CRIANÇAS, um documento produzido pela Igreja para direcionar e dirimir eventuais dúvidas sobre o que “pode” e “não pode” fazer durante a missa. E, só depois, pensar numa missa PARA AS CRIANÇAS. E essa missa não pode ser aquela que o padre faz para os adultos, ela precisa ser diferente, mas, sem perder a sua essência, que é de "celebração". Jamais pode ser transformada numa festa qualquer, com pipoca, pirulito, teatro, brincadeira, palhaço e por aí vai...

E para que a missa possa se tornar “interessante”, por mais que isso não seja exatamente o que deveríamos fazer, já que deveríamos isto sim, fazer a missa se transformar em catequese também, eis aí algumas sugestões:

- Deve haver uma missa da catequese, com dia e horário específico. Isso significa que a missa vai ser DIFERENTE, todo adulto que lá estiver deve saber que a missa é PARA os catequizandos; 
- Homilia e monições voltadas para os catequizandos, mas sem infantilismo;
- Utilização de imagens, ilustrações, encenações. As crianças até a segunda infância (entre 7 e 10 anos) são mais "visuais", elas assimilam muito mais imagens do que escutam (palavra).
- Não distribuição guloseimas na missa (pãozinho, biscoitinho, pirulito). Algumas crianças acabam indo a missa SÓ por isso;
- Promover a participação dos catequizandos nos vários momentos da missa: acolhida, procissão de entrada, ofertório, coleta, leituras, preces; fazendo rotatividade entre turmas e catequistas responsáveis. Uma turma faz a acolhida, outra o ofertório, coleta, etc.
- Fazer encenações do Evangelho com os catequizandos, evitando teatrinhos "nada a ver" com as leituras do dia. Algumas leituras não são ideais para encenação, não caia na tentação de substituir por uma historinha, personagens, bichinhos, etc... trazendo um “zoológico” para a Igreja. Missa é “ritual”, a celebração da Palavra deve ser aquela instituída pela Igreja;
- Promover homenagens em datas especiais, mas sempre após a oração final. A critério do padre pode ser utilizado o memento de ação de graças;
- Envolver e dar responsabilidades aos catequizandos, fazê-los participar também da organização. Isso caberia aos catequizandos com uma fazia etária maior ou crismandos; 
- Treinar os leitores da Palavra e das preces. Não é porque são crianças que as leituras podem ser mal proclamadas;
- Envolver os pais e as famílias neste momentos também. Por exemplo: num ofertório, pedir à família (mãe, pai, irmãos) que entre com as ofertas;
- A acolhida precisa ser bem feita, treinar os catequizandos para, efetivamente, receber as pessoas com alegria... Distribuir os folhetos, folhas de canto, lembrancinhas, etc.
- Enviar "convites" da missa. Dar-se ao trabalho de confeccionar estes convites, entregar com antecedência aos catequizandos, pedir que convidem os familiares. Não meramente imprimir um papel com data, local, horário. Fazer no capricho, de preferência com imagem do tema do domingo;
- Se possível utilizar um coral infantil ou promover um na catequese. Senão, integrar-se com as equipes de canto no sentido de se cantar músicas de criança. Mas nada de sair por aí buscando música secular. A Igreja tem música sacra infantil também...
- A catequese precisa ter uma equipe "de missa", catequistas que se preocupem com essas coisas, que se preocupem com a organização, com os temas, com convites, com cartões/lembranças, com quem vai fazer o que. Em hipótese alguma se deve convidar sempre as mesmas pessoas (pais) e as mesmas crianças para fazer as coisas.

Enfim, é algo que dá trabalho! E essas, são apenas algumas das coisas que se pode fazer. Tenho certeza que a equipe de catequese pode pensar em bem mais. Exceto qualquer tipo de papel que seja meramente parecido com "folha de presença", obrigatoriedade. Se a paróquia tem que chegar a esse ponto, significa que não só a catequese, mas também a Liturgia deixam muito a desejar...

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A CATEQUESE ORIENTADA PARA O MISTÉRIO DE CRISTO

O Diretório Nacional de Catequese – DNC, em seu primeiro capítulo, cita as conquistas e desafios do movimento catequético pós Concílio Vaticano II, trazendo em seu item 14, “os grandes desafios à tarefa de se realizar uma catequese verdadeiramente voltada para a iniciação à vida cristã”. São listados quinze itens, todos de suma relevância, colocados ali para despertar a consciência do catequista no sentido de acordar para uma realidade que se faz urgente: devolver à catequese o verdadeiro sentido de complemento à Iniciação Cristã que deveria ter começado com a família nos primeiros anos de vida da criança.

Mas, o que chama a atenção, num primeiro momento, é o desafio de “(...) passar de uma catequese só orientada para os sacramentos, para uma catequese que introduza ao mistério de Cristo e à vida eclesial” (item g, DNC 14). Este é, sem dúvida, um dos maiores desafios que a catequese nos apresenta hoje.

Percebe-se uma catequese longe da mistagogia catequética dos primeiros tempos da Igreja, distante da liturgia e, mais ainda, de introduzir o cristão a uma participação efetiva na comunidade/igreja.

Ao longo do tempo, construiu-se a crença de que a família estaria fazendo o papel do primeiro anúncio de Cristo, do “querigma”, da conversão, enfim. Porém, o que se vê é uma família frágil em suas crenças e na condução de uma educação cristã de seus filhos. Isso porque ela já vem de uma catequese totalmente voltada para os sacramentos, sem profundidade na fé. Hoje, a grande maioria das famílias cristãs, encontra-se despreparada para ser “a primeira catequese dos filhos”. O mundo secularizado, o apelo consumista e a urgência de se colocar num mercado de trabalho cada vez mais concorrido, tem feito pais e mães deixarem a religião de lado. Isso quando não os próprios filhos, que são educados hoje, muito mais pela TV e pela internet, do que por eles. Isso para não falar da educação nas “ruas”, nas gangues e nas “tribos”.

Para vencer este desafio é necessário mudança de mentalidade e de postura. Não só com crianças e pais, como da própria mentalidade do catequista. Nosso catequista foi educado por uma catequese “sacramental”. Por mais que ele tente mudar sua postura, muitas vezes, os encontros de catequese ainda estão por demais apegados à doutrina e aos costumes. Exige-se dos catequizandos o “decorar”. São orações, mandamentos, sacramentos, dons do Espírito Santo, enfim... Sem que eles, os catequizandos, realmente os tenham “decora...ção”.

A catequese em si, vem tentando “doutrinar” o catequizandos. As crianças e adolescentes, ao serem “doutrinadas”, e não evangelizadas, recebem a fé como mais um “conteúdo escolar” (vê-se pela dificuldade que eles têm em trocar o “professor (a)” pelo “catequista”). Outra coisa, os conteúdos da catequese não são “cobrados” em avaliação (nem deveriam sê-lo!), portanto, não são considerados importantes para fazer parte de uma bagagem de conhecimentos. Estas questões nos levam a concluir que não se vive o “mistério da fé” na catequese.


Acredita-se ainda, que toda a conversão ao mistério da morte e ressurreição de Cristo é uma coisa “implícita” na pessoa do catequizando, algo que vem de berço. É uma “obrigação” da família. E, sabemos hoje, que nada pode estar mais longe dessa realidade. A família encontra-se presa a conceitos “sacramentalizados” de catequese. A primeira comunhão e a crisma são obrigações “sociais”. Os pais colocam os filhos na catequese para “adquirir” o sacramento. Pura e simplesmente. Não raro, os adolescentes não vêem a hora de acabar a catequese e, portanto, a obrigação religiosa de se estar indo à igreja uma vez por semana. Nem contamos aqui a missa dominical, que seria o “segundo” encontro semanal.

As coordenações de catequese, têm lançado mão de artifícios e mais artifícios para “levar” o catequizando à missa. Sem sucesso. A liturgia, o “celebrar” foi deixado de lado pela catequese durante muito tempo. Privilegiou-se o “saber” em detrimento do “sentir”. A mistagogia foi dissociada da catequese. Não há, na maioria dos corações que chamamos “cristãos”, a necessidade de celebrar o mistério pascal. A missa tornou-se somente uma repetição considerada sem necessidade pelo catequizando.

Para se vencer esse desafio, é preciso rever posturas e conceitos. É preciso “(...) assumir o processo catecumenal como modelo de toda a catequese e, consequentemente, intensificar o uso do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos - RICA” (outro desafio listado no DNC 14). O catequista precisa estar consciente de que mudanças começam, não por uma doutrina ou por um documento imposto pelas autoridades da igreja. Começa pela mudança do “SER” catequista. Começa pelo “primeiro anúncio” feito ao seu próprio coração. O catequista está realmente consciente de seu papel nessa mudança tão necessária de conceitos?

O trabalho é árduo e o caminho é longo. A Igreja tem delineado alguns “mapas”, como o RICA, o próprio DNC, o Documento de Aparecida e o Documento 97. Mas eles não são suficientes. Precisa-se do “mapa” do nosso “DNA” cristão. Saber como fomos “construídos”, como se deu a nossa construção como catequistas, como fiéis, como discípulos. Precisamos achar Jesus em nosso íntimo. Só assim saberemos, com nosso exemplo, levar outros, ao Cristo Jesus, verdadeiramente assumido pelos primeiros discípulos e catequistas.


Ângela Rocha
Catequista de Primeira Eucaristia

terça-feira, 17 de junho de 2014

DICAS PARA FORMAÇÃO DE GRUPOS DE JOVENS

Sua paróquia/comunidade não tem grupo de jovens? 

Pois vamos incentivar a criação de um. Mas antes é preciso atentar para o que diz a nossa Igreja a respeito do assunto.

Primeiro o grupo se reúne estuda e vê as características que quer ter, se Grupo, Movimento ou Pastoral, mas sempre ligados a uma comunidade ou paróquia. Aí depende dos objetivos que o grupo quer atingir ou da Mística de cada um. Acredito que o primeiro passo para que isso aconteça é que deve existir uma assessoria ou coordenação de Pastoral de Juventude na Paróquia para ajudar os jovens nisso.

Outro passo importante é a leitura do CIC - Catecismo da Igreja Católica, documento régio da Igreja Católica, nos itens 1877 a 1948 que fala da "COMUNIDADE HUMANA", apesar de não tratar de questões práticas, trata da organização da sociedade.

As EXORTAÇÕES DO PAPA PARA AS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE, também são documentos interessantes de se ler. Mais para incentivo aos jovens na caminhada pastoral.

O Documento da CNBB n.º 85 – EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE – Desafios e perspectivas pastorais, traz na III parte, linhas de ação (página 88 em diante) para organização de grupos de jovens, há um subtítulo que fala sobre pistas de ação. Acredito que isso possa ajudar muito a formação do grupo.

É importante também conhecer as DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL – 2011-2015, para estar por dentro das diretrizes atuais.

Os ESTUDOS DA CNBB Nº 44 – A PASTORAL DA JUVENTUDE NO BRASIL E ESTUDOS DA CNBB Nº 93 - EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE, DESAFIOS E PERSPECTIVAS PASTORAIS; trazem complementos ao assunto já abordado no Doc. 85.

O JORNAL MUNDO JOVEM, também traz subsídios para criação de grupos de jovens no endereço http://www.mundojovem.pucrs.br no link Subsídios.

No mais, regras e normas devem ser criadas em consenso pelo grupo para o bom andamento dos trabalhos, sempre levando em conta também o que determinam os CONSELHOS PAROQUIAIS E AS NORMAS DIOCESANAS PARA A JUVENTUDE.

Outra coisa, é preciso distinguir muito bem a diferença existente entre Pastoral e Movimento. Geralmente os movimentos têm um caráter de espiritualidade e seguem um carisma próprio, envolvendo mais ou menos às mesmas pessoas que vivenciaram um encontro, um retiro ou uma catequese. Os movimentos nascem e se formam num contexto externo à igreja local. Estão mais ligados à vida pessoal das pessoas, visando a espiritualidade e a vivência de certos aspectos da fé.

Quando falamos em Pastoral, a mesma tem como finalidade concretizar a mensagem da Boa Nova, seja nas estruturas sociais, seja no testemunho diário e constante. A pastoral consiste em atualizar para o nosso tempo as atitudes de Jesus como bom pastor. As atividades devem ser voltadas para as exigências da Ação Evangelizadora: serviço, diálogo, anúncio e testemunho.

Os grupos sempre estarão ligados a uma Pastoral ou a um Movimento. Aliás, as pastorais e movimentos “se fazem com grupos”.

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

quinta-feira, 13 de março de 2014

VAMOS COMEÇAR A CATEQUESE DO ANO! MAS, COMO???

Pois é, passou o carnaval e começamos o "ano"... Não adianta, o Brasil é o país que começa depois do carnaval mesmo! E isso se reflete, infelizmente, na nossa Igreja. Parece que as pessoas tiram férias da Igreja antes do natal e voltam só na quarta-feira de cinzas!

Enfim! Cá estamos nós! E perdidos...



E tenho visto muitos catequistas e coordenadores meio perdidos buscando “o que fazer” neste começo de ano catequético. Normal até que a gente busque ajuda e sugestões para nossa catequese num grupo de catequistas... Mas, orientações e sugestões para INCREMENTAR nosso itinerário de conteúdos, não para criá-los a nível paroquial! 

E mais, onde está o “planejamento” de vocês? Como se começa alguma coisa sem planejar antes?



Citando Lucas 14, 27-30:

“Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la? Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele, dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar.”

Então, para quem está encarando essa nobre missão, só agora ou ainda é novo "no pedaço", tenho duas citações do DNC que acho absolutamente "da hora" para vocês:

- "A organização da pastoral catequética tem como ponto de referência o BISPO e a DIOCESE. O secretariado diocesano ou a Comissão/coordenação diocesana de catequese é o órgão através do qual o Bispo, animador da comunidade e mestre da doutrina, dirige e preside a atividade catequética realizada na sua diocese." (Capítulo sétimo, pg 141, Item 232);

- "Para frutificar, a catequese necessita de organização, planejamento e recursos. para que o ministério catequético na diocese seja frutuoso, ele precisa apoiar-se sobre os demais agentes, não necessariamente catequistas diretos, os quais apóiam e sustentam a atividade catequética, realizando tarefas que são imprescindíveis, tais como: elaboração de material, formação, organização e planejamento. Cabe à diocese, através de seus organismos e coordenações, dar condições para que a ação catequética perpasse a ação evangelizadora da igreja, com ênfase na catequese com adultos. Há também a necessidade de prover os catequistas de recursos, tanto para a tarefa catequética propriamente, como para a sua formação permanente. Catequistas são sabidamente generosos, oferecem seus serviços e seu tempo em espírito de gratuidade. Mas muitos são pobres e cooperam penosamente no sustento da família. A comunidade que aceita seu trabalho e precisa tanto deles deve ter sensibilidade para pôr à disposição da catequese livros, material pedagógico, cobertura financeira para cursos, encontros, reuniões dos quais os catequistas devam participar." (item 236, pg 143).

Em minha modesta opinião, estes dois itens nos dão a dimensão exata de que, AO CATEQUISTA, cabe cumprir e realizar a missão; às lideranças, começando pelo nosso pároco, cabe dos dar as orientações para que se realize esta missão. E, com estas orientações, é que se faz o “planejamento” do ano – de preferência, bem antes do carnaval!
E olha que os dois itens do DNC - Diretório Nacional de Catequese (que TODO catequista deveria conhecer e ter em mãos para consulta) foi inteiramente baseado no DGC - Diretório Geral para a Catequese, documento da SÉ APOSTOLICA, criado com o objetivo de direcionar a catequese EM TODA A IGREJA CATOLICA.

Não dá, então, para conceber que AINDA EXISTEM CATEQUISTAS que NÃO CONHEÇAM ou não tenham ouvido falar destes DIRETÓRIOS! O DGG (diretório em nível mundial) existe deste 1997 e substituiu o DCG de 1971, criado a pedido do Concílio Vaticano II. O Nosso diretório, o NACIONAL, feito para o Brasil, existe desde 2006, e antes dele teve o Documento Catequese Renovada - CNBB, de 1983, que orientava a catequese. Vocês hão de convir comigo que é absurdo, que mais de 30 anos depois do Brasil ter criado um documento para a catequese, ainda se viva sem conhecê-lo. O DNC ainda é "jovem", tem só oito anos, mas foi amplamente reforçado, também, pelo Documento da Conferência de Aparecida em 2007. De lá pra cá, não se concebe ação evangelizadora (leia-se aí "catequese" também) no Brasil e na América Latina sem ele, o DAp.

Mais absurdo ainda, é a gente observar que muitas paróquias ainda usam os tradicionais CATECISMOS de perguntas e respostas ou então baseiam a catequese exclusivamente na Doutrina... E uma doutrina bem ultrapassada, já que, DUVIDO, usem como base o CIC (Catecismo da Igreja Católica) promulgado pela carta Fidei Depositum, do papa João Paulo II em 1992.

Agora vocês podem até dizer pra mim que estes documentos que citei podem ser lindos e maravilhosos no papel, mas não se aplicam a realidade de vocês. Podem sim! Mas só se for por "vontade" das lideranças de vocês (coordenadores, padres, bispo). NUNCA por DESCONHECIMENTO da existência deles.

Ninguém deve sair de sua casa em direção a Igreja, ou ferver a caraminhola um dia antes, pensando ali com seus botões: "O que será que eu podia falar  aos meus catequizandos?" Se o catequista tem consciência da amplitude da sua missão, deve, com certeza se preocupar com aquilo que está fazendo (Não um dia antes, claro!). E esta preocupação se reflete no "conteúdo" e nos "métodos" que está usando para a catequese. Ele não tem que tirar "da sua cabeça" ou da sua "experiência de vida", muito menos da sua "boa vontade" e "achismo", os conteúdos necessários à Evangelização na Igreja Católica. Para isso existe a organização da Igreja local: o pároco, os responsáveis pelos os setores, foranias, decanatos (que nome for) e depois as Dioceses.

Certamente que se pode pensar também que só falar de Jesus e ler a Bíblia, resolve a catequese. Com certeza resolve muito. A Bíblia e os Evangelhos, são a base do conteúdo catequético. Mas, não vamos esquecer que o nosso CREDO CATÓLICO, coloca depois das pessoas da Trindade Santa, o "creio na Igreja Católica" e tudo que advém desta crença: história, tradição, mandamentos, sacramentos, etc. 

E quais são os SETE PEDRAS fundamentais do processo de catequese e do amadurecimento do cristão?


Credo        Sacramentos      Mandamentos/Bem aventuranças   
Pai Nosso     Antigo testamento     Vida de Jesus        História da Igreja.

(conforme DNC 130 e DGC 128, 130).

E isso tudo gente, precisa estar muito bem estruturado num processo catequético gradual e progressivo: idades, etapas, cronogramas, planejamento.

"(...) por ser educação orgânica e sistemática da fé, a catequese se concentra naquilo que é comum para o cristão, educa para a vida de comunidade, celebra e testemunha o compromisso com Jesus. Ela exerce, portanto, ao mesmo tempo, as tarefas de iniciação, educação e instrução (cf. DGC 68). É um processo de educação gradual e progressivo, respeitando os ritmos de crescimento de cada um." (DNC 41).

Então, como fazer isso? Comece perguntando aos seus coordenadores paroquiais; estes, se não souberem, vão ao pároco; o pároco, se não souber, vá ao seu bispo. Com certeza, alguém tem as respostas. O que acontece muitas vezes, é que ninguém pergunta...



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